Daniel goleman, PhD



Baixar 0.9 Mb.
Página28/30
Encontro18.09.2019
Tamanho0.9 Mb.
1   ...   22   23   24   25   26   27   28   29   30

Eu ensinei nesta escola durante vinte anos ela diz, ao me receber.

Veja este bairro. Não posso ver mais apenas ensinarem matérias acadêmicas, com os problemas que esses garotos enfrentam simplesmente vivendo. Veja os garotos daqui que lutam porque têm Aids eles próprios ou em suas casas; não sei se eles diriam isso durante a discussão da Aids, mas assim que um garoto sabe que um professor vai ouvir um problema emocional, não só os escolares, está aberto o caminho para essa conversa.

No terceiro andar da velha escola de tijolos,Joyce Andrews conduz seus alunos da quinta série na aula de aptidão social que eles têm três vezes por semana.

Joyce, como todos os outros professores da quinta série, fez um curso especial de verão sobre como ensiná-la, mas sua exuberância sugere que os tópicos de competência social Lhe vêm naturalmente.

A aula de hoje é sobre identificação de sentimentos; poder dar nome aos sentimentos, e com isso distinguir melhor entre eles, é uma aptidão emocional chave. A tarefa da noite passada foi trazer a foto do rosto de uma pessoa tirada de uma revista, nomear que emoção o rosto exibe e explicar como saber que a pessoa tem esses sentimentos. Após recolher as tarefas, Joyce relaciona os sentimentos no quadro negro tristeza, preocupação, excitação, felicidade, e assim por diante e lança-se a uma acelerada sabatina com os dezoito alunos que conseguiram chegar a escola nesse dia. Sentados em quatro conjuntos de carteiras os estudantes erguem as mãos excitados, esforçando-se para chamar a atenção dela para dar suas respostas.

Quando acrescenta frustrado à lista no quadro, Joyce pergunta:

_ Quantos algum dia se sentem frustrados?

Todas as mãos se erguem Como vocês se sentem quando estão frustrados?

As respostas vêm em cascata: “Cansado.” “Confuso.” “A gente não pensa direito. “ “Ansioso.”

Quando ofendido é acrescentado à lista, Joyce diz:

_ Esse eu conheço Quando um professor se sente ofendido?

Quando todo mundo está conversando - sugere uma menina, sorrindo.

Sem perder um segundo, Joyce distribui uma folha de trabalho mimeografada.

Numa coluna estão rostos de meninos e meninas, cada um exibindo uma das seis emoções básicas feliz, triste, irado, surpreso, com medo, enojado e uma descrição da atividade muscular facial por baixo de cada um, por exemplo.

COM MEDO:

A boca aberta e repuxada para trás.

Os olhos abertos e os cantos internos erguidos.

Sobrancelhas elevadas e franzidas.

Rugas no meio da testa.

Enquanto eles lêem a folha, expressões de medo, ira, surpresa ou nojo flutuam pelos rostos dos garotos da classe de Joyce, que imitam as imagens e seguem as receitas faciais para cada emoção. Essa lição vem direto da pesquisa de Paul Ekman sobre expressão facial; como tal, é ensinada nos cursos universitários de introdução à psicologia da maioria das universidades e raramente, se chega a ser, na escola primária. Essa lição elementar de ligar um nome a um sentimento e o sentimento a uma expressão facial que combine com ele, parece tão óbvia que não precisa ser ensinada. Contudo, pode servir como antídoto para lapsos Surpreendentemente comuns de alfabetização emocional. Os valentões dos pátios de recreio, lembrem-se, muitas vezes atacam irados porque interpretam mal mensagens e expressões neutras como hostis, e as meninas que contraem distúrbios de alimentação não distinguem ira e ansiedade de fome.

ALFABETIZAÇÃO EMOCIONAL DISFARÇADA

Com o Currículo já assoberbado por uma proliferação de novas matérias e programas, alguns professores que compreensivelmente se sentem sobrecarregados resistem a dedicar tempo extra do básico para mais um curso. Assim, uma nova estratégia de educação emocional não é criar um nova classe, mas fundir lições sobre sentimentos e relacionamentos com outras matérias já ensinadas As lições emocionais podem fundir-se naturalmente com leitura e escrita, saúde ciência, estudos sociais, e outros cursos padrão também. Embora nas escolas de New Haven o curso de Aptidões para a Vida seja uma matéria separada em algumas séries, em outros anos o currículo de desenvolvimento social se funde com cursos como saúde ou leitura. Algumas lições são dadas até como parte da aula de matemática notadamente aptidões básicas de estudo como afastar distrações, motivar-se para estudar e controlar os impulsos para poder acompanhar o ensino.

Alguns programas de aptidões emocionais e sociais não tomam tempo do currículo ou de aula como tema separado, mas ao contrário infiltram suas lições no tecido mesmo da vida escolar. Um método para essa técnica essencialmente um curso de competência emocional e social invisível - é o Projeto de Desenvolvimento da Criança, criado por uma equipe dirigida pelo psicólogo Eric Schaps. O projeto, com base em Oakland, Califórnia, está atualmente sendo testado num punhado de escolas em todo o país, a maioria em bairros que têm os problemas do centro decadente de New Haven.

O projeto oferece um conjunto pré-preparado de materiais que se encaixam nos cursos existentes. Assim, os alunos da primeira série têm em sua classe de leitura uma história, “A Rã e o Sapo São Amigos”, em que a Rã, querendo brincar com o amigo Sapo, que está em hibernação, faz um truque para que ele acorde cedo. A história é usada como plataforma para uma discussão em classe sobre a amizade, e questões como a maneira como as pessoas se sentem quando alguém Lhes prega uma peça. Uma sucessão de aventuras traz tópicos como a autoconsciência, a consciência das necessidades de um amigo, como se sente quem é provocado e a partilha de sentimentos com amigos. Um plano de currículo fixo oferece histórias cada vez mais sofisticadas à medida que as crianças passam pelo primário e ginásio, dando aos professores pontos de entrada para discutir questões como empatia, adoção de perspectiva e interesse.

Outro modo de entremear as lições emocionais no tecido da vida escolar existente é ajudando os professores a repensar como disciplinar os alunos que se comportam mal. A suposição no programa de Desenvolvimento da Criança é que esses momentos são oportunidades ideais para ensinar às crianças aptidões que Lhes faltam controle de impulso, explicar os sentimentos, resolver conflitos e que há melhores maneiras de disciplinar do que a coerção. Um professor que vê três meninos da primeira série se atropelando para ser o primeiro no refeitório pode sugerir que cada um diga um número, e que o vencedor entre primeiro. A lição imediata é que há maneiras imparciais e justas de resolver tais disputinhas, enquanto o ensinamento maior é que se pode negociar as disputas.

E como esse é um método que essas crianças podem levar consigo para resolver disputas Semelhantes (o “Primeiro eu”, afinal, é epidêmico nas séries mais baixas senão na vida toda, de uma forma ou de outra), tem uma mensagem mais positiva que a sempre presente e autoritária “Parem com isso”

O CRONOGRAMA EMOCIONAL

“Minhas amigas Alice e Lynn não querem brincar comigo.”

Essa pungente queixa é de uma menina da terceira série na Escola Primária John Muir, em Seattle. A remetente anônima a pôs na “caixa de correspondência”

de sua classe na verdade, uma caixa de papelão especialmente pintada onde ela e os colegas são encorajados a escrever suas queixas e problemas para que toda a classe os discuta e tente pensar maneiras de lidar com eles. A discussão não cita os nomes dos envolvidos; em vez disso, o professor observa que todas as crianças têm tais problemas de vez em quando. Enquanto discutem como se sente quem é deixado de fora, ou o que poderia fazer para ser incluído, têm a oportunidade de testar novas soluções para esses dilemas um corretivo para a idéia bitolada que vê o conflito como o único caminho para solucionar desavenças.

A caixa de correspondência permite flexibilidade sobre que crises e questões, exatamente, serão temas da aula, pois um programa demasiado rígido pode ficar fora de compasso com as fluidas realidades da infância. À medida que as crianças mudam e crescem, as preocupações do momento mudam de acordo. Para serem mais eficazes, as lições emocionais devem ser ligadas ao desenvolvimento da criança, e repetidas em diferentes idades de maneira que se encaixem em sua compreensão e desafios sempre em mudança.

Uma questão é quando se deve começar. Alguns dizem que nunca é cedo demais começar nos primeiros anos. O pediatra T. Berry Brazelton, de Harvard, Sugere que muitos pais podem beneficiar-se por ser treinados como mentores emocionais de seus bebês e filhos pequenos, como fazem alguns programas de visita às casas Pode-se fazer uma forte defesa da enfatização de uma das mais sistemáticas aptidões sociais emocionais em programas do pré-escolar como o Heart Start; como vimos no Capítulo 12, a disposição das crianças para aprender depende em grande medida da aquisição de algumas dessas aptidões emocionais básicas Os anos da pré-escola são cruciais para deitar as bases das aptidões, e há algum indício de que o Heart Start, quando bem aplicado (uma importante advertência), pode ter benéficos efeitos emocionais e sociais a longo prazo sobre a vida dos que o fazem mesmo nos anos iniciais da vida adulta - menos problemas de drogas e prisões, melhores casamentos, maior capacidade ganhar dinheiro.

Essas intervenções funcionam melhor quando identificam o cronograma emocional do desenvolvimento. Como testemunha o choro dos recém-nascidos os bebês têm sentimentos intensos a partir do momento em que nascem. Mas o cérebro deles longe está de inteiramente maduro; como vimos no Capítulo 15 só quando o sistema nervoso chega ao desenvolvimento final um processo que se desenrola segundo um relógio biológico inato durante toda a infância e início da adolescência as emoções da criança amadurecem inteiramente O repertório de sentimentos do recém-nascido é primitivo, em comparação com a gama emocional de um menino de cinco anos, que por sua vez é falho quando medido contra a plenitude de sentimentos de um adolescente. Na verdade, os adultos caem demasiado prontamente na armadilha de esperar que as crianças atinjam um amadurecimento muito além de seus anos, esquecendo que cada emoção tem seu momento programado de aparecer no crescimento da criança Um fanfarrão de cinco anos, por exemplo, pode provocar a censura do pai - e no entanto a autoconsciência que traz a humildade só aparece, tipicamente, lá pelos cinco anos, mais ou menos.

O cronograma do crescimento emocional está entrelaçado com linhas aliadas de desenvolvimento, sobretudo para o conhecimento, de um lado, e maturação do cérebro e biológica, do outro. Como vimos, aptidões emocionais como empatia e auto-regulação emocional começam a formar-se praticamente a partir da primeira infância. Os anos de jardim-de-infância assinalam um pico de amadurecimento das “emoções sociais” sentimentos como insegurança e humildade, ciúme e inveja, orgulho e confiança - todos os quais exigem a capacidade de comparar-se com os outros. A criança de cinco anos, ao entrar no mais vasto mundo social da escola, entra também no mundo da comparação social. Não é apenas a mudança externa que traz essas comparações, mas também o surgimento de uma capacidade cognitiva: poder comparar-se com outros em determinadas qualidades, sejam talentos de popularidade, atração ou skate. Essa é uma idade em que, por exemplo, ter uma irmã mais velha que só tira dez pode fazer a irmã caçula começar a julgar-se “burra” em comparação.

O Dr. David Hamburg, psiquiatra e presidente da Camegie Corporation, que avaliou alguns programas pioneiros de educação emocional, vê os anos de transição para a escola primária e depois o ginásio ou escola média como assinalando dois pontos cruciais no ajustamento da criança. Dos seis aos onze anos, ele diz, “a escola é um cadinho e uma experiência definidora que irá influenciar maciçamente a adolescência da criança e além. O senso de auto-estima da criança depende substancialmente de sua capacidade de rendimento na escola. A que fracassa na escola põe em movimento as atitudes de autoderrota que comprometem as perspectivas de toda uma vida.” Entre os pontos essenciais para beneficiar-se na escola, observa Hamburg, está a capacidade de “adiar a satisfação, ser socialmente responsável de forma apropriada, manter controle sobre as emoções e ter uma perspectiva otimista, em outras palavras inteligência emocional.

A puberdade por ser um tempo de extraordinária mudança na biologia da criança, na capacidade de pensar e no funcionamento do cérebro é também um momento crucial para lições emocionais e sociais. Quanto aos anos de adolescência Hamburg observa que “a maioria dos adolescentes tem de dez a quinze anos quando é exposta à sexualidade, álcool e drogas, fumo” e outras tentações.

A transição para a escola média ou ginásio assinala o fim da infância, e é em si um formidável desafio emocional. Além de todos os outros problemas, quando entram nesse novo esquema escolar praticamente todos os estudantes têm uma queda de autoconfiança e um salto de autoconsciência; as próprias idéias que fazem de si mesmos balançam e tumultuam-se. Um dos maiores golpes específicos é na “auto-estima” social a confiança em que podem fazer e manter amigos. É nessa conjuntura, observa Hamburg, que ajuda imensamente reforçar a capacidade de meninos e meninas de montar relacionamentos estreitos e navegar as crises nas amizades, e alimentar sua autoconfiança.

Hamburg observa que quando os estudantes entram no curso médio, bem no início da adolescência, os que tiveram aulas de alfabetização emocional têm uma coisa diferente: acham as novas pressões da política de colegas, elevação de exigências acadêmicas e tentações para fumar e usar drogas menos perturbadoras que seus pares. Dominaram aptidões emocionais que, pelo menos a curto prazo, os vacinam contra o torvelinho e as pressões que vão enfrentar.

A HORA É TUDO

Quando psicólogos desenvolvimentistas e outros mapeiam o surgimento das emoções têm condições de ser mais específicos sobre exatamente quais lições a Criança deve aprender em cada ponto no desenrolar-se da inteligência emocional, quais os déficits duradouros são prováveis naqueles que não dominam as aptidões fundamentais na hora própria, e que experiências terapêuticas podem compensar o que foi perdido.

No programa de New Haven, por exemplo, as crianças nas séries mais jovens em lições básicas de autoconsciência, relacionamentos e processo de decisão.

as primeiras séries, os alunos sentam-se num círculo e rodam o “cubo dos sentimentos, que tem palavras como triste ou excitado em cada lado. Quando chega a sua vez, descrevem um momento em que tiveram esse sentimento um exercício que Lhes dá mais certeza ao ligarem sentimentos a palavras e ajuda na empatia quando ouvem outros com os mesmos sentimentos que eles.

Na quarta e quinta séries, quando as relações com os colegas assumem um imensa importância em suas vidas, eles têm lições que ajudam a amizade a funcionar melhor: empatia, controle de impulso e da ira. A classe de Aptidões para a vida sobre leitura de emoções em expressões faciais que os alunos de quinta série da escola Troup testavam, por exemplo, é essencialmente sobre empatia. Para controle de impulso, exibe-se com destaque um cartaz com um sinal de trânsito de seis etapas:

Sinal vermelho: 1. Pare, se acalme e pense antes de agir.

Sinal amarelo: 2. Diga o problema e como você se sente.

3. Estabeleça uma meta positiva.

4. Pense em muitas soluções.

5. Adiante-se às conseqüências.

Sinal verde: 6. Siga e tente o melhor plano.

A noção do sinal de trânsito é invocada regularmente quando a criança, por exemplo, está para atacar furiosa, ou retraída num amuo por alguma ofensa, ou cai em prantos por ser provocada, e proporciona um conjunto concreto de passos para lidar com esses momentos carregados de uma forma mais comedida. Além do controle dos sentimentos, aponta um caminho para uma ação mais eficaz. E, como uma maneira habitual de controlar o impulso emocional mais rebelde pensar antes de agir com base nos sentimentos pode evoluir numa estratégia básica para lidar com os riscos da adolescência e além.

Na sexta série, as lições se relacionam mais diretamente com as tentações e pressões de sexo drogas ou bebida que começam a entrar na vida das crianças.

No segundo grau, quando os adolescentes se vêem diante de realidades sociais mais ambíguas, enfatiza-se a capacidade de adotar múltiplas perspectivas - a nossa e as dos outros envolvidos.

Se o garoto está furioso porque viu a namorada conversando com outro diz um dos professores de New Haven - ele seria encorajado a pensar no que está se passando do ponto de vista deles também, em vez de simplesmente mergulhar num confronto.

ALFABETIZAÇÃO EMOCIONAL COMO PREVENÇÃO

Alguns dos mais efetivos programas de alfabetização emocional foram desenvolvidos em resposta a um problema específico,notadamente a violência. Um desses cursos de alfabetização emocional inspirados na prevenção que mais rápido cresce é o programa de Solução Criativa, em várias centenas de escolas públicas da Cidade de Nova Iorque e outras em todo o país. O curso de solução de conflito concentra-se em como resolver brigas de pátio de recreio que podem crescer para incidentes como os tiros que mataram lan Moore e Tyrone Sinkler, no corredor do Ginásio Jefferson, disparados por um colega de classe.

Linda Lantieri fundadora do Programa de Solução Criativa de Conflitos e diretora do centro nacional do método, com sede em Manhattan, o vê como uma missão muito além de apenas prevenir brigas. Ela diz:

_ O programa mostra aos estudantes que eles têm muitas opções para lidar com conflitos, além da passividade ou agressão. Mostramos a eles a futilidade da violência, substituindo-a por aptidões concretas. As crianças aprendem a defender seus direitos sem recorrer à violência. São aptidões para a vida toda, não apenas para os mais inclinados à violência

Num dos exercícios, os alunos pensam num único passo realista, por menor que seja, que poderia tê-los ajudado a solucionar um conflito que tiveram. Em outro, representam uma cena em que uma irmã maior tentando fazer o dever de casa se irrita com a fita de rap que a irmã menor está tocando alto demais.

Frustrada, a maior desliga a fita, apesar dos protestos da menor. A classe pensa coletivamente nas maneiras como poderiam solucionar o problema de uma forma que satisfizesse as duas irmãs.

Uma chave para o êxito do programa de solução de conflitos é estendê-lo além da sala de aula até o pátio e a lanchonete, onde é mais provável que explodam os ânimos. Para isso, alguns alunos são treinados como mediadores, um papel que pode começar nos últimos anos da escola primária. Quando surge a tensão, os alunos podem procurar um mediador para ajudá-los a resolvê-la. Os mediadores do pátio aprendem a lidar com brigas, provocações e ameaças, incidentes interraciais e outros potencialmente incendiários da vida escolar.

Os mediadores aprendem a expor suas declarações de modo a fazer as duas partes achá-lo imparcial. A tática inclui sentar-se com os envolvidos e fazê-los ouvir um ao outro sem interrupções nem insultos. Fazem os dois acalmar-se e expor sua posição, depois os fazem parafrasear o que foi dito para ficar claro que ouviram de fato. Depois tentam soluções com as quais os dois lados podem Conviver; as soluções muitas vezes são na forma de um acordo assinado.

Além da mediação de uma determinada disputa, o programa ensina os alunos a pensar diferente sobre os desacordos, em primeiro lugar. Como diz Angel Perez, treinado como mediador na escola primária, o programa ‘mudou minha maneira e pensar Antes eu pensava, ora, se alguém me provoca, se alguém me faz alguma coisa a única solução é brigar, fazer alguma coisa para descontar. Depois que fiz esse programa, tenho uma maneira mais positiva de pensar. Se me fazem alguma coisa negativa, eu não tento retribuir a coisa negativa; eu tento solucionar o problema”. E ele se viu disseminando a técnica em sua comunidade.

Embora o foco do programa Solução Criativa de Conflitos esteja na prevenção da violência Linda Lantieri o vê como tendo uma missão mais ampla. Sua opinião é que as aptidões exigidas para afastar a violência não podem ser separadas de todo o espectro de competência emocional que, por exemplo, saber o que estamos sentindo ou como lidar com o impulso ou mágoa é tão importante para a prevenção da violência quanto controlar a ira. Grande parte do treinamento se relaciona com questões emocionais básicas, como reconhecer uma gama mais ampla de sentimentos e poder dar nomes a eles. Quando descreve os resultados de avaliação dos efeitos de seu programa, Linda observa com tanto orgulho o aumento de “consideração entre as crianças” quanto a queda nas brigas, humilhações e xingamentos.

Uma convergência semelhante de alfabetização emocional ocorreu com um consórcio de psicólogos que tentava ajudar jovens numa trajetória para a vida marcada pelo crime e a violência.

Dezenas de estudos desses garotos como vimos no capítulo 15 mostraram um sentido claro do caminho que a maioria tomava começando da impulsividade e da rapidez para encolerizar-se nos primeiros anos de escola,pela rejeição social no fim da escola primária, até juntar-se a um círculo de outros como eles e iniciar farras de crime nos anos de curso médio. No início da idade adulta, grande parte desses garotos adquiriram fichas policiais e uma disposição para a violência.

Quando se tratou de elaborar intervenções que pudessem ajudar esses garotos a deixar a estrada para a violência, o resultado foi, uma vez mais um programa de alfabetização emocional. Um destes, criado por um consórcio do qual fazia parte Mark Greenberg, da Universidade de Washington.

é o currículo PATHS (sigla de Parents and Teacbers llelping Students Pais e mestres Ajudando alunos).

Embora os que correm o risco de uma trajetória para o crime e a violência para o crime e a violência sejam os que mais precisam dessas lições, o curso é dado a todos numa classe, evitando qualquer estigmatização de um subgrupo mais perturbado.

Mesmo assim, as lições são úteis para todas as crianças. Entre elas está por exemplo,aprender nos primeiros anos de escola a controlar os impulsos,sem essa a aptidão, as crianças têm problema especial para prestar atenção ao ensina, e ficam para trás no aprendizado e nas notas. Outra é reconhecer os próprios sentimentos; o currículo do PATHS tem cinqüenta lições sobre diferentes emoções, ensinando as mais básicas, como felicidade e ira, às novas, e depois tocando em sentimentos mais complexos como ciúme, orgulho e culpa. As lições de consciência emocional incluem como monitorar o que eles e os outros em volta estão sentindo, e o mais importante para os inclinados à agressão como reconhecer quando alguém é de fato hostil, em oposição a quando a atribuição de hostilidade vem de nós mesmos Uma das lições mais importantes, claro, é o controle da ira. A premissa básica que as crianças aprendem sobre a ira (e todas as outras emoções também) é que é legal ter todos os sentimentos”, mas algumas reações são corretas e outras não. Aqui, um dos instrumentos para ensinar autocontrole é o mesmo exercício de “sinal de trânsito” usado no curso de New Haven. Outras unidades ajudam as crianças com suas amizades, um contrabalanço da rejeição social que pode ajudar a impelir a criança para a violência

REPENSANDO ESCOLAS: O ENSINO PELO SER.

COMUNIDADES QUE SE ENVOLVEM

Como a vida em família não mais proporciona a crescentes números de crianças uma base segura na vida, restam as escolas como o único lugar para as quais as comunidades podem recorrer em busca de corretivos para as deficiências da garotada em competência emocional e social. Isso não quer dizer que as escolas, sozinhas, possam substituir todas as instituições sociais que demasiadas vezes já estão ou se aproximam do colapso. Mas como praticamente toda criança vai à escola (pelo menos no início), ela oferece um lugar para chegar às crianças com lições básicas para viver que talvez elas não recebam nunca em outra parte. Alfabetização emocional implica um mandado ampliado para as escolas, entrando no lugar de famílias falhas na socialização das crianças.




1   ...   22   23   24   25   26   27   28   29   30


©aneste.org 2017
enviar mensagem

    Página principal