Contatos com o autor



Baixar 0.81 Mb.
Página7/17
Encontro02.07.2019
Tamanho0.81 Mb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   ...   17

ficaram tão escandalizados que rasgaram as suas vestes. Tal

* Shakespeare, William
a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a

97


atitude, típica da cultura judaica, era tomada toda vez que algo

muito grave, chocante e inadmissível acontecia. Não podiam

estar mais perplexos. Os homens do sinédrio estavam num

grande dilema: ou o consideravam a maior verdade do universo

ou a maior heresia já proclamada por um homem. Preferiram a

segunda opção.

Como poderiam crer num homem que se recusava a fazer

milagres em público? Se fizesse qualquer milagre, poderia mudar

o pensamento da cúpula judaica, mas o mestre dos mestres

não mudava os seus princípios. Jamais faria um milagre para se

promover.

O seu rosto já estava edemaciado, os traumas ainda

estavam doloridos, mas, desprezando a sua dor, revelou sua

identidade e escandalizou seus opositores. Que coragem é esta

que vai até às últimas conseqüências? Se ele tivesse se calado,

teria evitado mais uma sessão de tortura.

Muitas vezes, simulamos e disfarçamos nossas intenções.

Não creio que haja uma pessoa que não tenha mentido ou

simulado seus pensamentos e intenções diversas vezes na sua

vida. Tais reações derivam do medo de sofrermos conseqüências

por nossa honestidade. O mestre preferia ser maltratado

fisicamente a ser pela sua consciência.

Como pode alguém, que aparentemente estava derrotado,

se mostrar imbatível e se posicionar como senhor do universo?

Réu de morte

Caifás, como líder máximo dos judeus, foi o primeiro a

rasgar a sua veste. Após tal ato, bradou a plenos pulmões: “Ele

blasfemou” 29. Controlado pela raiva, perguntou aos membros

do sinédrio qual era o parecer deles. Responderam altissonantes:

“É réu de morte”.

CondenadonaCasadeCaifáspeloSinédrio
a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a

98


Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

Os membros do sinédrio desejavam ardentemente eliminálo.

Suas palavras estavam contagiando todo o povo. Na sua

resposta, encontraram o motivo. Para a multidão que amava

Jesus nenhuma explicação era necessária para identificá-lo, mas

para os que o odiavam nenhuma explicação era possível.

Alguns escritores judeus da atualidade dizem que Jesus

era querido no meio da cúpula judaica.Não é verdade. Nutriam

por ele uma rejeição visceral. Por que tamanha rejeição? A

matemática é simples. Se cressem nele, teriam de mudar

completamente a maneira de ver a vida e reagir ao mundo. Teriam

de admitir que o Deus de Moisés e dos profetas, que foi

proclamado em verso e prosa nos Salmos, estava diante deles

na pessoa de seu filho. Teriam de abandonar sua arrogância e se

dobrar aos seus pés.

A segunda e dramática sessão de tortura

No momento em que os homens do sinédrio bradam que

Jesus era réu de morte, detonam o gatilho da agressividade,

uma fúria incontrolável se apodera dos soldados sob seu

comando. Eles se aglutinam em torno dele e começam a

esmurrá-lo, cuspir no seu rosto, esbofeteá-lo, chutá-lo.

Em minutos, multiplicam-se seus edemas e hematomas.

Seu rosto traumatizado desfigura-se ainda mais. O poeta da vida

está quase irreconhecível.

Foi uma noite de terror. E, como se não bastasse a

violência física, eles o torturaram psicologicamente. Cobriramlhe

o rosto e o esmurraram dizendo: “profetiza quem te feriu” 30.

Faziam-no o centro de um espetáculo de deboche. Imensas

gargalhadas se ouviam no pátio da casa de Caifás. Todos

zombavam do “falso” filho de Deus. Quem suportaria tanta

humilhação?
a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a

99


Eis o grande paradoxo expresso na história de Jesus: “Em

nome de Deus os homens feriram a Deus, porque não

descobriram que Ele estava escondido na pele de um homem”.

Se tivéssemos o poder que o mestre da vida confessava

ter, o que faríamos com nossos carrascos? Certamente os

teríamos agredido com igual violência. Se o destino da

humanidade dependesse de nossa paciência, a humanidade seria

extinta. Foi um grande teste para Jesus. Ele nada fez.

Simplesmente suportou o insuportável.

Considerado uma escória humana

Um dia, um velho amigo chinês me contou uma história

emocionante que ocorreu há muitos séculos na China. Um

general chinês, que queria destituir o império, foi capturado pelo

exército do imperador. Este planejou usá-lo para que ninguém

mais se rebelasse contra o império. Pensou em colocá-lo diante

do povo para humilhá-lo publicamente.

O imperador tomou providências para que o general não

se suicidasse antes de dar a lição ao seu povo. O general ficou

sabendo da intenção do imperador e considerou a humilhação

pior do que a própria morte. Então, antes que começasse sua

tortura, começou silenciosamente a morder e triturar a sua língua.

Assim, ele começou a expelir grande volume de sangue pela

boca e, antes que fosse humilhado publicamente, morreu de

hemorragia.

A grande maioria de nós carrega nos recônditos da alma

algumas pessoas que nos feriram ao longo da vida, que de alguma

forma nos desprezaram. A dor da humilhação, ainda mais se

for diante dos outros, é quase inesquecível. Cala fundo na alma,

gera um sentimento de revolta.

CondenadonaCasadeCaifáspeloSinédrio


a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a

100


Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

Jesus, mais do que qualquer homem, foi humilhado

publicamente. Teve quatro grandes sessões de tortura física e

psicológica. Sua humilhação não foi um simples desprezo, mas

um deboche no mais alto grau. Foi considerado uma escória

humana, alguém de quem as pessoas se envergonham e viram o

rosto. Entretanto, não desistiu da vida e nem se revoltou.

Simplesmente suportou.

Pouco tempo antes de ser preso, ele entrou em Jerusalém

sob o clamor das multidões. Estava no auge da fama. Porém,

ao entrar na cidade, chorou 31. Sua reação foi estranha e incomum

para alguém com altíssimo índice de popularidade. Todavia, não

se importava com a fama. Queria o coração dos homens. Chorou

pelos habitantes de Jerusalém. Chorou pela dor das pessoas,

pela distância que seus líderes estavam de Deus. Desejava que

eles se aproximassem dele e conhecessem o mais belo dos

caminhos, o caminho da paz.

As lágrimas que rolavam pelo rosto do mestre da vida

eram um testemunho vivo de que, apesar de ser contra as práticas

dos fariseus, ele os amava. Semanas mais tarde, ele foi preso.

Livre, chorou; preso, um outro líquido escorria pelo seu rosto.

O que é? São lágrimas? Não, estas já haviam sido derramadas.

São gotas de escarro. Que contraste! Os homens cuspiam em

seu rosto e um fluido viscoso escorria pela sua pele.

A análise psicológica desse ato revela que “cuspir” é

símbolo pleno da rejeição. Ao ser cuspido, o mestre dos mestres

foi rejeitado ao máximo.

Quando chorou, Jesus tinha muitos motivos. Os homens

que falavam de Deus não tinham os atributos de Deus, não

conheciam a compaixão, a misericórdia, o perdão. Se ele era

Deus, como pôde ser escarrado pelas suas criaturas sem nada

fazer? Qual a explicação? Não há explicação. O amor é

inexplicável.
a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a

101


O topo da mansidão no topo da dor

Qualquer pesquisador da psicologia que analisar a

personalidade de Cristo ficará impressionado. Ele se comportava

como um homem, mas é humanamente impossível estar

tranqüilo onde só havia espaço para a ansiedade; estar sereno,

onde só cabia o pânico.

Ele não era controlado pelo medo. Seu comportamento

sereno e tranqüilo perturbava os que o odiavam e os levava à

loucura. Mesmo os homens de Pilatos aumentavam o grau de

tortura por não vê-lo reagir.

Jesus, certa vez, deu um ensinamento inusitado aos seus

discípulos. Disse que não temessem o homem, fosse quem

fosse, pois por mais violento, poderia, no máximo, tirar a vida

do corpo e, depois disso, nada mais poderia fazer. Completou

dizendo que reverenciassem o Criador, pois nas mãos dEle estava

o destino do corpo e da alma humana32. De fato, nada que os

homens pudessem fazer contra ele o abalava.

Somente isso explica por que, no topo da dor, o mestre

da vida expressava segurança e brandura. Há dois mil anos pisou

na terra um homem que atingiu o apogeu da saúde emocional.

Certa vez, o mestre da vida fez um convite que a psiquiatria

e a psicologia moderna jamais têm coragem de fazer. Disse:

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados,

e eu vos aliviarei... Aprendei de mim, porque sou manso e

humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas” 33.

O convite de Jesus nos deixa impressionados. Ele discutia

um assunto que estava se iniciando em sua época e se desenvolveu

ao longo dos séculos e nos tem afetado coletivamente na

atualidade. Antes de discorrer sobre sua proposta, vamos analisar

nossa qualidade de vida no terceiro milênio.

CondenadonaCasadeCaifáspeloSinédrio
a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a

102


Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

Se um psiquiatra fizer este convite aos seus pacientes, ele

tem grande chance de estar tendo um surto psicótico. Os

psiquiatras também são vítimas da ansiedade. Também

hiperaceleram seus pensamentos, roubam energia do córtex

cerebral e ficam fatigados, cansados, ainda que não tenham feito

exercícios físicos que justifiquem a dimensão deste cansaço.

Tenho pesquisado uma nova síndrome psíquica, a SPA

ou síndrome do pensamento acelerado. O excesso de

bombardeamento de informações no mundo moderno e a

hiperexcitação da emoção através da indústria do

entretenimento, tais como TV, vídeo, internet, competições

esportivas e profissionais, têm gerado a síndrome SPA. O ponto

central desta síndrome é a dificuldade do “eu” em gerenciar o

processo de construção de pensamentos, o que se traduz por

produção exagerada e acelerada.

Os sintomas da síndrome SPA são: hiperprodução de

pensamentos, pensamento antecipatório, ruminação do

passado, ansiedade, dificuldade de ter prazer na rotina diária,

insatisfação existencial, a flutuação emocional, o sono

insuficiente, déficit de concentração e diversos sintomas

psicossomáticos, tais como cansaço físico exagerado, cefaléia,

alteração do apetite. A SPA é a síndrome do homem moderno.

Os que exercem um trabalho intelectual mais intenso estão

mais expostos a ela. Nem sempre ela é doentia, pois seus

sintomas não chegam a ser incapacitantes, mas ela pode

predispor o homem a ter ansiedade patológica, depressão,

síndrome do pânico, transtornos obsessivos, doenças

psicossomáticas.

Os juízes, advogados, os médicos, os psicólogos, os

executivos, os jornalistas e os professores têm freqüentemente

e, em diversos níveis de intensidade, a SPA. Eles não conseguem


a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a

103


desacelerar o pensamento e poupar energia física e psíquica.

Gastam mais do que repõem, por isso acordam fatigados.

Os professores de escolas primárias e secundárias de todo

o mundo têm enorme dificuldade para ensinar, manter o silêncio

em sala de aula e conquistar o respeito dos alunos, porque muitos

deles também são portadores desta síndrome. Os alunos de um

século atrás pensavam num ritmo bem mais lento do que os da

atualidade. Por serem insatisfeitos, ansiosos e com enorme

dificuldade de se colocar no lugar dos outros, a escola virou

uma prisão para eles. Os alunos e a escolas estão em mundos e

em ritmos diferentes.

Se o mestre de Nazaré já detectava que os homens de sua

época tinham uma péssima qualidade de vida, estavam cansados,

estressados e sobrecarregados, imagine como estamos no

terceiro milênio. A vida tem sido um espetáculo onde há mais

ansiedade do que tranqüilidade. Todos somos candidatos ao

stress.

Já ajudei diversos psicólogos e percebi claramente que



muitos sabem lidar com as dores dos outros, mas, como qualquer

ser humano, também têm grande dificuldade de gerenciar suas

emoções, principalmente nos focos de tensão. Os psiquiatras,

por tratarem das mazelas da alma, se psicoadaptam aos pequenos

estímulos prazerosos da rotina diária e, sorrateiramente, se

entristecem, perdem o brilho da juventude. Envelhecem

precocemente num lugar em que jamais deveriam envelhecer,

no território da emoção. Por isso muitos deles se deprimem.

Há muitos psiquiatras experientes, mas é raro encontrar

um psiquiatra com mais de quinze anos de profissão

contemplando o belo; alegre, solto, livre, vivendo cada dia como

um novo dia.

Os antidepressivos tratam da depressão, mas não

CondenadonaCasadeCaifáspeloSinédrio


a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a

104


Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

produzem prazer. Os ansiolíticos tratam da ansiedade, mas

não produzem a serenidade. Não sabemos como produzir um

homem alegre e tranqüilo. Mas há dois milênios apareceu um

homem que fez um convite único para a humanidade. Propunha

que os homens viessem a ele e aprendessem o que nenhuma

escola ensina: tranqüilidade, descanso emocional, um

pensamento desacelerado e lúcido, um prazer existencial estável.

O mundo conspirava contra ele, mas ele ainda caminhava

suavemente pela vida. Sabia antecipadamente sobre a violência

do seu martírio, mas para o nosso espanto, não vivia a síndrome

SPA. Tinha todos os motivos para ter insônia, mas dormia até

em ambientes em que todos estavam ansiosos, tal como no

episódio do mar agitado. O mestre dos mestres era

invariavelmente tranqüilo num ambiente turbulento; era alegre

em situações saturadas de conflitos.

Ninguém mais teve a ousadia e a eloqüência de proferir as

palavras que Jesus proferiu. Era possível observar com facilidade

os traços de um homem sereno e manso em seu julgamento.

Estava no topo da dor física e psicológica, mas se estivéssemos

presentes na cena, poderíamos contemplar um homem que

exalava calma no caos.

Que homem é este que governava seus pensamentos e

emoções num ambiente em que era quase impossível gerenciar

a inteligência? A psicologia e a psiquiatria só não se dobraram

aos seus pés porque não tiveram a iniciativa de investigá-lo.

Caminhando em direção à casa de Pilatos

Jesus saiu sangrando da casa de Caifás, estava quase sem

energia. Cambaleante, fez mais uma angustiante caminhada à

fortaleza Antônia, onde se encontrava Pilatos. Chegou a vez da

política romana julgá-lo.34
a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a

105


O sinédrio desejava que Pilatos o condenasse velozmente

e sem um julgamento formal e, ainda por cima, se

responsabilizasse pelo ônus da sua morte. Os líderes judeus

não queriam levar a culpa de cessar o fôlego do escultor da

alma humana.35

CondenadonaCasadeCaifáspeloSinédrio


OS HOMENS DO

IMPÉRIO ROMANO NA

HISTÓRIA DE CRISTO:

O PANO DE FUNDO

a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a

CAPÍ T U L O 6


a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a

109


Os Homens do Império Romano na História de Cristo: O Pano de Fundo

ntes de comentar o julgamento de Cristo conduzido

pela política romana, gostaria de fazer uma síntese das

características da personalidade e da atuação política dos mais

importantes personagens do império romano que participaram

direta ou indiretamente de sua história.

Precisamos conhecer algumas áreas dos bastidores

políticos do maior império da história e usar este conhecimento

como pano de fundo para compreendermos o julgamento do

mestre dos mestres.

Herodes, o Grande

Herodes, o Grande, era o rei da Judéia e da Galiléia quando

Jesus nasceu. Foi ele quem, movido pela ambição e controlado

pelo medo, mandou assassinar o menino Jesus. Como não tinha

a identidade e a localização exata do menino, enviou soldados

para matar todas as crianças do sexo masculino abaixo de dois

A
a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a

110


Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

anos na cidade de Belém. Cometeu, assim, uma das maiores

atrocidades da história. Executou tal ato quando estava velho.

Os anos não apaziguaram sua emoção.

Herodes, o Grande, era de família nominalmente israelita,

mas, na realidade, não era judeu.Era um edomita, pertencia a

outra nação. Teve um longo reinado. Reinou de 40 a.C. a 4.d.C.,

portanto cerca de 44 anos. Foi o fundador da última dinastia

judaica.

Era filho de Antipater. Este teve uma posição de grande

influência no governo de Hircano II, último rei judeu e sumo

sacerdote asmoneano. Antipater percebeu que o futuro da Judéia,

onde se encontra a cidade de Jerusalém, estaria nas mãos de

Roma. Astuciosamente ganhou a amizade do imperador Pompeu

e, depois da morte deste, de Júlio César. Auxiliou Júlio César

com homens e dinheiro em algumas de suas batalhas em 48

a.C. Este o recompensou, fazendo-o governador da Judéia,

Samaria e Galiléia, território sob o domínio nominal de Hircano.

Deste modo, a partir de Antipater, Israel deixou de ter o seu

próprio rei, algo inaceitável para o seu povo.

Após o assassinato de Júlio César em 44 a.C., Antipater

ganhou a confiança de Cássio, o líder do partido republicano, o

que lhe assegurava estabilidade em seu governo. Herodes, seu

filho, seguiu perseverantemente sua política. Habilidoso, sabia

que não podia confrontar-se com aqueles que estavam

dominando o mundo, por isso se aliou sucessivamente aos

imperadores Pompeu, Júlio César, Cássio, Antônio e, finalmente,

a Augusto. Aproveitando as oportunidades políticas após a

morte de seu pai, acabou, por fim, tornando-se um rei

confederado (rex socius) do império romano.

Pelo decreto do senado romano em 40 a.C., tornou-se rei

da Judéia. Em 37 a.C. casou-se com Mariana, neta do ex-rei


a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a

111


Hircano. Corajoso, apoderou-se de Jerusalém com auxílio de

duas legiões romanas. Herodes também era um político dotado

de paciência. Gastou nove anos para fortalecer sua posição até

tomar Jerusalém. Na ocasião, seu instinto sanguinário se revelou.

Mandou assassinar quarenta e cinco membros (maioria saduceus)

do sinédrio, e matou toda casa asmoneana, linhagem judaica

que governava a Judéia.

Apesar de violento, Herodes se mostrou um grande

construtor. Os quatorze anos seguintes empregou na construção

de edifícios públicos, incluindo o teatro de Jerusalém. Edificou

também novas cidades, a maior das quais era Cesaréia, em

homenagem ao imperador. Sua maior obra foi a reedificação

do templo. Entretanto, a águia de ouro, símbolo da supremacia

romana, que ele colocou em cima da entrada principal do templo,

foi para o povo judeu uma lembrança amarga e constante da

servidão imposta por Roma.

Herodes teve um reino material privilegiado. Desfrutou

de relativa tranqüilidade política. Protegeu o comércio e a

agricultura e apresentava socorro social em situações de

calamidade. Entretanto, seus feitos não foram valorizados devido

à arrogância e às violações dos direitos humanos. Como acontece

com todos os homens agressivos que dominam seu povo com

mão de ferro, sua vida estava freqüentemente ameaçada por

conspirações. Porém, esmagava e torturava seus inimigos. Não

poupou nem sua amada esposa, Mariana.

Tinha várias mulheres, mas seu coração era de Mariana,

uma judia. Amava-a intensamente*. Porém, Mariana rejeitava-o

por ter matado muitos membros de sua família. Toda vez que

Herodes chegava fatigado das longas batalhas, procurava o

Os Homens do Império Romano na História de Cristo: O Pano de Fundo

* Josefo, Flávio, História dos Hebreus, Editora CPAD, Rio de Janeiro, 1990.
a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a a

112


Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

amor e carinho da esposa. Todavia, encontrava uma esposa

deprimida, que pouco se importava com seu poder e glória.

Mariana era rejeitada por membros da família do rei. Certo

dia, influenciado por falsas denúncias produzidas por seus

parentes, o poderoso Herodes mais uma vez expressou ser

pequeno de alma. Era diferente de Jesus, que aceitava ser

abandonado, negado e traído sem nada cobrar de ninguém.

Mandou assassinar a sua amada por suspeitar que ela conspirara

contra ele. Herodes, conhecido como “o Grande”, era infantil

na capacidade de compreensão da dor humana.

Ao matar quem tanto amava, sua vida se converteu em

tormento; sua glória, em maldição. Vivia para o poder e não viu

mais dias felizes. A ambição transformara o poder num cárcere.

Posteriormente, em 7 a.C., Herodes vai ainda mais longe

em sua agressividade. Influenciado por um dos seus filhos

gerados de outra mulher, manda matar os dois filhos que tinha

com Mariana, Alexandre e Aristóbulo. O motivo era novamente

uma falsa conspiração. Herodes era um rei tão frio e inumano

que Augusto, o grande imperador romano, chegou a expressar

que preferia ser “um dos seus suínos a ser um dos seus filhos”.

Herodes não tinha descanso fora nem dentro de si. Houve,

de fato, um filho que conspirou contra ele. Na reunião de

julgamento, este filho derramou lágrimas e implorou a

compaixão do pai, mas ele não o perdoou. Mandou assassinálo.


: 2015
2015 -> Componente Curricular: Enfermagem Médica Profª Mônica I. Wingert Módulo II turma 201E
2015 -> Visando melhorar o desempenho e cobertura do Programa Coletivade Odontologia Preventiva do Escolar e ao mesmo tempo incentivar a participação de todos os municípios e facilitar a Operacionalização, Controle e Avaliação do mesmo
2015 -> Relatório Anual de Atividades Modelo – Sorriso do Bem 2015 – Dentista do Bem
2015 -> Regeneração Ad Integrum da Cabeça do Côndilo em uma Paciente com Disfunções Temporomandibulares
2015 -> Revisão unidade – 6º ano leia os textos abaixo. Texto o sapateiro
2015 -> Linhas da cúspide da casa e do fim da casa 6 os graus da cúspide e do fim
2015 -> Casa semana Mapeamento celestial
2015 -> Linhas da cúspide da casa e do fim da casa 6 os graus da cúspide e do fim


1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   ...   17


©aneste.org 2017
enviar mensagem

    Página principal