Conhecimento sobre câncer bucal em acadêmicos de odontologia



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CONHECIMENTO SOBRE CÂNCER BUCAL EM ACADÊMICOS DE ODONTOLOGIA

Knowledge on oral cancer in students of odontology
Scárllety Karenn Mendes Oliveira¹

Érica Silveira Cruz Ramos²

Virgínia de Freitas Martins²

Lucas Roberto de Souza Botelho¹

Stéphany Ketllin Mendes Oliveira Teixeira³
Resumo: O câncer representa um problema de saúde pública, a estimativa para o Brasil no período de 2016-2017 é que ocorram aproximadamente 600 mil novos casos. O câncer bucal está entre os tipos de cânceres mais comuns e que apresentam as maiores taxas de óbitos isto em decorrência do diagnóstico tardio. O objetivo desse estudo foi avaliar o conhecimento de acadêmicos de uma instituição privada do norte de Minas Gerais, sobre o câncer bucal. Tratou-se de um estudo de caráter transversal e quantitativo. A amostra foi composta por alunos 202 alunos de ambos os sexos, com idade a partir de 18 anos selecionados por conveniência, contemplando os alunos do 5º,6º,7º,8º e 9º períodos da graduação. Para a coleta de dados foi utilizado um questionário Dib (2004) adaptado. A tabulação, análise e tratamento dos dados coletados foi através do software Statistical Package for the Social Sciences(SPSS), versão 20.0. O projeto foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da Associação Educativa do Brasil. Os resultados mostraram que 59,4% dos participantes consideraram como regular ou insuficiente o seu conhecimento sobre o câncer bucal e 40,6% consideraram como ótimo ou bom. Entretanto no que diz respeito aos fatores de risco para o desenvolvimento do câncer bucal, a maior parte dos participantes soube reconhecê-los. Fundamentados pelos resultados desse estudo, os autores propõem, que o curso de odontologia da instituição participante da pesquisa retifique as atuais diretrizes pedagógicas relacionadas ao câncer bucal.

Palavras-chave: Câncer bucal. Conhecimento. Acadêmicos. Odontologia.


Abstract: Cancer represents a public health problem, the estimate for Brazil in 2016-2017 is that approximately 600 thousand new cases occur. Oral cancer is one of the most common types of cancer sand has the highest death rates due to late diagnosis. The purpose of this study was to evaluate the knowledge of academics of a private institution in the north of Minas Gerais, about oral cancer. It was a cross-section a land quantitative study. The sample consisted of 202 students of both sexes, aged 18 years and over, selected for convenience, including students in the 5th, 6th, 7th, 8th and 9th grades graduation. For data collection, a Dib (2004) adapted questionnaire was used. The tabulation, analysis and treatment of the collected data was through the software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), version 20.0. The project was approved by there search ethics committee of the Brazilian Educational Association. The results showed that 59.4% of the participants considered their knowledge about oral cancer as being regular or insufficient and 40.6% considered it as good or good. However, with regard to the risk factors for the development of oral cancer, most of the participants knew how to recognize them. Based on the results of this study, the authors propose that the dentistry course of there search institution rectify the current pedagogical guidelines related to oral cancer.

Keywords: Oral cancer. Knowledge. Academics. Dentistry.

Introdução

De acordo com dados de 2015 do Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), o câncer representa um problema de saúde pública, o número tem crescido principalmente entre os países desenvolvidos, a estimativa para o Brasil no período de 2016-2017 é que ocorram aproximadamente 600 mil novos casos de câncer e estima-se que serão diagnosticados 20 milhões de novos casos até 2025.

O câncer bucal integra um grupo de tumores que lesam cabeça e pescoço estando entre os tipos de câncer mais frequentes e que apresentam as maiores taxas de óbitos, em contrapartida é um dos poucos tipos de câncer que o paciente consegue realizar o autoexame. No Brasil refere-se ao sexto tipo de câncer mais corriqueiro entre os homens e o oitavo entre as mulheres (INCA, 2015; SANTOS et al., 2011; AUGUSTO, 2007).

A etiologia do câncer bucal tem caráter multifatorial e está relacionada principalmente a fatores de risco de origem extrínseca, são estes, tabagismo e alcoolismo, além da exposição crônica a radiação solar nos casos de câncer lábio. Na última década estudos têm relacionado infecções pelo HPV a progressão dos cânceres de orofaringe, amígdala, base de língua, em virtude das alterações do comportamento sexual(BENVENUTTI et al., 2015; MARTINS et al., 2008; ANGHEBEN et al., 2013; PEREIRA et al., 2012; AUGUSTO, 2007; INCA, 2015).

Os indivíduos do sexo masculino, leucodermas, acima de 40 anos têm maior predisposição para o câncer bucal. Segundo Pereira et al. (2012) existe maior prevalência de casos do Carcinoma Espinocelular (CEC) ou Carcinoma Epidermóide. As localizações anatômicas mais comumente mencionadas para a ocorrência do câncer de boca são terço anterior da língua, lábios, assoalho bucal e palato duro (PINHEIRO; CARDOSO; PRADO, 2010; BENVENUTTI et al., 2015; LAMIN; SILVA; SOUZA, 2011).

Existem alterações teciduais de caráter atípico que favorecem o desenvolvimento do carcinoma são as lesões antes conhecidas como precursoras do câncer que em 2005 receberam a nova terminologia de lesões com potencial de malignização pela Organização Mundial da Saúde (OMS). As principais lesões consideradas com potencial de malignidade são leucoplasia, eritroplasia, queilite actínica e líquen plano (NEVILLE et al., 2009; SILVEIRA et al., 2009).

Segundo Tomo et al. (2015) as taxas de óbitos pelo câncer de boca têm apresentado-se elevadas nos últimos 20 anos, se comparadas com outros tipos de câncer. Isto em decorrência dos pacientes afetados serem diagnosticados com lesões em estágio avançado.

De acordo com Oliveira et al. (2013) é imprescindível inteirar-se da condição dos acadêmicos, visando a existência de pouca ciência envolvendo esse grupo que constitui o alicerce do conhecimento.Os conhecimentos sobre diagnóstico e prevenção recebidos ainda durante o período de graduação, são os mais importantes para um futuro exercício profissional adequado (DIB; SOUZA; TORTAMANO, 2005; ANGHEBEN et al., 2013).

Diante do que foi apresentado, é indispensável averiguar o conhecimento dos futuros cirurgiões-dentistas em relação aos fatores de risco para ocorrência do câncer bucal. É extremamente relevante que ainda na condição de acadêmicos, estejam preparados para o diagnóstico precoce das lesões com potencial de malignidade na cavidade bucal dos pacientes atendidos nas clínicas escola, colaborando assim com o crescimento da taxa de cura e melhoria do prognóstico, visto que serão futuros profissionais da saúde e essa tarefa demanda uma atuação multidisciplinar que irá simplificar o diagnóstico (FALCÃO, et al., 2010; LAMIN, et al. 2011).

Dessa forma o presente estudo buscou verificar o nível de conhecimento dos acadêmicos de odontologia das Faculdades Unidas do Norte de Minas (FUNORTE) a respeito do câncer bucal.

MATERIAIS E MÉTODOS

O presente estudo foi caracterizado como transversal e quantitativo, tendo em vista determinar o perfil de conhecimento sobre câncer bucal dos acadêmicos das Faculdades Unidas do Norte de Minas (FUNORTE), com base em informações obtidas por meio de questionários respondidos.

O presente projeto foi aprovado pelo comitê de ética e pesquisa da SOEBRAS sob o protocolo 1.873.065 e CAAE: 62488416.6.0000.5141 (Anexo A). A amostra foi constituída por 202 alunos de ambos os sexos, com idade a partir de 18 anos selecionados por conveniência, matriculados e frequentes no 1º semestre de 2017, o estudo contemplou os alunos do 5°, 6°, 7°, 8° e 9° períodos da graduação.

As informações foram coletadas utilizando o questionário Dib (2004) adaptado (Apêndice A). Esse questionário possui 32 questões de múltipla escolha abordando questões relacionadas ao câncer bucal bem como as regiões anatômicas, faixa etária de maior prevalência, aspecto clínico encontrado em pacientes com lesões em estágios iniciais, características dos linfonodos metastáticos, estágio de diagnóstico, lesões com caráter de malignidade mais frequentes e fatores de risco para o desenvolvimento da doença. Além do sexo, idade e o ano de graduação em que o aluno está matriculado.

Os questionários foram aplicados com autorização da Instituição (Apêndice B) em sala de aula juntamente com o consentimento livre e esclarecido (Apêndice C), e depois que os mesmos foram respondidos, os dados foram lançados e analisados. Os resultados foram analisados pelo software SPSS versão 20.0.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Partindo do pressuposto de analisar o nível de conhecimento e condutas de diagnóstico e prevenção do câncer bucal dos futuros cirurgiões dentistas, é que pode-se estimar o valor de atitudes de promoção de saúde que buscam educar a população, minimizar a prevalência e favorecer o diagnóstico precoce e ainda aumentar a sobrevida dos indivíduos que possuem essa neoplasia.

A amostra avaliou 20,3% homens e 79,7% mulheres, cuja idade variou dos 19 aos 42 anos, com média de 22,9 anos e desvio-padrão de 3,73.

Na tabela 1 é possível observar à autoavaliação quanto ao conhecimento do câncer bucal onde 59,4% dos participantes consideraram como regular ou insuficiente seu nível de conhecimento e apenas 40,6% dos participantes consideraram o conceito bom, o que difere dos estudos conduzidos por Benvenutti et.al (2015) e Pinheiro; Cardoso; Prado (2010) onde a maioria dos participantes desses estudos que foram compostos por cirurgiões dentistas, consideram como bom o seu nível de conhecimento, 62,2% e 60,5% respectivamente.

O exame clínico detalhado da cavidade bucal é imprescindível e não deve ser ignorado pelo cirurgião dentista, pois é através dele que são identificadas possíveis alterações da normalidade. Pode-se observar na tabela 1 que 67,3% dos participantes relataram realizar o exame clínico buscando identificar o câncer bucal na primeira consulta, o que concorda com os estudos realizados por Benvenutti et.al (2015), Falcão et. al (2010) e Tomo et al. (2015) onde verificou-se que respectivamente 86,5%, 78,9% e 83% dos cirurgiões dentistas participantes também relataram realizar o exame da cavidade bucal rotineiramente.

Quando perguntados aos acadêmicos de odontologia, se os seus pacientes estão bem informados sobre o câncer bucal podemos verificar através da tabela 1 que a grande maioria dos participantes (62,9%) consideraram o conceito baixo. Dados semelhantes foram encontrados nos estudos realizados por Angheben et al. (2013) com estudantes e Alvarenga et. al (2012) com cirurgiões dentistas, pois verificou-se que 82,2% e 75,7% dos participantes respectivamente responderam que seus pacientes não estão suficientemente informados.

Em relação ao nível de confiança dos participantes para realizar procedimentos de diagnóstico para o câncer bucal, na tabela 1 observa-se que pouco mais da metade dos alunos (54%) consideraram como regular, 40% baixo e apenas 4% alto. Esses resultados são diferentes dos encontrados na pesquisa com estudantes de odontologia conduzida por Lamin; Silva; Souza (2010), pois 51,4% e 2,9% afirmaram ter, respectivamente, bom e alto nível de conhecimento sobre diagnóstico e prevenção do câncer bucal, e em contrapartida 11,4% dos participantes acreditaram ser regulares suas informações sobre o assunto.

Ainda na tabela 1 pode verificar que quando trata-se da importância do cirurgião dentista na prevenção e diagnóstico do câncer bucal um percentual significativo de 96% considerou esta como alta. Em estudos realizados por Pinheiro; Cardoso; Prado (2010) e Tomo et al. (2015) com cirurgiões-dentistas e por Angheben et al. (2013) com acadêmicos, os resultados foram semelhantes, 94,7%, 94,9% e 97,6% dos participantes consideraram a importância do cirurgião dentista como alta.



Tabela 1: Percepção sobre conhecimento de câncer Bucal por acadêmicos de Odontologia, 2017.


Variável

Resposta

Frequência

Porcentagem













Com relação ao seu nível de conhecimento sobre câncer bucal, qual é sua auto avaliação?


Ótimo ou bom

82

40,6%

Regular ou insuficiente

120

59,4%

Na primeira consulta odontológica dos seus pacientes, você realiza o exame clínico procurando identificar o câncer bucal?


Sim

136

67,3%

Não

66

32,7%

Você considera que seus pacientes estão suficientemente informados sobre câncer bucal (aspectos preventivos de diagnóstico)?

Qual é o seu nível de confiança para realizar procedimentos de diagnóstico para o câncer bucal?




Alto

3

1,5%

Baixo

127

62,9%

Regular

61

30,2%

Não sei

Alto


10

8


5,0%

4,0%


Baixo

81

40%

Regular

109

54%

Não sei

04

2,0%

Em sua opinião, qual a importância do cirurgião dentista na prevenção e diagnóstico do câncerbucal?


Alta

194

96%

Média

6

3%

Baixa

2

1%




Na tabela 2 observamos os fatores de risco para o câncer bucal, a maioria dos participantes 53% consideraram que drogas injetáveis é um fator de risco para o câncer bucal, contraditoriamente estudos de Pinheiro et al (2010) e Morais (2003), se tratando dos fatores de risco, eles consideraram corretamente que as drogas injetáveis não apresentam risco para o desenvolvimento do câncer bucal, sendo 92% e 69,70% dos entrevistados.

Ao serem interrogados a respeito do que consideravam como fator de risco para o câncer bucal podemos observar na tabela 2 que os acadêmicos de odontologia, afirmaram que o consumo crônico de tabaco, álcool, contágio direto, exposição crônica a radiação solar são fatores de risco e a média de acerto desses alunos foi de 92,7%. Em relação a outros estudos Angheben et al (2013) encontrou no seu estudo dados similares onde 88,9% dos acadêmicos também reconheceram os mesmos fatores de risco para o câncer bucal. Em Benvenutti et.al (2015) ele encontrou média de 95,62%, porém a sua amostra foi composta por cirurgiões dentistas.

Ao contrário do estudo realizado por Pinheiro; Cardoso; Prado (2010), em que apenas 34,2% dos participantes associaram o estresse emocional como fator de risco para o câncer bucal, neste estudo e em um realizado por Falcão et al. (2010), equivocadamente 54%, 72,6% dos participantes relacionaram o estresse emocional como fator de risco para a ocorrência do câncer bucal.

No que se diz respeito a contágio direto, a maioria dos participantes corretamente não considerou o como um fator de risco sendo 86,1% dos participantes, outros estudos vem afirmar estes dados, Benvenutti et. al (2015) e Tomo et al (2015) 93,9% e 92,3% respectivamente, os entrevistados responderam não haver relação do câncer bucal com o contágio direto.

Em relação ao sexo oral, segundo Augusto 2007, o HPV (papiloma vírus humano), aumenta o risco de neoplasia na região bucal. Lamin; Silva; Souza 2011, ao avaliarem em seu estudo o grau de importância relacionado aos fatores de risco para o aparecimento do câncer bucal, verificou-se que em relação ao HPV, 81,9% dos participantes o relacionou como fator de risco para o câncer bucal. Em contrapartida neste estudo realizado com acadêmicos de odontologia, apenas 27,2% concordam que o sexo oral é um fator de risco para o câncer bucal.

Na pesquisa realizada por Angheben et al. (2013) a questão relacionada a presença de doenças sexualmente transmissíveis e câncer bucal levantou dúvidas entre os alunos participantes, onde apenas 20,4% considerou que ele é um fator de risco. No entanto ainda segundo Angheben et al. (2013) no que diz respeito as doenças sexualmente transmissíveis existem muitas controvérsias na literatura. Pois, sabe-se que câncer bucal não está relacionado ao contágio direto, ou seja, não apresenta caráter contagioso. Entretanto conhece-se que alguns tipos de HPV são transmissíveis por contágio direto e tem sido relacionados ao desenvolvimento do câncer bucal. E ainda tem o HIV, que enfraquece o sistema imune, levando a imunossupressão e em consequência compromete o sistema de defesa do indivíduo, o que pode acarretar no aparecimento de câncer nestes indivíduos. No presente estudo, apenas 38,6% consideraram que a presença de doença sexualmente transmissível é um fator de risco.

Os fatores como próteses mal-adaptadas, higiene oral deficiente, dentes em mau estado, consumo de alimentos condimentados e bebidas e comidas quentes, não foram considerados como risco para o câncer bucal por 47%, 59,6%, 66,8%, 34,2%, 78,2% respectivamente. No estudo conduzido por Benvenutti et. al (2015) 91,9% dos participantes consideraram a ingestão de bebidas quentes como fator de risco. Em contrapartida para Augusto (2007), o hábito de ingerir bebidas ou comidas muito quentes não é considerado fator de risco isolado tão relevante para o desenvolvimento do câncer bucal. Mesmo que tais circunstâncias não tenham comprovação científica, a prudência em detectá-los possivelmente coopere para o diagnóstico do câncer bucal.


Tabela 2: Avaliação do conhecimento sobre fatores de risco para câncer Bucal entre os acadêmicos de odontologia, 2017

Variável

Resposta

Frequência

Porcentagem













Uso de drogas injetáveis?


Sim

107

53%

Não

66

32,7%

Não sei

29



14,4%

Ter apresentado outro câncer no organismo previamente:


Sim

184

91,1%

Não

7

3,5%

Não sei

11

5,4%

Consumo crônico de álcool:

Consumo crônico de tabaco:




Sim

169

83,7%

Não

20

9,9%

Não sei

Sim


12

201


5,9%

99,5%


Não

1


0,5%

Exposição solar crônica:


Sim

191

94,6%

Não

8

4%

Não sei

3

1,5%

História Familiar de câncer:

Sim

191

94,6%

Não

5

2,5%

Não sei

6

3,0%

Estresse emocional:

Sim

109

54%

Não

59

29,2%

Não sei

34

16,8%

Contágio direto:


Sim

14

6,9%


Não

174

86,1%

Não sei

14

6,9%

Sexo oral:

Sim


55


27,2%


Não

116

57,4%

Não sei

31

15,3%

Presença de doenças sexualmente transmissíveis:

Sim

78

38,6%

Não

100

49,5%

Não sei

24

11,9%

Próteses mal adaptadas:

Sim

95

47%

Não

89

44,1%

Não sei

18

8,9%

Higiene oral deficiente:

Sim

64

31,7%

Não

115

56,9%

Não sei

23

11,4%

Dentes em mal estado:

Sim

45

22,3%

Não

135

66,8%

Não sei

22

10,9%

Consumo de alimentos condimentados:

Sim

89

44,1%

Não

69

34,2%

Não sei

44

21,8%

Bebidas e comidas quentes:

Sim

20

9,9%

Não

158

78,2%

Não sei

24

11,9%



Vasconcelos (2006) verificou em seu estudo que muitos cirurgiões-dentistas possuem deficiência no conhecimento e diagnóstico precoce do câncer bucal. No que diz respeito às questões específicas sobre o câncer bucal, no presente estudo algumas deficiências também foram observadas, como na questão relacionada ao tipo de câncer bucal mais comum em que menos da metade dos participantes (40,1%) afirmaram ser o carcinoma espinocelular, seguido de 25,2% para ameloblastoma, 6,9% para linfoma, 5,4% para Sarcoma de Kaposi, 2,5% para adenocarcinoma de glândula salivar e 19,8% que não souberam responder. Esse resultado foi muito inferior ao encontrado por Benvenutti et.al (2015) que verificou que a maioria dos cirurgiões-dentistas entrevistados (83,8%) responderam ser o carcinoma espinocelular o tipo de câncer mais comum na boca, resultado este diferente do encontrado por Oliveira et. al (2013) em que apenas 31, 25% dos acadêmicos de odontologia entrevistados apontaram como o tipo de neoplasia bucal mais comum o CEC.

Na questão associada ao aspecto mais comum em pacientes com câncer de boca em fase inicial também houve baixo índice de acertos, pois somente 44,6% dos participantes consideraram úlcera indolor, consecutivamente 41,6% nódulo duro, 3% dor intensa, 1% saliva abundante e 9,9% não souberam responder. Diferentemente dos estudos realizados por Pinheiro; Cardoso; Prado (2010) e Benvenutti et.al (2015) que obtiveram um maior percentual de acertos, 86,33% e 91,9% dos cirurgiões-dentistas respectivamente, responderam úlcera indolor.

Ainda em relação as questões específicas sobre o câncer bucal, no presente estudo algumas tiveram um percentual significativo de acertos, como as questões sobre o que o participante considera como lesão suspeita de malignidade, faixa etária comum para ocorrência do câncer bucal, característica dos linfonodos metastáticos cervicais, estágio de diagnóstico e lesão percursora dessa neoplasia. Sobre a lesão com suspeita de malignidade a maioria dos participantes (71,1%) afirmaram ser lesões indolores de bordos rígidos, no estudo conduzido por Anghebenet. al (2013) um resultado semelhante foi encontrado, 87,5% dos alunos entrevistados responderam o mesmo; no estudo em questão as demais respostas para esse item obtiveram um índice menor de consideração por parte dos alunos, 21,8% para lesões doloridas e ulceradas, 3% para lesões fétidas e purulentas e 3,5% não souberam responder. Sobre a faixa etária mais comum 75,8% afirmaram ser acima de 40 anos, 12,4% entre 18 e 30 anos e 13,9% não souberam responder, esse dado concorda com os estudos conduzidos por Andrade et. al(2014), Tomo et. al (2015) e Benvenuttiet. al (2016) onde 82,6%, 87,2% e 97,4% cirurgiões-dentistas respectivamente indicaram a faixa etária de 40 anos como a mais comum.

A característica dos linfonodos regionais foi verificada como firme sem dor e sem mobilidade por mais da metade dos acadêmicos de odontologia deste estudo (53,5%), 17,3 % afirmaram ser firme dolorido e com mobilidade, 2% mole dolorido e com mobilidade, 2,5% mole sem dor com ou sem mobilidade, e 24,8% não souberam responder. Nos estudos conduzidos por Anghebenet. al(2013), Andrade et. al (2014) e Falcão et. al (2010) estudantes e cirurgiões-dentistas também consideraram o linfonodo firme sem dor e sem mobilidade, 51,7%, 70% e 65,6% dos participantes respectivamente.

A cerca de qual estágio o câncer bucal é diagnosticado frequentemente, a grande maioria dos alunos desta pesquisa (86,1%) afirmou ser no estágio avançado, 5,4 % no estágio precoce e 8,4% não souberam responder. Esse resultado condiz com as pesquisas de Anghebenet. al (2013) e Tomo et al. (2015) em que consecutivamente 84,7% e 84,6% estudantes e cirurgiões-dentistas afirmaram que o câncer de boca é diagnosticado em fase avançada. A lesão percussora comumente associada ao câncer bucal foi declarada corretamente como leucoplasia por 79,7% dos participantes do presente estudo, seguido de 5,9% para pênfigo vulgar, 7,4% para candidíase, 0,5% para língua geográfica e 6,4% dos estudantes declararam não saber responder a questão. Esse resultado é parecido com o que foi observado nos estudos de Tomo et al. (2015) e Pinheiro et. al (2010) onde 74,4% e 75,7% dos cirurgiões-dentistas participantes referiu corretamente a leucoplasia como lesão suspeita de malignidade.

A localização anatômica do câncer bucal varia de acordo com as diversas pesquisas. No entanto grande parte dos estudos evidencia lábio, língua e assoalho bucal como as principais áreas para ocorrência do câncer bucal (NEVILLE et al., 2009). No presente estudo mais da metade dos alunos participantes consideraram lábio e língua como as áreas principais (56,9%), seguido de assoalho bucal e gengiva (20,3%), palato (5%), mucosa jugal (8,4%), e 9,5% dos estudantes relataram não saber responder. Resultados similares foram encontrados por Oliveira et. al (2013)em uma pesquisa com estudantes em que 11,9% relataram lábio e 30% a língua como a principal região anatômica, já na pesquisa de Tomo et al. (2015)48,7%cirurgiões-dentistas consideraram a língua como região anatômica prevalente.

A prevenção do câncer bucal está diretamente ligada ao diagnóstico precoce e compreensão do paciente para as suas alterações de hábitos, e o cirurgião dentista exerce papel fundamental para ajudar o paciente nessa conduta. (Tomo et al 2015).

CONCLUSÃO

O cirurgião dentista exerce um papel imprescindível no diagnóstico e prevenção do câncer bucal, tendo que reconhecer as lesões suspeitas de malignidade, no que tange ao diagnóstico precoce, sendo primordial na promoção de saúde, estabelecendo um melhor prognóstico e maior sobrevida dos pacientes afetados pelo câncer de boca.

Diante dos resultados, o presente estudo evidenciou que mais da metade dos participantes (59,4%) consideraram seu conhecimento sobre o câncer de boca como regular ou insuficiente, isso foi confirmado através de questões específicas como o tipo de câncer bucal mais comum, onde apenas 40,1% dos acadêmicos responderam corretamente. No entanto percebeu-se um satisfatório conhecimento dos alunos sobre os fatores de risco para desenvolvimento do câncer bucal. A grande maioria considerou que o consumo crônico de tabaco (99,5%) e álcool (83,7%) tem ligação direta com o desenvolvimento dessa neoplasia.

Fundamentados pelos resultados desse estudo, os autores propõem, que o curso de odontologia da instituição participante da pesquisa retifique as atuais diretrizes pedagógicas relacionadas ao câncer bucal e debata com os acadêmicos novas formas metodológicas de ensino mais eficientes sobre o tema de forma a ampliar o conhecimento dos acadêmicos durante sua formação.

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