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os ressuscitasse. Como muitas dessas pessoas vinham de longe,

elas deviam lotar as hospedarias. Todavia Jerusalém não estava

preparada para receber tantos visitantes. Muitos, portanto,

deviam dormir ao relento.

Jerusalém acordara perturbada. Pouco a pouco a notícia

de que Jesus estava sendo julgado e que estava com o rosto

mutilado se espalhara. Os que estavam insones ou dormiam ao

relento afluíram primeiro em direção à fortaleza Antônia. Todos

estavam ávidos por mais notícias. A chama de esperança daquele

povo sofrido começava a se apagar.

Um assassino ovacionado

Enquanto isso, a pequena multidão dentro da casa de

Pilatos reagia à soltura de Jesus. Influenciada e instigada pelo

sinédrio, ela gritava: “Barrabás! Barrabás!”. Nunca um assassino

foi ovacionado desta maneira. Os homens gritavam a plenos

pulmões para que Pilatos soltasse Barrabás.

No campo religioso, científico, filosófico, político, há uma

grande quantidade de pessoas que não têm intimidade com a

arte da dúvida, por isso nunca duvidam de si mesmas e dos

pensamentos daqueles que admiram, assim não desenvolvem

sua consciência crítica. Defendem suas idéias com convicção,

idéias que nunca foram suas, mas plantadas por outros. Talvez

algumas pessoas que clamaram pela crucificação de Cristo

Trocado por um Assassino. Os Açoites e a Coroa de Espinhos


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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

fossem seus admiradores dias atrás. Mas após ter sido preso,

elas mudaram seu pensamento, foram facilmente manipuladas

pelos fariseus. O homem que reage sem pensar e não pensa

antes de reagir será sempre um joguete nas mãos dos mais

eloqüentes.

O mais amável dos homens ouviu o som estridente de

que o trocavam por um assassino. Jesus, neste momento, sentiu

o ápice da discriminação, uma discriminação igual ou maior do

que a que muitos negros viveram e muitos judeus

experimentaram na Segunda Grande Guerra Mundial. O que

sentiríamos se estivéssemos no seu lugar? O som penetrava em

seus tímpanos, percorria seu córtex cerebral e atingia o cerne

da sua emoção. Se ele, juntamente com seu Pai, assinou a autoria

da criação humana, então, pode-se inferir que, neste momento,

a criatura traiu drástica e completamente o seu Criador.

Judas já o havia vendido pelo preço de um escravo, agora

os homens o trocavam por um homicida. Talvez, por saber

antecipadamente que não havia lugar para ele na humanidade,

tenha preferido nascer num desconfortável curral. Os animais

foram mais complacentes com Jesus do que muitos homens.

Se Jesus Cristo tinha o mais alto poder do universo não

seria este o momento de desistir da humanidade? Que amor é

este que nunca desiste? A dor da rejeição é freqüentemente

inesquecível. O fenômeno RAM (registro automático da

memória) a registra de maneira privilegiada nas áreas centrais

da memória. Fica sempre disponível para ser utilizada em novas

cadeias de pensamentos. Por isso, dificilmente alguém que foi

discriminado deixa, ainda que por momentos, de sentir o seu

paladar ao longo da vida.

Qualquer pessoa serviria para ser trocada pelo amável

mestre da vida. Uma pessoa poderia cometer o crime hediondo


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mais repulsivo e, ainda assim, o sinédrio rejeitaria Jesus e

aclamaria tal criminoso.

Se você acha que ninguém o valoriza, saiba que Jesus foi

tão rejeitado que se colocassem você e ele na frente dos homens

do sinédrio e da população que o acompanhava, todos em coro

clamariam pelo seu nome. Você seria unanimemente louvado.

É possível acreditar que aos olhos daqueles técnicos em Deus

somos mais importantes do que Jesus? Para os fariseus, o mestre

dos mestres era indigno de estar vivo.

Barrabás saiu da banalidade para a aclamação, da

clandestinidade para o heroísmo. Jesus permaneceu em silêncio.

Não se desesperou e nem se indignou com tal rejeição. O mestre

da vida usou a ferramenta do silêncio para nos ensinar a não

cair nas armadilhas da emoção e a não gravitar em torno do

que os outros pensam e falam de nós.

A violência dos açoites

Se lermos atentamente palavra por palavra, vírgula por

vírgula o procedimento de Pilatos nos quatro evangelhos,

teremos a impressão de que ele funcionou como um cirurgião

que abria o coração infectado dos fariseus, infectado pelo orgulho

e pela arrogância. Após ouvir o clamor da troca fatídica, ficou

convicto de que a cúpula judaica queria a morte do nazareno de

qualquer maneira e não descansaria enquanto ela não se

materializasse.

Inconformado, o governador não cedeu. Não admitia que

aqueles homens controlassem a sua própria consciência. Então,

neste momento, ao invés de crucificá-lo, preferiu flagelá-lo com

açoites. Pilatos, que aparentemente parecia defender Jesus,

mostra aqui sua face sanguinária. Indignado com o sinédrio,

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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

descarrega sua ira no réu. O homem Jesus sangrando no rosto

sangraria, agora, nas costas.

Os soldados de Pilatos saciam, então, seu apetite por

traumatizar Jesus. Queriam ver a resistência do homem que fez

milagres impressionantes. Os açoites eram produzidos com um

chicote chamado de “fragrum”. O fragrum contém diversas

tiras de couro. Nessas tiras, são presos pedaços de ossos ou

ferro, de sorte que cada chibatada não apenas causa edema e

hematoma súbito, mas também ferimentos abertos.

Os homens açoitaram Jesus com dezenas de chibatadas.

A pele se abria, os músculos intercostais se expunham. A todos

os torturados era dado o direito de gritar, urrar de dor, reagir

com ódio, pavor, mas àquele que se propunha a ser o cordeiro

de Deus para resgatar as injustiças da humanidade, não eram

admitidas tais reações. Um cordeiro sofre silenciosamente. O

mestre da vida suportava calado as suas torturas, como uma

ovelha muda perante seus tosquiadores49.

Ao vê-lo mudo, a ira dos seus carrascos devia aumentar.

Batiam-lhe mais forte. Queriam ver seus limites. Assim, o

homem Jesus reagia com todas as suas forças para suportar o

insuportável.

Certa vez, uma excelente enfermeira, que havia tido uma

crise depressiva, me contou em meu consultório uma história

sobre o drama da dor dos ferimentos. Ela fazia freqüentemente

curativos em feridas abertas. Quando os pacientes reclamavam

de dor ou do desconforto da gaze, ela os criticava.

Um dia, ela passou por uma cirurgia. A cirurgia teve

contaminação e a pele e músculos se infeccionaram e os pontos

se abriram. Toda vez que alguém ia fazer curativo nela era um

tormento. Colocar uma gaze sobre a pele aberta era como passar

uma lixa sobre o corpo. Ela gritava de dor. Então, se lembrou


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dos seus pacientes. Recordou que não tinha paciência e nem

compreendia a dor deles. A partir daí, se tornou uma enfermeira

muito mais amável e tolerante.

Imaginem o que Jesus passou com os açoites. As tiras de

couro com metais abriam-lhe a pele. Cada chibatada era uma

cirurgia sem anestesia. Após vestir seu manto, o sangue se

misturava com as fibras do tecido, era como se uma lixa roçasse

a superfície de sua pele. Nada o aliviava, a não ser a misteriosa

relação que mantinha com seu Pai. A cada momento devia

dialogar com Ele sobre sua dor, como o fez após a última ceia.

Devia conversar e orar silenciosamente com Ele a cada

momento em que era espancado, esmurrado, cuspido ou

flagelado. Havia um ar de mistério no seu martírio. Ele estava

na condição de homem, mas ninguém reagiu como ele no ápice

da dor. Uma força incrível o sustentava. Gerenciava seus

pensamentos e suas emoções em situações impossíveis de

conservar a lucidez. O mestre de Nazaré foi um príncipe no

caos.


Coroado com espinhos

Não bastasse o tormento sofrido na casa de Anás, Caifás,

Herodes e os açoites impostos por Pilatos, Jesus passou pelo

último e mais dramático sofrimento antes de carregar a cruz.

Os soldados vendo-lhe a resistência e sabendo que os judeus o

acusavam de querer ser rei da nação, vestiram-lhe como a um

falso rei. Trajaram-no com um manto de cor púrpura e

colocaram sobre a sua cabeça uma coroa real, só que feita de

espinhos. E para debochar ainda mais do “falso rei”, lhe deram

um cetro de segunda categoria, um caniço de ferro.

Estava pronto o cenário de terror circense. Neste cenário,

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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

começa uma longa sessão de sarcasmo e espancamento. Uma

coorte de soldados, cerca de 300 a 600 homens, se aglomera em

torno daquele homem debilitado para se divertir. Imaginem a

cena.

Jesus estava com o rosto inchado e cheio de hematomas,



as suas costas sangravam sem parar. Provavelmente não lhe

deram água a noite toda. Estava sedento e com o corpo todo

dolorido. A sua debilidade não comovia os soldados. Cegoulhes

o entendimento e o humanismo.

Uma análise sociológica do comportamento humano

revela que os homens, quando estão irados e em público, reagem

como animais. Se desejam chamar a atenção uns dos outros

com deboches, cada um procura ser mais irônico do que o outro.

Alguns vão até às últimas conseqüências.

Os textos dizem que vários soldados ajoelhavam-se aos

pés do mestre da vida, querendo prestar-lhe uma falsa

reverência50. Colocaram Jesus no centro de um picadeiro. Os

soldados, rodeando-o, fizeram-no de palhaço. Seus olhos deviam

estar tão edemaciados que mal devia enxergar, mas via o

suficiente para saber que não devia reagir. Jesus não abriu a

boca.


Talvez este seja o único caso na história em que uma pessoa

tenha passado pelo topo da discriminação e, ao mesmo tempo,

golpeado pelo ápice do deboche e do escárnio. Sua vida pautouse

por extremos impensáveis. Foi exaltado como rei e como

Deus e foi humilhado como o mais vil dos homens.

Enquanto os mais engraçados prestavam-lhe a falsa

homenagem, ouviam-se longas gargalhadas da platéia.

Exclamavam: “Salve, o rei dos judeus”51. Louvam-no com ironia.

Deviam empurrá-lo e fazê-lo cair. Suas quedas excitavam os

soldados. Divertiam-se com sua dor.


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Se escondido na pele do homem Jesus estava o ser mais

poderoso do universo, como ele suportou ter sido o personagem

central de um teatro de terror? Como permitiu que os homens

o ultrajassem e o fizessem de palhaço? Se nós temos reações

agressivas com nossos filhos ou com nossos pais sem grandes

motivos, quem de nós, se tivesse tal poder, prescindiria de usálo

para destruir nossos carrascos? Somos mestres da

impaciência; ele, o mestre da mansidão.

Coroa de espinho e bofetadas

Não há notícia na história de que alguns homens tenham

humilhado um rei no pleno exercício do seu poder, e tenham

sobrevivido. O rei Herodes não foi um milésimo ameaçado pela

sua esposa e seus filhos como o foi Jesus, mas ainda assim os

matou.


A história humana tem de ser recontada. Se o mestre da

vida era o rei dos reis, se ele se assentava à direita do Todo-

Poderoso, então, dever-se-ia escrever em todos os tratados

históricos: humilharam, torturaram e zombaram o maior de

todos os reis, mas ele tratou com brandura seus carrascos.

Ninguém saiu ferido a não ser ele. Não há como não se curvar

diante dele.

Jesus suportava o sarcasmo humano porque sua emoção

tinha uma estrutura sólida. Não esperou quase nada dos seus

amigos, sabia que eles o abandonariam. Dos soldados, esperava

muito menos. Não há dúvida de que ele sofria muito, mas por

se relacionar com as pessoas com baixíssima expectativa, não

deixava o lixo de fora entulhar sua emoção. Um dos seus

segredos era que ele se doava muito e esperava pouco.

Nós, ao contrário, por esperarmos muito dos outros,

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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

ficamos sempre frustrados. Alguns são derrotados com apenas

um olhar ou um pequeno comportamento. Tudo os irrita.

Os soldados, ao perceberem que Jesus não ia gritar, não ia

reagir nem pedir clemência, ficaram impacientes e irritados.

Para completar a agonia de Jesus, tomaram-lhe o falso cetro e

deram-lhe na cabeça52. Uma dor horrível e aguda permeou sua

cabeça. Os espinhos cravaram-se no couro cabeludo, uma área

intensamente irrigada. Dezenas de pontos hemorrágicos

surgiram. O sangue escorria por toda a sua face. Era o sangue

de um homem. Suportou sua dor como um homem e não como

Deus.


À medida que o sangue percorria as reentrâncias de sua

face, os soldados o esbofeteavam. As mãos destes homens eram

fortíssimas, tinham uma musculatura hipertrofiada pelos

exercícios com lanças e espadas. Ao ser esbofeteado, devia sentir

vertigem, tontura. Certamente caía com mais freqüência no chão.

Ao cair, batia com a cabeça no solo e, deste modo, a coroa de

espinho cravava-lhe mais intensamente. Ao bater as costas no

chão, seu manto colava-se na pele esfacelada pelos açoites.

Pelos fariseus foi tratado como uma escória humana; pelos

romanos, como um homem imprestável, um impostor, um falso

rei. O único que rejeitou o trono político para reinar no coração

humano recebeu como recompensa flagelos e açoites. Como é

difícil governar a alma humana! Mesmo nós não somos líderes

de nosso próprio mundo.

O mestre de Nazaré foi dócil e paciente num ambiente

onde só havia espaço para a ira e agressividade. Nunca ninguém

pagou um preço tão alto por amar incondicionalmente o ser

humano. A história do mestre dos mestres abala qualquer um

que a investiga.

Felizes não são os que têm alta conta bancária, os


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assediados pela mídia, os que moram em palácios, mas os que

encontram motivos para amar mesmo quando eles não existem.

Ele encontrou motivos para nos amar, mesmo quando estes

não existiam.

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A ÚLTIMA CARTADA

DA CÚPULA JUDAICA

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CAPÍ T U L O 10


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A Última Cartada da Cúpula Judaica

“Eis o homem!”: uma expressão

refletindo o topo da tortura.

Jesus foi açoitado, coroado com espinhos e esbofeteado

pela coorte romana fora do ambiente onde estavam os homens

do sinédrio. Os soldados só não podiam matá-lo, pois seu

julgamento não chegara ao fim. Foram dez ou vinte minutos de

espancamento, um tempo enorme para quem estava sendo

massacrado por centenas de soldados sem qualquer proteção.

O mestre dos mestres estava literalmente irreconhecível.

Não havia o rosto de um homem, mas uma face desfigurada.

Como podemos afirmar isso? Pela expressão usada por Pilatos

ao apresentar novamente Jesus aos líderes judeus. Diz: “Eis o

homem!” 53.

Com esta expressão Pilatos quis tocar a emoção dos judeus,

fazê-los ter compaixão de Jesus. Parecia que o governador da

Judéia queria dizer: “eis aí um homem acabado, mutilado,

destruído e sem condições de ameaçar a vocês e a mim. Vocês

não conseguem enxergar que ele é apenas um pobre e miserável

homem?”.
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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida



Ao ouvir a expressão “eis o homem”, o sinédrio se levanta

e dá um grande susto em Pilatos. Diz pela primeira vez ao líder

romano que queriam matá-lo porque ele disse ser Deus54, e o

autor de tal blasfêmia deveria morrer.

Ao ouvir tais palavras, Pilatos entra em pânico. Ele sabia

que Jesus era misterioso, já se perturbara com suas palavras e

expressões. Sabia que ele era um homem incomum, mas não

sabia que ele havia confessado ser divino.

Foi provavelmente neste momento que a mulher de Pilatos

entra em cena e lhe diz que tivera um sonho com Jesus e ficara

perturbada. O mestre já havia tirado o sono de todos os fariseus,

agora tirava o sono da mulher de Pilatos. Motivado por sua

esposa e convencido de que Jesus era inocente, resiste em

crucificá-lo.

Pilatos mais uma vez chama Jesus ao pretório. Retira-se

para ter com ele uma nova conversa particular. Não sabia se o

soltava ou se o indagava. O juiz estava confuso diante do réu.

Acusado de ser divino

Pilatos desejava uma resposta clara sobre a identidade

de Jesus. Para obtê-la usa a sua autoridade de governador

conferida pelo império romano e diz: “Não sabes que tenho

autoridadeparatesoltareautoridadeparatecrucificar?” 55.Jesusestava

sob um julgamento romano formal.

O imperador romano podia legislar, fazer leis. Aos

governadores sob o controle de Roma cabiam os direitos de

executivo e judiciário. Pilatos, portanto, tinha pleno poder não

apenas para governar a Judéia, mas para atuar como um grande

pretor, um juiz que julgava os homens segundo o direito romano.

Para causas pequenas, o governador designava outros pretores,

mas as grandes causas eram julgadas por ele próprio.


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A autoridade de Pilatos realmente era grande. O destino

dos homens na região sob sua jurisdição estava de fato em suas

mãos. Esperava, ao pressionar Jesus com sua autoridade, que

ele se intimidasse e revelasse sua identidade. Porém, mais uma

vez, o réu o deixou chocado. Ao ouvir tais palavras, Jesus disse

que toda autoridade vinha do alto e nenhuma autoridade ele

teria se do alto não fosse permitida.

Ao sinédrio, Jesus disse que se assentaria à direita do Todo-

Poderoso, portanto na posição mais alta do universo. A Pilatos

comenta que a autoridade que ele tinha não vinha de Roma,

mas era permitida pelo alto. Sobrepondo estas duas frases

podemos inferir algo impensável na história do direito e do

poder político. O réu conferia a autoridade ao Juiz. Que situação

impressionante!

Através de sua afirmação, o mestre de Nazaré queria dizer

que há um poder no universo do qual emanam todos os outros

poderes. Inferia que o poder político era temporariamente

permitido e que o que é permitido será cobrado.

Pilatos considerava que seu poder fosse permitido por

Tibério, o imperador romano. Agora vinha um homem todo

edemaciado e cheio de hematomas sugerindo que todo poder

emanava dele. Como isso é possível?

Jesus surpreendia a todos quando estava livre e quando

estava preso, quando estava saudável e quando destruído. Queria

dizer ao líder romano que tinha poder muito maior do que o

dele, que poderia se safar do seu julgamento e morte, mas não

o faria.

Os líderes de Israel e Pilatos estavam abalados, mas nada

abalava o mestre da vida, nada o amedrontava. Ele mostrava-se

imbatível nas idéias quando não havia mais força em seu corpo.

Nunca um judeu abalou as convicções do autoritário governador.

A Última Cartada da Cúpula Judaica


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Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre da Vida

O poderoso Pilatos se comportava como uma criança

diante do carpinteiro de Nazaré. Como pode alguém com a

cabeça sangrando, com o rosto desfigurado e na eminência de

ser crucificado discorrer que tinha um poder acima do império

romano?


A rejeição e os sofrimentos, ao invés de abatê-lo, nutriam

a sua capacidade de pensar. As perdas, ao invés de destruí-lo e

desanimá-lo, o tornavam livre no território da emoção. Somente

alguém que eliminou todas as raízes do medo pode ser tão livre.

A última cartada: traindo a

história e apelando para Tibério César

Pilatos, admirado com o comportamento de Jesus, mais

uma vez o traz à presença do sinédrio e intercede para soltá-lo.

Suas idas e vindas mostravam que ele estava convicto de que o

réu era inocente. Pilatos tinha receio de uma revolta dos líderes

judeus se soltasse Jesus e estes líderes tinham medo da multidão

se o fenômeno Jesus estivesse solto.

O perfil psicológico de Pilatos e suas atitudes indicavam

que ele debochava do sinédrio. Prova disto, era o fato de apontar

diversas vezes para Jesus e dizer para o sinédrio: “eis o vosso

rei” 56.


O governador da Judéia só temia uma autoridade: Tibério

César, o senhor do mundo, o grande imperador romano.

Portanto, a última cartada da liderança judia era denunciar Pilatos

ao próprio imperador. Os judeus odiavam ser dominados por

Roma, detestavam ser subjugados por César, mas para matar

Jesus a única solução era mostrar estrita fidelidade a ele. Por

isso, disseram altissonantes a Pilatos que somente César era o

rei deles57 e que não admitiam outro rei.


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Completaram dizendo que, se Pilatos não crucificasse

Jesus, ele estaria admitindo outro rei no solo de Israel, um rei

não designado pelo império. Deste modo, ameaçaram com todas

as vozes e todas as letras que denunciariam Pilatos a César58.

Precisamos reconstruir o cenário consciente e inconsciente


: 2015
2015 -> Componente Curricular: Enfermagem Médica Profª Mônica I. Wingert Módulo II turma 201E
2015 -> Visando melhorar o desempenho e cobertura do Programa Coletivade Odontologia Preventiva do Escolar e ao mesmo tempo incentivar a participação de todos os municípios e facilitar a Operacionalização, Controle e Avaliação do mesmo
2015 -> Relatório Anual de Atividades Modelo – Sorriso do Bem 2015 – Dentista do Bem
2015 -> Regeneração Ad Integrum da Cabeça do Côndilo em uma Paciente com Disfunções Temporomandibulares
2015 -> Revisão unidade – 6º ano leia os textos abaixo. Texto o sapateiro
2015 -> Linhas da cúspide da casa e do fim da casa 6 os graus da cúspide e do fim
2015 -> Casa semana Mapeamento celestial
2015 -> Linhas da cúspide da casa e do fim da casa 6 os graus da cúspide e do fim


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