Curso de Primeiros Socorros Avançados



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Curso Avançado de Atendimento de Emergências

    1. Lição 01




    1. INTRODUÇÃO A CIÊNCIA DO FOGO








OBJETIVOS:
Ao final desta lição os participantes serão capazes de:
1. Conceituar corretamente os termos “fogo” e “incêndio”;
2. Indicar os 4 componentes essenciais do fogo (tetraedro do fogo);


  1. Citar pelo menos 3 diferentes produtos da combustão;

4. Citar os 3 mecanismos básicos para a transferência (propagação) do calor;


5. Explicar a diferença entre ponto de combustão e ponto de ignição.





1. INTRODUÇÃO

Sabemos que é difícil prever com exatidão quando irá ocorrer um incêndio e, uma vez iniciado qual será o seu alcance, no entanto, através do conhecimento científico da dinâmica do fogo, podemos determinar os métodos mais adequados para controlar os perigos dos incêndios e explosões.

Segundo a teoria básica do desenvolvimento do fogo, seu efetivo controle e extinção requerem um entendimento da natureza físico/química do fogo e isso inclui informações sobre elementos essenciais do fogo, fontes de calor, composição e características dos combustíveis, mecanismos de transferência do calor e as condições necessárias para a ocorrência da combustão.

2. CONCEITOS BÁSICOS
Fogo e combustão são termos freqüentemente usados como sinônimos, entretanto, tecnicamente, o fogo é uma forma de combustão.

O fogo (Do lat. focu) pode ser conceituado como um processo (reação química) de oxidação rápida, auto-sustentável, acompanhada pela produção de luz e calor em intensidades variáveis.

Outro conceito diz que o fogo é um processo de oxidação rápida acompanhado de elevação da temperatura pelo aquecimento dos produtos gasosos da combustão e pela emissão de radiação visível e invisível.

Já o incêndio (Do lat. incendiu) é toda e qualquer combustão fora do controle do homem, que pode danificar ou destruir bens e objetos e lesionar ou matar pessoas.

Outro conceito diz que o incêndio é uma combustão descontrolada.

Ainda neste conceito é importante verificar que o fogo quando aproveitado corretamente fornece grandes benefícios que podem suprir nossas necessidades industriais e domésticas, mas, quando descontrolado, pode causar danos materiais e sofrimento humano.



3. COMPONENTES ESSENCIAIS DO FOGO


  • Combustível;

  • Oxigênio (comburente);

  • Calor ou energia térmica; e

  • Reação química em cadeia.

Durante muitos anos, o triângulo do fogo (combustível, oxigênio e calor) foi utilizado para ensinar os componentes do fogo. Ainda que este exemplo seja simples e útil para uso nas instruções, tecnicamente não é totalmente correto.

Para que se produza uma combustão, se necessitam quatro elementos, portanto, para efeito didático, se adota o tetraedro (figura de quatro faces) para exemplificar e explicar o fenômeno da combustão, atribuindo-se, a cada uma das faces, um dos elementos essenciais do fogo, a saber: o combustível (algo que queima), o oxigênio (agente oxidante), o calor (energia térmica) e a reação química em cadeia.

Em resumo, podemos afirmar que a ignição requer três elementos, o combustível, o oxigênio e a energia (calor). Da ignição à combustão auto-sustentável um quarto elemento é requerido, a reação em cadeia.

Além disso, o combustível deve estar em presença de oxigênio, em uma concentração adequada e na temperatura de ignição. Devemos considerar ainda que a combustão continue existindo até que o combustível se consuma, o agente oxidante diminua sua concentração para níveis abaixo dos necessários à combustão, o combustível se esfrie para abaixo da temperatura de ignição ou a reação em cadeia se interrompa. Na falta de qualquer um dos quatro elementos, a combustão não se produz.


3.1 CONSIDERAÇÕES SOBRE O COMBUSTÍVEL
O combustível é o material ou substância que se oxida ou arde no processo da combustão. Cientificamente, o combustível de uma reação de combustão é conhecido como agente redutor. A maioria dos combustíveis mais comuns contém carbono junto com combinações de hidrogênio e oxigênio. Estes materiais combustíveis podem ser divididos em materiais derivados de hidrocarbonetos (como a gasolina, óleos e plásticos) e materiais derivados da celulose (como a madeira e o papel).

De forma simplificada, podemos dizer que o combustível é toda a substância capaz de queimar-se e alimentar a combustão, ou seja, é o elemento que serve de campo de propagação ao fogo.

Os combustíveis podem ser sólidos, líquidos ou gasosos e, a grande maioria precisa passar pelo estado gasoso para, então, combinar-se com o oxigênio. A velocidade da queima de um combustível depende de sua capacidade de combinar-se com o oxigênio (estado físico do combustível) sob a ação do calor e da sua fragmentação (área de contato com oxigênio).

Os combustíveis sólidos se transformam em gases combustíveis mediante a pirólise, ou seja, a decomposição química de uma substância mediante a ação do calor. A decomposição química de polímeros naturais (madeira) ou sintéticos cria uma atmosfera tóxica que contém vários produtos. Determinados sólidos combustíveis tais como o sódio, o potássio, o fósforo e o magnésio, podem mesmo ser oxidados diretamente pelo oxigênio no ar sem a necessidade de pirólise.

Sabemos que os combustíveis sólidos têm forma e tamanho definidos. Esta propriedade afeta significativamente o modo como estes combustíveis se incendeiam.

É muito importante levar em conta o coeficiente de superfície-massa dos combustíveis, ou seja, a área de superfície do material combustível em proporção a sua massa. Uns dos melhores exemplos de coeficiente de superfície-massa é a madeira. Consideremos um pedaço bruto de um galho de árvore cortado. A massa desse pedaço de madeira é bem alta, mas sua área de superfície é relativamente pequena, por esse motivo o coeficiente de superfície-massa é baixo. Se cortarmos essa lenha bruta em chapas finas de madeira, teremos uma redução da massa das tábuas em relação ao galho bruto (primeiro pedaço de lenha), mas um aumento na área de superfície, o que também aumentará o coeficiente de superfície-massa. Se essas tábuas forem lixadas, o pó resultante terá um o coeficiente de superfície-massa ainda maior que os exemplos anteriores.

De tudo isso, podemos deduzir que à medida que o coeficiente aumenta, as partículas combustíveis se apresentam menores e sua capacidade de ignição se incrementa extraordinariamente. À medida que a área de superfície aumenta, se expõe ao calor mais material, o que gera mais gases inflamáveis em função da pirólise.

A posição do combustível sólido também afeta sua forma de queima, ou seja, se uma determinada chapa de madeira (por exemplo, uma porta) está em posição vertical (de pé), a exposição ao fogo será mais rápida do que se sua posição fosse na horizontal (deitada).

A posição do fogo dentro do cômodo incendiado também afeta seu desenvolvimento em função da maior ou menor quantidade de ar que é arrastado para dentro da coluna de ar quente (pluma) que se forma sobre o fogo.

No caso dos líquidos, os gases combustíveis são gerados a partir de um processo chamado vaporização. A vaporização é a transformação de um líquido em vapor, ou seja, a mudança do estado líquido para o estado gasoso.

A taxa de vaporização é determinada segundo o tipo de substância e a quantidade de energia calorífica aplicada ou gasta.

A vaporização de combustíveis líquidos geralmente requer um gasto de energia bem menor do que a pirólise dos combustíveis sólidos.


3.2 CONSIDERAÇÕES SOBRE O OXIGÊNIO (AGENTE OXIDANTE)
Os agentes oxidantes são aquelas substâncias que cedem oxigênio ou outros gases oxidantes durante o curso de uma reação química. Os oxidantes não são combustíveis em si, mas fazem com que se produza uma combustão quando combinados com materiais combustíveis. O mais comum é que o oxigênio desempenhe esse papel de agente oxidante, no entanto, apesar dele ser o oxidante mais habitual, existem também outras substâncias que entram nessa categoria, ou seja, os bromatos, os cloratos, os nitratos e nitritos, o ácido nítrico, os percloratos, os permanganatos, os peróxidos, etc.

Sabemos também que a atmosfera é composta por 21% de oxigênio, 78% de nitrogênio e 1% de outros gases, por isso, em ambientes com a composição normal do ar, a queima desenvolve-se com velocidade e de maneira completa e notam-se chamas. Contudo, a combustão irá consumir o oxigênio do ar num processo contínuo. Quando a porcentagem do oxigênio do ar do ambiente passar de 21% para a faixa compreendida entre 16% e 8%, a queima tornar-se-á mais lenta, surgirão brasas e não mais chamas. Quando o oxigênio contido no ar do ambiente atingir concentrações menores de 8% é muito provável que a combustão deixe de existir.

Investigações mais recentes mostram que à medida que aumenta a temperatura de um incêndio confinado, menores concentrações de oxigênio são exigidas para que siga existindo a combustão com chama.

Quando as concentrações de oxigênio ultrapassam os 21%, dizemos que a atmosfera está enriquecida com oxigênio. Nessas condições, os materiais que arderiam nos níveis normais de oxigênio (O2), se queimam muito mais rapidamente e podem igualmente se incendiar mais facilmente. Os bombeiros devem ficar atentos e lembrar que muitos materiais que não queimam nos níveis normais de oxigênio poderão queimar com rapidez em atmosferas enriquecidas com oxigênio. Um desses materiais é o conhecido Nomex (material resistente ao fogo que é utilizado na fabricação de roupas de aproximação e combate ao fogo para bombeiros) que em ambientes normais não se inflama, no entanto, arde rapidamente em atmosferas com concentrações de 31% de oxigênio. Essas situações podem ocorrer em indústrias químicas, ambientes hospitalares e até, em domicílios particulares cujos inquilinos utilizem equipamentos portáteis para oxigenioterapia.


3.3 CONSIDERAÇÕES SOBRE O CALOR
O calor é o componente energético do tetraedro do fogo. O calor é uma forma de energia que eleva a temperatura e é gerado através da transformação de outra energia, através de processos físicos ou químicos.

O calor pode ser descrito como uma condição da matéria em movimento, isto é, movimentação ou vibração das moléculas que compõem a matéria. As moléculas estão constantemente em movimento. Quando um corpo é aquecido, a velocidade das moléculas aumenta e o calor também aumenta.

O calor ou energia calorífica é gerado pela transformação de outras formas de energia.

Por exemplo: energia química (a quantidade de calor gerado pelo processo de combustão), energia elétrica (o calor gerado pela passagem de eletricidade através de um condutor, como um fio elétrico ou um aparelho eletrodoméstico), energia mecânica (o calor gerado pelo atrito de dois corpos) ou ainda, energia nuclear (o calor gerado pela fissão ou fusão de átomos).

Alguns efeitos físicos e químicos do calor são: a elevação da temperatura, o aumento de volume do corpo aquecido, mudanças no estados físicos da matéria ou mudanças no estado químico da matéria.

O calor também produz efeitos fisiológicos, ou seja, o calor é a causa direta de queimaduras e outras danos pessoais, tais como: desidratação, insolação, fadiga, lesões no aparelho respiratório e em casos mais graves a morte.


3.4 CONSIDERAÇÕES SOBRE A REAÇÃO QUÍMICA EM CADEIA
Sabemos que a combustão é uma reação química que se processa rapidamente e, em cadeia.

A cadeia de reações, formada durante a combustão, propicia a formação de produtos intermediários instáveis, principalmente radicais livres (oxigênio - O, carbono - C, hidrogênio -H e hidroxila - OH), prontos a se combinarem com outros elementos, dando origem a novos radicais ou, finalmente, a corpos estáveis. Conseqüentemente, sempre teremos a presença de radicais livres em uma combustão. A estes radicais livres cabe a responsabilidade de transferir a energia necessária para a transformação da energia química em energia calorífica, decompondo as moléculas ainda intactas e, desta vez, provocando a propagação do fogo numa verdadeira cadeia de reação. Portanto, a reação em cadeia torna a queima auto-sustentável.

De forma simples, o calor irradiado das chamas atinge o combustível e este é decomposto em partículas menores, que se combinam com o oxigênio e queimam, irradiando outra vez calor para o combustível, formando um ciclo constante. A reação química em cadeia e a propagação relativamente rápida são os fatores que distinguem o fogo das reações de oxidação mais lentas. As reações de oxidação lentas não produzem calor suficientemente rápido para chegar a uma ignição e nunca geram calor suficiente para uma reação em cadeia.

A ferrugem em metais e o amarelado em papéis velhos são alguns exemplos de oxidação lenta.




4. OS PRINCIPAIS PRODUTOS DA COMBUSTÃO
Os principais produtos da combustão são os gases da combustão, as chamas propriamente ditas, o calor irradiado e as fumaças visíveis.

Contrariamente a opinião popular, o maior risco à vida devido aos incêndios, não se constitui nem das chamas, nem do calor, senão da inalação de fumaça e gases aquecidos e tóxicos, assim como a deficiência de oxigênio.

A seguir, estudaremos separadamente cada um destes produtos.
4.1 OS GASES DA COMBUSTÃO
Os gases da combustão podem ser conceituados como aquelas substâncias gasosas que surgem durante o incêndio e permanecem mesmo após os produtos da combustão serem resfriados até alcançarem temperaturas normais. A quantidade e os tipos de gases da combustão presentes durante e depois de um incêndio varia fundamentalmente com a composição química do material da combustão, com a quantidade de oxigênio disponível e também com a temperatura do incêndio.

Os efeitos da fumaça e dos gases tóxicos sobre as pessoas dependem do tempo de exposição, da concentração dos gases na atmosfera e também, em grande parte, das condições físicas e resistência dos indivíduos expostos.

As fumaças geradas em incêndios contém gases narcóticos (asfixiantes) e irritantes. Os gases narcóticos ou asfixiantes são aqueles que causam a depressão do sistema nervoso central, produzindo desorientação, intoxicação, perda da consciência e até morte. Os gases narcóticos mais comuns são o monóxido de carbono (CO), o cianeto de nitrogênio (HCN) e o dióxido de carbono (CO2).

A redução dos níveis de oxigênio como resultado de um incêndio também provocará efeitos narcóticos nos humanos. Os agentes irritantes são substâncias que causam lesões na respiração (irritantes pulmonares), além de inflamação nos olhos, vias aéreas superiores, e pele (irritantes sensoriais).

Dos principais gases presentes nos incêndios destacamos como mais letais o monóxido de carbono, o dióxido de carbono, o ácido cianídrico, o cloreto de hidrogênio e a acroleína, no entanto, não podemos esquecer que a falta de oxigênio também pode ser fatal. Ainda que o monóxido de carbono não seja o produto da combustão mais tóxico é certamente o que é gerado em maior proporção. Se a combustão se produz com grande aporte de oxigênio, o carbono existente na maioria dos combustíveis orgânicos se combinará para produzir dióxido de carbono (CO2). Mas na maioria dos casos, os incêndios se desenvolvem sob condições nas quais as quantidades de ar são insuficientes para completar a combustão, o que conseqüentemente acaba gerando a produção de monóxido de carbono (CO).

A toxicidade do CO deve-se fundamentalmente a sua tendência a combinar-se com a hemoglobina do sangue, o que gerará uma diminuição no abastecimento de oxigênio dos tecidos humanos (hipóxia). Não existe um percentual de saturação mínimo de carboxihemoglobina (COHb) associado com a morte, mas se sabe que uma saturação superior a 30% seria potencialmente perigosa a qualquer indivíduo e um percentual perto dos 50% seria praticamente mortal.

Para que um bombeiro possa determinar níveis de concentração perigosos recomendamos o uso da seguinte regra de cálculo: qualquer exposição ao CO na qual o produto da concentração (expresso em ppm) pelo tempo (expresso em minutos) exceda a cifra de 35.000 ppm será provavelmente perigosa e causará incapacidade a maioria dos indivíduos a ela exposta.

Outro efeito perigoso do processo da combustão é a diminuição dos níveis de oxigênio. A concentração normal de oxigênio (O2) no ar é de aproximadamente 21%, se esta concentração diminui abaixo de 17% se produz anóxia (com diminuição do controle muscular). Se o O2 desce a níveis entre 14 e 10% as pessoas podem manter a consciência, mas perdem orientação e tendem a ficar muito cansados. Concentrações entre 10 e 6% produzem desmaios e até a morte, caso a vítima não seja transferida para um ambiente com atmosfera normal e receba tratamento com oxigênio medicinal suplementar.




4.2 AS CHAMAS
A combustão dos materiais no ar quase sempre estará acompanhada de chamas visíveis. O contato direto com as chamas, assim como a irradiação direta do calor das mesmas pode produzir graves queimaduras. As queimaduras se classificam em diferentes graus. As queimaduras de primeiro grau afetam a parte mais externa da pele, são muito dolorosas, mas não tão graves como as de segundo e terceiro grau. As queimaduras de segundo grau são aquelas que penetram mais profundamente na pele, formam bolhas e acumulam quantidades de líquidos debaixo das mesmas. As queimaduras de terceiro grau são as que mais penetram e, portanto as mais perigosas, no entanto, não são inicialmente tão dolorosas como as de primeiro e segundo graus, já que as terminações nervosas acabaram destruídas e, portanto desativadas.

Qualquer queimadura é importante, pois além da profundidade, elas também devem ser avaliadas pela extensão da área atingida e quanto maior for a superfície corporal atingida, pior a situação da vítima. Os danos produzidos pelas queimaduras são dolorosos, duradouros, difíceis de tratar e muito penosos para os vitimados.


4.3 O CALOR IRRADIADO
O calor produzido pelos incêndios afetam diretamente as pessoas expostas em função da distância e das temperaturas alcançadas e poderá produzir desde pequenas queimaduras até a morte. A exposição ao ar aquecido aumenta o ritmo cardíaco, provoca desidratação, esgotamento, bloqueio do trato respiratório e queimaduras. Pessoas expostas a ambientes com excesso de calor podem morrer se este ar quente entrar nos pulmões. A pressão sanguínea diminuirá, a circulação do sangue ficará debilitada e a temperatura do corpo aumentará até danificar centros nervosos do cérebro. Os bombeiros não devem entrar em ambientes com atmosferas que excedam os 50 graus Celsius sem roupas de proteção e conjuntos de proteção respiratória. O máximo nível de calor suportável num incêndio (considerando uma atmosfera seca durante um curto período de exposição) é estimado em 150 graus Celsius. Qualquer umidade no ar aumentará notadamente esse perigo e reduzirá drasticamente o tempo de sobrevivência.
4.4 FUMAÇAS VISÍVEIS
As fumaças são constituídas por partículas sólidas e líquidas transportadas pelo ar e por gases desprendidos dos materiais que queimam. Normalmente, são condições de insuficiência de oxigênio para uma combustão completa, madeira, papel, gasolina e outros combustíveis comuns desprendem minúsculas partículas pretas de carbono chamadas de fuligem ou pó de carvão que são visíveis na fumaça e se acomodam sob superfícies por deposição. A fumaça, incluindo os gases venenosos invisíveis que a mesma contém, são a principal causa de mortes em incêndios, sendo responsáveis por cerca de 50 a 75% das mortes. A fumaça irrita os olhos e os pulmões e normalmente cria pânico. Outros gases da combustão, como o metano (CH4), formaldeído e ácido acético, podem ser gerados sob combustões incompletas, condensando-se sobre as partículas de fumaça e sendo transportadas até os pulmões com conseqüências fatais para as pessoas.
5. TRANSFERÊNCIA DO CALOR
O estudo da transferência do calor nos auxiliará a identificar as diferentes formas de propagação de um incêndio.

O calor pode propagar-se a partir de três diferentes formas:



  • Por condução, a qual ocorre principalmente nos sólidos;

  • Por convecção, em líquidos e gases e;

  • Por radiação, onde não há necessidade de um meio material para a propagação dessa energia.

Como tudo na natureza tende ao equilíbrio, o calor é transferido de objetos ou locais com temperatura mais alta para objetos ou pontos com temperatura mais baixa, ou seja, o ponto ou objeto mais frio absorverá calor até que esteja com a mesma quantidade de energia do outro.
5.1 CONDUÇÃO
Condução é a transferência de calor através de um corpo sólido de molécula a molécula. A principal característica da condução é a transferência de energia sem a simultânea transferência de matéria, ocorrendo, assim, predominantemente nos sólidos. Em outras palavras, o calor passa de molécula a molécula, mas nenhuma molécula é transportada com o calor.

Colocando-se, por exemplo, a extremidade de uma barra de ferro próxima a uma fonte de calor, as moléculas desta extremidade absorverão calor; elas vibrarão mais vigorosamente e se chocarão com as moléculas vizinhas, transferindo-lhes calor. Essas moléculas vizinhas, por sua vez, passarão adiante a energia calorífica, de modo que o calor será conduzido ao longo da barra para a extremidade fria. A rapidez com que o calor é conduzido de uma extremidade a outra da barra vai depender de fatores tais como: comprimento da barra, diferença de temperatura entre suas extremidades, espessura da mesma e do material do qual é feita. Existem materiais que são melhores condutores que outros, tendo uma maior condutibilidade térmica. De acordo com esta propriedade podemos classificá-los em materiais condutores e materiais isolantes.


Q
uando dois ou mais corpos estão em contato, o calor é conduzido através deles como se fosse um só corpo.

Exemplos: aquecimento de uma barra de metal, incêndio em floresta, etc.


5.2 CONVECÇÃO
É a transferência de calor que ocorre nos fluidos (gases e líquidos) através do movimento de massas de gases ou de líquidos dentro de si próprios.

Diferentemente da condução onde o calor é transmitido de átomo a átomo sucessivamente, na convecção a propagação do calor se dá através do movimento do fluido envolvendo o transporte de matéria.

A descrição e explicação desse processo é bem simples: quando uma certa massa de um fluido é aquecida suas moléculas passam a mover-se mais rapidamente, afastando-se uma das outras. Como o volume ocupado por essa massa fluida aumenta, a mesma torna-se menos densa. A tendência dessa massa menos densa no interior do fluido como um todo é sofrer um movimento de ascensão ocupando o lugar das massas do fluido que estão a uma temperatura inferior. A parte do fluido mais fria (mais densa) move-se para baixo tomando o lugar que antes era ocupado pela parte do fluido anteriormente aquecido.

Esse processo se repete inúmeras vezes enquanto o aquecimento é mantido dando origem as chamadas correntes de convecção. São as correntes de convecção que mantêm o fluido em circulação.

Quando a água é aquecida num recipiente de vidro, pode-se observar um movimento, dentro do próprio líquido, de baixo para cima. À medida que a água é aquecida, ela se expande e fica menos densa (mais leve) provocando um movimento para cima. Da mesma forma, o ar aquecido se expande e tende a subir para as partes mais altas do ambiente, enquanto o ar frio toma lugar nos níveis mais baixos.

Exemplo: Em incêndios de edifícios, essa é a principal forma de propagação de calor para andares superiores, quando os gases aquecidos encontram caminho através de escadas, poços de elevadores, etc.


5.3 RADIAÇÃO
A radiação térmica (também chamada de irradiação térmica) é a transmissão de energia através do espaço em forma de ondas eletromagnéticas (como ondas de luz visível, de raio X, ondas de rádio, microondas, radiação ultravioleta – UV, raios gama). Este processo de transmissão do calor não depende da presença de um meio material, podendo ocorrer através do vácuo. A energia solar, por exemplo, chega até nós dessa forma.

Essas formas de energia radiante estão classificadas por ordem de comprimento de onda (ou de frequência) constituindo o espectro eletromagnético. A transferência de calor por radiação geralmente envolve a faixa do espectro conhecida por infravermelho – IV. Qualquer objeto libera energia radiante. Objetos a uma maior temperatura liberam mais energia radiante que objetos a uma menor temperatura. As qualidades físicas de um objeto determinam a capacidade do mesmo absorver ou refletir radiação. Via de regra, superfícies rugosas e/ou opacas são bons absorventes de calor radiante, sendo portanto, facilmente aquecidos por radiação. Já as superfícies lisas e polidas são usualmente bons refletores de calor, de modo que não permanecem eficientemente aquecidas. Objetos que são bons absorvedores de calor, freqüentemente são bons emissores. Objetos que são bons refletores, freqüentemente são igualmente pobres emissores. Da mesma forma, objetos de cor escura absorvem melhor a energia radiante do que objetos de cor clara.

Todos os corpos emitem ondas eletromagnéticas de forma contínua, devido a agitação térmica de suas moléculas e todos os objetos quentes irradiam calor. A irradiação é portanto, a transmissão de calor por ondas de energia calorífica que se deslocam através do espaço. Considerando que estamos tratando de ondas eletromagnéticas, a energia viaja em linha reta e a velocidade da luz. É essa irradiação térmica que causa o início de muitos incêndios de exposição. Quando um incêndio cresce, irradia cada vez mais energia calorífica. As ondas de calor propagam-se em todas as direções e a intensidade com que os corpos são atingidos aumenta ou diminui à medida que estão mais próximos ou mais afastados da fonte de calor. Um corpo mais aquecido emite ondas de energia calorífica para um outro mais frio até que ambos tenham a mesma temperatura. Devemos estar atentos aos materiais ao redor de uma fonte que irradie calor para protegê-los, a fim de que não ocorram novos incêndios.

Exemplos: energia solar, incêndio em casas muito próximas, etc.


5.4 CONDUTORES E ISOLANTES TÉRMICOS
O que determina se um material será bom ou mau condutor térmico são as ligações em sua estrutura atômica ou molecular.

Assim, os metais são excelentes condutores de calor devido ao fato de possuírem os elétrons mais externos ligados de forma mais fraca, tornando-se livres para transportar energia por meio de colisões através do metal.

Por outro lado, temos que materiais como a lã, a madeira, o vidro, o papel, o isopor e o gesso, que são maus condutores de calor (isolantes térmicos), pois, os elétrons mais externos de seus átomos estão firmemente ligados.

Os líquidos e gases, em geral, são maus condutores de calor. O ar, por exemplo, é um ótimo isolante térmico. É por este motivo que quando colocamos a mão no interior de um forno aquecido, não nos queimamos logo, entretanto, ao tocarmos numa forma de metal colocada dentro do forno, a queimadura é praticamente imediata, pois, a forma metálica conduz o calor mais rapidamente que o ar.

A neve é outro exemplo de um bom isolante térmico. Isto acontece porque os flocos de neve são formados por cristais, que se acumulam formando camadas fofas aprisionando o ar e dessa forma dificultando a transmissão do calor da superfície da Terra para a atmosfera.

Veja abaixo os valores de condutibilidade térmica de alguns materiais:




Material

Cobre

Alumínio

Água

Gelo

Ar (seco)

Condutibilidade (J/s.m.K)

428

235

6,3

2,3

0,026



6. PONTOS DE TEMPERATURA
Os combustíveis são transformados pelo calor e a partir desta transformação, é que se combinam com o oxigênio, resultando a combustão. Essa transformação desenvolve-se em temperaturas diferentes, à medida que o material vai sendo aquecido.

Com o aquecimento, chega-se a uma temperatura em que o material começa a liberar vapores, que se incendeiam caso houver uma fonte externa de calor. Neste ponto, chamado de Ponto de Fulgor, as chamas não se mantêm, devido à pequena quantidade de vapores, só produzem um flash, que logo se apaga.

Prosseguindo no aquecimento, atinge-se uma temperatura em que os gases desprendidos do material, ao entrarem em contato com uma fonte externa de calor, iniciam a combustão, e continuam a queimar sem o auxílio daquela fonte. Esse ponto é chamado de Ponto de Combustão.

Continuando o aquecimento, atinge-se um ponto no qual o combustível, exposto ao ar, entra em combustão sem que haja fonte externa de calor. Este é o chamado Ponto de Ignição.






Combate a Incêndio MP 01-





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