Defini’~ao de Reabili9



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PROTOCOLO DE AVALIAÇÃO E ATENDIMENTO EM REABILITAÇÃO

  1. Introdução

Por muitos anos os padrões de cuidado com pacientes com doenças pulmonares incluíam inatividade e descanso. Os pacientes eram considerados receptores passivos de medicamentos. Entretanto, o Programa de Reabilitação Pulmonar (PRP) encoraja justamente o contrário – a volta à vida. Make (1986) sustentou que “depois de otimizar a medicação é possível produzir melhorias na DPOC grave com Reabilitação Pulmonar”.

A análise do custo-benefício tem sido investigada. Já se conhece a vantagem econômica da implantação de um PRP, uma vez que a reabilitação reduz o número de internações e proporciona condições ao retorno às atividades dos pacientes antes incapacitados e afastados de seus empregos.



  1. Reabilitação Pulmonar:

Conforme o I Consenso Brasileiro de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) de 1999, Reabilitação Pulmonar é um programa multiprofissional de cuidados a pacientes com alteração respiratória crônica que é individualmente delineado e modelado para otimizar o desempenho físico, social e a autonomia, e também para diminuir a ansiedade, a depressão e a dependência de profissionais da saúde. É um programa de tratamento que visa devolver a independência do paciente com disfunção respiratória frente às atividades de vida diária, melhorando sua qualidade de vida.

É importante salientar que a limitação ao exercício, nesses pacientes, é eminentemente ventilatória, e secundária ao desequilíbrio entre diminuição da capacidade ventilatória e ao aumento da demanda ventilatória. Sabe-se por outro lado, que em pacientes com DPOC podem interferir diversos fatores que de algum modo contribuem para o desenvolvimento de limitação ao exercício: mecânica respiratória, função muscular respiratória, hipoxemia, dispnéia, sedentarismo, função cardíaca, acidose metabólica/respiratória, disfunção muscular de membros inferiores (MMII).

A maioria dos programas de reabilitação pulmonar tem uma duração de três a seis meses, com, três vezes por semana. O paciente deve ter uma avaliação integral no início e final do programa, para se avaliar a evolução da sua capacidade física e para a prescrição de um programa de manutenção domiciliar de exercício.

A Reabilitação Pulmonar baseia-se em exercícios aeróbicos, que condicionam o paciente, gerando diminuição da fadiga respiratória e da dispnéia, além de alongamentos e musculação leve. O Programa de Reabilitação Pulmonar com condicionamento aeróbico melhora a função cardiorrespiratória. O efeito do treinamento parece ser decorrente das alterações da capacidade aeróbia dos músculos esqueléticos locomotores, o que acarreta menor produção de ácido lático e, provavelmente, menor retroalimentação aferente dos músculos para estimular o aumento da ventilação. O objetivo global é aumentar sua capacidade funcional e diminuir o impacto da incapacidade sobre o individuo, sua família e a comunidade, favorecendo a reintegração do paciente à sociedade.

Estudos recentes têm demonstrado que os benefícios obtidos em termos de tolerância ao exercício e de qualidade de vida não são atribuídos a uma melhora nos parâmetros fisiológicos tais como: valores espirométricos, gasometria arterial e função pulmonar e cardiovascular. Como o processo patólogico é progressivo e irreversível nos pacientes com distúrbios pulmonares crônicos, a Reabilitação Pulmonar não é capaz de interfirir na deterioração progressiva da função pulmonar, no entanto pode melhorar a capacidade do paciente em realizar atividades cotidianas e a tolerância aos exercícios, atuando diretamente na melhora da qualidade de vida.

Ao vencer os limites impostos pela patologia, retornando inclusive a atividades de lazer, conseguimos romper um ciclo que teria tendência a se agravar cada vez mais. O paciente se sente mais capaz e supera o quadro de depressão, muito comum nesses casos.



Objetivos:


-aumento da capacidade física

-melhora da habilidade nas AVDs

-diminuir sintomas pulmonares

-diminuir o número de internações

-diminuir ansiedade e depressão


-melhorar habilidade no emprego

-melhorar qualidade de vida

-promover a integração dos pacientes

-redução do grau de dependência em relação aos cuidados médicos

- atitude positiva frente à doença


Seleção:

-Paciente não ser tabagista ou estar sem fumar há pelo menos 03 meses - o cigarro é o responsável por cerca de 90% dos casos da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), caracterizada por bronquite crônica e enfisema pulmonar em proporções variáveis.

- Devem estar estáveis do ponto de vista clínico

- Estar motivado a participar do programa.

- Estar livre de infecção pulmonar no momento de iniciar o programa.

- Não devem ter outra condição incapacitante que limite sua participação no programa

- Estar recebendo acompanhamento médico e ter liberação do mesmo para sua inclusão no programa.

-Apresentar exame de ergoespirometria, cujos dados permitem identificar o limiar anaeróbio e conhecer o valor de índices como VO2max ou pico, VCO2, VE por minuto, etc.

A Reabilitação Pulmonar (RP) é direcionada basicamente a pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), entretanto mais recentemente pacientes com asma perene e fibrose cística também têm se beneficiado pelo tratamento de RP.

Os pacientes com asma perene ou crônica sofrem de hiperinsulflação, aumento do tônus dos músculos respiratórios e limitação ao exercício. Pacientes com fibrose cística apresentam, precocemente, perda de massa muscular, pelas infecções de repetição e conseqüente diminuição da capacidade física.

Os pacientes com DPOC são os que mais se beneficiam, pois apresentam obstrução e destruição acinar, o que leva ao aumento do trabalho ventilatório e à fadiga da musculatura respiratória, resultando em uma diminuição da capacidade ventilatória. O desequilíbrio entre o aumento da necessidade ventilatória e a redução da capacidade respiratória levam a uma importante limitação do exercício por dispnéia. Essa dispnéia gera ansiedade e como o paciente não tem conseguido vencê-la, entra em depressão. Começa então um ciclo vicioso para a inatividade que precisa ser revertido.

A DPOC atinge 8 milhões de brasileiros. Em 1998, foi responsável por 40% das mortes por doenças respiratórias em pessoas acima de 40 anos.

A RP está indicada a todos os pacientes com pneumopatia que já estejam sob terapêutica adequada, mas que continuam apresentando dispnéia. Devem ainda estar estáveis do ponto de vista clínico de qualquer doença da qual possam ser portadores. Por fim, devem estar motivados e ter pleno conhecimento das dificuldades iniciais de adaptação aos exercícios. É essencial que assumam a RP como um instrumento que vai ajudá-los a recuperar muito do que a doença os privou de fazer, sabendo, entretanto que não se trata de uma terapia passiva, mas que seus benefícios terão que ser conquistados.

3. Avaliação:

Uma vez selecionados os pacientes, segundo os critérios mencionados acima, deve-se proceder às avaliações. Com base nelas será investigado como a doença influi na vida dos pacientes. Sendo essenciais os seguintes tópicos:



a) Avaliação músculo-esquelética

É imperativo que o fisioterapeuta entenda claramente qual é o problema que está produzindo o fator limitante à tolerância ao exercício e às atividades funcionais, se o paciente estiver sofrendo de problemas músculo-esqueléticos ou dor de qualquer tipo, é importante que isso seja avaliado e tratado, preferencialmente antes de entrar no programa. A pouca flexibilidade torácica, muito comum em pneumopatas, por exemplo, levará a uma redução na capacidade funcional e, portanto, necessitará ser tratada com exercícios suaves. Também é necessário avaliar a força da musculatura respiratória, com o manovacuômetro.



b) Grau de obstrução:

Através do peak flow, ou exame espirométrico.



c) Tolerância ao exercício

O exercício físico proporciona a avaliação funcional do organismo em condições de sobrecarga metabólica. Portanto, vão ocorrer ajustes metabólicos, termorregulador, endócrino, celulares, cardiovascular e pulmonar adequados ao esforço (aumento do VO2 e do VCO2) que são fundamentais para manutenção do equilíbrio ácido básico e das pressões parciais de oxigênio e dióxido de carbono no sangue arterial (PaO2 e PaCO2), a níveis similares ao do repouso.

O paciente deve ser submetido a um teste cardiorrespiratório de esforço, que irá fornecer ao terapeuta os dados necessários para a prescrição segura e adequada de exercícios, visando oferecer ao paciente os benefícios do treinamento aeróbio. Há muitas maneiras de proceder à avaliação da capacidade física para pacientes pneumopatas.

É necessário que o paciente tenha uma certa coordenação motora, por que pode atrapalhar o desempenho final dos testes que vão ser realizados, durante a atividade física.

Os testes em bicicleta ergométrica e em esteira rolante permitem maior controle sobre as variáveis de intensidade e maior precisão para prescrever o exercício, além de eliminar a preocupação com grandes áreas físicas como as que são necessárias nos testes de caminhada. A bicicleta ergométrica é mais barata do que a esteira, entretanto a última pode ser eleita se levarmos em conta que o ato de caminhar é mais funcional, proporcionando, possivelmente, melhorias mais diretas e efetivas sobre a qualidade de vida desses pacientes.

Um dos maiores impasses em se prescrever a intensidade da atividade é escolher uma variável fisiológica para utilizar como marcador. O limiar anaeróbio é o parâmetro mais aceito para a prescrição de intensidade, por ser esse um ponto de estresse metabólico, refletindo as adaptações ao exercício. Contudo, não é um marcador simples de controlar do ponto de vista prático. Como marcadores mais simples podem ser usados : FC max, FC de reserva. Entretanto para indivíduos com DPOC, é difícil determinar quais os percentuais de intensidade que tenham correspondência com o limiar anaeróbio.



d) Qualidade de vida

A qualidade de vida relacionada à saúde refere-se à visão subjetiva do paciente sobre seu estado de saúde, porém esta medida pode contrastar com avaliações fisiológicas, como espirometria, ou a interpretação clinica relativa ao bem estar do paciente e sua capacidade funcional.

A qualidade de vida pode ser avaliada de forma quantitativa e qualitativa. A avaliação qualitativa consiste em uma entrevista com o paciente a fim de obter informações sobre o impacto da doença em sua vida. Através deste método pode-se identificar aspectos únicos e individuais dos benefícios de uma intervenção. Essa avaliação é feita através de questionários. A aplicação destes questionários pode estender o campo de informações e prover uma avaliação mais completa sobre os benefícios da Reabilitação Pulmonar.

Existem dois tipos de questionários de qualidade de vida, os genéricos e os específicos. Os genéricos são formulados para avaliar pacientes com quaisquer doenças, detectando diferentes aspectos do estado geral de saúde. Os questionários específicos foram desenvolvidos para obter uma alta sensibilidade dentro de uma condição clínica específica.

O primeiro questionário específico a ser publicado foi o CRQ Chronic Respiratory Questionnaire. Ele é constituído de 20 itens distribuídos em 4 domínios: dispnéia, função emocional, fadiga e compreensão da doença. As questões são formuladas para serem aplicadas sob forma de entrevista. Mostrou-se sensível às mudanças ao longo de um programa de intervenção terapêutica, entretanto não é padronizado entre pacientes ou grupo, o que impossibilita comprar populações ou resultados de estudos diferentes.

A seguir estão alguns estudos feitos com o CRQ:



autor

pacientes

intervenção

resultado

Cambach et al. 1997 holanda

N: 66 pacientes ambulatoriais

(29 intervenção, 37 controle) idade: 37 e 66 anos

VEF1: 1,4 a 3,01


Duração: 6 meses

(3 de intervenção, 3 controle)

Período 90 dias em 3x/ semana

Programa: desobstrução, reeducação da respiração, educação, exercício físico, relaxamento e atividades recreativas



Melhora na qualidade de vida e tolerância ao exercício. Após 6 meses, os ganhos na qualidade de vida foram mantidos, enquanto o mesmo não aconteceu com a tolerância ao exercício

Guell et al. 2000 Espanha

N: 60 pacientes ambulatoriais e internados (30 intervenção, 30 controle) idade: 57 -71anos, VEF1: 19 a 53 %

Duração: 12 meses

Período variável

Programa: educação, exercício físico e reeducação da respiração.


Melhora da dispnéia, da capacidade de exercício e da qualidade de vida. Redução do número de hospitalizações. Os ganhos obtidos se mantiveram por 24 meses após o início do programa.



Protocolo da UNIFESP- EPM


No programa de Reabilitação do Lar Escola São Francisco UNIFESP-EPM, o paciente e avaliado pelos seguintes testes

1 Teste ergométrico: realizado em bicicleta ou esteira ergométrica do qual se obtém a analise do consumo Maximo de oxigênio VO2

2 Teste incremental: o paciente realiza um máximo esforço com incremento de carga e é limitado por sintomas. Neste teste são monitorizadas a freqüência cardíaca FC, pressão arterial PA , freqüência respiratória f , saturação de oxigênio SatO2 e escala de Borg.

3 Teste endurance: baseado em 90% da carga máxima obtida no teste incremental (isocarga).Utiliza-se o controle da freqüência cardíaca submáxima e são monitorizados os mesmos parâmetros do incremental.

4 Teste de caminhada de 6 minutos: muito bem utilizado na medida do desempenho para exercícios em programas de reabilitação. Há todavia necessidade da padronização na metodologia, especialmente quanto ao tipo de intensidade de incentivo dado ao paciente durante sua realização. Estudos têm demonstrado o efeito do aprendizado em relação ao teste da caminhada, principalmente se repetidos em curto espaço de tempo (McGavin , Gripta , McHardy). Por outro lado, se o teste é realizado incentivando-se o paciente, o resultado pode ser melhor (American Thoracic Society). Pode-se utilizar as seguintes frases de incentivo padronizadas: "Você está indo bem", "Continue fazendo um bom trabalho" , há ainda as frases de incentivo padronizadas que buscam sempre melhorar e não manter o desempenho do paciente, e o teste pode ainda acontecer com ou sem acompanhamento do paciente, passo a passo. Se o examinador for caminhar à frente do paciente ele deve ter a sensibilidade e a experiência para sentir o quanto o paciente consegue acompanhá-lo, para que não haja necessidade de parar para descansar Também são avaliados os mesmos parâmetros do teste incremental.

Na UNIFESP, o teste da caminhada é realizado, no mínimo, 2 vezes, sendo que a primeira vez serve para conscientizar o paciente de como deve ser realizado o teste e a segunda vez para confirmar o resultado.



5 Teste incremental para membros superiores: verifica o peso máximo que o individuo consegue levantar com seu braço dominante. Após esta avaliação ele treina com 50% da carga máxima obtida. O treinamento é feito com movimentos em diagonais para que ele treine o maior número de músculos possíveis, já que o benefício do treinamento é e músculo específico.

6 Avaliação das atividades de vida diária: feita com oxímetro de dedo para obter os valores de saturação da hemoglobina pelo oxigênio com o paciente executando suas atividades de vida diária como higiene pessoal, alimentar-se, vestir-se, trabalhos domésticos, subir e descer escadas etc.

7 Avaliação psicológica: indica o grau de motivação do paciente em relação ao programa e quanto sua doença o incomoda.

8 Avaliação nutricional

Método Paschoal (cicloergômetro):

Protocolo contínuo de esforço, realizado em cicloergômetro, que tem por objetivo classificar a condição cardiorrespiratória durante a distância percorrida durante o tempo de 6 minutos. O banco deve estar a uma altura regulada de forma que o membro inferior, que está apoiado no degrau em posição mais baixa, apresente 5 a 10 graus de flexão do joelho. A velocidade mínima aceita para a execução do teste é de 60 rpm. Durante todo o teste a potência é fixada em zero. O paciente deve ser orientado a pedalar à maior velocidade que conseguir suportar durante todo o teste, deixando claro que ele deverá mantê-la por 6 minutos. O surgimento de leve dispnéia (até nível 12 na escala de Borg), não é um fator que prejudique sua execução e respectiva validade.Ao finalizar o tempo de 6 minutos, deverá ser anotada a distância percorrida e classificar a condição física do paciente de acordo com as categorias propostas. Esse teste permite avaliar se o paciente está apto a participar de um programa de reabilitação pulmonar e também propõe o programa de tratamento de acordo com os resultados do teste.




Distância (metros)

Com dispnéia

Sem Dispnéia

000 a 2400

Não apto a participar do PRA

Fraca

2410 a 2800

Apto a fazer atividades, com ressalvas

Razoável

2810 a 3200

Fraca

Moderada

3210 a 3600

Razoável

Boa

3610 a 4000

Moderada

Muito boa

Acima de 4000

Boa

Excelente

PRA: Programa de Recondicionamento Aeróbio

4. Atendimento em reabilitação:

Prescrição do exercício:

Para permitir que o paciente usufrua os benefícios proporcionados por um programa de exercícios, devemos estar atentos para os princípios gerais de treinamento.

Primeiramente devemos lembrar que o efeito é treinamento específico. Portanto, com base na avaliação do paciente, desenvolveremos um programa de exercícios que venha minimizar sua dificuldade em particular. No caso da Reabilitação Pulmonar, a caminhada, geralmente é o exercício aeróbico eleito, pois é sem dúvida o mais funcional; os exercícios para membros superiores sempre incluem diagonais de Kabat, também por ter características mais próximas do movimento funcional.

Da mesma forma, carga e intensidade devem ser programadas com base nas atividades de vida diária do paciente. Para o pneumopata, o ideal é trabalhar com carga baixa a média por um período prolongado de tempo, melhorando a qualidade do sistema oxidativo, proporcionando maior resistência à fadiga.

O princípio de adaptação, fundamenta todo e qualquer programa de exercícios. Graças à adaptação do organismo frente a estímulos, a prática regular de exercícios permite grande mudança na qualidade de vida das pessoas, entretanto, devido a essa mesma capacidade de adaptação do organismo é necessário que haja atenção por parte dos terapeutas para que o condicionamento físico possa atingir o nível desejado, ou seja, novas cargas devem ser estipuladas para provocar nova adaptação do organismo do paciente.

Finalmente, o princípio da reversibilidade. É preciso que os pacientes tenham consciência de que os benefícios alcançados não se perpetuarão, isto é, se o treinamento for descontinuado, o efeito do treinamento desaparecerá.



Intervenção:

Para realizar as atividades de vida diária uma certa quantidade de força e coordenação é necessária. Pacientes com DPOC, durante a evolução da sua doença apresentam um aumento progressivo na dificuldade de realizar atividades simples do dia-a-dia. A intervenção terapêutica nesses casos tem diferentes enfoques:



Conservação de energia : Durante o PRP, até que os pacientes desenvolvam condicionamento, existe a preocupação de dar orientações para a realização das AVDs de forma que elas proporcionem o menor gasto de energia possível. As técnicas de conservação de energia têm por finalidade aumentar a capacidade do paciente em realizar as AVDs e ter uma vida funcional com independência, além de levá-los a realizar atividades produtivas para a sociedade. Em pacientes pneumopatas essas técnicas baseiam-se em diminuir a sensação de dispnéia. Assim:

  • Quando tiver que utilizar o braço, fazê-lo com o mesmo apoiado.

  • Utilizar cadeira dentro do boxe do chuveiro tomando banho sentado, não se enxugando de imediato, mas utilizando um roupão atoalhado.

  • Os equipamentos por ele utilizados devem estar colocados no espaço entre cintura pélvica e a cintura escapular, evitando que haja necessidade de abaixar-se ou de elevar os braços para apanhar objetos.

  • Planejar as atividades da semana de forma que as tarefas mais árduas sejam

distribuídas em todos os dias.

  • Alternar entre as atividades leves e pesadas e também períodos de repouso entre uma atividade e outra.

  • Organizar a área de trabalho dentro do alcance normal. É indicada a distribuição dos utensílios em semicírculos.

  • É recomendável não levantar ou carregar objetos, e sim deslizá-los. A utilização de uma mesa com rodas facilita este transporte.

  • Utilizar postos fixos de trabalho, posicionar os equipamentos e os utensílios antecipadamente, deixando-os sempre ao alcance e prontos para o uso.

  • Utilizar a mínima quantidade de utensílios, selecionar equipamento que possam ser usados para mais de uma atividade.

  • Utilizar utensílios que se fixam por sucção ou presilhas, evitando o trabalho de segurar, deixando as mãos livres para execução das atividades

  • Usar a ação da gravidade, utilizando deslizadores para o lixo e lavanderia.

  • Usar uma área de trabalho com altura adequada para o paciente e a atividade exercida.

  • Posicionar os controles e botões das máquinas em fácil alcance. A escolha dos eletrodomésticos deve ser feita com base na facilidade de operação.

  • Observar se o ambiente proporciona boas condições de ventilação, iluminação e temperatura.

Exercícios Intervalados:

Está bem demonstrado que os pacientes com DPOC também podem apresentar redução na força da musculatura periférica, eles perdem gradativamente o condicionamento muscular, o que os faz entrar em anaerobiose a esforços cada vez menos intensos.

Os exercícios intervalados têm o objetivo de promover o fortalecimento de músculos esqueléticos, incluindo os respiratórios, através de exercícios específicos que duram de 1 a 3 minutos, seguidos de um intervalo com a mesma duração. Esse intervalo vai permitir que a ventilação remova o CO2 que se acumulou durante a série de exercício, evitando o aparecimento de dispnéia, vai evitar também o acúmulo excessivo de ácido lático, que provocaria muita dor e provavelmente a interrupção precoce do exercício.

Exercícios para Membros Superiores (MMSS):

O treinamento dos MMSS constitui outro componente importante nos programas de reabilitação respiratória.

Para os pneumopatas, atividades que utilizam a cintura escapular apresentam um problema especial, principalmente aquelas que requerem o uso dos braços sem apoio. Pelo desempenho das atividades do braço, os músculos da cintura escapular (acessórios) deixam de auxiliar na função respiratória e a carga é forçada naturalmente para os músculos respiratórios.

Estudos têm demonstrado que a simples elevação dos braços em indivíduos normais resulta num considerável aumento no consumo de oxigênio (16%) e da ventilação pulmonar (24%). Pacientes com DPOC mostraram um consumo de oxigênio alto, em torno de 50-60% do VO2máx, para a realização de tarefas utilizando os membros superiores em diferentes posições, utilizando em torno de 60-70% da ventilação voluntária máxima. De um modo geral a partir desta faixa de valores os indivíduos passam a ter percepção de sua demanda ventilatória e podem sentir desconforto respiratório.

Os resultados de trabalhos disponíveis na literatura indicam que os exercícios com levantamento de peso acima dos ombros, ou seja, não sustentados contra gravidade, parecem oferecer resultados mais satisfatórios.

Os exercícios para MMSS sempre são associados com coordenação da respiração, a fase expiratória deve coincidir com o estiramento no alongamento ou com o esforço durante um exercício de fortalecimento. Pelo treinamento, as demandas ventilatórias nesse tipo de atividade são reduzidas, melhorando a eficiência nas AVDs.



Treinamento Aeróbio

O exercício aeróbio aumenta a tolerância ao exercício, diminuindo a dispnéia e gerando maior eficiência para o trabalho muscular, isto faz com que o paciente tenha ao longo do tempo uma diminuição no número de internações. Melhora a relação ventilação/perfusão (V/Q), porque ele vai aumentar a abertura dos alvéolos, bem como a vascularização dos mesmos. Isto faz com que o paciente melhore a absorção de oxigênio para poder realizar sua atividade de vida diária, ser mais independente, pois ocorre uma diminuição na fadiga e como conseqüência haverá uma diminuição da dispnéia

Foi demonstrado que um programa de treinamento de exercícios é capaz de reduzir substancialmente a necessidade ventilatória para qualquer exercício, e o melhor mecanismo para a redução na ventilação é a redução nas concentrações de ácido lático. O treinamento estimula alterações nos músculos exercitados, os quais aumentam a densidade capilar, o número de mitocôndrias e a concentração de enzimas do metabolismo aeróbio. A principal conseqüência dessas alterações é a maior capacidade de extração de oxigênio pelos músculos treinados, o que retarda a acidose lática.

Os pacientes com limitação crônica do fluxo aéreo têm sua capacidade física limitada pelo nível de ventilação máxima que conseguem suportar. As propriedades mecânicas dos pulmões passam a ser os principais fatores limitantes e o sintoma predominante é a dispnéia e/ou fadiga generalizada.

O ideal em termos de treinamento físico aeróbio de pneumopatas é a realização de exercícios por 30 a 40 minutos, 3 a 4 vezes por semana, em dias intercalados, com cargas entre 60 e 80% da carga máxima prevista, parecem ter intensidade adequada para trazer benefícios fisiológicos mencionados acima.

Em termos práticos, a faixa ideal de treinamento corresponde a observação de índices um pouco acima de 70% da FCmax prevista, com baixa demanda ventilatória.

Assim, a FC durante PR deve oscilar entre 90 e 120 batimentos por minuto. Segundo vários autores, essa zona de FC coincide com os valores dessa variável em sedentários saudáveis obtidos no limiar anaeróbio e pode servir de referência para treinamento aeróbio de doentes pneumopatas.

Em contraste com indivíduos normais, nos quais a limitação é de problema cardiovascular e/ou muscular, pneumopatas podem não apresentar reserva funcional tóraco-pulmonar suficiente para tolerar as demandas metabólico-ventilatórias associadas às atividades moderadas-intensas. Por isso, durante o PRP, o fisioterapeuta pode e deve fazer uso da oxigenoterapia, por cânula nasal (1-3 l/min), quando necessário, com o intuito de manter a SaO2 maior de 90%. Prover oxigenoterapia durante o treinamento pode permitir que o paciente treine a uma intensidade mais alta e de duração mais longa do que ele suportaria sem o suporte de O2.



Maltais (1996) mostrou claramente que os pacientes com DPOC que realizaram um grupo de exercício de 8 semanas com alta carga (60% da carga máxima tolerada) apresentavam redução na produção de acido lático e na ventilação e aumento no tempo de realização do teste de endurance, o que não ocorreu nos pacientes treinados com carga baixa, e este benefício no desempenho físico pode se associar a um aumento de enzimas oxidativas, conforme demonstrado mais tarde em biópsias de pacientes submetidos a programas de reabilitação. A ocorrência de ganho aeróbio efetivo associou-se com o aumento do índice de massa corpórea e da pressão inspiratória máxima e como a redução significante da dispnéia no exercício máximo.

Programa de recondicionamento aeróbio em cicloergômetro com base na avaliação do Método Paschoal:

Distância (metros)

Com dispnéia

Sem dispnéia

2000 a 2400

Ainda precisa ser melhorada a resistência muscular respiratória e geral por intermédio de exercícios dinâmicos em progressão

45 minutos de atividade em cicloergômetro, a 20 km/h, 0W. Aplicar 3 “pacotes” de 10 min, intercalados por atividades de MMSS por 5 min

2410 a 2800

3 “pacotes” de 8 min (potência zero) a 20 km/h intercalados por 7 min de exercícios gerais em progressão

3 “pacotes” de 12 min , 0W, a 20 km/h intercalados por 3 min de exercícios gerais em progressão

2810 a 3200

Aplicar 3 “pacotes” de 10 min de exercício no cicloergômetro (potência W 20 km/h) intercalados por atividades de 5 para MMSS

Pedalar entre 20 e 24 km/h durante os 45 min este grupo não precisa mais sair do cicloergômetro. Fazer 6 “pacotes” de 2 min, 0W, intercalados por 8 min a 25 W. Finalizar pedalando 3 min à potência de 25 W

3210 a 3600

3 “pacotes” de 12 min (0 W) intercalados por 3 min de exercícios gerais em progressão

Pedalar entre 20 e 24 km/h durante os 45 min , 4 “pacotes” de 2 min, 0W, intercalados por 8 min a 25 W. Nos últimos 5 min finalizar pedalando a potência de 25 W.

3610 a 4000

Idem ao grupo de 2.810 a 3200 sem dispnéia

45 minutos divididos em 3 “pacotes” de 12 min a 25 W, intercalados por 3 min a 0 W. Iniciar com a potência 0 watts.

Acima de 4000

Idem ao grupo de 3210 a 3600 sem dispnéia

Iniciar o protocolo com 2 min a 0 W seguido de 2 “pacotes” de 20 min a 25 W, intercalados por 3 min a 0 W. A velocidade deve ser mantida entre 20 e 24 km/h (60 a 65 rpm)

Hospital Universitário de Brasília (HUB) e Faculdade de Fisioterapia da Universidade Católica de Brasília:

Para recuperar sua capacidade respiratória, os pacientes freqüentam salas amplas, bem arejadas e iluminadas. Ali, durante uma hora de sessão, três vezes por semana, fazem caminhadas em esteiras, pedalam bicicletas ergométricas, levantam pesos leves — de até três quilos — e praticam exercícios de flexão das pernas e dos braços. O local, tanto na Católica como no HUB, se assemelha a uma academia de ginástica, mas tem as suas diferenças. Os freqüentadores geralmente são pessoas com mais de 50 anos, todos possuem lesão pulmonar e alguns andam com dificuldade. Os monitores não vestem roupas de ginástica e sim jalecos brancos e usam estetoscópios e medidores de pressão, para controlar os batimentos cardíacos e a pressão arterial dos seus alunos. São fisioterapeutas e estagiários da área.



Com a perda da capacidade de funcionamento dos pulmões, as pessoas apresentam dificuldades para respirar, ficam cansadas e os seus músculos recebem menos oxigênio. Resultado: pernas e braços atrofiados. Alguns pacientes conseguem andar lentamente, outros nem levantam da cama. ‘‘Por isso, montamos um planejamento de fisioterapia de acordo com o quadro clínico de cada pessoa’’, diz Sérgio Leite Rodrigues, fisioterapeuta responsável pelo Programa de Reabilitação Pulmonar do HUB. No hospital, cada paciente possui uma planilha individual de exercícios.

UNIFESP/ Escola Paulista de Medicina:

Exercícios intervalados: têm como objetivo realizar um aquecimento prévio para o treinamento de membros superiores e inferiores através de uma série de doze exercícios que abordam os diversos segmentos corporais de forma intervalada. Cada exercício tem a duração de um a três minutos, com o mesmo intervalo de repouso entre eles, tendo uma duração total de trinta minutos.

Treinamento de membros inferiores: é realizado na esteira, com o objetivo de aumentar a tolerância à caminhada através da melhora da capacidade aeróbia e condicionamento físico. Esta atividade tem a duração de trinta minutos, com freqüência de três vezes por semana, sob a supervisão direta do fisioterapeuta que monitora a saturação de pulso de oxigênio, pressão arterial e escala de sensação de dispnéia e fadiga de membros inferiores. A carga de treinamento é individualizada e corresponde a oitenta por cento da velocidade nesse teste.

Treinamento de membros superiores: tem como objetivo dessensibilizar a dispnéia para atividades que envolvam os membros superiores e a cintura escapular. É realizado através de halteres, com carga correspondente a cinqüenta por cento do peso máximo atingido no teste incremental para membros superiores. São utilizados para este treinamento a primeira e a segunda diagonais do Método de Facilitação Neuroproprioceptiva de Kabat, pela funcionalidade e por solicitar a ação de vários grupos musculares, utilizados na realização de Atividades de Vida Diária que envolvam os membros superiores. Cada diagonal é realizada duas vezes por dois minutos cada, com intervalo de repouso de um minuto entre elas. É solicitado aos pacientes que realizem a expiração durante o movimento para que estes músculos sejam apenas utilizados para esta atividade motora, diminuindo, assim, a dispnéia. Este treinamento é realizado três vezes por semana, com a duração de trinta minutos cada seção.

Alongamento: é realizado duas vezes por semana, após o treinamento de membros superiores e inferiores. Composto por uma série de doze exercícios de alongamento que envolvem membros superiores, cintura escapular, tronco e membros inferiores. Esta atividade tem duração de vinte minutos.

Programa de Educação: como parte de um programa de reabilitação pulmonar, a educação dos pacientes tem como objetivo principal fornecer subsídios para o paciente exercer maior controle sobre a doença . A educação isoladamente tem alcance limitado, mas como parte de um programa de reabilitação pulmonar exerce importante papel pois fornece elementos que lhe permitem aumentar sua compreensão sobre os sinais e sintomas, o que ele pode fazer em termos de auto-cuidado e de conservação de energia, quando procurar um serviço de saúde e como utilizar a medicação, deste modo melhorando sua capacidade de autonomia e cuidados próprios.
O aprendizado e a educação são importantes a medida em que ajudam o paciente a desenvolver a convicção da necessidade de mudança e aumentar o seu compromisso.
A educação também deve ser estendida aos familiares e cuidadores, pois vai permitir que estes tenham uma melhor compreensão sobre a doença, o impacto que ela causa no paciente e como vai ser possível auxiliá-lo.
O programa de educação desenvolvido atualmente como parte do programa de reabilitação pulmonar se baseia em uma série de nove aulas teóricas realizadas semanalmente pela manha e quinzenalmente à tarde. As aulas são dirigidas aos pacientes e abertas aos familiares.
As aulas são ministradas pela equipe (médicos, fisioterapeutas, nutricionista, enfermeira e terapeuta ocupacional) e abordam temas relativos a doença, suas possibilidades de tratamento e como lidar com ela: conceito de DPOC, medicamentos, oxigenioterapia, reabilitação/exercício, fisioterapia respiratória, técnicas de conservação de energia, nutrição, stress/relaxamento, tabagismo/programa PREV-FUMO.
De modo que os novos hábitos e atitudes adquiridos no programa sejam incorporados de maneira mais definitiva a sua vida, os conceitos aprendidos nas aulas teóricas são reforçados durante as sessões de exercício. Assim, as técnicas de conservação de energia são repetidas durante as sessões de exercício e uma vez por semana ha uma sessão de relaxamento supervisionada.

Treinamento em técnica de relaxamento: esta técnica permite ao paciente descansar fisicamente, além de prepará-lo para mudança de hábitos. As sessões de relaxamento diminuem gradualmente o estado de tensão dos pacientes pneumopatas, conduzindo-os a um estado de equilíbrio, diminuindo a freqüência cardíaca e respiratória e, conseqüentemente, diminuindo o gasto energético. Outros propósitos da técnica de relaxamento têm sido a de orientar o paciente a nunca entrar em pânico, controlar o estresse, criar um novo padrão postural, ajudando-o, portanto, a diminuir a sensação de dispnéia nos períodos de exacerbação. Sessões semanais de relaxamento podem interferir positivamente sobre o esquema corporal, orientação espacial e aspectos sensoriais, perceptivos e cognitivos, como a memória, atenção e concentração. O relaxamento atua no círculo vicioso dispnéia-hipóxia-ansiedade e o seu conhecimento pode capacitar o paciente a lidar mais adequadamente com os momentos de cansaço e situações de tensão que podem ocorrer durante o dia. É realizado após o final das sessões de exercícios, uma vez por semana.

Prevenção:

O PREV-FUMO

O Núcleo de Apoio à Prevenção e Cessação do Tabagismo (PREV-FUMO) corresponde ao braço preventivo do Centro de Reabilitação Pulmonar. Foi fundado em 1990 pelo Dr José Roberto Jardim e desde então tem como principal objetivo auxiliar fumantes a parar de fumar. Realiza aproximadamente 1100 atendimentos anuais de forma individual ou em grupo. Os pacientes recebem terapia farmacológica (Terapia de Reposição de Nicotina ou Bupropiona) associada à Intervenção Cognitivo-Comportamental, durante acompanhamento mínimo de 5 semanas.



Hospital Israelita Albert Einstein:

Os profissionais: O seu Médico, Fisioterapeutas com especialização na área
Nutricionistas, Psicólogos e Terapeutas Ocupacionais e outros profissionais específicos serão contactados caso haja necessidade individual

Etapas:
1ª FASE:
Avaliação nutricional
02 testes de caminhada de 6 minutos
Avaliação de força muscular
Medida do fluxo expiratório
Ventilometria
Medidas de saturação de oxigênio na hemoglobina e freqüência cardíaca
Avaliação da oximetria nas atividades de vida diária
Teste incremental de membros inferiores (MMII)
Teste de "endurance" de MMII
Teste incremental de membros superiores (MMSS)

2ª FASE:
O período de treinamento tem duração de 03 meses, com freqüência de 03 vezes por semana, com sessões com duração de 1 1/2 hora. Ao final da sessão são realizados alongamentos globais.


No último dia de treinamento da semana é realizado trabalho de conscientização respiratória e uma sessão de relaxamento.

3ª FASE:
Ao final dos 03 meses do programa os pacientes serão reavaliados e os resultados enviados ao seu médico, com as devidas interpretações.



Os resultados:
3% dos pacientes não melhoram seu quadro pulmonar nem sua qualidade de vida
12% melhoram sua condição física
85% melhoram sua qualidade de vida e sua condição física

Faculdade de Medicina da Unesp, Campus de Botucatu:

Todas as quintas-feiras, das 8 às 9 horas, os usuários do serviço de reabilitação comparecem à sala de exercícios, onde participam de um recondicionamento físico geral. Realizam caminhadas, praticam exercícios físicos moderados e fazem relaxamento. Tudo isso acompanhados pela professora Irma, pelo residente do 3º ano da Pneumologia Maurício Galhardo e pelo professor de educação física Waldomiro Rapello Filho.

Para fazer a reabilitação pulmonar, as pessoas são primeiro submetidas a uma avaliação física, que inclui um teste de esforço cardiológico. "Isso é para ver, antes da realização dos exercícios, se o paciente não vai ter nenhuma complicação", explica Irma.

Qualidade de vida : os resultados do serviço de reabilitação são sentidos por todos os usuários. Eles são unânimes em afirmar que tiveram uma melhora visível na qualidade de vida, à medida que a falta de ar diminuiu e as atividades físicas já não cansam tanto. Mas os resultados não param por aí.

"Existe um outro resultado, que não é mensurável. São os vínculos que se criam em função dos encontros que acontecem todas as semanas, as amizades que se formam, a troca de experiências, o convívio, e que também contribuem para a melhora da qualidade de vida deles".

De acordo com a coordenadora do serviço, a duração mínima destes programas deve ser de oito semanas. "Mas depois que a pessoa entra no programa esta é a única atividade dela. Se ela é mandada embora, cria-se uma situação difícil, pois ela cria vínculos com o serviço", pondera Irma. E continua: "Isto traz alguns problemas, pois acabam faltando aparelhos para a realização de exercícios e até mesmo espaço para a realização deles", avalia a professora.

Segundo ela, a experiência com isso é muito difícil. "Até mesmo emocionalmente e, quando eles vão embora, o efeito é temporário, e se eles não persistirem nas atividades, voltam ao estágio inicial. Então é importante que continuem", conclui.



5. Conclusão

Uma das razões para o sucesso da Reabilitação Pulmonar baseia-se no fato de que os pacientes crônicos possuem outros componentes, que não apenas o pulmonar, que são tratáveis. No paciente com DPOC alguns dos componentes do tratamento a longo prazo são: prevenção da progressão da doença, prevenção das complicações e tratamento dos componentes reversíveis. E é exatamente nesses componentes que a fisioterapia trabalha. No primeiro deles a atuação se dá ainda no atendimento ambulatorial até que o paciente atinja um quadro clínico estável. Os dois últimos são exatamente o objetivo dos Programas de Reabilitação Pulmonar.

Apesar das diferentes abordagens terapêuticas existentes, todos os Programas de Reabilitação apresentaram resultados de melhora na qualidade de vida de seus pacientes, atuando na interrupção do ciclo vicioso no qual eles estavam inseridos.

Entretanto, é preciso desenvolver programas que não subestimem a capacidade de resposta do paciente, e que não minimizem as vantagens e os resultados que poderiam ser alcançados. Cabe salientar que é papel do fisioterapeuta promover condicionamento do paciente e promover resultados satisfatórios com melhorias fisiológicas efetivas de acordo com a realidade do setor onde trabalha.

Por se tratar de treinamento de doentes e não de indivíduos saudáveis, podem surgir intercorrências, como agravamento da doença de base por infecção ou aumento da obstrução da vias aéreas que prejudiquem o desenvolvimento do programa. Se porventura isso vier a ocorrer, todas as etapas devem ser respeitadas para reintegração do paciente no PR.
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