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entregando para ser julgado.

OJulgamentopeloImpérioRomano
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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

Uma resposta perturbadora

Diante da arrogância de Pilatos, Jesus entra em cena e diz

algumas palavras que abalam os alicerces deste ríspido

governador. Fala que o seu reino não era deste mundo e que se

fosse deste mundo os seus ministros empenhar-se-iam para que

ele não fosse entregue aos judeus.

Pilatos entendeu a mensagem intrigante. Por isso, emenda

em seguida: “Logo, tu és rei” 45. Ao que Jesus responde: “eu para

isso nasci e para isso vim ao mundo”. O governador não podia

acreditar no que estava ouvindo.

As implicações das palavras de Jesus beiram ao

inimaginável. Ele diz que seu reino não é deste mundo. Infere

que há um outro mundo. A ciência só consegue perceber e

estudar os fenômenos físicos de um mundo material, ainda que

estes fenômenos aconteçam em galáxias distantes, a bilhões de

anos luz. Entretanto, Jesus declara que há um mundo além dos

fenômenos físicos, um mundo tão real que possui um reino.

Neste reino, ele é rei.

Embora rei de um outro mundo ele disse textualmente

que nasceu para ser rei, não um rei político, mas, como disse,

do interior do homem. Não queria subjugar e dominar o homem,

mas mesclar-se com sua alma e ensiná-lo a viver. Como pode

um homem ferido, que mal se agüentava de pé, dizer que nasceu

para ser um grande rei?

Jesus declara sem meias palavras que seu nascimento foi

diferente de todos os outros nascimentos. Foi direcionado e

previamente planejado. Planejado por quem? Não por Maria e

José. Seus pais eram muito simples, embora especiais por dentro.

Foi planejado pelo Autor da vida. Tinha uma missão especial.


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Mas diferente de todo filho de um rei rejeitou o conforto de um

palácio e as iguarias dos príncipes.

Pilatos ficou perturbadíssimo ao ouvi-lo. Pilatos não era

rei, apenas um governador preposto, mas um simples carpinteiro

estava à sua frente dizendo que era rei de um outro mundo e

que nasceu com um propósito incompreensível à sua mente.

Quem estava diante do governador, um réu sangrando ou o

herdeiro do mais poderoso trono?

O menino e o adulto

Herodes, o Grande, queria matar o menino Jesus, porque

soubera que ele nascera para ser rei. Todavia, o menino cresceu

em estatura e sabedoria. Todos queriam estar ao seu lado.

Sua inteligência superou a de todos os homens. Sua didática

como contador de história, estimulador da arte da dúvida e da

arte de pensar superou a de Piaget e a de todos os

educadores.Seu poder suplantou o dos imperadores, sua

amabilidade e preocupação com o bem estar dos outros superou

a todos os homens que defendem os direitos humanos. Portanto,

ele tinha tudo para ser o maior rei da terra. Teve a mais bela

humanidade.

O adulto Jesus não inspirava qualquer temor em Pilatos,

mas o menino Jesus colocou Herodes em pânico. Quando algo

desconhecido bate à porta da alma, o primeiro a atender é a

imaginação. Herodes, o Grande, imaginou o menino crescendo

e destruindo seu reino. Pilatos, apesar de sanguinário, por

conhecer o homem Jesus, o admirava e queria soltá-lo. Que

contraste!

Quem sempre dá flor contamina-se com seu perfume.

Pilatos, embora fosse um político injusto, aspirou um pouco o

perfume do inusitado réu, daquele que só sabia dar flores.

OJulgamentopeloImpérioRomano
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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

Após dizer que nasceu para ser rei, ele continua dizendo

que veio para dar testemunho da verdade. Com tais palavras

deixou mais confuso o governador da Judéia. Inferiu que entrou

no mundo físico não para fundar uma corrente de pensamento,

mas para dar testemunho da verdade. E, com a maior segurança,

completadizendo: “Todoaqueleque é daverdadeouveaminhavoz” 46.

A mente de Pilatos travou. É a primeira vez que um réu o

deixa sem palavras. Só conseguiu balbuciar: “O que é a verdade?”.

Não espera a resposta de Jesus, fica tão perturbado que sai

imediatamente de cena. Vai mais uma vez aos homens do

sinédrio intercedendo para soltá-lo.

A pergunta de Pilatos sobre “o que é a verdade” não era

uma pergunta filosófica, que indaga a natureza, limites e alcance

da verdade. Era fruto de sua ansiedade. Pilatos disse qualquer

coisa para disfarçar o quanto não compreendia o assunto

discorrido por Jesus. Jesus estava livre; Pilatos, controlado pela

sua ansiedade. O mestre dos mestres, embora ferido, conseguia

reinar sobre a insegurança do governador da Judéia.

Testemunho da verdade

Jesus disse que veio dar testemunho da verdade. Cada frase

que proferiu tinha grande significado. Que verdade ele veio

testemunhar? Não é a verdade lógica que a ciência procura

incansavelmente e não encontra, pois esta é mutável, evolui com

a expansão do conhecimento.

Referia-se à verdade essencial, à verdade relacionada ao

Autor da existência. É a verdade geradora, a fonte da criação,

que era capaz de multiplicar pães, curar os leprosos, restaurar a

vista aos cegos; a verdade que entra na esfera da fé, uma esfera

onde a ciência se cala. Esta verdade, incompreensível para a


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mente humana, é a fonte primeira, o princípio da vida e da

existência.

Certa vez, Jesus agradeceu calorosamente seu Pai dizendo

que ele ocultou seus mistérios aos sábios e instruídos e se agradou

em revelar-se aos pequeninos. Esta palavra indica que Deus é

uma pessoa dotada de vontade e de preferências. Ele se agrada

ou se aborrece com determinadas características da

personalidade humana. Rejeita o orgulho e a auto-suficiência,

mas agrada-se da singeleza e humildade. Para o mestre, tais

características são nobilíssimas. Não são expressão do

coitadismo nem da auto-piedade, mas de uma disposição

incansável e vibrante de aprender.

Agradou ao Pai revelar-se aos pequeninos. Ser pequenino

não quer dizer ser pobre financeiramente nem inculto

intelectualmente, mas ser pequeno para perceber e ser ensinado

por aquele que é grande, o mestre da vida. Alguns são cultos ou

ricos, mas são simples na maneira de ver a vida. Outros são

incultos, mas podem ser arrogantes e impenetráveis.

Temos de tomar cuidado com nossa postura diante da

vida. Quem é incapaz de questionar as suas verdades não tem

mais nada para aprender. O seu conhecimento se transformou

num cárcere.

O mestre da vida só conseguia ensinar as pessoas que não

estavam entulhadas com velhos conhecimentos, preconceitos

cristalizados e verdades absolutas. Os membros do sinédrio,

por se julgarem especialistas em Deus, não tinham mais nada

para aprender. Ao olhar para o nazareno, não conseguiam

enxergar nada além de um carpinteiro pretensioso e maltrapilho.

OJulgamentopeloImpérioRomano
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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

Enviado a Herodes Antipas

Ao ameaçar soltá-lo, Pilatos sofreu grande pressão da

cúpula judaica. A situação estava insustentável. Então, ao saber

que Jesus era da Galiléia, e sabendo que o governador da Galiléia,

Herodes Antipas, estava justamente naqueles dias em Jerusalém,

resolveu enviá-lo a ele.

A decisão de Pilatos de enviar Jesus a Herodes era movida

por dois motivos: a- Incapacidade de se safar da pressão dos

judeus e tomar a decisão no julgamento de Jesus de acordo

com sua consciência; b- Agradar Herodes e resolver suas

pendências políticas usando o famoso réu.

De manhã bem cedo, o réu fez mais uma humilhante

caminhada a outra autoridade romana. Alguns o viram passar

escoltado e ferido. Não dava para reconhecê-lo direito. Ansiosos,

duvidaram da cena que viram e talvez a si mesmos se

perguntaram: “É possível que o prisioneiro seja aquele que abalou

nossos corações e nos animou a viver?”


DOIS HERODES

VIOLENTANDO JESUS

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CAPÍ T U L O 8


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Dois Herodes Violentando Jesus

O pai e o filho

Quando Herodes recebeu Jesus ficou extasiado. Sabia de

sua fama. Os seus feitos inimagináveis tinham chegado aos seus

ouvidos. Todavia, nunca vira o mestre, pois este não parara em

lugar nenhum. Ia de cidade em cidade, discursando sobre os

mistérios da vida.

Imaginem a cena. Na vida de Jesus passaram dois Herodes,

o pai, chamado de “o Grande”, e o filho chamado de Antipas.

O pai queria matá-lo e o filho vai agora julgá-lo. O pai o perseguiu

fisicamente e o filho iria torturá-lo psicologicamente. O pai o

considerou uma ameaça e o filho, um falso rei.

Herodes, o Grande, não conseguiu matá-lo, mas Herodes

Antipas conseguiu matar João Batista, o seu precursor. Pelo

capricho de uma mulher, Antipas mandou matar

impiedosamente o apresentador de Jesus, a voz que clamava no

deserto e endireitava as veredas dos homens para que eles

pudessem receber o filho do Altíssimo.

Herodes Antipas, ao mandar decapitar João Batista,
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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

mostrou sua face violenta. Ele, certa vez, disse arrogantemente

que se tinha mandado matar João Batista, certamente abateria

o nazareno.

Herodes Antipas admirava João Batista, mas, por fim, o

matou. Pilatos também admirava Jesus, mas o crucificou. Isso

indica que, em política, a consciência, que é o leme da inteligência,

é esmagada por interesses escusos.

A vida humana valia pouco nas mãos destes homens. Para

eles, o ser humano, principalmente o de baixa posição social,

não tinha história: não chorava, sonhava, inspirava e nem possuía

o espetáculo dos pensamentos e das emoções. Parecia que não

pertenciam à mesma espécie.

Na realidade, todo ser humano possui um mundo a ser

descoberto. A pessoa mais insignificante socialmente possui uma

brilhante história. Só não enxergam isso aqueles que vêem o

mundo com seus olhos apenas.

Uma paciência ilimitada

Jesus sabia que Herodes, o Grande, tinha mandado matálo

quando criança. O que era pior, tinha consciência de que ele

sacrificou inúmeras crianças inocentes para tentar assassiná-lo.

Sabia ainda que Herodes Antipas também tinha matado um

grande amigo seu, aquele que o apresentara ao mundo. Era por

este homem que Jesus estava sendo julgado.

Os judeus estiveram na presença de Herodes e acusavam

Jesus de sedição, de conspirar contra o império47. Queriam que

ele tomasse a atitude que Pilatos não tomou. Mas o governador

da Galiléia, por ter ouvido sobre os feitos sobrenaturais de Jesus,

estava desejoso de vê-lo fazer um de seus milagres. Queria ver

um show. Assim, pressionava de muitas formas para que o


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mestre da vida desse um espetáculo. Deste modo, demonstrou

que nem estava interessado nos anseios dos judeus e nem na

história de Jesus. Mais uma vez o mestre estava entre a liderança

judia e a autoridade romana.

Se nos lembrássemos das crianças que morreram e da

morte de um amigo, o que faríamos em lugar do mestre? Jesus

nada fez. Ante aos apelos de Herodes Antipas para que os

alegrasse, manteve um silêncio frio. Não trocou uma palavra

com o governador da Galiléia. Devia se lembrar da lâmina

sacrificando as crianças, das lágrimas inconsoláveis de suas mães.

Devia se lembrar do seu amigo degolado.

Herodes não teve seu show sobrenatural. Diante disto,

armou um circo e colocou Jesus como personagem principal

do seu deboche. Vestiu-lhe um manto aparatoso e estimulou

seus soldados a se divertir com ele. Deste modo, eles o

torturaram.

Se tivéssemos o poder que Jesus demonstrou ter, o que

faríamos a Herodes se fôssemos humilhados? Muitos de nós,

num ataque de raiva, o teríamos destruído. Mas Jesus apenas se

calou. O mais dócil e amável dos homens mais uma vez se

calou.

O mestre da vida nos deu mais lições preciosas. Não usou



de violência com os seus inimigos. No topo da dor, usou a

ferramenta do silêncio. Cumpriu, assim, plenamente a sua palavra

de ferida uma face dar-se a outra. Os homens o zombavam,

mas ele sabia se proteger, não deixava que a chacota deles lhe

ferisse a alma. Seus inimigos não imaginavam que, através do

seu silêncio, ele os estimulava a pensar. Entretanto, governados

pelo ódio, abortaram o pensamento.

Não temos a habilidade de proteger nossas emoções como

o mestre da vida. Detonamos facilmente o gatilho da

Dois Herodes Violentando Jesus


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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

agressividade contra os que nos frustram. Não matamos

fisicamente, mas psiquicamente. Quantos não eliminamos de

nossas vidas por nos ofenderem, nos decepcionarem. Raramente

há alguém que não seja agressivo com os outros ou consigo

mesmo.


Os tímidos não são freqüentemente agressivos com os

outros, mas são violentos consigo mesmos, se esmagam com

sentimentos de culpa, não suportam errar, permitem que o lixo

social invada o território de sua emoção. Nossa paciência tem

limites, nossa trégua tem condições, mas a dele era ilimitada.

Usando a dor do mestre

para a reconciliação política

Infelizmente, nos bastidores da política há muitos

conchavos e acertos escusos. Às vezes, a miséria serve de

excelente propaganda para que alguns políticos se promovam

politicamente. Se exterminarem com a indústria da miséria

muitos deles serão alijados do cenário social.

No campo do uso de drogas, esse fenômeno também

ocorre. As drogas não só interessam ao usuário e ao traficante,

mas também àqueles que se promovem politicamente em cima

da miséria dos outros. Todavia, apesar de haver políticos que

maculam a arte de legislar e de governar, há políticos que honram

esse ofício intelectual, são amantes da honestidade.

Pilatos e Herodes Antipas não foram justos no julgamento

de Jesus. Além disso, fizeram conchavos políticos para fazer

um acerto de bastidores. Pilatos governava a Judéia; Herodes

Antipas, a Galiléia. Antigamente essas regiões eram governadas

por uma só pessoa, o rei Herodes, o pai de Antipas.

Com a morte de Herodes, o Grande, seu reino foi dividido


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entre seus filhos. A Judéia, que inclui a cidade de Jerusalém, foi

dada pelo imperador romano a Arquelau. Como disse, devido

ao péssimo governo que este fez, seu governo foi-lhe retirado e

passado às mãos de outros governadores, fora da dinastia de

Herodes.

Por fim, após a Judéia passar por alguns governadores,

Roma estabeleceu Pôncio Pilatos como seu procurador. Pilatos

e Herodes Antipas viviam debaixo de intrigas e contendas.

Governavam regiões vizinhas, mas não se entendiam. Como

fazer esses dois políticos se reconciliarem? Pilatos, esperto,

procurou agradar seu vizinho usando o famoso réu como

mercadoria.

Herodes brincou com o destino do mestre, usou-o como

objeto de diversão e, assim, aplacou a ira contra Pilatos. Lucas

relata que ambos se reconciliaram usando como tapete a dor

daquele que jamais usou o sofrimento dos outros para obter

qualquer vantagem. A política saiu apaziguada; mas a justiça,

maculada.

Jerusalém desperta e começa

a ver uma cena inacreditável

Eram entre sete e oito horas da manhã. Jesus seria

crucificado às nove horas. Diversas pessoas viram uma cena

espantosa. Contemplaram Jesus saindo da casa de Herodes,

inchado, com hematomas, cambaleante e vestido com um manto

espalhafatoso indo em direção à fortaleza Antônia onde

encontrava-se Pilatos.

A notícia inacreditável já havia começado a se espalhar na

primeira caminhada até Pilatos e na segunda até Herodes. Muitas

pessoas já estavam nas ruas. Agora, ao ver Jesus saindo da casa

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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

de Herodes, os rumores se espalharam como fogo. Uns

contavam para os outros. Jerusalém começava a despertar para

o que estava acontecendo. Descobriram que até seus discípulos

o abandonaram.

Os habitantes de Jerusalém, bem como os milhares de

homens e mulheres que vinham de lugares longínquos para vêlo

ficaram chocados. Não podiam crer que o mais forte e

brilhante dos homens estivesse tão frágil e solitário. Não era

possível que o único homem que pisou nesta terra e ressuscitou

mortos estivesse morrendo.

A fé das pessoas ficou profundamente abalada. A possível

revolta que poderiam fazer para protegê-lo deu lugar ao espanto.

Não conseguiam se recompor e muito menos culpar o sinédrio,

pois quem estava à frente do julgamento era o poderoso império

romano.


Jesus caminhava em direção a Pilatos. Para seus inimigos,

o seu sofrimento era um espetáculo de sarcasmo; para os que o

amavam, era um espetáculo de dor. Eles morriam por dentro

ao vê-lo sofrer.

Os seus discípulos não dormiram. Passaram a noite

insones, chorando por tê-lo abandonado, angustiados por saber

que o seu amado mestre estava sendo mutilado por seus inimigos.

O desespero de Pedro era grande. Havia contado que o mestre

tinha sido drasticamente espancado e que ele o negara três vezes.

Ninguém sabia o que dizer. O mundo parecia desabar sobre

eles. Foi uma noite inesquecível.
TROCADO POR

UM ASSASSINO.

OS AÇOITES E A

COROA DE ESPINHOS

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Trocado por um Assassino. Os Açoites e a Coroa de Espinhos

Trocado por um assassino

Ao retornar à fortaleza Antônia, Pilatos reúne os principais

judeus e diz que não achara crime algum nele e nem tampouco

Herodes, pois o havia devolvido. Portanto, o governador se

dispôs a soltá-lo. E para aplacar-lhes um pouco a ira, disse que

o açoitaria.

Os judeus não aceitaram o veredicto de Pilatos. Solto, o

fenômeno Jesus se tornaria um perigo para os líderes da religião

judaica. Diante da coação dos judeus contrários à soltura, Pilatos

usou sutilmente um precedente cultural para libertá-lo. Na

páscoa judia, era costume o governante romano soltar um preso

estimado pela população. Tal atitude expressava benevolência

do império para com o povo.

Como era páscoa, Pilatos propôs entre os presentes soltar

um criminoso. Mateus relata que o governador deu-lhes a

seguinte opção: Barrabás ou Jesus48. Havia nesta proposta duas

intenções. A primeira era seguir sua consciência e soltar Jesus,

pois o considerava inocente. A segunda era provocar os
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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

judeus, pois a opção que lhes deu foi vexatória. Barrabás era

um assassino, matou alguém de sua própria gente. Se tivesse

assassinado um soldado romano, já estaria morto, crucificado.

O sinédrio, portanto, teria de decidir: ou soltaria um

assassino ou o carpinteiro da Galiléia. Pilatos não deu escolha

para eles, pensou certamente que os líderes judeus concordariam

em soltar Jesus. Contudo, para o espanto de Pilatos, eles não

apenas optaram por soltar Barrabás, mas clamaram em coro

por ele.

Preferiram um assassino ao poeta da vida. Preferiram

alguém que derramou sangue do seu povo àquele que arrebatava

as multidões e a conclamava a amar os seus inimigos. O mestre

da vida foi preterido pelos homens que eram técnicos em Deus.

Desconsideraram sua história, a ternura com que tratava os

miseráveis e os feridos de alma.

A soltura de Barrabás colocava em risco a vida de algumas

pessoas, mas a do carpinteiro colocava em risco as convicções e

as verdades dos líderes de Israel. Tentaram conter as chamas de

Jesus Cristo, mas não adiantou. Mesmo torturado, humilhado e

trocado por um assassino, ele incendiou a história.

Havia uma pequena multidão, algumas centenas de pessoas

na presença de Pilatos. Ela era composta dos homens do

sinédrio, seus serviçais e da coorte de soldados que prendeu

Jesus. Não era uma grande multidão e nem era a mesma multidão

que amava Jesus, pois esta era enorme e compunha-se de dezenas

de milhares de pessoas de Jerusalém e de muitas regiões da

Judéia, Galiléia, Samaria e outras nações.

Todos os filmes a que assisti sobre Jesus têm uma grande

dívida em relação à sua história verídica. Não resgatam os

fenômenos sociais e psicológicos que estavam presentes no

âmago dos homens do sinédrio, na multidão que o


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acompanhava, na mente de Jesus e de Pilatos e nem na enorme

multidão que estava em Jerusalém por causa de Jesus.

Jesus era muito famoso, mas como disse, após ressuscitar

Lázaro, não podia mais circular livremente em Jerusalém. Por

quê? Porque todos os dias morriam diversas pessoas. Os seus

familiares procuravam desesperadamente por Jesus para que ele


: 2015
2015 -> Componente Curricular: Enfermagem Médica Profª Mônica I. Wingert Módulo II turma 201E
2015 -> Visando melhorar o desempenho e cobertura do Programa Coletivade Odontologia Preventiva do Escolar e ao mesmo tempo incentivar a participação de todos os municípios e facilitar a Operacionalização, Controle e Avaliação do mesmo
2015 -> Relatório Anual de Atividades Modelo – Sorriso do Bem 2015 – Dentista do Bem
2015 -> Regeneração Ad Integrum da Cabeça do Côndilo em uma Paciente com Disfunções Temporomandibulares
2015 -> Revisão unidade – 6º ano leia os textos abaixo. Texto o sapateiro
2015 -> Linhas da cúspide da casa e do fim da casa 6 os graus da cúspide e do fim
2015 -> Casa semana Mapeamento celestial
2015 -> Linhas da cúspide da casa e do fim da casa 6 os graus da cúspide e do fim


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