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UNIVERSIDADE GAMA FILHO

VICE-REITORIA ACADÊMICA

CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE

DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM
Curso de pós GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM


REVISÃO BIBLIOGRÁFICA DA UTILIZAÇÃO DA PAPAINA NO

tratamento DE FERIDAS no período

Por:

Alberto Januzzi de Souza

Rio de Janeiro





UNIVERSIDADE GAMA FILHO

VICE-REITORIA ACADÊMICA

CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE

DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM
Curso de pós GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM


REVISÃO BIBLIOGRÁFICA DA UTILIZAÇÃO DA PAPAINA NO

tratamento DE FERIDAS

Por:

Alberto Januzzi de Souza

Trabalho de conclusão Pós Graduação em Enfermagem Dermatológica.
Orientador:

Profª Eliana Augusta

Rio de Janeiro

DEDICATÓRIA

A todos que tem sede de conhecimento, mesmo com todas as dificuldades da vida, mas se traçarmos uma meta, esse fantasma que parecia gigantesco,nada mais é que um pacato palhaço em nossa frente.



Resumo

Nos dias de hoje, apesar dos avanços científicos-tecnológicos na área de saúde o tratamento de feridas continua a ser polêmico e representa tema de relevante preocupação, principalmente para profissionais de enfermagem.

Este trabalho tem como objetivo, realizar uma revisão bibliográfica da utilização da papaína no tratamento de feridas no período de 2009 a 2011 e identificar produção cientifica sobre a atuação de enfermagem frente ao uso de papaína em feridas neste período.

Foram levantadas as bibliografias relacionadas à temática “pesquisa bibliográfica sobre o tratamento de feridas com o uso de papaína” no período de 2009 a 2011. A pesquisa foi realizada em biblioteca da universidade Gama Filho e principalmente através de levantamento e biblioteca virtual através das bases de dados SCIELO e fotos que foram autorizadas dos pacientes da ONG Bezerra de Meneses.



SUMÁRIO


resumo.........................................................................................................................

03







CAPITULO 1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS.............................................................

05

1.1 Introdução............................................................................................

05

1.2. Justificativa.........................................................................................

06

1.3. Relevância..........................................................................................

07

1.4. Problema.............................................................................................

07

1.5. Objeto de estudo.................................................................................

08

1.6. Objetivo Geral....................................................................................

08

1.7. Metodologia........................................................................................

08







Capitulo 2. Fundamento Bibliográfico...................................................

09

2.1. Anatomia e fisiologia da pele.............................................................

09

2.2. Tipos de ferida....................................................................................

12

2.3. Tratamento com papaína....................................................................

15

2.4. Cuidados de enfermagem...................................................................

16







Capitulo 3. RESULTADOS......................................................................................

18

3.1. Analise de Dados........................................................................

23

3.2. Análise Temporal .......................................................................

23

3.3. Analise dos artigos.......................................................................

25







conclusão...................................................................................................................

23







Referências Bibliográficas...........................................................................

24







ANEXOS..........................................................................................................................

25







CAPITULO 1

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

1.1 Introdução

A preocupação com o cuidado de feridas remonta à antiguidade quando o homem, em suas aventuras e lutas pela sobrevivência, viu-se acometido por ferimentos das mais diversas ordens. Os povos antigos ligando o processo de cura ao misticismo, de um modo geral, curavam suas feridas com o uso intensivo da flora, acompanhado de rezas e rituais de fé.

Na busca pelo tratamento dessas afeições, a humanidade apresentou um leque bem variado de usos e costumes empíricos através dos tempos, alguns claramente absurdos, como a utilização de diversos tipos de excrementos. Também são relatados os usos freqüentes de inúmeras poções e drogas que eram associadas a magias, orações e sacrifícios.

Nos dias de hoje, apesar dos avanços cientifico – tecnológico na área da saúde o tratamento de feridas continua a ser polêmico e representa tema relevante preocupação, principalmente para profissionais de enfermagem que procuravam se qualificar, operando a abordagem para o conhecimento da anatomia da pele e para os fatores responsáveis pela perda de sua integridade, para a fisiologia da cicatrização e para a fundamentação teórica e prática dos procedimentos de enfermagem associados ao déficit tegumentar. Também cabe a esses profissionais, alem da ciência, refletir sobre os princípios éticos e aspectos psicológicos que envolvem o tratamento de feridas buscando na bio-ética e na percepção de suas relações com os clientes e com a equipe multiprofissional, bases para o desenvolvimento de uma prática efetiva e humanitária. (GEOVANINI, 2007),

De acordo com o manual de curativos (GEOVANINI, 2007), vivenciamos atualmente uma apropriada revolução na abordagem e terapêutica de feridas principalmente quanto aos tratamentos tópicos, também é freqüente a utilização de condutas inadequadas e produtos ineficazes e ate prejudiciais ao processo de cicatrização.

Ao propormos um tratamento, devemos levar em consideração fatores predisponentes, como idade e biótipo do cliente, aspectos emocionais envolvidos, perfusão tecidual, mobilidade e condições nutricionais. Devemos lembrar que a prevenção e a educação para a saúde devem ser valorizados, principalmente quanto aos cuidados com a pele do cliente acamado internador e de longa permanência, cuja redução da carga mecânica e a utilização de superfícies de suporte são fatores fundamentais para o seu restabelecimento.

É necessário reconhecer a importância do tratamento de feridas para a promoção de políticas de saúde adequadas; para isso, é necessário existir profissionais qualificados que orientem os tratamentos por meio de protocolos institucionais competentes e seguros considerando que a padronização dos produtos é fator decisivo na eficácia e na redução dos custos. Ressaltamos que todo tratamento deve considerar além da evolução da lesão e dos fatores socioeconômicos e operacionais envolvidos, o ser humano em toda a sua dimensão bio-psico-social e espiritual e também o ambiente do cuidado.

1.2. Justificativa

Rememorando minha infância, passando como um filme em minha memória, remonto as vezes que machuquei e esses pequenos machucados, notei que cicatrizavam mais rápido removendo àquelas “casquinhas”, o que me dava certo prazer em removê-las. Meus colegas me apelidavam de cientista louco, pelo meu hobby de imensa comodidade de fazer experimentos com tudo o que podia, se eu encontrava animais mortos (não que eu tenha coragem de matá-los) tentava empalhá-los com formol. Um dia coloquei um aerossol no fogo para observar de perto o que poderia acontecer, a explosão me jogou para trás me deixando com varias partes queimadas.

Uma vizinha que morava na mesma quadra(do outro lado da para cujo pé de Jamelão me rendia diversos insetos que se alimentavam dos frutos caídos no chão) me pegou pelo braço e levou-me para casa.

Minha querida mãe removeu os tecidos necrosados esfregando, o que me causou muita dor. Sem saber, empiricamente ela realizou um desbridamento mecânico.

Recentemente um amigo me procurou para ajudá-lo, pois estava desesperado sem saber o que fazer com uma úlcera venosa no membro inferior, coberta com necrose de coagulação, havia ido a três hospitais, os profissionais faziam o curativo com produtos inadequados para remover a necrose que cada dia piorava. Mandei preparar papaína a 2% e comecei a fazer o curativo e vi que a necrose de coagulação passou para a liquefação.

Rememorando minha trajetória acadêmica, vejo que o interesse pela assistência portador de lesões cutâneas sempre esteve presente em minha vida, fazendo-me optar em aprimorar meus conhecimentos nesta área.

Com este trabalho pretendo realizar um levantamento bibliográfico orientado para fornecer informações sobre o processo de cicatrização em feridas com o uso da papaína.
1.3. Relevância

As reflexões sobre o assunto contribuirão para o planejamento de suas ações e é neste sentido que se faz necessário uma visão ampla de cuidado por parte do enfermeiro.

Sabemos o quanto é importante o cuidado individualizado e humanizado desenvolvido junto ao paciente portador da lesão cutânea. Esta assistência deve ter como objetivo compreender as fases de cicatrização, pois costumo dizer que a ferida tem alma e ela nos diz a melhor conduta a ser tomada. Compreender o paciente percebendo-o em suas dimensões humanas, uma vez que devemos tratar da saúde de forma integral, englobando o processo de cuidar para promover, manter e/ou recuperar a dignidade e a totalidade humana.

1.4. Discussão

Rita Patrícia de Avelar Rocha, Wagner Sarnento Gurjão e Lacy Cardoso de Brito Junior relatam que as etapas do processo cicatrização tecidual foram observados tanto nas lesões tratadas com papaína como as não tratadas, conforme os dias analisados. Entre tanto, em relação ao processo de cicatrização tecidual dos animais com úlceras experimentais assépticas, tratadas com concentrações diferentes de papaína tiveram uma melhor resposta em relação ao controle, sob vários aspectos como(1) a ausência de crosta hematofibrinosa, tecido de granulação variando de moderado a exuberante, formado por maior quantidade de vasos neoformados em animais tratados com a 10% com 07 dias; (2) maior quantidade de fibroblastos e matriz colágeno (organizada), e menor infiltrado inflamatório em animais tratados com papaína a 6% com 14 dias de experimento; e (3) melhor organização da matriz colágeno e fibroblastos em animais tratados com papaína a 4% entre 14 e 21 dias de experimento.



1.5. Objeto de estudo

Revisão bibliográfica da utilização da papaína no tratamento de ferida no período de 2009 a 2011.



1.6. Objetivo Geral

Identificar produção cientifica sobre a atuação da enfermagem frente ao uso da papaína em feridas no período de 2009 a 2011.



1.7. Metodologia

O presente estudo constitui-se numa revisão bibliográfica, pesquisa de natureza qualitativa de caráter descritivo a fim de identificar a produção cientifica sobre a atuação da Enfermagem frente ao tratamento de feridas com o uso da papaína no período de 2009 e 2011.

Do ponto de vista dos procedimentos técnicos (Gil, 1991) explica a pesquisa bibliográfica é como aquela que é elaborada a partir de material já publicado, constituído principalmente de livros antigos, de periódicos e fontes da internet.

Aos objetivos propostos foi possível identificar as pesquisas que se utilizaram para definição, danificação no que envolve o enfermeiro frente ao tratamento como o de feridas com o uso de papaína e a política nacional de tratamento de feridas.

Foram levantadas as bibliografias relacionadas à temática “Pesquisa Bibliografica sobre o tratamento de feridas com o uso de papaína” no período de 2009 a 2011. A pesquisa foi realizada em Biblioteca da Universidade Gama Filho e principalmente através de levantamento e biblioteca virtual através das bases de dados SCIELO e fotos que foram autorizadas dos pacientes da ONG Bezerra de Menezes, com a assinatura de Termo de Consentimento Esclarecido (Anexo 1).
Capitulo 2

Fundamento Bibliográfico

A papaína provém do látex do mamoeiro Carica papaia é composto por enzimas proteolíticas e peroxidares, quimio papaína A e B e papaya peptidase e é encontrada no caule folhas e frutos verdes da planta Carica papaya da família das Caricaceae. A enzima papaína é desbridante químico e facilitador do processo cicatricial, age também como coadjuvante da antibioticoterapia sistêmica de feridas infectadas. Tem ação bacteriana e antiinflamatória, proporcionando alinhamento das fibras de colágeno, promovendo crescimento cicatricial uniforme.

Santos (2006) cita Monetta:

Segundo Monetta (2003) uma outra característica importante da papaína é que ela não agride o tecido sadio, devido a ação de  - antitripsina, uma globulina humana presente nas células sadias, que inativa as proteases (figuras 3, 7, 8, 14 e 15). É importante destacar que em lesões infectadas, pode ocorrer irritação do tecido perilesional, porém isso não é provocado pelo contato da pele com a papaína e sim pelo contato com o exudato infectado da lesão.



2.1. Anatomia e fisiologia da pele

De acordo com DANGELO (1998), no adulto a área total da pele corresponde aproximadamente 2 m2, apresentando espessura variável (1 a 4 mm) conforme a região: é mais espessa, por exemplo, nas superfícies dorsais e extensoras do corpo do que nas ventrais e flexoras. As áreas de pressão, como a palma da mão e a planta dos pés, apresentam pele mais espessa; já nas pálpebras ela é muito mais fina. O fator etário também condiciona a espessura da pele, mais delgada na infância do que na velhice. A distensibilidade é outra das características da pele que também varia de região para região: muito distensível no dorso da mão, por exemplo, na palma da mão ela é muito pouco. A elasticidade, por outro lado, também diminui com a idade.

Ela apresenta três camadas distintas epiderme, derme e tecido conjuntivo subcutâneo, que se encontram firmemente unidas entre si.

Segundo MOORE (2001) as camadas profundas da derme contem folículos pilosos com seus músculos eretores dos pêlos e glândulas sebáceas associadas. A contração dos músculos eretores dos pêlos erige os pêlos, causando a pele de frango. Folículos pilosos geralmente inclinados para um lado e diversas glândulas sebáceas se situam no lado apontado pelos pêlos (uma vez que o pêlo parece “entrar” na pele [naturalmente, ele está emergindo da pele ao invés de penetrando]).

Consequentemente, a concentração dos músculos eretores faz com que os pêlos fiquem eretos e, desse modo, as glândulas são comprimidas, auxiliando espremer sua secreção oleosa na superfície da pele. A pele também contem uma grande quantidade de glândulas sudoríparas. A evaporação da água (suor) da pele por eio dessa glândula fornece um mecanismo termorregulador para perda de calor.

A epiderme avascular é nutrida pela derme vascularizada subjacente. Karl Langer, um anatomista australiano, estudou as linhas de tensão (clivagem) na pele de cadáveres e observou que a pele está sempre sobtensão, é quando as fibras de colágeno na derme são perturbadas por uma incisão, o ferimento se abre muito. Diversos anos mais tarde, cirurgiões foram avisados de que as incisões cirúrgicas deveriam ser feitas paralelas às linhas de tensão. As incisões na pele ao longo dessas linhas normalmente cicatrizam bem, com pouca cicatriz, porque as linhas de força juntam as superfícies cortadas. Uma incisão através de uma linha de tensão rompe e perturba as fibras de colágeno e pode produzir excessiva cicatrização (quelóide). Ferimento provocado na pele por uma arma pontuda como um quebrador de gelo, por exemplo, normalmente são de forma de fenda em vez de arredondada porque o golpe como quebrador de gelo cinde as fibras colágenas na derme e permite que o ferimento se abra muito.

A direção da fenda na pele, indica a direção predominante das fibras profundas às linhas de tensão.

Figura 1 - Desenho esquemático das linhas de clivagem (de Langer) na pele. Incisões cirúrgicas feitas na direção destas linhas, que correm paralelas à direção predominante dos feixes de fibras colágenas na derme, têm menos tendência para abrirem-se muito. (MOORE, 2001)

A epiderme, camada mais externa da pele, tem espessura que varia de 0,04 mm nas pálpebras a 1,6 mm nas regiões palmares e plantares. É avascular, estratificada, constituída basicamente de 80% de células denominadas de queratinócitos e composta de cinco subcamadas, o estrato córneo, mais externo; o estrato lúcido; o estrato granuloso; o estrato espinhoso e estrato basal, que é a mais interna e liga a epiderme à derme.

Nas camadas inferiores da derme estão os melanócitos, células que produzem melanina, pigmento que determina a coloração da pele.

A derme é a camada mais profunda e espessa da pele; é composta por fibroblasto, fibra elástica e de colágeno, os quais totalizam cerca de 95% deste tecido. Esta camada contém vasos sanguíneos, linfáticos, folículos pilosos, terminações nervosas, órgãos sensoriais, glândulas sebácias e sudoríparas e está subdividida em duas camadas: papilar e reticular.

A derme repousa sob a hipoderme ou tecido subcutâneo, que é um tecido conjuntivo frouxo constituído de tecido adiposo, unindo os tecidos vizinhos à subcamada reticular da derme.

O tecido subcutâneo contribui para impedir a perda de calor e constitui reserva de material nutritivo, além de conferir proteção contra traumas mecânicos.

Subjacente a pele encontramos outra estrutura, como fáscia muscular, articulações, cartilagens, tendões e ossos.

Os receptores nervosos presentes na pele respondem pela sua sensibilidade, tornando-a um órgão sensorial extremamente sofisticado e especializado.

2.2. Tipos de ferida

Segundo GLEEN (2005):



  1. Feridas cirúrgicas

Este tipo de ferida apresenta usualmente o menor potencial para complicações. A pele é preparada com um anti-séptico e a ferida é provocada sob condições estéreas em torno do campo estéril são cobertas com campos também estéreis para evitar contaminação.

A preparação adequada da pele é essencial para evitar que a microbiose da superfície seja transportada para dentro da fenda. Por esta razão, desaconselha-se a cicatrização da técnica de tricotomia. Em vez disso, o pêlo deve ser aparado o mais curto possível para evitar a incisão de pêlos no campo estéril ou que eles se embaracem com os fios da sutura. A tricotomia produz abrasão da pele e pode levar bactérias da superfície para o interior da lesão.



  1. Feridas por amputação

Dependendo da causa e da localização, as feridas por amputação podem exigir suturas variadas.

É necessário deixar uma quantidade suficiente de tecido mole entre a pele e o osso residual para evitar lesão da pele em contato com uma prótese com freqüência ocorre deiscência de feridas por amputação, e estas são usualmente encaminhadas para acompanhamento com vistas a uma cicatrização por segunda ou terceira intenção. Estas feridas são também fechadas por terceira intenção gradual (figura 12).



  1. Deiscência

A separação das camadas da pele em uma ferida cirúrgica é chamada de deiscência. Este tipo de ferida é produzida pela falha de sutura ou do grampo em manter o fechamento primário de uma ferida cirúrgica por diversas razões.

  1. Lacerações

As lacerações estão entre as feridas mais comumente observadas nos serviços de atendimento de emergência. Como ocorre em qualquer ferida aguda ou traumática, as lacerações têm um risco elevado de contaminação. Com freqüência entretanto, elas podem ser limpas o suficiente para permitir fechamento por primeira intenção com sutura, cola, grampos ou fita adesiva. Elas são causadas por três mecanismos básicos: incisão, tensão e compressão.

  1. Incisões

São chamadas incisões ou feridas causadas por objetos afiados, como bisturis ou tesouras, durante uma cirurgia. As incisões produzidas por objetos cortantes em acidentes ou agressões podem ser classificadas como lacerações. Os instrumentos que mais frequentemente produzem estas feridas são facas e cacos de vidro.

  1. Abrasões

Abrasões são lesões também bastante comuns como muitas delas são auto tratáveis, a sua prevalência é difícil de ser determinada. Estas fendas são causadas por atrito tangencial da pele com uma superfície áspera. Como elas comumente ocorrem ao longo da superfície das ruas durante acidentes de bicicleta ou motocicleta, sendo o passageiro ou pedestre ejetados, o termo “atrito com o solo” é freqüentemente utilizadas para descrever estas lesões.

  1. Descolamento (avulsão)

Uma lesão mais séria na qual a pele é arrancada do corpo é chamada descolamento. Este termo descreve o que ocorre particularmente na extremidade superior.

  1. Feridas Perfurantes

Objetos longos, pontiagudos, tais como furadores de gelo, facas e dentes de animais podem produzir feridas perfurantes. O pés podem ser também perfurados por pregos e outros objetos ao caminhar sobre eles.

  1. Feridas produzidas por projétil de arma de fogo

Pistolas, rifles e armas de caça podem transferir enormes quantidades de energia e causar lesões no corpo. Existe variedade muito grande na velocidade do projétil, que vão de espingarda de ar comprimido até rifles de alta potência. Alem das feridas de tecidos moles, as armas de fogo podem causar múltipla ferida em um único projétil.

  1. Ulcerações tóxicas

Ulcerações causadas por agentes químicos injetados por meio de mordidas de artrópodes são classificadas como ulceração tóxicas. Merece destaque especial o veneno da aranha-marrom. O veneno espalha-se pelo tecido adiposo e pode produzir úlceras com vários centímetros de diâmetro e profundidade.

  1. Feridas associadas com fraturas

As fraturas representam dois conjuntos de problemas possíveis, relacionados com o tratamento das feridas: feridas provocadas por fraturas expostas e feridas cirúrgicas para o tratamento de fraturas. A exceção seria a fratura fechada tratada de forma conservadora com redução fechada e imobilização.

  1. Feridas químicas

São feridas causadas pela ação de ácidos ou bases muito fortes e alguns sais e gases, como gás lacrimogêneo e acido hidroclorídrico.

  1. Feridas térmicas

São feridas causadas pelo calor ou frio.

  1. Feridas por eletricidade

São feridas causadas por raio ou contato com objeto energizado.

  1. Feridas por radiação

São feridas causadas pela longa exposição a raios solares, raios-X ou outro tipo de radiação.

  1. Feridas oncológicas

São causadas por tumores da pele ou metástases cutâneas de outros tumores.

  1. Úlcera arterial

Ferida crônica na perna, procedente de lesão das artérias.

  1. Úlcera por pressão

  2. Úlcera venosa

  3. Úlcera vasculogênia

  4. Feridas vasculares – diabética

  5. Queimaduras

  6. Fístulas

2.3. Tratamento com papaína

CANDIDO (2008) relata em seu site que na presença de tecido de granulação a concentração deverá ser de 2%. Na presença de necrose de liquefação a ferida deverá ser lavada em jato com solução de papaína de 4 a 6% diluída em solução fisiológica ou água destilada, na presença de necrose de coagulação, a concentração de 8 a 10%, após efetuar a escarectomia.

A substituição do curativo é indicado, em média a cada 12 horas.

A papaína pode ser associada com uréia, o que aumenta o seu poder desbridante.



2.4. Cuidados de enfermagem

Conforme GLENN (2005) uma limpeza completa das feridas deve ser realizada antes da aplicação da papaína.

É preciso fender as crostas existentes para aumentar a área de superfície (figura 6).

Um enfermeiro habilitado pode usar concomitantemente técnicas de desbridamento instrumental conservador, como por exemplo, a técnica de Covar associado a técnica de Square e de Slicé:

1) Técnica de Cover: utiliza-se de lâmina de bisturi para deslocamento das bordas do tecido necótico até que toda a necrose saia em forma de “tampa” (figura 2).

2) Técnica de Square: utiliza-se uma lâmina de bisturi para realização no tecido necrótico, de pequenos quadradinhos (2 mm a 0,5 cm) no tecido necrótico (figura 6).

3) Técnica de Slice: utiliza-se uma lâmina de bisturi ou tesoura de íris a fim de remover a necrose de coagulação ou liquefação que se apresenta na ferida de forma desorganizada (figura 9).

Aplicar curativos úmidos para manter um ambiente favorável a sua atuação sobre o tecido necrosado, monitorara o aparecimento de sinais de sepre, irritação da pele circundante; pois o exudato poderia irritar a pele circundante.

Um tipo de curativo mais absorvente deve ser utilizado com o desbridante químico, tal como um curativo limpo e úmido, aplicado sobre a ferida, devido ao aumento da secreção associado com o desbridamento químico à medida que a papaína dissolve o tecido necrosado.

Se permanecerem por tempo prolongado, os curativos úmidos podem secar à ferida. Caso o curativo se torne aderente, recomenda-se realizar uma irrigação delicada para remover-lo. Alguns profissionais de saúde utilizam produtos de gaze-petrolatos para diminuir o ressecamento e a aderência.

Santos (2006) cita: segundo Monetta em lesões infecciosas pode ocorrer rritação do tecido perilesional, porém isso não é provocado pelo contato da pele com a papaína e sim pelo contato com o exsudato infeccioso da lesão. Esse exsudato aumenta ainda mais com o uso da papaína e normalmente tem pH muito ácido, o que agride a pele provocando irritação.

O simples aumento da freqüência de troca de curativo, com limpeza da pele ao redor da lesão, é o suficiente para a regressão deste quadro.

Não utilizar metal, devido ao poder de oxidação; atentar ao tempo prolongado de preparo devido à instabilidade da enzima (que é de fácil deterioração).

CAPÍTULO 3

2

Produção cientifica de enfermagem sobre a utilização da papaína no tratamento de feridas no período 2008 a 2009.



O quadro abaixo aborda os dados coletados para o desenvolvimento da pesquisa.

Ano

Fonte

Autor

Tema

Foco Principal

2010

Rev. Para. Med;24(2)abr

LILACS

MONETTA, Lima

A importância da atuação cientifica do enfermeiro na execução dos curativos feitos com papaína.

relação das fases do processo de cicatrização relacionando-as com os meios de ação da papaína.

2009

revista Para.Med; 23(4)out.-dez.2009. ilus.

LILACS

ROCHA, Rita Patrícia de Avelar; GURJÃO, Wagner Sarnento; BRITO, Junior, Lacy Cardoso de.

Cicatrização de úlceras não infectadas tratadas com papaína.

Estudar os aspectos histológicos assépticas tratadas com soluções de papaína.

2010

Revista Para. Med;

24(2) abr.-jun.2010. ilus.



LILACS

CARVALHO, Fagnei Ivison Corrêa; SILVA, João Paulo Nascimento e;BITTENCOURT, Margarete Carrréra; BRITO JUNIOR, Lacy Cardoso de.


Uso de papaína no tratamento de lesões ulcerativas de pacientes portadores de pé diabético.

Verificar os efeitos cicatrizantes e desbridantes da papaína em lesões do tipo pé diabético.

2011


Online Braz.j.

nurs.(online); 10(2)oct.-21.2011

LILACS

LEITE, Andréa; Oliveira, Beatriz

Guitton Renaud Baptista de; Futuro, Debora Omena; Castilho, Selma Rodrigues de.




Uso da efetividade do gel de papaína na cicatrização de feridas.

Avaliar a efetividade do uso do gel de papaína no processo de cicatrização de úlceras de perna.


3.1. Analise de Dados

foi realizado levantamento de artigos sobre o tema na biblioteca virtual em saúde (bvs), através da base de dados LILACS. Da BDENF (Base de Dados em Enfermagem) e da Scielo. A analise de dados desta pesquisa foi realizada em dois momentos:análise temporal e análise por assunto.
3.2. Análise Temporal

Foram encontrados 04 (quatro) artigos sobre a utilização da papaína no tratamento de feridas nas bases de dados que constam na Internet.



  • Período de 2009 Foi encontrado no período 01 (01) artigo.

  • Neste período foi encontrado apenas um (01) artigo. O artigo aborda a utilização da papaína na cicatrização de úlceras não infectadas tratadas com papaína.imeiro cujo autor é Monetta destaca a importância ação em educação em saúde.

Período de 2010 :

  • Nesse período foram encontrados dois (02) artigos.

  • O primeiro cujo autor é Monetta,destaca a importância de ação em educação em saúde.

  • O segundo, o autor aborda os efeitos cicatrizantes e desbridantes da papaína em lesões do tipo pé diabético.

Período 2011:

  • Nesse período foi encontrado apenas um (1) artigo. O artigo que destaca a importância da prevenção da infecção e a criação de um ambiente adequado para o processo de cicatrização.

3.3. Analise dos artigos

Na minha visão os autores ao abordarem a utilização da papaína em feridas destacam o papel fundamental do conhecimento cientifico do enfermeiro no reconhecimento de todas as etapas do processo de cicatrização, e a interação enfermeiro-cliente.

Destaco o conteúdo dos artigos dos autores que seguem.

Monetta (1988) manifesta a importância da atuação cientifica do enfermeiro na execução dos curativos feitos com papaína.

Monetta (1990) cita a importância do enfermeiro em reconhecer as fases de cicatrização.

Parra (1991) conclui que a associação da papaína com carboximetilcelulose é altamente eficaz.

Rogenski 1995 obteve resultados satisfatórios com o uso de papaína em feridas.

Otuka observa uma maior adesão dos pacientes e uma cicatrização mais rápida com ouso da papaína em relação a outros métodos.

Ferreira manifesta a ausência de estudos com forte evidencia do efeito terapêutico da papaína em feridas.
Conclusão

Com o desenvolvimento desta pesquisa, posso concluir que a papaína é uma valiosa ferramenta na cicatrização de feridas tanto em sua eficácia quanto no baixo custo.

Não foi fácil encontrar literatura que aborda este tema, mas após exaustiva pesquisa pude fazer este trabalho.

Pode ser demonstrado também que a papaína não agride o tecido sadio, com um valioso poder antiinflamatório, preparando a ferida para uma futura antibioticoterapia, além é claro do poder desbridante. Foi observado seu uso em feridas em presença de tecido de granulação.

Pode ser comprovada sua eficácia em feridas cavitária em presença de exposição óssea e vísceras sem nenhum dano.

Posso concluir com o trabalho em campo que a papaína reduz consideravelmente a necessidade de se realizar desbridamento cirúrgico e o risco de amputação. (Rogenski 1995; Monetta 1988,1990; Rogenski 1995; Otuka 1996; Prochnow).



Referências Bibliográficas

BLANCK, Mara; DALIA, Maria Celeste. Manual do curso de desbridamento teórico e prático. Rio de Janeiro: 3B Educação, Assessoria e Consultoria em Saúde Ltda., 2007.



Candido, L.C. curativos e coberturas. são paulo, 2008. disponível em: <www.feridologo.com.br>. Acesso em: 20 maio 2009.

Dangelo, J.G. Anatomia básica dos sistemas orgânicos. São Paulo, Atheneu, 1998.

Geovanine, Telma. Manual de curativos. São Paulo: Corpos, 2007.

Glenn, Irion. Feridas: novas abordagens, manejo clínico. Rio de Janeiro: Koogan, 2005.

Moore, Keith L. Anatomia orientada para a clínica. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan.

SANTOS, B. M. Uso clínico da papaína em lesões de pele. TCC, Curso de Farmácia, Orientador: Marcos Ferraz, 49 p.











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