Daniel goleman, PhD



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O que parece distinguir os melhores nas competições de outros com capacidade mais ou menos semelhante é o grau em que, começando cedo na vida, podem seguir uma árdua rotina de exercício durante anos e anos. E essa obstinação depende de características emocionais - entusiasmo e persistência diante dos reveses acima de tudo mais.

A contribuição extra da motivação para o sucesso na vida, além de outras capacidades inatas, pode ser vista no notável desempenho de estudantes asiáticos nas escolas e profissões americanas. Um exame detalhado das provas sugere que as alianças asiático-americanas podem ter uma vantagem média de QI sobre os brancos de apenas dois ou três pontos. Contudo, com base nas profissões, como direito e medicina, em que muitos asiático-americanos acabam, como grupo eles se comportam como se seu QI fosse muito mais alto - o equivalente a um QI de 110 para os nipo-americanos e de 120 para os sino-americanos. O motivo parece ser que, desde os primeiros anos de escola, as crianças asiáticas se esforçam mais que as brancas. Sanford Dorenbusch, sociólogo de Stanford que estudou mais de 10 mil alunos de ginásio, constatou que os asiático-americanos passavam 40 por cento mais tempo fazendo trabalho de casa que os outros.

Enquanto a maioria dos pais americanos está disposta a aceitar as áreas fracas de uma criança e enfatizar as fortes, para os asiáticos a atitude é de que se você não está indo bem, a resposta é estudar mais à noite, e se ainda assim não vai bem, levantar-se mais cedo e estudar de manhã. Eles acreditam que qualquer um pode se sair bem na escola com o esforço adequado.

Em suma, uma forte ética de trabalho cultural traduz-se em maior motivação, zelo e persistência uma vantagem emocional.

Na medida em que nossas emoções atrapalham ou aumentam nossa capacidade de pensar e fazer planos, de seguir treinando para alcançar uma meta distante, solucionar problemas e coisas assim, definem os limites de nosso poder de usar nossas capacidades mentais inatas, e assim determinam como nos saímos na vida E na medida em que somos motivados por sentimentos de entusiasmo e prazer no que fazemos ou mesmo por um grau ideal de ansiedade ,esses sentimentos nos levam à conquista. É nesse sentido que a inteligência emocional é uma aptidão mestra, uma capacidade que afeta profundamente todas as outras, facilitando ou interferindo com elas.

CONTROLE DE IMPULSO: O TESTE DO MARSHMALOW

Imagine que você tem quatro anos de idade, e alguém Lhe faz a seguinte proposta:

se esperá-lo voltar de uma determinada tarefa, você ganha dois

marshmallows de presente. Se não conseguir esperar até lá, ganha só um - mas já é um desafio certo para testar a alma de qualquer menino de quatro anos, um microcosmo da eterna batalha entre o impulso e a contenção, id e ego, desejo e autocontrole, satisfação e adiamento. Que escolha a criança fará, é um teste revelador; oferece uma rápida leitura não apenas do caráter, mas da trajetória que ela provavelmente seguirá pela vida afora.

Talvez não haja aptidão psicológica mais fundamental que a resistência ao impulso. É a raiz de todo autocontrole emocional, uma vez que todas as emoções, por sua própria natureza, levam a um ou outro impulso para agir. O significado básico da palavra emoção, lembrem-se, é “mover”. A capacidade de resistir a esse impulso para agir, subjugar o movimento incipiente, com a maior probabilidade se traduz, no nível da função do cérebro, na inibição de sinais límbicos ao córtex motor, embora essa interpretação por enquanto deva permanecer especulativa.

De qualquer modo, o estudo notável em que o desafio do marshmallow foi feito a crianças de quatro anos mostra como é fundamental a capacidade de conter as emoções e com isso adiar o impulso. Iniciado pelo psicólogo Walter Mischel na década de 60, num pré-escolar da Universidade de Stanford, e envolvendo sobretudo filhos de professores universitários e outros funcionários do campus, o estudo acompanhou as crianças até concluírem o ginásio.

Algumas foram capazes de esperar o que certamente devem ter sido uns intermináveis quinze a vinte minutos até o pesquisador retornar. A fim de se agüentar na luta, tapavam os olhos para não ver a tentação, ou apoiavam a cabeça nos braços, conversavam consigo mesmas, cantavam, brincavam com as mãos e pés, e até tentavam dormir. Esses valentes pré-escolares receberam a recompensa dos dois marshmallows. Mas outros, mais impulsivos, agarraram o seu único, quase sempre segundos depois de o pesquisador deixar a sala para ir cumprir sua “tarefa”.

O poder diagnóstico de como lidaram com esse momento de impulso tornou-se claro doze a quatorze anos depois, quando essas mesmas crianças foram acompanhadas como adolescentes. A diferença emocional e social entre os pré-escolares que agarraram o marshmallow e seus colegas que adiaram a satisfação era impressionante. Os que resistiram à tentação aos quatro anos eram, agora, adolescentes mais socialmente competentes: pessoalmente eficazes, autoassertivos e mais bem capacitados para enfrentar as frustrações da vida. Tinham menos probabilidades de desmontar-se, paralisar-se ou regredir sob tensão, ou ficar abalados e desarvorados quando pressionados; aceitavam desafios e iam até o fim, em vez de desistir mesmo diante de dificuldades; eram autodependentes e confiantes, confiáveis e firmes; e tomavam iniciativas e mergulhavam em projetos E, mais de uma década depois, ainda podiam adiar a satisfação na busca de suas metas O mais ou menos um terço que agarrou o marshmallow, porém, tendia a ter menos tais qualidades e compartilhava ao contrário um perfil psicológico relativamente mais problemático. Na adolescência, tinham mais probabilidades de ser vistos como tímidos nos contatos sociais; ser obstinados e indecisos;

Perturbar-se facilmente com frustrações; julgar-se “ruins” ou indignos; regredir ou ficar imobilizados com a tensão; ser desconfiados e ressentidos por não conseguir o bastante”; tender para o ciúme e a inveja; reagir exageradamente a irritações com mau gênio, provocando com isso discussões e brigas. E, após todos aqueles anos, continuavam sendo incapazes de adiar a satisfação.

O que aparece discretamente no início da vida desabrocha numa ampla gama de aptidões sociais e emocionais com o desenrolar dela. A capacidade de impor um adiamento ao impulso está na raiz de uma pletora de esforços que vão desde manter uma dieta até correr atrás de um diploma de medicina. Algumas crianças, mesmo aos quatro anos, já dominaram o básico: conseguiram ler a situação social como uma situação em que o adiamento é vantajoso, desligar a atenção da concentração na tentação imediata e distrair-se enquanto mantêm a necessária perseverança para chegar à meta - os dois marshmallows.

Mais surpreendente ainda: quando as crianças testadas foram de novo avaliadas ao concluírem o ginásio, as que haviam esperado pacientes aos quatro anos eram muito superiores, como estudantes, às que haviam agido no impulso.

Segundo a avaliação dos pais, eram mais competentes em termos acadêmicos:

mais capazes de pôr as idéias em palavras, usar e responder à razão, concentrar-se, fazer planos e segui-los até o fim, e mais ávidas por aprender. Mais espantoso ainda: contavam pontos sensacionalmente mais altos em seus testes SAT. O terço de crianças que aos quatro anos agarraram mais avidamente o marshmallow tinha uma contagem verbal média de 524, e quantitativa (ou matemática) de 528; o terço que esperou por mais tempo tinha contagens médias de 610 e 652, respectivamente - uma diferença de 210 pontos na contagem total.

Aos quatro anos, a maneira como as crianças se saem nesse teste de adiamento da satisfaçãO é duas vezes mais poderosa como previsão de qual vão ser suas contagens no SAT do que o QI nessa idade; o QI só se torna um previsor mais forte do SAT depois que as crianças aprendem a ler. Isso sugere que a capacidade de adiar a satisfação contribui muito para o potencial intelectual, inteiramente à parte do próprio QI. (Um fraco controle de impulso na infância é também um poderoso previsor de delinqüência futura, também aqui mais que o QI). Como veremos na Parte Cinco, embora alguns afirmem que o QI não pode ser mudado, e portanto representa uma inflexível limitação do potencial de vida da criança, há amplos indícios de que aptidões emocionais como o controle de impulso e a leitura correta de uma situação social podem ser aprendidas.

O que Walter Mischel, que fez o estudo, descreve com a expressão um tanto infeliz “auto-imposto adiamento de satisfação com vistas a uma meta” é talvez a essência da auto-regulação emocional: a capacidade de negar um impulso a serviço de uma meta, seja montar uma empresa, solucionar uma equação algébrica ou disputar a Copa Stanley. As constatações dele acentuam o papel da inteligência emocional como uma capacidade de atingir metas, determinando como as pessoas podem empregar bem ou mal suas outras capacidades mentais.

ESTADOS DE ESPÍRITO NEGATIVOS PENSAMENTOS CONFUSOS

Eu me preocupo com meu filho. Ele acaba de começar a jogar no time de rúgbi da universidade, logo vai acabar se machucando. É tão dilacerante vê-lo jogar que deixei de ir aos jogos dele. Sei que meu filho deve estar decepcionado por eu não ir vê-lo jogar, mas é simplesmente demais para mim.

Essa está se tratando de ansiedade; ela entende que sua preocupação a impede de levar o tipo de vida que gostaria. Mas, quando chega a hora de tomar uma decisão simples, como ver o filho jogar rúgbi, tem a mente inundada por idéias de tragédia. Não tem liberdade de escolha; as preocupações sufocam a razão.

Como vimos, a preocupação é a essência do efeito prejudicial da ansiedade sobre todo tipo de desempenho mental. A preocupação, claro, é num certo sentido uma resposta útil que desembestou - uma supercuidadosa preparação mental para uma ameaça prevista. Mas esse ensaio mental é uma desastrosa estática cognitiva quando colhido numa rançosa rotina que prende a atenção, intrometendo-se em todas as outras tentativas de concentrar-se em outra coisa.

A ansiedade solapa o intelecto. Numa tarefa complexa, intelectualmente exigente e de grande pressão como a dos controladores de tráfego aéreo, por exemplo, a alta ansiedade crônica é um quase certo previsor de que a pessoa vai acabar fracassando no treinamento ou na profissão. Os ansiosos têm mais probabilidade de falhar mesmo com contagens superiores em testes de inteligência, como constatou um estudo de 1 mil 790 alunos em treinamento para postos de controle de tráfego aéreo. A ansiedade também sabota todos os tipos de desempenho acadêmico: 126 diferentes estudos com mais de 36 mil pessoas constataram que, quanto mais inclinada a preocupações a pessoa, mais fraco o seu desempenho acadêmico, não importa qual a medição - notas em provas, média de pontos ou testes de rendimento.

Quando se pede a pessoas inclinadas a preocupações que executem uma tarefa cognitiva como classificar objetos ambíguos em uma de duas categorias, e narrar o que Lhes passa pela mente enquanto o fazem, descobre-se que são os pensamentos negativos - “Não vou conseguir fazer isso”, “Não sou bom nesse tipo de teste” - que mais diretamente atrapalham seus processos de decisão.

Na verdade, quando se pediu a um grupo de controle, de não preocupados, que se preocupasse de propósito durante quinze minutos, sua capacidade de fazer a mesma coisa deteriorou-se acentuadamente. E quando os preocupados tiveram uma sessão de quinze minutos de relaxamento - o que reduziu seu nível de preocupação antes de tentar a tarefa, não tiveram problemas com ela.

O teste de ansiedade foi estudado cientificamente pela primeira vez na década de 60, por Richard Alpert, que me confessou ter esse interesse despertado porque quando estudante, os nervos muitas vezes o faziam sair-se mal nas provas, enquanto um colega, Ralph Haber, constatava que a pressão antes de uma prova na verdade o ajudava a sair-se melhor. A pesquisa deles, entre outros estudos mostrou que há dois tipos de estudantes ansiosos: aqueles cuja ansiedade prejudica o desempenho acadêmico, e os que se saem bem apesar da tensão ou, talvez, por causa dela. A ironia do teste de ansiedade é que a mesma apreensão quanto ao sucesso na prova que, idealmente, motiva alunos como Haber a estudar mais na preparação, bem pode sabotar o êxito de outros. Para pessoas demasiado ansiosas, como Alpert, a apreensão pré-prova interfere com a clareza de pensamento e a memória necessárias para estudar eficazmente, e durante a prova perturba a clareza mental essencial para sair-se bem.

O número de preocupações que as pessoas comunicam quando fazem um teste prediz a medida em que vão se dar mal nele. Os recursos mentais despendidos numa tarefa cognitiva a preocupação simplesmente são subtraídos dos recursos existentes para processar outras informações: se estamos preocupados com idéias de que vamos fracassar na prova que fazemos, temos tanto menos atenção para despender no cálculo das respostas. Nossas preocupações se tornam profecias autoconcretizantes, impelindo-nos para o desastre mesmo que predizem.

AS pessoas capazes de canalizar suas emoções, por outro lado, podem usar a ansiedade antecipatória sobre um discurso ou teste próximos, digamos para motivar-se a preparar-se bem para a tarefa, com isso saindo-se bem. A literatura clássica em psicologia descreve o relacionamento entre ansiedade e desempenho incluindo o desempenho mental, em termos de um U invertido No pico do U invertido está o relacionamento ideal entre ansiedade e desempenho, com uns poucos nervos propulsionando o grande rendimento. Mas ansiedade de menos o primeiro lado do U traz apatia e muito pouca motivação para o esforço necessário ao êxito, enquanto ansiedade demais o outro lado do U sabota toda tentativa de sair-se bem.

Um estado de branda euforia - hipomania, como é tecnicamente chamada parece ideal para escritores e outros em vocações criativas que exigem fluidez e diversidade imaginativa de pensamento; fica em algum ponto do pico do U invertido. Mas é só a euforia sair de controle, que se torna mania mesmo, como nas oscilações de humor dos maníaco-depressivos, e a agitação solapa a capacidade de pensar com coesão suficiente para escrever bem, muito embora as idéias fluam livremente na verdade, livremente demais para podermos seguir qualquer delas bem e produzimos uma coisa acabada.

Os estados de espírito positivos, enquanto duram, aumentam a capacidade de pensar com flexibilidade e mais complexidade, tornando assim mais fácil encontrar soluções para os problemas, intelectuais ou interpessoais. Isso sugere que uma das maneiras de ajudar alguém a solucionar um problema é contar-lhe uma piada. O riso, como a euforia, parece ajudar as pessoas a pensar com mais largueza e associar mais livremente, notando relações que de outro modo poderiam ter-lhes escapado uma aptidão mental importante não apenas na criatividade, mas para reconhecer relacionamentos complexos e prever as conseqüências de uma determinada decisão.

As vantagens intelectuais de uma boa risada são mais impressionantes quando se trata de resolver um problema que exige uma solução criativa. Um estudo constatou que as pessoas que acabavam de ver um vídeo de gafes na televisão eram melhores na solução de um quebra-cabeça há muito usado por psicólogos para testar o pensamento criativo. No teste, as pessoas recebem uma vela, fósforos e uma caixa de percevejos, e pede-se que elas preguem a vela numa parede de cortiça, de modo que ela queime sem pingar cera no chão. Muitas pessoas que recebem esse problema entram em “fixidez funcional”, pensando em usar os objetos das formas mais convencionais. Mas os que assistiram ao filme cômico, comparados com outros que assistiram a um filme sobre matemática ou fizeram exercícios, tinham mais probabilidades de ver um uso alternativo para a caixa de percevejos, e com isso davam a solução criativa: pregar a caixa na parede

e usá-la como castiçal.

Mesmo leves mudanças de humor podem dominar o pensamento. Ao fazer planos ou tomar decisões, as pessoas têm um desvio perceptivo que as leva a ser mais expansivas e positivas no pensar. Isso se deve em parte ao fato de a memória ser específica de um estado, de modo que, quando estamos num estado de espírito positivo, lembramos fatos mais positivos pesarmos os prós e contras de uma linha de ação nos sentindo bem, a memória desvia nossa avaliação dos indícios para o lado positivo, tornando mais provável que façamos alguma coisa ligeiramente aventureira ou arriscada, por exemplo.

Da mesma forma, um estado de espírito negativo desvia a memória para o lado negativo tornando mais provável que nos contraiamos numa decisão titnorata excessivamente cautelosa. As emoções descontroladas impedem o intelecto. Mas, como vimos no Capítulo 5, podemos trazê-las de volta à ordem.

Essa capacidade emocional é a aptidão mestra, facilitando todos os outros tipos de inteligência Vejamos alguns casos a propósito: as vantagens de esperança e otimismo, e os momentos sublimes em que as pessoas se superam.

A CAIXA DE PANDORA E POLYANNA: A FORÇA DO PENSAMENTO

Colocou-se para estudantes universitários a seguinte situação:

Embora você se propusesse a receber um B, quando chega o resultado de sua primeira prova, valendo 30% da nota final, é um D. Passou-se uma semana desde que você recebeu o D. Que é que você faz?

A esperança fez a diferença. A resposta dos estudantes com alto nível de esperança era trabalhar mais e pensar numa gama de coisas que podiam tentar para elevar a nota final. Os estudantes com moderados graus de esperança pensavam em várias maneiras de aumentar a nota, mas tinham muito menos determinação de segui-las. E, compreensivelmente, os estudantes com baixos níveis de esperança desistiam das duas coisas, desmoralizados.

A questão não é apenas teórica, porém. Quando C.R. Snyder, o psicólogo da Universidade de Kansas que fez esse estudo, comparou a ficha acadêmica real de calouros com altos e baixos níveis de esperança, descobriu que a esperança era um melhor instrumento de previsão de suas notas no primeiro semestre do que suas contagens no SAT, um teste que se supõe capaz de prever como os estudantes vão se sair na universidade (e altamente relacionado ao QI). Também aqui, tendo-se em geral a mesma gama de capacidades intelectuais, as aptidões emocionais fazem a crítica diferença.

Explicação de Snyder:

Os alunos com alta esperança estabelecem para si mesmos metas mais altas, e sabem como se esforçar para atingi-las. Quando se comparam alunos de aptidão intelectual equivalente nos rendimentos acadêmicos, o que os distingue é a esperança.

Como diz a conhecida lenda, Pandora, uma princesa da Grécia antiga, recebeu de deuses ciumentos de sua beleza um presente, uma caixa misteriosa. Disseram-lhe que jamais a abrisse. Mas um dia, vencida pela curiosidade e a tentação, ela ergueu a tampa para dar uma espiada, liberando no mundo os grandes males-doença, inquietação, loucura. Um deus compadecido permitiu-lhe, porém, fechar a caixa a tempo de prender o único antídoto que torna suportável a infelicidade da vida: a esperança.

A esperança, descobrem os pesquisadores modernos, faz mais que oferecer um pouco de conforto na aflição; desempenha um papel surpreendentemente poderoso na vida, oferecendo uma vantagem em domínios tão diversos como o rendimento escolar e agüentar empregos onerosos. A esperança, no sentido técnico, é mais do que uma visão ensolarada de que tudo vai dar certo. Snyder define-a com mais especificidade como “acreditar que se tem a vontade e os meios de atingir as próprias metas, quaisquer que sejam”.

As pessoas tendem a diferençar-se na medida geral em que têm esperança, nesse sentido. Alguns julgam-se, tipicamente, capazes de sair de uma enrascada ou encontrar meios de solucionar problemas, enquanto outros simplesmente não se vêem como tendo a energia, a capacidade ou os meios de atingir suas metas.

Snyder constata que as pessoas com altos níveis de esperança têm certos traços comuns, entre eles poder motivar-se, sentir-se com recursos suficientes para encontrar meios de atingir seus objetivos, reassegurar-se numa situação difícil de que tudo vai melhorar, ter flexibilidade bastante para encontrar meios diferentes de chegar às metas, ou trocá-las se uma se tornar impossível, e ter o senso de decompor uma tarefa formidável em outras menores, mais manejáveis.

Da perspectiva da inteligência emocional, ter esperança significa que não vamos cair numa ansiedade arrasadora, atitude derrotista ou depressão diante de desafios ou reveses difíceis. Na verdade, as pessoas esperançosas mostram menos depressão que as outras ao manobrarem na vida em busca de suas metas, são menos ansiosas em geral, e têm menos distúrbios emocionais.

OTIMISMO: O GRANDE MOTINADOR

Os americanos que acompanham a natação tinham grandes esperanças em Matt Biondi, membro da equipe olímpica dos Estados Unidos em 1988. Alguns repórteres esportivos anunciavam-no como tendo probabilidades de igualar o feito de Mark Spitz em 1972, ganhando sete medalhas de ouro. Mas Biondi acabou num constrangedor terceiro lugar na primeira disputa, os 200 metros nado livre.

Na seguinte, 100 metros borboleta, perdeu o ouro por centímetros para outro nadador, que fez um maior esforço no metro final.

Os locutores esportivos especularam que as derrotas iam desencorajar Biondi nas disputas seguintes. Mas ele se refez da derrota e ganhou medalhas de ouro nas cinco disputas seguintes. Um espectador que não ficou surpreso com a reviravolta de Biondi foi Martin Seligman, psicólogo da Universidade da Pensilvania que havia testado o otimismo dele naquele ano. Numa experiência feita com Seligman o treinador disse a Biondi, durante uma disputa especial destinada a exibir o seu melhor desempenho, que ele fizera um tempo pior do que fizera de fato. Apesar do retrnmo negativo, quando sugeriram a Biondi que descansasse e voltasse a tentar, seu desempenho - já na verdade muito bom - foi ainda melhor. Mas quando outros membros da equipe que receberam falsos tempos e cujas contagens nos testes mostraram que eram pessimistas - tentaram de novo, saíram-se pior ainda na segunda vez.

O Otimismo, como a esperança, significa uma forte expectativa de que, em geral, tudo vai dar certo na vida, apesar dos reveses e frustrações. Do ponto de vista da inteligência emocional, o otimismo é uma atitude que protege as pessoas da apatia, desesperança ou depressão diante das dificuldades. E como acontece com a esperança, sua prima carnal, o otimismo paga dividendos na vida (contanto, claro, que seja um otimismo realista; o otimismo demasiado ingênuo pode ser desastroso)

Seligman define o otimismo em termos de como as pessoas explicam a si mesmas seus sucessos e fracassos. Os otimistas vêem um fracasso como devido a alguma coisa que pode ser mudada, para que possam vencer na próxima vez, enquanto os pessimistas assumem a culpa pelo fracasso, atribuindo-o a alguma duradoura característica que não podem mudar. Essas explicações diferentes têm profundas implicações sobre como as pessoas reagem à vida. Por exemplo, em resposta a uma decepção como a rejeição num emprego, os otimistas tendem a reagir ativa e esperançosamente, formulando um plano de ação, digamos, ou buscando ajuda e conselho; vêem o revés como uma coisa que pode ser remediada Os pessimistas, em contraste, reagem a esses reveses supondo que nada podem fazer para que as coisas saiam melhor na próxima vez, e portanto nada fazem em relação ao problema; vêem os reveses como devidos a alguma falha pessoal que sempre os perseguirá.

Como acontece com a esperança, o otimismo é um fator de previsão do êxito acadêmico Num estudo com quinhentos membros da entrante classe de calouros de 1984, na Universidade da Pensilvania, as contagens dos estudantes nos testes de otimismo foram um melhor previsor de suas notas no primeiro ano do que as do SAT ou suas notas no secundário. Diz Seligman, que os estudou:

Os exames de admissão à universidade medem o talento, enquanto o estilo explanatório nos diz quem desiste. É a combinação de razoável talento e capacidade de continuar em frente diante da derrota que conduz ao sucesso. O que falta nos testes de capacidade é motivação. O que precisamos saber de alguém é se ele vai continuar quando as coisas se tornarem frustrantes. Meu palpite é que, para um determinado nível de inteligência, nossa realização de fato é em função não só do talento, mas também da capacidade de agüentar a derrota.




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