Considerando o romance



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Encontro22.02.2018
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Conj.

Código

Período

Turma

Data



P24

M

A

08/06/04


Questão 1

(PUC) “No momento em que eu terminava o meu movimento de rotação, concluía Lobo Neves o seu movimento de translação. Morria com o pé na escada ministerial. Correu ao menos durante algumas semanas, que ele ia ser ministro; e pois que o boato me encheu de muita irritação e inveja, não é impossível que a notícia da morte me deixasse alguma tranqüilidade, alívio, e um ou dois minutos de prazer. Prazer é muito, mas é verdade; juro aos séculos que é pura verdade.

Fui ao enterro. Na sala mortuária achei Virgília, ao pé do féretro, a soluçar. Quando levantou a cabeça, vi que chorava deveras. Ao sair o enterro, abraçou-se ao caixão, aflita; vieram tirá-la e levá-la para dentro. Digo-vos que as lágrimas eram verdadeiras. Eu fui ao cemitério; e, para dizer tudo, não tinha muita vontade de falar; levava uma pedra na garganta ou na consciência. No cemitério, principalmente quando deixei cair a pá de cal sobre o caixão, no fundo da cova, o baque surdo da cal deu-me um estremecimento passageiro, é certo, mas desagradável; e depois a tarde tinha o peso e a cor do chumbo; o cemitério, as roupas pretas...”


  1. Considerando o romance Memórias Póstumas de Brás Cubas como um todo, qual o verdadeiro motivo que teria levado o narrador a afirmar, referindo-se a Virgília: “ quando levantou a cabeça, vi que chorava deveras. (...) Digo-vos que as lágrimas eram verdadeiras”? (1.0)

  2. Transcreva do trecho anterior a frase que revelando o estado de espírito do narrador, indicia seu envolvimento com Virgília. (1.0)


Questão 2


(UNICAMP) A conhecida ironia de Machado de Assis fica evidente na seguinte passagem do romance Memórias Póstumas de Brás Cubas:
“...Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis (...) .”
Nesse, como em muitos outros trechos de seus romances, o escritor usa com maestria as palavras, obtendo, através da sua combinação, o efeito irônico desejado.

Diga qual a ironia presente na passagem citada e explique de que maneira Machado consegue obter o efeito irônico através das relações de significação que se estabelecem entre as palavras que ele escolheu. (1.0)


(FGV) Textos para as questões de 3 a 5.

Capítulo LXXVI

O Estrume”

Súbito deu-me a consciência um repelão, acusou-me de ter feito capitular a probidade de D. Plácida, obrigando-a um papel torpe, depois de uma longa vida de trabalho e privações. Medianeira não era melhor que concubina, e eu tinha–a baixado a esse ofício, à custa de obséquios e dinheiros. Foi o que me disse a consciência; fiquei uns dez minutos sem saber que lhe replicasse. Ela acrescenta que eu me aproveitara da fascinação exercida por Virgília sobre a ex-costureira, da gratidão desta, enfim da necessidade. Notou a resistência de D.Plácida, as lágrimas dos primeiros dias, as caras feias, os silêncios, os olhos baixos, e a minha arte em suportar tudo isso, até vencê-la. Repuxou-me outra vez de um modo irritado e nervoso.

Concordei que assim era, mas aleguei que a velhice de D. Plácida estava agora ao abrigo da mediocridade: era uma compensação. Se não fossem os meus amores, provavelmente D. Plácida acabaria como tantas outras criaturas humanas; donde se poderia deduzir que o vício é muitas vezes o estrume da virtude. O que não impede que a virtude seja uma flor cheirosa e sã. A consciência concordou, e eu fui abrir a porta a Virgília.”

“Medianeira não era melhor que concubina, e eu tinha-a baixado a esse ofício...”
Questão 3

Afinal qual o ofício de D. Plácida? (1.0)


Questão 4

“Ela acrescentou que eu me aproveitara da fascinação exercida por Virgília sobre a ex-costureira, da gratidão desta, enfim da necessidade.”




  1. De que necessidade se trata? (1.0)

  2. D. Plácida não aceitou de pronto. O que denota a resistência dela descrita no texto? (1.0)


Questão 5

A personagem precisou exercitar sua “arte em suportar tudo isso, até vencê-la”.



  1. Por que arte? (1.0)

b) Como conciliar essa vitória da personagem com a necessidade da alínea “a” da questão anterior? (1.0)

Questão 6

Óbito do autor


Algum tempo hesitei se deveria abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi um outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.

  1. Explique o sentido da expressão “defunto-autor”. (1.0)

b) No trecho: ... o escrito ficaria assim mais galante e mais novo... o narrador refere-se ao seu escrito, ou seja, faz uma reflexão sobre o ato de escrever. Como se chama esse recurso? Destaque outro trecho do texto acima em que tal recurso aparece. (1.0)




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