Curso de língua portuguesa módulo 4 leitura e produçÃo de textos



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CURSO DE LÍNGUA PORTUGUESA
MÓDULO 4
LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS
1. Linguagem


    1. Linguagem formal e linguagem informal

A linguagem formal pode ser oral ou escrita. É geralmente empregada quando nos dirigimos a um interlocutor com quem não temos proximidade: solicitação de algo a uma autoridade, entrevista de emprego, por exemplo. A polidez e a seleção cuidadosa de palavras são suas características marcantes.


A linguagem formal segue a norma culta. É usada em situações formais, como correspondência entre empresas, artigos de alguns jornais e revistas, textos científicos, livros didáticos.
A linguagem informal também pode ser oral e escrita. É geralmente empregada quando há certo grau de intimidade entre os interlocutores, em situações informais, como na correspondência entre amigos e familiares.
A estrutura da linguagem informal é mais solta, com construções mais simples, e permite abreviações, diminutivos, gírias e até construções sintáticas que não seguem a norma culta. Usar essa linguagem não significa que o emissor não saiba (ou não possa) se comunicar de outra forma quando necessário.
1.1.1. Língua oral e escrita
Um aspecto a ser esclarecido a quem procura melhorar seu desempenho na redação é a diferença existente entre a comunicação oral e a escrita.
A língua escrita só surgiu depois da falada e constitui uma tentativa de reproduzi-la. Entretanto, ela não é capaz de representar adequadamente as inúmeras variações de sentido decorrentes das variações de entonação ou as informações suplementares que um simples gesto produz ao acompanhar as palavras. E, não raro, a comunicação entre duas pessoas pode realizar-se apenas por um olhar significativo ou um meneio de cabeça, aspectos dificilmente reproduzidos de modo adequado pela língua escrita.
Em vista dessas diferenças de recursos entre a língua oral e escrita, não devemos pensar em escrever como se fala, pois se trata de dois tipos de comunicação bem distintos. Uma coisa é falar com uma pessoa que está a nossa frente e que, com um simples gesto ou olhar, nos informa que está entendendo tudo; outra bem diferente é escrever, tentando pôr no papel o que seríamos capazes de falar.
Devemos, assim, tomar consciência de que a língua escrita tem suas dificuldades próprias, exigindo treino constante, concentração e o domínio de um vocabulário relativamente extenso. Elaborar um texto claro e bem escrito é sempre o resultado de várias tentativas e do esforço em torná-lo cada vez melhor – seja trocando uma palavra pela outra, seja reformulando os períodos. Portanto, não se esqueça: um texto escrito sempre pode ser melhorado e não deve tomar como modelo a língua oral.
Na língua oral, a mensagem é processada por meio da reprodução de sons. E diferentemente da comunicação escrita, na comunicação oral a pessoa que fala (o falante) conta com o auxílio de pausas e ritmo na fala, expressões faciais, repetições e posturas corporais como indicadores que facilitam o entendimento da mensagem. Uma das características marcantes da língua oral é a possibilidade de interação com o interlocutor, o que permite ao falante saber se está sendo bem-sucedido ao elaborar seu discurso.
1.1.1.1. Texto argumentativo oral
Na comunicação oral, as ideias e opiniões são faladas. É importante saber algumas informações a respeito do público (número de pessoas, grupo social, idade, etc.) para adequar a linguagem a ser empregada, o tempo disponível para a apresentação e o tipo de mensagem a ser transmitida.

Na transmissão de um texto falado são admitidos elementos significativos próprios da língua oral: repetições, pausas, entonação, acentos e marcas de oralidade (pois é, bem, etc.), mas não o uso de formas vulgares ou gírias.


A exposição oral deve ser dita e não lida, pois é importante estabelecer um bom contato com o público por meio de olhares, gestos e expressões corporais. A seguir duas exposições orais – o debate, em que o participante usa o texto argumentativo oral, e o depoimento. É importante ressaltar que essas formas de exposição oral podem ser transcritas, ou ainda ser apresentadas por escrito.


  • Debate – O debate, também chamado mesa-redonda, envolve sempre debatedores (dois ou mais participantes que argumentam, discutem, tentam convencer uns aos outros). Os temas de um debate são, em geral, polêmicos. Por isso há necessidade de um moderador ou mediador que coordene os trabalhos, garantindo o andamento do debate, a participação de todos os debatedores e a interação com o público.

  • Depoimento pessoal – O depoimento pessoal possui personagens, enredo, espaço e tempo. Os fatos reais costumam ser relatados em 1ª pessoa pelo narrador (que pode ser o protagonista ou uma das personagens principais), com o uso de verbos no presente e no passado. No depoimento pessoal, há em geral uma lição de vida que é transmitida a outras pessoas como ensinamento ou troca de experiências.


1.1.2. Estrangeirismos
O estrangeirismo é um fenômeno linguístico que consiste no uso “emprestado” de uma palavra, expressão ou construção frasal estrangeira, em substituição de um termo na língua nativa. É considerado, por algumas gramáticas, um método de composição de palavras, por outras é apontado como uma figura de linguagem, e há as gramáticas mais conservadoras que tratam o estrangeirismo como sendo um vício de linguagem. Para que o estrangeirismo seja considerado uma figura de linguagem, é necessário que tenha valor estilístico para o texto, a palavra estrangeira deve ser conhecida e utilizada na língua nativa.
A forte influência que algumas culturas exercem sobre outras pode ser percebida no vestiário, na culinária, na música, no cinema e também no comportamento. Na língua, pode-se manifestar pela utilização de estrangeirismos.
Algumas palavras são usadas até hoje sem modificar a forma original ou a pronúncia, mesmo existindo o termo francês aportuguesado. Por exemplo: usa-se omelete, vitrine, nuance, vindas do francês, e não omeleta, vitrina e nuança.
Uma palavra, hoje considerada estrangeirismo, pode, com o tempo, ser incorporada ao cotidiano do falante e ao vocabulário da língua. Foi o que ocorreu com lanche e futebol: essas palavras, assimiladas do inglês (lunch e football), eram estrangeirismos quando começaram a ser utilizadas e agora fazem parte da Língua Portuguesa. Alguns estrangeirismos que devido ao seu uso frequente na Língua Portuguesa, já foram incorporados ao léxico da língua, ou seja, já são palavras dicionarizadas. Outros exemplos: shampoo (xampu), deletar (delete), basketball (basquete).
Hoje em dia, observa-se o uso cada vez mais frequente de estrangeirismos, o que em geral tem relação com a globalização dos meios de produção e da economia. Termos como design, case, job, deadline, show, etc. estão presentes na TV, no rádio, na mídia impressa e na internet. No entanto, nem sempre o uso do estrangeirismo comunica ou traduz o que pretende o emissor.
Algumas das expressões que são empregadas aqui provenientes de outro idioma são pronunciadas tais como no seu idioma de origem, já outras palavras sofrem modificações na sua pronúncia por uma questão de acomodação da linguagem, adaptando-as para uma pronúncia semelhante às palavras da língua nativa. Este outro fenômeno é popularmente chamado e aportuguesamento. Exemplos de palavras “aportuguesadas”: recorde, abajur, etc.

1.1.3. Neologismos
Neologismo é um fenômeno linguístico que consiste na criação de uma palavra ou expressão nova, ou na imputação de um novo sentido a uma palavra já existente. É uma nova palavra criada na língua e surge, geralmente, quando o indivíduo quer se expressar, mas não encontra o vocábulo ideal. Como o falante nativo tem absoluto domínio dos processos de formação de palavras, pois tem a língua internalizada, para ele é fácil criar uma nova palavra sem nem mesmo se dar conta de que está empregando um dos processos existentes na língua como a prefixação, a sufixação, a aglutinação ou a justaposição.
Os neologismos ocorrem quando o falante necessita expressar uma ideia, mas não encontra uma palavra com significado adequado da língua. Nesses casos, o falante recorre a uma palavra em outra língua, cujo significado expressa a ideia. Assim, os neologismos podem surgir de um comportamento espontâneo, das relações entre as pessoas na linguagem natural ou artificial.

  • Exemplo de linguagem natural: conversação espontânea do dia a dia.

  • Exemplo de linguagem artificial: bate-papo eletrônico (chat) via internet.

Os neologismos ocorrem também quando o falante usa uma palavra com um sentido novo, diferente do significado original. Algum tempo após o seu uso informal, alguns neologismos são incorporados aos dicionários, isto é, são dicionarizados. O neologismo pode surgir também com um fim pejorativo (palavrões, gírias, ironias, etc.) ou para fins de comunicação simplesmente.
Assim sendo, o neologismo passa a ser parte do léxico da língua quando é dicionarizado e aceito na linguagem padrão. Isso acontece, frequentemente, pois a língua se adapta ao emprego que a comunidade linguística faz dela, e não o contrário. Também se observa que existem palavras que antes faziam parte do léxico da língua e hoje são consideradas arcaísmos, deixando de ser utilizadas.
Na literatura e na música, os neologismos são utilizados sem restrições em razão da licença poética de que dispõem os escritores e os compositores e, também, porque o próprio “fazer literário” usa as palavras de forma distinta daquela com que é utilizada no senso comum e amplia os recursos expressivos possíveis.

Classificação dos neologismos:



  • Neologismo Semântico: O termo já existe, mas recebe uma nova conotação, um novo significado.

Exemplos:
Estou a fim de João. (estou interessado).
Paulo, não vai dar, deu zebra. (algo não deu certo).
Carlos foi fazer um bico. (trabalho temporário).

Ele me deu um bolo.(não apareceu ao encontro).


  • Neologismo Lexical: ´Surgimento de uma palavra nova, com um novo conceito.

Exemplos:
deletar (eliminar),
abobado (aquele que é “bobo”, sonso),
internetês (a língua da internet).

lincar (Acessar documento de hipertexto por meio de link)

logar (fornecer nome de usuário (login) e senha para obter acesso)


  • Neologismo Sintático: Supõe a combinatória de elementos já existentes na língua como a derivação ou a composição.

Exemplos:
“João Paulo II reinventa a Igreja papalizando com êxito”.
“A operação-desmonte é uma invenção política mentirosa”
1.1.4. Gírias
As gírias nascem num determinado grupo social e passam a fazer parte da linguagem familiar de várias camadas sociais. Podem também ser constituídas de estrangeirismos e neologismos.
O processo de formação das gírias inclui metáforas, truncamentos, sufixação, acréscimo de som ou sílabas, e, às vezes, palavras de baixo calão. Por exemplo: nas frases “Está um sol de chapar o coco!” e “Não esquente a moringa com isso.”, as gírias são formadas com base em metáforas – coco e moringa estão no lugar de cabeça; chapar quer dizer esquentar, e esquentar , na segunda frase, significa preocupar.
A gíria pode revelar a idade do falante. Uma pessoa de 50 anos provavelmente sabe o significado destas gírias: “boco-moco”, “cafona”, “careta”, “joia”, “é uma brasa mora”, “prafrentex”. Um jovem sabe o que é “parada sinistra”, “pro”, “responsa”, “mó legal” e “da hora”.
A gíria também é conhecida como jargão quando se refere à linguagem peculiar usada por quem exerce determinada profissão. Veja alguns exemplos de jargão da área de economia e finanças: quase-moeda (o mesmo que depósitos de poupança, títulos emitidos pelo governo, etc.), boom ( fase de aumento significativo no número de transações no mercado de ações).
Em uma rádio voltada para o público jovem, a gíria é uma constante. Termos e expressões como “galera”, “curtir”, “sair fora” são frequentes. Radialistas que transmitem jogos de futebol empregam uma linguagem bastante informal, em que há muitos termos específicos do esporte.

1.1.5. Regionalismos
No Brasil, a influência de várias culturas deixou na Língua Portuguesa marcas que acentuam a riqueza de vocabulário e de pronúncia. As diferenças na nossa língua não constituem erro, mas são resultado das marcas deixadas pelas línguas originais que entraram na formação do português falado no Brasil, no qual estão presentes sobretudo elementos de línguas indígenas e africanas, além de europeias, como o francês e o italiano.
Há diversas variantes linguísticas quanto à forma de expressão escrita e falada de acordo com as regiões em que as pessoas vivem. São os regionalismos linguísticos, que diferem quanto ao sotaque ou pronúncia de cada região.
Um mesmo objeto pode ser nomeado por palavras diversas, conforme a região. Por exemplo: “pipa” ou “papagaio”, no Rio Grande do Sul, se chama pandorga; “semáforo" pode ser designado por farol em São Paulo, e sinal ou sinaleiro no Rio de Janeiro.



    1. Níveis de linguagem

Você já deve ter percebido que as pessoas não falam sempre da mesma forma. O uso que cada falante faz da língua varia segundo seu nível de instrução, idade, região e a situação em que ocorre o ato de fala.


É facilmente verificável, por exemplo, que uma criança não fala como um adulto; um professor em sala de aula não fala como se estivesse conversando em casa com a família, e um analfabeto não fala, certamente, como uma pessoa estudada.
Podemos reconhecer, portanto, vários níveis de linguagem, mas, para efeitos didáticos, vamos agrupá-los basicamente em dois: o coloquial (ou informal) e o culto (ou formal).
O nível coloquial é representado pelas formas de linguagem usadas na conversação diária, numa situação de informalidade. O nível culto caracteriza-se por uma linguagem mais obediente às normas gramaticais, estando, portanto, menos sujeito a variações.

É importante ressaltar, porém que essa distinção não significa que um nível seja melhor que o outro. O que importa é a adequação do nível empregado à situação em que se produz o ato de fala. Se o objetivo de um indivíduo é falar para ser bem compreendido pelo ouvinte, ele deve saber usar convenientemente os níveis de linguagem. O conhecimento das várias possibilidades de organização de mensagens favorece uma pessoa, pois a torna capaz de estabelecer contatos com os interlocutores de formação variada e em situações diversas.


Por outro lado, não devemos nos esquecer de que, em nossa sociedade, o conhecimento da norma culta é um dos meios de valorização social, além de permitir o acesso a formas mais elaboradas de cultura, tanto no campo da arte como no da ciência.
Embora a língua escrita esteja sujeita a menos variações que a oral, essas observações também podem ser aplicadas a ela. Toda vez que escrevemos um texto, devemos ter em mente as características de nosso receptor e a natureza do tema. Se formos fazer uma dissertação sobre o problema da poluição, por exemplo, devem usar o nível culto da linguagem; se, por outro lado, quisermos narrar a conversa de pessoas do povo, devemos saber utilizar adequadamente o nível coloquial. O grau de liberdade linguística de quem redige está relacionado com a adequação da linguagem à situação de comunicação e ao assunto a tratar.
1.3. Antes de redigir, planejar
Aprender a escrever é aprender a pensar

Aprender a escrever é, em grande parte, aprender a pensar, aprender a encontrar ideias e a concatená-las, pois, assim como não é possível dar o que não se tem, não se pode transmitir o que a mente não criou. Quando nos limitamos a dar aos alunos temas para redação sem lhes sugerirmos roteiros para fontes de ideias, sem, por assim dizer, lhes ‘fertilizarmos’ a mente, o resultado é quase sempre desanimador. Não podiam dar o que não tinham, mesmo que dispusessem de palavras de dicionário e de noções razoáveis sobre a estrutura da frase. É que palavras não criam ideias; estas, se existem, é que forçosamente, acabam corporificando-se naquelas, desde que se aprenda como associá-las e concatená-las, fundindo-as em moldes frasais adequados. Quando o aluno tem algo a dizer, porque pensou, e pensou com clareza, sua expressão é geralmente satisfatória.



1.4. Plano de trabalho
a. Dado o tema, pensar livremente sobre ele, anotando as mais diferentes ideias que forem aparecendo.
b. No caso de um texto descritivo, anotar os elementos mais significativos, que realmente caracterizem um objeto, uma pessoa, uma paisagem.
c. No caso de uma narração, elaborar os personagens, o cenário; definir o tipo de narrador.
d. No caso de uma dissertação, anotar os argumentos (a favor e contra sua tese), definir um posicionamento diante do tema. Agrupar as ideias de modo a formar um parágrafo introdutório; três parágrafos para o desenvolvimento das ideias, um para a argumentação e um quinto para a conclusão. Se estruturarmos a redação em cinco parágrafos, com uma média de cinco linhas cada, teremos uma redação de 25 linhas.
e. Colocar as ideias em ordem, organizar uma sequência.
f. Selecionar as melhores ideias, dando uma estrutura ao tema que será desenvolvido.

Esse é um plano-padrão, uma sugestão apenas; pode ser útil para quem não tem o hábito de escrever. E fica aqui registrada outra sugestão: adquirido o hábito de escrever, desenvolva um estilo próprio, dê asas à imaginação, ponha sua criatividade para funcionar.




1.5. Tipos de Discurso/Estilo
a.Estilo direto
O Discurso Direto ocorre quando são os personagens que falam. O narrador utiliza-se dos verbos: disse, acrescentou, perguntou, respondeu.

–– O policial recusou o dinheiro, acrescentando: “É minha função devolver objetos perdidos.”

O delegado, que estava indeciso, perguntou de si para si: “A quem interessará o crime?”
b. Estilo Indireto
No Discurso Indireto não há diálogo, o narrador faz-se intérprete dos personagens, transmitindo ao leitor o que disseram ou pensaram. Utiliza-se também dos verbos (disse, acrescentou, perguntou, respondeu), todavia seguidos de conectivo, geralmente uma conjunção integrante.
O policial recusou o dinheiro, acrescentando que era sua função devolver objetos perdidos.

O delegado, que estava indeciso, perguntou de si para si a quem interessaria o crime.


c. Estilo Indireto Livre
No Discurso Indireto Livre o escritor consigna, em estilo indireto, as ideias, as reflexões, os sentimentos da personagem, sem empregar os verbos (disse, acrescentou, perguntou, respondeu), nem conectivo. Constroem-se dois períodos, o segundo dos quais encerra o pensamento do falante.

–– O policial recusou o dinheiro. Era sua função devolver objetos perdidos.

O delegado estava indeciso. A quem interessará o crime?
1.6. Diferenças entre os Estilos




1.7. O Parágrafo
Já foi dito que antes de redigir é necessário planejar, principalmente se o texto for dissertativo.
No caso da dissertação, é conveniente estruturar a introdução em um parágrafo, o desenvolvimento ou argumentação em dois ou três e reservar um último para a conclusão. Esse procedimento é fundamental para que o resultado final seja um texto claro, de fácil leitura, convincente.
O passo seguinte é refletir um pouco sobre a estrutura do parágrafo.
O parágrafo é uma unidade de composição, constituída por um ou mais de um período, em que se desenvolve ou se explana determinada ideia central, a que geralmente se agregam outras, secundárias, mas intimamente relacionadas pelo sentido. (Conceito de um parágrafo padrão). Obviamente, dependendo do tema, do autor e do público a que se destina, poderemos encontrar as mais variadas estruturas de parágrafos.
Observe o parágrafo, retirado do livro As formas do falso, de Walnice Nogueira Galvão (trata-se de um estudo sobre Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa):
Dá-se o nome de sertão a uma vasta e indefinida área do interior do Brasil, que abrange boa parte dos Estados de Minas Gerais, Bahia, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Maranhão, Goiás e Mato Grosso. É o núcleo central do país. Sua continuidade é dada mais pela forma econômica predominante, que é a pecuária extensiva, do que pelas características físicas, como tipo de solo, clima e vegetação. Embora uma das aparências do sertão possa ser radicalmente diferente de outra não muito distante – a caatinga seca ao lado de um luxuriante barranco de rio, o grande sertão rendilhado de suas veredas –, o conjunto delas forma o sertão, que não é uniforme, antes bastante diversificado.
Nele podemos perceber:
a. uma ideia central: a caracterização do sertão.
b. as ideias gravitam em torno da ideia central: a localização geográfica, a economia predominante, as várias configurações do sertão, o conjunto formado.
Tomemos também como exemplo a abertura do Prefácio de Antonio Candido para o volume 5 da série Para Gostar de Ler (Editora Ática):
A crônica não é um “gênero maior”. Não se imagina uma literatura feita de grandes cronistas, que lhe dessem o brilho universal dos grandes romancistas, dramaturgos e poetas. Nem se pensaria em atribuir o Prêmio Nobel a um cronista, por melhor que fosse. Portanto, parece mesmo que a crônica é um gênero menor.

Ao analisarmos a estrutura desse parágrafo, percebemos uma ideia central – a crônica não é um “gênero maior” –, colocada numa frase clara, concisa. Essa frase serve de introdução ao parágrafo, apresentando a ideia-núcleo que será desenvolvida adiante. A essa ideia-núcleo, que inicia o parágrafo, convencionou-se chamar de tópico frasal.


Em outros exemplos, podemos encontrar o tópico frasal colocado em duas ou até em três frases. Um tópico frasal claro, objetivo, consistente, é meio caminho andado para a obtenção de um parágrafo bem-redigido.
Voltando ao texto de Antonio Candido, percebemos que, logo após o tópico frasal, temos dois períodos que são uma argumentação do tópico frasal: a crônica não confere dimensão universal à literatura; um cronista não ganharia o Prêmio Nobel. Finalmente, observamos que o último período do texto constitui uma conclusão, retomando o tópico frasal: a crônica é um gênero menor.

Dessa forma temos:






P

A

R

Á

G

R

A

F

O

Introdução (tópico frasal)

A crônica não é um “gênero maior”.



Desenvolvimento

Não se imagina uma literatura feita de grandes cronistas, que lhe dessem o brilho universal dos grandes romancistas, dramaturgos e poetas. Nem se pensaria em atribuir o Prêmio Nobel a um cronista, por melhor que fosse.



Conclusão

Portanto, parece mesmo que a crônica é um gênero menor.




1.8. Os dez mandamentos para a boa leitura dos enunciados das questões numa análise de textos
1. Ler duas vezes o texto. A primeira para tomar contato com o assunto; a segunda para observar como está articulado; desenvolvido.
2. Observar que um parágrafo em relação a outro pode indicar uma continuação ou uma conclusão ou, ainda, uma falsa oposição.
3. Sublinhar, em cada parágrafo, a ideia mais importante (o tópico frasal).
4. Ler com muito cuidado os enunciados das questões para entender direto a intenção do que foi pedido.
5. Sublinhar, nos enunciados, palavras como: ERRO, INCORRETO, CORRETO, etc., para não se confundir no momento de responder à questão.
6. Escrever, ao lado de cada parágrafo ou de cada estrofe, a ideia mais importante contida neles.
7. Não levar em consideração o que o autor quis dizer, e, sim, o que ele disse; escreveu.
8. Se o enunciado mencionar TEMA ou IDEIA PRINCIPAL, deve-se examinar com atenção a introdução e/ou a conclusão.
9. Se o enunciado mencionar ARGUMENTAÇÃO, você deve preocupar-se com o desenvolvimento, pois nele estão contidas as ideias fundamentais do eixo discursivo do texto.
10. Tomar cuidado com os vocábulos relatores (os que remetem a outros vocábulos do texto: pronomes relativos, pronomes pessoais, pronomes demonstrativos, etc.).
1.9. Como compreender ou analisar um texto
A compreensão ou intelecção de um texto consiste em analisar o que realmente está escrito, ou seja, coletar dados do texto. O enunciado, normalmente, dará ao leitor as informações sobre o que deve ser observado no texto. Em geral, as questões apresentam formulações do tipo:


  1. As considerações do autor se voltam para...

  2. Segundo o texto, está correta...

  3. De acordo com o texto, está incorreta...

  4. Tendo em vista o texto, é incorreto...

  5. O autor sugere ainda que...

  6. De acordo com o texto é certo afirmar que...

  7. O autor afirma que...


1.10. Três erros comuns na leitura de textos
I- Extrapolação – é o fato de se fugir ao texto. Pensar o texto para além das coisas que nele estão escritas. Isto é interpretar o que não está escrito. Muitas vezes, o que se pensa são fatos reais, mas o texto não trata deles efetivamente. O leitor deve se manter “preso” ao que somente está escrito.
II. Redução – é o fato de se valorizar uma parte do contexto, deixando de lado a sua totalidade. Deixa-se de considerar o texto como um todo para se ater apenas a uma parte dele.
III. Contradição – é o fato de se entender justamente o contrário do que está escrito. É bom que se tome cuidado com algumas palavras, como: “pode”, “deve”, “não”, “verbo ser”, etc.

1.11. Linguagem verbal e não verbal
Ao fazer um texto, um escritor utiliza a linguagem verbal. Um pintor habitua empregar a linguagem não verbal, pois esporadicamente usa palavras para criar um quadro, recorrendo mais a recursos relacionados à imagem. Já um ilustrador, quando cria uma charge com ilustração e legenda, aplica as duas linguagens: a verbal e a não verbal.
No dia a dia, utilizamos comumente a linguagem verbal, quando por alguma razão não a empregamos, então poderemos usar a linguagem não verbal.
Linguagem verbal é uso da escrita ou da fala como meio de comunicação. Por exemplo: um texto narrativo, uma carta, o diálogo, uma entrevista, uma reportagem no jornal escrito ou televisionado, um bilhete.
Linguagem não verbal é representada pela utilização de imagens, figuras, desenhos, símbolos, dança, tom de voz, postura corporal, pintura, música, mímica, escultura e gestos como meio de comunicação. Além disso, o semáforo, o apito do juiz numa partida de futebol, o cartão vermelho, o cartão amarelo, uma dança, o aviso de “não fume” ou de “silêncio”, o bocejo, a identificação de “feminino” e “masculino” através de figuras na porta do banheiro, as placas de trânsito também são exemplos de emprego de linguagem não verbal.
A linguagem não verbal pode ser percebida nos animais, por exemplo: quando um cachorro balança a cauda quer dizer que está feliz ou coloca a cauda entre as pernas medo, tristeza. Nesse contexto temos a simbologia que é uma forma de comunicação não verbal. Exemplos: sinalização de trânsito, semáforo, logotipos, bandeiras, uso de cores para chamar a atenção ou exprimir uma mensagem.
É conveniente lembrar que para manter uma comunicação não é preciso empregar a fala, mas utilizar uma linguagem verbal ou não verbal.
Linguagem é o emprego da língua como forma de expressão e comunicação entre as pessoas. A linguagem não é somente um conjunto de palavras faladas ou escritas, mas também de gestos e imagens, pois não nos comunicamos apenas pela fala ou escrita.
Entende-se que linguagem mista é o emprego concomitante da linguagem verbal e da linguagem não verbal, usando palavras escritas e figuras ao mesmo tempo.
Vale ressaltar que a linguagem não verbal tem que ser bem elaborada, para que não haja ambiguidade ou que a mensagem não seja passada realmente. A Linguagem não verbal tem o poder de prender a atenção do leitor bem mais do que um texto comum.
1.12. Humor

O humor pode ser usado como recurso para a construção de efeito de sentido. Existem várias maneiras de produzir humor, como contar uma piada, escrever uma crônica ou um conto humorístico, desenhar uma charge.


O humor é utilizado em vários textos: anúncios publicitários, histórias em quadrinhos, textos literários, etc. Para o autor conseguir o efeito de humor desejado, o leitor precisa entender a intenção transmitida; interpretar adequadamente a mensagem a partir do seu contexto; compreender os jogos de palavras realizados; identificar as conotações usadas e os efeitos de sentido construídos pelo autor.
Pode-se construir humor no texto não só no nível semântico (nas significações das palavras e dos enunciados, na apresentação de fatos engraçados e no desfecho inesperado), mas também no sintático (na relação entre palavras e orações, na construção das frases). Exemplo: Esta anedota narra uma situação cômica em um consultório médico.
Medicina moderna

“__ Puxa, doutor... Nunca imaginei que tivesse problemas cardíacos!

__ Tá vendo como foi bom ter vindo aqui? Ia passar o resto da vida numa boa e envelhecer sem nem suspeitar que é um homem doente!”

Piadas do Batoré. Edições P.B.Q. São Paulo: Nobel.


Leia a seguir uma crônica humorística em que o humor é construído por meio de uma situação inusitada e o leitor é surpreendido pelo desfecho inesperado.
Pai não entende nada

“__ Um biquíni novo?

__ É, pai.

__ Você comprou um no ano passado!

__ Não serve mais, pai. Eu cresci.

__ Como não serve? No ano passado você tinha 14 anos, este ano tem 15. Não cresceu tanto assim.

__ Não serve, pai.

__ Está bem, está bem. Toma o dinheiro. Compre um biquíni maior.

__ Maior não, pai. Menor.

Aquele pai, também, não entendia nada.”

Veríssimo, Luís Fernando. Comédia da vida privada: 101 crônicas escolhidas. 26. ed. Porto Alegre: L&PM, 1996.

Além do desenho sem textos em que o efeito humorístico é apenas visual, o humor aparece também por meio de associações entre palavras e imagens. O desenho pode ser autossuficiente (o texto não acrescenta nada de novo); pode não ser relevante (o texto prevalece); pode ser tão importante quanto o texto.





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1.13. Charge

Bom humor, ironia, linguagem verbal e não verbal. Esses são alguns dos elementos que constituem o gênero textual chamado charge.

A charge faz parte do material de opinião, aquele em que o autor expressa seu ponto de vista sobre um assunto. É apresentada em jornais e revistas, em geral na página de editoriais, a página nobre.
A compreensão da crítica feita pelo chargista depende da cumplicidade entre autor e leitor. O leitor precisa ter um conhecimento prévio do assunto abordado e conhecer as circunstâncias, as personagens e os fatos retratados. Assim, para interpretar uma charge, é preciso não se esquecer do contexto em que foi elaborada.
Uma boa charge mostra um assunto atual e busca ir direto ao interesse do público leitor. A mensagem contida é interpretativa e crítica, e pelo seu poder de síntese pode ter o peso de um editorial.
Aliando linguagem verbal e não verbal, as charges são mais do que piadas gráficas permeadas pelo humor e por uma fina ironia. São tipos de textos que podem ser usados para denunciar e criticar as mais diversas situações do cotidiano relacionadas com a política e a sociedade.
Como prova de sua relevância, estão cada vez mais presentes nas provas de concursos e vestibulares, quando o candidato tem sua habilidade de interpretação de texto colocada em análise. Pode-se dizer que o principal objetivo de uma charge é comunicar uma visão crítica sobre determinado assunto que esteja em discussão na sociedade.


1.14. História em quadrinhos (HQs)




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