Cultivo de plantas condimentares



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COLHEITA

A colheita é a etapa final no campo e para ser coroada com êxitos deve ser feita com bastante rigor, portanto algumas dicas são:




  • não recomenda-se antes da secagem e após a colheita, a lavagem das partes colhidas a não ser que a sua região esteja na época quente e seca. Para limpar as plantas que estiverem muito sujas, lave com um jato de água suave um dia antes da colheita;

  • para as plantas aromáticas, a colheita é feita no início da floração, por atingirem seu ponto máximo de fragrância;

  • nas plantas perenes, fazer um corte alguns centímetros acima do solo, com uma tesoura de poda , ou faca bem afiada. Pode-se colher a maioria duas vezes por ano, sendo a 1ª colheita. quando a planta tiver pleno crescimento. No 1º ano deve-se limitar a colheita;

  • para as plantas anuais, que são aquelas que possuem todo o seu ciclo, inclusive a morte, no mesmo ano, deve-se arrancá-las totalmente pois não irão rebrotar;

  • deve-se escolher dias secos e ensolarados e não colher com chuva ou vento. Como cada planta desenvolve-se de modo diferente, é necessário conhecer-se os seus ciclos de vida, para escolher o momento certo de colhê-las.A parte a ser utilizada deve ser colhida na época em que apresentar maior teor de princípios ativos;

  • evitar da retirada de todas as folhas de um galho. Algumas plantas como a espinheira-santa só podem sofrer colheita de 50% da parte aérea por corte;

  • para colheita de raízes, escolher as superiores ou as mais próximas da superfície. Em algumas espécies produtoras de raízes, a parte aérea murcha na época em que estão completamente maduras (zedoária e curcuma por exemplo);

  • a parte aérea deve ser colhida logo de manhã (após o secamento do orvalho) e raízes no final da tarde;

  • raízes e rizomas são colhidas no início da primavera ou do outono;

  • caules lenhosos são colhidos quando perdem as folhas no inverno ou outono;

  • flores ou sumidades floridas devem ser colhidas com 2 cm de pedúnculo, pela manhã e no início da floração antes que se abram totalmente;

  • frutos são colhidos no início da maturação (deiscentes) ou quando estão completamente maduros, no outono;

  • sementes são colhidas quando estão maduras, no outono ou no inverno;

  • cascas são colhidas antes da planta brotar novamente, na primavera;

  • folhas são colhidas sem o pecíolo, no início da formação de flores;

  • para aumentar a massa foliar em manjericões e boldo-da-terra por exemplo, deve-se retirar as flores

  • gemas são colhidas logo depois de surgirem; e

  • plantas herbáceas na altura das primeiras folhas.

Obs. estas recomendações não servem para todas as plantas pois há várias exceções como por exemplo:




  • algumas espécies como o funcho tem as sementes colhidas antes da completa maturação devido a queda espontânea;

  • as sumidades floridas da camomila são colhidas em plena floração; e

  • alguns estudos concluíram que a colheita do alecrim deve ser realizada após a floração e o manjericão próximo da hora do almoço.

Para o início da colheita o IAPAR recomenda os seguintes períodos após o plantio:


Espécie

Início da colheita







Alecrim

6 meses

Alfavaca

3 meses

Arruda

4 meses

Babosa

1 ano

Boldo-da-terra

1 ano

Boldo-baiano

6 meses

Calêndula

no florescimento

Carqueja

6 meses

Confrei

3 meses

Erva-de-bicho

3 meses

Espinheira-santa

2 anos

Guaco

6 meses

Losna

6 meses

Melissa

6 meses

Mil-folhas

4 meses

Pfáffia

1 a 2 anos

Quebra-pedra

3 meses

Sabugueiro

1 ano

Sálvia

6 meses

Tanchagem

3 meses

Através de pesquisas o Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas (CPQBA) da Universidade de Campinas, chegou aos seguintes rendimentos de algumas plantas medicinais:





Espécie

Rendimento

ton/matéria secahectare









Alecrim

1,82 de folhas

Beladona

2,04 da parte aérea

Calêndula

1,3 de flores

Capim-limão

24,0 de folhas

Carqueja

5,96 da parte aérea

Espinheira-santa

0,67 de folhas

Guaco

1,95 de folhas

Hortelã-pimenta

1,58 da parte aérea

Melissa

2,33 da parte aérea

Mil-folhas

2,0 de folhas

Quebra-pedra

(Phyllanthus amarus)



2,4 da parte aérea

Sálvia

1,7 de folhas

Sete-sangria

3,1 da parte aérea

Tanchagem

2,04 da parte aérea

Obs. estes resultados foram obtidos em ótimas condições de cultivo. Normalmente a maioria das plantas medicinais (com muitas exceções) produz anualmente 1,0 a 3,0 toneladas de matéria seca.

Caso seja possível, antes da secagem faça as seguintes atividades:


  • eliminar fragmentos de outras plantas que se misturarem às partes desejadas;

  • escolher as partes vistosas, inteiras, limpas e sem estarem sendo atacadas por pragas;

  • evitar que as partes colhidas se sujem de terra;

  • verificar se não há larvas ou insetos;

  • não apertar ou machucar a planta para que não murche;

  • secar o mais rapidamente possível;

  • tomar cuidado com plantas tóxicas, principalmente se a toxicidade ocorrer por contato.


SECAGEM E ARMAZENAMENTO

Caso as plantas não sejam usadas frescas, é necessário proceder à secagem o mais brevemente possível, para manter os princípios ativos intactos, além de preservá-las do ataque de fungos e bactérias.

As condições ideais para secagem são:


  • o secador não deve ter portas ou janelas voltadas para a face sul;

  • internamente o secador deve ser limpo, arejado, sem muita entrada de luz solar;

  • as temperaturas máximas de secagem são:

30 a 35ºC para folhas e flores aromáticas

40º para folhas e flores não aromáticas

65º para partes duras




  • não revolver folhas e flores;

  • não esquecer de colocar no secador saídas para o ar quente;

  • não secar ao sol folhas e flores;

  • as camadas de folhas devem ter no máximo 5 cm de espessura;

  • secar uma espécie de cada vez no secador; e

  • secar logo após a colheita;

  • se for utilizar prateleiras, deixe espaçamento de 30 cm entre cada uma; e

  • as partes colhidas tem que ser secadas sobre superfície não compactada, isto é, sobre telas, sombrite ou ripado.

A secagem pode ser através do calor natural ou artificial. Para a secagem natural, as partes colhidas são colocadas sobre panos, ripados ou redes, estendidos em local arejado, sem umidade e abrigadas do sol..

A secagem artificial dá-se em secadores especiais com temperatura controlada (entre 30 e 65º). É mais rápida e geralmente utilizada para grandes quantidades de plantas, só que são raras as empresas que comercializam secadores específicos para plantas medicinais.

Em alguns casos faz-se uma estabilização, que é feita com vapores de álcool etílico, que mantém as enzimas celulares inativas, preservando assim, sua composição química.

A secagem dura de 2 a 15 dias dependendo do tipo de material, secador e do local. As partes colhidas ficam com 1/3 a ¼ do peso do material colhido.

Após a secagem, deve-se conservar as drogas ao abrigo da luz, do calor, do pó e dos insetos. A luz altera a cor das drogas e por isso deve-se conservá-las em recipientes de metal, cerâmica, vidro escuro ou madeira e nunca em recipientes de plástico ou transparentes. Os recipientes devem ser fechados hermeticamente para impedir que a umidade os alterem devem ser guardados em locais ventilados, longe do calor e da poeira, que facilitam o desenvolvimento de fungos e bactérias.

No material colhido colocar etiquetas com o nome da espécie colhida e a data da colheita.
COMERCIALIZAÇÃO

As plantas medicinais não possuem grande variação de preços mas o que pode elevar o preço, são pesquisas sobre novas comprovações científicas da planta ou até por modismo. Nos últimos cinco anos a tendência de preços para as espécies coletadas no Brasil foi em média U$ 1,00 a 2,00 para plantas espontâneas e U$ 2,00 a 5,00 para espécies cultivadas, sendo que algumas podem ter preços bem maiores ou em função da escassez ou do modismo.

Estes preços são relacionados as produções sem necessariamente terem qualidade, principalmente porque a maioria das plantas medicinais são obtidas via extrativismo e com isto ocorre muita falsificação e produto com muitas impurezas. Com um produto de primeira, o produtor poderá receber preços melhores.

Para os iniciantes, como já foi dito, deve-se começar com pequena área, para poder controlar melhor a produção e oferecer produtos de ótima qualidade e com isto ganhar a confiança do comprador, o qual poderá sugerir novas plantações.

O pequeno produtor poderá vender sua produção, obtida no início geralmente da extração de plantas espontâneas, para farmácias de manipulação, vendedores de plantas medicinais em feiras. É interessante que forneça uma amostra do produto.

Aos produtores iniciantes ou não, sugere-se que:




  • consultar o máximo de bibliografia e instituições de pesquisa;

  • contatar os prováveis compradores antes do plantio ou colheita de plantas espontâneas, estes darão maior atenção quando perceberem que conhecem bem o assunto;

  • saber como andou o preço de seu produto nos últimos anos;

  • inicie com uma ou duas espécies no máximo;

  • uma vez produzindo, não exagere no preço solicitado pois o comprador pode mudar ou até estimular um novo concorrente; e

  • de atenção à mão-de-obra, pois dificilmente estarão acostumados ao cultivo de plantas medicinais; e

  • MANTENHA SEGREDO DA SUA PRODUÇÃO PARA NÃO ESTIMULAR CONCORRENTE. NÃO POR MOTIVOS DE EGOISMO MAS PORQUE SE MUITOS PRODUZIREM A MESMA ESPÉCIE O PREÇO CAÍRA DRASTICAMENTE, INVIABILIZANDO A PRODUÇÃO DE TODOS.

Alternativas de renda com as plantas medicinais




  • viveiro de mudas

é atividade que mais dá lucro para áreas mínimas (como por exemplo 500 m2) mas há necessidade de registro na Secretaria da Agricultura (ou similar no seu estado), no IBAMA, responsável técnico e registro no CREA (dependendo do Estado) se for empresa. A participação em feiras e exposições por exemplo é essencial.


  • produção de plantas condimentares para distribuição direta (restaurantes por exemplo)

também para pequenas áreas é altamente rentável mas já começa a ficar saturado em algumas grandes cidades. O preço de um maço é quase superior ao preço de 1,0 kg de matéria seca da mesma planta. Sugere-se enviar amostras aos restaurantes.


  • produção de plantas para cultos afro-brasileiros (casas de umbanda por exemplo)

é mercado restrito a cidades grandes onde se concentra maior número de empresas compradoras. Algumas plantas como arruda tem preço maior em determinadas épocas


  • produção de plantas para artesanato

somente para áreas médias (entre 1,0 e 10,0 ha)e com número restrito de plantas (macela, alecrim e camomila por exemplo)


  • artesanato com plantas medicinais e aromáticas (guirlandas, travesseiros, sachê)

poderá produzir o próprio artesanato e sofrerá menos burocracia para criar a empresa. A participação em feiras e exposições também é essencial.


  • produção de plantas para atacadista

  • produção de plantas para farmácias de manipulação

  • produção de condimentos

todas estas atividades são para áreas maiores (10,0 ou mais ha)
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PLANTAS CONDIMENTARES

BOTÂNICA DAS PLANTAS CONDIMENTARES

O valor de uma especiaria ou planta condimentar está quase sempre relacionado a um grupo de substâncias denominadas de óleos essenciais, que são também considerados princípios ativos e com amplo uso na medicina. Há também outros tipos de substâncias como a capsaicina do pimentão e pimentas picantes, que é classificada como alcalóide. O produtor de plantas condimentares também terá de acompanhar pesquisas na área de saúde sobre sua planta, pois aspectos negativos ou positivos relacionados ao seu uso medicinal irão influenciar diretamente o valor econômico da espécie escolhida.

Outro assunto que é importante a ser levado em conta é a identificação da planta, principalmente para evitar que cometa erros que poderão comprometer a imagem do produtor, pois não são poucas as confusões que ocorrem na denominação de alguns condimentos.

No entanto não se exige a correta denominação do orégano verdadeiro, das pimentas ou das inúmeras espécies ou variedades de manjericão e de hortelã, devido a existirem apenas alguns especialistas nestas plantas em todo o mundo. Portanto não fique frustrado se não conseguir a exata classificação de algumas espécies.

Neste item são dadas algumas informações que serão úteis ao produtor principalmente para facilitar na identificação, pois quando mais informado sobre a área de condimento, maior transmissão de segurança e confiabilidade no que trabalha.
Nome científico
Ao contrário das plantas medicinais, não é obrigatório o nome científico do condimento no rótulo, apesar do autor recomendar para dar maior credibilidade ao produto, pois em alguns casos a omissão do nome pode parecer proposital. Outra diferença com as plantas medicinais é a mínima variação entre os nomes populares.

Para relembrar vamos ver com se escreve o nome científico:




Nome popular da espécie

Nome científico da espécie







Açafrão

Crocus sativus L.

Manjericão italiano

Ocimum basilicum L.

O nome científico vem grafado na forma diferente de como são escritas as outras palavras, isto é, em itálico, negrito ou até grifado (o importante é seu destaque no texto). O primeiro nome (gênero) inicia em maiúscula e o segundo em minúscula. Pode ainda vir no final do nome científico o nome do autor responsável pelo nome científico. Quando é variedade o nome pode ser escrito da seguinte forma: Mentha arvensis L. var. piperascens, que é uma variedade de hortelã.


Algumas confusões na identificação
Felizmente são poucas as confusões com os condimentos, mas algumas vezes há alguns exageros como o tomilho (folhas próximas ao do alecrim e com cheiro do orégano) que é chamado de cominho (com folhas semelhante ao funcho).

No quadro são relacionadas algumas confusões que ocorrem.


Quadro: confusões na identificação de condimentos.


Confusão

Características do verdadeiro

Características do falso

Nome científico do verdadeiro

Nome científico do falso

Açafrão

raríssimo no Brasil, é obtido dos pistilos das flores

obtido das raízes de cor alaranjada, é conhecido também por curcuma

Crocus sativus

Curcuma longa

Alcaparra

rara no Brasil, ereta, o sabor acentua-se no vinagre

comum no Brasil em locais de clima mais ameno e é rasteira

Capparis spinosa

Tropaeolum majus

Erva-doce

menos de 1,0 m, flores brancas, folhas largas, sementes mais arredondadas

comum no Brasil, flores amarelas, folhas com folíolos afinados, sementes alongadas, também chamado de funcho

Pimpinella anisum

Foeniculum vulgare

A erva-doce verdadeira é de rara ocorrência nos quintais e hortas brasileiras, mas seu odor é bastante semelhante ao do funcho, anis-estrelado ou até uma espécie de manjericão. Entre estas plantas apenas o funcho possui variedades específicas para produção de bulbo comestível, principalmente em salada.

Talvez o erro mais comum no Brasil entre os condimentos, é confundir o verdadeiro açafrão, e que aqui pode referir-se a pelo menos 4 espécies, o legítimo (Crocus sativus), um que poucos chamam por este nome que é o Bixa orellana (mais conhecido por urucum), uma raiz de cor alaranjada e também chamado de açafrão pelos brasileiros (Curcuma longa) e um de rara ocorrência nas regiões mais frias e também pouquíssimo conhecido (Carthamus tinctorius), que aliás é mais utilizado como corante.

Há ainda no Brasil, algumas plantas com odor bem próximo a da pimenta-do-reino. São espécies que pertencem ao gênero Xilopia e que mereceriam mais estudos sobre sua viabilidade na culinária, pois são menos picantes. Possuem nomes vulgares como pindaíba, pimenta-de-bugre e pimenta-de-macaco.

E próxima da noz-moscada temos uma planta silvestre com características semelhantes, que é a Cryptocarya moschata e que pertence a família do louro e das canelas. Aliás, no Brasil, as plantas chamadas de canelas não possuem as mesmas utilidades da canela-da-china. Outra planta que brota espontaneamente no Brasil e que pode ser usada como condimento é a aroeira-vermelha (Schinus terenbinthifolius) e que já é chamada de pimenta-rosa.

No nordeste há uma planta com formato semelhante ao boldo-de-folha-peluda e com um aroma que lembra muito pouco o orégano mas que também é usada na culinária. É chamada de hortelã-do-norte, malvaisco ou até alfavaca como no interior de Sergipe e o nome científico é Plectranthus amboinicus. Em Cuba é chamado de orégano.

Além do coentro (Coriandrum sativum), no Brasil é também conhecido como coentrão ou coentro uma planta de nome Eryngium foetidum, que é comum no nordeste. Para mais confusão há também o orégano mexicano (Lippia graveolens), que não tem aparência semelhante ao verdadeiro.

Há também muitas plantas nativas no Brasil que recebem o nome de alecrim como o alecrim-do-campo e o alecrim de vaqueiro, sendo que a maioria não possui uso condimentar.

A identificação correta de alguns grupos de plantas só é possível em Instituições estrangeiras de pesquisa como o Royal Garden na Inglaterra. Como exemplo de grande dificuldade para chegar ao nome correto pode-se citar manjericões, hortelãs, orégano ou manjerona e pimentas, sendo o primeiro o grupo com maior diversificação de espécies e variedades de interesse econômico. Entre as pimentas há divergências entre os pesquisadores.

Para auxiliar na busca da identificação de algumas espécies são fornecidas características em comum de algumas espécies.




  • espécies que possuem aroma semelhante




  • aroma de anis: há algumas espécies que possuem aroma semelhante ao que lembra o anis, como a verdadeira erva-doce ou anis (Pimpinella anisum), o funcho e sua variedades produtoras de sementes ou “bulbos” (Foeniculum vulgare), um manjericão que muitos chamam de atroveran (Ocimum selloi), sendo inclusive utilizado na fabricação de licores caseiros, o anis estrelado (Illicium verum);

  • aroma de orégano: neste aroma podem ser exemplificados o próprio orégano (Origanum vulgare), a manjerona (Origanum majorana), a segurelha (Satureja hortensis), e o tomilho (Thymus vulgaris). Este último possui folhas mais afinadas e menores enquanto que a segurelha possui folhas menores que o orégano e a manjerona, e entre estas últimas é muito difícil a diferenciação. Acrescente também que em todas citadas existem variedades. Há ainda o coentrão ou chicória para alguns (Eryngium foetidum);

  • aroma de menta: aqui entram vários hortelãs do gênero Mentha e uma planta conhecida como poejo-do-rio-grande (Cunila microcephella);

  • aroma de manjericão ou alfavaca: são inúmeras as espécies que possuem odor que lembra o que muitos chamam de alfavaca, principalmente em função das inúmeras variedades. Todos pertencem ao gênero Ocimum; e

  • aroma de cravo: o próprio cravo-da-índia (Eugenia ) e o manjericão-cravo ou favacão (Ocimum gratissimum).



Origem de algumas plantas condimentares




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