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e eles não o reconheciam. Que contraste impressionante! Eram

especialistas em ensinar Deus aos homens, mas não conheciam

o Deus que ensinavam. Não conseguiam enxergar o filho de

Deus por detrás daquele galileu.


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Os fariseus faziam longas orações, pareciam exteriormente

espirituais, mas o mestre indicava reiteradas vezes que eles

usavam a religião com o objetivo de se promover socialmente,

para ocupar os primeiros lugares nas festas e nos templos

judaicos.

Imaginem a cena. Jesus dizia ser o filho do Deus altíssimo.

Entretanto, ao nascer, preferiu o aconchego de uma manjedoura

a berços dos que são técnicos em Deus. Quando cresceu,

preferiu trabalhar com madeira bruta e com martelos a freqüentar

a escola dos fariseus. Quando abriu a sua boca, os homens que

ele mais desaprovou não foram os pecadores, os imorais, os

impuros, mas os homens que diziam adorar o seu Pai. Não há

como não se surpreender com esses paradoxos.

Certa vez, o mestre disse aos fariseus que eles liam as

escrituras, mas não vinham até ele para ter vida25. Outra vez

disse que muitos o honravam com a boca, mas tinham o coração

longe dele26. Indicou que todas as vezes que os líderes de Israel

recitavam um salmo ou liam uma passagem dos profetas, eles o

honravam com a boca, mas não o conheciam nem o amavam.

Quem é este homem que abalou os alicerces dos religiosos de

sua época?

Fenômeno da psicoadaptação

gerando a insensibilidade

Neste texto, gostaria de fazer uma pequena pausa para

analisar alguns mecanismos inconscientes que conduziram os

fariseus e toda a cúpula judaica da época a desprezar

completamente o mestre dos mestres. No primeiro capítulo,

comentei os motivos conscientes, principalmente as causas

sociais; agora, estudaremos os fatores inconscientes produzidos

CondenadonaCasadeCaifáspeloSinédrio


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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

principalmente pela atuação do fenômeno da psicoadaptação.

Os mecanismos aqui descritos poderão também arejar algumas

importantes áreas de nossa inteligência.

O fenômeno da psicoadaptação atua no território da

emoção e destrói sorrateiramente a simplicidade, criatividade,

capacidade de aprendizado, a contemplação do belo.

Ao longo de vinte anos tenho estudado a atuação deste

fenômeno. Por um lado, ele é importantíssimo para o

funcionamento normal da mente; por outro, ele pode, se não

bem gerenciado, aprisionar o ser humano num cárcere,

principalmente os cientistas, executivos, os escritores, os

religiosos, os professores, os profissionais liberais, enfim, os

que exercem um trabalho intelectual intenso. Os processos

envolvidos na atuação deste fenômeno não serão estudados

aqui*.


Psicoadaptação, como o próprio nome indica, é a

adaptação da emoção aos estímulos dolorosos ou prazerosos.

A freqüente exposição aos mesmos estímulos leva, ao longo

do tempo, à perda da sensibilidade a eles. Podemos perder a

sensibilidade pela dor, necessidade e fragilidade dos outros.

Podemos ainda, perder paulatinamente a capacidade de sentir

prazer na vida, o encanto pelas pessoas mais íntimas, o amor

pelo trabalho, a disposição para criar, a habilidade para aprender.

Jesus foi o mestre da sensibilidade. Sabia reciclar o

fenômeno da psicoadaptação com grande destreza. Nunca

deixava de se encantar com os pequenos estímulos e de ter prazer

de viver ainda que o mundo desabasse sobre sua cabeça.

Apreciava se relacionar com as pessoas. Mesmo com intensas

atividades, ainda achava tempo para fazer as coisas simples, como

* Cury, Augusto J., Inteligência Multifocal, Editora Cultrix, São Paulo, 1998.
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jantar na casa de um amigo ou contar uma parábola interessante.

O excesso de compromissos não modificou o que ele era por

dentro. Infelizmente, somos diferentes. Quanto mais

compromissos, deixamos de fazer as coisas mais simples e que

mais amamos.

À medida que somos expostos aos estímulos, deixamos

de ter prazer neles. Depois de um mês que compramos um

carro, o dirigimos sem grandes emoções. Nas primeiras vezes

que o dirigimos, sentimos um prazer mais intenso, mas, com o

passar do tempo, o estímulo visual vai atuando no processo de

construção de pensamentos e perdendo, sutilmente, a capacidade

de excitar a emoção.

O mundo da moda sobrevive porque as mulheres também

são vítimas do fenômeno da psicoadaptação. A necessidade de

comprar novas roupas ocorre porque após usar a mesma, a

emoção se psicoadapta e deixa pouco a pouco de sentir o prazer

nos mesmos níveis das primeiras vezes. A mídia é perniciosa

neste sentido. Ela, sem o perceber, atua no fenômeno da

psicoadaptação gerando uma insatisfação mais rápida e intensa,

o que estimula o consumismo.

Todos nós temos milhares de experiências nesse sentido.

Ao longo da vida nos psicoadaptamos a pessoas, coisas, situações

ou objetos. Em muitos casos, a atuação deste fenômeno é

positiva. Vamos dar dois exemplos.

Primeiro, quando conquistamos uma meta, um diploma,

um conhecimento, perdemos pouco a pouco o prazer da

conquista. À medida que esta perda se processa existe uma

ansiedade normal que é estimulada, que chamo de “ansiedade

vital”*. Tal ansiedade impulsiona inconscientemente a

necessidade de transpor a conquista, nos estimulando a ter novas

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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

idéias, novas metas, alavancando, assim, a criatividade. Muitos

homens deixam de brilhar porque perderam o encanto para

criar. Eles ouvem palestras sobre motivação, mas nada os

estimula. Apegam-se às suas conquistas como se fossem seus

tronos. Envelheceram no território das idéias.

Segundo, quando vivenciamos perdas, frustrações,

injustiças, o pensamento fica hiperacelerado e a emoção,

angustiada. Mas, com a atuação do fenômeno da psicoadaptação,

a carga de sofrimento vai diminuindo pouco a pouco, aliviando

a dor emocional. Quem não desacelera o pensamento, não se

psicoadapta às perdas, perpetuando, deste modo, a sua angústia.

Portanto, nesses dois sentidos, o fenômeno da psicoadaptação

é benéfico.

Precisamos ficar atentos para a atuação sutil e maléfica

deste fenômeno inconsciente. Ele pode nos fazer insensíveis à

dor dos outros; cultivar a auto-suficiência e nos transformar

em pessoas abastadas, prepotentes; gerar a prática do coitadismo

e nos transformar em pessoas sem auto-estima e com enorme

dificuldade de lutar pela vida e por nossos ideais; cristalizar

preconceitos e nos fazer discriminar pessoas que são tão

importantes como nós. Nesses sentidos ele é muito prejudicial.

O mestre da Galiléia, embora não citasse o fenômeno da

psicoadaptação em seus discursos, demonstrava que o conhecia

muitíssimo. Ele estava sempre treinando a emoção dos seus

discípulos para que eles não fossem insensíveis à dor dos outros,

vacinassem-se contra o orgulho, se colocassem como aprendizes

diante da vida, não desistissem de si mesmos por mais defeitos

que tivessem e nunca discriminassem ninguém que os rodeasse.

* Cury, Augusto J., A Depressão de Freud, Academia de Inteligência, São Paulo, 2001.


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A psicoadaptação dos fariseus

Antes de estudar a mente dos fariseus, deixe-me citar o

exemplo do holocausto judeu. Um dos motivos inconscientes

mais importantes que levou uma parte do povo alemão, que era

um berço de cultura e de idéias humanistas, a cometer as

atrocidades contra os judeus e outras minorias na Segunda

Grande Guerra foi o fenômeno da psicoadaptação.

A propaganda nazista, os fatores sociais e os focos de

tensão psíquica atuavam sorrateiramente no universo

inconsciente dos soldados nazistas fazendo com que

desenvolvessem uma repulsa pela raça judia e uma valorização

irracional pela raça ariana. Nos primeiros anos do nazismo, a

maioria dos soldados jamais pensou que seria protagonista de

um dos maiores crimes da história. Entretanto, à medida que

os judeus eram perseguidos e confinados nos campos de

concentração, algo sutil ocorreu nos bastidores da mente dos

soldados alemães. Eles se psicoadaptaram à dor deles. Com o

avanço da guerra, não mais se comoviam com suas misérias.

Nem a dor das crianças judias expressa pelo temor, corpos

emagrecidos, olhos fundos e angústia pela falta dos pais

comoviam os nazistas. Quantas lágrimas, gemidos inexprimíveis

e reações de medo não viveram.Um milhão de inocentes crianças

foram cortadas do direito de existir, viver e brincar. Não foram

os judeus que perderam suas crianças, mas nossa espécie. Eu e

você as perdemos. Nunca tantas crianças foram mortas na

história em um só período.

O mesmo fenômeno da psicoadaptação que contribuiu

para quase dizimar o povo judeu, também contribuiu para que

os líderes judeus assassinassem Jesus. Tornaram-se auto-

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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

suficientes. Ninguém podia ensiná-los e contrapor ao que

pensavam. Ninguém podia penetrar no mundo deles e dizer

que estavam errados. Jamais poderiam ser ensinados por um

nazareno que não tinha privilégios sociais. O mestre da vida

não podia ser um carpinteiro. Aqueles homens serviam a Deus

sem Deus. As chamas do amor do Criador não aqueciam suas

frias emoções.

Os homens que cometeram mais atrocidades na história

foram aqueles que tinham menos capacidade de se questionar.

Foram aqueles que tinham menos capacidade para aprender.

Eles fecharam as janelas da inteligência para pensar em outras

possibilidades. Quem vive verdades absolutas usa o poder para

dominar os outros. Aqueles que eles não conseguem dominar,

eliminam.

Será que não temos sido os

fariseus da era moderna?

Reflito: se fôssemos membros do sinédrio daquela época

não teríamos rejeitado também aquele carpinteiro simples, de

mãos grossas e pele judiada pelo sol? Quantos homens que se

consideram mestres dos textos bíblicos da atualidade não teriam

engrossado o coro da cúpula judaica, condenando aquele que

se recusava a fazer milagres para confirmar sua identidade?

Fico pensando se eu não sou um fariseu dos tempos

modernos. Quantas vezes ferimos o direito dos outros por nos

colocarmos num pedestal inatingível! Quantas vezes somos

radicais e engessados em nossa maneira de pensar! Excluímos

as pessoas que não pensam como nós, ainda que por horas.

Temos uma necessidade doentia de que o mundo se afine com

nossas idéias. Reagimos sem pensar quando nossos

comportamentos não são aprovados.
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Nenhum rei pode trabalhar em equipe se não sai do seu

trono e se coloca no mesmo nível dos seus súditos. Do mesmo

modo, quem se senta no trono da sua empresa, da sua escola,

da sua instituição, nunca terá nada para aprender com as pessoas

que o rodeiam. Quem só sabe dar ordens e olhar as pessoas de

cima para baixo, nunca conseguirá exercer um trabalho

humanizado. Quem não governa seu próprio mundo jamais

será um bom líder dos outros.

O mestre de Nazaré apesar de ser tão sublime na sua

capacidade de pensar não se posicionou acima dos homens,

não se tornou um extraterrestre, um corpo estranho em seu

meio social. Era um mestre na arte de ouvir, compreender os

sentimentos, estimular a inteligência e valorizar as pessoas que

o rodeavam. Sabia trabalhar em equipe como ninguém, pois

sabia descer ao nível das pessoas. Se ele era Deus, foi de fato

um Deus brilhante, digno de ser amado, pois teve a coragem de

sair do seu trono.

Jesus foi um mestre tão encantador que nem ao menos

teve ciúme de sua posição. Teve a coragem e o desprendimento

de dizer aos seus discípulos que eles fariam maiores coisas do

que ele fez. Quem se comporta deste modo? Até nos

departamentos das universidades tal solidariedade é utopia, pois

nela não poucos intelectuais vivem cercados por ciúme e vaidade.

O mestre dos mestres foi excepcional. Somente alguém tão

grande é capaz de estimular os outros a ultrapassá-lo.

Grande, mas pequeno

Alguns podem dizer que Jesus Cristo era absolutista, pois

declarava possuir um poder extremo, mas, para nosso espanto,

se recusava a usá-lo em favor de si. Nunca nenhum ser humano

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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

disse possuir as verdades que ele possuía. Mas, ao contrário de

nós, não obrigava ninguém a segui-las. Sua grandeza reluzia na

sua capacidade de se fazer pequeno.

Naqueles ares apareceu um homem convidando as pessoas

a beber de uma água nunca antes bebida, que saciava a sede da

emoção, que resolvia o vazio da existência e cortava as raízes da

solidão. Entretanto, só bebia dela quem tivesse uma sede

espontânea, quem tivesse coragem para reconhecer que faltava

algo dentro de si.

Quem não tivesse tal sede, podia seguir seu próprio

caminho e esquecer o mestre da vida. Quem se julgava abastado

podia ficar girando em torno do seu próprio mundo. Quem

não precisava de médico e julgava que não tinha feridas em sua

alma, podia excluí-lo de sua vida.

Rompendo o silêncio

Retornemos à casa de Caifás. Os homens do sinédrio

estavam bombardeando Jesus com perguntas, mas ele nada

respondia. Estavam incomodados com o seu comportamento.

Não parecia um réu. Ele estava às portas da morte e sob o risco

de mais uma sessão de tortura, mas se portava sem se perturbar.

Eles o colocaram como ator principal de uma falsa peça jurídica.

Tudo o que lhe faziam não era novidade. Horas antes, no

jardim do Getsêmani, gemeu de dor e se preparou para suportar

com dignidade os mais aviltantes sofrimentos e humilhações.

Seu comportamento sereno diante do sinédrio refletia a sua

exímia capacidade de governar a quase ingovernável emoção.

Cristo já havia se preparado para morrer.

Muitas pessoas dizem que não têm medo da morte. Só

que fazem esta afirmação quando estão em plena saúde. Diante


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do apagar das luzes da vida, nossa segurança se esfacela. Só não

sente algum tipo de insegurança diante da morte quem nunca

refletiu sobre ela. Tal insegurança, longe de ser ruim, é uma

homenagem à vida. A vida não aceita a morte.

Nossas emoções clamam pela continuidade da existência,

nossos pensamentos clamam pela perpetuação do espetáculo

da vida. Mesmo os que pensam em suicídio têm fome e sede da

vida, só que não suportam a angústia e o desespero que os

abate. Se aprenderem a não ser submissos à sua dor e a navegar

no território da emoção, ganharão um novo sentido de vida.

O sinédrio queria terminar o julgamento de Jesus. Caifás

insistia para que ele respondesse às acusações que lhe faziam,

mas ele mantinha-se em silêncio. Entretanto, Caifás fez-lhe um

pedido que ele não podia deixar de atender. Ele rogou perante

o Deus vivo que Jesus declarasse realmente se era o “Cristo”,

o filho de Deus.

No momento em que Caifás faz este apelo, Jesus, mesmo

sabendo que sua resposta detonaria o gatilho da agressividade

dos seus inimigos, rompeu seu silêncio. Percorreu com seus

olhos o sinédrio e fixou-se no sumo sacerdote. Em seguida

confirmou sem margem de insegurança: “tu o disseste” 27.

Talvez esperassem uma resposta negativa, um pedido de

desculpas e de clemência, dizendo que tudo que disseram sobre

ele não tinha passado de um grande engano. Mas sua resposta

foi positiva. Foi tão afirmativa que ele usou as próprias palavras

de Caifás para mostrar que ele era de fato o filho do Altíssimo.

Jesus declarou que o Deus que os homens do sinédrio serviam

era seu próprio Pai. E para não deixar dúvida alguma sobre sua

identidade, foi muito mais longe. Completou a resposta com

uma sentença que deixou seus inimigos atônitos, rangendo os

dentes, espumando de ódio. Vejamos.

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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

Revelando ser a pessoa mais

poderosa do universo

Imediatamente após declarar que era o filho de Deus, ele

revela seu status. Diz com toda autoridade e sem meias palavras

que tinha a mais alta posição do universo: “Entretanto, eu vos

declaroquedesdeagoravereisofilhodohomemassentado à direitado

TodoPoderoso,evindo sobreasnuvensdocéu” 28.

As principais traduções dessa frase carregam o mesmo

sentido, algo tão grande que beira os limites da linguagem.

Gostaria que antes de analisá-la, o leitor refletisse sobre ela.

O ilustre poeta Carlos Drumond de Andrade disse:

“Quanto mais se tem consciência do valor das palavras, mais se

fica consciente do emprego delas”. Se existiu uma pessoa

consciente do emprego das palavras, essa pessoa era Jesus. Era

econômico e preciso no falar. Tudo o que falava tinha a precisão

de um cirurgião. Seus pensamentos escondiam verdadeiros

tratados. Sabia exatamente o que falava e quais as implicações

de suas palavras.

Antes de analisar as reações dos homens do sinédrio,

vamos investigar as dimensões e implicações do seu pensamento.

Os fariseus o consideravam a maior heresia. Ele, ao invés de

acalmar os ânimos dos que o odiavam, derramou combustível

em sua ira.

Declarou que não era apenas o filho de Deus, mas que

todos os homens do sinédrio o veriam vindo sobre as nuvens

do céu. Que significa isto? Significa que, embora eles o matassem,

ele venceria a morte, estaria vivo e ativo, por isso o veriam vindo

sobre as nuvens do céu. O que significa vindo sobre as nuvens

do céu? Significa que, naquele momento, ele estava assentado


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no banco dos réus, estava na condição de um simples carpinteiro,

um nazareno desprezado e humilhado, mas um dia viria na

posição inversa, viria com todo poder para julgar a humanidade,

inclusive os homens que o julgavam.

Sua intrigante afirmação não pára por aí. Ele teve a ousadia

de dizer algo que nunca ninguém teve a coragem e até a

inteligência de dizer. Disse que se assentaria na mais alta posição

do universo, uma posição impensável, inimaginável, exclusiva,

ou seja, à direita do Todo-Poderoso.

Algumas versões dos evangelhos traduzem “Todo-

Poderoso” como “o Poder”. Qualquer que seja a tradução, ela

atinge o limite da linguagem. Jesus não disse que estaria à direita

de um poder, mas “do Poder”, do poder máximo, sem limites,

imensurável. Não é possível usar outra expressão para definir

um ser tão grande.

Dizer que seu Pai é Todo-Poderoso significa que Ele pode

estar em todo tempo e em todos os lugares. Perscruta os eventos

e sabe de tudo antecipadamente. Faz tudo o que quer, quando

quer e do jeito que quer. Ele é tão grande que tem características

incompreensíveis à mente humana. O tempo, a morte, as

limitações não existem para Ele. Não se submete às leis da

física, pois todas as leis são obras de sua sabedoria. Nada é

impossível para Ele.

Diante de tal poder, podemos perguntar: Se Deus é Todo-

Poderoso por que não arranjou um plano menos angustiante

para que seu filho pudesse resgatar a humanidade? Se Ele é

ilimitado, por que não interveio no caldeirão de injustiças que

borbulhou em todas as gerações? Por que há guerras, fome,

misérias, morte de crianças? Essas perguntas tratam de um

tema de fundamental importância, que perturba todos os que

pensam. Confesso que durante anos fiquei perturbado tentando

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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

garimpar algumas respostas. Esse tema será tratado nos últimos

textos deste livro. Neles abordarei o plano mais ambicioso da

história.

Do ponto de vista filosófico, não cabe mais do que um

Todo-Poderoso no universo, pois ao interpretar todas as

vertentes semânticas dessa palavra, chegaremos à conclusão de

que se houver mais do que um, eles limitariam um ao outro.

O carpinteiro de Nazaré indicou que não apenas venceria

a morte, mas que estaria assentado à direita de Deus. O mais

rejeitado dos homens disse aos membros do sinédrio que não

estaria nem um milímetro abaixo e nem um milímetro acima do

Todo-Poderoso, mas à sua direita. Jesus resgata aqui sua

divindade e revela seu status como “Deus filho”. Diz que tem a

mesma posição do Todo-Poderoso, portanto, imarcescível,

incriado, eterno. Por isso afirmou reiteradas vezes que ele e seu

Pai são um, possuem a mesma natureza.

O mestre da vida é envolvido numa colcha de mistérios.

Pesquisá-lo é uma grande aventura. Sua história vai ao encontro

da célebre frase: “Há mais mistérios entre o céu e a terra do

que sonha nossa vã filosofia”*.

Chocando os homens do sinédrio

Os homens do sinédrio entenderam a mensagem de Jesus

e ficaram perplexos com suas palavras. Jamais poderiam

acreditar que estariam julgando e torturando o ser mais

importante do universo.

No momento em que os judeus ouviram sua resposta,


: 2015
2015 -> Componente Curricular: Enfermagem Médica Profª Mônica I. Wingert Módulo II turma 201E
2015 -> Visando melhorar o desempenho e cobertura do Programa Coletivade Odontologia Preventiva do Escolar e ao mesmo tempo incentivar a participação de todos os municípios e facilitar a Operacionalização, Controle e Avaliação do mesmo
2015 -> Relatório Anual de Atividades Modelo – Sorriso do Bem 2015 – Dentista do Bem
2015 -> Regeneração Ad Integrum da Cabeça do Côndilo em uma Paciente com Disfunções Temporomandibulares
2015 -> Revisão unidade – 6º ano leia os textos abaixo. Texto o sapateiro
2015 -> Linhas da cúspide da casa e do fim da casa 6 os graus da cúspide e do fim
2015 -> Casa semana Mapeamento celestial
2015 -> Linhas da cúspide da casa e do fim da casa 6 os graus da cúspide e do fim


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