Curso de língua portuguesa módulo 4 leitura e produçÃo de textos


Formação da Literatura Brasileira



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Formação da Literatura Brasileira)

      44. Com relação a gostar e amar ou repelir, podemos depreender que



  1. gostar de, não pressupõe, no texto, nenhuma diferença quanto a amar.

  2. é possível gostar de Castro Alves ou Gonçalves Dias, mas não se pode apreciar o autor não nomeado.

  3. amor ou repulsa implicam envolvimento mais afetivo que racional.

  4. se gosta de Castro Alves ou Gonçalves Dias porque são superiores ao autor em questão.

  5. se ama ou se repele ao autor não citado por ele ser inferior aos dois citados.

      45. Assinale a expressão que melhor denota o juízo pejorativo de Antônio Cândido acerca de boa parte da poesia do autor não nomeado:

      a) "a ele só nos é dado (...) repelir" d) "versalhada"

      b) "sentiu e concebeu demais" e) "o que resta"

      c) "escreveu em tumulto"
      46. Com respeito ao senso crítico de que fala o texto, pode-se dizer que


  1. o poeta não citado não possuía o menos senso crítico, a julgar pelas suas poesias.

  2. Castro Alves possuía pouco senso crítico.

  3. o poeta não nomeado não exercia na realização de suas poesias o senso crítico manifesto fora delas.

  4. entre Gonçalves Dias, Castro Alves e o autor subentendido, o que possuiria maior senso crítico é este último.

  5. dos três poetas referidos é Gonçalves Dias quem possui o senso crítico mais vivo.

      (TFC) Leia o trecho reproduzido abaixo para responder às questões 47 a 49:

      Com franqueza, estava arrependido de ter vindo. Agora que ficava preso, ardia por andar lá fora, e recapitulava o campo e o morro, pensava nos outros meninos vadios, o Chico Telha, o Américo, o Carlos das Escadinhas, a fina flor do bairro e do gênero humano. Para cúmulo de desespero, vi através das vidraças da escola, no claro azul do céu, por cima do morro do Livramento, um papagaio de papel, alto e largo, preso de uma corda imensa, que bojava no ar, uma cousa soberba. E eu na escola, sentado, pernas unidas, com o livro de leitura e a gramática nos joelhos.

      - Fui um bobo em vir, disse eu ao Raimundo.

      - Não diga isso, murmurou ele.

      ("Conto de escola". Machado de Assis In: Contos, São Paulo, Ática, 1992, 9ª ed., p. 25-30)

      47. Indique o segmento que completa, de acordo com o texto, o enunciado formulado a seguir: No trecho transcrito, o narrador-personagem é um menino que relata



  1. as dificuldades que experimenta nas aulas de leitura e gramática.

  2. o desespero por não possuir um papagaio de papel tão soberbo como aquele que via no céu.

  3. os temores de ficar de castigo, sentado, os livros no joelho.

  4. o arrependimento por não ter acompanhado Raimundo nas estripulias com os meninos do morro.

  5. suas emoções em um dia de escola.

      48. Indique o segmento que completa, de acordo com o texto, o enunciado formulado a seguir: O menino se confessava "arrependido de ter vindo" porque

  1. os outros meninos vadios passariam a chamá-lo de bobo.

  2. não gostava que os outros meninos empinassem seu papagaio de papel.

  3. preferia ter ficado com os outros meninos, a brincar na rua.

  4. tivera de cumprir a promessa de que viria, feita a Raimundo.

  5. sentia dor nas pernas, ao ficar muito tempo sentado, com os livros nos joelhos.

      49. Indique a letra que não apresenta uma relação semântica correta entre os termos emparelhados.

      a) menino-narrador - arrependimento de ter vindo

      b) menino-narrador - preso de uma corda imensa

      c) papagaio de papel - uma cousa soberba

      d) papagaio de papel - bojava no ar

      e) papagaio de papel - alto e largo


      50. (TFC) Abaixo você tem cinco frases que formam o parágrafo inicial de um texto. Ordene-as de maneira a obter um parágrafo coeso e coerente.

  1. Assim também, se você decidir chamar a rosa por um outro nome, ainda assim ela continuará sendo uma rosa.

  2. Quem quiser dizer o contrário que o faça.

  3. Em resumo, o nosso país é o que é.

  4. Isso em nada mudará essa realidade.

  5. O Brasil é um país de Terceiro Mundo.

      a) 1, 2, 3, 4, 5 d) 5, 2, 4, 1, 3

      b) 3, 5, 1, 4, 2 e) 2, 4, 3, 5, 1

      c) 4, 5, 1, 2, 3

      (FUVEST) Texto para as questões 51 a 54.

      Fantasmas primitivos e superstições cibernéticas

      O Brasil é um país de contrastes. Enquanto diplomatas do Itamaraty pretendiam explicar aos americanos do Departamento de Estado como funciona a reserva de mercado para fabricantes brasileiros de equipamentos de informática, políticos ilustres - entre os quais um governador, um ministro de Estado, um prefeito e dois candidatos ao governo de um grande Estado da Federação - reuniram-se num ato público impressionante: o enterro da Mãe Menininha do Gantois.

      Mãe Menininha do Gantois era a mais famosa sacerdotisa de cultos espíritas de origem africana, no Brasil. Sua morte foi pranteada por compositores de rock, romancistas cotados para o Prêmio Nobel, artistas plásticos respeitados, cantores de música popular, boêmios notórios e notáveis do poder das repúblicas Nova e Velha. Seu enterro parou a vida de uma das maiores cidades do Pais, Salvador, capital da Bahia, ao som dos atabaques e sob os olhares comovidos de milhares de pessoas que se enfileiraram nas calçadas das ruas do centro da cidade, por onde o cortejo passou.

      Diante do cortejo imenso e da importância política que presenças ilustres deram ao ato, resta-nos raciocinar sobre o imenso esforço de educação que é necessário para que o Brasil se transforme numa nação moderna, em condições de competir com os maiores países do mundo. A importância exagerada dada a uma sacerdotisa de cultos afro-brasileiros é a evidência mais chocante de que não basta ao Brasil ser catalogado como a oitava maior economia do mundo, se o País ainda está preso a hábitos culturais arraigadamente tribais. Na era do chip, no tempo da desenfreada competição tecnológica, no momento em que a tecnologia desenvolvida pelo homem torna a competição de mercados uma guerra sem quartel pelas inteligências mais argutas e pelas competências mais especializadas, o Brasil, infelizmente, exibe a face tosca de limitações inatas, muito dificilmente corrigíveis por processos normais de educação a curto prazo. Enquanto o mundo lá fora desperta para o futuro, continuamos aqui presos a conceitos culturais que datam de antes da existência da civilização. (O Estado de São Paulo - 17/08/86)

      51. De acordo com o texto


  1. a reserva de mercado de equipamentos de informática pertence a políticos ilustres.

  2. o ato público impressionou os políticos ilustres.

  3. Mãe Menininha do Gantois era uma política ilustre.

  4. o Itamaraty explicou que o Brasil é um país de contrastes.

  5. o enterro de Mãe Menininha do Gantois foi um ato público.

      52. Segundo o texto

      a) reserva de mercado é bom para políticos ilustres.

      b) Mãe Menininha do Gantois era africana.

      c) alguns romancistas foram cortados do Prêmio Nobel.

      d) milhares de pessoas assistiram ao enterro.

      e) Salvador é a maior cidade do País.
      53. Conforme o texto


  1. presenças ilustres deram importância política ao enterro.

  2. a guerra pelo mercado se desenvolve nos quartéis.

  3. os hábitos culturais do Brasil fazem dele a oitava maior economia do mundo.

  4. com a informática, os processos de educação serão corrigidos a curto prazo.

  5. para que o Brasil se transforme em nação moderna, precisa competir com os maiores países do mundo.

      54. Pelo texto, o Brasil "está preso a hábitos culturais arraigadamente tribais", porque



  1. ainda faz reserva de mercado para fabricantes brasileiros de equipamentos de informática.

  2. seus políticos vão a funerais de todas as figuras públicas do País.

  3. continuamos presos a valores culturais anteriores à civilização.

  4. os diplomatas insistem em explicar aos americanos o funcionamento da reserva de mercado de equipamentos de informática.

  5. os políticos tiram proveito das cerimônias fúnebres.

      (FUVEST) Texto para as questões 55 a 58.

      "Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo: a diferença radical entre este livro e o Pentateuco."

      (Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)

      55. O autor afirma que



  1. vai começar suas memórias pela narração de seu nascimento.

  2. vai adotar uma sequência narrativa vulgar.

  3. o que o levou a escrever suas memórias foram duas considerações sobre a vida e a morte.

  4. vai começar suas memórias pela narração de sua morte.

  5. vai adotar a mesma sequência narrativa utilizada por Moisés.

      56. Definindo-se como um "defunto autor", o narrador

      a) pôde descrever sua própria morte.

      b) escreveu suas memórias antes de morrer.

      c) obteve em vida o reconhecimento de sua obra.

      d) ressuscitou na sua obra após sua morte.

      e) descreveu a morte após o nascimento.
      57. Segundo o narrador, Moisés, contou sua morte no

      a) promontório. d) introito.

      b) meio do livro. e) começo da missa.

      c) fim do livro.


      58. O tom predominante no texto é de

      a) luto e tristeza. d) mágoa e hesitação.

      b) humor e ironia. e) surpresa e nostalgia.

      c) pessimismo e resignação.

      (FUVEST) Texto para as questões 59 a 62.

      "Na última laje de cimento armado, os trabalhadores cantavam a nostalgia da terra ressecada.

      De um lado era a cidade grande: de outro, o mar sem jangadas.

      O mensageiro subiu e gritou:

      - Verdejou, pessoal!

      Num átimo, os trabalhadores largaram-se das redes, desceram em debandada, acertaram as contas e partiram.

      Parada a obra.

      Ao dia seguinte, o vigia solitário recolocou a tabuleta: "Precisa-se de operários", enquanto o construtor, de braços cruzados, amaldiçoava a chuva que devia estar caindo no Nordeste." (Aníbal Machado, Cadernos de João)

      59. "... os trabalhadores cantavam ...", porque

      a) trabalhavam na cidade grande.

      b) estavam alegres por terminar a última laje.

      c) contemplavam o mar sem jangadas.

      d) estavam saudosos da terra natal.

      e) iriam acertar as contas e partir.


      60. Por que é que o pessoal desceu em debandada quando o mensageiro gritou " - Verdejou, pessoal!"?:

      a) O mensageiro deu um sinal de perigo.

      b) Havia chegado o dinheiro do pagamento.

      c) O pessoal entendeu que tinha chovido.

      d) Foram lançar as redes de pesca.

      e) Ia começar a festa da cobertura.


      61. O construtor "amaldiçoava a chuva" porque

      a) ela impedia a saída das jangadas para o mar.

      b) chovia no Nordeste e não no local da construção.

      c) a chuva fizera o construtor perder os trabalhadores.

      d) não seria possível tocar a obra debaixo de chuva.

      e) num átimo, os trabalhadores largaram-se das redes.


      62. Indique a alternativa em que todas as palavras ou expressões se referem a um mesmo tema presente no texto.

      a) cimento armado, nostalgia, trabalhadores

      b) terra ressecada, cimento armado, construtor

      c) mar sem jangadas, vigia solitário, construtor

      d) cantavam, construtor, operários

      e) chuva, terra ressecada, verdejou

      (FUVEST) Texto para as questões 63 e 64.

      - Primo Argemiro!

      E, com imenso trabalho, ele gira no assento, conseguindo pôr-se de banda, meio assim.

      Primo Argemiro pode mais: transporta uma perna e se escancha no cocho.

      - Que é, Primo Ribeiro?

      - Lhe pedir uma coisa... Você faz?

      - Vai dizendo, Primo.

      - Pois então, olha: quando for a minha hora, você não deixe me levarem p’ra o arraial... Quero ir mas é para o cemitério do povoado... Está desdeixado, mas ainda é chão de Deus... Você chama o padre, bem em-antes... E aquelas coisinhas que estão numa capanga bordada, enroladas em papel-de-venda e tudo passado com cadarço, no fundo da canastra... se rato não roeu... você enterra junto comigo... Agora eu não quero mexer lá... Depois tem tempo... Você promete?...

      - Deus me livre e guarde, Primo Ribeiro... O senhor ainda vai durar mais do que eu.

      - Eu só quero saber é se você promete...

      - Pois então, se tiver de ser desse jeito de que Deus não há-de querer, eu prometo.

      - Deus lhe ajude, Primo Argemiro.

      E Primo Ribeiro desvira o corpo e curva ainda mais a cara.

      Quem sabe se ele não vai morrer mesmo? Primo Argemiro tem medo do silêncio.

      - Primo Argemiro, o senhor gosta d’aqui?...

      - Que pergunta! Tanto faz... É bom, p’ra se acabar mais ligeiro... O doutor deu prazo de um ano... Você lembra?

      - Lembro! Doutor apessoado, engraçado... Vivia atrás dos mosquitos, conhecia as raças lá deles, de olhos fechados, só pela toada da cantiga... Disse que não era das frutas e nem da água... Que era o mosquito que punha um bichinho amaldiçoado no sangue da gente... Ninguém não acreditou... Nem o arraial. Eu estive lá, com ele...

      - Primo Argemiro, o que adianta...

      - ... E então ele ficou bravo, pois não foi? Comeu goiaba, comeu melancia da beira do rio, bebeu água do Pará, e não teve nada...

      - Primo Argemiro...

      - ... Depois dormiu sem cortinado, com janela aberta... Apanhou a intermitente; mas o povo ficou acreditando..

      - Escuta! Primo Argemiro... Você está falando de-carreira, só para não me deixar falar!

      - Mas, então, não fala em morte, Primo Ribeiro!... Eu, por nada que não queria ver o senhor se ir primeiro do que eu...

      - P’ra ver!... Esta carcaça bem que está agüentando... Mas, agora, já estou vendo o meu descanso, que está chega-não-chega, na horinha de chegar...

      - Não fala isso, Primo!... Olha aqui: não foi pena ele ter ido s’embora? Eu tinha fé em que acabava com a doença...

      - Melhor ter ido mesmo... Tudo tem de chegar e de ir s’embora outra vez... Agora é a minha cova que está me chamando... Aí é que eu quero ver! Nenhumas ruindades deste mundo não têm poder de segurar a gente p’ra sempre, Primo Argemiro...

      - Escutas, Primo Ribeiro: se alembra de quando o doutor deu a despedida p’ra o povo do povoado? Foi de manhã cedo, assim como agora... O pessoal estava todo sentado nas portas das casas, batendo queixo. Ele ajuntou a gente... Estava muito triste... Falou: - "Não adianta tomar remédio, porque o mosquito torna a picar... Todos têm de se mudar daqui... Mas andem depressa, pelo amor de Deus!"... - Foi no tempo da eleição de seu Major Vilhena... Tiroteio com três mortes...

      64. "Disse que não era das frutas e nem da água... Que era o mosquito que punha um bichinho amaldiçoado no sangue da gente..." "O pessoal estava todo sentado nas portas das casas, batendo o queixo." Estas duas passagens apresentam a causa e os sintomas da doença nomeada: "Apanhou a intermitente". Qual das alternativas identifica a doença?

      a) febre amarela d) esquistossomose

      b) maleita e) doença de Chagas

      c) tifo

      (FUVEST) Texto para as questões 65 a 70:

      A FLAUTA E O SABIÁ

      Em rico estojo de veludo, pousado sobre uma mesa de charão, jazia uma flauta de prata. Justamente por cima da mesa, em riquíssima gaiola suspensa ao teto, morava um sabiá. Estando a sala em silêncio, e descendo um raio de sol sobre a gaiola, eis que o sabiá, contente, modula uma ária.

      Logo a flauta escarninha põe-se a casquinar no estojo como a zombar do módulo cantor silvestre.

      - De que te ris? indaga o pássaro.

      E a flauta em resposta:

      - Ora esta! pois tens coragem de lançar guinchos diante de mim?

      - E tu quem és? ainda que mal pergunte.

      - Quem sou? Bem se vê que és um selvagem. Sou a flauta. Meu inventor, Mársias, lutou com Apolo e venceu-o. Por isso o deus despeitado o imolou. Lê os clássicos.

      - Muito prazer em conhecer... Eu sou um mísero sabiá da mata, pobre de mim! fui criado por Deus muito antes das invenções. Mas deixemos o que lá foi. Dize-me: que fazes tu?

      - Eu canto.

      - O ofício rende pouco. Eu que o diga que não faço outra coisa. Deixarei, todavia, de cantar - e antes nunca houvesse aberto o bico porque, talvez, sendo mudo, não me houvessem escravizado - se, ouvindo a tua voz, convencer-me de que és superior a mim. Canta! Que eu aprecie o teu gorjeio e farei como for de justiça.

      - Que eu cante?!...

      - Pois não te parece justo o meu pedido?

      - Eu canto para regalo dos reis nos paços; a minha voz acompanha hinos sagrados nas igrejas. O meu canto é a harmoniosa inspiração dos gênios ou a rapsódia sentimental do povo.

      - Pois venha de lá esse primor. Aqui estou para ouvir-te e para proclamar-te, sem inveja, a rainha do canto.

      - Isso agora não é possível.

      - Não é possível! por quê?

      - Não está cá o artista.

      - Que artista?

      - O meu senhor, de cujos lábios sai o sopro que transformo em melodia. Sem ele nada posso fazer.

      - Ah! é assim?

      - Pois como há de ser?

      - Então, minha amiga - modéstia à parte - vivam os sabiás! Vivam os sábias e todos os pássaros dos bosques, que cantam quando lhes apraz, tirando do próprio peito o alento com que fazem a melodia. Assim da tua vanglória há muitos que se ufanam. Nada valem se os não socorre o favor de alguém; não se movem se os não amparam; não cantam se lhes não dão sopro; não sobem se os não empurram. O sabiá voa e canta - vai à altura porque tem asas, gorjeia porque tem voz. E sucede sempre serem os que vivem do prestígio alheio, os que mais alegam triunfos. Flautas, flautas... cantam nos paços e nas catedrais... pois venha daí um dueto comigo.

      E, ironicamente, a toda a voz, pôs-se a cantar o sabiá, e a flauta de prata, no estojo de veludo... moita.

      Faltava-lhe o sopro.

      (Coelho Neto)

      65. Do texto, pode-se inferir que a cena começa


  1. num recinto em silêncio.

  2. ao ar livre, numa varanda iluminada pelo sol.

  3. no paço real, com um festa oferecida pelos cortesãos para regalar o monarca.

  4. no adro de uma igreja, ao som dos hinos sagrados.

  5. na prateleira de uma das salas ensolaradas de uma ruidosa loja de instrumentos musicais.

      66. Dentre as seguintes expressões proverbiais, indique aquela que melhor se aplica ao texto "A flauta e o sabiá".

      a) Gato escaldado tem medo de água fria.

      b) Não se deve fazer continência com o chapéu alheio.

      c) Patrão fora, feriado na loja.

      d) Mais vale um pássaro na mão que dois voando.

      e) Santo de casa não faz milagre.


      67. Dentre as seguintes passagens do texto, assinale a que justifica o contentamento do sabiá.

  1. "... riquíssima gaiola suspensa ao teto...".

  2. "... sobre uma mesa de charão, jazia uma flauta... por cima da mesa... morava um sabiá...".

  3. "... descendo um raio de sol sobre a gaiola ...".

  4. "Estando a sala em silêncio...".

  5. "... o sabiá, contente, modula uma ária".

      68. No texto, a expressão o Deus refere-se a

      a) Apolo (o deus do sol). d) Deus (criador do sabiá).

      b) Mársias (o gênio da flauta). e) o Senhor da flauta.

      c) Orfeu (o deus da música).
      69. Com a frase Lê os clássicos, a flauta está sugerindo que o sabiá


  1. conheça os autores que foram contemplados com o Prêmio Nobel de literatura.

  2. desconhece os compositores de música clássica.

  3. deve ler os principais "best-sellers".

  4. ignora a cultura greco-latina.

  5. lê os clássicos brasileiros.

      70. O sabiá desafiou a flauta a cantar porque



  1. quem canta para reis devotos nas igrejas canta para qualquer pessoa.

  2. as flautas foram inventadas para cantar.

  3. cantar era uma arte própria da flauta.

  4. ele mesmo não conseguiria abrir o bico.

  5. a flauta havia menosprezado o talento dele.

      (FUVEST) Texto para as questões 71 a 78.

      Um dia desta semana, farto de vendavais, naufrágios, boatos, mentiras, polêmicas, farto de ver como se descompõem os homens, acionistas e diretores, importadores e industriais, farto de mim, de todos, de um tumulto sem vida, de um silêncio sem quietação, peguei de uma página de anúncios, e disse comigo:

      - Eia, passemos em revistas as procuras e ofertas, caixeiros desempregados, pianos, magnésias, sabonetes, oficiais de barbeiro, casas para alugar, amas-de-leite, cobradores, coqueluche, hipotecas, professores, tosses crônicas...

      E o meu espírito, estendendo e juntando as mãos e os braços, como fazem os nadadores, que caem do alto, mergulhou por uma coluna abaixo. Quando voltou à tona trazia entre os dedos esta pérola:

      "Uma viúva interessante, distinta, de boa família e independente de meios, deseja encontrar por esposo um homem de meia-idade, sério, instruído, e também com meios de vida, que esteja como ela, cansado de viver só, resposta por carta ao escritório desta folha, com as iniciais M.R. ... anunciando, a fim de ser procurada essa carta."

      Gentil viúva, eu não sou o homem que procuras, mas desejava ver-te, ou, quando menos, possuir o teu retrato, porque tu não és qualquer pessoa, tu vales alguma cousa mais que o comum das mulheres. Ai de quem está só! dizem as sagradas letras; mas não foi a religião que te inspirou esse anúncio. Nem motivo teológico, nem metafísico. Positivo também não, porque o positivismo é infenso às segundas núpcias. Que foi então, senão a triste, longa e aborrecida experiência? Não queres amar, estás cansada de viver só.

      E a cláusula de ser esposo outro aborrecido, farto de solidão, mostra que tu não queres enganar, nem sacrificar ninguém. Ficaram desde já excluídos os sonhadores, os que amem o ministério e procurem justamente esta ocasião de comprar um bilhete na loteria da vida. Que não pedes um diálogo de amor, é claro, desde que impões a cláusula da meia-idade, zona em que as paixões arrefecem, onde as flores vão perdendo a cor purpúrea e o viço eterno. Não há de ser um náufrago, à espera de uma tábua de salvação, pois que exiges que também, possua. E há de ser instruído, para encher com as cousas do espírito as longas noites do coração, e contar (sem as mãos presas) a tomada de Constantinopla.

      Viúva dos meus pecados, quem és tu que sabes tanto? O teu anúncio lembra a carta de certo capitão da guarda de Nero. Rico, interessante, aborrecido, como tu, escreveu um dia ao grave Sêneca, perguntando-lhe como se havia de curar do tédio que sentia, e explicava-se por figura: "Não é a tempestade que me aflige, é o enjôo do mar." Viúva minha, o que tu queres realmente, não é um marido, é um remédio contra o enjôo. Vês que a travessia ainda é longa, - porque a tua idade está dentre trinta e dous e trinta e oito anos, - o mar é agitado, o navio joga muito; precisas de um preparado para matar esse mal cruel e indefinível. Não te contenta com o remédio de Sêneca, que era justamente a solidão, "a vida retirada, em que a lama acha todo o seu sossego". Tu já provaste esse preparado; não te fez nada. Tentas outro; mas queres menos um companheiro que uma companhia.

      (Machado de Assis,




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