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“Cristo”, o ungido de Deus, o filho do Deus altíssimo.

Criticando o falso moralismo dos fariseus

Jesus era um homem corajoso. Conseguia dizer o que

pensava mesmo quando colocava sua vida em risco. Dizia que

os fariseus limpavam o exterior do copo, mas não se importavam

com seu conteúdo.

O mestre era delicado com todas as pessoas, inclusive com

seus opositores, mas em algumas oportunidades criticou com

contundência a hipocrisia humana. Disse que os mestres da lei

judaica seriam drasticamente julgados, pois atavam pesados

fardos para as pessoas carregarem, mas eles nem com um dedo

o suportavam2.

Quantas vezes também não somos rígidos como os

fariseus, exigindo das pessoas o que elas não conseguem suportar

e nem o que nós mesmos conseguimos realizar. Exigimos calma

dos outros, mas nós somos impacientes, irritadiços e agressivos.

Pedimos tolerância, mas nós somos implacáveis, excessivamente

críticos e intolerantes. Queremos que todos sejam estritamente

v e r d a d e i r o s , m a s nó s s i m u l a m o s n o s s o s

comportamentos, disfarçamos nossos sentimentos. Desejamos

que os outros valorizem o interior, mas somos consumidos pela

estética social.

Temos de reconhecer que às vezes damos excessiva atenção

à estética social, ao que as pessoas pensam e falam de nós, mas

não nos preocupamos com aquilo que corrói nossa alma.

As Causas Sociais do Julgamento


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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

Podemos não prejudicar a outros com nosso farisaísmo, mas

nos autodestruímos por não intervirmos em nosso mundo, por

não sermos capazes de fazer uma faxina em nossos pensamentos

negativos, inveja, ciúme, ódio, orgulho, arrogância, autopiedade.

Abalando os líderes de Israel

com suas parábolas

Certa vez, o mestre foi convidado para comer na casa de

um fariseu3. Era um sábado. Havia muitos convidados e todos

o observavam. Estavam atentos para ver alguma falha nele,

principalmente se desrespeitaria o sábado curando alguém.

Como sempre acontecia, mais uma pessoa miseravelmente

doente apareceu e mais uma vez ele abalou a rigidez dos

moralistas.

Antes de fazer um milagre, fitou os convidados e

perguntou-lhes se um filho ou um boi caísse num poço em dia

de sábado, se eles não o socorreriam imediatamente. Ninguém

lhe deu resposta, ficaram emudecidos; alguns, envergonhados.

O mestre da vida aproveitou a ocasião para contar-lhes

mais uma parábola que combatia frontalmente a necessidade

compulsiva de prestígio e poder social. Como exímio contador

de histórias, falou-lhes que se eles fossem convidados para um

casamento não deveriam procurar sentar-se nos primeiros

lugares, para que vindo o noivo não os retirasse daquela posição

para dar lugar a pessoas mais importantes que eles. Estimulouos

a procurarem o último lugar, para que, quando viesse o que

lhes convidara e pedisse para que se sentassem num lugar mais

privilegiado, fossem honrados diante dos demais convivas.

Nesta mesma passagem, este brilhante contador de

histórias foi mais longe. Dilacerou o individualismo, o


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egocentrismo e a troca de favores que permeiam o consciente e

o inconsciente humano. Abordou um princípio chocante que

raramente é praticado, mesmo por aqueles que se dizem hoje

seus mais ardentes seguidores4.

Pediu-lhes que quando preparassem um jantar não

convidassem os poderosos, os ricos e os amigos, porque eles

têm como retribuir. Estimulou-os a convidar os cegos, os coxos,

os aleijados e os pobres, pois eles não têm como dar qualquer

retribuição. Segundo ele, a retribuição seria dada por aquele

que vê em secreto, pelo Autor da vida.

Desejava que cuidássemos dos aleijados, não apenas dos

que têm o corpo mutilado, mas também dos que não conseguem

andar nesta turbulenta existência. Almejava que ajudássemos

os cegos, não apenas os que não enxergam com olhos, mas os

que são cegos pelo medo, pela dor da depressão, pelas perdas e

frustrações.

Quem ama as pessoas desprezadas como ele amou? Quem

acaricia os humildes de nossa espécie e os honra como seres

humanos ímpares? Quem empresta seu tempo, sua atenção,

sua emoção para aquecer os feridos de alma? Com suas palavras

simples e profundas o mestre golpeou drasticamente não apenas

os fariseus, mas todos nós.

O egoísmo, o orgulho e o individualismo são “vírus” da

alma que nunca morrem. Você pode controlá-los, mas nunca

eliminá-los. Se não os combater continuamente, eles um dia

eclodirão sorrateiramente, infectando nossa emoção e nos

distanciando paulatinamente das pessoas.

Um amor que valoriza cada ser humano

O Mestre se preocupava com todas as pessoas que sofriam.

As Causas Sociais do Julgamento


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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

O amor que tinha por elas o incomodava. Ele gastava tempo

procurando aliviar suas dores, resgatar sua auto-estima,

estimulando-as a não desistir da vida. Desejava ardentemente

que cada pessoa não se sentisse inferior diante do desprezo e

das dificuldades sociais que viviam.

A emoção do mestre era imensurável; a dos fariseus,

estreita. Se alguém almejasse ser seu discípulo, tinha de alargar

os horizontes do seu pequeno mundo e incluir as pessoas, tinha

de se deixar ser invadido por um amor que o impelisse a cuidar

delas.

Cristo dizia que os sãos não precisavam de médicos. Os



fariseus, embora estivessem doentes em sua alma, se

consideravam abastados, plenamente sadios, portanto não

precisavam dele.

Para o mestre, o importante não era a doença do doente,

mas o doente da doença. O importante não era o quanto as

pessoas estavam doentes, o quanto erraram ou estavam

deprimidas e angustiadas, mas o quanto elas reconheciam suas

misérias emocionais. Os que tinham coragem para reconhecerse

doentes, sentiam mais o calor do seu cuidado. Os moralistas,

por serem auto-suficientes, nunca se aqueceram com as chamas

de sua emoção.

Princípios que ultrapassam o sonho

de todo humanista

Ninguém estabeleceu princípios humanísticos e elevou a

solidariedade a degraus tão altos como o mestre dos mestres da

escola da vida.

Nem os filósofos que usaram o mundo das idéias para

combater frontalmente as injustiças humanas se preocuparam


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tanto com a dor humana. Nem o mais humano dos capitalistas,

que divide os lucros das suas empresas com seus funcionários e

usa parte dos seus bens para fazer doações sociais, foi tão longe

em honrar as pessoas mais desprivilegiadas. Até mesmo os

ideólogos marxistas não atingiram patamares tão altos em seus

devaneios humanísticos.

Ele criticava contundentemente a falta de humanidade

dos fariseus e dos mestres da lei. Opunha-se ao julgamento

preconcebido que faziam das pessoas, à arrogância deles; mas

sua crítica não era grosseira, mas suave. Ele usava simples e

sábias parábolas para os incentivar a pensar e reciclar os

fundamentos de suas vidas.

Os fariseus lavavam as suas mãos antes de comer, mas

aceitavam que o lixo psicológico entulhasse suas vidas. Eram

ousados em apontar o dedo para os erros dos outros, mas eram

tímidos para reconhecer suas próprias fragilidades. Todos os

que não têm coragem para apontar o dedo para si mesmos

nunca corrigirão as rotas da sua história.

Um homem na contramão de todos

os paradigmas religiosos

A cúpula judaica considerava-se representante de Deus

na terra. Os assuntos de Deus eram a especialidade deles. Com

a chegada de Jesus, todos deveriam estar extasiados, alegres e

dispostos a servi-lo e a abandonar todos os preconceitos

religiosos. Entretanto, como poderiam servir a um Cristo que

nasceu num estábulo e cresceu numa cidade desprezível, fora

da esfera dos doutores da lei? Como poderiam ser ensinados

por um Cristo que se escondeu na pele de um carpinteiro e tinha as

mãos grossas oriundas de um trabalho pesado? Como poderiam amar

As Causas Sociais do Julgamento


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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

e se envolver com alguém que era amigo de pecadores, que

acolhia as prostitutas e jantava na casa dos malditos coletores

de impostos?

No conceito dos fariseus da época, o filho do Altíssimo

deveria ter nascido em Jerusalém, em berço de ouro, ter a pele

rosada, não se misturar com a plebe nem se envolver com

pecadores. Jesus era a antítese de tudo que imaginavam sobre o

Cristo. Não podiam se dobrar aos pés de um homem que os

combatia dizendo que eles procuravam os primeiros lugares

nos jantares e nas sinagogas e faziam longas orações com o

objetivo de serem elogiados pelos homens5.

Por todos estes motivos, o mestre de Nazaré era

drasticamente rejeitado pela cúpula judaica. Ele literalmente

atordoava os sacerdotes e todos os partidos de Israel: os fariseus,

os saduceus e os herodianos.

Cada vez que Jesus abria a boca, perturbava o sono da

cúpula judaica. Embora, em alguns momentos, os membros

desta cúpula o admirassem e ficassem confusos com sua

sabedoria, o consideravam autor da maior heresia que alguém

já proferira na face da terra. Não podia ser ele o Cristo, este

teria de combater Tibério e todo o império romano e não eles,

os zelosos da religião judaica.

Diante de tal blasfêmia, os líderes de Israel decidiram que

ele tinha de morrer rapidamente. Por isso, como estudaremos,

o seu julgamento foi acelerado. Muitos dos que estudam o

julgamento de Cristo não têm noção da seqüência dos eventos

e da rapidez com que eles aconteceram.

Os líderes judeus tentaram matá-lo anteriormente, mas

falharam. Agora ele estava famoso demais. A multidão tinha de

ser pega de surpresa e o ônus da sua morte tinha de recair sobre

a política romana. Como fazer isto? Uma tarefa dificílima. Uma


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grande revolta poderia acontecer. Então, Jesus, para a nossa

surpresa, facilitou este processo. Foi ao Jardim do Getsêmani

se entregar sem qualquer tumulto.

A cúpula judaica desejava matá-lo, mas ela jamais imaginava

que ele também tinha um desejo ardente de morrer. Veremos

que ele não fez literalmente nada para se safar do seu julgamento

injusto, humilhante e torturante.

Nunca os homens tiveram tanto desejo de matar uma

pessoa sem saber que ela mesma estava tão disposta a morrer.

Jamais se teve notícia de um homem tão feliz e sociável, que

contemplava os lírios dos campos e se colocava como a fonte

do prazer humano, que desejasse atravessar a mais humilhante

e sofrida travessia da morte! Sem dúvida, ele teve a personalidade

mais interessante e intrigante da história.

As Causas Sociais do Julgamento
O MESTRE DA VIDA

PARALISANDO OS

SOLDADOS

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CAPÍ T U L O 2
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Perturbando os soldados

As tentativas fracassadas para prendê-lo não eram apenas

devido ao assédio da multidão, mas também porque ele era um

réu incomum, alguém que confundia até os soldados incumbidos

de prendê-los. Certa vez, a cúpula judaica enviou uma grande

quantidade de soldados para aprisioná-lo. Era uma grande festa

judaica. No último dia da festa, mesmo sob o risco iminente de

ser preso, Jesus levantou-se e mais uma vez deixou estarrecidos

todos seus ouvintes. Nem os soldados escaparam de ficar

boquiabertos.

Maravilhados, os soldados não conseguiram prendê-lo.

Comentei no livro “Mestre dos Mestres” que a Psiquiatria, com

todo arsenal antidepressivo, trata das depressões e dos demais

transtornos emocionais, mas não sabe como fazer o homem

feliz. O mestre nesse discurso comentou altissonante que ele

poderia gerar um prazer pleno no homem que nele cresse, um

prazer que fluiria do cerne do espírito e da alma humana.

Nas sociedades modernas, a indústria do entretenimento

O Mestre da Vida Paralisando os Soldados
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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

expressa pelo cinema, shows, turismo, esportes, parques de

diversões, é um dos setores que mais cresce no mundo. Porém,

um paradoxo salta aos olhos. Nunca tivemos uma indústria de

entretenimento tão grande e um homem tão triste, propenso

ao stress e a diversas doenças psíquicas. O homem moderno

tem picos de prazer, mas não tem uma emoção estável,

contemplativa e feliz.

Qual é o termômetro da qualidade de vida no mundo

atual? A Psiquiatria. Quanto mais importante for a psiquiatria

nas sociedades modernas mais os indicadores apontam que

nossa qualidade de vida está piorando. Infelizmente, nossos

consultórios estão cheios. A psiquiatria e a psicologia clínica

terão grande importância no terceiro milênio, pois teremos um

homem cada vez mais doente, um homem que gerencia mal

seus pensamentos e protege inadequadamente sua emoção

diante dos estímulos estressantes

O discurso de Jesus sobre o prazer pleno se confronta

com o alto índice dos transtornos emocionais da atualidade.

Os soldados ficaram petrificados. Voltaram de mãos vazias. Os

que os enviaram ficaram indignados ao ouvi-los dizer que não

o prenderam porque “nunca alguém falou como este homem”6.

Não pára por aqui o choque que esses soldados levaram.

A noite em que foi preso foi coroada de eventos surpreendentes.

Os soldados ficaram paralisados diante do suposto criminoso.

Vejamos os eventos.

O traidor e a escolta

O discípulo traidor veio com uma grande escolta que

portava lanternas e tochas. A escolta era composta de uma

“coorte”7. Uma coorte romana contém cerca de trezentos a


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seiscentos homens. Era uma quantidade grande de soldados

para prender apenas um homem. Mas o fenômeno Jesus

justificava.

Os soldados esperavam pegá-lo desprevenido. Mas foi ele

quem os surpreendeu. Antecipando-se aos fatos, despertou seus

amigos dizendo-lhes que havia chegado a hora de ser preso.

Horas antes, na última ceia, o mestre disse que um dos

discípulos iria traí-lo. Não citou seu nome, pois não gostava de

constranger e expor ninguém publicamente.

Quando Jesus fez referência ao traidor, Judas teve uma

oportunidade de ouro para refletir e se arrepender, mas ele não

conseguia enxergar com os olhos do coração. Todavia,

percebendo-lhe a mente incauta, o mestre teve uma atitude

ousada. Ao invés de censurá-lo disse-lhe para fazer depressa o

que tencionava8.

Traindo seu mestre pelo preço de um escravo, Judas

combina entregá-lo. Tomou a frente da escolta e dirigiu-se ao

jardim onde ele estava. Aqui há um fenômeno subjacente que

precisamos compreender. Era de se esperar que o traidor se

protegesse atrás dos soldados e, sob a luz das tochas e lanternas,

apontasse de longe quem ele estava traindo.

Judas, embora estivesse cego, tateava o amor do seu mestre.

Sabia que ele era tão dócil que não corria risco algum se estivesse

à frente da escolta. Tal reação acontece ainda hoje. Mesmo os

que hoje rejeitam Jesus Cristo, quando dele se aproximam,

quando lêem suas biografias, percebem que ele não oferece risco

algum para suas vidas. O único risco é o de ser contagiado pelo

seu amor.

A escolta de soldados não conhecia a amabilidade e

gentileza de Jesus, só sabiam que tinham a missão de prender

aquele que magnetizava as multidões e “perturbava” a nação de

Israel.


O Mestre da Vida Paralisando os Soldados
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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

Já analisei diversos tipos de personalidade, inclusive a de

grandes homens da história. Nessas andanças analíticas pude

constatar que as pessoas, ainda que sejam ilustres políticos,

artistas, esportistas ou intelectuais, são comuns e previsíveis.

O mestre de Nazaré era totalmente incomum e

imprevisível. Ele era capaz de surpreender quando menino,

quando adulto, quando livre, quando preso, quando julgado,

quando crucificado e até quando seu coração, falido, batia pela

última vez e seus pulmões combalidos emitiam um brado

inesperado.

A sua prisão tem diversos eventos inusitados. Se pegarmos

os textos dos quatros evangelhos e os sobrepormos, poderemos

conferir que os soldados, no ato de sua prisão, ficaram extasiados

com vários fatores. Os eventos foram tão atordoantes que eles

caíram literalmente por terra ao dar voz de prisão a Jesus.

Em psicologia, a arte de interpretar é a arte de se colocar

no lugar do outro e ver o mundo com seus olhos, com as

variáveis que o envolvem, embora toda interpretação tenha

limites. Vamos nos colocar no lugar dos soldados e na

perspectiva deles vamos observar as cenas, os gestos de Judas e

as palavras de Jesus.

Traído com um beijo

Comentei o beijo de Judas no primeiro livro da coleção.

Ao ler esse texto, um leitor procurou-me dizendo que tinha

aprendido uma grande lição com essa leitura. Comentou que

tinha um inimigo e que freqüentemente pensava em matá-lo.

Entretanto, ao ver a atitude de Jesus diante do seu traidor, ficou

tão sensibilizado que ocorreu uma revolução na sua maneira

de pensar a vida. Procurou este inimigo, apertou-lhe a mão e o


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perdoou. A conseqüência imediata é que ele desacelerou seus

pensamentos, reciclou suas idéias negativas e desentulhou sua

emoção.

Deste modo, resgatou novamente o prazer de viver. Como

disse: a pior vingança que fazemos aos inimigos é perdoá-los,

pois perdoando-os nos livramos deles.

Apesar de ter comentado o beijo de Judas no primeiro

livro, gostaria de retomá-lo sinteticamente e abordá-lo sob a

possível ótica daqueles que estavam incumbidos de prender o

mestre de Nazaré.

É estranho ter sido traído com um beijo. Algumas

traduções dizem que Judas o beijou afetuosamente. A escolta

de soldados precisava de uma senha, mas provavelmente não

raciocinara no enigma que ela trazia. Os soldados só foram cair

em si depois que o fato ocorreu. Viram Judas beijar

afetuosamente aquele que era considerado o mais perigoso

homem para Israel. Ficaram pasmados, não imaginavam que o

agitador da nação fosse tão dócil.

Muito menos Judas, que devia se conhecer muito pouco,

tinha consciência do motivo pelo qual deu esse código de

identificação para consumar sua traição. Se acordasse para a

dimensão desse código, talvez retrocedesse. Judas não poderia

traí-lo com injúrias e nem difamação, pois seu mestre só sabia

amar e se doar. Talvez, um dia, se formos traídos por alguém,

nossos traidores tenham argumentos para nos atacar e usem

uma senha mais grosseira para nos identificar. Mas o mestre do

amor era inatacável. Só um beijo poderia identificá-lo.

Tratando com amabilidade o seu traidor

A atitude tranqüila do mestre da vida não era a esperada

O Mestre da Vida Paralisando os Soldados


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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

para uma pessoa que estava sendo traída e nem na iminência de

ser presa. Os soldados não estavam entendendo o que estava

acontecendo. Esperavam indignação e revolta de Jesus para com

seu traidor, mas viram um beijo, momentos de silêncio e reações

de amabilidade. Parecia mais um encontro de amigos. E era.

Por Jesus, Judas ainda era considerado um amigo. Nós

freqüentemente rompemos com as pessoas. As frustrações que

elas nos causam ferem mortalmente nosso encanto por elas. O

homem que dava a outra face não tinha inimigos. A atitude do

mestre não era a de um pobre coitado, mas a de um homem

indescritivelmente forte, alguém que sabia proteger sua emoção

e arejar as áreas mais íntimas de seu inconsciente. Jesus encontrou

a liberdade jamais sonhada pela psiquiatria.

Com um desprendimento inimaginável, chamou seu

traidor de amigo no ato da traição e deu-lhe mais uma preciosa

oportunidade para refazer a sua história9.

Cristo nunca descarregava em ninguém as suas angústias.

Momentos atrás a sua alma gemia de dor. Minutos atrás, seus

pulmões respiravam ofegantes, seu coração estava taquicárdico,

os sintomas psicossomáticos perturbavam seu corpo e o suor

sanguinolento testemunhava que estava no topo do stress. Tinha,

portanto, todos os motivos para descarregar sua tensão em Judas,

mas foi de uma gentileza poética com ele.

Diferente dele, freqüentemente descarregamos nossas

tensões nas pessoas que menos têm culpa por nossa ansiedade.

Quando nossa frágil paciência se esgota, ferimos as pessoas

que mais amamos.

A história registrou um momento raro no ato da traição

de Judas: uma cena de terror se transformou numa cena de

amor. Ao contemplar a cena, os soldados não entenderam nada

do que estava acontecendo.


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Insistindo para ser preso

Outro fato incomum que abalou os soldados é que Jesus

insistiu para ser preso, um fato quase que inacreditável. A escolta


: 2015
2015 -> Componente Curricular: Enfermagem Médica Profª Mônica I. Wingert Módulo II turma 201E
2015 -> Visando melhorar o desempenho e cobertura do Programa Coletivade Odontologia Preventiva do Escolar e ao mesmo tempo incentivar a participação de todos os municípios e facilitar a Operacionalização, Controle e Avaliação do mesmo
2015 -> Relatório Anual de Atividades Modelo – Sorriso do Bem 2015 – Dentista do Bem
2015 -> Regeneração Ad Integrum da Cabeça do Côndilo em uma Paciente com Disfunções Temporomandibulares
2015 -> Revisão unidade – 6º ano leia os textos abaixo. Texto o sapateiro
2015 -> Linhas da cúspide da casa e do fim da casa 6 os graus da cúspide e do fim
2015 -> Casa semana Mapeamento celestial
2015 -> Linhas da cúspide da casa e do fim da casa 6 os graus da cúspide e do fim


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