Cultivo de plantas condimentares



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SECAGEM E ARMAZENAMENTO
Pode-se considerar a secagem como a etapa mais delicada do cultivo das plantas condimentares, pois se for mal feita, pode-se perder todo o trabalho. Uma boa secagem mantém boa parte do valor organoléptico e preservar o material colhido do ataque de doenças e pragas.

Os procedimentos antes da secagem são:



  • retirar fragmentos de outras plantas, insetos e outros materiais estranhos;

  • selecionar partes de melhor aspecto (sem sintomas de ataque de pragas e doenças);

  • tomar cuidado para não sujar as partes colhidas com terra; e

  • manipular o mínimo possível o material colhido.

Além de melhor preço obtido, o produtor poderá tornar-se referência para compradores, invertendo a situação normal, isto é , passará a ser procurado para comprar material.


10.1. SECAGEM
Na produção caseira, o uso das plantas frescas é o mais recomendável mas na produção comercial, o que é comercializado é a matéria seca (exceto para venda em restaurantes, pizzarias, etc.). Para conseguir um bom produto seco, deve-se proceder à secagem o mais brevemente possível.

As condições internas do secador ou local para secagem são:




  • limpo;

  • seco;

  • arejado;

  • sem aberturas para o lado sul;

  • permitir o mínimo de entrada de luz;

  • saída para o ar quente; e

  • temperaturas máximas entre 35ºC (para folhas e flores aromáticas) e 40ºC (para não aromáticas). Apenas as partes duras não aromáticas que podem ser secas a 65ºC.

No processo de secagem observar os seguintes procedimentos:




  • evitar o revolvimento das camadas de folhas e flores; quente;

  • não secar ao sol folhas e flores;

  • fazer camadas de folhas de no máximo 5 cm de espessura;

  • colocar uma espécie de cada vez no local de secagem;

  • utilizar prateleiras, deixando espaçamentos de 20 a 30 cm entre cada uma; e

  • não secar sobre superfície não compactada. Utilize tela, sombrite ou ripado.


Secagem natural
Nesta secagem, não há controle da temperatura e com isto, o material colhido demora muito mais para secar (1 a 2 semanas se fore parte aérea). Na figura, estão demostrados como podem ser colocados o material para secar. Pode-se cobrir as partes com papel de embrulhar pão, com a finalidade de absorver mais a umidade, diminuir a iluminação e manter livre de poeira.

A secagem pode ser também sobre panos, ripados ou redes, estendidos em local arejado, sem umidade e abrigados do sol.


Secagem artificial
Para secar grandes quantidades deve-se usar a secagem artificial, que se dá com temperatura controlada (entre 30 e 65º). É bem mais rápida e o material poderá estar pronto no mesmo dia. Infelizmente são raras as empresas que comercializam secadores, ficando a cargo do produtor idealizar o seu próprio.

Em alguns casos faz-se uma estabilização, que é feita com vapores de álcool etílico, que mantém as enzimas celulares inativas, preservando assim, sua composição química.


Armazenamento
O material após a secagem, deverá ser armazenado em local escuro, seco, arejado, sem insetos ou poeiras e com temperatura não muito alta. Como um dos fatores que prejudica o teor de substâncias é a luz, inativando ou até destruindo algumas, o material deverá ser conservados em recipientes de metal, cerâmica, vidro escuro ou madeira. Para produções maiores, sugere-se guardá-los em sacos de juta, que comumente são usados para guardar produções agrícolas. Para impedir poeira, desenvolvimento de fungos, entrada de insetos, umidade ou perdas dos óleos essenciais, recomenda-se fechar o mais hermeticamente possível.

Não esquecer de colocar no material colhido, etiquetas com o nome da espécie colhida e a data da colheita.


COMERCIALIZAÇÃO
Com poucos estudos da qualidade dos condimentos quando cultivados no Brasil, o produtor pode arriscar a iniciar em uma pequena área o cultivo de algumas espécies de alto valor econômico como o açafrão ou a alcaparra, apesar da literatura atual indicar que estas culturas não são aclimatadas as nossas condições. No entanto, praticamente não há pesquisas que comprovem estas informações.. Alguns países da América do Sul já iniciaram estudos sobre a viabilidade de algumas culturas como o açafrão na Argentina (já citado), e estão conseguindo resultados positivos.

Em função da tradição da península ibérica na venda de especiarias, são dadas em %, a participação de alguns condimentos no seu comércio:


pimentão: 15%

alho: 12%

salsa 12%

pimenta: 10%

açafrão: 9%

canela: 8%


Em levantamento realizado pelo autor em Portugal no início de 1998, obteve os seguintes preços de alguns condimentos:


Espécie

Preço em escudo/kg

Malagueta

4.589

Manjericão

13.000

Coentro

4.412

Cravinho

5.258

Açafrão

40.000/100 gramas

Canela

6.325

Cominho

2.980

Gengibre

5.275

Açafrão das índias

4.600

Cardamomo

5.257

Pimentão

2.200

Salsa

4.734

Tomilho

9.750

Noz moscada

5.460

Orégano

9.773

Pimenta

5.110

Alecrim

2.167

Obs. valor de 1 dólar = 182,15 escudos (31.07.98).
Aos produtores sugere-se que:


  • pesquisar no comércio, os condimentos mais comercializados e verificar a qualidade do material oferecido no comércio;

  • após a seleção, obter o máximo de informações técnicas sobre as espécie escolhidas;

  • caso não tenha muita informação, inicie com pequena área para verificar a viabilidade;

  • quanto maior a área, menor o número de espécies cultivadas e acima de 5 ha escolha uma ou duas espécies;

  • contatar compradores e se possível estabelecer contrato de compra; e

  • selecionar e treinar a mão-de-obra.

Alternativas como fonte de renda:


Para pequenas áreas


  • viveiro de mudas

mesmo em uma área de 200 a 500 m2, pode-se conseguir lucro com viveiro de mudas de plantas condimentares. Para oficialização desta atividade há necessidade de registro na Secretaria da Agricultura (ou similar no seu estado), no IBAMA, responsável técnico (Engenheiro Agrônomo ou Engenheiro Florestal) e registro no CREA (dependendo do Estado) se for empresa. Para divulgar o produto, participe de feiras e exposições.

Conseguirá mais lucro se estiver próximo de capitais ou grandes cidades.


  • produção de plantas condimentares para distribuição direta (restaurantes por exemplo)

para áreas um pouco maior (1 a 2 ha), é altamente rentável mas já começa a ficar saturado em algumas grandes cidades. O preço de um maço é quase sempre superior ao preço de 1,0 kg de matéria seca da mesma planta. Sugere-se enviar amostras aos restaurantes.


  • artesanato com plantas condimentares (guirlandas, travesseiros, sachê)

poderá produzir o próprio artesanato e sofrerá menos burocracia para criar a empresa. A participação em feiras e exposições também é essencial.
Para grandes áreas


  • produção de plantas para atacadista

  • produção para empresas que vendem condimentos já ensacados

para áreas acima de 10 ha.

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