Daniel goleman, PhD



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Com os anos desde então, a modesta descoberta de Ader forçou uma nova visão das ligações entre o sistema imunológico e o sistema nervoso central. o campo que estuda isso, a psiconeuroimunologia, ou PNI, é hoje uma ciência médica de ponta. O próprio nome reconhece as ligações: psico, de “mente;

neuro, do sistema neuroendócrino (que inclui o sistema nervoso e o de hormônios); e imunologia, do sistema imunológico.

Uma rede de pesquisadores está descobrindo que os mensageiros químicos que operam mais extensamente tanto no cérebro quanto no sistema imunológico são os mais densos nas áreas neurais que regulam a emoção. Alguns dos mais fortes indícios de uma rota física direta permitindo que as emoções tenham impacto sobre o sistema imunológico vieram de David Felten, um colega de Ader.

Ele começou por notar que as emoções têm um poderoso efeito sobre o sistema nervoso autônomo, que regula tudo, desde quanta insulina é secretada até os níveis de pressão sanguínea. Felten, trabalhando com sua esposa, Suzanne, e outros colegas, detectou então um ponto de encontro onde o sistema nervoso autônomo fala diretamente com os linfócitos e macrófagos, células do sistema imunológico.

Em estudos no microscópio eletrônico, eles encontraram contatos tipo sinapses, onde os terminais nervosos do sistema autônomo têm extremidades que dão diretamente nessas células imunológicas. Esse ponto de contato físico permite que as células nervosas liberem neurotransmissores para regular as células imunológicas; na verdade, elas enviam sinais de um lado para outro. A descoberta é revolucionária. Ninguém suspeitara de que as células imunológicas podiam ser alvos de mensagens enviadas dos nervos.

Para testar a importância dessas terminações nervosas no funcionamento do sistema imunológico, Felten foi um passo além. Em experiências com animais, removeu alguns nervos de nódulos linfáticos e do baço - onde são feitas ou armazenadas as células imunológicas - e depois usou vírus para provocar o sistema imunológico. Resultado: uma enorme queda de resposta imunológica ao vírus. Sua conclusão é que sem essas terminações nervosas o sistema imunológico simplesmente não responde como deveria ao desafio de um vírus ou bactéria invasores. Em suma, o sistema nervoso não apenas está ligado ao sistema imunológico, mas é essencial para a função imunológica adequada.

Outra rota-chave ligando emoções e sistema imunológico está na influência dos hormônios liberados sob tensão. As catecolaminas (epinefrina e norepinefrina -também conhecidas como adrenalina e noradrenalina), cortisol prolactina e os opiatos naturais betaendorfina e encefalina são todos liberado durante a estimulação da tensão. Cada um deles tem um forte impacto sobre a células imunológicas. Embora as relações sejam completas, a influência principal é que, enquanto esses hormônios percorrem o corpo, as células imunológicas são obstruídas em sua função: a tensão elimina a resistência imunológica, ao menos temporariamente ao que se supõe numa conservação de energia que dá prioridade à emergência mais imediata, mais premente para a sobrevivência. Mas se a tensão é constante e intensa, essa eliminação pode tornar-se duradoura.

Microbiólogos e outros cientistas constatam cada vez mais essas ligações entre o cérebro e os sistemas cardiovascular e imunológico tendo primeiro de aceitar a outrora radical idéia de que elas existem mesmo.

EMOÇÕES TÓXICAS: DADOS CLÍNICOS

Apesar desses indícios, muitos ou a maioria dos médicos ainda se mostram céticos sobre a possibilidade de as emoções contarem em termos clínicos. Um dos motivos é que, embora muitos estudos tenham constatado que as tensões e emoções enfraquecem a eficácia de várias células imunológicas, nem sempre fica claro se o alcance dessas mudanças é suficientemente grande para fazer diferença em termos médicos.

Mesmo assim, um crescente número de médicos reconhece o lugar das emoções na medicina. Por exemplo, o Dr.Camran Nezhat, eminente cirurgião laparoscópico ginecológico da Universidade de Stanford, diz:

Se alguém programado para uma cirurgia me diz que está em pânico naquele dia e não quer passar por tudo aquilo, eu cancelo a cirurgia. E explica:

Todo cirurgião sabe que as pessoas muito apavoradas se dão mal na cirurgia.

Sangram demais, têm mais infecções e complicações. Têm mais dificuldade para recuperar-se. É muito melhor que estejam calmas.

O motivo é direto: o pânico e a ansiedade aumentam a pressão sanguínea, e veias distendidas pela pressão sangram mais profusamente quando cortadas pela faca do cirurgião. O excesso de sangramento é uma das mais problemáticas complicações cirúrgicas, e às vezes leva à morte.

Além dessas histórias médicas, os indícios em favor da importância clínica das emoções acumulam-se constantemente. Talvez o dado mais compulsório sobre a importância médica da emoção venha de uma análise em massa combinando resultados de 101 estudos menores num único grande, com vários milhares de homens e mulheres. O estudo confirma que as emoções perturbadoras fazem mal à saúde em certa medida. Descobriu-se que pessoas que sofriam de ansiedade crônica, longos períodos de tristeza e pessimismo, incessante tensão ou hostilidade, implacável ceticismo ou desconfiança corriam duplo risco de doença incluindo asma, artrite, dores de cabeça, úlceras pépticas e males cardíacos (cada uma delas representante de grandes e amplas categorias de doença). Essa ordem de magnitude torna as emoções perturbadoras um fator de risco tão tóxico quanto, digamos, o fumo ou o colesterol alto para a doença cardíaca em outras palavras, uma grande ameaça para a saúde.

Claro, trata-se de uma ligação estatística generalizada, e de nenhum modo indica que todos que têm esses sentimentos crônicos cairão mais facilmente presas de doenças. Mas os indícios de um potente papel da emoção na doença são muito mais extensos do que mostra esse estudo de estudos. Uma olhada mais detalhada aos dados das emoções específicas, sobretudo as três grandes - ira, ansiedade e depressão torna mais claras algumas formas específicas em que os sentimentos têm importância médica, mesmo que os mecanismos biológicos pelos quais essas emoções exercem seus efeitos ainda não estejam plenamente entendidos.

Quando a Ira é Suicida

Algum tempo atrás, disse o homem, uma batida no lado de seu carro levou a uma longa e frustrante jornada. Após a interminável burocracia da empresa de seguro e oficinas que causaram mais danos, ainda devia 800 dólares. E nem fora culpa dele. Ficou tão farto que sempre que entrava no carro era tomado de repugnância. Acabou vendendo-o, frustrado. Anos depois, essas lembranças ainda o deixavam lívido de indignação.

Essa amarga lembrança foi trazida de volta propositalmente, como parte de um estudo da ira em pacientes cardíacos, na Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford. Todos os pacientes no estudo tinham, como esse homem ressentido, sofrido um ataque cardíaco, e a questão era se a ira podia ter algum tipo de impacto significativo sobre suas funções cardíacas. O efeito foi impressionante: enquanto os pacientes contavam os incidentes que os tinham deixado furiosos, a eficiência de bombeamento do coração caía cinco pontos percentuais. Alguns dos pacientes mostravam uma queda de eficiência de 7 por cento ou mais - uma faixa que os cardiologistas encaram como um sinal de isquemia miocárdica, uma perigosa queda no fluxo do sangue para o próprio coração.

A queda na eficiência de bombeamento não se verificou com outros sentimentos perturbadores, como a ansiedade, nem durante esforços físicos; a ira parece ser a emoção individual que mais mal faz ao coração. Ao lembrarem o incidente perturbador, os pacientes diziam sentir apenas metade da raiva que haviam sentido quando a coisa acontecera, sugerindo que seus corações teriam sido ainda mais obstruídos durante um conflito enfurecedor de fato.

Essa constatação faz parte de uma rede maior de indícios, que surgem de dezenas de estudos, mostrando o poder da ira de fazer mal ao coração.

Não ficou de pé a velha idéia de que uma personalidade Tipo A, afobada e de pressão alta corre grande risco de doença cardíaca, mas dessa teoria fracassada surgiu uma nova constatação: é a hostilidade que põe as pessoas em risco.

Grande parte dos dados sobre hostilidade veio de uma pesquisa do Dr Redford Williams na Universidade Duke. Por exemplo, ele descobriu que o médicos com os mais altos pontos nos testes de hostilidade quando ainda na faculdade tinham sete vezes mais probabilidades de morrer aos cinqüenta ano do que os de pontos baixos em hostilidade - a tendência para a ira era um mais forte previsor de morte jovem que outros fatores de risco como fumar, pressão sanguínea alta e colesterol alto. E descobertas de um colega, o Dr. John Barefoot da Universidade da Carolina do Norte, mostram que nos pacientes cardíacos que fazem angiografia em que um tubo é inserido na artéria coronária para medir lesões as contagens em testes de hostilidade se correlacionam com a extensão e severidade da doença coronária.

Claro, ninguém está dizendo que a ira, sozinha, causa doença na artéria coronária; é um de vários fatores interagentes. Como me explicou Peter Kaufman diretor em exercício do Setor de Medicina Comportamental do Instituto do Coração, Pulmão e Sangue:

Ainda não podemos distinguir se a ira e a hostilidade desempenham um papel causal no desenvolvimento antecipado de doença na artéria coronária, ou se intensifica o problema uma vez iniciada a doença cardíaca, ou as duas coisas juntas.

Mas tome um jovem de vinte anos que se zanga repetidas vezes. Cada episódio de ira acrescenta uma tensão extra ao coração, aumentando o ritmo cardíaco e a pressão do sangue.

Quando isso se repete sempre e sempre, pode causar dano, sobretudo porque a turbulência do sangue correndo pela artéria coronária com cada batida pode causar microlesões no vaso, onde se formar placas. Se seu ritmo cardíaco é mais rápido e a pressão do sangue mais alta porque você vive habitualmente zangado, em trinta anos isso pode levar a uma mais rápida formação de placa e, portanto, a uma doença na artéria coronária.

Assim que surge a doença, os mecanismos disparados pela ira afetam a própria eficiência do coração como bomba, como foi mostrado no estudo das lembranças de ira em pacientes cardíacos. O efeito final é tornar a ira particularmente letal nos que já têm doença cardíaca. Por exemplo, um estudo da Faculdade de Medicina de Stanford, com 1 mil e 12 homens e mulheres que sofreram um primeiro ataque cardíaco e depois foram acompanhados por até oito anos mostrou que os homens mais agressivos e hostis no início tiveram a taxa mais alta de segundos ataques cardíacos. Os resultados foram semelhantes num estudo da Faculdade de Medicina de Yale, com 929 homens que haviam sobrevivido a ataques cardíacos e foram acompanhados por até dez anos. Os classificados como facilmente provocáveis à ira tinham três vezes mais probabilidades de morrer de parada cardíaca do que os de temperamento mais regular Se também tinham altos níveis de colesterol, o risco extra da ira era cinco vezes mais alto.

Os pesquisadores de Yale observam que talvez não seja a raiva apenas que aumenta o risco de morte por doenças cardíacas, mas antes uma emocionalidade negativa intensa de qualquer espécie, que envia regularmente ondas de hormônio de tensão por todo o corpo. Mas no todo, as mais fortes ligações científicas entre emoções e doença cardíaca são com a ira: um estudo da Faculdade de Medicina de Yale pediu a mais de 1 mil e 500 homens e mulheres que haviam sofrido ataques cardíacos que descrevessem seu estado emocional nas horas que antecederam o ataque. A ira mais que duplicava o risco de parada cardíaca em pessoas que já tinham problemas de coração; o risco maior durava cerca de duas horas depois da provocação da ira.

Tais constatações não significam que as pessoas devem tentar eliminar a ira, quando apropriada. Na verdade, há indícios de que tentar suprimir completamente esses sentimentos no calor do momento resulta de fato numa ampliação da agitação do corpo e pode elevar a pressão do sangue. Por outro lado, como vimos no Capítulo 5, o efeito final de dar vazão à ira toda vez que a sentimos é simplesmente alimentá-la, tornando-a uma resposta mais provável a qualquer situação aborrecida. Williams resolve esse paradoxo concluindo que expressar ou não a ira é menos importante do que ser ela crônica ou não. Uma ocasional demonstração de hostilidade não é perigosa para a saúde; o problema surge quando a hostilidade se torna tão constante que define um estilo pessoal antagonístico - assinalado por repetidos sentimentos de desconfiança e ceticismo e pela tendência a comentários sarcásticos, além de mais óbvios ataques de mau gênio e cólera.

A notícia auspiciosa é que a ira crônica não tem de ser uma sentença de morte:

a hostilidade é um hábito que pode mudar. Um grupo de pacientes de ataques cardíacos na Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford foi matriculado num programa destinado a ajudá-los a amaciar as atitudes que Lhes davam pavio curto. Esse programa de controle de ira resultou numa taxa de segundos ataques

cardíacos 44 por cento mais baixa que a dos que não haviam tentado mudar sua hostilidade. Um programa projetado por Williams tem tido resultados benéficos semelhantes. Como o programa de Stanford, ensina elementos básicos de inteligência emocional, sobretudo a consciência da ira quando começa a despertar~ a capacidade de regulá-la uma vez começada, e empatia. Pede-se aos pacientes que anotem pensamentos céticos ou hostis quando os notam. Se os pensamentos persistem, eles tentam cortá-los dizendo (ou pensando): “Pare!” E são estimulados a substituir deliberadamente pensamentos céticos e desconfiados por outros racionais, em situações críticas - por exemplo, se um elevador demora, buscar um motivo benigno, em vez de sentir raiva de alguma imaginada pessoa egoísta que pode ser responsável pela demora. Para encontros frustrantes, eles aprendem a capacidade de ver as coisas da perspectiva da outra pessoa-a empatia é um bálsamo para a ira.

Como me disse Williams:

_ O antídoto para a hostilidade é desenvolver um coração mais confiante.

Só é preciso a motivação certa. Quando as pessoas vêem que sua hostilidade pode levá-las para a cova cedo, se dispõem a tentar.

Tensão Ansiedade Fora de Proporção e de Lugar

EU vivo ansiosa e tensa o tempo todo. Tudo começou na escola. EU era uma estudante certinha, com as melhores notas, e vivia preocupada com elas, em saber se os outros meninos e os professores gostavam de mim, em estar preparada para as aulas - coisas assim Meus pais faziam muita pressão para eu ir bem na escola e ser um modelo... Acho que simplesmente desabei sob toda essa pressão, porque meus problemas de estômago começaram no segundo ano do ginásio. Desde essa época, preciso ter realmente muito cuidado com cafeína e comidas muito condimentadas. Noto que, quando me sinto preocupada ou tensa, o estômago pega fogo, e como sempre estou preocupada com uma coisa ou outra, vivo nauseada.

A ansiedade o problema causado pelas pressões da vida é talvez a emoção com o maior peso de indícios científicos ligando-a ao começo da doença e ao curso da recuperação. Quando a ansiedade nos ajuda a preparar-nos para lidar com algum perigo (uma suposta utilidade na evolução), está nos servindo bem. Mas na vida moderna a ansiedade é na maioria das vezes desproporcional e deslocada o problema surge diante de situações com que devemos conviver, ou que são invocadas pela mente, não perigos de verdade que precisamos enfrentar Repetidos ataques de ansiedade indicam altos níveis de tensão. A mulher cuja preocupação constante Lhe causa problemas gastrintestinais é um exemplo didático de como a ansiedade e a tensão exacerbam problemas médicos.

Num comentário de 1993, nos Archives of Internal Medicine, sobre a extensa pesquisa da ligação tensão-doença, Bruce McEwen, psicólogo de Yale, observou um largo espectro de efeitos: comprometimento do sistema imunológico a ponto de poder acelerar a metástase do câcer; aumento da vulnerabilidade a infecções virais; exacerbação da formação de placas que levam à arteriosclerose obstrução do sangue que causa enfarte do miocárdio; aceleração do início da diabete Tipo I e do curso da Tipo II; e piora ou provocação de um ataque de asma. A tensão também pode levar à ulceração do trato gastrintestinais provocando sintomas como colite ulcerativa e doenças inflamatórias do intestinO O próprio cérebro está sujeito aos efeitos de longo prazo da tensão constante incluindo danos ao hipocampo e, portanto, à memória. Em geral, diz McEwen, crescem os indícios de que o sistema nervoso está sujeito a ‘desgaste e rompimento’ como resultado de experiências tensionantes.”21

Indícios particularmente fortes do impacto médico da perturbação vieram de estudos com doenças infecciosas como resfriados, gripes e herpes. Vivemos constantemente expostos a esses vírus, mas em geral nosso sistema imunológico os mantém à distância só que, sob tensão emocional, essas defesas na maioria das vezes falham. Em experiências nas quais a robustez do sistema imunológico foi avaliada diretamente, descobriu-se que a tensão e a ansiedade o enfraquecem, mas na maioria desses resultados não fica claro se a gama de enfraquecimento imunológico tem importância clínica ou seja, se é suficientemente grande para abrir caminho à doença. Por esse motivo, mais fortes ligações científicas de tensão e ansiedade com vulnerabilidade médica vêm de estudos em perspectiva:

aqueles que começam com pessoas saudáveis e monitoram primeiro um aumento de perturbação, seguido por um enfraquecimento do sistema imunológico é o início da doença.

Num dos estudos mais cientificamente sérios, Sheldon Cohen, psicólogo da Universidade Carnegie-Mellon, trabalhando com cientistas numa unidade de pesquisa especializada em resfriados em Sheffield, Inglaterra, avaliou cuidadosamente o grau de tensão que as pessoas sentiam em suas vidas e em seguida as expôs sistematicamente a um vírus de resfriado. Nem todos assim expostos pegaram a doença; um sistema imunológico robusto pode resistir e o faz constantemente ao vírus do resfriado. Cohen constatou que quanto mais tensão as pessoas tinham em suas vidas, mais provável era que pegassem resfriado. Entre os com pouca tensão, 27 por cento o pegaram após serem expostos ao vírus; entre os de vidas mais tensas, 47 por cento ficaram doentes prova direta de que a própria tensão enfraquece o sistema imunológico.

(Embora esse talvez seja um daqueles resultados científicos que confirmam o que todo mundo já observara ou suspeitava, é considerado uma descoberta que fez época, por causa de seu rigor científico.)

Do mesmo modo, casais casados que por três meses mantiveram relações de brigas e incidentes perturbadores como discussões conjugais mostraram um forte padrão: três ou quatro dias após uma série particularmente intensa de perturbações, caíam doentes com um resfriado ou infecção das vias aéreas superiores.

O período de retardo é precisamente o tempo de incubação dos vírus de resfriado mais comuns sugerindo que a exposição quando estavam mais preocupados e perturbados os tornava especialmente vulneráveis.

O mesmo padrão tensão-infecção se aplica ao vírus do herpes - tanto o tipo que causa feridas nos lábios quanto o que causa lesões genitais. Assim que as ~pessoas são expostas ao vírus do herpes, ele fica latente no corpo, eclodindo de de tempos em tempos. A atividade desse vírus pode ser identificada pelos níveis de anticorpos contra ele no sangue. Com o uso dessa medida, descobriu-se a reativação do vírus do herpes em estudantes que faziam exames de fim de ano, em mulheres recém-separadas e entre pessoas sob constante pressão por cuidar de um membro da família com o mal de Alzheimer.

o preço da ansiedade não é só a redução da resposta imunológica; outra pesquisa mostra efeitos adversos no sistema cardiovascular. Enquanto a hostilidade crônica e repetidos episódios de ira parecem pôr os homens em grande risco de doença cardíaca, as emoções mais mortais nas mulheres são ansiedade e medo. Numa pesquisa na Faculdade de Medicina de Stanford com mais de 1 mil homens e mulheres que sofreram um primeiro ataque cardíaco, as mulheres que sofreram um segundo se caracterizavam por altos níveis de medo e ansiedade. Em muitos casos, o medo tomava a forma de fobias incapacitantes:

após o primeiro ataque cardíaco, as pacientes paravam de dirigir, deixavam o emprego ou evitavam sair de casa.

Os insidiosos efeitos físicos da tensão mental e ansiedade do tipo produzido por empregos ou vidas de grande pressão, como a da mãe solteira que faz malabarismos com as tarefas domésticas e o emprego estão sendo identificados num nível anatomicamente minucioso. Por exemplo, Stephen Manuck, psicólogo da Universidade de Pittsburgh, fez trinta voluntários passarem por uma provação rigorosa, carregada de ansiedade, num laboratório, enquanto monitorava o sangue dos homens, avaliando uma substância secretada pelas plaquetas de sangue chamada adenosina trifosfato ou ATP, que pode provocar mudanças, nos vasos sanguíneos, que levam a ataques cardíacos e derrames. Quando os voluntários se achavam sob a tensão intensa, seus níveis de ATP subiam acentuadamente~ como o faziam o ritmo cardíaco e a pressão do sangue.

Compreensivelmente, os riscos para a saúde parecem maiores para aqueles com empregos de alto nível de “tensão”: altas exigências de desempenho com pouco ou nenhum controle sobre como obter os resultados (uma situação que dá aos motoristas de ônibus, entre outros, um alto nível de hipertensão). Por exemplo~ num estudo com 569 pacientes com câncer colorretal e um grupo de comparação semelhante, os que disseram que nos últimos dez anos tinham sofrido severa contrariedade no emprego tinham cinco vezes e meia mais probabilidade de apresentar câncer do que os que não tinham tal tensão em suas vidas

Como o custo médico da perturbação é tão vasto, técnicas de relaxamento que refreiam logo a estimulação fisiológica da tensão estão sendo usadas clinicamente para aliviar os sintomas de uma larga variedade de doenças crônicas. Entre estas estão a doença cardiovascular, alguns tipos de diabete, artrite, asma~ problemas gastrintestinais e dor crônica, para citar umas poucas. Na medida em que quaisquer sintomas são agravados pela tensão e a perturbação emocional~ a ajuda aos pacientes para que relaxem mais e controlem seus sentimentos turbulentos muitas vezes proporciona algum alívio.

Os Custos Médicos da Depressão

Haviam-lhe diagnosticado um câncer metastático no seio, um retorno e disseminação da malignidade, vários anos após o que ela julgara uma bem-sucedida cirurgia para extirpar a doença. o médico não mais podia falar de cura, e a quimioterapia, na melhor das hipóteses, ofereceria apenas mais uns poucos meses de vida. Ela estava, compreensivelmente, deprimida tanto que sempre que ia ao oncologista via-se a determinada altura caindo em prantos. Reação do médico toda vez: pedir-lhe que deixasse imediatamente o consultório.

Além da dor da insensibilidade do oncologista, contava alguma coisa, em termos médicos, o fato de ele não querer lidar com a constante tristeza da paciente? Na hora em que a doença se tornou tão virulenta, era improvável que qualquer emoção tivesse algum efeito apreciável sobre o seu progresso. Embora a depressão da mulher, com a máxima certeza, obscurecesse a qualidade de seus últimos meses, os indícios médicos de que a melancolia pode afetar o curso do câncer ainda são contraditórios. Mas tirando o câncer, um ligeiro conhecimento de estudos sugere um papel para a depressão em muitos outros males médicos, sobretudo no agravamento de uma doença, depois de começada. São crescentes os indícios de que, nos pacientes com doenças sérias e deprimidos, seria útil em termos médicos tratar também sua depressão.

Uma complicação no tratamento da depressão em pacientes médicos é que os sintomas dela, incluindo a perda de apetite e a letargia, são facilmente tomados por sinais de outras doenças, sobretudo por médicos com pouca formação em diagnose psiquiátrica. Essa incapacidade de diagnosticar a depressão pode em si aumentar o problema, pois significa que a depressão de um paciente - como a da paciente de câncer no seio em prantos passa despercebida e não é tratada.




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