Daniel goleman, PhD



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Um estudo de meninas “más” na quarta série - criando casos com os professores e violando as regras, mas não impopulares com as colegas constatou que 40 por cento delas tiveram um filho na altura do fim dos anos de ginásio. Isso era três vezes a taxa de gravidez para as garotas de suas escolas. Em outras palavras, as adolescentes anti-sociais não se tornam violentas ficam grávidas.

Não há, claro, um caminho único para a violência e a criminalidade, e muitos outros fatores põem a criança em risco: nascer num bairro de alta Criminalidade onde estão expostas a mais tentações ao crime e à violência, vir de uma família sujeita a altos níveis de tensão, ou viver na pobreza. Mas nenhum desses fatores torna inevitável uma vida de crime. Tudo mais sendo igual, as forças psicológicas que atuam em crianças agressivas intensificam muito a probabilidade de acabarem como criminosos violentos. Como diz Gerald Patterson, um psicólogo que seguiu de perto as carreiras de centenas de meninos até a idade adulta:

Os atos anti-sociais um menino de cinco anos podem ser protótipos dos atos do adolescente delinqüente.

ESCOLA DE ARRUACEIROS

A distorção mental que as crianças agressivas levam consigo pela vida afora quase se sempre determina que elas vão terminar complicadas. Um estudo de criminosos juvenis condenados por crimes violentos e de ginasianos agressivos constatou uma disposição mental comum: quando eles têm problemas com alguém, vêem imediatamente a outra pessoa de um modo antagônico, saltando a conclusões sobre a hostilidade do outro para com eles,sem buscar qualquer outra informação nem tentar pensar numa maneira pacífica de acertar suas diferenças. Ao mesmo tempo,jamais passa pela mente deles a conseqüência negativa de uma solução violenta uma briga, tipicamente. Sua tendência agressiva se justifica em suas mentes por crenças tipo: “Está certo bater em alguém quando a gente fica fulo “Se você fugir de uma briga, todo mundo vai Lhe chamar de covarde”; e “As pessoas que apanham muito na verdade não sofrem tanto assim”.

Mas uma ajuda oportuna pode mudar essas atitudes e deter a trajetória da criança para a delinqüência: vários programas experimentais têm tido algum sucesso na ajuda a esses garotos agressivos para aprenderem a controlar sua tendência anti-social antes que os leve a problemas mais sérios. Um, na Universidade Duke, trabalhou com irados garotos criadores de caso na escola primária, em sessões de treinamento de quarenta minutos, duas vezes por semana, durante períodos que foram de um mês e meio a três meses. Ensinou-se aos garotos, por exemplo, a ver que alguns dos sinais sociais que eles interpretavam como hostis eram na verdade neutros ou amistosos. Aprenderam a adotar a perspectiva de outras crianças, a ter um senso de como estavam sendo vistos, e do que outras crianças poderiam estar pensando e sentindo nos choques que os deixavam tão irados. Também receberam treinamento direto de controle da ira através da representação de cenas, como provocações, que podiam levá-los a perder a calma. Uma das aptidões-chave para o controle da ira era monitorar os próprios sentimentos tomar consciência das sensações do corpo, como o enrubescimento e a tensão nos músculos, quando estavam se zangando, e a encarar esses sentimentos como um sinal para parar e pensar no que fazer em seguida, em vez de atacar impulsivamente.

John Lochman, psicólogo da Universidade Duke que foi um dos idealizadores do programa, me disse:

Eles discutem situações em que estiveram recentemente, como receber no corredor um encontrão que julgam proposital. Os garotos dizem como poderiam ter agido. Um deles disse, por exemplo, que simplesmente encarava o garoto que esbarrara nele e Lhe dizia que não tornasse a fazer aquilo, e se afastaria. Isso O punha em posição de exercer algum controle e manter a auto-estima, sem iniciar uma briga.

Isso tem seu apelo; muitos desses garotos agressivos são infelizes por perderem tão facilmente a calma e, portanto, se mostram receptivos a aprender a controlá-la No calor do momento, claro, respostas sóbrias como afastar-se ou contar até dez, até passar o impulso de agredir, antes de reagir, não são automáticas; os meninos praticam tais alternativas em cenas onde desempenham papéis como entrar num ônibus onde outros garotos o provocam. Assim, podem experimentar respostas amistosas que preservem sua dignidade e Lhes dêem, ao mesmo tempo, uma alternativa para bater, chorar ou fugir envergonhado.

Três anos depois de os garotos passarem pelo treinamento, Lochman comparou-os com outros igualmente agressivos, mas que não contaram com a vantagem das lições de controle da ira. Descobriu que, na adolescência, os garotos que concluíram o programa eram muito menos perturbadores nas salas de aula, tinham sentimentos mais positivos sobre si mesmos, e menos probabilidade de beber ou tomar drogas. E quanto mais tinham estado no programa, menos agressivos eram como adolescentes.

PREVENDO A DEPRESSÃO

Dana, de dezesseis anos, sempre parecera se dar bem. Mas agora, de repente, simplesmente não conseguia se relacionar com outras garotas, e, o que mais a perturbava, não encontrava um meio de segurar os namorados, mesmo dormindo com eles. Mal-humorada e constantemente cansada, perdeu o interesse pela comida e qualquer tipo de diversão; dizia que perdera a esperança e sentia-se incapaz de fazer alguma coisa para fugir a esse estado de espírito, e pensava em suicídio.

A queda na depressão fora provocada pelo seu mais recente rompimento. Ela dizia que não sabia sair com um garoto sem se envolver logo sexualmente mesmo que se sentisse constrangida a respeito - nem encerrar um relacionamento, mesmo insatisfatório ia para a cama com os garotos, dizia, quando só queria conhecê-los melhor.

Acabara de transferir-se para uma nova escola e sentia-se tímida quanto a fazer novas amizades com as garotas dali. Por exemplo, abstinha-se de puxar conversas, só falando depois que alguém Lhe falava. Sentia-se incapaz de dizer-lhes como era, e achava que não sabia nem o que dizer depois do Oi. como vai?”

Dana foi fazer terapia num programa experimental para adolescentes deprimidos na Universidade de Colúmbia. O tratamento concentrou-se em ajudá-la a aprender a lidar melhor com suas relações: a desenvolver uma amizade, sentir se mais confiante com outros adolescentes, impor limites de proximidade sexual ter intimidade, manifestar seus sentimentos. Em essência, uma orientação remediadora em algumas das mais básicas aptidões emocionais. E deu certo, a depressão dela passou.

Sobretudo nos jovens, os problemas de relacionamento são um gatilho da depressão. A dificuldade muitas vezes está tanto nas relações das crianças com os pais quanto com os colegas. As crianças e adolescentes deprimidos muitas vezes não podem ou não querem falar de sua tristeza. Parecem incapazes de rotular com precisão seus sentimentos, mostrando em vez disso uma mal-humorada irritabilidade, impaciência, instabilidade e raiva sobretudo para com os pais. Isso, por sua vez, torna mais difícil para os pais oferecer o apoio e orientação emocional que a criança de fato precisa, pondo em movimento uma espiral descendente que acaba, tipicamente, em constantes discussões e alienação.

Um novo exame das causas da depressão nos jovens identifica déficits em duas áreas de competência emocional: aptidões de relacionamento, de um lado, e uma maneira de interpretar reveses que promovem a depressão, do outro.

Embora parte da tendência à depressão quase certamente se deva ao destino genético, outra parte parece dever-se a hábitos de pensamento pessimistas reversíveis, que predispõem as crianças a reagir às pequenas derrotas da vida uma nota ruim, discussões com os pais, uma rejeição social ficando deprimidas. E há indícios a sugerir que a predisposição à depressão, qualquer que seja a sua base, se espalha cada vez mais entre os jovens.

UM PREÇO DA MODERNIDADE: CRESCENTES TAXAS DE DEPRESSÃO

Este final de milênio está trazendo uma Era da Melancolia, do mesmo modo como o século vinte se tornou a Era da Ansiedade. Dados internacionais mostram o que parece ser uma epidemia moderna de depressão, que se espalha de mãos dadas com a adoção, em todo o mundo, de modos modernos. Cada sucessiva geração mundial desde o início do século viveu em maior risco que seus pais de sofrer uma grande depressão não apenas tristeza, mas uma paralisante apatia, desânimo e pena de si mesmo no transcorrer da vida. E esses episódios estão começando em idades cada vez mais baixas. A depressão na infância, antes praticamente desconhecida (ou, pelo menos, não reconhecida), surge como um dado do panorama moderno.

Embora a probabilidade de ficar deprimido aumente com a idade, os maiores aumentos estão entre os jovens. Para os que nasceram após 1955, a probabilidade de Sofrerem uma grande depressão em algum ponto da vida é, em muitos países, três vezes maior que para seus avós. Entre os americanos nascidos antes de 1905, a taxa dos que tiveram uma grande depressão durante toda a vida foi de apenas 1 por cento; para os nascidos após 1955, aos vinte e quatro anos cerca de 6 por cento já tinham ficado deprimidos. Para os nascidos entre 1945 e 1954, as possibilidades de ter tido uma grande depressão antes dos trinta e quatro anos são dez vezes maiores que para os nascidos entre 1905 e 1914.24 E para cada geração, o início do primeiro episódio de depressão tem tendido a ocorrer numa idade sempre menor.

Um estudo mundial com mais de trinta e nove mil pessoas descobriu a mesma tendência em Porto Rico, Canadá, Itália, Alemanha, França, Taiwan, Líbano e Nova Zelândia. Em Beirute, o aumento da depressão acompanhava de perto os acontecimentos políticos, a tendência ascendente chegando às alturas nos períodos de guerra civil. Na Alemanha, para os nascidos antes de 1914, a taxa de depressão aos trinta e cinco anos era de 4 por cento; para os nascidos na década antes de 1944, é de 14 por cento aos trinta e cinco anos. Em todo o mundo, gerações que chegaram à maioridade em tempos politicamente agitados tinham taxas superiores de depressão, embora a tendência geral ascendente se mantenha independente de quaisquer fatos políticos.

O rebaixamento até a infância da idade em que as pessoas primeiro sentem depressão também parece valer para todo o mundo. Quando pedi a especialistas que arriscassem um palpite sobre o motivo, surgiram várias teorias.

O Dr. Frederick Goodwin, então diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental, especulou:

Houve uma tremenda erosão da família nuclear: o dobro da taxa de divórcios, a queda no tempo a queda no tempo que os pais têm para os filhos e o aumento da mobilidade. A gente não se cria mais conhecendo muito a família maior. As perdas dessas fontes estáveis de auto-identificação significam uma maior susceptibilidade à depressão.

O Dr. David Kupfer, presidente do conselho de psiquiatria da faculdade de medicina da Universidade de Pittsburgh, indicou outra tendência:

Com a disseminação da industrialização após a Segunda Guerra Mundial, num certo sentido ninguém tem mais um lar. Num número cada vez maior de famílias, vem aumentando a indiferença dos pais pelas necessidades dos filhos enquanto eles crescem. Isso não é uma causa direta da depressão, mas estabelece uma vulnerabilidade. Fatores de tensão mais cedo afetam o desenvolvimento neurônico, o que leva à depressão quando se está sob grande tensão mesmo décadas depois.

a das crianças da classe média ou rica: todas mostram a mesma queda constante.

Também houve um triplo aumento correspondente no número de crianças que receberam ajuda psicológica (talvez um bom sinal, mostrando que se pode contar com mais ajuda), além de uma quase duplicação do número de crianças com bastantes problemas emocionais para que devessem receber essa ajuda, mas que não a recebem (um mau sinal) - de cerca de 9 por cento em 1976 para 18 por cento em 1989.

Urie Bronfenbrenner, o eminente psicólogo da Universidade Comell que fez uma comparação internacional do bem-estar das crianças, diz:

Na falta de bons sistemas de apoio, as tensões externas tornaram-se tão grandes que mesmo famílias fortes estão desmoronando. A febre, instabilidade e inconsistência da vida diária grassam em todos os segmentos de nossa sociedade, incluindo os bem-educados e ricos. O que está em jogo é nada menos que a próxima geração, sobretudo os homens, que ao crescerem são especialmente vulneráveis a forças desintegradoras como os efeitos devastadores do divórcio, pobreza e desemprego. O status das crianças e famílias americanas está mais desesperado que nunca... Estamos privando milhões de crianças de sua competência e caráter moral.

Não é só um fenômeno americano, mas global, com a competição mundial para empurrar os custos da mão-de-obra para baixo criando forças econômicas que pressionam a família. Vivemos tempos de famílias economicamente acossadas, em que os dois pais trabalham longas horas, de modo que os filhos são deixados a seus próprios recursos ou à TV como babá; em que mais crianças do que nunca são criadas na pobreza; em que a família de um só dos pais se torna cada vez mais comum; em que mais bebês e crianças pequenas são deixados em creches tão mal operadas que equivalem a abandono. Tudo isso significa, mesmo para pais bem-intencionados, a erosão dos incontáveis pequenos e protetores intercambios entre pai e filho que constroem as aptidões emocionais.

Se as famílias não mais funcionam eficientemente para dar a todas as nossas crianças uma base firme na vida, que vamos fazer? Uma olhada mais cuidadosa na mecânica dos problemas específicos sugere como determinados dados sobre aptidões emocionais ou sociais deitam as fundações para graves problemas e como corretivos ou preventivos bem orientados podem manter mais crianças na linha

DOMANDO A AGRESSÃO

Em minha escola primária, o garoto valentão era Jimmy, quartanista quando entrei na primeira série. Era o garoto que roubava o dinheiro da nossa merenda, tomava nossa bicicleta, preferia bater-nos a conversar conosco.

Era o arruaceiro clássico,partindo para a briga à menor provocação, ou sem provocação. Todos tínhamos medo dele e mantínhamos distância. Todos o detestavam e temiam; ninguém queria brincar com ele. Era como se a toda parte que ele fosse no pátio um invisível guarda-costas afastasse as crianças da frente.

Garotos como Jimmy são visivelmente perturbados. Mas o que talvez seja menos óbvio é que uma agressividade tão flagrante na infância é um sinal de perturbações emocionais e outras futuras. Jimmy já estava na cadeia por agressão aos dezesseis anos.

O legado para toda a vida da agressividade na infância de garotos como Jimmy tem surgido em muitos estudos. Como vimos, a vida familiar dessas crianças agressivas inclui, tipicamente, pais que alternam abandono com castigos severos e arbitrários, um padrão que, talvez compreensivelmente, torna a criança meio paranóica ou combativa.

Nem todas as crianças iradas são valentões; algumas são marginalizados sociais retraídos, que reagem com exagero às provocações ou ao que encaram como ofensas ou injustiças. Mas a falha perceptiva que une essas crianças é que vêem ofensa onde não há, imaginando que os colegas Lhe são mais hostis do que na verdade são. Isso as leva a tomar atos neutros como ameaçadores um inocente esbarro é visto como uma vingança e a atacar em retribuição. Isso, claro, leva as outras crianças a evitá-las, isolando-as mais ainda. Essas crianças zangadas, isoladas, são muitíssimo sensíveis a injustiças e a serem tratadas sem isenção.

Vêem-se, tipicamente, como vítimas e podem recitar uma lista de exemplos em que, digamos, os professores as culpam por terem feito alguma coisa que na verdade não fizeram. Outra característica dessas crianças é que, uma vez no calor da raiva, só pensam num modo de reagir: na porrada.

Vêem-se essas distorções perceptivas em ação numa experiência em que valentõe são combinados com crianças mais pacíficas para uma sessão de vídeos.

Num dos vídeos, um garoto deixa cair os livros quando outro esbarra nele, e as crianças em redor riem; o garoto que deixou cair os livros se zanga e tenta bater num dos que riram. Quando os garotos que viram o vídeo conversam sobre ele depois, o valentão sempre vê o garoto que bateu como certo. Mais revelador ainda, quando têm de classificar a agressividade dos garotos durante a discussão do vídeo, os valentões vêem o garoto que esbarrou no outro como mais combativo e a raiva do menino que bateu como justificada.

Essa pressa em julgar denuncia uma profunda distorção perceptiva nas pessoas em geral agressivas: agem com base na presunção de hostilidade ou ameaça, dando muito pouca atenção ao que de fato se passa. Assim que presumem ameaça saltam em ação. Por exemplo, se um garoto agressivo joga xadrez com outro que mexe uma pedra fora de hora, ele interpreta a jogada como trapaça”.

sem parar para descobrir se foi um erro inocente. Sua suposição é mais de maldade que de inocência; e a reação, de hostilidade automática. Juntamente com a percepção reflexa de um ato hostil, vem uma agressão igualmente automática; em vez de, digamos, indicar ao outro garoto que ele cometeu um engano, ele salta para a acusação, berrando, batendo. E quanto mais essas crianças fazem isso, mais automática se torna para elas a agressão, e mais o repertório de alternativas a polidez, o gracejo se reduz.

Essas crianças são emocionalmente vulneráveis, no sentido de que têm um baixo limiar de perturbação, irritando-se muitas vezes com mais coisas; uma vez perturbadas, ficam com o pensamento confuso, de modo que vêem atos benignos como hostis e recaem no superaprendido hábito de bater.

Essas distorções perceptivas para a hostilidade já estão a postos na primeira série. Enquanto a maioria das crianças, e sobretudo os meninos, é bagunceira no jardim de infância e na primeira série, as mais agressivas não aprenderam um mínimo de autocontrole na segunda série. Quando outras crianças já começaram a aprender a negociar e chegar a um acordo nas disputas do pátio, os valentões confiam cada vez mais na força e no grito. Eles pagam um preço social: em duas ou três horas do primeiro contato no pátio de recreio com um valentão, as outras crianças já dizem que não gostam dele.

Mas estudos que acompanharam crianças desde os anos do pré-escolar até a adolescência constatam que até metade dos alunos que na primeira série eram perturbadores, incapazes de se dar com os outros, desobedientes com os pais e resistentes com os professores, se torna delinqüente na adolescência. Claro, nem todas essas crianças agressivas estão na trajetória que leva à violência e à criminalidade na vida posterior. Mas de todas as crianças, são essas as que correm maior risco de acabar cometendo crimes violentos.

A tendência para o crime aparece surpreendentemente cedo na vida dessas crianças. Quando as crianças de um jardim de infância de Montreal foram classificadas pela hostilidade e criação de casos, as de maiores índices aos 5 anos já tinham dado muito mais provas de delinqüência apenas cinco a oito anos depois, no início da adolescência. Tinham cerca de três vezes mais probabilidades que as outras crianças de admitir ter batido em alguém que não Lhes fizera nada, furtado lojas, usado uma arma numa briga, arrombado ou roubado peças de carro, e se embriagado - tudo isso antes de chegarem aos quatorze anos.

O protótipo do caminho para a violência e a criminalidade começa com crianças agressivas e difíceis de lidar na primeira e segunda séries. Tipicamente desde os primeiros anos de escola seu mal controle de impulsos também contribui para serem maus estudantes, vistos e vendo-se como “burros” - um julgamento confirmado pelo fato de serem mandados para classes de educação especial (e embora possam ter um maior nível de “hiperatividade” e problemas de aprendizado, nem todas os têm). As crianças que, ao entrarem na escola, já aprenderam em casa um estilo “coercitivo” ou seja, ameaçador também são descartadas pelos professores, que têm de passar muito tempo mantendo os alunos na linha.

O desafio das regras da sala de aula que acompanha naturalmente essas crianças significa que elas gastam tempo que de outro modo seria usado em aprender; o futuro fracasso acadêmico fica óbvio por volta da terceira série. Embora os meninos a caminho da delinqüência tendam a ter contagens de QI mais baixas que os colegas, a impulsividade deles está mais diretamente em causa: a impulsividade em meninos de dez anos é quase três vezes mais poderosa como fator de previsão de sua posterior delinqüência que o QI.

Na quarta ou quinta séries, esses garotos a essa altura vistos como arruaceiros, ou apenas “difíceis” são rejeitados pelos colegas e incapazes de fazer amigos com facilidade, quando fazem, e já se tornaram fracassos acadêmicos. Sentindo-se sem amigos, gravitam para outros marginalizados sociais. Entre a quarta série e o segundo grau, ligam-se ao seu grupo marginalizado e a uma vida de desafio à lei; apresentam um aumento de cinco vezes em gazetas, consumo de bebidas e drogas, com o maior impulso entre a sétima e a oitava séries. No secundário, junta-se a eles outro tipo de “atrasados”, atraídos por seu estilo contestador; esses atrasados muitas vezes são meninos completamente sem supervisão em casa, e começaram a vagar pelas ruas por conta própria ainda na escola primária. Nos anos de ginásio, esse grupo marginalizado, tipicamente, abandona a escola, numa deriva para a delinqüência, dedicando-se a pequenos delitos como furtos em lojas, roubos e tráfico de drogas.

Uma diferença reveladora surge nessa trajetória entre meninos e meninas.

Um estudo de meninas “más” na quarta série - criando casos com os professores e violando as regras, mas não impopulares com as colegas, constatou que 40 por cento delas tiveram um filho na altura do fim dos anos de ginásio. Isso era três vezes a taxa de gravidez para as garotas de suas escolas. Em outras palavras, as adolescentes anti-sociais não se tornam violentas ficam grávidas.

Não há, claro, um caminho único para a violência e a criminalidade, e muitos outros fatores põem a criança em risco: nascer num bairro de alta Criminalidade onde estão expostas a mais tentações ao crime e à violência, vir de uma família sujeita a altos níveis de tensão, ou viver na pobreza. Mas nenhum desses fatores torna inevitável uma vida de crime. Tudo mais sendo igual, as forças psicológicas que atuam em crianças agressivas intensificam muito a probabilidade de acabarem como criminosos violentos. Como diz Gerald Patterson, um psicólogo que seguiu de perto as carreiras de centenas de meninos até a idade adulta:

Os atos anti-sociais um menino de cinco anos podem ser protótipos dos atos do adolescente delinqüente.

ESCOLA DE ARRUACEIROS

A distorção mental que as crianças agressivas levam consigo pela vida afora quase se sempre determina que elas vão terminar complicadas. Um estudo de criminosos juvenis condenados por crimes violentos e de ginasianos agressivos constatou uma disposição mental comum: quando eles têm problemas com alguém, vêem imediatamente a outra pessoa de um modo antagônico, saltando a conclusões sobre a hostilidade do outro para com eles,sem buscar qualquer outra informação nem tentar pensar numa maneira pacífica de acertar suas diferenças. Ao mesmo tempo,jamais passa pela mente deles a conseqüência negativa de uma solução violenta uma briga, tipicamente. Sua tendência agressiva se justifica em suas mentes por crenças tipo: “Está certo bater em alguém quando a gente fica fulo “Se você fugir de uma briga, todo mundo vai Lhe chamar de covarde”; e “As pessoas que apanham muito na verdade não sofrem tanto assim”.

Mas uma ajuda oportuna pode mudar essas atitudes e deter a trajetória da criança para a delinqüência: vários programas experimentais têm tido algum sucesso na ajuda a esses garotos agressivos para aprenderem a controlar sua tendência anti-social antes que os leve a problemas mais sérios. Um, na Universidade Duke, trabalhou com irados garotos criadores de caso na escola primária, em sessões de treinamento de quarenta minutos, duas vezes por semana, durante períodos que foram de um mês e meio a três meses. Ensinou-se aos garotos, por exemplo, a ver que alguns dos sinais sociais que eles interpretavam como hostis eram na verdade neutros ou amistosos. Aprenderam a adotar a perspectiva de outras crianças, a ter um senso de como estavam sendo vistos, e do que outras crianças poderiam estar pensando e sentindo nos choques que os deixavam tão irados. Também receberam treinamento direto de controle da ira através da representação de cenas, como provocações, que podiam levá-los a perder a calma. Uma das aptidões-chave para o controle da ira era monitorar os próprios sentimentos tomar consciência das sensações do corpo, como o enrubescimento e a tensão nos músculos, quando estavam se zangando, e a encarar esses sentimentos como um sinal para parar e pensar no que fazer em seguida, em vez de atacar impulsivamente.




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