Conceitos importantes 1 a análise econômica: a hipótese do “homem econômico” e os incentivos


Gasolina vence álcool em Brasília



Baixar 324.6 Kb.
Página2/2
Encontro07.10.2019
Tamanho324.6 Kb.
1   2

Gasolina vence álcool em Brasília



Com a disparada dos preços do álcool nas bombas, os donos de carros bicombustíveis devem fazer as contas com cuidado na hora de abastecer. De acordo com uma pesquisa (...), encher o tanque com gasolina é mais vantajoso em, pelo menos, 15 estados e no Distrito Federal. (...)

(...) Segundo os especialistas, por ser um combustível que rende menos, o álcool deve custar no máximo entre 60% e 70% do valor da gasolina para ser vantajoso ao motorista.
Como se interpreta, nesse contexto, o princípio: “Os agentes econômicos respondem a incentivos”.

A tomada de decisão individual do “homem econômico” condiciona-se à comparação entre custos e benefícios de uma determinada escolha, ou seja, um tomador de decisões racional executa uma ação se, e somente se, os benefícios de sua execução superam os custos associados. No caso, o incentivo é dado pela redução do custo proporcionado pela utilização alternativa do álcool ou da gasolina. O consumidor racional (ou seja, cujo comportamento é determinado pela maximização de ganhos) observará com atenção a relação de preços dos dois combustíveis e decidirá, cada vez, pelo que proporcionar menor custo por quilômetro rodado.
3. (PROVÃO 2001, nº 7)

Milton Friedman, prêmio Nobel de Economia, defende que a fixação do salário mínimo, embora tenha uma clara dimensão normativa, pode ser discutida no campo da economia positiva.

a) Em que consiste a distinção entre economia positiva e economia normativa?

b) Dê exemplos de afirmações positivas e normativas associadas à fixação do salário mínimo.



a) A economia positiva trata do que é, do que acontece na economia, abordando questões que envolvem descrição e explicação de fatos; a economia normativa trata do que deve ser, do que deveria acontecer ou ser feito, abrangendo um aspecto prescritivo e, por conseguinte, incluindo valores em suas afirmações (já que as pessoas podem ter ideias e preferências diferentes a respeito do que deve ser feito).

Os economistas, tomados como um grupo, são frequentemente criticados por oferecerem pareceres contraditórios aos formuladores de políticas. Motivos que explicariam isso podem tanto decorrer de teorias positivas alternativas a respeito do funcionamento da economia, como podem estar associadas ao fato de que diferentes economistas tenham valores diferentes, o que inclui opiniões normativas diferentes acerca dos possíveis objetivos das políticas consideradas.

b) Afirmação positiva: “A fixação do salário mínimo acima de certo nível levará as firmas a demitir trabalhadores”. Essa é uma afirmativa de fato, cuja veracidade poderá, em princípio, ser verificada; não se trata de uma opinião.

Afirmação normativa: “A fixação do salário mínimo deve ter como objetivo assegurar ao trabalhador e sua família um nível de vida adequado”; ou “A fixação do salário mínimo deve ter como objetivo maximizar o nível de emprego de trabalhadores não-qualificados”. Essas afirmativas encerram opiniões diferentes, juízos de valor distintos sobre o que deve nortear a política de salário mínimo. Não se pode dizer que uma opinião seja superior à outra: são posições diferentes sobre um mesmo tema.
5. Classifique cada uma das seguintes atividades do governo de acordo com a sua motivação: uma preocupação com a equidade ou uma preocupação com a eficiência. Justifique sua classificação.

a) Regulamentar os preços da de serviços públicos como água e eletricidade.



Equidade, uma vez que o preço de tais serviços, muitas vezes oferecidos por uma só empresa pode, se fixado pelo mercado, atingir níveis que penalizem o consumidor, especialmente os de menor renda.

b) Oferecer a uma parcela da população pobre tíquetes que podem ser usados para comprar comida.



Equidade, pois visa a uma melhor distribuição dos benefícios econômicos entre os membros da população, equiparando-os.

c) Dividir a Petrobras em diversas empresas menores.



Eficiência, pois diversas firmas em concorrência maximizam o benefício total da sociedade.

d) Aumentar as alíquotas de imposto de renda das pessoas com alta renda.



Equidade, pois tal política consiste, em essência, em uma redistribuição da renda nacional.

6. Discuta no contexto da matéria abaixo, de Fernando Dantas, publicada no caderno Economia do jornal O Estado de S. Paulo em 11/5/05, e discuta-os aplicando os conceitos de eficiência e equidade.


Mercado de trabalho chinês é o mais capitalista do mundo”
Para o economista chinês Dong Tao, ‘o mercado de trabalho da China é o mercado mais capitalista do mundo’. (...) os trabalhadores chineses do setor fabril de bens de consumo trabalham 14 horas por dia, 7 dias por semana, com praticamente nenhuma proteção trabalhista (...)

Segundo o economista, ‘isso é triste do ponto de vista dos direitos dos trabalhadores e dos direitos humanos, mas é absolutamente positivo para o capitalismo’. Para Dong, essa flexibilidade trabalhista explica o volume maciço de investimentos estrangeiros na China, e está por trás do boom exportador e do acelerado crescimento do país.
O mercado de trabalho chinês, de acordo com a reportagem acima, apresenta bons resultados em termos de eficiência, pois, ao utilizar o insumo trabalho de forma tão intensa, obtém-se um alto benefício de seu uso, apesar de ser possível prolongar ainda mais a jornada de trabalho. No entanto, ainda que tal contexto seja “absolutamente positivo para o capitalismo”, há perdas em termos de equidade, já que “essa flexibilidade trabalhista” implica perda de garantias salariais e/ou contratuais. Essa situação explicita o potencial tradeoff (definido como uma escolha entre fins mutuamente exclusivos) existente entre eficiência e equidade.
7. Discuta a seguinte assertiva aplicando os conceitos de economia positiva, economia normativa, eficiência e equidade.
Acredito que os governos precisam – e podem – adotar políticas que ajudem não só os países a crescer, mas que também assegurem que esse crescimento seja compartilhado de maneira mais equitativa pela população.”

A globalização e seus malefícios, Joseph Stiglitz



(prêmio Nobel de Economia em 2001)

Um dos possíveis papéis desempenhados pelo economista, na condição de cientista, é auxiliar os formuladores de políticas públicas na análise da viabilidade de planos alternativos de ação. Dessa forma, sua participação tende a centrar-se em aspectos positivos, isto é, na descrição objetiva da realidade econômica, feita com base em modelos científicos e em dados estatísticos. A escolha da política a implementar, contudo, condiciona-se a critérios normativos, e, como tal, vincula-se a juízos de valor e interpretações subjetivas da realidade. Tal fato tem clara interferência tanto nos propósitos das políticas escolhidas quanto no alcance e na abrangência de seus efeitos.

A assertiva de J. Stiglitz encerra, portanto, o seguinte significado: a adoção de políticas deve não somente basear-se em critérios de eficiência, como o simples aumento do produto, ou seja, crescimento econômico; deve, também, atender a critérios de equidade, de modo a distribuir os benefícios advindos do crescimento econômico entre a maior parte da população, promovendo desenvolvimento econômico e social.

Nota: Os economistas, numa tentativa de obtenção de melhores instrumentos de análise, costumam classificar os de bens presentes numa economia comum segundo critérios de disponibilidade, forma de utilização ou uso. De acordo com essas classificações, temos alguns tipos básicos de bens. É importante ter em mente que tais classificações não dependem de características intrínsecas do bem, mas de seu eventual uso. Portanto, o mesmo bem pode ser utilizado com bem de consumo e bem de capital, por exemplo.


MP3 Player utilizado por uma revista de crítica musical

MP3 Player utilizado por um universitário comum

caráter

função

natureza

8. São diversos os tipos de bens e, conforme visto acima, podem ser classificados pela sua disponibilidade (bem livre ou econômico), pela sua forma de utilização (bem intermediário ou final) ou pelo seu uso (bem de consumo ou de capital). Como poderiam ser classificados, de acordo com um desses três critérios, os bens abaixo?

a) Um computador utilizado em um escritório de advocacia.

b) Um automóvel de passeio de uso exclusivo do proprietário.

c) Á água utilizada em um bloco residencial.

d) O edifício que abriga uma fábrica de calçados.



a) Bem econômico, bem final, bem de capital.

b) Bem econômico, bem final, bem de consumo (durável).

c) Bem econômico, bem final, bem de consumo (não durável).

d) Bem econômico, bem final, bem de capital.
9. Você poderia imaginar uma situação em que todos os bens fossem livres (não haveria bens econômicos)?

Primeiramente, vamos recordar que bens livres são bens não escassos, disponíveis sem custo e em quantidade suficiente para a satisfação das necessidades ou desejos humanos. Não são, portanto, vendidos e comprados (Exs.: o ar que se respira, a luz do sol, etc). Bens econômicos são bens escassos, geralmente produzidos com uso de esforço humano e de recursos escassos, e que têm, normalmente, um preço no mercado. Os bens econômicos têm custo de oportunidade; os livres, não. (Note que uma amostra grátis, por exemplo, não é um bem livre, embora não seja vendida e comprada, pois tem um custo de oportunidade.).

Quanto à pergunta, é difícil imaginar tal situação, pois a escassez de recursos em relação às necessidades e desejos humanos é a regra geral. Poder-se-ia talvez pensar na situação artificial e irrealista de uma tribo de índios que habita uma região de clima ameno e abundante em recursos naturais, de tal forma que não houvesse escassez de recursos em relação às suas poucas necessidades.

Vejamos outros exemplos: o ar que se respira comumente é dado como um bem livre. Todavia, ele passa a ser um bem econômico se for transacionado no mercado e tiver preço (Ex.: o ar comprimido adquirido em garrafões por mergulhadores). O mesmo pode se dizer da água, que é um bem livre se puder ser recolhida para consumo sem qualquer limitação (Ex.: a água dos rios usada por uma tribo de índios), e passa a ser um bem econômico quando for vendida e comprada, já que adquire um custo de oportunidade (Ex.: água fornecida pela CAESB).
10. Em que consiste a diferença entre bem intermediário e bem final? Imagine uma fábrica da Peugeot em qualquer lugar do mundo e explique porque não se poderia classificar a maquinaria que monta o modelo 307, por exemplo, como bens intermediários. Explique também se o automóvel produzido por tal fábrica consistirá em um bem de capital, um bem de consumo, em ambos ou em nenhum deles.

Bens intermediários são bens manufaturados ou matérias-primas empregados na produção de outros bens intermediários ou finais (Exs.: o aço, a madeira, a borracha etc). Os produtos intermediários são, portanto, insumos para elaboração de produtos; um bem intermediário agrega valor ao bem tido como final no processo produtivo. O bem final, por sua vez, é aquele sobre o qual não se agrega mais valor no processo produtivo especificado, e é disponível para utilização como um bem de capital ou como um bem de consumo. No caso da fábrica de carros, a maquinaria seria um bem de capital, e não intermediário, haja vista não passar por um processo de transformação na produção de carros, ao contrário do aço utilizado na fabricação das partes externas do veículo, por exemplo.

Com relação à questão do automóvel propriamente dito, pode-se definir bens de consumo como aqueles destinados à satisfação imediata das necessidades pessoais. Bens de capital, por sua vez, são aqueles que participam do processo de produção de outro bem ou serviço. Caso o veículo seja comprado para o uso de uma família comum em seus eventuais passeios de domingo, o carro será um bem de consumo. Todavia, caso o mesmo veículo seja adquirido para compor a frota de táxis de uma empresa ou para conduzir funcionários de algum insigne órgão público, ele será certamente um bem de capital.
12. Leia com atenção os trechos da reportagem seguinte, publicada no caderno Economia do jornal O Estado de S. Paulo em 28/4/05, e responda aos itens subsequentes:
Bush quer mais refinarias para conter a alta no preço dos combustíveis (...)

(...) O pedido de Bush foi mal recebido pelos grupos preservacionistas. (...) o presidente ‘está propondo uma política energética obsoleta, que depende de tecnologias do século passado’ (...) ele deveria exortar os americanos a gastar menos combustíveis e lutar pelo melhor aproveitamento dos derivados de petróleo’.
a) Interprete a seguinte assertiva: “As pessoas enfrentam tradeoffs”.

O tradeoff é uma expressão que define uma situação de escolha conflitante, isto é, uma situação em que determinada ação econômica implica, inevitavelmente, deixar de realizar uma ou mais ações alternativas (estas definem o custo de oportunidade). A tomada de decisões exige, portanto, escolher um objeto em detrimento de outro.

b) Identifique o importante tradeoff associado à situação abordada pelo excerto acima.



O tradeoff relacionado à reportagem, muito significativo na sociedade moderna, é aquele existente entre uma tecnologia que traz em seu bojo altos níveis de poluição e poucas perspectivas para o longo prazo, mas, do ponto de vista da produção atual, extremamente eficiente, e uma tecnologia capaz de proporcionar à sociedade melhores condições ambientais e de saúde, mas que carregam o custo de uma redução da atividade econômica e, por conseguinte, da renda da economia.

13. (Polícia Federal, 2004) A análise microeconômica refere-se ao comportamento individual dos agentes econômicos. A respeito desse assunto, julgue o item a seguir.



A noção de custo de oportunidade, subjacente à curva de possibilidades de produção, relaciona-se, estreitamente, com o conceito de escassez”.

CERTO, por definição.
14. O que são curvas (ou fronteiras) de possibilidades de produção? Ilustre sua resposta desenhando uma curva típica.


A curva de possibilidades de produção (CPP) representa, de forma simplificada, as possíveis alternativas de produção em uma economia, dada a disponibilidade de recursos produtivos, ou seja, um tradeoff. Supõe-se que haja apenas dois tipos de bens, A e B, cujas quantidades são medidas em dois eixos de coordenadas. A quantidade máxima que pode ser produzida de A (produção de B = 0), medida em um dos eixos, determina o ponto extremo C da curva; analogamente, a produção máxima de B, medida no outro eixo (produção de A = 0), marca o outro extremo da CPP, o ponto D. Os pontos intermediários da curva (como o ponto E, por exemplo) mostram as possibilidades de produção simultânea de A e B: cada ponto indica, dada a produção A, qual o máximo de B que pode ser produzido, e vice-versa.
15. Mostre, graficamente, a ocorrência das seguintes situações, dada uma curva de possibilidades de produção (CPP):

a) Pleno emprego dos fatores de produção.

b) Um nível de produção impraticável no curto prazo.

c) Um nível de produção em que há capacidade ociosa (fatores de produção desempregados ou subutilizados).





a) Se os fatores de produção são inteiramente utilizados, a economia está produzindo o máximo que pode produzir; estará, então, produzindo em um ponto sobre a CPP (como o ponto C).

b) Um ponto “exterior” à CPP, ou seja, que indique produção maior de A e/ou de B do que a indicada na curva, não pode ser atingido, dada disponibilidade de fatores produtivos (como o ponto D).

c) Um ponto “interior” à CPP (entre a curva e os eixos) mostra uma situação em que a produção é menor do que poderia ser, isto é, ou os recursos produtivos não estão sendo utilizados integralmente ou não estão sendo usados com eficiência (como o ponto E).
16. Explique o que significa um deslocamento da CPP (em sentido oposto à origem). De que resulta tal deslocamento?

Um deslocamento da CPP “para fora” indica um aumento da capacidade produtiva da economia: pode-se agora produzir mais (de A ou de B, ou de ambos os bens) do que em qualquer ponto da CPP anterior. Isso representa uma situação de crescimento econômico, decorrente de uma maior disponibilidade de fatores produtivos (há mais máquinas e fábricas, por exemplo), e/ou de inovações tecnológicas que permitem produzir mais com a mesma quantidade de fatores de produção.
17. (BASA, 2010) Julgue o item a seguir acerca dos conceitos fundamentais de economia.

Se toda a população economicamente ativa da região amazônica estiver empregada, então os pontos de possibilidades de produção dessa economia regional estarão sobre a sua curva de possibilidades de produção”

ERRADO. A população economicamente ativa é apenas um fator de produção (trabalho). A CPP leva em consideração a dotação de terra, capital e trabalho. Logo, estar todo o trabalho sendo utilizado não significa que toda a terra e todo o capital também o estão. Assim, não se pode afirmar com certeza de que o ponto estará sobre a CPP.
18. (Instituto Rio Branco, 2003)

Considerando os conceitos básicos da análise econômica, julgue os itens a seguir:



  1. A recente retomada econômica nos Estados Unidos da América (EUA) contribuiu para reduzir os níveis de desemprego naquele país. Como consequência, a curva de possibilidades de produção da economia americana foi deslocada para cima e para a direita.

Errado. Se houve redução do desemprego, a situação inicial era representada por um ponto interior à CPP; com a retomada econômica, houve um movimento rumo à fronteira da CPP (em que há pleno emprego dos fatores de produção). Nada na questão indica que tenha havido aumento da capacidade produtiva, ou seja, deslocamento da CPP para cima e para a direita.
b) Quando as datas do concurso de admissão à carreira de diplomata coincidem com aquelas do concurso para assessor legislativo, o custo de oportunidade de fazer a segunda seleção aumenta substancialmente para os candidatos que tencionam submeter-se aos dois certames.

Certo, pois o custo de oportunidade de prestar um dos exames envolverá, com a coincidência de horários, deixar de fazer o outro concurso.
19. Suponha que Cláudio ganhe R$300,00 por mês, e que seu consumo se restringe a livros e sanduíches. Os livros custam R$ 30,00 e os sanduíches, R$ 5,00.

a) Represente, em um gráfico, a linha de possibilidades de consumo (LPC) de Cláudio, indicando corretamente o que é medido em cada um dos eixos.





Se Cláudio gastar todo seu ordenado mensal em livros, poderá comprar 10 livros por mês; se optar por gastar tudo em sanduíches, poderá comprar 60 sanduíches. Em um dos eixos de coordenadas, mede-se a quantidade de livros por mês; no outro, a quantidade de sanduíches por mês. A LPC é uma linha (um segmento de reta) que liga o ponto correspondente a 10 livros, em um dos eixos, ao ponto correspondente a 60 sanduíches, no outro eixo. Ela representa as combinações de livros/mês e sanduíches/mês acessíveis a Cláudio. Repare que, nesse caso, ao contrário do caso usual da CPP (ver questão 15, item a), a LPC é sempre retilínea, pois os preços não variam. A relação entre um livro e um sanduíche é sempre a mesma, isto é, o custo de oportunidade de ambos os bens é constante.

  1. Explique a hipótese do comportamento “maximizador”, e como ela garante que a combinação de livros e sanduíches que Cláudio escolherá será representada por um ponto sobre sua LPC (e não por um ponto abaixo ou acima dessa linha).

A hipótese de “comportamento maximizador”, quando aplicada aos consumidores, diz simplesmente que as pessoas sempre preferem mais bens a menos bens. Assim, se Cláudio decidir comprar 30 sanduíches/mês, ele usará todo o dinheiro restante na compra de livros (5 livros). Dessa forma, ele sempre se situará sobre sua LPC, e não abaixo dela (caso em que deixaria de consumir alguns bens que estão ao seu alcance, o que contraria a hipótese). Além disso, é claro que ele não poderia situar-se acima da LPC, pois, para tanto, teria de dispor de mais do que dos R$ 300,00 mensais que ganha.


  1. Qual o custo de oportunidade de 1 livro para Cláudio?

Para comprar 1 livro a mais, Cláudio tem de deixar de comprar 6 sanduíches. Logo, o custo de oportunidade de 1 livro, para ele, são esses 6 sanduíches.
20. Suponha que o Seu Sinésio, com os recursos produtivos disponíveis em sua fazenda, possa produzir, em um ano, 100 sacas de milho ou 300 sacas de farinha de mandioca, ou ainda uma combinação desses dois produtos. Seu Ariovaldo, em sua fazenda próxima, tem possibilidades de produção distintas das de Seu Sinésio: com os recursos produtivos de que dispõe, pode produzir 100 sacas de milho ou 100 sacas de farinha de mandioca, ou uma combinação dos dois produtos.

a) Represente, em dois gráficos distintos, as CPPs de Sinésio e Ariovaldo, supondo, para simplificar, que elas sejam retilíneas.




Seu Sinésio

Seu Ariovaldo


Analogamente ao caso da questão 18, medem-se agora nos eixos as quantidades anuais de milho e de farinha de mandioca que podem ser produzidas por ambos os produtores. A CPP ligará o ponto correspondente à produção máxima de milho, caso a produção de farinha de mandioca seja nula, ao ponto que representa a produção de máxima de farinha de mandioca, caso a produção de milho seja nula.
b) Qual o custo de oportunidade de 1 saca de milho, para Sinésio? E para Ariovaldo?

Para Sinésio, o custo de oportunidade de 1 saca de milho é a quantidade de farinha que ele terá de deixar de produzir para obter essa saca adicional (ou seja, 3 sacas de farinha). Para Ariovaldo, o custo de oportunidade de 1 saca de milho será de apenas 1 saca de farinha, isto é, Ariovaldo produz milho a um custo relativamente mais baixo.
21. Na questão anterior, suponha que Ariovaldo esteja disposto a vender milho para Sinésio, trocando 1 saca de milho por 2 sacas de farinha. Essa transação será vantajosa para Sinésio? E para Ariovaldo?

A transação é vantajosa para Sinésio, porque ele poderá, dessa forma, obter milho a um custo menor do que o custo de oportunidade desse produto para ele, dado pela disponibilidade de recursos de sua fazenda. Sem a possibilidade de troca, Sinésio teria de sacrificar 3 sacas de farinha para obter 1 saca de milho adicional; com a troca, gasta só 2 sacas de farinha.

Da mesma maneira, a troca é vantajosa para Ariovaldo, que também poderá obter farinha a um custo mais baixo do que o custo de oportunidade desse produto em sua fazenda. Sem o comércio com Sinésio, ele teria de sacrificar 1 saca de milho para obter 1 saca adicional de farinha; por meio do comércio, a saca adicional de farinha só lhe custará ½ saca de milho.

A moral da história é a seguinte: se há diferença de custos de oportunidade na produção, ambos os produtores podem ganhar com a troca, desde que os termos de troca de um bem, em termos do outro, situem-se entre os seus custos de oportunidade (no caso, 1 < 2 < 3, para o milho, e 1/3 < ½ < 1, para a farinha). Cada um se especializará naquilo que pode produzir relativamente mais barato (Sinésio, em farinha e Ariovaldo, em milho), e obterá o outro produto por meio de troca.
VEREMOS NA UNIDADE 6 QUE ESSE RACIOCÍNIO PODE SER USADO PARA EXPLICAR O COMÉRCIO ENTRE PAÍSES.
22. Suponha que a UnB, face à crescente demanda por estacionamento no campus, decida estabelecer uma tarifa de estacionamento de R$ 10,00 por dia para todas as áreas de estacionamento.

a) O que aconteceria com o número de estudantes que desejam estacionar o carro no campus?



Um número menor de estudantes desejará estacionar no campus.

b) O que aconteceria com o tempo necessário para encontrar uma vaga no estacionamento?



Conseguir uma vaga levará menos tempo.

c) Nas dependências dos ministérios, podemos observar que há vagas privativas para os funcionários de primeiro escalão. Explique a racionalidade econômica que poderia sustentar esse mecanismo de alocação de vagas de estacionamento e compare a situação com o estacionamento atual no campus da UnB.



A racionalidade econômica subjacente a tal mecanismo consiste no fato de que o custo de oportunidade do tempo alocado na procura por uma vaga é muito mais alto para os funcionários de primeiro escalão, que devem abrir mão do tempo que poderia ser alocado para atividades mais produtivas e necessárias para o funcionamento eficiente dos ministérios. Nesse sentido, o mecanismo de alocação de vagas para o estacionamento no campus considera que todas as pessoas que desejam estacionar (alunos, professores e funcionários) possuem o mesmo custo de oportunidade por unidade de tempo alocado na procura por vagas. Caso a tarifa fosse estabelecida, os custos de oportunidade diferentes seriam refletidos pelo menor número de estudantes que desejariam estacionar no campus: pagariam para estacionar aqueles que considerassem o valor da tarifa inferior ao valor atribuído às horas perdidas.


Lista de Exercícios 1 – Introdução à Economia




1   2


©aneste.org 2017
enviar mensagem

    Página principal