Comparação do ganho de força muscular de extensores do joelho entre mecanoterapia e um padrão de treino funcional utilizando pesos livres



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Comparação do ganho de força muscular de extensores do joelho entre mecanoterapia e um padrão de treino funcional utilizando pesos livres
Marina Zili (PIBIC/CNPq/Unioeste), Juliana Cristina Frare(Orientadora), e-mail: jcfrare@yahoo.com.br
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Biológicas e da Saúde/Cascavel-PR
Grande área e área: Ciências da Saúde – Fisioterapia e Terapia Ocupacional
Palavras-chave: força muscular, musculação, quadríceps
Resumo
O ganho de força muscular tem-se mostrado favorável em diversos aspectos e está relacionado com o princípio da sobrecarga. É necessário ter clareza a respeito da conduta selecionada em um treinamento com qualquer que seja o objetivo. O objetivo foi comparar o ganho de força muscular do quadríceps entre duas formas de cinesioterapia. As voluntárias foram randomizadas em 3 grupos: grupo mecanoterapia (GM), grupo treino funcional (GTF), grupo controle (GC). Foi realizada uma avaliação pré e pós intervenção da força muscular através do teste de 3 saltos consecutivos baseado na altura do salto. A intervenção foi realizada em 15 sessões 3 vezes por semana em dias alternados, sendo 3 séries de 8 repetições com intervalo de 3 minutos entre as séries. O grupo controle não recebeu intervenção. A prescrição da carga foi determinada pelo teste de 1 repetição máxima (1RM) e o fortalecimento foi realizado a 70% da RM obtida no teste. Para análise estatística os dados foram tabulados no Microsoft Excel (Microsoft Office v.2007) e em seguida foi aplicado o teste de Shapiro-Wilk para avaliar a distribuição normal dos dados. Para determinação de diferenças entre os grupos, foi utilizado o teste T de Student para amostras independentes, conforme a normalidade dos dados. O nível de significância foi de α = 0.05. Não houveram diferenças significativamente relevantes quando analisado a força muscular entre os 3 grupos. Quinze sessões de fortalecimento, em qualquer forma de aplicação foi insuficiente para o aumento da força muscular.
Introdução
O ganho de força muscular tem-se mostrado favorável no aprimoramento do desempenho físico-funcional, no aumento da potência muscular e na melhora da composição corporal (Silva et al., 2008 e Hanson et al. 2009).

Um dos equipamentos mais utilizados com o objetivo de fortalecer o quadríceps é a cadeira extensora. Estudos evidenciam resultados obtidos através do treinamento na cadeira extensora como fortalecimento dos extensores de joelho, aumento do consumo máximo de oxigênio pelo músculo e melhora da potência aeróbia (Dias et al., 2005, Pereira, 2006 e Souza et al., 2008). No entanto, os equipamentos utilizados na prática de musculação limitam o movimento impedindo que o indivíduo consiga realizar movimentos funcionais utilizados em atividades de vida diária ou que reproduzam determinados gestos atléticos, o que pode ser alcançado realizando o treinamento com pesos livres (ACSM, 2010).

Levando em consideração a importância do fortalecimento muscular para a prevenção, manutenção e promoção da saúde nos diversos aspectos expostos, tendo em vista a importância da escolha da conduta adequada para se alcançar um objetivo, observando as vantagens que o treinamento funcional com pesos livres e o trabalho de estabilidade central possui, se faz necessário o aprimoramento do estudo dos métodos comumente utilizados na fisioterapia assim como de novas propostas de treinamento resistido que possam promover outros benefícios além dos inicialmente almejados.

O objetivo do estudo foi comparar o ganho de força muscular do quadríceps entre duas formas de cinesioterapia para fortalecimento: mecanoterapia através de uma cadeira extensora e um padrão de treino funcional utilizando pesos livres.


Materiais e Métodos
Trata-se de um estudo série de caso controle. A amostra foi composta por 36 voluntárias saudáveis com faixa etária entre 18 e 25 anos. Elas foram randomizadas em 3 grupos: grupo mecanoterapia (GM), grupo treino funcional (GTF) e grupo controle (GC), sendo cada grupo composto por 12 mulheres.

As avaliações da força muscular consistiram em um teste de 3 saltos consecutivos sobre uma placa de contato conectada a um sistema denominado MultisprintFull (software Multisprint). Os avaliadores da foram cegos com relação aos 3 grupos.

Para prescrever a carga utilizada na intervenção ambos os grupos realizaram o teste de 1 repetição máxima (1RM).

Ambos os grupos realizarão o fortalecimento dos extensores do joelho 3 vezes por semana em dias não consecutivos, totalizando 15 sessões de intervenção. A carga adotada será de 70% de 1RM e cada sessão será composta por 3 séries de 8 repetições (Ratamess et al., 2009) havendo um intervalo de 3 a 5 minutos entre as séries (Salles et al., 2009).

Para análise estatística os dados foram previamente tabulados de forma descritiva no Microsoft Excel (Microsoft Office v.2007) e em seguida foi aplicado o teste de Shapiro-Wilk para avaliar a distribuição normal dos dados. Após isso realizou-se a exploração dos dados pela média. Para determinação de diferenças entre os grupos foi utilizado o teste T de Student para amostras independentes, conforme a normalidade dos dados. Todas as análises foram conduzidas com auxílio do pacote estatístico SPSS (Statistical Package for Social Sciences, v. 17), e o nível de significância para todas as comparações estatísticas foi de α = 0.05.
Resultados e Discussão
Tabela 1 – Médias de altura do salto obtidas no teste de 3 saltos antes e após a intervenção do GM, GTF e GC.


GM

GTF

GC

Média pré

Média pós

Média pré

Média pós

Média pré

Média pós

21,7 ± 2,5

22,0 ± 2,3

19,9 ± 3,6

19,1 ± 3,4

21,3 ± 3,8

20,8 ± 3,7

(GM - Grupo mecanoterapia, GTF grupo treinamento funcional e GC grupo controle).


Não houveram diferenças estatísticas significativamente relevantes quando analisado a força muscular indiretamente baseada na altura do salto entre os 3 grupos sendo os valores de p=0,56 e f=0,85.

As médias de altura do salto do GM, GTF e GC estão expressos na tabela 1.


Conclusões
Conclui-se que a o treinamento de 15 sessões de fortalecimento muscular, seja através da mecanoterapia seja através de um padrão de exercício funcional, não foi o suficiente para o aumento da força muscular, quando baseado em um teste de saltos.
Agradecimentos
A Fundação Araucária pelo auxílio financeiro durante o período de realização da pesquisa, ao Centro de Reabilitação Física da UNIOESTE e ao Laboratório de Pesquisa do Movimento Humano (LAPEMH) pelo espaço e instrumentalização cedidos que possibilitaram este trabalho e a todos que de alguma forma contribuíram para o desenvolvimento desta pesquisa.
Referências
ACSM - AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE. (2010). Resourses for the personal trainer.
Dias, R.M.R., Cyrino, E.S., Salvador, E.P., Nakamura, F.Y., Pina, F.L.C & Oliveira, A.R. (2005) Impacto de oito semanas de treinamento com pesos sobre a força muscular de homens e mulheres. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. 11, 224-228.
Hanson, E.D., Srivatsan, S.R., Agrawal, S., Menon, K.S., Delmonico, M.J., Wang, M.Q., Hurley, B.F. (2009). Efeitos do treinamento de força na função física: influencia do poder, força e composição corporal. Journal of Strengthand Conditioning Research. 23, 2627-2637.
Pereira, M.A.G. (2006). Análise da capacidade functional do quadríceps na mesa extensora em mulheres com osteoartrite de joelho. Dissertação de Mestrado (Engenharia Biométrica). Universidade do Vale do Paraíba Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento.
Ratamess, N.A., Alvar, B.A., Evetoch, T.K., Housh, T.J., Kibler, W. B., Kraemer, W.J. & Triplett, N.T. (2009). Progression Models in Resistance Training for Healthy Adults. Medicine and Science in Sports and Exercise. 41, 687-708.
Salles, B.F., Simão, R., Miranda, F., Novaes, J.S., Lemos, A. & Willardson, J.M. (2009). Rest interval between sets in strength training. Sports Medicine. 39, 765-777.
Souza, T.M.F., Cesar, M.C., Borin, J.P., Gonelli, P.R.G., Simões, R.A. & Montebello,, M.I.L. (2008). Efeitos do treinamento de resistência de força com alto número de repetições no consumo máximo de oxigênio e limiar ventilatório de mulheres. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. 14, 513-517.



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