Da mensuração da subjetividade: psicometria e tecnologia



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O aluno sob medida: os testes psicológicos como tecnologia, na educação brasileira

Odair Sass


Introdução

O título desta comunicação é uma alusão à conferência proferida por Edouard Claparède, em 1901, “A escola sob medida”[L’école sur Mesure]. Por “escola sob medida”, esclarece o autor: “Nem se precisa dizer que estas palavras significam apenas uma escola adaptada à mentalidade de cada um, uma escola que se acomode tão perfeitamente aos espíritos, quanto uma roupa ou um calçado sob medida o fazem para o corpo ou para o pé.”(Claparéde,1973: 187); uma escola que admite, descobre, diagnostica as aptidões individuais e o interesse do aluno como alavanca para o seu desenvolvimento, organizada de modo a não obstruir as aptidões, capacidades e riquezas latentes de cada um. Claparède argumenta que as reformas educacionais devem criar tal escola, como uma incumbência do Estado. Aqui, enfatiza-se apenas um dos meios elaborados, por educadores de matizes distintos, para tornar o aluno sob medida: os testes psicológicos e educacionais padronizados, instrumentos básicos da psicometria e da psicotécnica, impulsionados substancialmente ao início do século passado.

A psicometria é discutida como conhecimento científico da psicologia deliberadamente aplicado para exercer o controle social do sujeito e o conjunto de estímulos ou itens aos quais o indivíduo deve responder—o teste propriamente dito—constitui um dos fatores. Especificamente, entende-se a psicometria como um elemento importante da tecnologia—aqui admitida como modo de produção, “como a totalidade dos instrumentos, dispositivos e invenções que caracterizam a era da máquina, é assim ao mesmo tempo, uma forma de organizar e perpetuar( ou modificar) as relações sociais, uma manifestação do pensamento e dos padrões de comportamento dominantes, um instrumento de controle e dominação.”(Marcuse, 1999:73)—e um componente decisivo da racionalidade tecnológica, típica da sociedade industrial e administrada, visto que, a formação de indivíduos adaptados a tal racionalidade constitui também um fator tecnológico e condição para pôr em funcionamento e garantir a reprodução do sistema social.

A exposição cinge-se a explorar: os testes de inteligência, considerados uma importante aplicação da psicometria no estudo do indivíduo, tomando como referência a apropriação das provas de nível mental, realizadas no Brasil, tal como as apreenderam Isaias Alves(1888—1968), com objetivo de se utilizar da ciência psicológica para reorganizar a escola básica brasileira, nos anos de 1930(Alves, 1934) e a variante elaborada por Lourenço Filho (1897-1970): os “testes ABC para a verificação da maturidade necessária à aprendizagem da leitura e da escrita”, na década de 1930, largamente aplicado às crianças ingressantes da escola primária brasileira e outros paises americanos e europeus(Lourenço Filho, 2008).

Sustenta-se a hipótese de que as provas psicológicas aplicadas à educação estão relacionadas à racionalidade tecnológica predominante na sociedade industrial antes do que a uma suposta evolução epistemológica natural que as vinculam como uma decorrência inevitável do progresso científico e da aproximação entre a Psicologia e as Ciências físico-matemáticas.

i. Provas psicológicas em Educação


Um dos paradoxos da sociedade contemporânea é o apelo quase obsessivo à estatística como base para a tomada de decisões administrativas, políticas e científicas, acompanhado da repulsa militante à aplicação dos métodos estatísticos em pesquisa social. A crença cega que diversas tendências das ciências sociais depositam na quantificação não fica em situação mais favorável do que a rejeição, igualmente cega, à mensuração, em nome de uma qualidade abstrata dos objetos sociais. Tal paradoxo está associado às disputas de métodos das ciências sociais, diga-se, muitas vezes cansativas, mas inevitáveis, em virtude da consequência política que carrega. Esse entendimento justifica o esforço empregado para analisar, em especial, os modos de aplicação da estatística à educação a fim de proceder à avaliação psicológica e pedagógica do aluno. Para explorar a hipótese de que a ambigüidade relativa aos métodos quantitativos é uma das contradições da ideologia da racionalidade tecnológica imanente à sociedade administrada, destaca-se, aqui, a adoção dos testes psicológicos e educacionais como um dos fundamentos da organização pedagógica da escola primária brasileira, nos anos de 1930. Antes, porém, vale registrar duas breves digressões, com o intuito de melhor situar a análise subseqüente.

Admite-se, em primeiro lugar, que o interesse crescente, constatável nas duas últimas décadas, pelos usos da estatística na Educação, em particular, por sua aplicação aos processos de produção de indicadores educacionais mediante a avaliação da eficiência e eficácia das redes públicas de ensino, que alcança desde a educação infantil até o ensino superior(Geografia da Educação Brasileira, 2002). Registre-se ainda que está em andamento a criação do “sistema nacional articulado de educação”(CONAE,2010)—impulsionado em boa dose pelos discutíveis resultados “positivos” obtidos pelo ensino brasileiro—, o qual inclui entre as suas 26( de a a z) provisões a seguinte: “d) A implantação de sistema nacional de avaliação da educação básica e superior para subsidiar o processo de gestão educativa e para garantir a melhoria da aprendizagem e dos processos formativos.”(Conae 2010, 2009: 22). Claro está que o interesse contemporâneo pelo uso das estatísticas não guarda correspondência direta com os meios de avaliação educacional adotados nas primeiras décadas do século passado; contudo, é igualmente lícito admitir que a história dos métodos e finalidades correntes podem ser melhor compreendidos caso se retroaja aos métodos e finalidades pretéritos da avaliação educacional.

Mencione-se, de plano, que a finalidade dos métodos estatísticos aplicados até as primeiras décadas do século XX voltaram-se mais para os recenseamentos escolares, a aferição da rede física de escolas, a organização pedagógica (seleção de alunos e organização de classes homogêneas), a implementação da pedagogia experimental e administração escolar( contagem de matrículas, conclusões, deserção escolar, magistério, inspetoria escolar, entre outros)(Lourenço Filho, 2002) enquanto que atualmente a ênfase recaí sobre a avaliação institucional, aferida pela eficiência das redes de ensino e eficácia das unidades escolares; caso em que, o rendimento do alunos é tomado como um dos indicadores de avaliação dos “sistemas”.

Retomando o fio da meada, as provas padronizadas em educação são discutidas, com base nas proposições de Isaias Alves e Lourenço Filho, quanto às semelhanças e diferenças dos testes psicológicos e dos testes educacionais. Esse procedimento permite, pelo menos, mencionar duas consequências importantes dos testes psicológicos em educação: a interferência da psicologia na determinação dos fins da educação; a condição de aplicação das provas psicotécnicas( a qualidade do instrumento de avaliação e o preparo do professor como fator do sucesso da técnica).

ii. Testes psicológicos e testes educacionais.

Em Introdução ao estudo da escola nova, Lourenço Filho destaca a Psicologia como a disciplina que há de proporcionar os recursos necessários para as duas faces da organização escolar, a saber: a estática, que recorre à genética e à psicologia das diferenças individuais, em especial, aos meios objetivos de verificação das semelhanças e diferenças entre os indivíduos—ou seja, recorre aos testes—e a dinâmica, que exige a articulação entre a pedagogia experimental, a psicologia educacional e a filosofia( fundamentada na ciência psicológica)(Lourenço Filho, 1948).

Ora, a consequência principal desse entendimento é a de que a psicologia científica, baseada na experimentação, passa a influir não somente sobre os meios da educação—tal como propugnavam Johan Herbart, no século XIX, e John Dewey, no século XX(cf. Sass, 2000), passa, agora, a influir sobre os finas da educação, pois, como não mais se pode conceber uma “filosofia que despreze a ciência, verifica-se desde logo que a psicologia vai influir duplamente nas concepções da pedagogia: indiretamente, esclarecendo os problemas dos fins, através da filosofia; diretamente fornecendo princípios da ciência pura, para aplicação prática, para a técnica educativa, pròpriamente dita.”(Lourenço Filho, 1948:34, grifos e grafia do original)

Por sua relevância, esse ponto deve ser reiterado. A psicologia passa a ser entendida como a disciplina que interfere nos fins da educação, porque subsidia a “nova” filosofia pautada pela ciência experimental, superando assim a “velha” filosofia do espírito. Contudo se essa ruptura representa um passo necessário para que a psicologia intervenha na etapa dinâmica do ensino, ela não é suficiente, visto que, a inflexão para a experiência do indivíduo condicionada “à descrição do comportamento individual pressupõe a experiência organizada...”(Lourenço Filho, 1948: 34).

Sustentando a mesma posição, Isaias Alves(1934), considera que a organização da experiência para bem descrever e analisar o comportamento deve admitir que a inteligência é a condição primeira do progresso dos alunos mediante a aplicação individual de provas estandardizadas de inteligência a fim de garantir um progresso escolar apropriado às suas potencialidades e limitações:

Admitindo que a primeira condição do progresso escolar de um menino é um gráu de inteligencia que lhe permita, sem cansaço, seguir o curriculum escolar, chegaremos á conclusão higienica e sociologica: todo curso escolar em que não se consulta a possibilidade intelectual do aluno é apenas fábrica de nervosos, de instaveis de despersonalizados, de ambiciosos inadaptáveis ou desalentados ratés em qualquer profissão. (Alves, 1934: 187, grifos e grafia do original)

Como se vê, de acordo com Alves, a medida necessária para se evitar que a escola seja uma fábrica de nervosos e desajustados é a media da inteligência, aferida em testes padronizados.

Todavia, para Alves a aferição da inteligência do aluno não é tudo; a importância dos testes de inteligência deve ser atribuída ao fato de que eles “(...) não são para avaliar a capacidade dos meninos normalmente desenvolvidos, mas para salvar os que se atrasam por motivos alheios aos seus dotes.”(Alves, 1934: 10). Para o que aqui interessa, mais importante do que considerar a confiança salvadora depositada no teste de inteligência que resultou em seu contrário, como a história veio mostrar, à medida que serviu e serve de mecanismo de exclusão social e escolar, ressalte-se, de um lado, a sua aplicação para graduar o ensino, dosando-o adequadamente a cada um e a todos e compor classes homogêneas, de sorte a evitar o ajuntamento de crianças com potencial discrepantes (Alves, 1934: 187 e segs.), e, de outro, a exigência de que elas sejam complementadas pelo acompanhamento sistemático do desempenho escolar do aluno, de incumbência do professor, por meio dos teste educacional ou pedagógico “que não é mais do que uma prova escrita de fórma definida, oferece garantia e facilidade de verificação semanal ou quinzenal, impossível no sistema tradicional” (Alves, 1934: 12), isto é, aquele sistema baseado apenas em provas escritas realizadas de tempos em tempos, sem critérios bem definidos.

Não há se confundir: os testes psicológicos, cuja aplicação é uma atribuição do professor—não de médicos ou psicologistas—incidem sobre a inteligência, a fim de avaliar o aluno ingressante, graduar o ensino, compor classes homogêneas, bem como sobre o aproveitamento escolar.

Em termos mais precisos, este é também o entendimento de Lourenço Filho como se depreende do seguinte excerto:

Do ponto de vista escolar, êsses mesmos processos científicos de organização dos testes psicológicos (base estatística e técnica de aplicação) vieram fornecer elementos para a organização da medida objetiva de todo o trabalho do mestre. Ao lado dos testes psicológicos, lança mão a pedagogia moderna dos testes pedagógicos ou de escolaridade. São meios, igualmente simples, pelos quais se pode verificar o andamento do ensino, e proceder-se assim à comparação objetiva entre o trabalho dos professôres de duas classes...”(Lourenço Filho, 1948: 31-32; grifos do original)

Se os testes psicológicos são importantes ao início do ensino, os testes escolares são decisivos para a verificação da eficiência do que é ensinado. Como meios, os testes educacionais:

(...) vieram permitir a organização de normas de uma verdadeira pedagogia experimental, cujas conquistas são de grande alcance para a economia da administração. Mas, não são processos de ensino: são meios de verificação.

Se os testes psicológicos intervêm, como dissemos, antes do ensino, podemos dizer agora que os testes pedagógicos se empregam depois dele. Intervindo antes do ensino ou depois dêle, é claro que os testes não influem diretamente, e por si sós, na técnica didática. Podem, é certo, fornecer elemento de maior clareza para úteis transformações dos processos em uso, substituindo o critério do julgamento dos mestres e administração, pelo critério objetivo dos fatos.”( Lourenço Filho, 1948: 32, grifos no original)

Um bom exemplar da diferençação entre os dois tipos de teste é encontrado em Testes ABC, de Lourenço Filho(2008),elaborados ao final dos anos de 1920 e publicados, em várias edições, desde 1931. Considerado os limites desta comunicação, destacam-se aqui dois aspectos dessa prova padronizada, com o intuito de reiterar o caráter tecnológico da psicologia, conforme a definição apresentada ao início.

De plano, é de se ressaltar o subtítulo adequado escrito pelo autor, após o título Testes ABC: “para a verificação da maturidade necessária à aprendizagem da leitura e da escrita”( Lourenço Filho, 2008), pois ele sintetiza dois elementos importantes da mensuração psicológica. Primeiro, visa esclarecer que o teste não deve ser confundido com as escalas de inteligência, usuais à época. Segundo, vincula-se aos meios da educação na medida em que está voltado para a verificação da maturidade para o aprendizado da criança que ingressa na escola. Mas, essa proposição não contraria aquela, antes transcrita, pela qual o educador sustenta que o teste psicológico deve preceder o ensino enquanto o teste pedagógico acompanha o aproveitamento escolar? Se o teste ABC é de verificação da maturidade para aprender a ler e escrever, não há de ser, pela definição do autor, um teste pedagógico? Contudo como ele deve ser aplicado a cada criança antes do ensino, não é mais apropriadamente um teste psicológico?

Para responder adequadamente a essas indagações é imprescindível analisar a hipótese submetida à prova, tanto pelo educador como por outros pesquisadores brasileiros e de outras nacionalidades. Para formulá-la, Lourenço Filho, evidencia dois problemas até então não resolvidos, seja pelo empirismo que orientava boa parte das práticas educacionais, com a adoção do critério insuficiente de idade cronológica, de 6 a 7 anos, como suposto para a alfabetização, seja o critério de quociente de inteligência(QI) obtido pela relação proporcional entre idade mental—desempenho aferido em provas padronizadas de nível mental—e idade cronológica, geralmente medida em meses. Se há de se reconhecer o progresso e a extensa aplicação da idade mental na educação, ao fornecer um diagnóstico precoce do potencial de aprendizagem, na medicina, à medida que identifica “anormalidades”, bem como na orientação profissional, é irrefutável igualmente que encarando o assunto do ponto de vista da organização escolar “A verdade é que a simples classificação pela idade mental, ou mesmo segundo a relação entre essa idade e a idade cronológica(QI), não tem dado o resultado esperado em se tratando das classes de 1º grau, ou seja classes para o aprendizado inicial da leitura e escrita.”Lourenço Filho, 2008: 28). Em outros termos, nem o critério da idade cronológica, por sua demasiada abstração, nem o critério de inteligência, por causa das exigências das provas, quase sempre verbais e de habilidades mais complexas já estruturados pelo sujeito, obtiveram êxito. Os resultados até então obtidos em reiteradas pesquisas mostravam baixa correlação entre idade cronológica e desempenho escolar assim como não mostravam a suposta correlação alta entre inteligência e capacidade para ler e escrever(Lourenço Filho, 2008: 28 e segs.)

Para aferir com rigor as condições da aprendizagem escolar inicial, é forçoso concluir que “(...) o aprendizado central dos primeiros graus, o da fase inicial da leitura, exige não um mínimo de linguagem, mas um mínimo de maturidade expressa por coordenação visual-motora e auditivo-motora da palavra, de atenção e fatigabilidade.”(Lourenço Filho, 2008: 28). Daí, a hipótese principal do teste ABC, submetida à prova em duas partes: na determinação de certo nível de maturidade necessário à aprendizagem da leitura e da escrita não há correlação entre o nível obtido e a idade cronológica, assim como não há correlação daquele com a idade mental ou o quociente de inteligência(Lourenço Filho, 2008).

Disso decorre considerar, a par da ambiguidade que contém a distinção entre testes psicológicos e educacionais, que o teste ABC é qualificado como de natureza psicológica, em virtude das variáveis psicológicas mensuradas( Forma final: coordenação visual motora, resistência à inversão psicomotora, memorização visual, coordenação auditivo-motora, capacidade de prolação, resistência à ecolalia, memorização auditiva, fatigabilidade, atenção dirigida, vocabulário e compreensão), por meio de oito testes, aplicados individualmente em uma sessão, pelo professor. De outra parte, como meio de verificação disponível para avaliar o andamento do processo de ensino, ele é um instrumento do professor, que, claro está, deve estar bem preparado para fazer um bom uso do teste. Planejado para medir o nível de maturidade dos alunos ingressantes na escola primária, o teste ABC serve de diagnóstico das condições de maturidade para a aprendizagem de cada aluno, em uma palavra, permite ao professor a obtenção do diagnóstico individual, bem como serve de critério para a organização de classes seletivas, composta de alunos em níveis não muito distantes de maturidade, daí a sua natureza diagnóstica. Embora permaneçam ambiguidades acerca da distinção entre os tipos e natureza dos testes em educação proposta pelos autores referidos—Isaias Alves e Lourenço Filho—não é aqui o lugar e momento de aprofundar a discussão.

O outro aspecto a ser destacado é relativo aos destinatários do livro. Três características aí sobressaem: 1ª) redigido em linguagem precisa, o texto apresenta as principais etapas de validação do teste, dosando a recorrência à terminologia da estatística e cuidando de esclarecer os principais conceitos de uma técnica razoavelmente complexa, supõe-se, para o professor primário. Acrescente-se a isso, que expõe de maneira clara e sucinta a crítica das pesquisas acerca do problema da investigação e a lógica da elaboração do teste; 2ª) embora seja passível de crítica do especialista por causa de omissões ou discutíveis considerações relativas à validade estatística de suas afirmações, contornáveis por métodos de inferência estatística, disponíveis à época, é de se supor que a decisão do autor tenha sido orientada, não pelo desconhecimento desses métodos, mas porque ele elegeu como principal destinatário, o professor e os dirigentes da escola primária. É que se conclui quando se observa os capítulos dedicados ao escopo de aplicações da prova, especialmente, 4, 5 e 6(cf.Lourenço Filho, 200); 3ª) por essas duas características é que o teste ABC pode ser considerado um exemplar da racionalidade tecnológica, que exige a técnica, o aparato social e institucional para produzi-la e o sujeito adaptado para colocá-la em prática.


Considerações

Antes do que apresentar resultados irrefutáveis, procurou-se aqui, consubstanciar a hipótese de que a relação entre a psicologia e a estatística, no campo educacional, não se esgota com a explicação do progresso científico inexorável; tal relação pode ser explicada também e principalmente pela racionalidade tecnológica, característica da sociedade industrial e administrada. Apontou-se, essa perspectiva por meio da psicotécnica, especificamente, por meio da aplicação de testes psicológicos e educacionais, na escola primária brasileira, conforme os educadores Isaias Alves e Lourenço Filho.

Espera-se ter evidenciado a relevância de se investigar as aplicações educacionais da Estatística e da Psicologia para além de suas especificidades técnicas, de modo a incluir o aparato institucional e o sujeito indispensavelmente adaptado à tecnologia que movimenta e reproduz aquela racionalidade. Ao final das contas, como a teoria crítica tem evidenciado com consistência: crítica do conhecimento é crítica da sociedade e vice-versa.
Referências bibliográficas
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 Doutor em Psicologia Social, docente da PUCSP, pesquisador do CNPq






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