Cultivo de plantas condimentares


Ásia Aneto, pimenta-do-reino, cardamomo, canela verdadeira, canela-da-china, noz-moscada, gengibre, curcuma e cravo-da-índia América



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Ásia

Aneto, pimenta-do-reino, cardamomo, canela verdadeira, canela-da-china, noz-moscada, gengibre, curcuma e cravo-da-índia


América
Baunilha e pimenta-malagueta
Europa
Coentro, hissopo, manjerona, tomilho, sálvia, segurelha, erva-doce, funcho, levístico e cominho.
Exemplos de partes das plantas que fornecem o valor condimentar
De acordo com a parte que serve como condimento pode-se agrupar da seguinte forma:



  • frutos completos: capuchinha, pimenta, anis;

  • flor: cravinho, açafrão;

  • partes do fruto ou sementes: anis, funcho, cominho, coentro, alcarávia, mostarda, noz moscada;

  • folhas: cerefólio, levístico, estragão, sálvia, orégano, tomilho, alecrim, salsa, louro;

  • casca: canelas;

  • órgãos subterrâneos: gengibre, curcuma; e

  • bulbo: alho e cebola.

Algumas espécies produzem mais de uma parte como condimento como por exemplo coentro (folhas e sementes), funcho (semente e bulbo), hissopo e manjerona (folhas e sumidades florais).



EXIGÊNCIAS CLIMÁTICAS E EDÁFICAS PARA AS PLANTAS CONDIMENTARES

A qualidade de uma planta condimentar está relacionado diretamente aos teores de algumas substâncias (como os óleos essenciais) e com isto, a produção da biomassa não será o principal parâmetro levado em consideração para efeito de preço. Como os fatores climáticas e de solo influenciam a produção de substâncias na planta, o produtor deverá estar bastante atento as exigências da cultura. Se o não observá-las, a sua produção poderá até estar bem desenvolvida mas sem o teor de princípio ativo desejado.

Com isto, caso tenha interesse em produções maiores, certifique com especialistas de que sua planta estará no local adequado. Grandes volumes de plantas medicinais são comprados somente após análise do material.
Clima


Temperatura
A temperatura irá afetar principalmente a produção da biomassa ou a produção de flores como ocorre principalmente com plantas originárias de regiões mais frias.

A maioria das plantas condimentares é de clima temperado (ameno) ou mais quente como muitas das espécies das família solánacea (pimentas principalmente), umbelíferas e labiadas.

Com relação a época de plantio é importante seguir as seguintes orientações:


  • em locais de clima mais ameno, plante as espécies exigentes em clima mais quente apenas nos meses de setembro ou outubro e as de clima mais frio em qualquer época; e

  • em locais de clima quente plante em abril ou maio as de clima mais ameno e no ano todo as que preferem clima temperado ou mais quente.

Com observações do comportamento das espécies em relação a temperatura, podemos chegar as seguintes conclusões:




  • espécies que toleram grande variação de temperatura: açafrão e alcarávia (sofrem com geadas), cebolinha, hortelã, orégano, cominho, aneto e salsinha;

  • espécies que sofrem em clima mais frios: coentro, manjericão, erva-doce, louro, cerefólio, funcho (depende da variedade), segurelha, estragão, manjerona, gengibre, raiz forte e alecrim; e

  • espécies que produzem menos em clima mais quente: segurelha anual, capuchina, funcho, raiz-forte, levístico, estragão, alho, hissopo, alecrim, sálvia, tomilho, louro e erva-doce.


Luz solar
São raras as plantas condimentares que conseguem desenvolver sem a luz solar direta. Mesmo em plantas cultivadas em estufas, a mínima obstrução da luz solar, causa perda na qualidade aromática. Em uma propriedade com inclinações em todas as faces (norte, sul, leste ou oeste), a produção de melhor qualidade ocorrerá na face norte devido a maior incidência de luz solar. O mesmo raciocínio pode ser utilizado para a colocação de jardineiras em prédio, só que neste caso, a face sul é inviável para o plantio de condimentos.


Altitude
Com relação à altitude, a maioria das condimentares não teria no Brasil as condições ideais, considerando que são espécies nativas de locais com altitude superior a 1.000m. No país a maior parte do seu território situa-se entre o nível do mar e 1.200 m de altura.

Abaixo são dadas as maiores altitudes exigidas para algumas condimentares:


Até 1.000 m
Erva-doce
Entre 1.000 até 1.500m
Alecrim, açafrão, coentro, cominho, estragão, funcho (variedade doce requer menor altitude), manjerona
Entre 1.500 e 2.000
Alcarávia, sálvia, tomilho, segurelha (Satureja montana)
Mais de 2.000 m

Orégano
Latitude


A influência da latitude, que irá refletir diretamente na quantidade de horas de luz, é condição que justificam a melhor qualidade das aromáticas em suas regiões de origem. Várias espécies são originadas ou cultivadas com sucesso em locais com latitude superior a 40º (no Brasil a latitude máxima é próxima de 35º).

Umidade
A umidade do ar ou do solo é outro fator que influencia na qualidade do condimento. Em alguns experimentos, o excesso d’água tem resultado em plantas com mais biomassa mas com menores teores de óleos essenciais e um pequeno stress hídrico pode favorecer no aumento do teor mas com menor peso.


Edáficas (solo)
O tipo de solo pode influenciar a produção da biomassa e das substâncias medicinais. Geralmente a origem da planta medicinal pode servir como indício de qual solo ela está mais adaptada, de modo que possa servir de subsídios para indicação de locais mais propícios.
Quadro: Indicações da qualidade de solo para algumas plantas condimentares (extraído de BUSTAMANTE, 1993, MARTINS et al., 1995 e SILVA JÚNIOR et al.,1996).


NOME VULGAR

NOME CIENTÍFICO

QUALIDADE DO SOLO

Açafrão

Crocus sativus

não pode ser argiloso, úmido e impermeável

Alcarávia

Carum carvi

vegeta em ampla variedade de solo, desde que bem drenado, não seco e compacto

Alecrim

Rosmarinus officinalis

calcário e bem drenado

Aneto

Anethum graveolens

bem drenado, rico em matéria orgânica e fértil

Coentro

Coriandrum sativum

fértil e bem drenado

Cominho

Cuminum cyminum

solo areno-argiloso, permeável e fértil. Desenvolve bem em solo calcário

Endro

Anethum graveolens

fértil e sem umidade excessiva

Erva-doce

Pimpinella anisum

bom teor de matéria orgânica, não suporta solo argiloso e mal drenado

Estragão

Artemisia dracunculus

fértil, permeável e solto

Funcho

Foeniculum vulgare

bem adaptado a vários tipos de solo, desde que bem drenado (não seco) e levemente alcalino

Gengibre

Zinziber officinale

bem drenado

Hissopo

Hyssopus officinalis

areno-argiloso ou argilo-arenoso, bem drenado

Hortelã

Mentha villosa

exigente em matéria orgânica e nem um pouco seco

Manjericão

Ocimum basilicum

rico em matéria orgânica, não suporta solo argiloso e mal drenado

Manjerona

Origanum marjorana

sofre com solo excesso de umidade e muito argiloso

Orégano

Origanum vulgare

natureza calcária e fértil, e menos exigente que a manjerona

Sálvia

Salvia officinalis

tolera pH de 5,0 a 9,0 e não é muito exigente quanto a fertilidade

Segurelha anual

Satureja hortensis

cresce até em solos arenoso e calcário

Tomilho

Thymus vulgaris

tolera solo argiloso e calcário

Também com relação ao solo pode-se ter fazer outras observações:




  • curcuma e gengibre (espécies que produzem raízes para colheita) devem ser plantados em solos mais soltos (nem um pouco argiloso);

  • os solos mais escuros são geralmente mais férteis e mais propensos a doenças; e

  • solos mais claros são geralmente mais ácidos e mais secos.



PLANTIO

Reprodução sexuada (por sementes)
Abaixo são dados exemplos de tratamentos para aumento da germinação.
Embebição com KNO3
Algumas sementes com as de funcho, necessitam de serem embebidas em solução a 2% de KNO3.
7 dias por 5-10º C
Deixar na temperatura e período citados as sementes de sálvia, aneto e cerefólio.
Luz
Muitas espécies necessitam de luz para germinar. Exemplo: hissopo e alecrim

Sempre teste com uma pequena quantidade os métodos indicados tendo em vista que estas recomendações são obtidos de experimentos no exterior.

Alguns comerciantes de sementes também pode dar algumas informações para o máximo de germinação.

A grande maioria das espécies de condimentos propagam-se por semente mas algumas só conseguem propagar-se quase que somente por esta forma como por exemplo: alcarávia, aneto, cominho, funcho, erva-doce, salsinha, coentro e cerefólio.

Algumas dicas para aquisição de sementes:


  • compre somente sementes de empresas com tradicão na importação de sementes; e

  • compre sementes de saquinhos ou latas que não foram abertos.


Propagação vegetativa
Para obter maior sucesso na propagação vegetativa siga os seguintes conselhos:


  • Época de coleta material para propagação: final de inverno ou início da primavera.

  • Características do dia da coleta: nublado ou até com chuvisco.

  • Horário da coleta: após o horário mais quente.

  • De qual planta matriz coletar: que não esteja em fase reprodutiva, nem muito nova ou velha, com ótima condições de sanidade e bem desenvolvida.

As principais formas de propagação vegetativa são:


Estaquia de folha
É o processo vegetativo mais utilizado para as plantas condimentares. Normalmente são utilizados pedaços de galhos de 5 a 10 cm (tomilho, sálvia, segurelha, estragão, orégano e manjerona), 10 a 15 cm (alecrim, manjericão, favacão) e de 15 a 20 cm de comprimento (louro e urucum). O diâmetro varia de 0,2 a 1 centímetro de diâmetro e cada estaca deverá ter pelo menos três nós.

Na prática tem se conseguido melhor resultado quando as estacas são um pouco lenhosas na parte que será enterrada. De arbustos ou árvores, as estacas de galho devem ser mais lenhosas e maiores. As estacas também podem ser de rizomas ou raízes (curcuma, gengibre e hortelã), desde que tenham duas a três gemas.

Sempre cortar as estacas de galho com tesoura de poda. Na parte que será enterrada em forma de bisel (inclinado) e reto no ápice. Deixar um par de folhas (louro e urucum ou apenas 13 das folhas (alecrim, tomilho, segurelha, orégano e manjerona).

As estacas podem ser plantadas em canteiros ou sacos plásticos, com substrato preparado (mistura de partes iguais de terra comum, húmus e areia), deixando de fora 2/3 da estaca e enterrando o restante. Para melhor enraizamento, pode-se usar hormônios, encontrados em casas especializadas.


Divisão de touceira
É o método que permite desenvolvimento mais rápido das mudas mas também é o que menos rende, pois consiste em aproveitar partes da planta contendo parte aérea e raiz. Após a retirada das mudas, podar a parte aérea e a raiz, deixando respectivamente 5 a 10 cm e 2 a 5 cm de comprimento. São exemplos de condimentos que reproduzem por divisão de touceira: cebolinha, tomilho, hissopo, orégano e segurelha.
Alporquia
Sem a utilização de hormônios é a forma mais recomendada para o louro. As etapas para alporquia são:


  • escolha um galho com ótima aparência e com no mínimo 30 cm de comprimento

  • sem retirá-lo da planta, faça um anelamento (retire a casca em forma de anel) a uma distância de cerca de 20 cm do ápice do galho

  • coloque barro ou esfagno úmido sobre o anel

  • envolva o anel com uma fita plástica e amarre nas pontas

  • depois de bem enraizado, plante no local definitivo ou em recipientes

No caso do louro, a demora para pegamento é cerca de 2 a 4 meses.


Há também plantio por bulbos como para o açafrão e alho.



PRODUÇAO EM VASOS E JARDINEIRAS
Para aqueles que querem uma produção em vasos, jardineiras ou recipientes, estes devem ter pelo menos 20 cm de profundidade para as espécies com até 50 cm de altura. Mesmo espécies que requerem vasos maiores como louro e alecrim, estas podem ficar por até 6 meses (ou quando notar murchamento ou crescimento excessivo de raízes) e deverão ser transplantadas para o local definitivo. Qualquer local em que incida pelo menos 6 horas de sol e protegido de ventos frios e fortes, para que as plantas cresçam com vigor, pode ser utilizado para a colocação dos recipientes.

Mesmo em locais onde a iluminação é deficiente (3 a 4 horas de sol), pode-se colocar espécies tais como hortelã, capuchinha, salsinha, cebolinha e tomilho, apesar de perderem em qualidade.

O substrato mais utilizado é uma mistura em partes iguais de terra comum, húmus e areia e no fundo devem haver furos para evitar encharcamentos e cobertos com camada de pequenas pedras ou até pedaços de telhas.

Para evitar que fique adubando todo mês, adicione para cada cinco litro do substrato 2 colheres de chá de farinha de ossos e duas de torta de mamona. Repita a cada 6 meses esta adubação.

Sempre que o recipiente estiver com o substrato seco, coloque água. Adube mensalmente com uma colher de húmus de minhoca.



Quadros para planejamento da compra de sementes
Quadro: peso de 1.000 sementes de plantas condimentares obtidos pelo autor e PRADO, C.; ROMERO, F. H. C. e SANTOS, R. R. (1998)


Espécie__Peso_em_gramas'>Espécie

Peso de 1.000 sementes







Aneto

1,229

Cerefólio

3,232

Hortelã-pimenta

0,073

Manjericão

1,916

Manjerona

0,284

Orégano

0,083

Salsa

1,585

Salsão

0,445

BUSTAMANTE (1993) fornece os seguintes pesos de 1000 sementes:




Espécie

Peso em gramas

Alcarávia


3,000


Alecrim

1,038

Aneto

1,460

Coentro

9,003

Cominho

3,140

Erva-doce

2,400

Funcho

4,970

Hissopo

0,900 a 1,000

Manjericão italiano

1,400

Manjerona

0,225

Mostarda branca

5,000

Orégano

0,035

Sálvia

6,300

Satureja hortensis

0,761

Satureja montana

0,650

Tomilho

0,265

Estes outros valores foram fornecidos por empresa que comercializam sementes:




Espécie

Número de sementes por grama

Alcarávia

120

Alecrim

1.000

Anis ou erva-doce

220

Cebolinha comum

600

Estragão

6.000

Funcho

200

Hissopo

1.000

Levístico

6.000

Sálvia

150

Segurelha

1.500

Tomilho

4.000

Com relação ao gasto com sementes, HORNOK (s.d.), fornece as seguintes quantidades:




Espécie

Requerimento de sementes por hectare (Kg)

Alcarávia

6-10

Aneto

12-14

Coentro

16-20

Erva-doce

13-15

Estragão

40.000 a 50.000 mudas

Funcho

8-10

Hissopo

3-5

Levístico

6-8

Manjericão

4-6

Majorana

6-8

Mostarda branca

15-17

Mostarda preta

12-14

Sálvia

30.000 a 36.000 mudas

Segurelha

4-8

Tomilho

80.000 mudas

Quadro: espaçamento de algumas plantas medicinais.




Espécie

Entre plantas (cm)

Entre linhas (cm)

Açafrão

10

15 a 45

Alcarávia

20 a 30

40 a50

Alecrim

50

80 a 160

Aneto

10 a 20

40

Cerefólio

15

25

Coentro

15 a 20

50 a 60

Cominho

25 a 30

50

Erva-doce

20

40 a 70

Estragão

30

40 a 50

Funcho (para sementes)

50 a 60

50 a 90

Hissopo

30 a 40

80 a 140

Manjericão

20 a 30

50 a 70

Manjerona

20 a 30

40

Orégano

35

30 a 70

Segurelha (Satrureja hortensis)

20 a 25

30 a 60

Segurelha (S. montana)

30 a 35

80 a 120

Sálvia

40

60 a 80

Tomilho

25 a 30

60 a 80

Como a maioria dos espaçamentos não foram estudados nas nossas condições, pode ocorrer variações quando for plantar. Em solos menos férteis, o espaçamento pode ser menor e nos mais férteis o espaçamento poderá ser maior.

Plantas muito separadas estarão mais sujeitas a poeiras e muito adensadas, crescerão com menos força.




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