Departamento de taquigrafia, revisão e redaçÃo núcleo de redaçÃo final em comissões texto com redaçÃo final



Baixar 0.49 Mb.
Página3/9
Encontro07.10.2019
Tamanho0.49 Mb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9

O SR. COORDENADOR (Senador Leomar Quintanilha) - Concedo a palavra ao Sr. Paulo Odair Pointevin Frazão, Gerente-Executivo de Desenvolvimento Regional Sustentável do Banco do Brasil, por 10 minutos, para sua exposição.

O SR. PAULO ODAIR POINTEVIN FRAZÃO - Inicialmente, cumprimento o ilustre Senador Leomar Quintanilha, Presidente da Mesa, em nome de quem cumprimento todos os presentes. Também não poderia deixar de cumprimentar minha colega da Caixa Econômica Federal e todas as mulheres presentes a este evento. Meu abraço especial à Deputada Vanessa Grazziotin, que organizou este simpósio, e os colegas dos Estados da Região Norte, onde já trabalhei.

Tive oportunidade de passar um quarto da minha vida na Amazônia Legal, região pela qual me apaixonei. Por isso, estou muito feliz de falar hoje de 2 paixões: o Banco do Brasil e a Amazônia.

Sou do Rio Grande do Sul e vou começar a minha exposição com a mensagem de um poeta gaúcho, o qual disse ter sonhado com o dia em que o homem deixaria de poluir o meio ambiente, de danificar os rios, e que ele poderia deixar para seus filhos lugar diferente do Pampa pobre que herdou de seus pais. A região do Pampa é o meio ambiente onde vive o gaúcho.

A Nova Era não está no futuro, estamos vivendo ela agora, porque o homem tomou consciência de que precisa cuidar do meio ambiente.

Meus parabéns, portanto, aos organizadores por este evento.

Iniciarei minha exposição falando um pouquinho sobre o Banco do Brasil na região amazônica e depois sobre específica estratégica da instituição para trabalhar com desenvolvimento sustentável, que tem tudo a ver quando se fala em Amazônia, em meio ambiente, ecossistema e perpetuação da humanidade.



(Segue-se exibição de imagens.)

Na Amazônia Legal existem 423 agências do Banco do Brasil, que detém 35% da rede bancária na região, sendo 65% dos outros bancos. Nossos postos de atendimento correspondem a 1.885 pontos, com mais de 5.500 funcionários.

Com relação à carteira de crédito total do banco, chamo a atenção para a última coluna, em que o total é de 14 bilhões de reais, sendo que a maior parcela é para o produtor rural.

Falo sobre a nova forma de fazer negócio do Banco do Brasil, a partir de 2003, com a criação da estratégia do desenvolvimento regional sustentável, a fim de ser vista sob diferente ótica. Como já foi citado por alguns colegas, com vistas não apenas à questão econômica, mas também a outras dimensões do desenvolvimento.

Por isso, debruçamo-nos sobre os livros para estudar o que se dizia sobre desenvolvimento sustentável e buscamos nos autores uma definição. O desenvolvimento para ser sustentável precisa observar, além do econômico, outras dimensões, principalmente as questões ambiental e social. Se combinarmos essas 2 questões e descuidarmos do meio ambiente haverá degradação do meio ambiente. Não é um desenvolvimento sustentável.

Se cuidarmos da eficiência econômica e da conservação ambiental, teremos aumento no padrão tecnológico, mas ainda não teremos um desenvolvimento sustentável, porque deixaremos grande parte da população à margem dele. E, para sobreviver, ela acabará afetando o meio ambiente, o que gerará pobreza e desigualdade social.

A outra combinação é a eqüidade social com conservação ambiental. Se descuidarmos da questão econômica, deixará de haver sustentabilidade, porque no momento em que tirarmos o apoio, essa comunidade volta ao estágio anterior.

O desenvolvimento sustentável, além de observar as 3 dimensões, precisa também cuidar da questão cultural. E nada mais apropriado do que representarmos a diversidade cultural com o mapa do Brasil.

O Rio Grande do Sul, por exemplo, é diferente de Roraima, onde já morei. A cultura de uma região é totalmente diferente da outra. O banco e as instituições precisam observar a diversidade cultural para que qualquer projeto de investimento tenha viabilidade e possa ser sustentável.

O desenvolvimento sustentável nada mais é do que, respeitada a questão cultural, combinar as suas 3 dimensões e fazer uma força imaginária para o centro, gerando um ponto de interseção por nós denominado de desenvolvimento regional sustentável. Destaco que esse equilíbrio não é tranqüilo, uma vez que quando se prioriza uma das dimensões, automaticamente, deixaremos em segundo plano as outras. O nosso desafio, portanto, é equilibrá-las.

Aqui fizemos um gráfico para demonstrar que a sustentabilidade dos negócios só existirá se observarmos o tripé da sustentabilidade, apoiado na questão cultural. Do contrário, qualquer empresa que deixar de observar esse princípio não terá longevidade, está fadada a ter problemas de ordem social e jurídica. Ao longo do tempo, seus clientes irão desvalorizar essa empresa. É um bom negócio para as empresas cuidar da sustentabilidade. Essa é a nossa visão negocial.

Trabalhamos o desenvolvimento sustentável com visão de cadeia de valor. Não trabalhamos mais com a visão implementada no banco a partir de 2003, quando foi criado um grupo de trabalho para fazer uma nova forma de se relacionar com seus clientes e de enxergar o negócio.

Hoje trabalhamos com visão de cadeia de valor. Ou seja, todos os elos da cadeia precisam estar atendidos, quando se vai fazer um negócio, o qual se dá por meio de articulação com os parceiros que têm interesse naquela atividade produtiva.

Não financiamos mais o produtor, por intermédio do desenvolvimento sustentável, sem observar toda a cadeia produtiva. O elo anterior à produção são os insumos e o posterior, o beneficiamento. Como está o beneficiamento na atividade produtiva? Estamos pensando em sustentabilidade. O produtor está observando os critérios de preservação de sua propriedade? Está sendo gerada renda e inclusão social? Esse elo está apto a ser trabalhado com desenvolvimento regional sustentável. Dessa forma, vamos avançando na cadeia. Vale salientar que nenhum elo pode estar frágil. Uma cadeia é tão forte quanto mais forte é cada um de seus elos. Por isso, precisamos ter essa visão geral dela, inclusive na comercialização.

O consumidor precisa ter consciência de que, ao comprar um produto financiado pelo Banco do Brasil, foram observados os critérios de sustentabilidade ambiental, social e econômica, respeitada a diversidade cultural, como já dissemos anteriormente.

Essa é a nova forma de ver o negócio que o Banco do Brasil vem implementando desde 2003.

Essa é a visão participativa do banco, ou seja, ele não faz os negócios sozinhos, precisa de articulação com os parceiros. Focando a atividade produtiva, como disse anteriormente, com a visão regional, porque se trabalharmos comunidades isoladas, deixaremos de ter visão completa da cadeia, trabalhando com capacitação e inclusão de novas tecnologias àquela atividade produtiva. Chamamos de concertação o processo de articulação entre os parceiros. Quem terá interesse naquela atividade produtiva? Uma associação de produtores, uma empresa interessada em adquirir o produto e fortalecer a cadeia, cooperativas de produtores, sindicatos, ONGs, Governos Federal, Municipal e Estadual, universidades que detêm conhecimento e se juntando aos demais parceiros detectam, na outra ponta, alguém que possui atividade produtiva que necessita desse conhecimento.

Sabemos que nas universidades existem milhares de teses de doutorado muito bem feitas que não são aplicadas porque, às vezes, não conseguimos fazer esse link. O papel dessa articulação é também buscar a aproximação entre quem detém o conhecimento e quem dele precisa.

Esse é um diagrama de como o banco monta o desenvolvimento sustentável. A sensibilização interna foi feita. Temos em torno de 12 mil funcionários treinados. Depois, falarei um pouco mais sobre esses dados.

Depois da sensibilização, escolhe-se a atividade em que se vai trabalhar. Forma-se a equipe, que nada mais é do que um fórum. Pessoas envolvidas com aquela atividade moram na comunidade onde trabalharão, dando seqüência a esse trabalho, uma vez que se empoderam dessa metodologia. Eles é que trabalham, afinal, o desenvolvimento local em conjunto com os parceiros, mas é preciso que os produtores e a comunidade sejam protagonistas do processo.

A partir dessa equipe, elabora-se diagnóstico daquela atividade para saber, afinal, como ela está, quais os pontos fortes e fracos, quais ameaças e oportunidades para se trabalhar com essa cadeia. Elabora-se um plano de negócios, e cada plano envolve toda essa organização, com escolha de atividade, formação de equipe e discussão; e se forma uma liga entre os parceiros.

A partir daí, passa-se por um processo de análise em que se vê a viabilidade desse plano. Parte-se para a implementação. A hora em que se começa o negócio é quando entra a implementação. Não é o fim, mas o começo. Chamamos de plano de negócios porque quando falamos em projeto, entendemos que ele tem início, meio e fim. Não sabemos quando será o fim desse tipo de plano. Temos planos que duram 1, 2, 5 e até 10 anos. É preciso estar sempre monitorando, reavaliando e realimentando esse processo, a fim de que ele seja cada dia mais efetivo e gere inclusão social, benefícios ao meio ambiente e sustentabilidade econômica, que segurará esses produtores e as pessoas que fazem parte dessa cadeia.

Aqui são alguns números relativos ao Brasil.

Dos planos de negócios de que falamos, 1.905 já estão em implementação. A diferença dos 5.200 é que os outros estão ainda em construção. Estão em alguma etapa de discussão: na articulação inicial, na escolha de atividade ou na análise do plano de negócios. Enfim, em alguma etapa.

Estamos atendendo 414 mil famílias. Créditos comprometidos: em torno de 1 bilhão e 700 mil reais. Há 3.946 agências nossas preparadas para trabalhar com essa estratégia. Já temos alguma ação de desenvolvimento sustentável em mais de 4.400 municípios. As atividades produtivas já ultrapassam 100 atividades.

Esses são os números da Amazônia Legal. Na Amazônia temos 704 planos em implementação, sendo 314 em elaboração e 390 em implementação, com 75 mil famílias atendidas. Nessa região existem ainda mais de 400 agências habilitadas. Estamos presentes em 597 municípios e há mais de 400 milhões de créditos comprometidos com essa estratégia.

Aqui são os números de cada Estado. Deixarei essa apresentação à disposição dos senhores.

Aqui são as principais atividades. Há uma série de atividades novas no portfólio do banco: aqüicultura, apicultura, extrativismo, mandiocultura, comércio, feijão, enfim. E há outras atividades, que envolvem 31%. A atenção que o banco está dando por meio dessa nova estratégia é bem distribuída, inclusive com a descoberta de novos negócios que antigamente não eram visualizados.

Aqui são os números de famílias envolvidas nas atividades, que o banco acompanha: 18% na atividade extrativista, 15% no comércio, 11% na cultura do feijão, 9% na aqüicultura. Esses são os percentuais das atividades em que são distribuídas as famílias atendidas na Amazônia Legal.

O PRONAF é uma das principais linhas de crédito com que trabalhamos nessa estratégia. Entre 70% e 75% dos nossos planos de negócio envolvem a agricultura familiar. São números expressivos, mais de 96 mil contratos na última safra e 724 milhões nas linhas de PRONAF, sendo que parte desses recursos são atendidos por meio da estratégia de desenvolvimento sustentável. Ressalto que essa estratégia, por organizar a cadeia, traz um grau de sucesso muito maior e possibilita ao agricultor agregar novas tecnologias e melhorar seu padrão de vida.

Aqui um dado que resolvemos separar, fazer um corte — número de mulheres já atendidas pelo PRONAF: 220 mil. Isso é muito importante quando se fala da eqüidade de gênero, assunto que também faz parte do dia-a-dia do Banco do Brasil. Total de contratos com essas mulheres: 259 mil contratos. É um dado expressivo, uma vez que o banco atende em torno de 1 milhão e 100 mil famílias no País através do PRONAF.

Fizemos um corte também em algumas atividades em que se trabalhou em conjunto com os parceiros e se conseguiu melhoria do nível de vida das famílias atendidas. Esse é o exemplo que temos em Pilões, na Paraíba, uma comunidade em que as mulheres não tinham emprego; as pessoas trabalhavam nas usinas ou eram ex-usineiros e ficaram sem atividade quando a região entrou em crise. Na busca de atividades descobriram que plantar flores na Paraíba dava certo. Vejam bem: nunca havíamos imaginado isso. O banco financia e é um case de sucesso.

Aqui é o resumo do plano de negócios, uma cooperativa de fruticultores, 60 famílias envolvidas, alguns parceiros que nos ajudaram e alguns que o banco ajudou nesse processo.

Aqui é o bordado de Caicó, um case de sucesso. Essas mulheres moram no interior do Rio Grande do Norte e tiram seu sustento do bordado, que até exportam.

Aqui é da nossa região, Igarapé Mirim, 50 famílias beneficiadas. Parceiros: Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Igarapé, Prefeitura, EMATER. Essa é uma cultura tipicamente da região da Amazônia.

O artesanato de Icoaraci também é um grande case de sucesso. As pessoas melhoraram de vida depois do trabalho que se fez em conjunto com os parceiros, depois da organização da atividade. Foram 148 famílias e diversos parceiros.

Aqui é o cultivo de banana no sul de Roraima, São João da Baliza: 150 famílias beneficiadas. É uma atividade que também está trazendo melhoria de vida para o pessoal que mora na região. Aí estão os parceiros: a cooperativa, o Governo do Estado, SEBRAE, EMBRAPA.

Estamos hoje com 414 mil famílias. O Banco do Brasil completa 200 anos no ano que vem. O nosso desafio, em 2008, é atender 1 milhão de famílias através dessa estratégia de negócios. Ainda é um número pequeno comparado com os 25 milhões de clientes do Banco do Brasil, mas é um bom começo para uma estratégia que é uma nova forma de ver o mundo, de fazer negócios, e que tem apenas, como disse, pouco mais de 3 anos.

Trabalhamos em conjunto com nossos colegas da Caixa Econômica, do Banco da Amazônia e do BNDES. Trabalhamos conjuntamente com nossas administrações. Estamos quebrando a idéia de que um banco não pode trabalhar em conjunto com outro. Pode, sim. Muitas ações são complementares e estamos caminhando nessa direção.

Agradeço ao ilustre Senador a concessão do tempo e encerro minha manifestação dizendo do meu orgulho de participar deste evento e falar de duas coisas tão importantes para mim, Banco do Brasil e Amazônia, onde vivi um quarto da minha vida.

Obrigado. (Palmas.)

O SR. COORDENADOR (Senador Leomar Quintanilha) - Muito obrigado, Dr. Frazão, pela significativa contribuição que traz em nome do Banco do Brasil.

Passaremos a palavra ao ilustre debatedor e depois a concederemos aos Parlamentares e demais presentes.

Com a palavra o ilustre Diretor do Fundo Nacional do Meio Ambiente — FNMA, Dr. Elias de Paula Araújo.

O SR. ELIAS DE PAULA ARAÚJO - Senador Leomar Quintanilha, Presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado Federal, e eu enfatizo isso exatamente em razão da nossa origem no Ministério do Meio Ambiente e da ponte que pretendemos aqui fazer em termos de recomendações; Deputada Vanessa Grazziotin, Presidente da Comissão da Amazônia; senhores membros do Congresso Nacional, que organizou este simpósio que se encerra aqui depois de ter mobilizado os Estados da Amazônia, os governos e a sociedade civil. Cumprimento também os meus colegas de Mesa por intermédio do Dr. Djalma Melo, a quem eu dirijo esse desafio que foi apresentado desde ontem, que é o de integrar as ações do Governo Federal às ações dos Estados e municípios, porque um dos graves problemas identificados para superarmos a situação que temos é a falta de integração dos atores que trabalham com as políticas públicas, tanto da área governamental, quanto da sociedade civil.

Temos uma Mesa que demonstra que existem recursos financeiros na região para promover o desenvolvimento, que podem não ser ainda suficientes, mas, sem dúvida, estão além da própria capacidade de execução que temos nos Estados e municípios da Amazônia, como foi demonstrado por aqueles que aqui se apresentaram, tanto da SUFRAMA, como da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil, da ADA e, agora, da SUDAM.

Cumprimento também o Deputado Federal Paulo Rocha e o Deputado Estadual Mário Cardoso, Secretário de Educação do Pará.

Uma primeira recomendação importante, daquilo que vem sendo manifestado aqui durante o simpósio, uma primeira conclusão que temos, na verdade, é antiga. Nesse sentido, proporia que homenageássemos aquele que, para mim, é o maior economista brasileiro, Celso Furtado, o idealizador da SUDENE.

Celso Furtado, em 1972, quando estava em auto-exílio nos Estados Unidos — cito 1972 porque foi o ano da realização da I Conferência de Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas —, em uma coletânea de artigos intitulada Mito e Desenvolvimento, já falava em aquecimento global. Isso naquela época! Se o tivéssemos ouvido, certamente o mundo inteiro estaria numa outra situação. Ele já falava na violência das cidades, enfim, em todas as situações que vivemos hoje. O primeiro artigo dessa coletânea chama-se justamente A Profecia. E tem exatamente esse tom profético para os anos que vivemos hoje.

Ele idealizou como uma das saídas para o combate às desigualdades regionais justamente uma daquelas que vem sendo a recomendação deste simpósio, a geração de conhecimento, a formação de quadros que componham a massa crítica na região capaz de duas coisas: uma, termos negócios intensivos em tecnologia, principalmente baseado no nosso ativo, que é biotecnologia na região; e também, na área de conhecimento, a valorização e o reconhecimento dos conhecimentos tradicionais.

Boa parte dos produtos e serviços que hoje são desenvolvidos com muito sucesso na região baseiam-se exatamente nesse conhecimento de milhares de anos dos nossos povos indígenas e centenas de anos das populações ribeirinhas, caboclas etc. Em um cenário de mudanças do clima, em que podemos utilizar os ativos ambientais da região para pagamento de serviços ambientais, certamente temos uma oportunidade para enfatizar ainda mais essa questão do conhecimento.

Uma outra questão abordada e que eu julgo necessário ressaltar nesta Mesa é a geração de capacidade, como foi tratado pela nossa representante da Caixa Econômica Federal.

De fato, é preciso que desenvolvamos, em conjunto com a organização da sociedade civil, com os governos estaduais e municipais, uma atividade intensiva voltada para a formação de gestores públicos. Quando eu falo gestores públicos não me estou referindo só à parte governamental, mas à parte não-governamental, porque, inclusive, um dos males que normalmente enfrentamos — a malversação, a corrupção — só pode ser combatido não a partir de uma ação do próprio Estado, mas a partir de uma ação de participação e controle social; ou seja, dos conselheiros que temos nas mais diversas políticas, que têm diferentes fóruns.

É essencial que sejamos capazes de investir e também de controlar e contar com a participação da sociedade na formulação e na execução das políticas públicas assentadas nos conselhos, de modo a garantir o máximo de transparência possível na aplicação dos recursos públicos.

Como Fundo Nacional do Meio Ambiente, na Secretaria-Executiva do Ministério, temos um esforço nesse sentido, que é um programa de capacitação de gestores e conselheiros municipais. Inclusive, recentemente, realizamos o primeiro encontro que levou à formação de uma rede de conselhos de meio ambiente.

Digo isso porque a questão do meio ambiente é um diferencial de competitividade, não é um elemento que às vezes se apresenta de maneira falsa, no meu entendimento, o que é um fator de restrição ao desenvolvimento da região; pelo contrário, é um fator não só para a região, mas para qualquer empresa — o que foi demonstrado pelo Banco do Brasil —, de competitividade cada vez maior. É um fator que diferencia. No caso dos bancos, por exemplo, há aqueles que estão no ISE, aquele indicador criado pela FGV com a participação do Ministério do Meio Ambiente e que está na BOVESPA. As empresas que participam do ISE têm, sem dúvida nenhuma, melhor desempenho em relação a qualquer outro indicador existente na BOVESPA. Acredito que isso é importante.

Após essas recomendações, vou falar rapidamente sobre o Fundo Nacional do Meio Ambiente, criado em 1989, há 18 anos.

(Segue-se exibição de imagens.)

Este é o desempenho do fundo, que apresento rapidamente. Apoiamos mais de 1.400 projetos. Chegaremos, até o final deste ano, seguramente a 1.600 projetos. Só na nossa gestão, estamos trabalhando em cerca de 600 projetos durante o período de criação do fundo.

Trabalhamos com diversos Ministérios, é bom que se registre isso.
Fazemos não só a execução dos recursos do fundo, mas também do Ministério da Saúde, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, da Secretaria de Agricultura Familiar e do Ministério das Cidades. Temos parceria, o que traduz bem a transversalidade não só no sentido de política, mas também no sentido financeiro.

São esses os limites do fundo. Mas há possibilidade de mudar essa realidade.

Temos de pensar financiamento ambiental e fomento ambiental com a participação não só do Fundo Nacional do Meio Ambiente. Há um levantamento de dados que demonstra que, no Brasil, existem cerca de 56 fundos de meio ambiente e recursos hídricos e cerca de mil fundos de meio ambiente nos municípios, mas apenas 7% desses fundos funcionavam até 2002, segundo dados do IBGE.

Fizemos um esforço para mostrar qual é o nosso lugar entre os atores que atuam no fomento — é esse o quadro que apresentamos.

Detectamos que há recursos, o problema é articular as ações de Estados e Municípios voltadas para o meio ambiente. No caso da saúde, ainda que precariamente, contamos com o Sistema Único de Saúde; no caso da Assistência Social, contamos com o Sistema Único da Assistência Social — SUAS. Entretanto, em relação à Política Nacional do Meio Ambiente existe um gap: ela não prevê uma forma de financiamento do Sistema Nacional de Meio Ambiente — SISNAMA.

Portanto, é um grande desafio, porque se chegarmos por vias normais, aconteceria o que demonstra esse gráfico: levaríamos muito tempo para dar conta do fomento e geração de capacidade e assumiríamos riscos que as instituições financeiras, SUDAM e SUFRAMA, não podem assumir. É necessário que os fundos socioambientais testem tecnologia, arranjos institucionais e idéias inovadoras para conservação do meio ambiente e desenvolvimento sustentável. Esse é o papel dos fundos socioambientais no País.

Estamos atuando para demonstrar o papel dos fundos socioambientais no País, fazer uma mudança da consciência no sentido de que é fundamental que em cada município brasileiro haja um fundo de meio ambiente, inclusive para conseguirmos alavancar os recursos que hoje não são dirigidos ao meio ambiente, os originários de multas, royalties etc. que são alocados em outra parte do Orçamento Público das diferentes esferas de governo. Pretendemos romper essa tendência, de modo a disponibilizar mais recursos para a geração de capacidades e para financiamento e fomento de projetos socioambientais.

É o que temos de fazer. Nesse sentido, organizamos a Rede Brasileira de Fundos Socioambientais, que começou com 40 fundos e hoje conta com mais de 100. Optamos por criar uma situação de constrangimento ético daqueles que não têm ou que não fazem funcionar bem, e com critérios de boa governança, os fundos ambientais.

Existe uma Rede Latino-Americana de Fundos Ambientais, cuja experiência foi transferida para a nossa rede brasileira, que demonstra que o maior capital dos fundos não é o financeiro, mas, sim, o conhecimento que acumulamos na rede.

Gostaria de frisar que mantemos parceria com a Associação Brasileira de Órgãos Estaduais de Meio Ambiente e a Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente.

Esse é o primeiro livro que lançamos, inclusive, aqui no Congresso Nacional, quando da homenagem aos 18 anos do Fundo, que sintetiza essa experiência de criação da Rede Brasileira de Fundos Socioambientais.

Temos como aderir, no sítio do Ministério, na página do Fundo Nacional do Meio Ambiente.

Esses são os nossos desafios para a construção do Sistema Nacional de Financiamento do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável. Essa é a minha recomendação maior a este simpósio no que diz respeito à criação das condições de interação entre os atores que atuam com fomento e financiamento ambiental no Brasil.

Finalmente, concluo com uma frase do técnico Alonso Moreno, que diz: “Sem financiamento, conservação é só conversação”. Lembro que quando falamos em meio ambiente na Amazônia estamos falamos dos seres humanos. Não é possível tratar do meio ambiente sem criar condições de, primeiro, integrar a Amazônia na economia nacional dentro de uma perspectiva de desenvolvimento sustentável e, segundo, de promover a inclusão social, valorizando o conhecimento dos cidadão amazônidas.

Muito obrigado. (Palmas.)




1   2   3   4   5   6   7   8   9


©aneste.org 2017
enviar mensagem

    Página principal