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que eles fracassassem.

Quem é que abandonado é capaz de ter ânimo para cuidar

daqueles que o abandonaram? Uma ofensa causada por um filho

ou uma frustração gerada por um amigo ou colega de trabalho

nos irrita e a conseqüência imediata é a impaciência. Quantas

vezes dissemos: “Essa pessoa não tem jeito mesmo!”.

Certa vez, o mestre disse aos seus discípulos que se uma

pessoa errasse e viesse pedir-lhes perdão, eles deveriam perdoá-

O Poderoso e Dócil: Um Exímio Psicoterapeuta


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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

la. Se ela viesse no mesmo dia e errasse sete vezes e as sete

vezes pedisse perdão, as sete vezes deveriam ser perdoadas. Outra

vez disse que deveríamos perdoar as pessoas setenta vezes sete.

Na verdade queria dizer que devemos perdoar sempre,

continuamente, ainda que a pessoa seja a mais teimosa e

obstinada do mundo.

O mais dócil psicólogo infantil ensina aos pais a ter calma

na educação dos filhos se o filho cometer duas ou três vezes o

mesmo erro num mesmo dia. Como é possível ter a paciência e

tolerância que ele preconizava? Se o nosso foco de atenção for

os erros das pessoas, então perderemos a calma diante da

repetição do comportamento inadequado delas, mas se o foco

de atenção for as pessoas dos erros, a vida que pulsa dentro

delas, começaremos a mudar a nossa atitude. Dar-lhes-emos

sempre uma nova chance.

E se aprendermos com o mestre dos mestres a nos doar

sem esperar a contrapartida do retorno, daremos um salto maior

ainda, pois aprenderemos a proteger nossas emoções.

Aprenderemos a ter uma felicidade que não depende muito

das circunstâncias externas. A felicidade que Jesus tinha, que

emanava de dentro para fora, pouco dependia dos resultados

exteriores.

Não deveríamos pensar que a maneira de Jesus ser como

educador era passiva, ao contrário, era revolucionária. Todos

que observavam sua calma, sua inteligência fenomenal, sua

segurança e capacidade de nunca perder a esperança em ninguém

começavam a mudar completamente a sua maneira de ver a

vida. Assim, ainda que errassem muito, elas, por andar na sua

presença, iam transformando e reciclando a sua rigidez, orgulho,

agressividade. Os discípulos jamais se esqueceram das lições
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preciosas que ele lhes deu. Ele morreria, mas se tornaria um

“Mestre Inesquecível”.

Os discípulos foram temporariamente acidentados pelo

medo. Pedro, Tiago, João, Bartolomeu, Filipe, Tomé, Mateus,

enfim, todos os seus amados amigos fugiram. Ele foi preso,

ficou só. Embora não amasse a solidão, não quis companhia,

pediu aos soldados que deixassem seus amigos partirem.

O mundo assistiria, a partir de agora, a uma noite de terror

e ao mais injusto dos julgamentos. Um julgamento regado a

ódio, a escárnio e a tortura. Jesus foi preso em plena condição

de saúde. Contudo, ficaremos estarrecidos com a violência e os

maus tratos que recebeu. Em menos de doze horas, seus inimigos

destruíram seu corpo antes de crucificá-lo...

O mestre do perdão foi tratado sem nenhuma tolerância.

Nunca alguém que se preocupou tanto com a dor humana foi

tratado de maneira tão impiedosa.

O Poderoso e Dócil: Um Exímio Psicoterapeuta
REJEITADO E

TORTURADO NA CASA

DE ANÁS

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CAPÍ T U L O 4
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Rejeitado e Torturado na Casa de Anás



A seqüência dos eventos no

julgamento de Jesus

Antes de entrar no dramático julgamento vivido por Jesus,

quero comentar sinteticamente algo sobre como, quando e por

que os evangelhos foram escritos.

Jesus andou por cerca de três anos e meio com os

discípulos. Freqüentemente havia um intervalo de tempo de

semanas e meses entre uma passagem e outra descrita nestes

livros.

A grande maioria de suas palavras e comportamentos não



foi registrada. Apenas alguns eventos que causaram maior

impacto nos seus discípulos é que foram escritos nos quatros

evangelhos e podem ser considerados como quatro biografias

sintéticas.

O único momento da vida de Jesus que foi relatado evento

por evento, hora por hora foi seu julgamento e sua crucificação.

Na noite em que foi preso até ser crucificado foram menos de

doze horas e da crucificação à sua morte foram cerca de seis

horas. Apesar do curto período, os relatos destes momentos

são cruciais. Foram, sem dúvida, os mais longos e os mais


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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

importantes relatos de um único período de sua vida. Segundo

as suas próprias palavras, ele veio para esta hora e esperava

ansiosamente por ela.15

A decisão de escrever o que o mestre dos mestres viveu

não foi tomada durante o período em que os discípulos andaram

com ele e nem logo após a sua morte. Demorou muitos anos.

O mais antigo evangelho, o de Marcos, foi provavelmente escrito

entre 50-60 d.C., portanto, mais de 20 anos depois da partida

de Jesus. O evangelho de Lucas foi provavelmente escrito no

ano 60 d.C., o de Mateus entre 60-70 d.C. O evangelho de João

foi o mais tardio, escrito provavelmente entre 85-90 d.C.,

portanto mais de meio século depois da morte do mestre.

Escrever depois de um longo tempo após a sua morte fez

com que o relato de algumas passagens tenha perdido alguns

detalhes ou tenha sido escrito dando ênfase diferente a alguns

fatos. Por esse motivo, existem algumas pequenas distinções

nas mesmas passagens descritas nos evangelhos, tal é o caso do

julgamento de Jesus Cristo. Todos os quatro evangelhos o

relatam, mas com dimensões e detalhes diferentes uns dos

outros.

Essas diferenças atestam que Jesus foi um personagem

histórico real, como concluí nos livros anteriores. Seria

impossível para a mente humana criar um personagem como

ele.

O que motivou os discípulos a escreverem sobre Jesus



Cristo em diferentes épocas foi a intensa história de amor que

tiveram com ele. O mestre da vida foge completamente ao que

se poderia esperar de um homem tão forte e inteligente como

ele. O carpinteiro de Nazaré encantou a emoção de milhares

de homens e mulheres.

Durante as primeiras décadas desta era não havia nada

escrito sobre ele. Como então as pessoas que não o conheceram
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eram nutridas pelos seus ensinamentos? Pelos relatos vivos das

pessoas que conviveram estreitamente com ele, principalmente

dos discípulos.

Os discípulos deviam gastar horas e horas recordando

uns com os outros cada palavra, cada gesto, cada pensamento

de Jesus. Deviam prender a respiração, embargar a voz e, algumas

vezes, derramar lágrimas por recordá-lo. Os pescadores da

Galiléia que outrora cheiravam a peixe, agora exalavam uma

doce fragrância de amor.

A organização dos livros

chamados evangelhos

O material que os discípulos usaram para escrever os

evangelhos foi organizado através de pesquisas e anotações

detalhadas. Tal é o caso de Lucas, que não conheceu Jesus,

mas, como ele mesmo disse, investigou detalhadamente os fatos

relacionados à sua vida16.

Algumas passagens talvez tenham sido escritas na época

em que Jesus andava com os discípulos. Mateus era um coletor

de impostos, devia saber escrever. É provável que tenha anotado

algumas parábolas no momento em que o mestre as proferiu e

depois as ajuntou para escrever seu evangelho. Mas creio que

poucas passagens tenham sido escritas presencialmente. Por quê?

Porque os discípulos não acreditavam que Jesus se separaria

deles. Ele discursava tanto sobre a vida eterna que não

imaginavam que ele morreria tão precocemente.

Os evangelhos têm uma síntese, uma lógica, uma coerência

que impressiona qualquer pesquisador. Qualquer pessoa deveria

lê-los, mesmo que não tenha interesse pelo cristianismo. Até os

cientistas deveriam lê-los, pois nós que pesquisamos, mais do

que qualquer outro ser humano, temos a consciência de que

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somos meninos perturbados diante dos mistérios da existência.

Ler esses livros abrirá as janelas de nossa mente, nos introduzirá

num profundo processo reflexivo e, no mínimo, nos fará crescer

em sabedoria.

Muitos crêem que os evangelhos foram escritos sob

inspiração divina. A inspiração divina entra na esfera da fé;

portanto, extrapola a investigação deste livro.

Independentemente da inspiração divina, os escritores dos

evangelhos usaram uma investigação detalhada para elaborar

seus textos. Por isso não são cópias uns dos outros e se

completam mutuamente. Alguns deles descrevem

incompletamente algumas passagens, outros detalham melhor

certas situações.

Esse fato fica particularmente evidente no julgamento de

Jesus. Somente Lucas relata que Jesus passou pelas mãos de

Herodes Antipas, o filho de Herodes, “o Grande”, o rei que

queria matá-lo quando tinha dois anos. Entretanto, o registro

mais detalhado sobre o julgamento de Jesus na casa de Caifás, o

sumo sacerdote, não está em Lucas, mas no evangelho de

Mateus. Por outro lado, Mateus não traz explicações detalhadas

sobre o que aconteceu com Jesus diante de Pilatos. Ele encerra

esta passagem dizendo que ele foi açoitado por Pilatos; em

seguida, condenado e imediatamente tomou a cruz em direção

ao Gólgota. Todavia, ocorreram fatos importantíssimos depois

dos açoites.

Se lermos apenas Mateus, compreenderemos o julgamento

feito pelo sinédrio, composto pelos líderes da religião judaica,

mas ficaremos obscuros com respeito ao julgamento realizado

pela política romana. Precisamos ler o livro de João para termos

tal clareza. O evangelho de João registrou determinados fatos

e alguns diálogos entre Jesus e Pilatos que não foram registrados

pelos outros escritores. Por exemplo, ele vai além de Mateus e
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relata que depois dos açoites Jesus ainda passou por outros

sofrimentos, foi coroado com espinhos, zombado pela coorte

de soldados e ainda voltou a ter um diálogo particular com

Pilatos.

Muitos soldados que estavam presentes nestas cenas se

tornaram discípulos de Jesus após sua morte. Alguns carrascos

foram contagiados pelo seu amor. Eles deram seus testemunhos

aos escritores dos evangelhos sobre o drama que Jesus passou

em seu julgamento e a violência com que foi tratado. Alguns

fariseus que o amavam ocultamente também contribuíram para

esses relatos.

Fundamentados nestes relatos, estudaremos, a partir de

agora, o mais misterioso e amável dos homens no momento

em que sofre o mais violento e inumano julgamento. Dessa

história de dor vivida pelo mestre da vida poderemos extrair

profundas lições para reescrever alguns capítulos fundamentais

de nossa própria história.

Jesus foi julgado e torturado por quatro pessoas: Anás,

Caifás, Pilatos e Herodes.

Interrogado por Anás

Após ser preso, a primeira casa para a qual os soldados

levaram Jesus foi a de Anás. Este já havia sido sumo sacerdote,

que representava o topo da hierarquia da religião judaica. No

ano em que Jesus foi julgado, o sumo sacerdote era seu genro,

Caifás.

Como vimos, Jesus havia se tornado incontrolavelmente



famoso. Todavia, o mestre se entregou tão subitamente que

ninguém sabia que ele tinha sido preso, a não ser seus discípulos.

Anás estava tenso, tinha medo de que a multidão, ao

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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

despertar, soubesse que ele estava encarcerado. Então, tão logo

Jesus chegou, começou a interrogá-lo sobre seus discípulos e

sua doutrina17. Não queria de fato interrogá-lo, apenas encontrar

motivos para que Jesus fosse morto.

O mestre sabia que ali se iniciara uma das etapas do seu

falso julgamento. Estava convicto de que Anás não estava

interessado em saber sobre seu pensamento, seu propósito.

O clima era perturbador. Centenas de pessoas compostas

por soldados e serviçais o rodeavam. Almejavam saber como

ele reagiria longe das multidões que o assediavam. Talvez

quisessem vê-lo pela primeira vez tímido, tenso, amedrontado.

Contudo aquele homem parecia inabalável. Diferente de nós,

ele não se curvava ao medo.

Diante da pressão de Anás para que abrisse a sua boca,

ele dá uma resposta que soa como uma bomba diante do

ambiente ameaçador.

Diz: “Eu falei abertamente ao mundo, eu sempre ensinei nas

sinagogasenoTemplo,ondetodososjudeussereúnem,enadadisseem

segredo.” 18. Sua resposta não termina assim. Respaldado por uma

sólida autoconfiança, ele fita Anás e os soldados que o rodeiam

e sem nenhuma sombra de medo acrescenta: “Por que me

interrogas? Pergunta aos que me escutaram. Eles bem sabem o que eu

disse”.


Esta resposta, que é a primeira em seu julgamento, tem

várias implicações que serão analisadas a seguir.

Falando francamente ao mundo

Ele disse, sem titubear, a Anás e aos presentes que tinha falado

abertamente ao mundo. Ninguém foi tão franco como Jesus. Não tinha

medodefalaraquiloquepensava.Nãosimulavaossegredosdesuaalma.


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Em determinadas situações, sua segurança estava ameaçada, por

isso a melhor coisa que poderia fazer para se proteger era se

calar, mas nada o fazia calar-se. Mesmo sob o risco de ser

linchado por seus opositores, ele não se calava.

Sua coragem mudou a história. Falou palavras que não

apenas abalaram o mundo de sua época, mas também nos

deixam fascinados e pasmos nos dias de hoje. Discorreu sobre

pontos jamais discursados, abordou assuntos jamais pensados

pela psicologia, filosofia, educação ou religião.

Interrogando o seu interrogador

É próprio de um réu ficar quieto, tímido e ansioso diante

de um tribunal. O mais violento dos homens vira uma criança

quando lhe retiram o poder. Alguns, através de seus advogados,

pedem clemência e negam todas as acusações que lhes fazem.

Jesus estava lá sem nenhum advogado. Não precisava, pois

sua inteligência era imbatível. Ele já saíra de situações mais

dramáticas que aquela. Com habilidade magistral, ele abria as

janelas da mente dos seus opositores provocando a inteligência

deles. Confusos, eles o deixavam e retornavam para casa.

Agora, ele se deixou prender e está em seu julgamento.

Todos queriam a sua morte e, por incrível que pareça, ele também

a desejava. Os acusadores queriam matar para anular a vida e

ele queria morrer para dar a vida. Em seu julgamento, ele não

lutou a seu favor, se entregou integralmente à decisão humana.

O mestre da vida disse menos de vinte pensamentos neste

julgamento, todos com significados inimagináveis, mas nenhum

deles objetivava libertá-lo. Ao contrário, tais pensamentos

colocariam mais lenha na fogueira do ódio que seus inimigos

nutriam por ele, mas não se importou. Revelou claramente sua

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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

identidade e sua missão, ainda que com palavras sintéticas.

Quando estava livre, evitou dizer quem ele era; quando estava

preso e pressionado a se intimidar, fez relatos espetaculares sobre

sua pessoa, principalmente a Caifás e a Pilatos.

Não pediu clemência a Anás. Disse que todos os seus

discursos tinham sido feitos publicamente e que se ele quisesse

resposta deveria interrogar os que o ouviram. Com tal resposta,

ousada e incomum para um réu, ele mostrou claramente que

sabia que seu julgamento era um teatro, que ninguém estava

interessado de fato nos seus discursos porque sabiam o que ele

havia dito. Portanto, se queriam matá-lo pelo que falou, ele estava

também disposto a morrer por esta causa.

Esbofeteado com violência por um soldado

Os soldados que estavam presentes tinham conhecimento

de que os líderes judeus, por diversas vezes, já haviam tramado

a sua morte sem sucesso. Uma parte dos soldados estava confusa,

admirava-o, mas não tinha força para protegê-lo. Outra parte,

provavelmente a maior dela, estava totalmente influenciada pelos

líderes de sua nação. Manipulados por esses, também o odiavam,

ainda que não soubessem claramente os motivos.

Quando não deu resposta a Anás e o recomendou a

perguntar a milhares de judeus o que ele havia dito publicamente,

o clima de violência contra ele veio à tona. Imediatamente, um

soldado vira-se e desfere-lhe uma violenta bofetada, sem lhe

dar aviso.

Os soldados daquela época eram escolhidos entre os

melhores e maiores homens. Eles treinavam atirar lanças e

manipular espadas, portanto a musculatura e a força das mãos
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eram muito desenvolvidas. Portanto, o golpe que Jesus recebeu

desse soldado foi traumático e dolorido. Deve ter lhe causado

vertigem e edema (inchaço) em sua face.

Diante de um ato tão violento, gostaria de analisar três

brilhantes características da personalidade que Jesus já

demonstrou neste primeiro golpe físico e que iria regular seu

comportamento em todas as suas torturas. Primeiro, ele pensava

antes de reagir; segundo, nunca devolvia a agressividade que lhe

faziam; terceiro, era capaz de estimular os seus agressores a

penetrarem dentro de si mesmos e repensarem a sua violência.

A maneira como ele reagiu foge completamente às reações

previsíveis que temos diante de situações de risco e de dor, sejam

elas físicas ou psicológicas.

Para expor essas três características, precisamos

compreender alguns fenômenos que constroem os pensamentos

e participam do funcionamento da mente*.

O gatilho da memória

O gatilho da memória é um fenômeno inconsciente que

faz as leituras imediatas da memória diante de um determinado

estímulo. O medo súbito, as respostas impensadas, as reações

imediatas são derivadas do gatilho da memória. Diante de uma

ofensa, um corte nas mãos, uma freada de um carro ou uma

situação de risco qualquer, o gatilho da memória é acionado,

gerando uma leitura rapidíssima da memória, produzindo as

primeiras cadeias de pensamentos e as primeiras reações

emocionais.

Somente em segundos ou frações de segundos depois que

* Cury, Augusto J., Inteligência Multifocal, Editora Cultrix, São Paulo, 1998.

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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

o gatilho é acionado é que o “eu” (vontade consciente) inicia

seu trabalho para administrar o medo, a ansiedade, a angústia

que invadiu o território da emoção. Isso explica porque é difícil

administrar as reações psíquicas. Grande parte de nossas reações

iniciais não é determinada pelo “eu”, mas detonada pelo gatilho

inconsciente da memória.

Uma pessoa agredida, ofendida, sob o risco de vida, ou

seja, sob um foco de tensão, raramente conseguirá administrar

seus pensamentos. Nessas situações, ela reage sem pensar. Para

retomar as rédeas de sua inteligência, o “eu” terá de gerenciar

os pensamentos negativos, através de duvidar deles e criticálos.

Assim, ela sai do foco de tensão e se torna líder do seu

mundo. Todavia, freqüentemente somos frágeis vítimas dos

processos ocorridos em nosso mundo psicológico.

Quem é que pensa antes de reagir nas situações tensas?

Não exija das pessoas terem lucidez quando são feridas,

ameaçadas e estão ansiosas. Seja paciente com elas, pois o gatilho

da memória estará gerando medo, raiva, ódio, desespero, que,

por sua vez, travam a liberdade de pensar. Quando nossas

emoções estão exaltadas, reagimos por instinto e não como

seres pensantes.

Jesus foi ofendido por diversas vezes em público. Mas

não se deixava perturbar. Em algumas situações, foi expulso

das sinagogas, mas mantinha sua emoção intacta. Correu risco

de vida em algumas oportunidades, mas estava livre ao invés

de estar tenso. A mesma coragem que o movia para falar o que

pensava, ele tinha para proteger sua emoção diante dos estímulos

estressantes.

Quando o gatilho da memória gerava uma reação ansiosa

imediata em sua emoção, ele, com uma incrível habilidade,

tomava as rédeas do seu ser e não se deixava controlar pela sua

emoção. Só se permitia ser controlado por ela para amar.
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Perdemos com facilidade a paciência com os filhos, com

amigos, com as pessoas que nos frustram. Infelizmente, sob

um foco de tensão, tanto psicólogos como pacientes, tanto

executivos como funcionários, tanto pais como filhos detonam

o gatilho da memória e produzem reações agressivas que os

controlam, ainda que por momentos.

Ferimos a nós mesmos e não poucas vezes causamos

danos às pessoas que mais amamos. Fazemos delas uma lata de

lixo de nossa ansiedade. Detonado o gatilho, reagimos

impulsivamente e minutos, horas ou dias depois, adquirimos

consciência do estrago que fizemos.


: 2015
2015 -> Componente Curricular: Enfermagem Médica Profª Mônica I. Wingert Módulo II turma 201E
2015 -> Visando melhorar o desempenho e cobertura do Programa Coletivade Odontologia Preventiva do Escolar e ao mesmo tempo incentivar a participação de todos os municípios e facilitar a Operacionalização, Controle e Avaliação do mesmo
2015 -> Relatório Anual de Atividades Modelo – Sorriso do Bem 2015 – Dentista do Bem
2015 -> Regeneração Ad Integrum da Cabeça do Côndilo em uma Paciente com Disfunções Temporomandibulares
2015 -> Revisão unidade – 6º ano leia os textos abaixo. Texto o sapateiro
2015 -> Linhas da cúspide da casa e do fim da casa 6 os graus da cúspide e do fim
2015 -> Casa semana Mapeamento celestial
2015 -> Linhas da cúspide da casa e do fim da casa 6 os graus da cúspide e do fim


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