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sabia que uma voz de prisão gera tumulto e ansiedade. O réu

resiste em se entregar, fica tenso, agressivo e, às vezes,

incontrolável. Não conseguia entender, contudo, porque o

homem odiado pela cúpula judaica se entregava com tanta

tranqüilidade e espontaneidade.

Após ouvir Jesus chamar Judas de amigo e levá-lo a refletir

sobre o ato de traição, ele se volta aos próprios soldados e,

antes que eles o tocassem, perguntou “A quem buscais?”10.

Responderam: “a Jesus, o Nazareno”. Diante desta resposta,

ele se identificou: “Sou eu”.

Os soldados ficaram atemorizados com sua resposta,

alguns caíram no chão. Talvez se perguntassem: Como é possível

que o homem que curou cegos, ressuscitou mortos e debateu

com os fariseus nas sinagogas esteja se entregando

voluntariamente? Como pode alguém sob o risco da morte se

entregar dessa maneira? Prender aquele que alvoroçava

Jerusalém parecia ser uma tarefa difícil e perigosa, mas se

transformou na mais suave execução.

Ficaram paralisados. Não conseguiram pôr as mãos nele.

Diante da inércia deles, Jesus insistiu: “a quem procurais?”.

Responderam novamente: “A Jesus, o Nazareno”. Com ousadia

de quem não teme a morte, respondeu: “Já vos declarei que

sou eu” 11.

O relato dos discípulos que presenciaram a cena evidencia

que os papéis foram trocados. A escolta de soldados estava

presa pelo medo e o prisioneiro estava livre.

O Mestre da Vida Paralisando os Soldados


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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

À exceção da profunda angústia que o mestre dos mestres

teve no jardim do Getsêmani, gerada porque ele reproduziu o

cálice da cruz no palco de sua mente e se preparou para tomálo,

nada o abalava. O mestre de Nazaré gerenciava sua inteligência

nas mais turbulentas situações, navegava nas águas mais agitadas

da emoção. Sabia se refazer rapidamente, mesmo profundamente

frustrado.

A traição de Judas e a negação de Pedro podem tê-lo

angustiado, mas logo ele se recompôs. Nem o conhecimento

prévio de todas as etapas do seu martírio o fez sucumbir nas

raias do medo. Há muitas pessoas que sofrem por antecipação.

Imaginam problemas que não aconteceram e sofrem como se

já tivessem acontecido. Não sabem gerenciar sua ansiedade e

pensamentos antecipatórios.

Nada é tão bela e, ao mesmo tempo, tão ingênua quanto

a emoção. Até intelectuais tropeçam no território da emoção

como se fossem crianças. Pequenas coisas são capazes de roubarlhes

a tranqüilidade. Ela compra com alto preço todos os

pensamentos negativos, mesmo aqueles que só cabem no

imaginário.

Infelizes são os homens que são livres por fora, mas estão

encerrados no cárcere da emoção conduzidos pelo medo da

crítica, com a necessidade de ter uma imagem social inatacável

e com as preocupações excessivas com os problemas da vida.

Infelizmente, no lugar que mais deveríamos ser livres, muitas

vezes estamos presos*.

O mestre da vida queria passar pelo maior de todos os

testes: ser julgado pelos líderes da religião judaica, aqueles que

* Cury, Augusto J., A Pior Prisão do Mundo, Editora Academia de Inteligência, São Paulo, 2000.


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supostamente cuidavam dos assuntos de Deus, e por aqueles

que dominavam o mundo, o império romano.

Protegendo seus discípulos

Não terminaram aí os eventos inusitados ocorridos no

ato da prisão. Após insistir com os soldados para prendê-lo,

teve um gesto de grande nobreza e afetividade. Intercedeu pelos

seus discípulos. Pediu que não os prendessem. Desejava que

nenhum deles se perdesse, não aceitava que ninguém fosse

ferido12.

Quando estamos debaixo de um sério risco de vida, os

instintos prevalecem sobre a capacidade de pensar. Não há

espaço para refletir sobre a situação que nos ameaça.

Notem que sob grande tensão, tais como nos acidentes,

não nos lembramos das pessoas e de muitos eventos que

ocorreram ao nosso redor. Afunilamos a razão e direcionamos

nossos instintos para a fuga ou, em alguns casos, para a luta.

Com Jesus isso não acontecia. Ele conseguia perceber os

sentimentos das pessoas mesmo nas situações turbulentas.

Conseguia pensar no bem estar delas mesmo sabendo que estava

para morrer lentamente nas mãos dos seus inimigos. Se

tivéssemos um pouco da sua estrutura emocional, as relações

humanas deixariam de ser um deserto para ser um jardim.

Somente uma pessoa que vive o topo da serenidade é capaz

de não travar sua mente nas situações tensas e de se preocupar

com as pessoas que o rodeiam. Os soldados certamente não

acreditavam no que estava acontecendo. Alguns deles devem

ter sido capturados pelo amor de Cristo e se tornaram seus

seguidores após a sua morte.

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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

O heroísmo de Pedro e a

proteção aos soldados

Os discípulos não compreendiam plenamente o homem

que seguiam. Sabiam que ele era poderoso, sábio, seguro,

corajoso, que se colocava como filho de Deus e que discursava

sobre um reino de um outro mundo. Tudo era novo para eles.

Sabiam que seguiam um homem que fazia atos inimagináveis,

mas não compreendiam até aquele momento quem ele era e

qual a sua verdadeira missão.

Pedro aprendeu a amar Jesus e não aceitava a sua partida.

Não percebeu que, ao ser preso, assumiu plenamente a condição

humana e que não faria mais nenhum dos seus milagres. Jesus

sempre confundiu a todos que passavam por ele. Seus discípulos

viviam perguntando quem ele era. Algumas vezes mostrava um

poder que deixava todos embasbacados, outras vezes dormia

ao relento e, ainda outras, gastava tempo penetrando na história

de uma pessoa considerada da pior estirpe social.

Por amar Jesus, mas não conhecê-lo com profundidade,

Pedro resolveu protegê-lo. Teve um ato de heroísmo que

poderia ter gerado inúmeras mortes, tanto dos soldados como

dos discípulos. Numa reação impensada, desconsiderou as

longas mensagens de tolerância do seu mestre, desembainhou

a espada e decepou a orelha de um dos soldados. Pedro esperava

que Jesus fizesse mais um dos seus milagres, capaz de livrá-lo

daquela prisão e deixar a todos perplexos.

Jesus, que demonstrava não desejar fazer milagres, para

aplainar os ânimos, abre uma exceção, retoma o seu poder. Numa

reação apressada, cura o soldado. Não fez um grande milagre,

apenas o suficiente para pacificar a situação. Um grande ato


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sobrenatural poderia evitar que fosse preso, mas ele queria ser

preso, a sua hora havia chegado.

Nesta situação confusa é possível vermos a sabedoria e

habilidade do mestre de Nazaré. Se não agisse rápido, seus

discípulos poderiam morrer e os soldados poderiam se ferir.

Como mestre da vida, não queria nem uma coisa nem outra.

Somente uma pessoa com grande lucidez e uma visão multifocal

dos conflitos sociais é capaz de debelar rapidamente o clima de

violência.

O prisioneiro já liderava os soldados. Mais de trezentos

homens fortemente armados não revidaram à agressividade de

Pedro. Comandados por Jesus, eles contiveram seus impulsos.

Raramente uma pessoa é capaz de deixar completamente sua

segurança de lado para gerenciar os ânimos alheios.

Morrer era seu destino: o cálice

Após reger os soldados, ele se volta para Pedro e acha

tempo para lhe dar mais uma lição. Disse-lhe uma frase

impactante, que Pedro só entenderia tempos mais tarde: “Não

beberia eu o cálice que meu Pai me deu?”13

O cálice de Cristo era cercado de mistério. Os discípulos

não entendiam que por um lado ele seria julgado e morto pelos

homens, mas, por outro, isso estava nos planos de seu Pai. Que

Pai é este que permite o caos do seu filho? Que plano é

esse que envolve um julgamento e morte tão drástica? No

final deste livro estudaremos o maior e mais ambicioso

plano da história.

Por mais que os discípulos abrissem seus ouvidos e as

janelas de suas mentes não concebiam a idéia de que seu mestre

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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

fosse julgado, torturado e morto pelos seus opositores. Jesus

havia dado sentido a suas vidas.

O sentimento angustiante pela perda do mestre tinha

fundamento. Não importa a religião que alguém segue ou mesmo

se não segue classicamente nenhuma, todos os que se

aproximaram das chamas, seja por estar na sua presença ou por

ler as suas biografias ou evangelhos, conseguiram atravessar

seus invernos existenciais mais aquecidos e enxugar suas

lágrimas com a esperança.Na história, mesmo depois de séculos

de sua partida, sempre existiram homens, originários de todas

raças e culturas, dispostos a dar a sua vida por ele e por sua

causa.

Pedro era muito frágil perto de Cristo, não tinha nenhuma



condição de protegê-lo, ainda mais diante de tão grande escolta.

Sua reação, embora irracional, era justificada. Para os discípulos,

perdê-lo era retornar ao mar da Galiléia, lançar as redes e

retroceder na compreensão dos mistérios da vida...

O amor recusa a solidão. Quem ama não aceita a perda,

ainda que o tempo alivie parcialmente a dor da ausência. Quem

não aprendeu a amar a sua vida, as pessoas que o rodeiam e

aquilo que faz não entenderá a linguagem estranha e bela do

amor. O mestre ensinou aos seus frágeis discípulos os

fundamentos dessa linguagem. Perdê-lo era ficar sem o leme de

suas vidas.
O PODEROSO E DÓCIL:

UM EXÍMIO

PSICOTERAPEUTA

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CAPÍ T U L O 3
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O Poderoso e Dócil: Um Exímio Psicoterapeuta

Um poder descomunal

Os eventos enigmáticos que nortearam a prisão de Jesus

ainda não acabaram.O mais misterioso deles ainda estava por

vir. Após revelar a Pedro que ele tinha de ser preso, comentou

que não precisava de sua proteção. Numa frase intrigante revela

um segredo aos discípulos que eles não conheciam. Disse: “Acaso

pensasquenãopossorogaraomeuPai,eelememandarianestemomento

maisdedozelegiõesdeanjos?” 14.

Disse sem meias palavras que, se quisesse, poderia ter

imediatamente sob seu controle mais de doze legiões de anjos.

No exército romano cada legião tem cerca de três a seis mil

soldados. Quantos anjos compõem cada legião que Cristo

mencionou e qual o poder que esses anjos têm para atuar no

mundo físico? Ele era de fato misterioso.

Quando interpretamos a personalidade de alguém

devemos dar atenção àquilo que as pessoas pouco dão valor. A

frase que Jesus disse tem várias implicações.

Ela indica que ele tem um poder descomunal, um poder
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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

muito maior do que demonstrara ter e muito maior do que os

discípulos desconfiavam que tivesse. Também indica que ele

atuava num mundo não físico e que se quisesse poderia controlar

um enigmático exército de anjos. Ainda indica que, se desejasse,

poderia terminar a qualquer momento o seu julgamento, as

sessões de tortura e a sua crucificação.

No original grego, Jesus usa nesta passagem termos

militares para demonstrar seu poder. Nenhum mortal poderia

proferir uma frase como esta com tanta convicção a não ser

que estivesse delirando, tendo um surto psicótico. Jesus poderia

estar delirando?

Como pode alguém tão lúcido, coerente, inteligente, que

superava as intempéries como se fosse um maestro da vida estar

tendo um surto psicótico? Cristo em momento algum

abandonou a sua lucidez. Estudaremos no livro posterior algo

que beira ao impossível. Mesmo morrendo, quando todas as

suas forças se esgotavam, ele ainda era íntimo da sabedoria e

capaz de desferir golpes impensáveis de inteligência.

Era tão sereno que, como vimos, dois ou três minutos

antes de comentar seu poder, teve os gestos que nem os mais

ilustres pensadores conseguiriam ter no foco de tensão que

passou. Chamou seu traidor de amigo e deu-lhe oportunidade

para que ele corrigisse os pilares de sua vida.

Este homem tão lúcido e que acabou de receber voz de

prisão disse que tinha sob seu controle exércitos

incomparavelmente mais fortes do que os do imperador romano.

Apesar de fazer tal afirmação, ele disse que se esquivava de usálo.

Quem pode compreendê-lo? Não perdemos a oportunidade

de mostrar nosso poder. Jesus, ao contrário, aproveitava as

oportunidades para ocultá-lo.

Cristo não falou de anjos de maneira misticista, mas segura


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e sem alardes. Não disse que cria em anjos, mas que legiões de

anjos se submetiam a ele. Embora respeite a crença das pessoas,

independente de quem seja e do que crê, é criticável o misticismo

que desrespeita a capacidade de pensar e a consciência crítica.

Temos uma tendência a crer em tudo sem respeitar a nossa

própria inteligência. O mestre dos mestres sempre valorizou a

inteligência humana e estimulou seus discípulos a alargar os

horizontes do pensamento e não restringi-los.

Devemos nos perguntar: Quem são esses seres chamados

anjos? Eles possuem consciência? Têm vontade própria? Vivem

emoções? Como lêem a memória e constroem cadeias de

pensamentos? Quando foram criados? Por que foram criados?

Onde habitam? Que essência os constitui? São imortais? Qual

é o seu poder e que habilidade têm para atuar no mundo físico?

Não quero entrar nesta seara, mas essas questões

evidenciam que os fenômenos que envolviam a história de Jesus

eram um poço de mistérios. Ninguém que estuda a sua

personalidade pode reclamar de tédio. A cada reação ele nos

deixa embaraçados.

Após corrigir a Pedro, ele se volta para os soldados e com

segurança comenta que não era preso como um criminoso.

Relata que estava diariamente disponível no templo e em tantos

outros lugares públicos. Assim disse saber que seus inimigos o

procuravam, que não tinha medo de ser preso e que não

ofereceria resistência no ato da prisão.

No momento em que mais precisava usar a força, ele usa

o diálogo. É impossível não esfregarmos as mãos na cabeça e

nos perguntarmos: Quem é este homem que atravessou as

páginas da história e fez tudo ao contrário do que temos feito?

O Poderoso e Dócil: Um Exímio Psicoterapeuta


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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

Um exímio psicoterapeuta

Ao se entregar e ser manietado, seus discípulos perceberam

o inevitável. Seu mestre de fato viveria o martírio sobre o qual

sempre os alertou. Nada o faria desistir do seu destino, “nem

os exércitos dos céus” que disse que teria sob seu comando.

Então, eles se dispersaram amedrontados e confusos, como

ovelhas sem pastor. Exatamente como Jesus havia predito.

Precisamos fazer algumas considerações importantes sobre

este assunto. Como ele conseguiu prever a dispersão dos

discípulos? Do ponto de vista da sua humanidade, ele analisava

o comportamento humano e percebia as dificuldades do homem

em lidar com suas emoções nos focos de tensão. Ele sabia que

quando o mar da emoção estava calmo, o homem era um bom

navegante, mas quando estava agitado, ele perdia o controle das

suas reações. De fato, não há gigantes no território da emoção.

Pessoas sensatas e lúcidas têm seus limites. Sob um foco de

tensão, muitas perdem sua sensatez. Alguns são seguros e

eloqüentes quando nada os contraria, mas sob o calor da

ansiedade, se comportam como meninos.

O mestre da vida era um excelente psicólogo. Sabia que o

medo controlaria o território de leitura da memória dos seus

discípulos, dissipando a lucidez e travando a capacidade de

pensar. Não exigiu nada deles quando ele foi preso, apenas

previu que, quando o medo os envolvesse, eles se esqueceriam

dele, fugiriam inseguros.

Nós exigimos o que as pessoas não podem nos dar. Quase

todos os dias, tenho longas conversas com maridos, esposas,

pais, filhos, pedindo para ser tolerantes, não conservarem

mágoas e raivas uns dos outros, explicando que não é possível

dar o que se não tem. É necessário plantar para depois colher.
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Plantar diariamente a segurança, a solidariedade, a

honestidade, a perseverança, a alegria nos pequenos detalhes da

vida, a capacidade de expor e não impor as idéias, para muito

tempo depois colher essas funções nobres da inteligência.

Se esperasse muito dos seus discípulos, ele se frustraria

excessivamente com o abandono deles, com a traição de Judas

e a negação de Pedro. Neste caso, poderia desistir do seu martírio.

Entretanto, educava-os, mas não esperava resultados imediatos.

Quem quer ser um bom educador tem de ter a paciência

de um agricultor. Se quisermos ter dias felizes não devemos

esperar resultados imediatos.

Às vezes, educamos nossos filhos com o maior carinho

e eles nos frustram com seus comportamentos, parece que tudo

que ensinamos foram como sementes lançadas em terra árida.

Mas sutilmente, sem percebermos, essas sementes um dia

eclodem, criam raízes, crescem e se tornam belas características

de personalidade.

O mestre da vida entendia os limites das pessoas, por isso

amava muito e exigia pouco, ensinava muito e cobrava pouco.

Esperava que o amor e a arte de pensar florescessem pouco a

pouco no terreno da inteligência. Por dar muito e exigir pouco,

ele protegia sua emoção, não se decepcionava com as pessoas

quando elas o frustravam e nem as sufocava com sentimento

de culpa e incapacidade.

Por que predisse que seus discípulos o abandonariam no

momento mais angustiante de sua vida? Disse que eles o

abandonariam para protegê-los contra o sentimento de culpa,

de incapacidade, de auto-abandono que surgiriam momentos

depois que refletissem sobre suas fragilidades. Ele se preocupava

não apenas com o bem estar físico dos discípulos, mas queria

que eles não desistissem de si mesmos quando fracassassem.

O Poderoso e Dócil: Um Exímio Psicoterapeuta


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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

Tal comportamento evidencia a face de Jesus como

psicoterapeuta. Não era apenas um mestre, um médico, um

amigo, um educador e um comunicador do mais alto nível, mas

era um excelente psicoterapeuta. Ele conseguia prever as

emoções mais sutis e angustiantes dos seus discípulos antes

delas se encenarem no palco de suas mentes, e dava-lhes subsídio

para que as superassem quando surgissem.

Quantos se suicidam como Judas, por estarem

decepcionados consigo mesmos? Quantos, diante dos erros, se

envergonham e retrocedem em sua caminhada? Quantos não

se esmagam com sentimento de culpa e vivenciam crises

depressivas diante das suas falhas? Jesus sabia que o homem é

o pior carrasco de si mesmo. Por isso, estava sempre querendo

tornar leve o fardo da vida, libertar a emoção do cárcere.

Ninguém que andava com o mestre de Nazaré vivia se

martirizando. Até uma prostituta sentia-se aliviada ao seu lado.

Algumas derramavam lágrimas sobre ele, por tratá-las com tanto

amor, por dar continuamente uma oportunidade a elas. Será

que as pessoas se sentem aliviadas ao nosso redor? Será que

lhes damos condições para que elas rasguem a sua alma e nos

contem seus problemas? Não poucas vezes, ao ver a queda das

pessoas, as criticamos ao invés de ajudá-las a se levantar.

O mais excelente mestre da emoção sabia que seus

discípulos o amavam, mas ainda não tinham estrutura para

vencer o medo, o fracasso, as perdas. Previu que eles o

abandonariam para que eles conhecessem a si mesmos e

compreendessem suas limitações. Fossem fortes após as

derrotas.

O comportamento de Jesus mais uma vez concilia

características quase que irreconciliáveis. Ele demonstrou ter

um poder incompreensível, capaz de arregimentar exércitos de


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anjos. O que podemos esperar de uma pessoa tão forte?

Autoridade, julgamento, rigidez, imposição de normas, crítica

contundente aos erros. Todavia, eis que nele encontramos

afetividade, tolerância, compreensão das falhas, gentileza e

ausência de cobranças.

É horrível conviver com alguém disciplinador e que quer

que todos vejam o mundo apenas com seus olhos, mas é

agradável conviver com alguém maleável, capaz de enxergar com

os olhos dos outros.

A personalidade de Jesus é encantadora. Raramente

alguém que esteve no topo do poder desceu para perscrutar os

sentimentos mais ocultos do ser humano.Quem quisesse ser

um discípulo de Jesus, jamais poderia se diplomar na vida e

nem desistir de si mesmo.

O mestre da vida não procurava gigantes nem heróis, mas

homens que tivessem a coragem de levantar-se após cair, de

retomar o caminho após fracassar.

Perdoando-os antes do fracasso

Raramente uma pessoa presta atenção aos detalhes que

norteiam o comportamento de Jesus Cristo. Seu cuidado

afetuoso era fascinante. Ele já os estava perdoando antes mesmo


: 2015
2015 -> Componente Curricular: Enfermagem Médica Profª Mônica I. Wingert Módulo II turma 201E
2015 -> Visando melhorar o desempenho e cobertura do Programa Coletivade Odontologia Preventiva do Escolar e ao mesmo tempo incentivar a participação de todos os municípios e facilitar a Operacionalização, Controle e Avaliação do mesmo
2015 -> Relatório Anual de Atividades Modelo – Sorriso do Bem 2015 – Dentista do Bem
2015 -> Regeneração Ad Integrum da Cabeça do Côndilo em uma Paciente com Disfunções Temporomandibulares
2015 -> Revisão unidade – 6º ano leia os textos abaixo. Texto o sapateiro
2015 -> Linhas da cúspide da casa e do fim da casa 6 os graus da cúspide e do fim
2015 -> Casa semana Mapeamento celestial
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