Conceitos importantes 1 a análise econômica: a hipótese do “homem econômico” e os incentivos



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LISTA 1

GABARITO



Conceitos importantes

1) A análise econômica: a hipótese do “homem econômico” e os incentivos

2) Economia positiva x Economia normativa

3) Eficiência x equidade

4) Tipos de bens e fatores de produção



5) O problema econômico: escassez, escolha, tradeoff e custo de oportunidade

6) A curva de possibilidades de produção (CPP) e a linha de possibilidades de consumo (LPC)

7) Vantagem absoluta e vantagem comparativa

8) Trocas, tendência à especialização e ganhos de comércio





FIXAÇÃO CONCEITUAL
1. Sob a óptica do homem econômico, o que deve ser buscado em qualquer ação? Quais as críticas apresentadas a essa concepção?

O homem econômico pauta as suas ações no sentido de maximização dos seus ganhos. Logo, a partir de recursos escassos, busca obter o maior ganho possível. A maior crítica direcionada a essa concepção é que, ao seguir essa linha de raciocínio, o agente econômico se põe numa escolha conflitante entre aquilo que é mais eficiente, ou seja, agir de modo a garantir o máximo de benefícios, ou promover a equidade a partir de suas ações, ou seja, não necessariamente ter o máximo de benefício, mas garantir que o maior número possível de pessoas se beneficie das suas decisões.
2. Defina custo de oportunidade. A partir disso, qual outro conceito, muito importante par elucidar o comportamento do homem econômico, é depreendido?

Antes de definir custo de oportunidade, é essencial a compreensão do conceito de trade-off. Trade-offs são as escolhas conflitantes as quais os agentes econômicos se deparam ao tomar suas ações. Dessa forma, ao escolher empregar seus recursos de modo X, deixa-se de lado a possibilidade de utilizá-los de forma Y. A partir de um trade-off, identificamos o custo de oportunidade – aquilo que o homem econômico deixa de fazer ao tomar uma decisão frente ao trade-off existente.

Em termos quantitativos, podemos calcular o custo de oportunidade a partir da razão entre aquilo que o agente deixa de fazer e o que ele decide fazer:
C.O. = quantidade do bem 1 que deixa de ser produzida ou consumida / quantidade do bem 2 a ser produzida ou consumida
3. A partir dos conceitos trabalhados na questão anterior, defina também o que é uma Linha de Possibilidade de Consumo (LPC). Quais são suas características principais?

A LPC é a representação gráfica da capacidade de um demandante, dados os seus recursos limitados, de consumir dois bens distintos. Dessa forma, encontramos nela pontos em que todos os recursos são gastos em um único produto, no eixo x, e no outro produto apenas, no eixo y. Entre esses dois pontos, é traçada uma reta que expressa as possibilidades de consumo em que ambos os bens podem ser demandados. Caso seja retilínea, o custo de oportunidade da escolha de um dos produtos é constante. E, caso essa curva apresente uma deformação, o custo de oportunidade varia ao longo da curva.
4. A partir da Curva de Possibilidade de Produção (CPP) pode-se, na comparação entre dois produtores distintos, observar as vantagens que um possui em relação ao outro no processo produtivo de um bem. Discorra sobre a natureza dessa curva e quais os tipos de vantagem que podem ser verificados na sua comparação.

A Curva de Possibilidade de Produção é uma representação gráfica do custo de oportunidade de um ofertante obtida a partir da quantidade produzida de dois bens a partir do pleno emprego da sua capacidade produtiva. Caso essa curva seja retilínea, o custo de oportunidade para esse produtor mantém-se constante, ou seja, ele sempre deixará de produzir x quantidade de um bem A para cada unidade y de um bem B que ele produza.

Ao comparar as CPPs entre dois produtores, podemos identificar em qual produto cada um deles possui vantagem comparativa – menor custo de oportunidade – e, dessa forma, maximizarão seus ganhos ao se especializarem e tal bem.
5. “As decisões de produção tomadas pelo mercado costumam ser bem-sucedidas quanto à eficiência, mas podem ser malsucedidas quanto à equidade”. Explique como você entende essa afirmativa, apresentando uma breve diferenciação desses dois conceitos.

Entende-se por eficiência a propriedade que a sociedade tem de obter o máximo benefício possível a partir de seus recursos escassos, enquanto equidade é a propriedade de distribuir a prosperidade econômica entre os membros da sociedade.

As preferências da coletividade podem ou ser reveladas no mercado pelas decisões de compra de cada um, que representam “votos” relativos ao que se prefere consumir, ou ser decididas de forma centralizada, por meio de um órgão de planejamento que resolva o que deve ser produzido, quanto e como. No primeiro caso, costuma haver maior eficiência: em vez de atribuir à burocracia governamental a decisão sobre, por exemplo, quantas padarias devem existir em uma cidade, onde localizá-las e que tipos de pães produzir, parece mais fácil e eficiente deixar tais escolhas à iniciativa dos empreendedores individuais, baseadas nos estímulos proporcionados pelas decisões de compra dos consumidores. As decisões de mercado, entretanto, podem ser falhas em termos de igualdade, pois os “votos” são ponderados pelo poder de compra de cada um. Em uma sociedade que apresenta distribuição de renda muito desigual, as necessidades dos mais pobres podem não ser atendidas (haverá pouca demanda revelada no mercado para postos de saúde em bairros humildes, por exemplo).

Assim, ao considerar a maximização dos benefícios e a minimização dos custos almejadas pelo “homem econômico”, parece convincente supor que as decisões de produção tomadas pelo mercado (campo de ação do “homem econômico”) sejam bem-sucedidas quanto à eficiência, mas possivelmente malsucedidas quanto à equidade.
6. Considere os seguintes bens, entre livres e econômicos, finais ou intermediário, de capital ou de consumo:

I . A motocicleta de delivery de uma pizzaria;

II. A carteira de uma sala da aula da UnB para um aluno;

III. Tecido para aviamento.




  1. Primeiramente, analisemos a motocicleta sob a perspectiva da sua disponibilidade: por ser um bem que não está disponível livremente, pelo contrário, podendo ser obtido através de compra, trata-se de um bem econômico; além disso, por não estar sujeito a nenhum processo de transformação ou de agregação de valor, é um bem final; por fim, como é um bem utilizado na prestação de um serviço, o delivery, trata-se um fator de produção – portanto, é um bem de capital;

  2. A carteira de uma sala de aula, para um aluno da UnB, é um bem livre – ou seja, a sua livre disponibilidade implica num não custo para seu uso por parte do estudante.

  3. Um tecido para aviamento é um bem escasso obtido através de um custo ao demandante – portanto, é um bem econômico; além disso, como está destinado ao aviamento, trata-se de um bem intermediário, ou seja, ainda será sujeitado a processos de transformação que lhe agregarão um valor – por isso, não podemos classificá-lo como bem de consumo ou de capital.




CURIOSIDADE

Durante o período da colonização no Brasil, os fatores de produção (terra, capital e trabalho) de que a metrópole portuguesa lançaria mão para obter os produtos a serem vendidos na Europa tiveram importante papel na determinação do tipo de colonização aqui desenvolvida. A questão da terra, abundante, trazia a necessidade de sua ocupação e, uma vez que esta visava grandes lucros, a necessidade de mão-de-obra escrava (a mão-de-obra livre logo se apropriaria de outros terrenos e produziria para subsistência). O fator trabalho tem no escravismo oriundo da África causa e consequência do tipo de colonização empreendido. Causa quando foi fator crucial para a ocupação da terra (Portugal não tinha uma população suficiente sequer para preencher seu território) e consequência pelas questões expostas anteriormente. Com relação ao capital, ele só poderia ser financiado pela metrópole, pelo Estado absolutista que se desenvolvia então. Deste modo, o mesmo Estado possuía uma predileção pelo monopólio, que gerava um maior lucro e do qual o mesmo se apropriava com maior facilidade.



6.Quando usa o termo capital, o economista faz alguma distinção entre o dinheiro e uma máquina qualquer utilizada na produção? Por quê?



Sim, pois o dinheiro está associado à ideia de capital financeiro, e uma máquina qualquer, à ideia de capital produtivo. Para o economista, o dinheiro por si só não produz nada, ou seja, será útil à produção somente quando for convertido, por meio do investimento, em capital produtivo; bens de capital são aqueles bens finais “utilizáveis na produção de outros bens e serviços” (em síntese, capital significa as instalações, o equipamento e os outros materiais utilizados no processo produtivo). Dessa forma, quando os economistas empregam o termo capital referem-se, em geral, ao capital real, como prédios e máquinas, e não ao capital financeiro, como ações ou dinheiro (a não ser que haja uma indicação ao contrário).

EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO
1. O custo de oportunidade de uma decisão ou de uma alternativa pode ser definido como “aquilo que é necessário sacrificar para adotá-la”. Nesse sentido, qual seria o custo de oportunidade (do ponto de vista de um aluno da UnB, matriculado em um curso diurno) das seguintes decisões ou situações:

a) Aceitar um emprego que envolve trabalhar de 11 da manhã às 6 da tarde.



O custo de oportunidade poderá ser o de ter que se matricular nas poucas disciplinas de horário compatível em cada semestre e, portanto, alongar a duração do curso.

b) Matricular-se em disciplinas no horário noturno.



O custo de oportunidade poderá ser a perda de horas de lazer ou de sono.

c) Poupar 50 % de seu ordenado, bolsa ou mesada.



O custo de oportunidade poderá ser os gastos de consumo que se deixa de fazer, para que se poupe metade da renda.
2. (PROVÃO 2001, nº 22) O conceito de custo de oportunidade é relevante para a análise econômica porque

(A) os custos irrecuperáveis devem ser considerados pelas firmas em sua decisão de quanto produzir.

(B) os bens e os fatores de produção não são gratuitos.

(C) os recursos de produção são escassos.

(D) no curto prazo, alguns fatores de produção são fixos.

(E) em seu segmento relevante a curva de custo marginal é crescente.

Letra (C), uma vez que o emprego de recursos para determinado fim implica o custo de renunciar ao seu emprego em um fim alternativo.
3. (Fiscal de Tributos Federais) Os pontos de uma curva de possibilidades de produção expressam:

a) As combinações de máxima produção obtenível de dois bens correspondentes ao mínimo custo de produção, dada a tecnologia.

b) As combinações de mínima produção obtenível de dois bens, quando a dotação disponível dos fatores é plenamente utilizada, dada a tecnologia.

c) As combinações de máxima produção obtenível de dois bens quando a dotação disponível dos fatores é plenamente utilizada, dada a tecnologia.

d) As combinações de níveis de produção obteníveis de dois bens correspondentes ao máximo lucro, dada a tecnologia.

e) as combinações de níveis de produção obteníveis de dois bens correspondentes à máxima utilidade alcançada pelos consumidores, dados a tecnologia e os preços das mercadorias.

Letra (c), por definição.
4. (MPU 2007) A curva de possibilidades de produção de uma economia

a) tem sua concavidade voltada para cima.

b) implica que os custos de transformação de um produto em outro são decrescentes.

c) expressa os desejos da sociedade em consumir dois bens alternativos.



d) implica que o aumento da produção de um bem só é possível às expensas da redução da produção do outro.

e) baseia-se na hipótese de que a quantidade de fatores de produção é variável no curto prazo.



Letra (D), por definição.
5. (Analista Trainee/Metrô-SP, 2008) Em relação à curva de possibilidades de produção (ou curva de transformação) da economia, é correto afirmar:

a) Um ponto à esquerda da curva representa uma combinação da produção de dois bens que não pode ser alcançada pela economia no curto prazo.



b) A produtividade física marginal de cada recurso produtivo decresce com a maior utilização de cada um deles pela economia.

c) É possível aumentar simultaneamente a produção de dois bens mesmo que os recursos da economia estejam sendo utilizados com a máxima eficiência que a tecnologia disponível permite.

d) O custo de oportunidade da produção de um bem diminui à medida que mais recursos produtivos da economia são utilizados na produção do outro.

e) Ela expressa as combinações de produção de dois bens que correspondam à máxima utilidade possível para os consumidores.



Letra (B), pela definição de produtividade marginal decrescente – o aumento marginal no emprego de uma variável na produção, caeteris paribus, tem retornos cada vez menores.
6. (Técnico Pericial em Economia do MPU) No gráfico a seguir, a curva de possibilidades de produção de uma economia é representada pela linha cheia ligando os pontos A e B. O deslocamento da curva para a posição ocupada pela linha interrompida que liga os pontos A e C é compatível com a causa seguinte:

a) Progresso tecnológico aplicável à produção dos dois bens, mantidas constantes as dotações dos demais recursos produtivos.

b) Redução da dotação de um dos recursos aplicáveis à produção do bem Y, mantidas constantes as dotações dos demais recursos aplicáveis à produção dos bens X e Y.

c) Progresso tecnológico aplicável exclusivamente à produção do bem Y, mantidas constantes as dotações dos demais recursos aplicáveis à produção dos bens X e Y.

d) Redução da dotação de um dos recursos aplicáveis à produção do bem X, mantidas constantes as dotações dos demais recursos aplicáveis à produção dos bens X e Y.

e) Progresso tecnológico aplicável exclusivamente à produção do bem X, mantidas constantes as dotações dos demais recursos aplicáveis à produção dos bens X e Y.

Letra (e), pois um avanço tecnológico na indústria do bem X possibilita uma maior quantidade produzida desse bem com a mesma quantidade de recursos, dada a quantidade produzida do bem Y.

7. (Controlador da Arrecadação Federal) Uma curva de possibilidades de produção que apresenta concavidade para a origem implica:



a) custos crescentes de transformação de um produto em outro

b) custos decrescentes de transformação de um produto em outro

c) custos constantes de transformação de um produto em outro

d) rendimentos crescentes de escala



Letra (a). Custos crescentes de transformação de um produto em outro representam custos de oportunidade crescentes, ou seja, a produção adicional de um bem implica o sacrifício da produção de uma quantidade cada vez maior do outro bem. Tal fato se deve à especialização dos fatores de produção, originalmente destinados à produção de um bem específico.
8. No ano de 2005, o emprego de fatores de produção da indústria brasileira atingiu 82% da capacidade total. Considere que a indústria nacional produza essencialmente bens de consumo (eixo representado pela letra C nos gráficos) e bens de capital (eixo representado pela letra K nos gráficos) e que, em 2005, os fatores de produção disponíveis foram alocados para a produção em ambos os setores. Sabendo que os gráficos abaixo representam a curva de possibilidades de produção (CPP) do setor industrial brasileiro e os pontos assinalados indicam a situação da indústria nacional em 2005, assinale a alternativa cujo ponto e cujo gráfico melhor representam o nível produtivo desse setor no ano em questão.

K

K

C

K

D)

C

K

E)


A)

B)

C


C


Letra (C), pois o país se encontra em uma situação de produção com capacidade ociosa dos fatores de produção.

9. Um ponto sobre a CPP (Curva de Possibilidade de Produção) em que dois bens são produzidos é sempre mais eficiente que um ponto sobre CPP em que só um bem seja produzido.”

Analisando os conceitos envolvidos nessa afirmação pode-se dizer que:

A) trata-se de uma afirmação positiva.

B) há subutilização dos fatores de produção disponíveis em ambas as situações.

C) ambos os pontos representam uma situação inatingível, no curto prazo.



D) a produção em qualquer ponto da CPP é tecnicamente eficiente.

E) um ponto sobre a CPP em que seja produzido um único bem é ineficiente.



Letra (D), por definição.
10. (MPOG 2009) Os produtos X e Y são produzidos em determinado país empregando-se apenas a mão de obra local. Em um dia, cada trabalhador é capaz de produzir 3 unidades do bem X ou, alternativamente, 5 unidades do bem Y. Nesse caso, pode-se afirmar que:

a) o custo de oportunidade de se produzir uma unidade do bem X é de 3/5 unidades do bem Y.



b) o custo de oportunidade de se produzir uma unidade do bem Y é de 3/5 unidades do bem X.

c) o custo de oportunidade de se produzir três unidades do bem Y é de 5 unidades do bem X.

d) o custo de oportunidade de se produzir três unidade do bem X é de 3 unidades do bem Y.

e) não é possível calcular o custo de oportunidade da produção do bem X ou do bem Y, pois o enunciado não informa a oportunidade perdida com essa produção.



Letra (B). Por regra de três simples, temos:

5 unidades do bem Y ----- 3 unidades do bem X
1 unidade do bem Y ----- k
K = 3/5 unidades do bem X

- Vantagem absoluta: a comparação entre produtores de um determinado bem levando em consideração sua produtividade;

- Vantagem comparativa: a comparação entre os produtores de um bem levando em consideração seus custos de oportunidade.

OS GANHOS DECORRENTES DA TROCA SE BASEIAM NA VANTAGEM COMPARATIVA, NÃO NA VANTAGEM ABSOLUTA.
11. (PROVÃO 2000, nº 13)

O consumidor A está disposto a ceder quatro unidades do bem X em troca de uma unidade do bem Y adicional às que já possui, enquanto o consumidor B aceita ceder somente duas unidades do bem X para obter uma unidade a mais do bem Y. O que acontecerá se o consumidor A ceder uma unidade do bem X ao consumidor B, em troca de uma unidade do bem Y?

(A) Ambos ganharão.

(B) Ambos perderão.



(C) O consumidor A ganhará, mas o consumidor B perderá.

(D) O consumidor A perderá, mas o consumidor B ganhará.

(E) Nenhum deles perderá ou ganhará.

Letra (C). Sabemos que o consumidor A cede uma unidade de X em troca de uma unidade de Y do consumidor B. Nessa situação, precisamos comparar os custos de oportunidade (associados às quantidades que os consumidores A e B desejam trocar) e as trocas efetivadas.
Custo de oportunidade de 1 X para A = 1/4 Y

Custo de oportunidade de 1 Y para B = 2 X
Para o consumidor A sair em vantagem, ele deve receber mais de 1/4 de Y por unidade de X, o que de fato ocorre. Já o consumidor B, para sair em vantagem, deveria receber mais de 2 unidades de X por unidade de Y, o que não acontece. Portanto, A ganha e B perde.

12. (Enade 2006, nº 31) Suponha que a tabela abaixo representa a produção diária de vinho e de tecidos de um trabalhador, na Inglaterra e em Portugal, no século XVIII.





Inglaterra

Portugal

Vinho

2 barris

1 barril

Tecidos

4 peças

1 peça

Com base na tabela, é possível afirmar que

(A) a Inglaterra tem vantagem comparativa em ambos os bens.

(B) em condições de livre comércio entre os dois países, a competição de produtos ingleses inviabilizará a produção em Portugal.

(C) seria imperativo que Portugal procurasse proteger sua produção de tecidos, que é a mais ameaçada pelos ingleses.



(D) uma vez estabelecido o livre comércio, a Inglaterra irá especializar-se na produção de tecidos, e Portugal, na de vinhos.

(E) desde que cada país se especialize na produção de um bem, qualquer escolha é igualmente vantajosa para ambos.



Letra (D)

O custo de oportunidade de produção de 1 barril de vinho para a Inglaterra é igual a 2 peças de tecido. Para Portugal, o custo de oportunidade de produção de 1 barril de vinho é 1 peça de tecido. Como Portugal possui o menor custo de oportunidade para a produção de vinho, Portugal possui vantagem comparativa na produção desse bem.

Para a produção de 1 peça de tecido, o custo de oportunidade da Inglaterra é de ½ barril e o de Portugal, 1 barril. Como a Inglaterra possui o menor custo de oportunidade, ela tem vantagem comparativa na produção de tecidos.

13. (Petrobras, 2008) A tabela abaixo mostra os custos, em homens-hora locais, de produzir carros e milho, no Japão e nos Estados Unidos.



A partir desses dados, pode-se concluir que o(s)

(A) Japão tem vantagem comparativa em milho

(B) Japão tem vantagem absoluta em ambas as atividades

(C) custo de oportunidade de produzir carros no Japão, em termos de milho, é menor que nos EUA

(D) EUA têm vantagem comparativa em ambas as atividades

(E) EUA têm vantagem comparativa em carros.

Letra (C). Atenção! A questão não fala do número de carros ou sacos de milho produzido, mas sim da quantidade de homens trabalhando em uma hora que são necessários para produzir aqueles bens. Para facilitar nossos cálculos, vamos considerar que, em ambos os países, houve um homem trabalhando por 90 horas (mínimo múltiplo comum de 10 e 9, para facilitar as contas). Assim, seriam produzidos:




Carros

Milho

Japão

90/10 = 9 carros

90/10 = 9 sacos de milho

EUA

90/9 = 10 carros

90/1 = 90 sacos de milho

Agora, sim, podemos analisar quem possui vantagem absoluta ou comparativa em quê. Lembre-se sempre que as vantagens são calculadas em termos de quantidades produzidas, e não em termos de horas necessárias à produção. Dessa forma:

Produção de carros:

CDO Japão = 1 saco de milho CDO EUA = 9 sacos de milho

Produção de milho:

CDO Japão = 1 carro CDO EUA = 1/9 carro

Logo, o custo de oportunidade de se produzir carros no Japão, em termos de milho, é menos que nos EUA. Alternativa C é a correta.

14. (SFE, 2009) No país A, cinco trabalhadores podem produzir 3 carros/mês ou 30 toneladas de milho/mês. No país B, cinco trabalhadores podem produzir 6 carros/mês ou 40 toneladas de milho/mês. Conclui-se que

(A) A exporta ria carros para B, se houvesse comércio livre entre eles, com custo de transporte desprezível.

(B) A tem vantagem comparativa na produção de carros.

(C) B tem vantagem comparativa na produção de milho.

(D) B tem vantagem comparativa na produção de carros e de milho.



(E) o custo de oportunidade de um carro em A é de 10 toneladas de milho.

Letra (E).

Produção de carros: CDO país A = 30/3 = 10 toneladas de milho CDO país B = 40/6 = 6,67 toneladas de milho

Produção de milho: CDO país A = 3/30 = 0,1 carros CDO país B = 6/40 = 0,15 toneladas de milho

15. (Banco da Amazônia, Técnico Científico 2010) Considere que o estado do Pará pode produzir, em um ano, 200 milhões de sacas de castanha-do-pará ou 600 milhões de sacas de açaí, ou uma combinação desses dois produtos. O estado do Maranhão pode produzir 200 milhões de sacas de castanha-do-pará ou 200 milhões de sacas de açaí, ou uma combinação desses dois produtos. A partir dessas informações, julgue os itens que se seguem.



  1. Com relação aos produtos citados, a curva de possibilidades de produção do estado do Maranhão ficará sempre à esquerda da curva de possibilidades de produção do estado do Pará.
    CERTO. A menos que haja uma inovação tecnológica que permita o deslocamento da CPP do Maranhão para fora, por exemplo, a produção combinada desse estado estará sempre em um ponto menor ou igual (igual no caso de produção apenas de castanha-do-pará) que o Pará.

  2. Os custos de oportunidade da produção de uma saca de castanha-do-pará para os estados do Pará e Maranhão serão, respectivamente, iguais a 1/3 e 1 saca de açaí.
    ERRADO. Os custos de oportunidade corretos são, respectivamente, 3 e 1.

  3. Caso o estado do Maranhão se disponha a trocar uma saca de castanha-do-pará por duas sacas de açaí do estado do Pará, então essa transação será igualmente vantajosa para os dois estados.
    CERTO. Calculando-se os custos de oportunidade, ambos sairão ganhando.


EXERCÍCIOS DE APROFUNDAMENTO
1. (PROVÃO 2001, nº 8)

Não há talvez uma única ação na vida de um homem em que ele não esteja sob a influência, imediata ou remota, de algum impulso que não seja o simples desejo de riqueza. Sobre esses atos a economia política nada tem a dizer. Mas há também certos departamentos dos afazeres humanos em que a obtenção de riqueza é o fim principal e reconhecido. A economia política leva em conta unicamente estes últimos.”

MILL, J.S. Da Definição de Economia Política e do Método de Investigação Próprio a Ela.

São Paulo: Abril Cultural, 1973, p. 291

Essa passagem clássica da obra de J. Stuart Mill relaciona-se com o importante conceito de “homem econômico”. Com base na citação, responda às perguntas a seguir:

a) O que é o “homem econômico”?



b) Qual é a funcionalidade desse conceito para a construção de teorias econômicas?

a) O homem econômico é uma abstração, que ignora (deixa de lado) todas as motivações do comportamento humano, exceto o comportamento maximizador ou de acumulação de riqueza. Como a economia é a ciência que estuda a forma pela qual a sociedade administra seus recursos escassos entre fins alternativos, o homem econômico é justamente o agente dessa ciência. Ele age com base em decisões que são tomadas unicamente com o intuito de maximizar benefícios e minimizar prejuízos. Embora ninguém seja, todo o tempo, um “homem econômico”, pois muitas de nossas ações têm outras motivações, há uma parcela suficiente de verdade nessa abstração para fazer que tanto a análise econômica quanto os modelos baseados na ideia do comportamento maximizador sejam relevantes para o entendimento do mundo real.

b) Trata-se de uma simplificação do comportamento econômico dos indivíduos, o que facilita o processo de teorização – permite construir teorias mais enxutas e garante a parcimônia dos modelos. Os economistas procuram tratar seu objeto de estudo com a objetividade e a imparcialidade de um cientista, formulando teorias, coletando dados e analisando-os para poder refutá-las ou corroborá-las. O estabelecimento da ideia de homem econômico constitui, assim, um modelo, já que concebe o comportamento humano de forma simplificada e realista, facilitando a compreensão dos fenômenos econômicos.
2. Como o advento dos carros bicombustíveis, alguns motoristas enfrentam, cotidianamente, um dilema entre abastecer seus carros com álcool ou com gasolina, como se refere o seguinte trecho da reportagem abaixo, publicada no caderno Economia do jornal Correio Braziliense.




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