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Jesus, apesar de expressar que era o senhor do mundo,

não apenas valorizava os sentimentos ocultos das pessoas mais

simples, mas era capaz de ser dócil até com seus torturadores.

Fez da compreensão uma arte e do perdão uma poesia.

Conseguia perdoar homens indesculpáveis36.

Para o mestre de Nazaré, a vida de cada ser humano não
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tinha preço; para o rei da Judéia e da Galiléia, não valia quase

nada. Herodes queria o poder; Jesus, o coração humano. Herodes

se colocava como deus e fazia dos homens joguete de seus

caprichos, Jesus se colocava como um simples carpinteiro, um

escultor da alma, capaz de fazê-la reencontrar o sentido da vida.

Foi neste cenário, no final de sua vida, que apareceram

alguns magos do oriente em Jerusalém trazendo uma notícia

incomum: o nascimento de um menino especial, destinado a

ser rei. A notícia se espalhou como relâmpago entre os homens

da cidade e chegou até aos ouvidos do ambicioso Herodes.

Convocados à sua presença, os magos relataram uma visão

impressionante. Viram uma estrela brilhante, diferente de todas

as outras, que indicava o nobre nascimento.

Herodes, embora debilitado fisicamente, ficou assombrado

com a notícia. O que se poderia esperar de um homem que

assassinou sua esposa e alguns de seus filhos? Novamente sentiu

seu reino ameaçado. A velhice não lhe trouxe sabedoria. O medo

invadiu-lhe os porões da alma.

Demonstrando uma falsa reverência, pediu aos magos que,

após encontrarem o menino-rei, viessem notificá-lo para que

também pudesse adorá-lo. Quem ama o poder acima da sua

consciência cultiva a política com mentiras. Herodes mentiu

para esses magos, pois jamais admitiria outro rei em seu reino.

Após certo tempo, os magos não apareceram. O rei,

sentido-se traído, mais uma vez se embriagou de cólera. Apesar

de abatido por doenças e pela idade, mandou, como disse,

assassinar todas as crianças menores de dois anos. Crianças que

mal balbuciavam as primeiras palavras e davam seus primeiros

passos nessa sinuosa existência foram tolhidas no direito à vida.

Sangrando crianças e dilacerando o coração de suas mães,

Herodes mostrou que homens de sua estirpe nunca estiveram

Os Homens do Império Romano na História de Cristo: O Pano de Fundo


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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

preparados para governar nem para amar. Herodes queria matar

quem não conhecia. Não sabia os segredos que estavam ocultos

naquelas pequenas crianças. O menino Jesus ao invés de brincar,

teve de fugir. Desse modo, não teve o direito à infância, mal

dava os primeiros passos e já sentia na pele a agressividade

humana.

O calendário usado em praticamente todo o mundo

estabelece o nascimento de Cristo como marco para a divisão

da história. Todavia houve alguns erros de cálculo. Ele nasceu

em torno de 5 a 4 a.C. e não no início da era cristã.

Pouco tempo depois de assassinar as crianças, Herodes, o

Grande, adoece mortalmente. A história diz que ele começa a

apodrecer por dentro. É comido por vermes. Tem dores

horríveis e nada o alivia. Foi deste modo que seus olhos se

fecharam.

Quando morreu, seu reino foi dividido entre seus filhos:

Arquelau (Judéia e Samaria), Herodes Antipas (Galiléia e Peréia),

Felipe (parte da Palestina).

Arquelau aprendeu a violar os direitos humanos como

seu pai. Foi um governador violento. Além disso, aos olhos de

Roma foi considerado ineficaz. Em 6 d.C. foi banido para a

Gália por César Augusto.

Herodes Antipas

Herodes Antipas, filho do rei Herodes, o Grande,

permaneceu governando a Galiléia até a vida adulta de Jesus.

Ele participou do seu julgamento e foi ele quem mandou matar

João Batista.

Estudaremos em um capítulo à parte a ação deste homem

na história do mestre da vida. Ficaremos impressionados com


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o paralelo entre Herodes Pai (o Grande) e Herodes filho

(Antipas).

Tibério César- imperador

Tibério não teve uma participação direta nos sofrimentos

de Cristo. Mas este viveu boa parte da sua infância e vida adulta

quando o mundo era dominado por Tibério. Portanto,

indiretamente, as ações de Tibério se refletiram na história de

Jesus e em seu julgamento, principalmente através do governador

que ele designara para a Judéia, Pilatos.

A Efígie de Tibério estava estampada no denário, moeda

romana paga pelo trabalho de um dia. Usando a imagem

estampada nesta moeda, Jesus confundiu a inteligência dos seus

acusadores, dizendo: “Dai a César (Tibério) o que é de César e a

Deus o que é de Deus” 37.

Tibério era um imperador tirano. Não foi complacente

nem com os senadores romanos. Mandou matar muitos deles.

Seu filho Druso, que o substituiria no trono, morreu. Queria,

então, que o filho de Druso, Tibério neto, assumisse o império

depois da sua morte.Contudo, não desejava desprezar seu

sobrinho Caio Calígula. Almejava dar-lhe uma oportunidade

para assumir o trono, embora essa não fosse sua preferência

pessoal.

Como era muito supersticioso, certa noite consultou os

deuses de Roma e disse para si mesmo que aquele (Caio ou

Tibério neto) que aparecesse primeiro pela manhã no palácio e

o cumprimentasse seria este o que os deuses queriam que o

substituísse. Todavia, deu um jeito para que a vontade dos

deuses fosse idêntica à sua. Pediu para que alguns guardas

Os Homens do Império Romano na História de Cristo: O Pano de Fundo
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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

procurassem seu neto e o introduzissem primeiro no palácio.

Entretanto, o neto, envolvido em festas noturnas, não foi

encontrado. Então, Caio, sem o saber, apareceu primeiro. Deste

modo, tornou-se César.

Antes de Caio se tornar imperador, Tibério fez-lhe um

grande apelo. Recomendou-lhe que nunca esquecesse o favor

que lhe fizera permitindo que ele o substituísse no trono.

Suplicou-lhe que preservasse a vida de Tibério neto, que jamais

lhe fizesse mal. Caio Calígula prometeu, mas esqueceu-se da

promessa.

Pouco tempo depois de assumir o império, o dócil e frágil

Caio revelou sua face inumana. O poder o embriagou. Por temer

que o jovem Tibério neto se tornasse uma ameaça ao seu poder,

pressionou-o para que ele mesmo se matasse na frente do

próprio Caio e de outras pessoas. O jovem Tibério, sabendo

que morreria, se imolou. Cometeu um falso suicídio*

Caio foi um imperador algoz, um carrasco da mais alta

violência. Sua agressividade chegava a patamares tão altos que

não apenas mandava matar seus inimigos, mas também seus

próprios amigos. Não poucos senadores romanos foram mortos

por ele. Por fim, não se contentou em ser imperador. Como

disse no primeiro livro desta coleção “O Mestre dos Mestres”,

ele chegou ao extremo de querer ser adorado como Deus.

Seu reinado durou pouco, cerca de três anos e meio.

Calígula era tão intragável que foi assassinado pelo chefe de sua

própria guarda, com a conivência de muitos senadores do

império.

Nunca houve um império tão grande e que subsistisse

por tantos séculos como o império romano. Ele era grande em

* Josefo Flávio, História dos Hebreus, Editora CPAD, Rio de Janeiro, 1990.
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poder, mas também grande em corrupção e violência. A

corrupção é um vírus que infecta o poder. Nunca morre, apenas

fica latente. Os governos que não o combatem morrem por

dentro.


Pôncio Pilatos

Depois que Arquelau, filho do rei Herodes, foi exilado

para a Gália em 6 d.C., a dinastia herodiana se extinguiu na

Judéia e Samaria. Roma deixou de nomear os filhos de Herodes

e passou a estabelecer procuradores que governavam estas

regiões sob sua influência direta. Pilatos foi o quinto dos sete

procuradores romanos que de 6 a 41 d.C. governaram a Judéia

e Samaria. Pilatos governou a Judéia por nove a dez anos.

Muitos pensam que Pilatos era um homem justo. Usam

seu famoso gesto do “lavar as mãos” como se este fosse uma

reflexão de justiça. Entretanto, nem o gesto de Pilatos nem a

sua história expressam justiça, mas desumanismo.

O historiador judeu Filo cita uma carta do rei Agripa I,

na qual Pilatos é apontado como “um homem inflexível e de

caráter irrefletidamente severo... Sua administração era cheia de

corrupção, violência, furtos, maus tratos para com o povo judeu,

injúrias, execuções intermináveis sem a forma sequer de

julgamento, e intoleráveis crueldades”.

O massacre mencionado no registro de Lucas 13 é uma

prova da crueldade deste homem38. Na ocasião, alguns galileus

foram mortos por soldados de Pilatos enquanto estavam

provavelmente oferecendo sacrifícios no templo. O sangue deles

foi misturado com o sangue de seu sacrifício

Pilatos era tão arrogante que freqüentemente feria os

sentimentos de liberdade religiosa do povo judeu. Liberdade

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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

que era patrocinada pelo império romano, sendo tal patrocínio

um dos segredos da sua estabilidade. Pilatos desprezava e

provocava a cúpula judaica. Estudaremos que ele, no julgamento

de Jesus, o usava para desafiar os homens do sinédrio, dizendo:

“eis o vosso rei” 39.

Israel nunca aceitou o domínio de Roma, por isso fazia

constantes rebeliões contra o império. Todos os governantes

tinham medo de uma revolta do povo judeu, mas Pilatos não

se importava com eles. Massacrava as revoltas.

Só havia um homem que Pilatos temia, o imperador

Tibério. Tibério era considerado o senhor do mundo. Pilatos

tinha medo de que o imperador pudesse destituí-lo do seu poder.

Seu governo despótico e violento amotinou de tal forma os

judeus que Vitélio, governador da Síria, enviou mensagem a

Tibério para dar conta dos seus feitos. Logo após a morte do

Imperador, seu governo acabou repentinamente. A história

diz que Pilatos, em seguida, suicidou-se.


O JULGAMENTO PELO

IMPÉRIO ROMANO

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CAPÍ T U L O 7


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OJulgamentopeloImpérioRomano

s leis romanas representavam a mais bela cultura

jurídica e o mais belo solo dos direitos humanos da Antiguidade.

Elas influenciariam decisivamente o direito moderno. Todavia,

não poucos líderes do império distorceram as leis e corromperam

o direito.

Devemos nos perguntar: Jesus teve um julgamento justo?

As leis romanas garantiram seus direitos fundamentais? Pilatos

respeitou a norma da lei ou esfacelou-a? Precisamos

compreender por que o julgamento do mais inocente dos

homens se converteu em pena máxima e por que durante o seu

processo ele foi afligido.

As três acusações dos judeus

Os judeus foram apressados a Pilatos. Precisavam

convencê-lo a executar Jesus antes que a população organizasse

uma revolta. Atropelar a consciência do governador da Judéia e

fazê-lo satisfazer o desejo do sinédrio não seria uma tarefa fácil.

A
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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida



Lucas registra que Herodes Antipas, o filho do Rei

Herodes, sabia que Jesus era famosíssimo e, por isso, desejava

conhecê-lo. Pilatos certamente também sabia da fama de Jesus.

Tal tese fica demonstrada pelo seu rápido convencimento de

que o mestre era inocente. Estava convicto de que ele não

oferecia risco para a estabilidade do Estado.

Os judeus fizeram três graves acusações para Pilatos sobre

Jesus. Primeira, acusaram-no de agitar a nação. Segunda, de vedar

pagar tributo a César. Terceira, de se fazer rei. As três acusações

eram bem sérias, mas falsas.

Primeira acusação: agitar a nação

Jesus magnetizava as pessoas. Seu poder de comunicação

era fascinante. Os homens ficavam extasiados ao ouvir suas

palavras e pasmados com a grandeza dos seus gestos. Um

carpinteiro causou uma grande revolução em suas vidas. O

homem comum foi levado por ele aos degraus mais nobres da

dignidade.

O mestre da vida deu profundas lições aos homens.

Despertou o ânimo e o sentido da vida deles. Ensinou-os a

amar a verdade e a ser fiéis à sua consciência. Lapidou suas

inteligências, os conduziu a pensar antes de reagir e não impor

as idéias, mas expor com sabedoria e sem coações. Vacinou-os

contra a competição predatória, o individualismo e a

agressividade. Conduziu-os a pensar na brevidade da vida e a

buscar metas que transcendem o tempo.

Com seus discursos ímpares, o mestre arrebatava as

multidões, mas não tumultuava a sociedade. Acusá-lo de agitar

e estimular a destrutividade era totalmente falso. Na realidade,

ele equilibrava e dava estabilidade à sociedade. Propiciava
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condições para que as relações sociais fossem reguladas pela

solidariedade, justiça e com os mais nobres sentimentos.

Não agitava a nação, mas balançava o coração dos homens.

Dizia que era a luz do mundo40. De fato, brilhava onde a luz do

sol nunca penetrara. Embrenhava-se pelas frestas da alma,

iluminava os becos da emoção, lançava fora todo temor e irrigava

de esperança os abatidos. As multidões afluíam para ver o fulgor

do mestre. Era impossível ocultá-lo.

Certa vez, um jovem morava num porão escuro. Sentiase

inseguro e amedrontado no breu. Queria de todos os modos

colocar uma lâmpada neste porão. Após ganhar dinheiro,

contratou um eletricista e satisfez seu desejo. Eis que naquela

noite não dormiu, a luz o incomodou.Por quê? Porque iluminou

o ambiente e revelou teias de aranhas, baratas e imundícias.

Somente depois de fazer uma boa faxina, ficou tranqüilo e

adormeceu.

Os fariseus viviam na obscuridade. Como não admitiam

nem desejavam fazer uma faxina em suas almas, a luz do mestre

os incomodava. Em que solução pensaram? Preferiram destruir

a luz a ser iluminado por ela.

Segunda acusação: vedar

pagar tributo a César

A máquina do império romano era caríssima. As

mordomias do imperador e dos senadores, bem como os salários

dos exércitos de dezenas de milhares dependiam dos impostos

do mundo dominado para ser sustentados. O império inchou,

para sobreviver precisava ser grande.

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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

Jesus não vedava pagar tributo a César. No livro “O Mestre

da Sensibilidade”*, comentei este assunto. Ele não queria

extinguir o governo político nem sua sobrevivência através dos

impostos. Discorria sobre um outro reino, um reino eterno,

onde não havia injustiça, lágrimas, dores e morte. As pessoas

deveriam dar a César o que é de César e a Deus o que é de

Deus41.


Em sua convicta opinião, o homem deveria procurar em

primeiro lugar o reino de Deus. Deveria perceber que a vida

humana, embora seja bela, se evapora como uma gota de água

no calor do dia. A consciência da brevidade da vida deveria

colocar colírios em seus olhos e fazê-lo enxergar um mundo

que ultrapassa a esfera material, além dos limites físicos.

O mestre da vida não queria que o homem deixasse de ser

ambicioso, mas ambicionasse acumular um tesouro que a traça

não corrói e nem os ladrões roubam. O tributo pago a César

dependia do suor do trabalho. O tributo pago a Deus não

dependia do dinheiro, bastava um coração simples e disposto a

amar.


Terceira acusação: fazer -se rei

O mestre de Nazaré não queria se fazer rei, embora tivesse

todos os atributos para ser o mais brilhante rei. Era lúcido,

sábio, perspicaz, eloqüente, justo, amável, afável, sereno,

equilibrado, mas não queria o trono político.

As pessoas queriam fazê-lo rei, mas ele rejeitou esta

proposta. Nem mesmo o trono do imperador romano o seduzia.

Indicava que nem o trono nos céus, uma dimensão

incompreensível ao pensamento humano, o satisfazia.

* Cury, Augusto J., Análise da Inteligência de Cristo- O Mestre da Sensibilidade, Academia de Inteligência,

São Paulo, 2000.
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O mundo ficava embasbacado com seu poder. As pessoas

ficavam paralisadas com os seus discursos. Tinha o que todo

político sonhava, mas nem o auge da fama o animava. Queria

ser rei no único lugar em que não reinava: no coração humano.

Preferia o amor de pessoas simples ao ribombar dos aplausos

da multidão.

A cúpula judaica pressiona Pilatos

As acusações feitas pelos judeus eram sérias. A pena de

morte dos judeus era por apedrejamento42. A crucificação era

uma prática fenícia, que depois foi adotada pelos gregos e

posteriormente incorporada pelo império romano. Roma só

crucificava escravos e criminosos atrozes.

Cristo por quatro vezes havia predito que seria crucificado.

A quarta e última vez foi predita pouco tempo antes de morrer,

alguns dias antes da páscoa judia43. O carpinteiro de Nazaré

sabia que não morreria apedrejado. É incomum alguém prever

a maneira pela qual sua vida será extirpada e mais incomum

ainda é ver alguém, tal como Jesus, dirigir seu próprio julgamento

com gestos, palavras e momentos de silêncio.

A morte por apedrejamento é rápida, enquanto a por

crucificação é lenta e angustiante. Esquivou-se do apedrejamento,

pois queria morrer como o mais vil dos homens. Almejava passar

em todos os testes de suplício. A história de Jesus é saturada de

enigmas. Nós diariamente nos desviamos da dor; ele, mostrando

uma emoção inabalável, foi ao encontro dela.

A liderança judia ponderou nas conseqüências sociais de

apedrejar o mais amável e admirado dos homens de Israel.

Arquitetaram, então, usar a política romana para executar a

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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

intenção escusa. Decidiram que Roma condenaria aquele que

ela considerava o mais insolente blasfemador.

Livres da responsabilidade da morte de Jesus, os fariseus,

os escribas e os sacerdotes manipularam o povo, levaram-no a

desprezá-lo e a vê-lo como um agitador político. Assim, essa

brilhante nação não o investigou detalhadamente até hoje. Quem

sabe este livro propicie condições para que alguns judeus

investiguem a história do mestre dos mestres.

A estabilidade do império romano

era devido à tolerância

Um dos motivos da fragilidade dos regimes socialistas foi

a falta de tolerância e respeito pela cultura e práticas religiosas.

As democracias capitalistas têm inúmeras doenças, mas um dos

segredos de sua razoável estabilidade é a existência de um bom

sistema circulatório de liberdade de expressão e de pensamento.

É possível aprisionar os corpos e algemar as mãos, mas não é

possível encarcerar os pensamentos.

Ao tentar aprisionar o pensamento das pessoas, os regimes

ditatoriais construíram uma poderosa arma contra si mesmo.

Até nas doenças psíquicas o encarceramento do pensamento

explode de ansiedade e se volta contra o corpo como inúmeros

sintomas psicossomáticos.

Roma devia ter cerca de 750 anos (anno urbis) de fundação

quando nasceu Jesus. No início era um povoado tímido, mas

com o passar do tempo, Roma se desenvolveu e se tornou um

vasto império, que durou muitos séculos. Antes de muitas

sociedades modernas, ela descobriu que sua sobrevivência como

império só poderia ter razoável estabilidade se respeitasse a
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cultura e as práticas religiosas. Portanto, não havia sentido a

cúpula judaica conduzir o mestre de Nazaré a Pilatos, pois o

conflito existente era uma questão cultural, espiritual, de

liberdade de consciência. Portanto, não competia a Roma julgar

tais assuntos.

Pilatos sabia disto, por isso não queria julgar o caso. O

governador tinha consciência de que os judeus o estavam

entregando por inveja44. Na primeira parte do julgamento,

interrogou Jesus por duas vezes.

Na primeira vez que o entrevistou, não conseguia achar

crime algum passível de morte. Por isso insistia em que o sinédrio

o julgasse segundo a lei dos judeus. Perspicazes, eles se

esquivaram, dizendo que não lhes era lícito matar alguém.

Temiam uma convulsão social.

O réu interrogando Pilatos

Como os judeus não queriam sujar suas mãos, Pilatos

retorna ao pretório, à sala de julgamento e pergunta a Jesus se

ele era o rei dos judeus. Jesus, para espanto de Pilatos, começa a

interrogá-lo, perguntando de quem partia aquela pergunta. Com

a mesma ousadia com que interrogou Anás, o mestre interroga

o governador da Judéia.

O mestre da vida estava estimulando Pilatos a pensar.

Queria que ele saísse do clima de tensão, fizesse um julgamento

isento de ânimo, fora da influência da cúpula judaica. Mas o

governador não entendeu. Estava dominado pelo clima tenso e

respondeu asperamente a Jesus dizendo que ele não era judeu.

Disse pejorativamente que “a tua própria gente” é que o estava


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2015 -> Componente Curricular: Enfermagem Médica Profª Mônica I. Wingert Módulo II turma 201E
2015 -> Visando melhorar o desempenho e cobertura do Programa Coletivade Odontologia Preventiva do Escolar e ao mesmo tempo incentivar a participação de todos os municípios e facilitar a Operacionalização, Controle e Avaliação do mesmo
2015 -> Relatório Anual de Atividades Modelo – Sorriso do Bem 2015 – Dentista do Bem
2015 -> Regeneração Ad Integrum da Cabeça do Côndilo em uma Paciente com Disfunções Temporomandibulares
2015 -> Revisão unidade – 6º ano leia os textos abaixo. Texto o sapateiro
2015 -> Linhas da cúspide da casa e do fim da casa 6 os graus da cúspide e do fim
2015 -> Casa semana Mapeamento celestial
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