Daniel goleman, PhD



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Uma das mais reveladoras demonstrações do poder do otimismo para motivar as pessoas é um estudo feito por Seligman com vendedores de seguro da empresa MetLife. Saber aceitar uma rejeição com graça é essencial a todos os tipos de vendas, sobretudo de um produto como o seguro de vida, onde a proporção de nãos para sins é desencorajadoramente alta. Por esse motivo, cerca de três quartos dos vendedores de seguros desistem nos primeiros três anos. Seligman descobriu que os novos vendedores que eram otimistas venderam 37 por cento mais seguros nos primeiros dois anos que os pessimistas. E no primeiro ano os pessimistas desistiram duas vezes mais que os otimistas.

E além disso: Seligman convenceu a Metlife a contratar um grupo especial de candidatos que fizeram maior número de pontos num teste de otimismo mas fracassaram no teste normal de triagem (que comparava uma série de suas atitudes com um perfil padrão baseado em respostas de agentes que haviam sido bem-sucedidos). Esse grupo especial de otimistas vendeu mais 21 por cento que os pessimistas no primeiro ano, e 57 por cento no segundo.

O motivo de o otimismo fazer tal diferença no êxito de vendas revela o sentido em que é uma atitude emocionalmente inteligente. Cada não que um vendedor recebe é uma pequena derrota. A reação emocional a essa derrota é crucial para a capacidade de reunir motivação suficiente para prosseguir. À medida que crescem os nãos, o moral pode deteriorar-se, tornando cada vez mais difícil pegar o telefone para a próxima ligação. Essa rejeição é sobretudo dura de aceitar para o pessimista, que a interpreta como querendo dizer: “Eu sou um fracasso nisso jamais vou fazer uma venda” - uma interpretação que com certeza provocará apatia e derrotismo, se não depressão. Os otimistas, por outro lado, dizem a si mesmos: “Estou usando a técnica errada”, ou “A última pessoa simplesmente estava de mau humor.” Não se vendo a si mesmos, mas alguma coisa na situação, como o motivo de seu fracasso, podem mudar a técnica na ligação seguinte.

Enquanto a atitude mental do pessimista conduz ao desespero, a do otimista gera esperança.

Uma das origens da perspectiva positiva ou negativa bem pode ser o temperamento inato; algumas pessoas, por natureza, tendem para um lado ou para outro. Mas, como veremos no Capítulo 14, o temperamento pode ser moderado pela experiência. Otimismo e esperança -como impotência e desespero - podem ser aprendidos. Por trás dos dois está uma perspectiva que os psicólogos chamam de auto-eficácia, a crença em que temos controle sobre os fatos de nossa vida e podemos enfrentar os desafios quando aparecem. O desenvolvimento de qualquer tipo de aptidão fortalece o senso de auto-eficácia, tornando a pessoa mais disposta a assumir riscos e buscar desafios mais exigentes.

E a vitória sobre esses desafios, por sua vez, aumenta o senso de auto-eficácia.

Essa atitude torna mais provável as pessoas usarem melhor quaisquer aptidões que tenham - ou fazerem o necessário para desenvolvê-las.

Albert Bandura, psicólogo de Stanford que fez grande parte da pesquisa sobre a auto-eficácia, resume-a bem:

As crenças das pessoas sobre suas aptidões têm um profundo efeito sobre essas aptidões. A aptidão não é uma propriedade fria; há uma imensa variabilidade na maneira como nos desempenhamos. As pessoas que têm senso de auto-eficácia se refazem de fracassos; abordam as coisas mais em termos de como lidar com elas do que se preocupando com o que pode dar errado.

FLUXO: A NEUROLOGIA DA EXCELÊNCIA

Um compositor descreve os momentos em que sua arte atinge o ponto mais alto:

NÓS mesmos estamos a tal ponto em estado extático que nos sentimos como se quase não existíssemos. Senti isso repetidas vezes. Minha mão parece livre de mim e nada tenho a ver com o que se passa. Simplesmente fico ali observando, em estado de respeito e maravilha. E a coisa simplesmente flui por si mesma.

Sua descrição é notadamente semelhante à de centenas de homens e mulheres diversos - alpinistas, campeões de xadrez, médicos, jogadores de basquete, engenheiros, gerentes, até mesmo arquivistas - quando falam de um momento em que se superaram em alguma atividade predileta. O estado que descrevem é chamado de “fluxo” por Mihaly Csikszentmihalyi, o psicólogo da Universidade de Chicago que recolheu essas histórias de desempenho máximo em duas décadas de pesquisa. Os atletas conhecem esse estado de graça como “a zona”, onde a excelência vem fácil, a multidão e os competidores desaparecendo numa feliz e constante absorção do momento. Diane Roffe-Steinrotter, que ganhou uma medalha de ouro em esqui nas Olimpíadas de Inverno de 1994, disse depois da corrida que só se lembrava de que estava mergulhada em relaxamento:

Eu me sentia como uma cachoeira.

A capacidade de entrar em fluxo é inteligência emocional no ponto mais alto;

o fluxo representa, talvez, a última palavra na canalização das emoções a serviço do desempenho e aprendizado. No fluxo, as emoções são não apenas contidas e dirigidas, mas positivas, energizadas e alinhadas com a tarefa imediata. Ver-se se colhido no eu i da depressão ou na agitação da ansiedade é ser barrado do fluxo. Contudo, o fluxo (ou um mais brando microfluxo) é uma experiência pela qual quase todo mundo passa às vezes, sobretudo quando no máximo do desempenho ou indo além dos limites anteriores. Talvez seja mais bem captado demais ficam ansiosas.

pelo ato de amor extático, a fusão de dois num um fluidamente harmônico.

Essa experiência é gloriosa: o sinal característico do fluido é uma sensação de o prazer a graça alegria espontânea, e mesmo êxtase. Por ser tão bom, é intrinsecamente incompatíveis compensador. É um estado em que as pessoas ficam absolutamente absorvidas ram do resto do no que estão fazendo, dando indivisa atenção à tarefa, a consciência fundida altamente concentrada.

com os atos. Na verdade, interrompe o fluxo pensar demais no que está prestar atenção acontecendo até a idéia “Estou fazendo isso maravilhosamente” pode quebrar concentração a sensação de fluxo. A atenção fica tão concentrada que as pessoas só têm o fluxo é um consciência da estreita gama de percepção relacionada com a tarefa imediata, compulsivo, altamente perdendo a noção de tempo e espaço. Um cirurgião, por exemplo, lembrava surpreendente de uma operação desafiante durante a qual entrou em fluxo; quando a concluiu, na verdade, a literatura notou alguns detritos no chão da sala de operação e perguntou o que acontecera. Absorção que são Ficou espantado ao saber que, enquanto estava tão concentrado na cirurgia, que intensa concentração.

parte do teto desabara, não havia notado nada.

O fluxo é um estado de auto-esquecimento, o oposto da ruminação e desempenho parece preocupação: em vez de perder-se em cuidados nervosos, as pessoas em fluxo no cérebro, onde tanto se absorvem na tarefa imediata que perdem toda a autoconsciência, são executadas com um dispêndio mínimo deixando as pequenas preocupações - saúde, contas, até mesmo o bem-estar se acha num estado da vida diária. Nesse sentido, os momentos de fluxo são abnegados. sintonizados Paradoxalmente, as pessoas em fluxo exibem um controle absoluto do que estão empenhadas em fazendo, as reações perfeitamente sintonizadas comascambiantes exigências de seu cérebro “se tarefa. E embora atuem no ponto mais alto quando em fluxo, não se preocupam com estimulação cortical.29 com como estão se saindo, com idéias de sucesso ou fracasso - o que as motiva as pessoas enfrentem é o puro prazer do ato em si. jogando contra Há várias maneiras de entrar em fluxo. Uma delas é concentrar intencional matemático mente uma aguda atenção no que se está fazendo a essência do fluxo é um atividade cortical, estado de alta concentração Parece haver um círculo de feedback na entrada dessa zona pode exigir considerável esforço acalmar-se e concentrar-se o suficiente para iniciar a tarefa, esse primeiro passo exige uma certa disciplina.

Mas, assim que a concentração começa a fixar-se, assume uma força própria, que produz maior ao mesmo tempo proporciona alívio da turbulência emocional e torna fácil a parece ser um tarefa. mental Isso faz A entrada nessa zona pode ocorrer também quando as pessoas encontram escalar rochedos, uma tarefa em que são hábeis e a executam num nível que pouco exige de sua que o cérebro capacidade. Como me disse Csikszentmihalyi: exigem menos esforço As pessoas parecem concentrar-se melhor quando o que Lhes é exigido é ainda muito difíceis um pouco mais que o habitual, e elas podem dar mais que o habitual. Se as eficiência, devido exigências são poucas demais, elas se entediam Se tiverem de lidar com coisas : longo e estressante demais ficam ansiosas. O fluxo ocorre naquela zona delicada entre o tédio e a ansiedade.

O prazer, a graça e a eficácia espontâneos que caracterizam o fluxo são incompatíveis com sequestros emocionais, em que os surtos límbicos se apoderam do resto do cérebro. aA qualidade da atenção no fluxo é relaxada mas altamente concentrada. É uma concentração muito diferente do esforço para prestar atenção quando estamos cansados ou entediados, ou quando nossa concentração é assediada por sentimentos intrusos como a ansiedade ou a raiva.

O fluxo é um estado sem estática emocional, a não ser por um sentimento compulsivo,altamente motivador, de suave êxtase. Esse êxtase parece ser um subproduto da concentração de atenção que é um pré-requesito do fluxo. Na verdade, a literatura clássica das tradições contemplativas descreve estados de absorção que são sentidos como pura felicidade:

fluxo induzido por nada mais que intensa concentração.

Ver alguém em fluxo dá a impressão de que o difícil é fácil: o auge do desempenho parece natural e comum. Essa impressão é paralela ao que se passa no cérebro, onde um paradoxo semelhante se repete:as mais desafiantes tarefas são executadas com um dispêndio mínimo de energia mental. No fluxo, o cérebro se acha num estado “frio”, a estimulação e inibição dos circuitos neurais sintonizados com a demanda do momento.

Quando as pessoas se acham empenhadas em atividades que prendem e mantém sem esforço a sua atenção,seu cérebro “se aquieta”, no sentido de que ocorre uma diminuição de estimulação cortical. Essa descoberta é notável, uma vez que o fluxo permite que as pessoas enfrentam as mais desafiantes tarefas num determinado campo, seja jogando contra um mestre de xadrez ou solucionando um complexo problema matemático. A expectativa seria de que essas tarefas desafiantes exigissem mais atividade cortical, não menos. Mas uma chave para o fluxo é que ele só ocorre perto do cume da capacidade,onde as aptidões estão bem ensaiadas e os circuitos neurais mais eficientes.

Uma concentração forçada uma concentração alimentada por preocupação -produz maior ativação cortical. Mas a zona de fluxo e desempenho ideal parece ser um oásis de eficiência cortical, com um dispêndio mínimo de energia mental. Isso faz sentido, talvez,em termos da prática na atividade que permite que as pessoas entrem no fluxo: o domínio das etapas de uma tarefa física, como escalar rochedos, ou mental, como a programação de computadores, significa que o cérebro pode ser mais eficiente em sua execução. As etapas bem praticadas exigem menos esforço do cérebro do que as que se estão aprendendo, ou as ainda muito difíceis. Do mesmo modo, quando o cérebro trabalha com menos eficiência, devido ao cansaço ou nervosismo,como acontece ao fim de um dia longo e estressante, há um turvamento da precisão do esforço cortical,com a ativação de demasiadas áreas supérfluas um estado geral que se sente como estando altamente distraído. O mesmo acontece no tédio. Mas quando o cérebro atua na eficácia máxima, como no fluxo, há uma relação precisa entre as áreas ativas e as exigências da tarefa. Nesse estado, mesmo o trabalho árduo pode parecer mais renovador e restaurador que esgotante.

APRENDIZADO E FLUXO: UM NOVO MODELO PARA A EDUCAÇÃO

Como o fluxo surge em zonas nas quais uma atividade desafia as pessoas a exercer o mais pleno de suas capacidades, à medida que suas aptidões aumentam é necessário um maior desafio para entrar nele. Se a tarefa é simples demais, entedia se desafiadora demais, resulta mais em ansiedade que em fluxo. Pode-se dizer que o domínio um ofício ou aptidão é estimulado pela experiência do fluxo a motivação para se aperfeiçoar cada vez mais em alguma coisa, seja tocar violino,dançar ou separar genes, é pelo menos em parte estar em fluxo quando a fazendo. Na verdade, num estudo com duzentos pintores dezoito anos depois que deixaram a escola, Csikszentmihalyi constatou que foram aqueles que nos dias de escola,saboreavam o puro prazer de pintar que se tornaram artistas sérios. Os que haviam sido motivados na escola de arte por sonhos de fama e fortuna, em sua maioria, afastaram-se da arte depois de formados.

Csikszentmihalyi concluiu:

- Os pintores devem querer pintar, acima de tudo mais. Se o artista, diante da tela, se põe a imaginar por quanto vai vendê-la, ou o que os críticos vão pensar, dela, não poderá seguir caminhos originais. As realizações criativas dependem de uma emersão obstinada.

Assim como O fluxo é um pré-requisito para a maestria num ofício, profissão ou arte o mesmo se dá com a educação. Os alunos que entram em fluxo quando estudam saem-se melhor, inteiramente à parte de seu potencial medido pelos testes de rendimento Os alunos de uma escola especial de ciências em Chicago - todos entre os primeiros 5 por cento num teste de competência em matemática - foram classificados por seus professores como de alto ou baixo desempenho.

Depois contou-se a maneira como esses estudantes passavam seu tempo, cada um levando um bip que os mandava, em horas aleatórias durante o dia, anotar o que estavam fazendo e qual o seu estado de espírito. Não surpreendentemente, os de baixo desempenho passavam apenas cerca de quinze horas por semana estudando em casa muito menos que as vinte e sete horas por semana de trabalho de casa cumpridas por seus colegas de alto desempenho. Os de baixo desempenho passavam a maior parte do tempo em que não estavam estudando em atividades sociais, com os amigos ou a família.

Quando se analisaram seus estados de espírito, surgiu uma constatação reveladora Tanto os de alto quanto os de baixo desempenho passavam grande parte da semana entediando-se com atividades, como ver TV, que não impunham desafios a suas capacidades. Este, afinal, é o destino dos adolescentes. Mas a diferença-chave estava em como sentiam os estudos. Para os de alto desempenho, o estudo dava-lhes o desafio agradável e absorvente do fluxo em 40 por cento das horas que passavam nele. Mas, para os de baixo desempenho, o estudo produzia fluxo apenas em 16 por cento do tempo; na maioria das vezes, produzia ansiedade, com as exigências indo além de suas capacidades. Os de baixo desempenho encontravam prazer e fluxo nas atividades sociais, não no estudo.

Em suma, os estudantes de desempenho à altura de seu potencial acadêmico e além são na maioria das vezes atraídos para o estudo porque isso os põe em fluxo. Infelizmente, os de baixa realização, não aprimorando as aptidões que os poriam em fluxo, são privados do prazer do estudo e correm o risco de limitar o nível de tarefas intelectuais que Lhes serão agradáveis no futuro.

Howard Gardner, psicólogo de Harvard que criou a teoria de inteligências múltiplas, vê o fluxo e os estados positivos que o caracterizam, como parte da maneira mais saudável de ensinar às crianças, motivando-as mais de dentro do que com ameaças ou promessas de recompensa.

Devemos usar os estados positivos das crianças e atraí-las ao aprendizado nos campos onde elas podem desenvolver aptidões - disse-me Gardner. - O fluxo é um estado interior que significa que uma criança está empenhada na tarefa certa. Temos de descobrir alguma coisa que gostamos e nos apegar a ela.

É quando as crianças se entediam na escola que brigam e pintam o sete, e quando são esmagadas por um desafio é que ficam ansiosas com o trabalho escolar. Mas aprendemos mais quando temos alguma coisa que nos interessa e nos dá prazer quando nos empenhamos nela.

A estratégia usada em muitas das escolas que estão pondo em prática o modelo de múltiplas inteligências de Gardner gira em torno da identificação do perfil de aptidões naturais das crianças e do aproveitamento dos pontos fortes, além da tentativa de escorar os pontos fracos Uma criança naturalmente talentosa em música, por exemplo, entrará com mais facilidade em fluxo nesse campo do que naqueles em que é menos capaz. O conhecimento do perfil de uma criança ajuda o professor a aprimorar a forma de apresentar-lhe um tópico e dar aulas no nível do remediador ao mais avançado - que tenha maior probabilidade de proporcionar um desafio ideal. Fazer isso torna o aprendizado mais agradável, não apavorante nem chato.

- A esperança é que, quando as crianças adquirirem fluxo no aprendizado, se sintam encorajadas a enfrentar desafios em novas áreas - diz Gardner, acrescentando que a experiência sugere ser assim.

Em termos mais gerais, o fluxo sugere que a conquista de maestria em qualquer ofício ou corpo de conhecimento deve se dar, idealmente, de uma maneira natural, à medida que a criança é encaminhada para as áreas que a atraem espontaneamente - que, em essência, ela ama. Essa paixão inicial pode ser a semente para maiores níveis de conquista, à medida que a criança venha a compreender que seguir esse campo - seja dança, matemática ou música - é uma fonte do prazer do fluxo. E, como isso exige forçar os limites de nossa capacidade de manter o fluxo, torna-se um parte, como intermináveis e pavorosas horas de tédio, pontuadas por momentos de alta ansiedade? Buscar o fluxo através do aprendizado é uma maneira mais humana, natural e muito provavelmente mais eficaz de arregimentar as emoções a serviço da educação.

Isso revela o sentido mais geral em que canalizar emoções para um fim produtivo é uma aptidão mestra. Seja no controle de impulsos e adiamento da satisfação, no controle de nossos estados de espírito para que facilitem, em vez de impedir, o pensamento, motivando-nos a persistir e tentar e tentar de novo diante dos reveses, seja no encontro de meios de entrar em fluxo e com isso atuar com mais eficiência - tudo indica o poder da emoção na orientação do esforço eficaz.

7 As Raízes da Empatia

Voltando a Gary, o brilhante mas alexitímico médico que tanto perturbava a noiva, Ellen, por ignorar não apenas seus próprios sentimentos, mas também os dela. Como a maioria dos alexitimicos, faltava-lhe não só empatia, mas também intuição. Se Ellen se dizia deprimida, ele não mostrava simpatia; se ela falava de amor, ele mudava de assunto. Gary fazia críticas “construtivas” a coisas que Ellen fazia, sem compreender que essas críticas a levavam a sentir-se atacada, não ajudada.

A empatia alimenta-se da autoconsciência; quanto mais abertos estamos para nossas emoções, mais hábeis seremos na leitura de sentimentos. Alexitímicos como Gary, que não têm idéia do que eles próprios sentem, ficam completamente perdidos quando se trata de saber o que outra pessoa em sua volta está sentindo.

Não têm ouvido emocional. AS notas e acordes emocionais que correm pelas palavras e ações das pessoas o tom revelador ou mudança de postura, o silêncio eloqüente ou tremor denunciador passam despercebidos.

Confusos com seus próprios sentimentos, os alexitímicos se mostram igualmente perplexos quando outras pessoas Lhes expressam seus sentimentos. Essa incapacidade de registrar os sentimentos de outrem é um grande déficit de inteligência emocional, e uma trágica falha no que significa ser um ser humano.

Pois todo relacionamento, raiz do envolvimento, vem da sintonia emocional, da capacidade de empatia.

Essa capacidade - a capacidade de saber como o outro se sente - entra em jogo numa vasta gama de áreas da vida, desde vendas e administração até namoro e paternidade, piedade e ação política. A ausência de empatia é também reveladora. Vê-se a sua falta em criminosos psicopatas, estupradores e molestadores de crianças.

As emoções das pessoas raramente são postas em palavras; com muito mais freqüência, são expostas em outros indícios. A chave para intuir os sentimentos dos outros está na capacidade de interpretar canais não-verbais: tom de voz, gestos, expressão facial e coisas assim. Talvez o maior corpo de pesquisa na capacidade que têm as pessoas de ler essas mensagens não-verbais seja o de Robert Rosenthal, psicólogo de Harvard, e seus alunos. Ele idealizou um teste de empatia, o PONS (Prof le of Nonverbal Sensibility - Perfil de Sensibilidade Não-Verbal), uma série de videoteipes de uma jovem manifestando sentimentos que vão da antipatia ao amor materno. As cenas percorrem todo o espectro, desde uma fúria de ciúmes até um pedido de perdão, de uma demonstração de gratidão a uma sedução O vídeo foi editado para que em cada um desses estados sejam sistematicamente apagados um ou mais canais de comunicação não-verbal;

além de abafar as palavras, por exemplo, em algumas cenas todos os outros indícios, com exceção da expressão facial, são bloqueados. Em outras, mostram-se apenas os movimentos do corpo, e assim por diante, passando pelos principais canais não-verbais de comunicação, para que os espectadores tenham de detectar a emoção a partir de uma ou outra indicação não-verbal.

Em testes com mais de sete mil pessoas nos Estados Unidos e outros dezoito países, as vantagens de poder ler sentimentos a partir de indicações não-verbais incluíam um melhor ajustamento emocional, maior popularidade, mais abertura e talvez mais surpreendente maior sensibilidade. Em geral, as mulheres são melhores que os homens nesse tipo de empatia. E as pessoas cujo desempenho melhorou no decorrer do teste, de quarenta e cinco minutos-sinal de que têm talento para adquirir aptidões de empatia, também tinham melhores relacionamentos com o sexo oposto. A empatia, não deve ser nenhuma surpresa saber, ajuda a vida romântica.

De acordo com constatações sobre outros elementos de inteligência emocional, havia apenas uma relação incidental entre as contagens nessa medição de acuidade e os resultados do SAT, QI ou dos testes de desempenho escolares. A independência da empatia em relação à inteligência acadêmica também foi constatada em testagens com uma versão do PONS destinada a crianças. Em testes com 1.011 crianças, as que mostraram aptidão para ler não-verbalmente sentimentos achavam-se entre as mais populares em suas escolas, as mais emocionalmente estáveis. Também se saíam melhor na escola, embora, em média, não tivessem QIs superiores aos de outras crianças menos capacitadas para ler mensagens não-verbais - o que sugere que o domínio dessa capacidade empática aplaina o caminho para a eficiência na sala de aula (ou simplesmente faz com que os professores gostem mais delas).

Assim como o modo da mente racional é a palavra, o das emoções é não-verbal Na verdade, quando as palavras de alguém discordam do que é transmitido em seu tom de voz, gestos ou outros canais não-verbais, a verdade emocional está mais no como ele diz alguma coisa do que no que ele diz. Uma regra elementar usada na pesquisa de comunicações é que 90 por cento ou mais de uma mensagem emocional são não-verbais. E essas mensagens - ansiedade no tom de voz de alguém, irritação na rapidez de um gesto - são quase sempre aceitas inconscientemente, sem se prestar atenção específica à natureza da mensagem mas apenas recebendo-a e respondendo-a tacitamente. As aptidões que nos permitem fazer isso bem ou mal são também, na maioria das vezes, tacitamente aprendidas

COMO SE DESENVOLVE A EMPATIA

Assim que Hope, de apenas nove meses, viu outro bebê levar um tombo, as lágrimas inundaram seus olhos, e ela se afastou engatinhando, para ser consolada pela mãe, como se fosse ela que se houvesse machucado. E Michael, de um ano e três meses, foi buscar seu ursinho de pelúcia para entregá-lo ao amigo Paul que chorava; como Paul continuasse chorando, Michael foi buscar o cobertor do amigo para ele. Esses pequenos atos de simpatia e solidariedade foram observados por mães treinadas para registrar tais incidentes de empatia em ação. Os resultados do estudo sugerem que as origens da empatia podem ser localizadas na infância. Praticamente desde o dia em que nascem, os bebês ficam perturbados quando ouvem outro bebê chorando - uma reação que alguns encaram como o primeiro precursor da empatia.




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