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Somos controlados pela nossa emoção. Algumas pessoas

nunca mais se esquecem de um pequeno olhar de desprezo

produzido por um colega de trabalho. Outras nunca mais

retornam a um médico se ele não lhes deu a esperada atenção.

Se uma pessoa não aprender a administrar o gatilho da

memória, viverá a pior prisão do mundo: o cárcere da emoção*.

Os dependentes de drogas vivem o cárcere da emoção, porque,

quando detonam este fenômeno, não conseguem administrar

a ansiedade e o desejo compulsivo por uma nova dose da droga.

Os que possuem a síndrome do pânico vivem o medo dramático

de que vão morrer ou desmaiar, gerado também por este gatilho.

Do mesmo modo, quem tem claustrofobia, transtornos

obsessivos compulsivos (TOC) e outras doenças que produzem

intensa ansiedade é vítima do gatilho da memória. Tal fenômeno

é fundamental para o funcionamento normal da mente humana,

mas se ele produz reações doentias e pensamentos negativos

inadministráveis, contribui para gerar uma masmorra interior.

Jesus sabia navegar pelas águas da emoção num ambiente

* Cury Augusto J., O Cárcere da Emoção, Academia de Inteligência, São Paulo, no prelo.

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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

turbulento. Ele transitava pelas agressividades, pelas perdas e

frustrações da vida sem se deixar abater.

Como exímio mestre da inteligência, sabia gerenciar o

gatilho da memória, não deixava que ele detonasse a

agressividade impulsiva, o medo súbito, a ansiedade compulsiva.

Portanto, sempre pensava antes de reagir, nunca devolvia a

agressividade dos outros e, como veremos, estimulava seus

agressores a repensar sua agressividade.

O exemplo do gatilho da

memória num tribunal

Certa vez, ouvi uma história interessante que aconteceu

num tribunal. Um homem estava sendo julgado por assassinato.

Havia cometido um crime cruel. Matou um homem por um

motivo torpe: a vítima jogou, numa discussão, um copo d’água

no seu rosto. Humilhado, ele o assassinou.

O réu era indefensável. Pegaria a pena máxima. O

promotor discursava eloqüentemente sobre a periculosidade do

mesmo. Dizia que alguém tão violento não poderia estar em

nenhum outro lugar senão atrás das grades. Como pode alguém

matar um ser humano por ter sido agredido com um copo

d’água?


O advogado de defesa não tinha argumentos. Tudo parecia

estar perdido. Então, de repente, teve uma idéia. Resolveu

reproduzir a cena do crime. Começou a criar um clima de atrito

com os membros do júri. Então, subitamente, pegou um copo

com água e, no calor da discussão, sem que esperassem, atirou

água em seus rostos.

O juiz interpretou o gesto do advogado como um grande

desacato. Os membros do júri ficaram profundamente irados


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com a insolência. Então, imediatamente, pediu desculpas e

explicou os motivos de sua atitude. Disse que tramou agredir

os membros do júri e jogar água neles para que eles olhassem

para o réu com os olhos dele, na pele dele. Comentou que

tentou simular o clima do assassinato, gerar uma emoção nos

membros do júri semelhante a que seu cliente sentiu no

momento em que a vítima lhe atirou água no rosto.

Diante disto, ele fitou o júri e encerrou sua defesa dizendolhes:

“se vocês ficaram irados quando lhes atirei a água,

entenderão o que aconteceu com meu cliente. Infelizmente,

todos nós cometemos atos impensáveis quando estamos tensos.

Ele não é perigoso, jamais planejara aquele assassinato, e havia

se arrependido da sua atitude impulsiva. Por favor, julguem

meu cliente baseados em sua consciência, em sua emoção”.

O veredicto final foi a absolvição. O advogado de defesa,

sem ter consciência, levou os jurados a compreender o fenômeno

do gatilho da memória. Infelizmente, desculpamos a violência

dos outros pela nossa violência.

Quanto mais se afloram os estímulos estressantes através

da competição predatória, do individualismo, da crise do diálogo,

da velocidade das transformações sociais, mais o homem

moderno reage sem pensar, mais volta ao tempo das cavernas.

Assim, pouco a pouco nos psicoadaptamos à agressividade.

Aceitamos a violência como normal, como parte inerente da

rotina social.

O mestre de Nazaré não reagia com violência, mesmo

quando ferido. Ele não apenas não se deixava ser invadido pela

agressividade dos outros como também não devolvia a violência

que lhe causavam, mas era capaz de conduzi-los a refletir sobre

os fundamentos de sua ira.

Quem é este homem que governa sua emoção num

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ambiente em que todos nós nos afogaríamos nas águas da raiva

e do medo? Somos uma espécie tão bela, mas tão complicada.

Somos tão complicados que roubamos de nós mesmos nossa

tranqüilidade e o direito de sermos felizes.

Estimulando a arte de pensar do agressor

No momento em que o soldado desfere-lhe a bofetada,

ele diz-lhe: “Se fiz o mal, dá testemunho do mal...” 19. Sua resposta

era muito dócil para tanta violência, era muito inteligente para

tanta irracionalidade.

O soldado o golpeou fisicamente e ele golpeou sua

insensatez sem agressividade. Levou seu agressor a pensar no

seu comportamento. Conduziu-o a avaliar a sua história e pediu

para que desse testemunho da sua maldade, sua agressividade e

seu crime. O mestre vivia a arte da antiviolência, sua humanidade

atingiu os sentimentos mais altruístas. Pensava muito mais no

bem estar dos outros do que em si mesmo.

O soldado o agrediu para ganhar crédito diante de Anás20.

Ele o espancou dizendo que ele não deveria falar daquele modo

com o “sumo sacerdote”. Com os ouvidos zunindo e tonteado

pela violência do trauma, Jesus, com gentileza, completa a frase

“... se fiz o bem porque me feres?”.

O soldado não era capaz de dar testemunho contra Jesus,

sua conduta era intocável. Ele o feriu gratuitamente, apenas

para ganhar espaço dos seus líderes. Infelizmente muitos homens

na história reagiram sem pensar nas conseqüências de suas

reações. Preferiram agradar seus líderes a honrar sua própria

consciência. Venderam por um preço muito baixo algo

invendável.

Jesus mantinha sua dignidade. Foi gentil com seu agressor.


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Como pode alguém humilhado publicamente e ferido

violentamente ter disposição para ser dócil com um homem

que o espanca? O que faríamos se alguém nos desse um tapa

no rosto? A reação do mestre de Nazaré foge aos limites

instintivos do homem.

Um tapa no rosto é socialmente humilhante. É pior do

que receber um copo d’água no rosto. Contudo, ao contrário

do réu que a pouco descrevi, ele, além de amável, estimulou seu

agressor a abrir as janelas de sua mente. Sua personalidade não

foi apenas superior à média dos homens. Ela foi única, exclusiva.

Ninguém reagiu como ele no ápice da dor e da humilhação

social.


Se Jesus tinha o poder que dizia ter, por que não fez aquele

soldado prostrar-se aos seus pés? Entretanto, se agisse com

poder, se revidasse a agressividade, ele seria como qualquer um

de nós, não seria livre. Os fracos mostram a força da ira, mas

os fortes mostram a força do perdão.

Se ele destruísse aqueles homens, seria forte por fora, mas

fraco por dentro. Seria controlado pelo seu ódio e pela raiva,

mas nada o controlava. Preferiu conscientemente ser fraco por

fora, mas livre por dentro...

Dormindo com o inimigo

Todas as experiências que vivemos no palco de nossas

mentes são registradas involuntariamente na memória pelo

fenômeno RAM. E, se estas experiências tiverem alta carga de

tensão, o registro será privilegiado, ocupando áreas nobres de

nossa memória.

Aqui há um grande aprendizado a ser feito. Se uma pessoa

nos perturbou, nos prejudicou ou nos humilhou de alguma

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forma e se desenvolvemos raiva, ódio ou medo dela, saiba que

ela será registrada de maneira privilegiada na parte central de

nossa memória, que chamo de MUC (Memória de Uso

Contínuo). Se imaginarmos a memória como uma grande cidade,

a MUC é a área em que mais circulamos e realizamos nossas

atividades profissionais e sociais. Por estar registrado na MUC,

ela será lida preferencialmente e participará de grande parte de

nossos pensamentos.

Assim, pensando que a raiva, ódio ou reação fóbica de

afastamento nos livrará de nosso agressor, nos enganamos. Ele

almoçará, jantará e dormirá conosco, pois ocupará a área central

de nossa memória consciente e inconsciente e,

conseqüentemente, ocupará grande parte de nossos

pensamentos que, por sua vez, afetarão a qualidade de nossas

emoções. Por isso, quando temos um problema não deixamos

de pensar nele.

Quanto mais aversão sentirmos por alguém, mais ele

ocupará nossos sonhos e nos convidará a ter insônia. Da

próxima vez que alguém o frustrar, lembre-se de que se não

tomar cuidado, você dormirá com ele.

O mestre de Nazaré não dormia com seus inimigos, pois

nenhum homem era seu inimigo. Os fariseus podiam odiá-lo e

ameaçá-lo, mas todo o ódio de um homem não o qualificava

para ser seu inimigo. Qual a razão? A razão era que ninguém

conseguia transpor sua capacidade de proteger a sua emoção.

Não permitia que a agressão dos outros tocasse sua alma.

Conheço a história de filhos que nunca mais segredaram

nada aos seus pais depois que estes os frustraram. Conheço

também pessoas que nunca mais reataram a amizade com seus

amigos depois de uma pequena discussão. Eles abriram as

comportas de sua emoção e deixaram que um episódio

turbulento destruísse para sempre um belo relacionamento.
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O mestre dos mestres não se deixava ser invadido pelas

injúrias, calúnias, frustrações e violência dos que o circundavam.

Ele viveu a bela frase de Galileu Galilei: “Devemos escrever os

benefícios em bronze e as injúrias no ar”.

Nenhum comportamento humano comprometia a sua paz

e o fazia desanimar. Era livre no lugar em que mais facilmente

somos prisioneiros, livre em sua emoção. Por isso, diferentemente de

nós, jamais cortou das páginas da sua história as pessoas que o

feriam.

Sua calma deixava todos atônitos. Mesmo em face da

morte era possível vê-lo governar, com tranqüilidade, seus

pensamentos. Sua coragem mudou a história. Como mestre da

mansidão, ele conseguiu produzir idéias brilhantes num ambiente

onde só havia espaço para sentir intensa ansiedade.

Ao ser amável com seus inimigos, ele cumpria as suas

palavras sobre dar a outra face. Entretanto, dar a outra face não

era nem de longe um sinal de submissão e de fragilidade, mas

de força inigualável. Os líderes de Israel tinham insônia por sua

causa, embora dormissem em camas confortáveis. O mestre do

amor dormia tranqüilo, embora tivesse o chão como cama e

uma pedra como travesseiro. Que lição de vida!

Todos os líderes políticos que usaram a agressividade como

ferramenta para impor suas idéias mancharam as páginas da

história. A própria história os condenou. Foram esquecidos ou

lembrados com repugnância.

O nome de Jesus percorreu todas as gerações como fogo

em madeira seca. Quais os motivos? Muitos. Não foi somente

pela sua demonstração de poder, mas muito mais pela sua

necessidade de não usá-lo. Quem agiu como ele na história?

Jesus mudou a história da humanidade pela delicadeza dos

seus gestos num ambiente grosseiro e inumano, pelos patamares

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impensáveis aos quais chegou sua amabilidade num ambiente

em que os homens não sabiam amar.

A primeira sessão de tortura

Após ter sido gentil com o soldado que lhe espancou o

rosto, começou a sua primeira e angustiante sessão de tortura.

Os soldados se amontoaram diante dele, zombaram e o

espancaram impiedosamente.

Lucas, embora não cite a casa de Anás, registra que a

primeira sessão de tortura de Jesus ocorreu antes do sinédrio se

reunir e condená-lo, portanto na casa da Anás21. Os soldados e

líderes judeus vendaram-lhe os olhos e diziam: “Profetiza-nos

quem é o que te bateu.” Os traumas no rosto e no corpo

dilatavam e rompiam os vasos sanguíneos periféricos, causandolhe

edemas e hematomas. Seu rosto começava a se desfigurar.

Um clima de terror se instalou. Os homens sempre reagem

como animais quando estão coletivamente irados. Toda a

agressividade deles foi projetada para o mais amável dos homens.

Embora dissesse a menos de uma hora que tinha um grande

exército de anjos à sua disposição, ele não reagiu. Suportou

silenciosamente a sua dor.

Um olhar arrebatador

No primeiro livro da coleção “O Mestre dos Mestres”

comentei sinteticamente a negação de Pedro. Ela ocorreu

justamente na casa de Anás. Devido à relevância deste assunto,

gostaria de retomá-lo e abordar rapidamente alguns pontos

que não analisei.

Quando Jesus entrou na casa de Anás, Pedro, com a ajuda


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de um discípulo que era conhecido do sumo sacerdote, conseguiu

entrar disfarçado. Quem é o discípulo que o ajudou a entrar

naquele ambiente? Não se sabe. Provavelmente Nicodemos ou

José de Arimatéia, por serem da cúpula judaica, ou ainda algum

coletor de impostos, tal como Zaqueu ou Mateus, pois embora

fossem odiados pelos fariseus, tinham poder social por servir

ao império romano.

Pedro foi ousado em entrar naquele ambiente perturbador.

Os discípulos todos estavam insones em um lugar distante dali.

Pedro nunca mais esqueceria a cena que veria. O seu amado

mestre estava sendo ferido física e psicologicamente. Pedro

entrou em desespero. Aquilo parecia uma miragem.

Não podia acreditar na violência dos homens e nem na

passividade do seu mestre diante dos seus agressores. Talvez

pensasse: “Jesus era tão forte e imbatível, como pode se calar

diante de tanta violência? Onde está a sua força? O que aconteceu

com sua coragem?”. A mente de Pedro devia parecer um

redemoinho borbulhante. Nunca conhecera alguém tão forte e

nunca vira alguém vestir de tal maneira o manto da fragilidade.

Pedro conhecia a coragem de Jesus para enfrentar o mundo

e fazer todos se calarem diante de sua sabedoria e poder, mas

não conhecia um tipo de coragem que os homens não têm: a

coragem para enfrentar em silêncio a dor, o desprezo, a vergonha

pública.

Diante dos dramáticos sofrimentos do seu mestre e do

turbilhão de dúvidas que solapavam sua mente, o gatilho da

memória detonou um medo intenso. Quando seu mestre fazia

milagres e belíssimos discursos, tinha orgulho de ser um dos

seus discípulos, mas agora tinha medo de estar associado a

alguém violentamente agredido e humilhado.

O medo travou sua inteligência. Então, questionado por

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alguns servos se ele era um seguidor do nazareno, ele negou,

não conseguia raciocinar. Questionado outra vez, negou-o mais

veementemente. Quando lhe perguntaram pela terceira vez,

negou enfaticamente: “Não conheço este homem”22. Por alguns

momentos Jesus não era mais seu mestre, mas um homem

desconhecido, alguém que nunca vira na vida, um homem do

qual se envergonhava. Se estivéssemos no lugar de Pedro, quantas

vezes o negaríamos?

O evangelho de João é o único que dá margem para

interpretarmos que a primeira e a segunda negação de Pedro

ocorreram na casa de Anás e a terceira ocorreu na casa de

Caifás23. Se ela ocorreu em dois ambientes, indica que a

capacidade de pensar de Pedro estava totalmente controlada

pelo medo. Não gerenciava sua emoção como seu mestre, não

se refazia imediatamente após ser atingido pela angústia.

O medo nos controla, o medo de morrer, de ter uma

grave doença, de sofrer perdas financeiras, de perder as pessoas

que amamos, de encontrar a solidão nas curvas da existência,

de ser rejeitado, de fracassar. Jesus não esperava muito do

homem. Estava convicto de que na humanidade não havia

gigantes no território da emoção. Sabia que vacilamos. De fato

todos temos nossos limites.

Quando Pedro o negou pela terceira vez, Jesus se voltou

com um olhar cativante e arrebatou seu discípulo do medo e o

fez cair em si. Então, ele se lembra de que prometera morrer

com seu mestre e que este previu que fraquejaria. Se lá estivessem

os mais ardentes seguidores de Jesus, o negariam de maneira

tão ou mais vexatória do que Pedro.

Pedro saiu de cena abatido, desesperado. Nunca se sentira

tão frágil. Nunca traíra sua própria palavra e de maneira tão

vergonhosa. Como o mais excelente terapeuta, Jesus novamente


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previra o fracasso de outro dos seus discípulos, não para

condená-lo, mas para que ele mesmo não se condenasse, mas

conhecesse as suas próprias limitações. Então, Pedro chorou

como nunca havia chorado antes.

Por andar com alguém que via os erros e os fracassos em

outra perspectiva, Pedro não saiu mais fraco diante de sua

derrota, mas mais forte. Forte na capacidade de perdoar, de

compreender a fragilidade humana, de dar oportunidade aos

que erram. Somente os que compreendem as suas próprias

limitações podem compreender as limitações dos outros. Os

homens mais rígidos e críticos são os que menos conhecem as

áreas mais íntimas do seu próprio ser.

O mestre da vida era livre, embora atado em cadeias.

Frustrado, ainda acolhia. Que seguidor da atualidade vive as

pegadas que ele deixou?

Ele foi tão brilhante que mesmo se contorcendo de dor

conseguia ainda ensinar os que o amavam. Quando silenciado,

ensinava com os olhos. Com um olhar penetrante dizia a Pedro

que não desistia dele, que ainda o amava. Com a boca sangrando

expressava sem palavras que era justamente por seus erros, tais

como o que estava cometendo, bem como os de toda a

humanidade, que estava morrendo.

Quem é este homem que ferido e com as mãos mutiladas

consegue ainda escrever uma carta de amor no coração do ser

humano?

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CONDENADO NA

CASA DE CAIFÁS

PELO SINÉDRIO

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CAPÍ T U L O 5
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CondenadonaCasadeCaifáspeloSinédrio

pós ter sido torturado na casa de Anás, este o levou

manietado à casa de Caifás, o sumo sacerdote naquele ano. Lá,

todo o sinédrio reuniu-se. Estavam diante dele os sacerdotes,

os fariseus, os herodianos, os saduceus, os mestres da lei, enfim,

toda a liderança judia. Os mais cultos e religiosos homens de

Israel reuniram-se para ver que fim dariam ao mestre de Nazaré

que alvoroçava a nação.

Não podemos nos esquecer de que ainda era de

madrugada. A multidão que tanto o amava estava dormindo ou

insone esperando o sol raiar para vê-lo. Ninguém imaginava

que Jesus estava sendo torturado e julgado.

A cúpula judaica tentou fabricar falsos testemunhos para

condenar Jesus, mas os testemunhos não eram coerentes24. Não

havia contradição na vida do mestre dos mestres. Eles poderiam

rejeitar drasticamente o que ele falava, mas não poderiam

encontrar condutas que rompiam com a ética e o bom senso.

A rigidez dos líderes de Israel impediu que eles fizessem

A
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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

um julgamento isento de tendencialismo. Não se renderam a

ele porque não o investigaram. A pressa e o desespero em

condená-lo fizeram com que reagissem irracionalmente.

Um silêncio gélido

Jesus assistia a todos os falsos testemunhos. Paciente, não

sentia necessidade nenhuma de se manifestar. Os homens do

sinédrio estavam apressados, tensos, ansiosos, mas ele mantinha

um silêncio gélido.

Caifás, o mais importante homem da cúpula religiosa,

estava intrigado e indignado com o silêncio de Jesus. Ele o

interrogava, mas não obtinha nenhuma resposta.

Todos os homens mostravam um respeito incondicional

pela autoridade do sumo sacerdote, mas o carpinteiro de Nazaré,

ainda que o respeitasse como ser humano, não atendia o apelo

para que respondesse ao seu inquérito. Nada e ninguém o

obrigavam a falar.

A ferramenta do silêncio é o estandarte dos fortes.

Somente alguém destemido e que tem consciência de que não

deve nada é capaz de usar o silêncio como resposta.

Por que Jesus não falava? Porque estava acima de todo

aquele julgamento. Os líderes religiosos defendiam o Deus do

Pentateuco (os cinco livros de Moisés), dos profetas e dos

salmos. Eles eram técnicos em matéria de Deus, mas, segundo

os pensamentos de Jesus, o Deus que eles defendiam e diziam

adorar estava diante deles, escondido na pele de um carpinteiro


: 2015
2015 -> Componente Curricular: Enfermagem Médica Profª Mônica I. Wingert Módulo II turma 201E
2015 -> Visando melhorar o desempenho e cobertura do Programa Coletivade Odontologia Preventiva do Escolar e ao mesmo tempo incentivar a participação de todos os municípios e facilitar a Operacionalização, Controle e Avaliação do mesmo
2015 -> Relatório Anual de Atividades Modelo – Sorriso do Bem 2015 – Dentista do Bem
2015 -> Regeneração Ad Integrum da Cabeça do Côndilo em uma Paciente com Disfunções Temporomandibulares
2015 -> Revisão unidade – 6º ano leia os textos abaixo. Texto o sapateiro
2015 -> Linhas da cúspide da casa e do fim da casa 6 os graus da cúspide e do fim
2015 -> Casa semana Mapeamento celestial
2015 -> Linhas da cúspide da casa e do fim da casa 6 os graus da cúspide e do fim


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