Critérios de gravidade da saa



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Encontro06.01.2018
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CRITÉRIOS DE GRAVIDADE DA SAA

A síndrome de abstinência do álcool possui diferentes níveis de gravidade, que podem variar desde um quadro eminentemente psíquico (insônia, irritabilidade, piora das funções cognitivas) até outros, marcadamente autonômicos, com delirium e crises convulsivas.



A SAA pode ser avaliada segundo alguns preditores de gravidade: historia pregressa de SAA grave, altos níveis de álcool no sangue sem sinais e sintomas de intoxicação; alcoolemia alta (300mg/dl); uso concomitante de sedativos; comorbidades e idade avançada (B).

retângulo de cantos arredondados 9 Quando o indivíduo apresenta a SAA é aconselhável aplicar a Clinical Withdrawal Assessment Revised (CIWA-Ar). Trata-se de uma escala com 10 itens, cujo escore final classifica a gravidade da SAA e fornece subsídios para o planejamento da intervenção imediata. A aplicação da escala de 2 a 5 minutos (Quadro 6).

Clinical Institute Withdrawal Assessment for Alcohol, Revised (CIWA-Ar)





Nome:




Data:




Pulso ou FC:




PA:




Hora:










1. Você sente um mal estar no estômago (enjôo)? Você tem vomitado?







0

Não




1

Náusea leve e sem vômito




4

Náusea recorrente com ânsia de vômito




7

Náusea constante, ânsia de vômito e vômito

2. Tremor com os braços estendidos e os dedos separados:







0

Não




1

Não visível, mas sente




4

Moderado, com os braços estendidos




7

Grave, mesmo com os braços estendidos

3. Sudorese:







0

Não




4

Facial




7

Profusa




4. Tem sentido coceiras, sensação de insetos andando no corpo, formigamentos, pinicações?




Código da questão 8

5. Você tem ouvido sons a sua volta? Algo perturbador, sem detectar nada por perto?




Código da questão 8

6. As luzes têm parecido muito brilhantes? De cores diferentes? Incomodam os olhos? Você




tem visto algo que tem lhe perturbado? Você tem visto coisas que não estão presentes?




0

Não

4

Alucinações moderadas




1

Muito leve

5

Alucinações graves




2

Leve

6

Extremamente graves




3

Moderado

7

Contínua




7. Você se sente nervoso (a)? (observação)










0

Não




1

Muito leve




4

Leve




7

Ansiedade grave, um estado de pânico, semelhante a um episódio psicótico agudo?

8. Você sente algo na cabeça? Tontura, dor, apagamento?







0

Não

4

Moderado / grave




1

Muito leve

5

Grave




2

Leve

6

Muito grave




3

Moderado

7

Extremamente grave

9. Agitação: (observação)










0

Normal




1

Um pouco mais que a atividade normal




4

Moderadamente




7

Constante

10. Que dia é hoje? Onde você está? Quem sou eu? (observação)










0

Orientado




1

Incerto sobre a data, não responde seguramente




2

Desorientado com a data, mas não mais do que 2 dias




3

Desorientado com a data, com mais de 2 dias




4

Desorientado com o lugar e pessoa Escore_______________

Critérios diagnósticos: 0-9 SAA leve; 10-18 SAA moderada; >18 SAA grave

SAA Nível I

Trata-se da SAA leve e moderada. Ela aparece nas primeiras 24 horas após a última dose. Instala-se em 90% dos pacientes e cursa com agitação, ansiedade, tremores finos de extremidades, alteração do sono, da senso-percepção, do humor, do relacionamento interpessoal, do apetite, sudorese em surtos, aumento da frequência cardíaca, pulso e temperatura. Alucinações são raras (Quadro 7).



SAA Nível II

É a SAA grave. Cerca de 5% dos pacientes evoluem do estado I para o II. Isso se da cerca de 48 horas da ultima dose. Os sinais autonômicos são mais intensos, os tremores generalizados, apresentam alucinações auditivas e visuais e desorientação temporo-espacial (Quadro 8).





Em um estagio ainda mais grave, cerca de 3% dos pacientes do estagio II chegam ao Delirium tremens (DM), após 72 horas da ultima dose. O DM piora ao entardecer (sundowning). Há riscos com sequelas e morte entre aqueles que não recebem tratamento. Por volta de 10% e 15% destes apresentam convulsões do tipo grande mal 33(A).. Esta psicose orgânica é reversível, dura de 2 a 10 dias, cursa com despersonalização, humor intensamente disfórico, alternado da apatia até a agressividade. Deve-se fazer diagnóstico diferencial com traumatismo craniano e doenças epileptiformes.



Tratamento

Além do diagnóstico de cada caso, é necessária checagem sobre a disponibilidade dos serviços de saúde em cada local. O ambulatório, além de menos custoso, não interrompe a vida do individuo, favorecendo sua permanência no trabalho e na vida familiar. A abordagem hospitalar destina-se àqueles com SAA nível II, por tratar-se de um ambiente protegido e mais seguro para manejar complicações. Neste local a recuperação pode ser mais rápida, em função do controle dos recursos disponíveis.

O nível de gravidade da SAA aferido pela CIWA-Ar pode determinar a escolha do local mais adequado: com escore igual ou maior que 20, o paciente deve ser encaminhado para uma unidade hospitalar (emergência) para internação. Escores menores permitem a desintoxicação domiciliar ou ambulatorial, dependendo dos recursos clínicos, psíquicos, sociais e do local.

Manejo clínico e medicamentoso da SAA

O manejo clínico e medicamentoso dos pacientes também está condicionado á gravidade da SAA. Pacientes com SAA nível I podem recebem tratamento ambulatorial. As consultas devem ser frequentes. O paciente e sua família devem ser orientados sobre a doença e a necessidade de buscarem uma sala de emergência caso haja agravamento clínico (Quadro 9).



O tratamento da SAA nível II é obrigatoriamente hospitalar. Isso deve–se ao estado confusional do paciente; a presença frequente de complicações clínicas associadas; á necessidade de exames laboratoriais de controle e de manejo da dose dos medicamentos (Quadro 10).



Internação hospitalar

Por fim, alguns cuidados tornam-se necessários a fim de evitar iatrogenias, bem como para manejar possíveis complicações durante o tratamento da SAA (Quadro 11).





Saber mais:

O texto é uma reprodução da publicação:

Cremesp/AMB. Usuários de sustâncias psicoativas: abordagem, diagnóstico e tratamento. Publicação do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (diretrizes elaboradas em conjunto com a Associação Médica Brasileira). Coordenação de Ronaldo Laranjeira et al. São Paulo, SP, 2002, 120p.



A publicação está disponível para médicos no site do Cremesp e da AMB.

Consenso sobre o diagnostico do abuso e tratamento de álcool ou Instrumentos – CIWA-AR em www.viverbem.fmb.unesp.br ou em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462000000200006




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