Comportamento das atividades setoriais nos municípios gaúchos entre 1970 e 2000


Figura 1 - Número de setores com QL>1 nos municípios gaúchos, 1970-2000



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Figura 1 - Número de setores com QL>1 nos municípios gaúchos, 1970-2000

Fonte: Elaborada pelo autor


Percebe-se que a grande maioria dos municípios possui especialização relativa em poucas atividades e se localizam, tanto em 1970 quanto em 2000, do centro para o norte do Estado. Por outro lado, as regiões Sul, Campanha, Fronteira Oeste, Hortências, Delta do Jacuí, Vale dos Sinos e Litoral apresentam especialização inter-regional em várias atividades.
3.1.2. Coeficiente de Localização (CL)
Esse indicador mostra quais setores encontram-se concentrados ou dispersos pelos municípios do Rio Grande do Sul. Um setor com CL próximo de 1 será bastante concentrado espacialmente. De forma inversa, os setores com CL tendendo a 0 são mais homogeneamente distribuídos pelo território gaúcho. Assim, os resultados mais próximos a 0 demonstram uma dispersão significativa do emprego no setor. Ao contrário os valores próximos a 1 demonstram uma concentração significativa.

A tabela a seguir mostra os coeficientes de localização dos setores estudados nos anos de 1970 e 2000.



Tabela 1: Coeficientes de Localização setorial para o Rio Grande do Sul, 1970-2000


Atividades

1970

2000

Administrativas

0,27

0,15

Técnicas, Científicas, Artísticas e Assemelhadas

0,20

0,19

Agropecuária e Produção Extrativa Vegetal e Animal

0,31

0,44

Produção Extrativa Mineral

0,54

0,55

Indústrias de Transformação e Construção Civil

0,26

0,20

Comércio e Atividades Auxiliares

0,31

0,15

Transportes e Comunicações

0,24

0,11

Prestação de Serviços

0,26

0,13

Defesa Nacional e Segurança Pública

0,43

0,31

Outras ocupações

0,29

0,14

Fonte: Elaborada pelo autor
Tanto em 1970 quanto em 2000, os setores mais concentrados são aqueles relacionados ou com atividades dependentes de recursos naturais (Produção extrativa mineral e Agropecuária e produção extrativa vegetal e animal) ou com funções estratégicas (Defesa nacional e segurança pública). Tanto o setor de Produção extrativa mineral quanto o de Defesa Nacional empregavam os menores percentuais4 de mão-de-obra. Juntos, esses setores representavam pouco mais de 2,5% do emprego em 1970 e menos de 2% em 2000. Por outro lado, no setor de Agropecuária e produção extrativa vegetal e animal, estavam ocupados o maior número de trabalhadores gaúchos. Entretanto, vale ressaltar, que este último perdeu cerca de 19% dos trabalhadores e passou a ser ainda mais concentrado ao longo do período.

Nota-se que os setores de Atividades administrativas, Comércio, Prestação de serviços e Indústria de transformação e construção civil se dispersaram pelo território gaúcho ao longo do período, tendo também aumentado significativamente o número de trabalhadores ocupados.


3.1.3. Coeficiente de concentração espacial (Qs)
O Coeficiente de Concentração Espacial é uma medida de natureza inter-regional. Este coeficiente compara a distribuição inter-regional de um setor em relação à distribuição de um padrão de comparação, neste caso o total da atividade econômica no Rio Grande do Sul. Este indicador é utilizado como uma medida de concentração geográfica relativa, sendo que este varia de 0 até 1. Dessa forma, um indicador próximo da unidade representa um alto grau de concentração.

A tabela a seguir mostra o grau de concentração geográfica relativa dos setores em análise.


Tabela 2 - Coeficiente de Concentração Espacial dos setores no Estado, 1970-2000


Atividades

1970

2000

Administrativas

0,23

0,12

Técnicas, Científicas, Artísticas e Assemelhadas

0,15

0,13

Agropecuária e Produção Extrativa Vegetal e Animal

0,24

0,35

Produção Extrativa Mineral

0,34

0,4

Indústrias de Transformação e Construção Civil

0,21

0,17

Comércio e Atividades Auxiliares

0,23

0,11

Transportes e Comunicações

0,17

0,08

Prestação de Serviços

0,21

0,1

Defesa Nacional e Segurança Pública

0,33

0,24

Outras ocupações

0,22

0,09

Fonte: Elaborada pelo autor
Os dados mostram que as atividades ligadas a Produção Extrativa Mineral são as mais concentradas espacialmente ao longo do período. Isso ocorre em função das próprias características do setor, que é dependente de recursos naturais. Ademais, fica evidente que, exceto os setores de Produção Extrativa Mineral e Agropecuária e Produção Extrativa Vegetal e Animal, todos os demais passaram por um processo de desconcentração industrial. Esta desconcentração industrial segue a mesma tendência do que vem ocorrendo com a industrialização brasileira (Diniz e Crocco, 1996).
3.2. Medidas Regionais
As medidas regionais são utilizadas com o intuito de analisar a estrutura produtiva dos municípios, em função dos níveis de especialização e reestruturação que estes sofreram ao longo do período analisado. Nesta seção serão apresentados os Coeficientes de Especialização e Reestruturação.

3.2.1. Coeficiente de Especialização (CE)
O Coeficiente de Especialização mostra o grau de similaridade entre a estrutura econômica regional e a estrutura econômica do padrão de comparação, neste caso o Estado. Este indicador é utilizado como medida de “especialização ou diversificação regional”. Quando o indicador se aproxima de “1” significa que o município possui uma estrutura econômica especializada e, dessa forma menos parecida com a estrutura econômica da região de referência. Alternativamente, um coeficiente mais próximo de “0” indica que e o município possui uma estrutura econômica diversificada e, consequentemente, reproduz o perfil regional.

Os mapas abaixo mostram o grau de especialização dos municípios gaúchos.





  1. 2000




Figura 2 - Coeficiente de Especialização nos municípios gaúchos, 1970-2000

Fonte: Elaborada pelo autor


Os mapas mostram que a região norte do Estado abriga a maioria dos municípios com estrutura econômica menos parecida com a estrutura econômica gaúcha. Por outro lado, nas regiões, sul, leste e oeste, concentram-se os municípios que reproduzem a estrutura econômica do Estado.

Dentre os municípios mais especializados e que, desta forma, se diferencia da estrutura econômica do Estado, destacam-se, em 1970, Campo Bom (0,53) e Liberato Salzano (0,51) e, em 2000, Alpestre (0,63) e Liberato Salzano (0,62). Dentre os municípios que reproduzem o perfil regional, pode-se citar, em 1970, Barra do Ribeiro (0,04) e Vacaria (0,04) e, em 2000, Panambi(0,06) e Ijuí (0,05).



3.2.2. Coeficiente de Reestruturação (CRr)
Este indicador compara a estrutura regional – em termos de composição setorial – em um dado período que vai de 0 a t. Este coeficiente varia entre 0 e 1, sendo que se este for igual a zero significa que não tem ocorrido mudanças na estrutura econômica regional. Por outro lado, se este for igual a 1, significa que uma importante reestruturação regional ocorreu no período em análise.

A figura a seguir mostra a magnitude do processo de reestruturação pelo qual passaram os municípios gaúchos.





Figura 3 - Coeficiente de Reestruturação nos municípios gaúchos, 1970-2000

Fonte: Elaborada pelo autor


O mapa mostra que, em geral, os municípios gaúchos passaram um processo de significativa reestruturação. Vale destacar os municípios de Rolante (0,66) e Dois Irmãos (0,59), que apresentaram os maiores coeficientes. Por outro lado, os municípios de Alpestre e Caiçara (ambos com CRe = 0,11), foram aqueles que apresentaram os menores coeficientes.
3.3 Análise a partir das medidas de localização e especialização
Os indicadores elaborados na seção anterior apontam para uma significativa mudança do comportamento das atividades setoriais nos municípios gaúchos.

O Estado como um todo passou por processo dinâmico onde as mudanças, tanto na composição setorial quanto na importância de cada atividade, foram significativas ao longo dos trinta anos analisados.



A tabela a seguir mostra o quanto essas mudanças foram significativas.
Tabela 5 - Distribuição percentual do emprego nos setores, 1970-2000


Atividades/Emprego

% 1970

% 2000

Δ%

Administrativas

10,00

11,97

19,7

Técnicas, Científicas, Artísticas e Assemelhadas

5,64

10,04

78,01

Agropecuária e Produção Extrativa Vegetal e Animal

45,11

18,69

-58,55

Produção Extrativa Mineral

0,37

0,24

-35,14

Indústrias de Transformação e Construção Civil

14,11

22,23

57,55

Comércio e Atividades Auxiliares

4,42

10,84

145,25

Transportes e Comunicações

3,88

4,47

15,21

Prestação de Serviços

7,13

14,19

99,02

Defesa Nacional e Segurança Pública

2,17

1,74

-19,82

Outras ocupações

7,16

5,58

-22,07

Total

100

100




Fonte: Elaborada pelo autor
Em 1970 as atividades relacionadas à Agropecuária e Produção Extrativa animal e vegetal eram responsáveis por mais de 45% do emprego no Estado. Isso deixa evidente o quanto o Rio Grande do Sul era dependente destas atividades. Entretanto, essas atividades perderam espaço, já que o percentual de trabalhadores ocupados no setor caiu cerca de 59% durante o período analisado, deixando de ser a principal atividade, em termos de emprego, da economia gaúcha. Dentre os fatores que podem ter contribuído para essa queda estão a expansão da fronteira agrícola do sul e centro-oeste do país e, principalmente, a modernização da agricultura. A modernização da agricultura a torna cada vez menos dependente da mão-de-obra e, mais da tecnologia. Com isso, o setor passa a empregar menos trabalhadores devido à utilização de máquinas e implementos agrícolas cada vez mais sofisticados. Em suma, a agricultura passa a operar com maior produtividade e ganhos de escala de produção.

Dentro deste contexto, as medidas de localização e especialização da seção anterior sustentam essa análise, através da interpretação de alguns indicadores.

A análise dos Quocientes Locacionais da seção anterior mostra que em 2000, 176 municípios apresentavam especialização relativa no setor de Agropecuária e Produção Extrativao animal e vegetal (QL>1), contra 188 em 1970. Se por um lado esses indicadores reforçam que o Estado tem uma grande vocação para as atividades relacionadas ao setor de Agropecuária e Produção Extrativa animal e vegetal, por outro revelam uma tendência de mudanças na sua estrutura produtiva. Com essas mudanças, outras atividades ganharam espaço como, por exemplo, a Prestação de Serviços e a Indústria de Transformação e Construção Civil. Esta última passou a ser a atividade com maior percentual (22,23%) de trabalhadores ocupados, enquanto que o setor de Prestação de serviços praticamente dobrou seu percentual de trabalhadores ocupados (7,13% em 1970 e 14,10% em 2000).

A Indústria de Transformação e Construção Civil têm, nos municípios do Vale dos Sinos, seus maiores Quocientes de Localização, muito em função da indústria coureiro-calçadista, intensiva em mão-de-obra. Entretanto, a indústria gaúcha estruturou-se sobre quatro complexos básicos: o agroindustrial (indústrias de alimentos, bebidas e as que utilizam insumos agrícolas); o complexo coureiro-calçadista; o complexo químico; e o complexo metal-mecânico. Com isso, estado apresenta uma indústria diversificada que se desenvolveu a partir das agroindústrias e de outros segmentos ligados ao setor primário.

Outras atividades perderam espaço como a Produção Extrativa Mineral e Defesa Nacional e Segurança Pública, enquanto outras aumentaram significativamente a participação no total do emprego como, por exemplo, o Comércio, as Atividades Técnicas, Científicas, Artísticas e Assemelhadas.

As atividades relacionadas à Produção Extrativa Mineral são aquelas que apresentam os maiores Quocientes Locacionais, em função da intensiva utilização de recursos naturais como, por exemplo, a extração e industrialização do basalto, em Paraí.

Os municípios situados nas fronteiras – Santana do Livramento, Santa Vitória do Palmar, Uruguaiana, São Borja e Jaguarão - são aqueles que apresentam os maiores Quocientes Locacionais em atividades ligadas ao Comércio. A criação do MERCOSUL, as zonas de livres compras e o câmbio favorável contribuem para esses resultados.

Os coeficientes de localização e concentração espacial mostram que os setores intensivos na utilização de recursos naturais (Agropecuária e Produção Extrativa animal e vegetal e Produção Extrativa Mineral) e com funções estratégicas (Defesa Nacional e Segurança Pública) são os mais concentrados espacialmente. Esses coeficientes também comprovam que o Estado passou por um processo de dispersão setorial ao longo do período. Exceto os setores dependentes de recursos naturais, todos os demais se dispersaram pelo espaço territorial gaúcho ao longo dos 30 anos analisados. Ademais, ocorreu um significativo processo de reestruturação nos municípios gaúchos. Embora o período analisado seja relativamente curto (30 anos), pode-se apontar para uma importante mudança estrutural em grande parte dos municípios. Essa mudança estrutural ocorre dentro de um contexto onde a economia brasileira passou por um processo de transformações, cujos impactos foram diferenciados entre as regiões. A abertura econômica e a estabilização monetária refletiram significativamente no desempenho econômico das regiões, alterando as estruturas de mercado e os perfis produtivos inter/intra setorial. Sendo assim, essa reestruturação que ocorreu nos municípios gaúchos é derivada de um processo maior, enfrentado pela economia gaúcha e brasileira.


4. O MÉTODO ESTRUTURAL-DIFERENCIAL
Uma das técnicas mais usadas para analisar a dinâmica de crescimento regional numa perspectiva comparativa é o método estrutural-diferencial (shift-share). O método shift-share consiste, basicamente, na descrição do crescimento econômico de uma região nos termos de sua estrutura produtiva. Para tanto, são utilizados dados relativos a emprego e, deve-se considerar que não existem diferenças de produtividade da mão-de-obra nos setores entre os municípios.

O objetivo do método é decompor a variação real do emprego de cada setor em cada município, entre o ano-base e o ano t, para verificar o que se deve ao dinamismo interno regional (efeito diferencial ou competitivo) e qual a proporção dessa variação que se origina de fatores nacionais (efeito estrutural ou proporcional) (SOUZA e SOUZA, 2004). Para isso, o método divide o crescimento regional em três componentes: o componente nacional5, o componente estrutural (ou proporcional) e o componente diferencial (ou competitivo).

O componente nacional (EN) mostra a parte da evolução do produto ou do emprego de uma região devida apenas ao crescimento dessa mesma variável no país, no estado ou na economia de referência. Matematicamente, ele pode ser expresso da seguinte maneira:

EN = Eij0 (e – 1)

onde Eij0 é o emprego ou produto do setor i na região j; e = E1/E0 é o produto ou emprego total do país, estado, ou economia de referência do ano final sobre a mesma variável no período inicial.



O efeito diferencial ou competitivo (ED) indica quais os setores crescem e/ou quais decrescem mais rapidamente quando compara-se uma região com outra, levando-se em consideração a existência de vantagens quanto à sua localização. Em outras palavras, componente diferencial indica a parte do crescimento do emprego regional gerada por vantagens locacionais que fazem com que determinados setores possam crescer mais rapidamente em determinada região do que em nível estadual ou nacional. O sinal apresentado pode ser positivo ou negativo para um dado setor, o que indica se o município apresenta vantagens ou desvantagens em relação ao Estado para a produção nesse setor. Se for positivo, mostra que naquela região o setor cresce a taxas superiores ao Estado, em função de possíveis vantagens locacionais (mão-de-obra qualificada, incentivos fiscais, fonte de matérias–prima, etc). Matematicamente tem-se:
ED = Eij0 (eij – ei)
onde eij = Eij1/Eij0 , que representa o produto ou emprego do setor i na região j no ano final sobre a mesma variável no período inicial.




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