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presente no maior julgamento da história.

Traindo o desejo histórico de liberdade

Tibério César era um poderoso imperador. Embora as

leis romanas fossem as mais justas e humanas dos tempos

antigos, o imperador governava como um ditador. Por que

exercia o poder como um ditador? Porque, além de exercer o

poder executivo e judiciário, também tinha poder para legislar.

Do ponto de vista da filosofia do direito, o maior ditador é

aquele que executa e julga as leis que ele mesmo elabora.

Reunindo o poder executivo com o legislativo, os

imperadores romanos tinham o poder de um semideus. Quando

o poder entorpece os homens, não poucos deles almejam o

status de imortal.

Ao clamar por Tibério César e tomá-lo como rei, a cúpula

de Israel traiu sua história. O povo judeu jamais aceitou o

controle de qualquer império. O desejo de sua independência

estava nas suas raízes culturais, presente desde que Abraão, o

pai dos judeus, deixou a terra de Ur dos caldeus. Esse desejo se

cristalizou quando Moisés os libertou da servidão do Egito e os

conduziu à terra de Canaã.

Como disse no livro “O Mestre dos Mestres”* , o povo

judeu quase passou por um genocídio por ser o único povo,

* Cury, Augusto J. Análise da Inteligência de Cristo- O Mestre dos Mestres, Academia de Inteligência,

São Paulo, 1999.

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segundo Flávio Josefus, a não adorar o sucessor de Tibério,

Caio Calígula, como deus.

O relato histórico desta passagem é eloqüente*. Mostra a

coragem ímpar deste povo em preservar sua identidade e a sede

que tinha pela liberdade. Alguns embaixadores dos judeus

pediram uma audiência a Caio Calígula porque estavam

temerosos de ser dizimados se não o adorassem. Era uma

audiência de conciliação, queriam mostrar-lhe que embora não

o adorassem como deus, pois isso feria completamente seus

princípios e tradições, o respeitavam muito e faziam sacrifícios

a Deus para levar a bom termo a sua saúde e o seu governo.

Relutante, Calígula os recebeu, mas com desprezo.

Essa audiência podia determinar o destino dos judeus. Se

o imperador os obrigasse a adorá-lo, eles não aceitariam e, assim,

seriam eliminados não apenas em seu solo, mas em todas as

cidades onde habitavam, tal como em Alexandria. Filom, um

dos embaixadores dos judeus, relata que eles estavam

profundamente amedrontados nesta audiência. Dizia que

“sentíamos o sangue gelar em nossas veias”. Durante o

encontro, a cólera de Calígula diminuiu e, por isso, não os

obrigou a adorá-lo, embora não tenha aceitado a argumentação

dos judeus. No final da audiência, o imperador desprezou a

inteligência e o destino deles, dizendo: “Essa gente não é tão

má quanto infeliz. São insensatos por não acreditar que sou de

natureza divina”.

Os embaixadores judeus saíram da presença de Calígula

dizendo palavras que muito lembram o julgamento de Jesus.

Disseram: “Foi assim que saímos não de um tribunal, mas de

um teatro e de uma prisão, pois não era deveras uma comédia,

* Josefo Flávio, História dos Hebreus, Editora CPAD, Rio de Janeiro, 1990.
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vermo-nos ridicularizados, motejados, desprezados?”. Os judeus

sentiram a dor do desprezo e da humilhação provocada pelo

imperador. Viram-se não num tribunal, mas num teatro, num

ambiente em que pouco importava o que eles pensavam e

sentiam.

No julgamento de Jesus aconteceu a mesma coisa, só que

de maneira muito mais violenta. Um julgamento regado aos

patamares mais altos da tortura e da humilhação. Não

importavam as provas nem os sentimentos e os pensamentos

do réu. Ele tinha de morrer e o mais depressa possível, nem

que para isso os líderes judeus tivessem, por alguns momentos,

de trair a sua história e clamar que César era seu único rei.

Desprezaram Jesus que tinha origem judia e que cuidava

dos feridos e dos abatidos de Israel, para tomar o imperador

romano como seu grande líder, ainda que ele os explorasse com

pesados impostos.

Condenando Jesus por

medo de perder o poder

Ao ameaçar denunciá-lo ao imperador, Pilatos deve ter se

lembrado de que muitos governadores já haviam passado pela

Judéia e tinham sido destituídos. Certamente se lembrou de

que nem Arquelau (filho do Rei Herodes, o Grande) foi poupado

pelo imperador. Arquelau assumiu o governo da Judéia quando

seu pai morreu. Entretanto, cometeu atrocidades contra os

judeus. Estes o denunciaram a César, o que lhe causou a queda

e o ostracismo.

Amedrontado e profundamente constrangido, Pilatos

cede. Por medo de perder o poder, condena o mais brilhante e

inocente dos réus. Ao passar pelo julgamento formal e ser

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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

condenado, os criminosos podiam apelar para César.

Provavelmente os dois criminosos que foram crucificados ao

lado de Jesus estavam no final do processo. Seus crimes já haviam

transitado em julgamento. Todos os recursos já haviam se

esgotado após meses de processo.

Jesus estava sob o julgamento romano há menos de três

horas. Se ele apelasse para César, provavelmente seu processo

seria adiado e julgado em Roma. Todavia, não apelou. Não fez

nenhuma reivindicação. Apenas aguardou o final do julgamento.

Lavando as mãos

Pilatos cedeu diante da possibilidade de comprometer

sua carreira política. Cometeu um crime contra a sua própria

consciência. Talvez seu sono nunca mais tenha sido o mesmo.

Entretanto, para abrandar seu sentimento de culpa, fez um gesto

que iria torná-lo famoso na história: lavou as mãos. Muitos

pensam que este ato foi digno de aplausos e não poucos políticos

o imitaram ao longo das gerações.

O gesto de Pilatos foi um ato tímido e injusto. Lavou as

mãos, mas não podia limpar a sua consciência. A sujeira das

mãos é retirada com a água; a da consciência é retirada

reconhecendo erros e aprendendo a ser fiel a ela.

Também cometemos erros nessa área, embora com

conseqüências bem menores que as dos homens que julgaram

o mestre dos mestres. Lavamos as nossas mãos nas relações

sociais. Quantas vezes nos esquivamos de gastar o último recurso

para estender as mãos a alguém que está ao nosso alcance atolado

em seus problemas? Usamos o recurso de lavar as mãos como

tentativa de nos eximir de nossas responsabilidades, como

procedimento para nos proteger contra o sentimento de culpa

diante de atitudes delicadas que deveríamos tomar.
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Sempre que possível não deveríamos lavar as mãos. Se

temos condições de ajudar alguém que não quer ser ajudado,

não deveríamos desistir dele. Após esgotarmos nossos

argumentos, não deveríamos tentar fazer as pessoas enxergarem

o que não querem ou não conseguem ver e muito menos forçar

nossa ajuda. Ninguém consegue abrir as janelas da mente de

alguém que se recusa a abri-la. Devemos esperar uma nova

oportunidade, um novo momento para ajudá-la, ainda que ele

demore a chegar.

O mestre de Nazaré nunca lavava as suas mãos. Era

poderoso, mas não subjugava ninguém com seu poder, nem

quando queria e podia. Esgotava todos os recursos para ajudar

os necessitados, mas sem constrangê-los. Esperava o momento

certo para arejar os becos escuros de suas vidas. Procurava

ensiná-los de maneira sábia e agradável, mas dava tanta liberdade

para as pessoas errarem quanto incontáveis oportunidades para

elas retornarem. Não as punia e nem cobrava delas os seus

erros. Estar próximo dele era um convite a revisar os alicerces

da vida.

Do ponto de vista humano, o destino de Jesus estava sob

a autoridade de Pilatos. Portanto, lavar as mãos era se esquivar

de assumir a sua responsabilidade. Ninguém queria assumir o

ônus da morte de Jesus. Os líderes de Israel queriam que o

império romano assumisse a sua condenação e o império,

representado por Pilatos, lavou as mãos para que ela recaísse

sobre eles. O resultado foi que, para Pilatos, o sinédrio foi quem

condenou Jesus e, para a grande massa de homens que amava

Jesus, quem o condenou foi o império romano.

O homem que é infiel a si mesmo não vê dias tranqüilos.

Alguns historiadores comentam que Pilatos suicidou-se. Não

há como ser livre e feliz se não reconhecermos nossas

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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

fragilidades, se não procurarmos mudar as rotas de nossas vidas

e levarmos em alta conta nossa própria consciência.

O mestre da vida nos deu profundas lições para

aprendermos o caminho da tranqüilidade. Viveu dias tranqüilos

em ambientes intranqüilos. Era livre e sereno mesmo quando

estava acorrentado. Estava no auge da fama e tinha tempo para

contemplar os lírios dos campos. Nunca perdeu a singeleza e a

liberdade, mesmo no mais escaldante deserto...

A sentença de Pilatos

Após lavar as mãos e se livrar do papel de juiz, Pilatos

entregou Jesus para ser crucificado. Entretanto, como a morte

por crucificação era uma condenação romana, o governador

tinha de justificá-la. Assim lavrou sua sentença baseado nas

acusações dos judeus e não em sua consciência.

A seguir transcreverei a cópia fiel da peça do processo de

Jesus Cristo realizada por Pilatos, que se encontra no Museu da

Espanha:

“No ano dezenove de TIBÉRIO CÉSAR, Imperador

Romano de todo mundo. Monarca invencível na olimpíada cento

e vinte... sob o regimento e governador da cidade de Jerusalém,

Presidente Gratíssimo, PÔNCIO PILATOS. Regente na baixa

Galiléia, HERODES ANTIPAS. Pontífice sumo sacerdote,

CAIFÁS, magnos do Templo, ALIS ALMAEL, ROBAS

ACASEL, FRANCHINO CENTAURO. Cônsules romanos

da cidade de Jerusalém, QUINTO CORNÉLIO SUBLIME E

SIXTO RUSTO, no mês de março e dia XXV do ano presente

– EU, PÔNCIO PILATOS, aqui presidente do Império Romano,

dentrodopalácioearqui-residentejulgo,condenoesentencio à morte,Jesus,

chamado pela plebe – CRISTO NAZARENO – e Galileu de nação,


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homemsedicioso,contraaLeiMosaica – contrárioaograndeImperador

TIBÉRIO CÉSAR. Determino e ordeno por esta, que se lhe dê morte

nacruz,sendopregadocomcravoscomotodososréus, porquecongregando

eajuntandohomens,ricosepobres,nãotemcessadodepromovertumultos

por toda Galiléia, dizendo-se filho de DEUS E REI DE ISRAEL,

ameaçando com a ruína de Jerusalém e do Sacro Templo, negando os

tributos a César, tendo ainda o atrevimento de entrar com ramos e em

triunfo,comgrandepartedaplebe,dentrodacidadedeJerusalém.Que

sejaligadoeaçoitado,equesejavestidodepúrpuraecoroadodealguns

espinhos, com a própria cruz nos ombros, para que sirva de exemplo a

todos os malfeitores, e que, juntamente com ele, sejam conduzidos dois

ladrões homicidas; saindo logo pela porta sagrada, hoje ANTONIANA,

e que se conduza JESUS ao Monte Público da Justiça chamado de

CALVÁRIO, onde, crucificado e morto, ficará seu corpo na cruz, como

espetáculoparatodososmalfeitoresequesobreacruzseponha,emdiversas

línguas, este título: JESUS NAZARENUS, REX JUDEORUN.

Mando,também,quenenhumapessoadequalquerestadooucondiçãose

atreva,temerariamente,aimpedirajustiçapormimmandada,administrada

eexecutadacomtodorigor,segundoosDecretoseLeisRomanas,sobpena

de rebelião contra o Imperador Romano. Testemunhas da nossa

sentença: Pelas doze tribos de Israel: RABAIM DANIEL,

RABAIM JOAQUIM BANICAR, BANBASU, LARÉ

PETUCULANI. Pelos fariseus: BULLIENIEL, SIMEÃO,

RANOL, BABBINE, MANDOANI, BANCUR FOSSI. Pelo

Império Romano: LUCIO EXTILO E AMACIO CHILCIO“.

A sentença de Pilatos mostra os falsos motivos pelos quais

Jesus foi sentenciado à morte, já discutidos. Mostra que muitas

pessoas proeminentes do império romano e de Israel

testemunharam e aprovaram a sentença condenatória. Todavia,

três verdades saltam dessa peça processual.

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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

Primeiro: Jesus, um grande comunicador

Como vimos, Jesus era um homem magnífico. Sua

capacidade de comunicação era arrebatadora. Os estudantes de

comunicação e jornalismo desconhecem o maior comunicador

da história. Dei algumas conferências em universidades sobre o

tema “A arte da comunicação do mestre dos mestres”.

Algumas pessoas têm ficado atônitas com seu poder de

comunicação. Ele fazia uma comunicação honesta e poética.

Era econômico no falar, mas preciso nas palavras. Conseguia

ser dócil e extremamente seguro. Falava fitando a menina dos

olhos dos seus ouvintes.

Seu falar era tão penetrante que ele executava um dos mais

difíceis treinamentos da inteligência: treinava a emoção e o

pensamento. Treinava seus discípulos a trabalhar em equipe, a

não ter medo do medo, a não querer que o mundo se submeta

aos seus pés, a pensar multifocalmente em situações turbulentas,

a ser tolerantes, gentis, agradáveis, a torcer uns pelos outros e

até a amar uns aos outros.

O tom da sua voz não era tímido, mas eloqüente. Não

tinha medo de chocar seus ouvintes. Seus discursos intrépidos

e ousados causavam uma verdadeira revolução no cerne do

espírito e da alma deles. O conteúdo dos seus discursos até hoje

deixa boquiabertos aqueles que o analisam desprovidos de

preconceitos.

Multidões de pobres e ricos, letrados e iletrados, de homens

e mulheres o seguiam apaixonadamente. Por diversas vezes, as

pessoas ao ouvir suas palavras ficaram maravilhadas.


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Segundo: Jesus, um grande líder.

Os homens o admiravam tanto que, no seu último retorno

a Jerusalém, colocaram ramos de palmeiras e suas próprias vestes

no chão para que ele passasse. Todos estavam extasiados com

seu poder e com sua eloqüência.

Por momentos, eles se esqueceram de que o império

romano os controlava através da força de milhares de soldados.

Queriam que o mestre os liderasse. Mas este dizia que o seu

reino não era deste mundo. O único homem que dizia ter todo

o poder para dominar a terra virou o mundo de cabeça para

baixo ao entrar, no auge da fama, na grande cidade de Jerusalém

montado num pequeno e desajeitado animal.

Apesar de não querer o trono político, sua entrada em

Jerusalém foi triunfal, causou um grande tumulto cerca de um

mês antes de ser preso. Pilatos estava certo ao colocar este detalhe

na peça processual. Isso prova que ele acompanhava os passos

do mestre de perto antes do seu julgamento.

No final de sua sentença, Pilatos deixa claro seu respeito

e temor incondicional pelo imperador Tibério. Declara que quem

afrontasse a sua decisão de crucificar Jesus estaria se rebelando

contra o próprio imperador. Na realidade, Pilatos apenas

transcreve a pressão que os líderes judeus fizeram contra ele,

ameaçando de denunciá-lo ao imperador se ele não o

condenasse. Por submeter-se a esta chantagem, ele deixa claro

na peça processual que Jesus rebelou-se contra o imperador

por se fazer rei. O texto de Pilatos dissimula a infidelidade à sua

consciência. O papel mais uma vez aceitou aquilo que o homem

não pensava.

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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

Terceiro: Jesus, o filho de Deus

Pilatos acusa Jesus de ser filho de Deus e querer destruir o

Sacro templo. De fato, sua vida era cercada de mistérios. Seus

comportamentos e seus sofrimentos eram humanos, mas suas

palavras e sua postura eram incomuns para um homem. Pilatos

ficou impressionado com sua postura. Ele se portava como um

príncipe no caos. Não perdia sua dignidade quando sofria.

Ele não queria destruir o templo físico, mas transportá-lo

para dentro do homem. Almejava inaugurar o lugar de adoração

a Deus no coração humano.

Ele não declarava abertamente sua identidade, mas em

algumas oportunidades disse ter a natureza de filho de Deus e o

status do mais alto poder do universo. O que nos deixa pasmos

é que, ao contrário do nosso comportamento, ele não relatou

claramente sua identidade quando estava no auge da fama.

Declarou sua identidade quando estava no auge da derrota, pelo

menos aparente: revelou-se quando o mundo desabava sobre

sua cabeça.

Um espetáculo para todos os malfeitores

A psicologia tem de ficar assombrada com Jesus Cristo.

Aos demais torturados e que estão às portas da morte é

presumível que vivenciem o medo, o desespero, a ansiedade e a

agitação psicomotora, acompanhada de perda da lucidez e até

da consciência. Entretanto, para nosso espanto, nenhuma dessas

reações assaltaram a sua alma.

Na psicologia, principalmente na área de recursos

humanos, tem-se falado muito do papel da emoção no


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desempenho intelectual e na formação da personalidade.

Gerenciar a emoção é mais difícil do que governar um país, é

mais complexo do que controlar uma grande empresa.

Entretanto, o mestre da vida foi o mais excelente mestre da

emoção. Navegou com exímia habilidade no mar agitado da

solidão, da incompreensão, da rejeição, da agressividade, da dor

física e psicológica.

Jesus era invariavelmente delicado com as pessoas. Nunca

expunha os seus erros e nem chamava a atenção delas

publicamente.59. Apesar do mestre dos mestres ter uma gentileza

ímpar com as pessoas mais rudes, ele foi tratado com uma

aspereza sem precedente. Não lhe deram descanso nem durante

a sua morte. Pilatos sentenciou-o à cruz e disse que sua morte

deveria funcionar como espetáculo para os malfeitores. Como

pode o mais dócil e amável dos mestres servir de exemplo para

advertir os homens a não cometer crimes?

Viajando no túnel do tempo

Se viajássemos no túnel do tempo e estivéssemos

presentes no julgamento do mestre da vida, provavelmente

pertenceríamos a um dos oito grupos:

1- Grupo dos fariseus e dos demais homens do sinédrio

que condenaram Jesus, que não tinham coragem para

questionar suas próprias verdades e avaliar se o filho de

Deus poderia estar travestido na pele de um carpinteiro;

2- Grupo dos fariseus que amavam Jesus, representado por

Nicodemos, mas que não tiveram ousadia para defendêlo

pelo medo de também serem punidos;

3- Grupo dos discípulos que o abandonaram, o deixaram

a sós, que fugiram desesperadamente quando ele se

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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

recusou a fazer qualquer milagre para se safar do seu

julgamento;

4- Grupo dos que o negaram, representado por Pedro, que

embora o amasse intensamente e tivesse mais coragem

que os demais discípulos, ainda era frágil e inseguro, por

isso negou toda a história que com ele viveu quando o

viu sendo torturado e espancado;

5- Grupo da população que não tinha opinião e nem

convicções próprias e por isso foi facilmente manipulada

pelos que estavam no poder, os fariseus;

6- Grupo dos políticos, representado por Pilatos, que o

considerava inocente, mas permitiu a sua tortura e

mandou afligi-lo com açoites e, por fim, para agradar

uma minoria de líderes, lavou suas mãos para aliviar a

infidelidade à sua consciência e mandou crucificá-lo;

7- Grupo de soldados manipulados pelo sistema religioso

e político e que foram agentes da sua tortura e

crucificação, achando que prestavam serviços aos seus

líderes;

8- Grupo das pessoas que encontraram um novo sentido

de vida através das suas palavras e que o amavam

apaixonadamente, mas que estavam do lado de fora da

casa onde ele estava sendo julgado e esperavam

ansiosamente o desfecho final deste julgamento.

Reitero, a qual desses oito grupos pertenceríamos? Não

havia ninguém ao lado de Jesus. Todos os seus amigos o

abandonaram. Se estivéssemos lá, será que não o negaríamos

como Pedro? Será que muitos de nós hoje que dizemos amar

profundamente Jesus e que estivéssemos na casa de Caifás

não teríamos nos silenciado ante aquele clima de terror que

pairava sobre o mestre da vida? Será que quando ele


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fazia seus milagres e inteligentes discursos não estaríamos ao

seu lado e depois quando preso não seríamos controlados pelo

medo?

Se viajássemos no túnel do tempo e estivéssemos



presentes no julgamento de Cristo, provavelmente nenhum de

nós o defenderia. Poderíamos admirá-lo, mas nos calaríamos,

como Nicodemos. Nossa inteligência e capacidade de decisão

estariam travadas pelo medo. Hoje Jesus é famosíssimo e

universalmente amado ou, no mínimo, admirado. Naquela época,

embora ele deixasse perplexos todos os que o ouviam, estava

escondido em um simples ser humano.

Hoje é fácil defendê-lo. Naquela época, quando ele resolveu

não fazer qualquer milagre e deixar de lado seus intrigantes

discursos, era difícil apoiá-lo e dizer: “Estou aqui, ainda que

todos te abandonem, não te deixarei”. Na realidade, Pedro disse


: 2015
2015 -> Componente Curricular: Enfermagem Médica Profª Mônica I. Wingert Módulo II turma 201E
2015 -> Visando melhorar o desempenho e cobertura do Programa Coletivade Odontologia Preventiva do Escolar e ao mesmo tempo incentivar a participação de todos os municípios e facilitar a Operacionalização, Controle e Avaliação do mesmo
2015 -> Relatório Anual de Atividades Modelo – Sorriso do Bem 2015 – Dentista do Bem
2015 -> Regeneração Ad Integrum da Cabeça do Côndilo em uma Paciente com Disfunções Temporomandibulares
2015 -> Revisão unidade – 6º ano leia os textos abaixo. Texto o sapateiro
2015 -> Linhas da cúspide da casa e do fim da casa 6 os graus da cúspide e do fim
2015 -> Casa semana Mapeamento celestial
2015 -> Linhas da cúspide da casa e do fim da casa 6 os graus da cúspide e do fim


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