Condordância verbal



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DÚVIDAS DE A A Z:

CONDORDÂNCIA VERBAL


A concordância verbal deixa muita gente confusa. Por exemplo: Qual a forma correta?
“Vai fazer 3 meses que ele se foi.”
“Vão fazer 3 meses que ele se foi.”

O certo é “Vai fazer 3 meses que ele se foi”. O verbo “fazer” é muito específico na Língua Portuguesa. Ele não deve ser flexionado quando usado para indicar tempo decorrido. Por exemplo:

“Já fazia dez anos...”
“Faz cinco horas...”
“Faz sete anos...”
“Faz trinta dias...”

O verbo também fica no singular quando associado a outro verbo. Exemplos:

“Vai fazer dez anos...”
“Deve fazer trinta anos...”

Agora você já sabe:


"Faz dois anos que estive aqui” e não “fazem dois anos que eu estive aqui."

Como o verbo fazer indicando tempo não tem sujeito, podemos e devemos dizer: "passaram dois anos".


De fato, os anos passam. Mas nunca se deve dizer "fazem dois anos ".

Outra questão: Qual o correto: "Quando visitei sua mãe, eu morava lá há dois anos" ou "... morava lá havia dois anos”?

Se substituirmos o verbo “haver” por “fazer”, a forma correta é ".... eu morava lá fazia dois anos". Logo, "... eu morava lá havia dois anos".

HÁ / ATRÁS

Enganos ortográficos e gramaticais devem sempre ser evitados. E há alguns que ocorrem com maior freqüência. São esses casos que exigem atenção redobrada.


É comum ouvirmos alguém dizer: “Há décadas atrás”. Há e atrás já indicam que a frase está no passado. Use apenas “Há décadas” ou “Décadas atrás”.
Para esclarecer podemos usar como exemplo a seguinte afirmação do escritor Paiva Netto: “A LBV, pregando e realizando o Natal Permanente, há décadas, luta para que se firme, na Terra, a Sociedade Solidária”.

RUIM

Agora vamos à pronúncia de mais uma palavra: ruím. Certamente você já deve ter ouvido alguém dizer: rúim. Mas preste atenção: Esta palavra tem duas sílabas: ru-im, formando um hiato. Se você disser que a situação está rúim, com certeza ela ficará ainda pior!


Portanto, não esqueça: a pronúncia correta é ruím.

Para que seja bem gravada a lição de hoje, trazemos a conclusão lapidar de Gandhi:


— O Capital em si não é mau; o uso incorreto dele é que é ruim.

CIDADÃO / CARÁTER

Esse substantivo ao ser flexionado para o plural, gera muitas dúvidas. A palavra é cidadão. Quem já não ouviu: Somos todos cidadões? Mas o correto é: cidadãos.


Outra palavra que exige também muito cuidado é caráter. O seu plural é caracteres.
Um exemplo pode ser encontrado na revista Ciência e Fé na trilha do equilíbrio, traduzida para vários idiomas, em que ensina o escritor Paiva Netto: “Só o conhecimento, iluminado pelo Amor fraterno, liberta e faz grandes cidadãos e nações.” E há outro pensamento de Paiva Netto que ilustra muito bem essa questão: é nos momentos de crise que se forjam os grandes caracteres e surgem as mais poderosas nações.

Como ler textos


Hélio Consolaro* 

Como você lê? De maneira mecânica, passiva ou de maneira ativa, reflexiva e crítica? Você acumula apenas os dados e as informações ou você integra o lido ao vivido?


Há pessoas que lêem muito, pilhas de livros são devoradas, como se fosse uma saída a qualquer problema psicológico, mas sua vida nada muda. Elas lêem como o raio laser lê o disco, mecanicamente. Quando muito, tais pessoas são verdadeiras enciclopédias volantes, sabem de cor uma série de coisas. 
Outras lêem de forma reflexiva, fazem a leitura como se estivessem comendo alguma coisa. Mascam, ruminam, não gostam, devolvem, brigam com o texto. Elas possuem uma postura crítica diante do que lêem. Depois do texto lido e digerido, ele passa a fazer parte da vida deste tipo de leitor. Para ler é necessário ir e voltar, do texto a nós mesmos, até interiorizá-lo, até que ele, finalmente, faça parte de nós.
A gente lê para se informar, para ser uma pessoa culta, mas acima de tudo se deve ler para praticar a leitura para que a pessoa continue alfabetizada, não perca a habilidade de manipular e entender as palavras do vocabulário passivo.
Os japoneses, por exemplo, possuem uma língua ideográfica bem mais difícil do que a nossa, por isso lêem sempre para não esquecer a escrita que aprenderam com muito sacrifício. Conosco deveria acontecer o mesmo. Como disse uma trabalhadora dos canaviais pernambucanos: "Quem não sabe ler, tem medo das novidades". Ler é um processo, cuja condição primordial é a própria prática da leitura. 

* Hélio Consolaro é professor de Língua Portruguesa do Ensino Médio, escreve semanalmente coluna Por Trás das Letras na Folha da Região, Araçatuba, e é cronista diário do mesmo jornal. Coordena este site. 



CONDORDÂNCIA VERBAL

Vamos exemplificar:


Eu já comentei de que esse assunto está encerrado.
Eu sempre disse de que as coisas poderão melhorar.
Eu acredito de que a solução esteja próxima.
Creio de que o seu comentário seja válido para estes tempos de globalização.

O raciocínio é simples. Preste atenção!


Quem comenta, comenta alguma coisa (onde está o de?)
Da mesma forma que quem diz, diz alguma coisa (onde está o de?)
E quem acredita, acredita em alguma coisa. (repito a pergunta: onde está o de?)
Está correto o escritor Paiva Netto ao escrever em seu livro Crônicas e Entrevistas:

Creio que essa hora seja terminada, porquanto maiores são as razões que nos devem confraternizar do que as que só servem para acirrar rancores. O ódio é arma voltada contra o peito de quem odeia.

Da obra As Profecias sem Mistério extraímos:


Bem, voltemos à matéria em estudo: comentei que este trecho do Evangelho do Cristo, segundo João, "Jesus, o Pão vivo que desceu do Céu", é tão profundo que poderíamos analisá-lo por vários programas.

Outros exemplos:


Quando Moisés, no Velho Testamento, revelou que "ao sétimo dia Deus descansou", o fez com o intuito de ensinar aos Seres Humanos o respeito a pelo menos um período determinado para sossego próprio e dos seus servos, escravos, animais e o solo, também, tendo em vista a necessidade de reservarem um dia para dedicação a Deus, às coisas espirituais. O Ser Humano não é uma máquina para ser explorada à exaustão. Não foi à toa que Jesus alertou:
· Nem só de pão vive o Homem, mas também da Palavra que vem de Deus (Evangelho, segundo Mateus, 4: 4).
(Paiva Netto)

Mas quem foi que disse que o Apocalipse decreta o término de nossa existência planetária? O mundo não vai acabar. Pelo contrário, e é justamente no Evangelho-Apocalipse do Cristo que se encontra o Plano Sociológico de Deus para uma mudança benéfica da Humanidade. Particularmente, o último livro da Bíblia Sagrada prevê essa profunda transformação social, originária do nosso comportamento, bom ou não tão bom assim.


(Paiva Netto)
Vamos frisar bem: disse que, comentei que, creio que, acredito que, penso que, revelou que, espero que.

DICA:
não use de antes de qualquer que.


.

Gerúndio
Se consultarmos as gramáticas, vamos descobrir que o gerúndio é uma das


formas nominais do verbo. Por que "formas nominais"? Porque é quando o verbo pode atuar como nome.
No caso do gerúndio, que é aquela forma que termina em -ndo (amando, falando, vendendo, partindo, correndo, etc) sabemos que ele pode ser usado como se fosse um adjetivo.

Por exemplo:


água fervendo
(água que ferve)

O gerúndio é usado basicamente para que se dê a idéia de algo em processo de execução, em curso, de algo que dura. Temos notado exageras no uso do gerúndio. Aliás, está na moda uma coisa horrorosa: "Você poderia estar enviando um comprovante para nós amanhã". Por que não dizer "Você pode enviar um comprovante para nós amanhã" ? É uma moda exagerada essa do gerúndio com três verbos, um vício muito estranho.


Mais uma dica: Não se flexiona infinitivo que depende de gerúndio. Portanto, é errado dizer "Devendo os testes serem feitos." O correto é dizer: "
Já foi marcada a época dos vestibulares, devendo os testes ser (e não serem) realizados no período de dois a trinta de janeiro.
As inscrições ao concurso de poesias estão abertas, podendo os candidatos dirigir-se (e não dirigirem-se) à sede da Editora.
Ainda quanto ao gerúndio, muita atenção à pronúncia: É muito comum ouvirmos: "Correno", "varreno", "caíno", "andano". Para algumas pessoas o d dos gerúndios não soa. Tome cuidado!
Para ilustrar bem o seu uso, vamos a um pensamento de Paiva Netto, no qual ele usa o gerúndio do verbo amar:
A morte é uma certeza que devemos enfrentar, pois todos sofreremos as suas conseqüências se não nos houvermos comportado bem no que se resolveu considerar "vida": a curta existência humana na Terra. O grande segredo da vida é, amando a vida, saber preparar-se para a morte, ou Vida Eterna.

 

Um dos (concordância)


Por que tais frases estão corretas quanto à concordância?
a) O Tietê é um dos rios paulistas que atravessa o Estado de São Paulo.
Explicação: O uso do singular (atravessa) é recomendado porque o verbo se refere a um só ser, e não a mais de um: dos rios paulistas, o Tietê é o único que atravessa o Estado de São Paulo. 
b) O Sol é um dos astros que dá luz e calor à Terra.
Explicação: a mesma do período “a”.
c) O Tietê é um dos rios paulistas que estão poluídos.
Explicação: cabe o plural (estão) porque a referência verbal se faz a dois ou mais seres, e não apenas a um; dos rios paulistas que estão poluídos, o Tietê é um deles, não o único. 
d) O Sol é um dos astros que possuem luz própria.
Explicação: a mesma do período “c”. 
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Abreviaturas: como abreviar as palavras?

Muitas vezes precisamos abreviar as palavras por economia de tempo ou de espaço. A regra geral para abreviatura das palavras é simples. Basta escrever a primeira sílaba e a primeira letra da segunda sílaba, seguidas de ponto abreviativo. Caso a primeira letra da segunda sílaba seja vogal, escreve-se até a consoante.


Exemplos: fut. (futuro), adj. (adjetivo), gram. (gramática), num. (numeral), al. (alemão), subst. (substantivo).
Se a palavra tiver acento gráfico, este será conservado se cair na primeira sílaba.
Exemplos: núm. (número), gên. (gênero), créd. (crédito), déb. (débito), lóg. (lógica), méd. (médico).
Se a segunda sílaba iniciar por duas consoantes, as duas farão parte da abreviatura.
Exemplos: pess. (pessoa), constr. (construção), secr. (secretário), diss. (dissílabo).
Algumas palavras não seguem a regra geral para abreviatura. Exemplos: a.C. ou A.C. (antes de Cristo), ap. ou apto. (apartamento), bel. (bacharel), btl. (batalhão), cel. (coronel), Cia. (Companhia), cx. (caixa), D. ( digno, Dom, Dona), f. ou fl. ou fol. (folha), ib. ou ibid. (ilidem, da mesma forma), id. (idem, o mesmo), i.é. (isto é), Limo. (Ilustríssimo), Ltda. (Limitada), M.D. (Muito Digno), p. ou pág. (página), pp. págs. (páginas), pg. (pago), p.p. (próximo passado), P.S. (pós escrito = escrito depois), Q.G. (Quartel General), rem. ou remte. (remetente), S.A. (Sociedade Anônima), sv. (serviço), S.O.S. (Save Our Souls = salvai nossas almas), u.i. (uso interno), U.S.A. (Unitid States of America = Estados Unidos), vv. (versos, versículos).
Os gramáticos tradicionais não admitem flexão em abreviaturas, como: profª (professora), págs. (páginas). É bom lembrar que na flexão de gênero, não aparece a desinência “o”, indicativa do masculino nas abreviaturas, como: prof. profª. Está errado grafar o masculino assim: profº.
Nas abreviaturas de caráter internacional, não se põe o ponto abreviativo: h, kg, km, kw, l.
Nunca corte a palavra numa vogal, sempre numa consoante. Exemplo: departamento = dep., nunca depa.)
A abreviatura deve ter metade ou menos da metade da palavra original, do contrário, será melhor escrever a palavra por extenso.
Não se deve usar abusivamente abreviaturas em provas, trabalhos, artigos ou redações, só em anotações de uso pessoal.
No caderno Classificados da Folha  da Região, o uso da abreviatura é uma constante porque o cliente quer economizar espaço para pagar menos. 

Abreviatura - ponto


No período: “O professor respondeu a Pedro Marcolino Jr.” não há a necessidade de repetir a pontuação. O ponto da abreviatura serve para indicar o final do período também.

Abreviatura de numeral 

COMO? 1,5 MILHÃO DE REAIS?

Quando abreviamos R$ 1.500.000,00 para 1,5 milhão de reais, a casa do milhão é a que fica antes da vírgula. Observe mais exemplos: 2,1 milhões = dois milhões e cem mil; 1,3 bilhão = um bilhão e trezentos milhões; 4,1 bilhões = quatro bilhões e cem milhões.

 

Abreviatura de ordinal



      Pedro Aleixo Filho, ex-colega de Folha da Região, tem uma nova pergunta. Na indicação de primeiro, primeira, segundo, segunda deve-se utilizar o algarismo, tendo, ao lado, um ponto encimado pelas letrasá o ou a sobrescritas ou utiliza-se apenas as letras? Ex.: 1.º e 1.ª ou 1º e 1ª?

       Usar a última forma (sem o ponto) parece indicação de grau de temperatura na escala Celsius. Ex.: 1º (um grau), 32º (trinta e dois graus), 0º (zero grau), - 4º (menos quatro graus, quatro graus negativos ou quatro graus abaixo de zero).

       É, também, errado colocar um tracinho (-) ou dois (=) abaixo das letras a e o sobrescritas (ª e º). Certo?

       Resposta: o Pedro perguntou, mas já tinha a resposta na ponta da língua, pois conheço o seu zelo pelo português culto. O único reparo que faço é colocar C depois do ozinho para indicar centígrados: 32º C.

Abreviatura de professor

A abreviatura da palavra professor não tem "o" como há em professora (prof.ª). Ninguém abrevia doutor como "dr.º". Doutora, sim, "dr.ª".

À custa de / às custas de

Como afirma o professor Sérgio Nogueira, embora muito usada no plural, a locução prepositiva correta é "à custa de". É importante lembrar que as locuções prepositivas de base feminina devem receber o acento da crase: à custa de, à mercê de, à base de, à procura de, à moda de...

A gente e agente 
a) A gente = nós; o povo, as pessoas. Exemplo:
Nós vamos à praia este fim de semana. (Forma mais culta.)
A gente vai à praia este fim de semana. (Forma mais popular.)
b) Agente = indivíduo encarregado, responsável por determinada ação: aquele que age. Agente possui também outros significados. Exemplo:
Meu pai é agente de viagens da Varig.

A gente ou nós?

Se você estiver num contexto formal, que exige a gramática tradicional, não há dúvida de que nós é palavra mais adequada; no entanto, nada impedirá a utilização de a gente num ambiente descontraído e informal. Cabe lembrar-se, apenas, de que a concordância verbal deve prevalecer sempre: use nós com o verbo na 1ª pessoa do plural; use a gente com o verbo na 3ª pessoa do singular. Nunca use: a gente fomos.

Aids ou aids? 


Como Aids é uma sigla, a inicial deve ser maiúscula. O Brasil adotou a sigla inglesa, em português ou espanhol seria Sida (adotada pela Argentina). Acho que foi interferência de Nossa Senhora Aparecida... a nossa Cida querida. Não ia ficar bem dizer que o fulano morreu de Sida.

Alfabeto - letras k, w, y

       Por excesso de nacionalismo, tais letras não são consideradas de nosso alfabeto, embora o Brasil seja povoado de pessoas com sobrenomes estrangeiros. Elas aparecem apenas em casos especiais. A palavra whisky contém os três exemplos. Aportuguesando a palavra, tem-se uísque. A letra K deu lugar a QU; W, a U; e Y, a I.

       Mas as letras K, W e Y aparecem em alguns casos, como:

       a) abreviaturas internacionais: kg (quilograma), km (quilômetro), kWh (quilowatt-hora), W (watt), WC (water closet - banheiro)

       b) nas palavras estrangeiras: marketing, walkman, lobby

       c) nas palavras derivadas de nomes estrangeiros: kantismo, wagneriano, byroniano

       d) As palavras derivadas de nomes estrangeiros comuns devem ser aportuguesadas: marqueteiro, lobista

       Os nomes escritos com tais letras não seguem as regras de acentuação de nosso idioma. Exemplos: Válter (com acento) Walter (sem acento), Vágner (com acento), Wagner (sem acento), Cátia (com acento), Katia (sem acento).

 

Alerta



Alerta: sentinelas, alerta! (invariável, interjeição). "Todos os sentidos alerta funcionam" (advérbio - invariável)

Os gansos deram o alerta (substantivo - variável).

As autoridades sanitárias estão alertas (adjetivo, variável).

 Há gramáticos que tratam essa palavra apenas como advérbio, invariável.

 

Alto-falante



       Carlos Munhoz quer saber por que "alto-falante", se tal peça fica no carro, na caixa. E, às vezes, o som fica baixinho, conforme a vontade do usuário.

       O alto de alto-falante se deve à ampliação da voz. Também à altura onde eram postas as cornetas. Quem tem mais idade, como eu, conheceu o serviço de alto-falante das cidades. Geralmente, havia um poste e lá em cima ficavam as caixas para que toda a cidade ouvisse os recados e músicas. Auto não dá, pois ele não fala por si mesmo.

 

Ambos - emprego


O numeral "ambos", que é o único "dual" em português, pode ser reforçado em "ambos os dois", "ambos de dois", "ambos e dois", "ambos a dois", "a dois ambos".
Exemplos: "O certo é que ambos os dois monges caminhavam juntos." (Herculano)
"Ambos estes dois instrumentos." (Vieira)
"Nós viemos praticando ambos de dous." (Antônio Prestes)
"De ambos de dois a fronte coroada/ Ramos não conhecidos e ervas tinha." (Camões).
Modernamente, porém, vem se evitando o emprego pleonástico de "ambos os dois", embora seja correto. (Rocha Lima, Gramática Normativa da Língua Portuguesa.)

Anexo


Em anexo (locução adverbial) - invariável. Exemplos: Os arquivos seguem em anexo. As pastas seguem em anexo.

Anexo (adjetivo) - variável (gênero e número). Exemplos: Os arquivos seguem anexos. As pastas seguem anexas. 

A nível de?
Jô Soares condena o uso da expressão "a nível de", mas nunca explicou o motivo da condenação. Não que eu tenha o hábito de utilizá-la, mas é realmente incorreto o seu emprego? (Leitor desta coluna). Transformei a dúvida dele em teste da semana.
Resposta: A nível de tornou-se uma muleta, ou seja, expressão dispensável, desnecessária. Veja os exemplos:
"Decisão a nível de diretoria". Não fica melhor dizer (ou escrever) "Decisão de diretoria"? 
"O clube está fazendo contratações a nível de futuro". Não ficaria mais elegante escrever: "O clube está fazendo contratações para o futuro"?
Em determinadas situações, podem ser usadas as locuções no plano (de) ou em termos de. Ou no nível de / em nível de, uma vez que "nível" rejeita o "a" sozinho. Exemplos: O grupo elevou a entidade ao nível primeiro mundista (a nível primeiro-mundista - não seria a expressão mais correta) 
Existe também ao nível de, mas apenas com o significado de à mesma altura: ao nível do mar. (Manual do Esstadão)

Ano novo/ ano-novo

 “Feliz ano novo!” – sem hífen, pois a pessoa está desejando-lhe todas as felicidades do mundo no ano que se inicia.                                          “Para o Natal e para o ano-novo, o supermercado Y tem as melhores ofertas.” – com hífen, pois é a festa.                                                      Em ambos os casos, letra minúscula.

Anos  sessentas


Qual é o erro desta frase?
“Durante uma hora ele falou, emocionado, sobre sua juventude nos anos sessenta.”
A resposta certa: Durante uma hora ele falou, emocionado, sobre sua juventude nos anos sessentas.
Diz-se duas canetas ou duas caneta? A primeira, claro! 
Cuidado para não confundir “numeral” com “substantivo”.
Numerais : quarenta anos, setenta anos, noventa anos. Substantivos : anos quarentas, anos noventas, anos noventas. Os anos setentas são: 70, 71, 72, 73, 74, 75, 76, 77, 78 e 79. Vários setentas! Há quem defenda o singular, pois alega que sessenta é um substantivo com função de adjetivo, que estabelece o tipo ou categoria, como em banana-maçã, bananas-maçã. A tendência atual é pluralizar: anos sessentas. 
Os estudantes antigamente faziam a prova dos noves na escola? O número 5555 é formado por quatro cincos; o número 777, por três setes. E o número 111? Mesmo raciocínio: formado por três uns.
 

Ansiar  (verbos terminados em -iar)


MEDIAR, ANSIAR, REMEDIAR, INCENDIAR e ODIAR, cujas letras iniciais foram o nome MÁRIO, são irregulares na conjungação porque ganham o I transformado em EI nas formas rizotônicas (acento tônico recai no radical) nas três primeiras pessoas do singular e na terceira pessoa do plural do presente do indicativo e do presente subjuntivo. Exemplo: odeia, odeias, odeia, odiamos, odiais, odeiam/ odeie, odeies, odeie, odiemos, odieis, odeiem.
Os outros verbos terminados em -iar são regulares. Exemplos: afio, aprecio, chio, crio, esquio, guio, mio, premio, principio e outros. A exceção é MOBILIAR, nele as formas rizotônicas (sílaba tônica no radical) têm acento tônico na sílaba BI (conseqüente acento gráfico) e não na LI: mobílio, mobílias, mobília, mobiliamos, mobiliais, mobíliam/ mobílie, mobílies, mobílie, mobiliemos, mobilieis, mobíliem.

Antártica ou Antártida


Esse assunto é polêmico.
Luiz Antonio Sacconi afirma que a região gelada chama-se Antártica, que é oposta ao Ártico.
Eduardo Martins no Manual de Redação do Estadão; Domingos Paschoal Cegalla em seu Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa possuem outra posição: 
Antártida - nome da região
Antártico, antártica: adjetivo. Exemplo:  continente antártico, aves antárticas.
 Os dois últimos são mais lógicos.

Antraz ou carbúnculo?

O nome antraz está nas primeiras páginas dos jornais, mas para os médicos o nome utilizado para designar a doença causada pela bactéria Bacillus anthracis é carbúnculo.

Antraz, segundo o médico professor Sebastião A. Prado Sampaio, 82 anos, médico e professor emérito de dermatologia da Faculdade de Medicina da USP, em artigo publicado na FSP de 18/10/2001, é uma outra moléstia, provocada por estafilococos e que está associada a furúnculos.


Nossos dicionários (Aurélio e Houaiss) de língua portuguesa não trazem antraz como sinônimo de carbúnculo, mas dizem que a doença é provocada pelo Bacillus anthracis. Isso não acontecia no Aurélio nas edições anteriores. Na edição "Século XXI" a equipe adotou a versão inglesa. Já o Michaelis usa antraz como sinônimo de carbúnculo.

Em inglês, as palavras que designam as duas doenças são as mesmas que em português, mas com o sentido trocado: ou seja, carbúnculo é "anthrax" e antraz é "carbuncle".


O “Webster's Enciclopedic Dictionary of English Language (1994)” confunde mais ao dizer que "anthrax" é um "malignant carbuncle", o que equivale a dizer, em português, que carbúnculo é um antraz maligno.

Sebastião A. Prado Sampaio, termina seu artigo, dizendo: “Seria importante também que o ministro da Saúde fosse informado de que antraz, em português, é um grupo de furúnculos, uma infecção estafilocócica, e que fosse esclarecido para a população: o "anthrax", em inglês, é o carbúnculo, em português”. 

Tal missão será difícil diante da massificação da mídia sobre a palavra antraz. Fica aqui a colaboração deste site. Se os professores de Português tiverem a consciência desse fato, já é uma vitória.



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