Daniel goleman, PhD



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Essa atenção também deixa os pacientes mais satisfeitos com seus médicos.

PARTE QUATRO tratamento.

No emergente mercado médico, onde os pacientes muitas vezes têm a opção de escolher entre planos de saúde concorrentes, os níveis de satisfação sem dúvida entram na equação dessas decisões muito pessoais - experiência frustrantes levam os pacientes a buscar assistência em outra parte, enquanto as agradáveis se traduzem em lealdade. Finalmente, a ética médica pode exigir uma tal visão. Um editorial no Journal of the American Medical Association, comentando um comunicado de que a ~)~;

depressão aumenta cinco vezes a probabilidade de morte após o tratamento de um ataque cardíaco, observa: “A clara demonstração de que fatores psicológicos ~ ~ Al~ como depressão e isolamento social distinguem os pacientes de doenças i ( cardíacas como de alto risco significa que seria antiético não começar a tratar esses fatores.

Se as constatações sobre emoções e saúde significam alguma coisa, é que não é adequada a assistência médica que ignora como as pessoas se sentem enquanto combatem uma doença crônica ou séria. É hora de a medicina aproveitar mais, metodicamente, a vantagem da ligação entre emoção e saúde. O que hoje é exceção pode e deve fazer parte da tendência geral, para que uma medicina mais atenciosa nos chegue a todos. No mínimo, isso tornaria a medicina mais humana. E, para alguns, pode apressar o curso da recuperação. “Compaixão”, como disse um paciente numa carta aberta a seu cirurgião, “não é só segurar a mão. É um bom remédio.

12 O Cadinho Familiar

É uma pequena tragédia familiar. Carl e Ann mostram a filha Leslie, de apenas cinco anos, como usar um video game novinho em folha. Mas, quando Lesli começa a jogar, as ansiosas tentativas dos pais de “ajudar” parecem simplesmente atrapalhar. Ordens contraditórias voam para todos os lados.

Pra direita, pra direita: pare aí. Pare aí. Pare! - grita a mãe, Ann, a voz tornando-se cada vez mais intensa e ansiosa à medida que Leslie, chupando os lábios para dentro e de olhos arregalados para a tela do vídeo, se esforça para seguir essas orientações.

Está vendo, não alinhou... pra esquerda! Pra esquerda! - ordena brusca mente Carl, o pai.

Enquanto isso Ann, revirando os olhos de frustração, berra em resposta a conselho dele:

- Pare! Pare!

Leslie, sem poder satisfazer o pai ou a mãe, retorce o queixo de tensão espreme os olhos, que se enchem de lágrimas.

Os pais se põem a discutir, ignorando as lágrimas da menina.

Ela não está movendo o joystic tanto assim diz Ann a Carl, exasperada Enquanto as lágrimas começam a rolar pelas faces de Leslie, nenhum dos pais dá qualquer sinal de notar ou ligar. Quando Leslie ergue a mão para enxugar os olhos, o pai corta:

Tudo bem, pegue esse joystick .. vai precisar estar pronta pra disparar.

Tudo bem, pegue!

E a mãe berra:

Tudo bem, mexa só um pouquinho!

Mas a essa altura Leslie soluça baixinho, sozinha com sua angústia.

Em momentos assim, as crianças aprendem profundas lições. Para Leslie, uma das conclusões desse doloroso diálogo talvez seja de que nem seus pais nem ninguém mais se importa com o que ela sente. Quando momentos assim se repetem incontáveis vezes durante a infância, transmitem algumas das mais fundamentais mensagens emocionais de toda uma vida lições que podem determinar o curso de uma vida. A vida familiar é nossa primeira escola de aprendizado emocional; nesse caldeirão íntimo aprendemos como nos sentir em relação a nós mesmos e como outros vão reagir a nossos sentimentos; como pensar e que escolhas temos ao reagir; como ler e manifestar esperanças e temores. Esse aprendizado emocional atua não apenas por meio das coisas que os pais fazem e dizem diretamente às crianças, mas também nos modelos que oferecem para lidar com os próprios sentimentos e os que passam entre marido e mulher. Alguns pais são professores emocionais talentosos, outros atrozes.

Centenas de estudos mostram que a maneira de os pais tratarem os filhos com rígida disciplina ou empática compreensão, indiferença ou simpatia, e assim por diante tem conseqüências profundas e duradouras para a vida emocional da criança. Mas só recentemente surgiram dados concretos mostrando que o fato de ter pais emocionalmente inteligentes é em si de enorme proveito para a criança. A maneira como um casal lida com os sentimentos entre si além do seu trato direto com a criança passa poderosas lições a elas, que são aprendi zes astutas, sintonizadas com os mais sutis intercambios emocionais na família.

Quando equipes de pesquisa chefiadas por Carole Hooven e John Gottman, na Universidade de Washington, fizeram uma microanálise das interações em casais sobre como os cônjuges tratavam os filhos, constataram que os mais emocionalmente competentes no casamento eram também os mais eficientes na ajuda aos filhos em seus altos e baixos emocionais.

As famílias eram vistas pela primeira vez quando um de seus filhos tinha apenas cinco anos, e de novo quando chegava aos nove. Além de observar os pais conversarem um com o outro, a equipe de pesquisa também observava as famílias (incluindo a de Leslie) quando o pai ou a mãe tentavam mostrar ao filho pequeno como operar um video game - uma interação aparentemente inócua, mas bastante reveladora sobre as correntes emocionais entre pais e filhos.

Alguns pais e mães eram como Carl e Ann: impositivos, perdendo a paciência com a inépcia do filho, elevando a voz enojados ou exasperados, às vezes até mesmo chamando o filho de ‘idiota” em suma, deixando-se tomar pela mesma tendência ao desprezo e ao nojo que corrói um casamento. Outros, porém, eram pacientes com os erros dos filhos, ajudando-o a entender o jogo à sua própria maneira sem impor a vontade dos pais. A sessão de videogame era um barômetro surpreendentemente poderoso do estilo emocional dos pais.

Os três mais comuns estilos paternos emocionalmente ineptos revelaram ser:

Ignorar inteiramente os sentimentos. Esses pais tratam a perturbação emocional do filho como triviais ou uma chateação, uma coisa que devem esperar passar. Não aproveitam os momentos emocionais como uma oportunidade de aproximar-se mais do filho ou ajudá-lo a aprender lições de competência emocional

Ser demasiado laissez-faire. Esses pais notam como o filho se sente, mas afirmam está ótimo até mesmo, digamos, batendo. Como os que ignoram o sentimentos da criança, estes pais raramente intervêm para mostrar ao filho uma resposta emocional alternativa.

Tentam aliviar todas as perturbações e por exemplo, usam barganhas e subornos para fazer a criança deixar de ficar triste ou zangada.

Mostrar desprezo, não respeitar a maneira como a criança se sente.

Esses pais são tipicamente desaprovadores, severos nas críticas e nos castigos Podem, por exemplo, proibir qualquer manifestação de raiva da criança, apelar para os castigos ao menor sinal de irritabilidade. São os pais que berram irados com a criança que tenta dar a sua versão da história:

“ Não me responda!”

Finalmente, há pais que aproveitam a oportunidade da perturbação do filho para agir como uma espécie de treinador ou mentor emocional. Levam os sentimentos dele bastante a sério para tentar entender exatamente o que perturba (Está zangado porque Tommy o magoou?”) e ajudá-lo a encontrar meios positivos de aliviar seus sentimentos (“Em vez de bater nele, por que não procura um brinquedo para brincar sozinho até sentir vontade de voltar a brincar com ele?”)

Para serem treinadores eficientes assim, os pais devem ter eles próprios uma compreensão bastante boa dos rudimentos da inteligência emocional. Uma das lições emocionais básicas para uma criança, por exemplo, é como separa: sentimentos;

um pai demasiado dessintonizado, digamos, por sua própria tristeza não pode ajudar o filho a compreender a diferença entre lamentar uma perda sentir-se triste num filme triste e a tristeza que resulta quando alguma coisa ruim acontece a alguém de quem a criança gosta. Além dessa distinção, há intuições mais sofisticadas, como a de que a ira é muitas vezes provocada primeiro pelo fato de alguém se sentir magoado.

À medida que as crianças crescem, mudam as lições emocionais específicas para as quais estão prontas e precisando. Como vimos no Capítulo 7, as lições de empatia começam na infância, com pais que se sintonizam com os sentimentos de seus bebês. Embora algumas aptidões emocionais sejam aperfeiçoadas com amigos no correr dos anos, pais emocionalmente aptos muito podem fazer para ajudar os filhos com cada um dos elementos básicos da inteligência emocional aprender a reconhecer, controlar e canalizar os sentimentos; empatizar; e lidar com os sentimentos que surgem nos relacionamentos.

O impacto sobre as crianças de pais assim é extraordinariamente grande A equipe da Universidade de Washington constatou que quando os pais são emocionalmente aptos, comparados com os que não lidam bem com os sentimentos, os filhos compreensivelmente se dão melhor, mostram mais afeição e têm menos tensão com eles. Mas além disso, essas crianças também são melhores no lidar com as próprias emoções, mais eficientes no aliviar-se quando perturbadas, e se perturbam com menos freqüência. São também mais relaxadas biologicamente, com baixos níveis de hormônios de tensão e outros indicadores fisiológicos de estimulação emocional (um padrão que, se mantido pela vida afora, bem pode augurar melhor saúde física, como vimos no Capítulo 11). Outras vantagens são sociais: essas crianças são mais populares e gozam de mais simpatia de seus pares, e os professores as vêem como mais socialmente hábeis. Pais e professores igualmente classificam-nas como tendo menos problemas comportamentais tipo rudeza ou agressividade. Por fim, há benefícios cognitivos; essas crianças prestam mais atenção e, portanto, aprendem melhor.

Mantendo o QI constante, as crianças de cinco anos que tiveram pais bons treinadores tiravam melhores notas em matemática e leitura ao atingirem a terceira série (um poderoso argumento em defesa do ensino da inteligência emocional para o aprendizado, além da vida). Assim, os dividendos para os filhos de pais emocionalmente aptos são uma surpreendente quase estonteante gama de vantagens em todo o espectro de inteligência emocional e além.

UM CORAÇÃO DE VANTAGEM

O impacto dos pais sobre a competência emocional começa no berço. O Dr. T.

Berry Brazelton, eminente pediatra de Harvard, tem um teste de diagnóstico simples para a perspectiva básica do bebê em relação à vida. Oferece dois blocos a um bebê de oito meses, e depois mostra-lhe como quer que ele os junte. O bebê esperançoso sobre a vida, que tem confiança em suas próprias aptidões.

diz Brazelton, pega um bloco, o põe na boca, esfrega no cabelo, deixa cair pela borda da mesa, esperando para ver se a gente vai pegá-lo para ele. Quando a gente o faz, ele finalmente executa a tarefa exigida - junta os dois blocos. Depois olha para a gente com uma expressão radiante de expectativa, que diz: “Diga lá se eu não sou o máximo o máximo!”

Os bebês desse tipo têm uma boa dose de aprovação e estímulo dos adulto em suas vidas; esperam vencer nos pequenos desafios da vida. Em contraste, os bebês que vêm de lares demasiado soturnos, caóticos ou desleixados cumprem a mesma pequena tarefa de uma maneira que avisa que já esperam fracassar Não é que não juntem os blocos; entendem a instrução e têm coordenação para obedecer.

Mas mesmo quando o fazem, diz Brazelton, seu comportamento é de pobre diabo”, uma expressão que diz: “Eu sou um inútil. Está vendo, fracassei.

provável que essas crianças atravessem a vida com uma perspectiva derrotista não esperando encorajamento nem interesse dos professores, não tendo prazer na escola, e talvez acabando por abandonar os estudos.

A diferença entre as duas perspectivas crianças confiantes e otimistas versu as que esperam fracassar começa a tomar forma nos primeiros anos de vida Os pais, diz Brazelton, “precisam entender como seus atos podem ajudar a gerar a confiança, curiosidade, prazer de aprender e compreensão de limites” que ajudam as crianças a vencer na vida. Seu conselho é informado por um crescente conjunto de indícios que mostram como o sucesso escolar depende em surpreendente medida de características emocionais formadas nos anos que anteceder a entrada da criança na escola. Como vimos no Capítulo 6, por exemplo, a capacidade das crianças de quatro anos de controlar o impulso de agarrar um marshmallow previa uma vantagem de 210 pontos em suas contagens no SAT quatorze anos depois.

A primeira oportunidade para moldar os ingredientes da inteligência emocional é nos primeiros anos, embora essas aptidões continuem a formar-se por todos os anos de escola. As aptidões emocionais que as crianças adquirem na vida posterior formam-se em cima dessas dos primeiros anos. E essas aptidões, como vimos no Capítulo 6, são o alicerce essencial de todo o aprendizado.

Um trabalho do Centro Nacional de Programas Clínicos Infantis afirma que o sucesso na escola não é previsto tanto pelo capital de fatos da criança ou sua capacidade precoce de ler quanto por medidas emocionais e sociais:

ser seguro de si e interessado; saber que tipo de comportamento se espera e como frear o impulso para se comportar mal; ser capaz de esperar, seguir orientações e procurar ajuda junto aos professores; e expressar suas necessidades quando em companhia de outras crianças.

Quase todos os alunos que se saem mal na escola, diz o trabalho, não têm um ou mais desses elementos de inteligência emocional (independente de também terem problemas cognitivos como incapacidade de aprender). A magnitude do problema não é pequena;

em alguns estados quase uma em cada cinco crianças repete a primeira série, e depois, com o passar dos anos, vai ficando ainda mais para trás dos colegas, tornando-se cada vez mais desencorajada ressentida e incômoda.

A disposição da criança para a escola depende do mais básico de todos os conhecimentos: como aprender. O trabalho relaciona os sete ingredientes-chave dessa aptidão fundamental - todos relacionados com a inteligência emocional:

1. Confiança. O senso de controle e domínio do próprio corpo, comportamento e mundo; o senso da criança de que tem mais probabilidade de vencer do que fracassar naquilo que empreender e de que os adultos serão úteis.

2. Curiosidade. O senso de que descobrir coisas é positivo e dá prazer.

3. Intencionalidade. O desejo e capacidade de causar impacto e explorar isso com persistência. Está relacionado com o senso de competência, de ser eficiente.

4. Autocontrole. A capacidade de modular e controlar as próprias ações de formas apropriadas à idade; o senso de controle interno.

5. Relacionamento. A capacidade de entrosar-se com outros, baseada no

6. Capacidade de comunicar-se. O desejo e capacidade de trocar verbalmente idéias, sentimentos e conceitos com outros. Está relacionado ao senso de confiança nos outros e de prazer no entrosamento com eles, incluindo adultos.

7. Cooperatividade. A capacidade de equilibrar as próprias necessidades com as dos outros nas atividades de grupo.

Se a criança chega ou não, no primeiro dia de jardim-de-infância, com essas aptidões, depende muito de quanto seus pais e professores no pré-escolar lhe deram a atenção tipo um “Coração de Vantagem”, o equivalente dos programas “Vantagem Inicial”.

OBTENDO O BÁSICO EMOCIONAL

Digamos que um bebê de dois meses acorda às três da manhã e se põe a chorar.

A mãe entra e, na meia hora seguinte, o bebê mama satisfeito nos braços dela, que o olha com afeição, dizendo-lhe que está feliz por vê-lo, mesmo no meio da noite. O bebê, contente com o amor da mãe, volta a dormir.

Agora digamos que outro bebê de dois meses, que acordou chorando de madrugada é atendido ao contrário por uma mãe tensa e irritável, que acabou de adormecer uma hora atrás, após uma briga com o marido. O bebê começa a ficar tenso assim que a mãe o pega dizendo-lhe: “Cale a boca! Eu não agüento mais nada! Vamos, vamos acabar logo com isso.” Enquanto o bebê mama, a mãe mira com um olhar pétreo em frente, não para ele, revendo a briga com o marido, mais agitada à medida que pensa. O bebê, sentindo sua tensão, se contorce, enrijece e pára de mamar. “Não quer mais, não?” pergunta a mãe. “Então não mame.” Com a mesma brusquidão o põe de volta no berço e sai danada da vida, deixando-o chorar até voltar a dormir, de exaustão.

Os dois cenários são apresentados no relatório do Centro Nacional para Programas Clínicos Infantis como exemplos dos tipos de interação que, se repetidos sempre, instilam sentimentos muito diferentes num bebê, sobre ele mesmo e suas relações mais íntimas. O primeiro bebê está aprendendo que se pode confiar em que as pessoas notem suas necessidades e ajudem, e que ele pode ser eficiente na busca de ajuda; o segundo está descobrindo que ninguém na verdade Lhe dá a mínima, que não se pode contar com as pessoas, e que seus esforços para conseguir consolação só se depararão com o fracasso. Claro, a maioria dos bebês tem pelo menos um gostinho dos dois tipos de interação. Mas na medida em que uma ou outra é típica de como os pais tratam um filho no correr dos anos, se transmitirão lições emocionais básicas sobre até onde a criança está segura no mundo, até onde se sente eficiente, e até onde os outros são confiáveis. Erik Erikson põe isso em termos de a criança vir a sentir uma “confiança básica” ou uma desconfiança básica.

Esse aprendizado emocional começa nos primeiros momentos da vida e continua por toda a infância. Todos os pequenos intercambios entre pais e filhos têm um subtexto emocional, e com a repetição dessas mensagens através dos anos, as crianças formam o núcleo de sua perspectiva e aptidões emocionais.

Uma menininha que não consegue resolver um quebra-cabeça, e pede ajuda à mãe atarefada, recebe uma mensagem se a resposta é o visível prazer da mãe com o pedido, e inteiramente outra se é um ríspido “Não enche - eu tenho coisa mais importante pra fazer. Quando tais encontros se tornam típicos de uma criança e um dos pais moldam as expectativas emocionais da criança sobre relacionamentos perspectivas que irão caracterizar o comportamento dela em todos os campos da vida, para melhor ou pior.

Os riscos são maiores para as crianças cujos pais se mostram grosseiramente ineptos imaturos, viciados em drogas, deprimidos ou cronicamente irados, ou Simplesmente sem rumo e vivendo vidas caóticas. É muito menos provável que pais assim dêem atenção adequada, quanto mais que se sintonizem com as necessidades emocionais de uma criança pequena. Os estudos constatam que a simples negligência pode ser mais prejudicial que o mau trato direto. Uma pesquisa com crianças maltratadas constatou que os jovens negligenciados eram os que pior se saíam: os mais ansiosos, desatentos e apáticos, alternadamente agressivos e retraídos. A taxa de repetição da primeira série entre eles era de 65 por cento.

Os três ou quatro primeiros anos de vida são um período em que o cérebro da criança cresce até cerca de dois terços de seu tamanho final, e evolui em capacidade num ritmo maior do que jamais voltará a fazer. Nesse período, ocorrem mais facilmente tipos-chave de aprendizado do que na vida posterior sendo o aprendizado emocional o principal entre eles. Nessa época, a tensão severa pode prejudicar os centros de aprendizado do cérebro (e, portanto, o intelecto). Embora, como iremos ver, isso possa ser remediado em certa medida por experiências na vida mais tarde, o impacto desse primeiro aprendizado é profundo. Como resume um trabalho sobre a lição emocional chave dos primeiros quatro anos de vida, as conseqüências duradouras são grandes:

A criança que não consegue concentrar a atenção, que é mais desconfiada que confiante, mais triste ou zangada que otimista, mais destrutiva que respeitosa, e assoberbada de ansiedade, preocupada com fantasias assustadoras, e que se sente em geral infeliz consigo mesma uma criança assim tem pouca oportunidade em geral, quanto mais igual oportunidade, de reivindicar as possibilidades do mundo.

COMO CRIAR UM VALENTÃO

Muito se pode aprender sobre os efeitos para toda a vida de pais emocionalmente ineptos sobretudo seu papel no tomar as crianças agressivas em estudos longitudinais como um de 870 crianças do norte do estado de Nova Iorque, que foram acompanhadas dos oito aos trinta anos. Os mais beligerantes deles os mais rápidos em puxar brigas e que habitualmente usavam a força para impor sua vontade eram os que mais probabilidade tinham de haver abandonado a escola e, aos trinta anos, ter uma folha de crimes violentos. Também pareciam estar passando adiante sua tendência à violência: seus filhos, na escola primária eram exatamente os encrenqueiros que tinham sido os pais delinqüentes.

Há uma lição na forma como a agressividade é passada de geração a geração.

Tirando-se quaisquer tendências herdadas, os encrenqueiros quando adultos agiam de um modo que tornava a vida familiar uma escola de agressão. Como crianças, tiveram pais que os disciplinaram com arbitrária e implacável severidade; como pais, repetiam o padrão. Isso se aplicava quer tivesse sido o pai ou a mãe o identificado na infância como altamente agressivo. Meninas agressiva tornavam-se exatamente tão arbitrárias e altamente punidoras ao se tornarem mães quanto os meninos como pais. E embora castigassem os filhos com especial severidade, fora isso pouco se interessavam pela vida deles, na verdade ignorando-os a maior parte do tempo. Simultaneamente, ofereciam a essa crianças um exemplo vívido e violento de agressividade, um modelo que os filhos levavam consigo para a escola e as brincadeiras, e seguiam a vida inteira. Os pais não eram necessariamente maus, nem deixavam de querer o melhor para os filhos; em vez disso, pareciam simplesmente repetir o estilo de paternidade e maternidade que seus próprios pais haviam modelado para eles.

Num tal modelo de violência, essas crianças eram caprichosamente disciplinadas: se os pais estavam de mau humor, elas recebiam castigos severos; se de bom humor, podiam ficar impunes em casa. Assim, o castigo vinha não tanto pelo que a criança tinha feito, mas pelo humor do pai ou da mãe. Eis aí uma receita para sentimentos de inutilidade e desamparo, e para o senso de que as ameaças estão em toda parte e podem se abater a qualquer momento. Vista à luz da vida doméstica que gera a atitude combativa e desafiadora dessas crianças diante do mundo ao largo faz um certo sentido, por mais infeliz que continue sendo.

O que é desencorajador é como essas lições deprimentes são aprendidas cedo, e como são terríveis os custos para a vida emocional da criança.

MAUS-TRATOS: A EXTINÇÃO DA EMPATIA

Na bagunça de uma creche diária, Martin, de apenas dois anos e meio esbarrou numa menina, que, inexplicavelmente, abriu o berreiro. Martin tentou pegar a mão dela, mas a menina se afastou aos soluços. Ele deu-lhe tapinhas no braço.

Como continuassem as lágrimas, Martin desviou os olhos e gritou, repetidas vezes, cada vez mais rápido e mais alto:

- Pare já com isso. Pare já com isso!

Quando fez outra tentativa de dar-lhe tapinhas, ela tornou a resistir. Desta vez ele arreganhou os dentes como um cachorro rosnando, sibilando contra a menina a chorar.

Mais uma vez, pôs-se a dar-lhe tapinhas, mas os tapinhas nas costas logo se tornaram murros, e ele continuou batendo e batendo na coitada da menina, apesar das lágrimas dela.

Esse encontro perturbador demonstra como o mau trato, ser espancado repetidas vezes, ao sabor dos caprichos de um dos pais distorce a inclinação natural da criança para a empatia. A reação bizarra e quase brutal de Martin à aflição da coleguinha de brincadeira é típica de crianças como ele, vítimas elas próprias de espancamento e outros maus tratos físicos desde muito pequenos.

A reação destaca-se em nítido contraste com as habituais súplicas e tentativas das crianças pequenas para consolar um coleguinha que chora, examinadas no Capítulo 7. A violenta reação de Martin a uma aflição na creche bem pode refletir as lições que ele aprendeu em casa sobre lágrimas e aflição: o choro é enfrentado a princípio com um peremptório gesto de consolo, mas se continua, a progressão vai de olhares e gritos maus às pancadas e à surra pura e simples. Talvez mais perturbador ainda, Martin já parece carecer da mais primitiva espécie de empatia o instinto de não mais agredir alguém já machucado. Aos dois anos e meio, exibia em botão os impulsos morais de um bruto cruel e sádico.




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