Curso de língua portuguesa módulo 4 leitura e produçÃo de textos



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2.3.3. Tipos de dissertação
a. Dissertação objetiva
O que foi dito até agora aplica-se ao que convencionou-se chamar de dissertação técnica ou científica ou de dissertação objetiva, de caráter impessoal. Dependendo do tema da dissertação, pode predominar a intuição ou mesmo a sensibilidade do autor, configurando, assim, uma dissertação subjetiva. Como exemplo, podemos citar a crítica de arte (nos jornais temos diariamente críticas de cinema e de teatro).

b. Dissertação subjetiva
Texto dissertativo de caráter pessoal, subjetivo, escrito em primeira pessoa, em que o autor se posiciona diante do tema com colocações que são fruto da sensibilidade.
2.3.4. A produção de texto dissertativo
Ao produzir um texto é preciso que se pense sobre: tema, objetivo, argumentos e dados.
a.TEMA: é o assunto da minha redação (Sei alguma coisa sobre ele? Já li ou vi algo a respeito? Já conversei sobre esse assunto?)
b.OBJETIVO: é a meta da minha redação ( onde quero chegar com o meu texto? Quero concordar? Discordar? Denunciar? Questionar? Comparar? Opor? Enumerar? Interessante é

observar que a união entre dois ou mais objetivos se encaminha para uma meta maior: denunciar e questionar; concordar e enumerar; discordar e opor...)


c. ARGUMENTOS: é o conjunto de ideias que justificam o objetivo do meu texto ( Com base em que eu me posiciono de um modo ou de outro na redação?)
d. DADOS: é a exemplificação dos meus argumentos ( Os dados ilustram e sustentam mais ainda o objetivo da redação.)

2.3.5. Tipos de conclusão
a.Conclusão proposta: aponta soluções para o problema tratado, ou seja, procura saídas, medias que possam ser tomadas. Em suma, é uma conclusão que aponta para o futuro."Como se nota pela dimensão do problema, algumas medidas fazem-se urgentes: é necessário investir em projetos de recuperação dos rios, tal como se fez na Inglaterra com o rio Tamisa; por outro lado, devem-se desenvolver projetos que visem ao reaproveitamento dos esgotos. Ao lado, disso, devem-se fazer maciças campanhas educativas para a população. Finalmente, há necessidade de uma ampla fiscalização por parte das autoridades responsáveis."
b.Conclusão resumo: a forma mais comum de concluir o texto. Resumem-se os aspectos abordados no desenvolvimento e apresenta-se (ou reforça-se) a tese.
"Dessa maneira, observamos que o problema da poluição nos rios envolve uma série de variáveis que incluem a população, as indústrias e o Estado".
c.Conclusão surpresa: Possibilita uma maior liberdade de criação por parte quem escreve. Citações, pequenas histórias, um fato curioso, uma piada, um final poético, são conclusões inesperadas que surpreendem o leitor.
"Talvez um dia casos como o do garoto C.A.C.M., não ocorram mais. Cabe a todos nós lutar por isso."
3. Coesão e coerência textuais
3.1. Coesão textual

Seu texto deverá ser bem estruturado e coeso. Neste item será avaliada, portanto, sua capacidade de empregar adequadamente os recursos (vocabulares, sintáticos e semânticos) de que dispõe a Língua Portuguesa para relacionar termos ou segmentos na construção de um texto. Em outras palavras, você deverá demonstrar que sabe fazer uso adequado, por exemplo, dos pronomes e das conjunções. Deverá também demonstrar que sabe estabelecer relações semânticas adequadas entre as palavras.



A coesão não nos revela a significação do texto; revela-nos a construção do texto enquanto edifício semântico. (M. Halliday)
A metáfora acima é muito feliz: um texto bem estruturado lembra-nos um edifício sólido, bem arquitetado. Assim como as partes que compõem a estrutura de um edifício devem estar bem conectadas, bem “amarradas”, as várias partes de uma frase também devem se apresentar bem “amarradas”, conectadas para que o texto cumpra sua função primordial – veículo de interação entre o produtor do texto e seu leitor.
Coesão é essa “amarração”, entre as várias partes do texto, ou seja, é a união íntima entre as partes de um todo.
Os principais elementos de coesão são os conectivos, “vocábulos gramaticais, que estabelecem conexão entre palavras ou partes de uma frase”. É importante observar que a ausência de coesão não se deve apenas ao emprego equivocado de conectivos (preposições, pronomes, conjunções, advérbios). Apresentamos, a seguir, três ocorrências predominantes de ausência de coesão.
a. Ausência de coesão causada pelo uso semântico do conectivo:
Na foto que ganhei eu estava tão bonita, apesar de pensar o dia inteiro para descobrir quem teria sido o autor de tal carta.
Ao receber hoje alguns presentes no qual completo dezoito anos tenho algumas novidades a contar.
b. Falta de coesão pela ocorrência de contradições lógicas evidentes dentro do enunciado todo ou em partes desse enunciado:
Ganhei também um disco, mas este não me confundiu... Este disco é realmente o presente mais confuso que ganhei hoje no meu aniversário.
Eu não ganhei nenhum presente, só ganhei uma folha em branco, meu retrato de pôster e um disco dos Beatles.
c. Falta de coesão, de coerência devido à presença de impropriedades gerais de linguagem:
Quando estava na fase centro da adolescência, havia uma ânsia de dezoito anos completados.
Olhando para a janela pensei na reflexão desses dezoito anos que tinha se esvairado. Todo ano, na mesma data, uma festa e presentes que, como decorrer do tempo, iam evoluindo de grau até não mais existirem.
Geralmente, quanto à coesão, será avaliada sua capacidade de empregar adequadamente os recursos de que dispõe a Língua Portuguesa para relacionar termos ou segmentos na construção de um texto. Para relacionarmos termos, empregamos, principalmente, os pronomes e as preposições; para relacionarmos segmentos de texto, empregamos as conjunções e os pronomes relativos (que introduzem orações).
Os pronomes são palavras que têm sua carga significativa plena apenas quando os relacionamos a um substantivo (já citado anteriormente ou que ainda será citado). Isto significa que um pronome nunca tem autonomia e, por se relacionar a outro termo, torna-se peça fundamental na arquitetura, na “amarração” de um texto:
Meus amigos, meus irmãos, cortai os lábios da mulher morena

Eles são maduros e úmidos e inquietos (Vinícius de Moraes)

Vós, meus amigos e meus irmãos, que guardais os meus cantos.
No primeiro exemplo, o pronome eles retoma um termo anterior: os lábios (da mulher morena); no segundo exemplo, o pronome vós refere-se a um termo que ainda será citado: meus amigos e meus irmãos.
Por outro lado, os pronomes relativos, além de retomarem um termo antecedente, via de regra introduzem uma oração subordinada e desempenham função sintática nessa oração. O incorreto emprego de pronomes relativos (que, o qual, cujo) desestrutura por completo um texto.
As conjunções são responsáveis pela organização gramatical e de significado dos segmentos de texto, ou seja, de orações. Isto vale tanto para as orações coordenadas (ditas independentes) como para as orações subordinadas (que, por desempenharem uma função sintática em relação à oração principal, são chamadas orações dependentes). As conjunções, assim como as preposições, não desempenham função sintática, o que ressalta o seu papel de elementos conectores.


O valor expressivo da preposição
“ Toda gente conhece a diferença que há entre estes dois modos de dizer: ‘um copo de água’, ‘um copo com água’. Pelo primeiro, entendemos um copo que serve para beber água, pelo segundo um copo que tem água dentro. No ponto de vista estilístico, o de traduz uma ideia de referência um pouco complicada; o com exprime uma sensação visual direta: estamos vendo a água dentro do copo. Mais ainda: ‘um copo de água’ é uma espécie de grupo fraseológico em que há apenas uma unidade semântica; em ‘um copo com água’ sentimos que há duas unidades, porque distinguimos perfeitamente dois elementos – o copo e a água. Este fato tem aplicações na linguagem corrente e literária. Suponhamos esta frase: ‘O Alfredo estava lá, com as suas três filhas’. Se disséssemos: ‘O Alfredo e as suas três filhas ...’, o efeito não era o mesmo: pai e filha constituiriam um único quadro, um pouco desbotado. O com separa o grupo em dois quadros e faz jorrar luz sobre eles. A pausa, indicada pela vírgula, ajuda os olhos a fazerem a separação e a verem melhor.” (M. Rodrigues Lapa. Estilística da Língua Portuguesa)

Na subordinação, não há paralelismo mas desigualdade de funções e de valores sintáticos. É um processo de hierarquização, em que o enlace entre as orações é muito mais estreito do que na coordenação. Nesta, as orações se dizem sintática, mas nem sempre semanticamente, independentes; naquela, as orações são sempre dependentes de outra, quer quanto ao sentido quer quanto ao tratamento sintático. (Othon Garcia)


Pensemos no papel de alguns conectivos presentes no texto acima. Os pronomes demonstrativos nesta e naquela são responsáveis por uma “amarração” fundamental ao retomarem os termos coordenação e subordinação, respectivamente. No primeiro período temos uma conjunção adversativa que estabelece a seguinte relação: “Na subordinação, não há paralelismo, mas desigualdade...”. No segundo período, temos uma sequência de relações: processo de hierarquização refere-se à subordinação e é retomado pelo pronome relativo regido de preposição – “em que o enlace ...” (ou seja, nesse processo o enlace...).
Finalmente, há uma comparação entre esse processo (subordinação) e a coordenação (o enlace entre as orações é mais estreito num do que no outro). Como se percebe, o texto torna-se claro, coeso e coerente porque está bem estruturado, os termos e as orações estão bem relacionados.
3.1.1. Coesão sequencial
É a coesão normalmente feita por conjunções, ligando temos, orações ou períodos, estabelecendo entre eles uma relação de sentido. Quando uma oração é introduzida pela conjunção TODAVIA, já de sabe que o fragmento está em oposição a algo citado anteriormente. Ao observar a presença de ENQUANTO, já se imagina que dois fatos estão acontecendo simultaneamente. A ocorrência do conector PORQUE sugere que a ideia introduzida indicará uma causa para um fato anteriormente relatado. Já o conector ENTÂO indica que a oração em que ocorre é uma conclusão para algo citado anteriormente.
Ex.: Chovia muito, todavia fui à praia.

Enquanto eu falava, ela dormia.

Voltei cedo para casa, porque estava cansado.

Ele não chegou, então deve estar parado no trânsito.



3.1.2. Coesão referencial
É a conexão feita através de termos (normalmente os pronomes) que fazem referência a elementos anteriormente citados no texto.
Ex.: Lula, Pelé e Xuxa são extremamente famosos. Esse foi o principal jogador de futebol de todos os tempos, aquele é o atual Presidente do Brasil e esta, apresentadora de programas infantis.
Observe que os pronomes demonstrativos ESSE (referente a Pelé), AQUELE (a Lula) e ESTA (a Xuxa) ligam o segundo período ao anterior.

3.2. Coerência textual

Na avaliação da coerência de sua redação, será levado em conta o tipo de texto. Por exemplo, em um texto dissertativo, avaliar-se-á a sua capacidade de relacionar argumentos e de organizá-los de forma a deles extrais conclusões apropriadas; em um texto narrativo, avaliar-se-á a sua capacidade de construir personagens e de relacionar, de forma verossímil, ações e motivações.


Pela manhã recebi uma carta repleta de conselhos. Era uma carta em branco e não liguei para os conselhos já que conselhos não interessam para mim pois sei cuidar de minha vida. (Fraga Rocco)


Se pensarmos apenas na estrutura gramatical, o texto apresenta-se coeso. O problema situa-se no campo das contradições lógicas, o que aproxima a coesão da coerência. Afinal, como uma carta em branco pode estar repleta de conselhos? O falante diz que não ligou para os conselhos; quais, se a carta estava em branco?
Em um texto com uma boa estrutura consideram-se, conjuntamente, os aspectos de coesão lingüística (nas frases, períodos e parágrafos) e da coerência das ideias. Maior ou menor coerência reflete a capacidade do escritor de relacionar os argumentos e de organizá-los de forma a deles extrair conclusões apropriadas. Devem ser considerados aspectos negativos a presença de contradições entre frases ou parágrafos, a falta de encadeamento argumentativo, a circularidade ou quebra de progressão discursiva e a falta de conclusão ou, pior ainda, conclusões não decorrentes do que foi exposto previamente.
Às vezes, a ausência de conectivos não implica, necessariamente, a falta de coesão e de coerência.
(...) a coerência está diretamente ligada à possibilidade de se estabelecer um sentido para o texto, ou seja, ela é o que faz com que o texto faça sentido para os usuários, devendo, portanto, ser entendida como um princípio de interpretabilidade, ligada à inteligibilidade do texto numa situação de comunicação e à capacidade que o receptor tem para calcular o sentido deste texto. Este sentido, evidentemente, deve ser do todo, pois a coerência é global. (Ingedore Villaça Koch e Luiz Carlos Travaglia. A coerência textual).
Leia o poema do pernambucano Mauro Mota e perceba que, apesar de empregar apenas dois conectivos, o seu texto é coerente porque é possível estabelecer um sentido para a sequência de substantivos justapostos:


O prisioneiro
O ventre e os braços

da mãe, o berço,

a casa, a escola,

o pátio, o ônibus,

o escritório, a

mulher e o sono.

Um texto pode ser coeso sem ser coerente, mas nunca poderá ser coerente sem ser coeso. O autor de um texto pode fazer uso de elementos coesivos, contudo o texto pode não possuir sentido. O estudo de coerência prevê a ocorrência de uma linha de raciocínio, lógica no pensamento, harmonia entre os fatos e, principalmente, não pode haver contradição.
Ex.: Lula, Pelé e Xuxa são extremamente famosos. Esse foi jogador de futebol, aquele é o atual Presidente do Brasil e esta é muito bonita.
Observe que o texto é coeso, pois, tal qual no exemplo (coesão referencial), utilizam-se pronomes demonstrativos para ligar a segunda frase à primeira. No entanto, o texto não é coerente, porquanto não houve a manutenção de uma linha de raciocínio. Enquanto os dois primeiros foram apresentados pela profissão, a referência à última diz respeito não á sua profissão, mas à beleza física.

4. Correção, clareza e elegância
A coesão e a coerência textuais estão intimamente ligadas à correção e à clareza. Afinal, empregar adequadamente uma conjunção, uma preposição ou um pronome significa estruturar corretamente uma frase e, para tanto, precisamos dominar os principais mecanismos gramaticais (para evitar mal-entendido, reproduzimos uma passagem do texto de José Lemos Monteiro - A Estilística: “Todavia, é preciso não confundir a correção com a pura gramatiquice.”). Referimo-nos, por exemplo, à concordância, talvez o mais importante mecanismo de nossa língua.

Se, além de correta e clara, a frase for elegante, atingimos o topo da escala como competentes produtores de texto.


5. Concordância
Dá-se em gramática o nome de concordância à circunstância de um adjetivo variar em gênero e número de acordo com o substantivo a que se refere (concordância nominal) e à de um verbo variar em número e pessoa de acordo com o seu sujeito (concordância verbal). (Mattoso Câmara Jr.)
Pontos básicos que nos auxiliarão em nossas atividades de leitor ou de produtor de textos:


  • existem regras gerais para os casos de concordância;

  • existem, entretanto, alguns casos especiais que geram dúvidas;

  • em muitos casos, não há uma norma definida; os bons escritores apresentam soluções divergentes para um mesmo caso;

  • a concordância, nesses casos especiais, pode ser determinada por questões de estilo (preferências subjetivas).



O “erro” de concordância
“Uma das coisas que mais profundamente distinguem a Gramática da Estilística é o conceito de erro: ao contrário do que sucede na Gramática, em Estilística não há propriamente erros, porque para os maiores desvios é achada uma determinante psicológica natural. A Estilística tem por missão explicar, esclarecer; a Gramática sistematiza e impõe normas, muitas vezes com rigidez excessiva. A teoria da concordância, encarada em sua evolução histórica, demonstra perfeitamente esta diferença fundamental entre as duas disciplinas. Suponhamos que um aprendiz de estilo escreve uma frase destas: ‘Dá um aspecto interessante, os prédios com as janelas cheias de luz’. Um gramático censura logo a frase e aponta a falta de concordância entre o verbo e o sujeito: - Aquele está errado, devia-se escrever dão. O técnico do estilo não se deixa levar por esse argumento; e procura, com base na psicologia, esclarecer aquela infração. Quem assim escreveu como que antecipou a sua visão e considerou não os prédios na sua variedade, mas no seu conjunto. Daí, o emprego do singular pelo plural. (M. Rodrigues Lapa. Estilística da Língua Portuguesa.)

Uma concordância ideológica

Será que os erros de concordância sempre ocorrem por desconhecimento das regras ou será que é possível errar intencionalmente?

Às vezes o erro é intencional e está articulado com o contexto, com a intenção de quem escreve. Um exemplo inequívoco disso é a letra "Inútil", do grupo "Ultraje a Rigor".

A gente não sabemos escolher presidente

A gente não sabemos tomar conta da gente

A gente não sabemos nem escovar os dentes

Tem gringo pensando que nós é indigente

Inútil, a gente somos inútil

Inútil, a gente somos inútil

Em muitos lugares do Brasil pratica-se essa concordância com muita naturalidade. De acordo com a língua oficial, no entanto, trata-se de uma construção equivocada. "A gente não somos inútil", "a gente é inútil". Contudo, para o clima da letra, para o contexto que foi criado, é até necessário errar a concordância intencionalmente para que a sátira fique mais evidente. A forma gramatical busca aqui se adequar à mensagem. Por se tratar de texto poético, a quebra da norma se justifica porque visa a um fim determinado. Há consciência da parte do letrista de que se trata de um erro, cometido apenas para enfatizar a inutilidade desse "a gente" (que afirma sua incapacidade para até mesmo concordar o verbo com o sujeito).

Na linguagem formal, não há dúvida de que a construção recomendada é "Somos inúteis", "A gente é inútil", possuindo esta última construção um matiz coloquial pelo uso de "a gente" no lugar de "nós".



6. Silepse
Silepse (a palavra vem do grego e significa ‘compreensão’ ou ‘ato de compreender’) é uma figura de sintaxe e ocorre quando a concordância é feita pelo sentido e não pela forma gramatical, como a própria etimologia da palavra explica. Daí essa concordância ser chamada de concordância ideológica ou figurada.Podemos ter silepse de número, de gênero e de pessoa.

a) de gênero: Vossa Senhoria foi indicado.    (Subentende-se tratar-se de pessoa do sexo masculino).

b) de número: Estamos ciente. Trata-se do chamado plural majestático; o sujeito é da primeira pessoa do plural (nós) e o predicativo é usado no singular.

 c) de pessoa: Todos os professores somos responsáveis.   (Todos os equivale ao sujeito composto eu os demais).

Interessa-nos, particularmente, a silepse de número, com a qual frequentemente tropeçamos ao redigir artigos científicos. De maneira geral ficamos indecisos diante de frases como estas:

"A maior parte dos pacientes recebeu (ou receberam?) tratamento ambulatorial".


 "A maioria das reações sorológicas utilizadas possui (ou possuem?) alta sensibilidade".


 "Um terço dos casos submeteu-se (ou submeteram-se) ao teste de esforço".


 "Grande número de gestantes relata (ou relatam?) pirose durante a gravidez".


        A concordância nos exemplos acima é facultativa; tanto pode ser com o verbo no singular, como no plural.

        No caso especial de percentagem prevalece a seguinte regra: quando o partitivo estiver no plural, é indiferente usar-se o verbo no singular ou no plural. Tanto se pode dizer: "90% dos doentes evoluiu sem complicações", como "90% dos doentes evoluíram sem complicações".


.
        Quando, entretanto, o partitivo estiver no singular, é preferível o verbo também no singular. Ex.: "20% da população está contaminada".  "5% da amostra foi desprezada". Excetuam-se os casos em que há qualificação do percentual e o qualificativo se encontra no plural. Nestes casos é obrigatório o emprego do verbo no plural. Ex.: "Os restantes 5% da amostra foram desprezados".

7. O emprego do infinitivo

O infinitivo exprime a ação verbal propriamente dita, o processo verbal em si, com valor semelhante ao do substantivo – daí ser uma forma nominal. Distancia-se das formas verbais por não exprimir nem o tempo nem o modo.

As formas nominais (além do infinitivo, o gerúndio e o particípio), via de regra, não fazem referência às pessoas do discurso. O infinitivo, no entanto, na Língua Portuguesa, apresenta uma particularidade: por clareza, elegância ou ênfase podemos atribuir o processo verbal a uma das pessoas do discurso – temos, assim, o infinitivo pessoal.

7.1. O emprego do infinitivo não flexionado
a. quando tem valor de substantivo:
Amar é um deserto e seus temores

Vida que vai na sela dessas dores. (Djavan)

E no entanto é preciso cantar

Mais que nunca é preciso cantar

É preciso cantar e alegrar a cidade... (Vinícius de Moraes)
b. quando faz parte de uma locução verbal; nesse caso, o verbo auxiliar apresenta as flexões de pessoa, número, tempo e modo:
Eu me pus a sonhar o poema da hora. (Vinícius de Moraes)
Havemos de amanhecer. (Carlos Drummond de Andrade)
Vem ver os rostos e as nuvens desmanchadas

entre dunas e lágrimas invencíveis. (Cecília Meireles)


c. quando o infinitivo tem valor de imperativo:
Trabalhar!” brada na sombra

A voz imensa – de Deus (Castro Alves)


7.2. O emprego do infinitivo flexionado
a. quando tem sujeito claramente expresso
É fundamental vocês beberem do mel da poesia.

É fundamental tu beberes do mel da poesia.

Empresta teu caderno pra eu estudar?
b. quando se quer identificar, pela desinência verbal, um sujeito elíptico:
O remédio é cantares cantigas loucas e sem fim...

Sem fim e sem sentido... (Mário Quintana)


c. quando se quer indeterminar o sujeito; nesse caso, emprega-se a terceira a terceira pessoa do plural:
Senti tocarem na minha carteira!
d. como recurso estilístico:
Existirmos – a que será que se destina? (Caetano Veloso)

Observe como o emprego do infinitivo flexionado ampliou a força expressiva do verso de Caetano Veloso. Além da beleza, do “estranhamento” provocado pelo infinitivo que abre o verso, observe ainda que o uso do infinitivo impessoal daria ao verso um sentido mais geral, indefinido: existir = existência. O infinitivo pessoal, flexionado na primeira pessoa do plural, implica um sentido mais pessoal, particular e solidário: a nossa existência.


Atividades
TRABALHANDO A ESTRUTURA ORACIONAL (EQUIVALÊNCIAS)

1) Transforme as orações reduzidas em desenvolvidas correspondentes e vice-versa.

a) Ele veio aqui para falar com você.

_______________________________________________________________

b) Encontramos a pessoa dividida em muitas tarefas.

_______________________________________________________________

c) O aumento do salário-mínimo foi decidido ao acabar a reunião dos ministros.

_______________________________________________________________

d) Precisando de ajuda, me ligue rápido!!!

_______________________________________________________________

e) A criança imitou dormir como um anjo-demoníaco.

_______________________________________________________________

f) Todos os governadores acreditavam que resolveriam o problema.

_______________________________________________________________

g) Gentileza gera gentileza.

_______________________________________________________________

h) Entrevistamos os homens que se perderam no meio da floresta.

_______________________________________________________________

i) O Estado do Rio de Janeiro arranjou uma medida que não vale nada contra a violência.

_______________________________________________________________

2) Elimine as orações que apresentam o conector “QUE” de modo que se produza um texto mais claro e mais conciso nos trechos abaixo. Se precisar, divida melhor os períodos pontuando-os de maneira adequada.
A) Tudo que sabemos a respeito da vida tem origem em conhecimentos muito vagos que normalmente não dão conta do que quer dizer a palavra vida

que é tão fundamental para todos nós mas que parece que nunca teremos a condição de compreender.

________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
B) O fato que se apresenta agora é um fato que não tem antecedentes na história que pertence à humanidade.

___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

____________________________________________________________________________
c) Penso que seria interessante que julgássemos os acontecimentos sempre por uma nova ótica que com certeza apresentaria novas resoluções para a dificuldade por que a empresa vem passando e que também é sempre importante a capacidade que temos de nos renovar nas ideias.

________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

____________________________________________________________________________

d) Tudo que sei é que nada sei do que vou fazer, nem do que quero.

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____________________________________________________________________________

e) Os homens que se parecem com você não apresentam nenhuma atitude que se possa respeitar.

________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

f) João que amava Maria, que gostava de tudo que era facilitador da vida, que tem a ver com dinheiro, só foi amado porque era um bom partido; e foi assim que se casou.

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Respostas:

1)

a) Ele veio aqui para falar com você. (para que falasse com você)



b) Encontramos a pessoa dividida em muitas tarefas. (que se dividiu/dividia em muitas tarefas)

c) O aumento do salário-mínimo foi decidido ao acabar a reunião dos ministros. (quando acabou a reunião dos ministros)

d) Precisando de ajuda, me ligue rápido!!! (Caso precise de ajuda...)

e) A criança imitou dormir como um anjo-demoníaco. (que dormia como um anjo-demoníaco)

f) Todos os governadores acreditavam que resolveriam o problema. (resolverem o problema)

g) Gentileza gera gentileza. (gerando gentileza)

h) Entrevistamos os homens que se perderam no meio da floresta. (perdidos no meio da floresta)

i) O Estado do Rio de Janeiro arranjou uma medida que não vale nada contra a violência. (inválida/invalidada)

2)

A) Tudo que sabemos a respeito da vida tem origem em conhecimentos muito vagos. Normalmente eles não dão conta do que quer dizer a palavra vida. Ela é tão fundamental para todos nós, mas nunca teremos a condição de compreendê-la.



B) O fato que se apresenta agora não tem antecedentes na história pertencente à humanidade.

c) Penso ser interessante julgarmos os acontecimentos sempre por uma nova ótica apresentando novas resoluções para a dificuldade pela qual a empresa vem passando, pois é sempre importante sermos capazes de nos renovar nas ideias.

d) Tudo que sei é que nada sei do fazer, nem do querer.

e) Os homens parecidos com você não apresentam nenhuma atitude respeitável.

f) João amava Maria, que gostava de tudo facilitando a vida, principalmente dinheiro. Mas ele só foi amado porque era um bom partido; e foi assim seu casamento.




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