Como conservar corretamente os instrumentos cirúrgicos



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COMO CONSERVAR CORRETAMENTE OS INSTRUMENTOS CIRÚRGICOS
Introdução
Os instrumentos cirúrgicos representam um investimento elevado. Portanto espera-se que estes sejam duráveis e cumpram a função a que se destinam. Porém, estes aspectos podem ser comprometidos se o instrumento cirúrgico for manuseado de forma inadequada tanto durante sua utilização, quanto no seu reprocessamento (limpeza, esterilização e acondicionamento). Com o intuito de oferecer esclarecimentos e recomendações que tem como objetivos preservar a integridade e aumentar da vida útil do instrumental cirúrgico, a EDLO apresenta a 3ª edição do seu Manual de Conservação de Instrumentos Cirúrgicos.
OS INSTRUMENTOS E SUA FABRICAÇÃO
Matéria-prima
A grande maioria dos instrumentos cirúrgicos de melhor qualidade é fabricada em aço inoxidável. Especificações oriundas de normas técnicas internacionais como as normas DIN (Deutsches Institut für Normung), norteiam tanto o processo de fabricação do aço nas usinas siderúrgicas, quanto o de fabricação dos instrumentos cirúrgicos. Porém, isto não significa que todas as empresas fabricantes de instrumentos cirúrgicos sigam estas normas.

Atualmente, existe uma ampla variedade de aços inoxidáveis, mas as alternativas disponíveis para fabricação dos instrumentos são muito restritas devido à condição a que os mesmos serão submetidos para que possam ser utilizados. Em função disto, a EDLO realiza em laboratório próprio, diversos testes com vários tipos de aço inoxidável, visando um maior controle da matéria-prima. Neste sentido a EDLO obtém corridas especiais de aço fabricados sob encomenda e com composição especial, onde os elementos de liga do aço inoxidável seguem rigorosamente a especificação proposta à usina. Cada lote de aço recebido é submetido à análise para confirmação de suas especificações, com isso, garante-se a utilização da melhor opção de matéria-prima para a confecção de cada produto.


Aço inoxidável. O que isto significa?
É muito comum a idéia de que o aço inoxidável é um metal inalterável, totalmente indestrutível, assim grande parte dos usuários de instrumentos cirúrgicos considera que não há necessidade de maiores cuidados com este tipo de material, deixando a manutenção dos mesmos num plano secundário. Desta forma, muitos ficam surpresos ao descobrir que seus instrumentos de aço inoxidável não são tão “inoxidáveis” quanto imaginavam, após os mesmos terem sido submetidos a ataques de ordem física, térmica ou química. Este fato está relacionado à própria composição química deste tipo de aço: - uma liga a base de ferro, carbono, cromo, manganês, silício, molibdênio, enxofre e fósforo. Os três primeiros são elementos base da liga. O ferro é o elemento base da liga, ou seja, o elemento predominante, o cromo é o elemento que confere a inoxidabilidade ao aço, e em geral, quanto maior a sua quantidade na liga, maior será a resistência à corrosão. Por sua vez o carbono reduz a resistência à corrosão. O carbono é necessário em função da necessidade de dureza e propriedades mecânicas requeridas pelo instrumental, já que estes necessitam de bordos extremamente afiados ou uma perfeita justaposição de serrilhas. Infelizmente, as ligas mais apropriadas para a fabricação de instrumentos cirúrgicos contêm baixo teor de cromo e alto teor de carbono, ou seja, são menos resistentes as corrosões.

Procurando reduzir a probabilidade de corrosão nestas ligas de aço inoxidável, são utilizados alguns processos especiais durante a fabricação do instrumental:


A) Passivação

Este é um processo eletroquímico, onde o instrumento é submetido ao contato com soluções ácidas que agem sobre a sua superfície promovendo regeneração do filme passivo de óxido de cromo sobre a superfície do material, conferindo, assim, a resistência à corrosão do aço inoxidável.


B) Polimento

Através de polimento mecânico são removidas áreas de possível ataque de corrosão, produzindo-se uma superfície lisa e brilhante proporcionando um filme contínuo e uniforme de óxido de cromo. Devido a isto, superfícies que não apresentam um polimento adequado serão as primeiras a sofrer corrosão. Assim, instrumentos com acabamento fosco, cujo benefício é a redução de reflexos no campo operatório, são mais propensos a apresentar corrosão na superfície, razão pela qual exigem maiores cuidados de conservação que os instrumentos brilhantes.


OS INSTRUMENTOS E SUA CONSERVAÇÃO
A padronização dos procedimentos de limpeza e esterilização dos instrumentais, busca dentre outros aspectos garantir uma maior durabilidade dos mesmos Seguindo este objetivo abordaremos orientações a respeito de cuidados e procedimentos que são dirigidas aos profissionais evolvidos no reprocessamento e utilização do instrumental cirúrgico.
A água
E
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Água desmineralizada: isenta de substâncias minerais/ salinas

Água destilada: isenta de substâncias iônicas, salinas e minerais.

Água deionizada: isenta de substâncias iônicas


ste é um item crítico no processo de limpeza do instrumental cirúrgico em razão da procedência e do tipo de tratamento que a mesma é submetida, uma vez que esta pode apresentar uma grande concentração de cloreto de sódio, elementos particulados, desequilíbrio do pH. Estes fatores combinados podem acelerar o processo de deterioração do instrumental ou favorecer a incrustação de precipitados minerais provocando corrosão. O íon cloro age no aço inoxidável reduzindo sua resistência à corrosão, ocasionando pontos localizados denominados “pites”, além de favorecer o surgimento de fissuras em áreas tensionadas, acarretando rompimento do instrumental. Temos ainda a presença de íons de metais pesados, tais como, ferro, cobre, manganês, etc., que podem depositar-se sobre a superfície dos instrumentos provocando o aparecimento de manchas coloridas, marrons, azuladas ou com as cores do arco-íris. Esta alteração superficial não se constitui imediatamente em um processo de corrosão, mas poderá vir a sê-lo. A água empregada nos processos de limpeza e esterilização deve apresentar- se dentro de certos limites, a fim de assegurar a redução da corrosão. O ideal é a utilização de água desmineralizada, deionizada ou destilada (DDD), ou a instalação de filtros de água e vapor na área de reprocessamento e esterilização do material, visando cumprir os limites estabelecidos na norma NBR 11816/2003.

Detergentes
São soluções químicas que têm a propriedade de umidificar substâncias que são insolúveis ou que possuem baixa solubilidade, auxiliando a remoção da sujidade. Eles podem ser iônicos (detergentes comuns) ou enzimáticos.
Detergentes iônicos
Agem basicamente sobre as gorduras, tendo pouco efeito sobre proteínas e polissacarídeos, que são componentes abundantes da matéria orgânica. Como estes detergentes possuem pouca atividade sobre a matéria orgânica, exige-se uma escovação rigorosa dos artigos, tornando o processo de limpeza demorado, expondo os usuários a riscos ocupacionais, além de acelerar o processo de oxidação dos artigos.
Detergentes enzimáticos
São detergentes neutros não irritantes que possuem na sua composição substâncias químicas denominadas enzimas, surfatantes e solubilizantes que tem a capacidade de decompor a matéria orgânica (pus, fezes, sangue, gordura...) presente nos artigos em curto espaço de tempo e sem causar danos aos artigos e ao meio ambiente.

As enzimas existentes no detergente enzimático são basicamente de três tipos:

- proteases: decompõem as proteínas;

- amilases: decompõem os polissacarídeos;

- lipases: decompõem as gorduras.
Desincrostantes
São substâncias abrasivas, altamente iônicas, com elevado teor de cloreto, uma vez que a propriedade detergente destas soluções resulta de uma estrutura molecular onde um radical orgânico está ligado ao íon cloro. Atuam revitalizando o instrumental removendo ferrugem, crostas, manchas de oxidação, ou seja, devolvendo ao instrumental a aparência de novos.

Estes produtos embora possam provocar oxidação são às vezes necessários. Visando minimizar a ação nociva destes produtos deve-se seguir à risca as instruções de utilização fornecidas pelo fabricante.


Limpeza
A limpeza consiste num banho em solução de detergente com água aquecida, tão logo os instrumentos deixem de ser utilizados. O detergente deve ser utilizado na concentração e tempo indicados pelo fabricante. A água deve ficar com a temperatura entre 35°C e 45°C, uma vez que acima desta as enzimas do detergente podem não funcionar adequadamente.

O principal objetivo desta operação é a remoção de resíduos orgânicos (sangue, pus, gordura...), substâncias químicas (água oxigenada, álcool, éter, iodo...), e outras secreções.

Independentemente do processo de limpeza utilizado, este deve ser realizado o mais precocemente possível, pois, quanto mais tempo demorar, maior será a dificuldade para remover os resíduos existentes nos instrumentos.

Os instrumentos novos, que nunca foram utilizados, devem ser lavados e inspecionados antes de serem conduzidos à esterilização.

O processo de limpeza pode ser realizado de três maneiras:

- limpeza manual;

- limpeza por ultrassom;

- limpeza por lavadora termodesinfectadora (limpeza automatizada).


Considerações gerais quanto ao processo de limpeza
- separação dos instrumentos. Os instrumentos devem ser separados por grau de delicadeza e espécie, visando sua preservação alem de evitar acidentes. Os instrumentos delicados devem ser lavados separadamente. Os leves devem ser acondicionados na cuba de lavagem sobre os pesados. A separação por espécie é realizada também com o objetivo de facilitar a limpeza.

- manuseio dos instrumentos. Manusear pequenas quantidades de material de cada vez, garantindo um tratamento delicado, evitando pressões desnecessárias.

- abrir instrumentos articulados. Tesouras, pinças, porta-agulhas, ou seja, instrumentos com articulação deverão ser colocados em posição aberta. As peças dos instrumentos desmontáveis, devem ser submetidas a limpeza isoladamente.

- padronização dos procedimentos de limpeza. Os procedimentos de limpeza devem ser padronizados, a fim de garantir que este processo seja executado da mesma maneira, reduzindo tempo, danos aos instrumentais e exposição ocupacional, alem de garantir a qualidade do processo.
Limpeza manual
Os procedimentos de limpeza devem ser realizados utilizando-se EPI´s (Equipamentos de Proteção Individual - óculos, máscara, gorro, botas, avental impermeável de mangas longas e luvas de borracha).

Os instrumentos que apresentam áreas críticas de limpeza e de difícil acesso, podem reter tecidos orgânicos, secreções ou outras substâncias, impossibilitando uma remoção eficaz destes. Realiza-se a escovação individual do instrumental, peça a peça, sob água morna corrente, utilizando-se sabão neutro ou detergente enzimático. A escovação das partes serrilhadas deve seguir a linha da serrilha. Deve-se também limpar atentamente as articulações e cremalheira, pois estes locais são propensos a um acúmulo de sujidade.

As escovas utilizadas devem possuir cerdas macias (nylon), visando preservar a integridade física do instrumental. Nunca se deve utilizar materiais abrasivos na limpeza do instrumental, tais como, palhas ou espojas de aço, pois além de marcar e ocasionar microfissuras no instrumental, estes provocam a remoção do filme passivo protetor do substrato metálico, favorecendo o aparecimento da corrosão.
Limpeza por ultrassom
No processo de limpeza ultrassônica, ocorrem micro-explosões das moléculas de ar deslocando a sujidade das superfícies que estão em contato com a solução de limpeza. Para garantir a qualidade, os instrumentais devem ser submetidos a uma limpeza prévia, eliminando os resíduos grosseiros de sujidade, principalmente nas partes serrilhadas e articulações, evitando que o processo torne-se ineficaz ou ineficiente.

Todo artigo deve entrar em contato com a solução de limpeza, inclusive os lúmes e canais. O tempo mínimo de 03 minutos,, numa freqüência de 25 a 40 kHz é o suficiente para promover a limpeza do instrumental. A concentração elevada de resíduos na cuba do ultrassom comprometerá a eficiência da limpeza. Outro fato a ser observado com atenção especial deve-se ao detergente utilizado, uma vez que este deverá possuir pH neutro e produzir a menor quantidade de espuma possível.

Os instrumentos delicados devem ser colocados com cuidado, evitando-se o contato entre si, uma vez que as vibrações podem acarretar o desgaste prematuro.
Limpeza por lavadora termodesinfectadora
Os processos automáticos de limpeza são realizados por equipamentos específicos que executam as diversas etapas do processo de limpeza do instrumental cirúrgico, como pré-lavagem, detergência, enxágüe, desinfecção, enxágüe e secagem, garantindo um processo padronizado, além de reduzir a exposição dos profissionais a agentes infectantes ou contaminantes.

Os instrumentos que serão submetidos à limpeza devem ser separados por peso, tamanho, tipo de sujidade acondicionando-os em cestos apropriados. O carregamento da câmara com os cestos e a escolha do ciclo de limpeza depende da sujidade do instrumental e deve seguir especificações do fabricante e normas da instituição.


Enxágüe
Após a completa limpeza dos instrumentos, através de lavagem manual ou ultra-sônica, deve-se realizar um enxágüe de modo a remover completamente qualquer resíduo de espuma, substância detergente. Visando um melhor enxágüe dos instrumentos articulados, estes devem ser abertos e fechados diversas vezes durante este processo. Recomenda-se a utilização de água DDD a uma temperatura em torno de 40 a 60ºC para facilitar a secagem.
Secagem
Após o enxágüe os instrumentos devem ser totalmente secos com tecido de algodão macio e absorvente, ou jato de ar comprimido. Deve-se evitar que os instrumentos sequem “ao natural”, já que neste caso elementos da composição da água poderão agregarar-se à superfície do instrumento. Quanto aos instrumentos articulados deve-se dar atenção especial à articulação, buscando remover a totalidade da água do seu interior.

Inspeção
Após a limpeza e antes da esterilização, deve-se proceder a um minucioso exame individual de cada peça.

  • Materiais com presença de sujidade: encaminhá-los para novo processo de limpeza

  • Materiais danificados: encaminhá-los para conserto na assistência técnica recomendada pelo fabricante

  • Materiais com vestígios de corrosão: encaminhá-los à assistência técnica evitando que o processo de corrosão ser espalhe aos demais instrumentos

Os materiais que durante a inspeção apresentarem condições ideais de uso devem ser submetidos ao processo de revitalização.


Revitalização/ Lubrificação
Utiliza-se um produto neutro, hidrossolúvel que age através da formação de uma película protetora sobre a superfície do instrumental favorecendo a maleabilidade e prevenindo o surgimento de pontos de oxidação sobre estes. Deve ser atóxico e permeável ao vapor, portanto não há necessidade de sua remoção antes do processo de esterilização.

A utilização de vaselina não é recomendada, pois esta forma uma fina camada na superfície do instrumental, sob a qual esporos podem resistir à esterilização.

Após o processo de revitalização, os instrumentais são enviados para acondicionamento e esterilização.
Manutenção
Instrumentos que porventura necessitem e/ou permitam reparos, devem ser enviados à manutenção em empresa recomendada pelo fabricante, pois pessoas não credenciadas/habilitadas poderão alterar as características do instrumento, fazendo com que as responsabilidades por parte do fabricante, inclusive a garantia do produto sejam interrompidas.

Não é recomendada a solda de instrumentos, pois o aquecimento provoca alterações microestruturais que comprometerão a sua vida útil, podendo vir a causar, inclusive, novas quebras.


ESTERILIZAÇÃO
Considerações Gerais sobre Esterilização
O processo de destruição de todas as formas de vida microbiana (bactérias, fungos, vírus e esporos) é chamado de esterilização.

A escolha do processo de esterilização deve ser adequada ao tipo e rotatividade do material, considerando ainda a sua praticidade, segurança ao paciente, recursos humanos que o manipulam, os riscos ao meio ambiente e o custo do processo.

Para a esterilização de artigos hospitalares, dispoe-se de vários métodos, no entanto deve-se lembrar que a esterilização jamais será atingida com instrumental sujo.

As recomendações do fabricante do aparelho esterilizador quanto a volume e a disposição da carga dentro do mesmo deverão ser levadas em consideração.

Não é aconselhada a esterilização de instrumentos de aço inoxidável juntamente com material cromado, uma vez que pode ocorrer a formação de uma película escura sobre o instrumental de aço inoxidável, alterando o aspecto visual, além da possibilidade de influir no comportamento mecânico do mesmo. Pode haver a formação de um depósito eletrolítico sobre a superfície do instrumental de aço inoxidável devido à contaminação por parte do instrumental cromado se este possuir fissuras na sua superfície.
Métodos de Esterilização


  • Esterilização por vapor saturado sob pressão

A esterilização se dá pela termocoagulação das proteínas bacterianas que ocorre pela exposição dos artigos ao vapor num determinado tempo (3 a 30 minutos ou 1 hora em situações especiais como a doença de Creutzfeld-Jacob) e temperatura (121-134°C) dependendo do equipamento. É importante um controle dos parâmetros operacionais (tempo, temperatura e pressão) evitando danos ao instrumental e garantindo a segurança do processo.

É indicado para esterilização de instrumental termo-resistentes, e que permitam a penetração do vapor, contudo a autoclave a vapor oferece um ambiente bastante agressivo uma vez que envolve calor, pressão e umidade.

Além dos cuidados referentes à qualidade da água abordada anteriormente, recomenda-se:




  • Limpeza sistemática da esterilizadora removendo sujeiras e excesso de óxido de ferro (ferrugem) preferencialmente através de técnicos treinados e autorizados pelos fabricantes.

  • A autoclave não deve ser aberta prematuramente, pois isto permite a entrada de ar frio no interior da autoclave, resultando em uma rápida condensação do vapor que irá depositar resíduos sobre a superfície do instrumental, ocasionando o surgimento de manchas e fissuras em razão da mudança brusca de temperatura.

  • O tecido de algodão que é utilizado como embalagem neste processo de esterilização deve ser submetido a um enxágüe rigoroso no seu processamento, uma vez que resíduos de detergente, alvejantes e outras substâncias podem provocar manchas ou oxidação nos instrumentais.

  • Os instrumentais que possuem peças desmontáveis deverão ser esterilizados desmontados, permitindo a penetração do vapor.

  • Os instrumentos articulados devem ser esterilizados na posição aberta, evitando o fenômeno "corrosão-tensão", especialmente em áreas vulneráveis como articulação, serrilha e hastes.




  • Calor seco

A esterilização ocorre pela desidratação e coagulação dos microorganismos. As recomendações quanto à temperatura e tempo de exposição dos materiais diferem muito. Os parâmetros mais utilizados são tempo, que varia de 60 a 180 minutos e temperaturas entre 150 e 170° C.

Este processo de esterilização embora ainda usado em algumas instituições, só deve ser utilizado como última escolha devido à dificuldade de garantir a esterilização pela variação da temperatura no interior da câmara e também pela sua agressividade ao material.


  • Radiação Ionizante

O processo de esterilização ocorre pela alteração da composição molecular das células as quais sofrem ionização.

É empregada basicamente a nível industrial devido ao alto custo e necessidade de controle da Comissão Nacional de Energia Nuclear, uma vez que utiliza o cobalto 60 (raio gama) e o iodo 135 (raio beta).

É indicado para materiais termosensíveis e peças cromadas




  • Plasma de Peróxido de Hidrogênio

A esterilização ocorre pela desestruturação das membranas celulares. Tem ação bactericida, esporicida, fungicida e virucida.

A temperatura varia de 40 a 55°C e o tempo de ciclo de 58 a 74 minutos. As embalagens utilizadas (tivek®, mylar e manta de polipropileno) e os materiais e artigos (aparelhos eletrônicos, endoscópios, serras e instrumentais) devem ser compatíveis com o processo.

É um processo atóxico, seguro, rápido, utiliza baixa temperatura e atinge amplo espectro bacteriano.




  • Sistema automatizado com ácido peracético

A esterilização ocorre pela ação oxidante, atuando na parede e interior da célula, danificando o sistema enzimático e destruindo o microorganismo.

O sistema opera com temperatura de 50 a 56°C e o tempo de processamento varia de 30 a 45 minutos.

O material deve ser utilizado imediatamente após o término do processo, visto que os cestos utilizados para o seu acondicionamento não são hermeticamente fechados.

O ácido peracético por ser um produto corrosivo, deve apresentar um inibidor de corrosão na sua formulação.


  • Vapor de Baixa Temperatura e Formaldeído Gasoso

A esterilização ocorre pela coagulação das proteínas do citoplasma por meio de temperaturas que variam de 50 a 60°C com exposição de 180 a 330 minutos.

A embalagem (papel grau cirúrgico e combinação de filme plástico e papel) e os artigos devem ser compatíveis com o processo.


  • Óxido de Etileno

Este método de esterilização ocorre pela alquilação dos componentes celulares básicos.

Utiliza temperaturas entre 50 e 60°C, o processo varia de 3 a 7 horas, acrescido de uma aeração forçada para remoção do gás e seus derivados tóxicos residuais de 8 a 12 horas.

Salienta-se que há necessidade de aguardar a liberação dos testes bacteriológicos (bacillus subtillis) em 48 horas, para confirmar se o processo de esterilização foi eficaz.

As embalagens utilizadas são o papel grau cirúrgico, combinação de papel com filme plástico, papel crepado e TNT (tecido não tecido)

Possui amplo espectro microbiano, boa penetrabilidade, não é corrosivo e não danifica objetos, mas pela sua toxidade, efeitos carcinogênicos, mutagênicos, neurotóxicos e teratogênicos além de ser inflamável e explosivo o mesmo é recomendado somente para materiais que não possam ser submetidos a outros processos.


OBS. Todos os métodos de esterilização devem ter seus processos validados para garantia da esterilidade do produto.
IDENTIFICANDO E RESOLVENDO PROBLEMAS
A seguir serão abordados os problemas que ocorrem com maior freqüência no instrumental cirúrgico, como manchas e corrosão, suas causas e possíveis soluções. De modo geral, estas podem ocorrer em função de:


  • contato prolongado com iodo, sangue, restos de tecidos, cloreto de sódio, bicloreto de mercúrio, ou ainda, um longo espaço de tempo entre a utilização do instrumental e o início do processo de limpeza;

  • lavagem insuficiente;

  • água não atende os parâmetros estabelecidos pela norma ISO 11.134;

  • agregação de produtos de limpeza ou desinfecção;

  • utilização de detergentes agressivos ao aço inoxidável;

  • permanência prolongada em soluções desincrostantes ou esterilizantes;

  • desrespeitar as instruções de utilização dos produtos de limpeza, desinfecção ou conservação dadas pelo fabricante;

  • má qualidade do vapor da autoclave;

  • secagem inadequada;

  • temperatura elevada e tempo prolongado na estufa;

  • esterilização simultânea de instrumentos cromados com os de aço inoxidável;

A seguir trataremos especificamente dos tipos de manchas e corrosão mais comuns.


Manchas superficiais
Problema: Auréolas de coloração superficial sem contorno definido, lembrando cores do arco-íris.

Causas:

  1. íons de metais pesados – ferro, manganês, cobre – na água de lavagem ou autoclave.

  2. alta concentração de substâncias minerais, como cálcio, ou presença de substâncias orgânicas na água de lavagem ou autoclave.

Solução: Para evitar estas manchas a água de enxágüe e da autoclave deverá ser destilada, desmineralizada ou deionizada, em conformidade com o especificado na norma ISO 11.134.
Problema: Resíduos amarelo ou marrom-escuro.

Encontram-se principalmente nos lugares difíceis de limpar. Não devem ser confundidos com oxidação (ferrugem).



Causas:

  1. resíduos protéicos que já estavam incrustados nos instrumentos antes da lavagem;

  2. uso repetido de detergente com água suja, onde resíduos em suspensão se agregam aos instrumentos;

  3. resíduos depositados em soluções químicas desinfetantes não renovadas.

Solução: Manter sempre Limpos os depósitos ou cubas de lavagem e desinfecção.
Problema: Coloração amarelada em todo o corpo do instrumento.

Causa: Superaquecimento no processo de esterilização.

Solução: Realizar aferição periódica do aparelho de esterilização.
Problema: Manchas cinza-azuladas.

  1. Causas: Utilização de substâncias degermantes a frio.

Solução: Certas substâncias quando utilizadas por um tempo prolongado tornam-se corrosivas. A solução degermante deverá ser trocada freqüentemente e observado o tempo recomendado pelo fabricante ou substituí-la por um processo de esterilização.
Corrosão
Problema: Pontos de corrosão por "pites".

É a mais freqüente. Progride rapidamente e causa, em pouco tempo, a deterioração total do instrumento.



Causas: Provocada normalmente por íons halógenos que atuam na superfície do instrumental. Estes íons provêm de soluções salinas, cloreto, iodo, resíduos de secreções, detergentes, desincrostantes, ou soluções desinfetantes sujas.

Solução: Caso o contato direto dos instrumentos com soluções que contenham íons halógenos se faça necessário, deve-se providenciar a imediata lavagem destes após o uso.
Problema: Fissuras por tensões internas ou externas.

Não confundir com rachadura por esforço.



Causas:

  1. utilização ou manipulação inadequada do instrumento;

  2. tensões produzidas pelo brusco aumento ou diminuição de temperatura durante a esterilização;

  3. presença de íons de cloro na água;

  4. esterilização dos instrumentos com a cremalheira fechada, especialmente em autoclaves.

Solução: Manter os instrumentos sempre abertos durante os processos de lavagem e esterilização e utilizar os instrumentos apenas para a função a que se destinam.
Problema: Corrosão nas articulações de pinças, porta agulhas e tesouras.

Causas: Limpeza insuficiente em razão da dificuldade de se atingir a parte interna da articulação.

Solução: Lubrificar periodicamente os instrumentos articulados

Bibliografia

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Meeker, M. H., Rothrock, J. : Alexander Cuidados de Enfermagem ao Paciente Cirúrgico. RJ. 10ª Edição, Ed. Guanabara Koogan SA, 1997
Silva, M. A. A., Rodrigues, A. L., Cezaretti, I. U. R.: Enfermagem na Unidade de centro Cirúrgico. SP. Ed. EPU, 1992




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