Cogeae puc fábia Rímoli. Forjar, o analista interfere na flor já sabida



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COGEAE

PUC
Fábia Rímoli.

FORJAR, O ANALISTA INTERFERE NA FLOR JÁ SABIDA.

Trabalho apresentado ao COGEAE - PUC-SP para obtenção do certificado de especialização na Abordagem Junguiana.




Orientadora: Profa. Dra. Maria Ruth Gonçalves Pereira.
São Paulo

2000

À ressurreição em vida.

À Iracema, do mundo visível e do mundo invisível.

Minha gratidão,
à Maria Ruth Gonçalves Pereira,

por ter comungado comigo;


aos clientes que

estiveram comigo, além da forja;
à Francisco de Assis Rímoli, que me incentivou,

me apoiou e me assistiu, durante toda esta caminhada;
à Hygina C. C. Rímoli, que pediu sabedoria e

clarividência para a realização deste trajeto;

ao Flávio, pela irmandade;
aos ternos e eternos companheiros

desta jornada: Diva, Edson, Elenita;
aos amigos que me acompanharam.
DEDICANDO:


Maria Ruth,


morte, transcende


Noely,


a flor,

Durval,


a flor já sabida,


Heloísa,


resgatada.

Vem cá.

Vamos tomar café

e fazer sonhos.

Um aquece

e o outro

leva a tristeza embora.

SUMÁRIO.

Este trabalho é fundamentalmente um percurso teórico-vivencial, passa pela relação transferencial, pelo espaço propício para receber o outro e pela reação contratransferencial.

Fatos concretos, cenas da realidade, imagens do mundo manifesto são focalizados pela Psicologia Analítica. Poemas, letras de canções, o conto, com símbolos arquetípicos, da Autora - Como fazer sonhos., preexistente a este trabalho, ampliam e presentificam a teoria de Carl Gustav Jung. Falas de pacientes, relatos de ouvintes e a própria experiência da Autora são também percorridos em leitura simbólica.

Tudo em busca da essência, transcendendo uma visão unilateral e temporal para abranger a totalidade.

A relação transferencial e contratransferencial é o fulcro do trabalho. Estuda-se o analista frente ao paciente: o buscar criativamente a essência deste e o forjar coniventemente uma relação; o favorecimento do encontro com a própria essência e o descaminho para o desencontro.

ÍNDICE.

INTRODUÇÃO. ................................................................................ 09


I. ABORDAGEM SIMBÓLICA. ............................................................. 15

Imagens. ........................................................................................... 17

Unidade. ........................................................................................... 18

Polaridades em relação. ................................................................... 20

Transcendência. ............................................................................... 21


  1. FUNÇÃO ESTRUTURANTE E DESESTRUTURANTE

DO SÍMBOLO. ................................................................................. 24
III. TRANSFERÊNCIA. ......................................................................... 27

Transferência segundo a Psicologia Analítica. ................................. 27

Transferência na Relação Terapêutica. ............................................ 41
IV. CONTRATRANSFERÊNCIA. ........................................................... 49
V. O SIGNIFICADO DA CURA NA RELAÇÃO TRANSFERENCIAL. ..... 63

A imagem arquetípica do médico ferido. ............................................ 63

As polaridades saúde/doença. ........................................................... 66
VI. IMAGINAR É REALIDADE. ............................................................. 71
VII. SÍMBOLOS E SIGNIFICADOS. ...................................................... 80

O Fogo. ............................................................................................ 80

A Montanha. ..................................................................................... 82

A Onça. ............................................................................................ 83

A Pedra. ........................................................................................... 84

O Tarô. ............................................................................................. 86


VIII. A REALIDADE LIMITA,

AS IMAGENS DO SONHO PERMITEM. ......................................... 89



Como fazer Sonhos. ...................................................................... 89

O Eu diante do Coletivo. .................................................................. 94

Anima/Animus, apresentam a alma. ................................................. 97


  1. O ENCONTRO DA FLOR JÁ SABIDA. ........................................... 101

O convite para o Encontro. ............................................................. 102

O Eu diante do Outro Eu. ............................................................... 106

O Eu diante de Mim. ...................................................................... 107

Aquecendo, Ouvindo... Relacionando. ........................................... 113




  1. CONSIDERAÇÕES FINAIS. ........................................................... 137

Anexo: Como fazer Sonhos........................................................... 145

Bibliografia. .................................................................................... 150

Summary. ....................................................................................... 153

INTRODUÇÃO.
Acreditando que a caminhada pessoal do terapeuta revela a maneira como se relaciona com o paciente, fui rever o meu caminho. Indagando o que, através da minha vivência, favoreceu com que me importasse com a pessoa que está sentada à minha frente. Assim me remeti ao conto Como fazer sonhos, que retrata a vivência da própria essência. No conto me confrontei com a necessidade de ter intimidade comigo mesma, permitindo ser o que realmente sou, podendo experimentar, viver tudo o que de fato sou, a essência de mim mesma.

Como no conto e na vida acredito no mesmo para o paciente: propiciar que busque a própria essência. Passei a indagar se realmente propicio essa vivência para o paciente.

O analista, ao receber o paciente, o percebe e tenta favorecê-lo na percepção de si mesmo, sendo guiado pelo próprio processo do cliente. O encontro entre paciente e analista favorece que haja um confronto com a essência de ambos. O analista não estando de posse de sua própria essência, guia o paciente segundo sua própria percepção, sua estrutura de pensamento e segundo as reações do seu inconsciente, interferindo no processo, forjando uma relação.

Este trabalho visa a amplificar fatos e cenas da realidade concreta, imagens do mundo manifesto e confrontá-los com a teoria jungiana da qual se aproxima.

Todos eles conduziram para o estudo do procedimento do analista frente ao paciente.

O chamado para a terapia está contido na epígrafe que abre esta monografia e que abre também o conto Como fazer Sonhos, escrito por mim, em 1990 (não publicado), que será amplificado simbolicamente, segundo a teoria de Carl Gustav Jung. Abarca a integração de elementos construtivos e destrutivos, transformando venenos em alimentos, de forma criativa, simbólica. Lidará com conflitos, re-integrando opostos, revisitando histórias pessoais e coletivas.

Pretendo, através da análise do conto, fazer um percurso de como sair da forja criativamente. Esta saída favorece um encontro verdadeiro. O contrário ocasionaria o desencontro. Percorrer um caminho feito para entrar em contato com o outro dentro de si e com o outro que está diante de si, isto é sair da forja.

O convite, que é feito pelo analista, tal como na epígrafe, quando aceito pelo paciente, nos leva a muitos lugares. É preciso nos aquecermos para podermos passar por todos esses territórios. Territórios percorridos em tempestades, calmarias, ansiedades, torturas; solitários, acompanhados, abandonados. Pelo caminho, caminhadura, dura caminhada, sonhos encontrados e perdidos, mal avaliados, barganhados, realizados, velados... Vivenciados com ódio, amor, tristeza, alegria, inquietação, sofrimento, sabedoria, medos, temores, rancores. No caminho, monstros, anjos, deuses, demônios, morte, vida, destruição, construção, terra, água. Muito mais.

Todos trilhamos esses caminhos, entretanto esquecemos de sonhar, de buscar algo que permita criar. Para tanto precisamos considerar todo o nosso vivido e saber fazê-lo, durante toda a jornada. Poderemos, então, favorecer o outro que também vem buscar o mesmo; pelo menos, assim o cremos.

O terapeuta deve identificar e se relacionar com os próprios demônios e deve ter resgatado os seus valores. Mesmo assim necessita coragem para fazer este percurso, acompanhando o seu paciente. Coragem, clareza, pois revisitará vários sonhos perdidos, amedrontadores, claros e escuros e irá se con - doer muito.

Necessitará se aquecer, para estabelecer uma relação de amor com os próprios demônios e com as feridas. Então, poderá propiciar o mesmo a quem chega para mais uma jornada. Terá disposição, como numa relação amorosa, para com tudo o que lhe aparecer. Deverá estar disposto a lidar com cegos, feridos, despedaçados, destruídos, destruidores, mortos, mortos/vivos.

Novos sonhos serão descobertos e novas feridas surgirão. Enquanto umas cicatrizam trazem amor e cura, as mais antigas surgirão, tentando destruir o que foi reconquistado. É necessário paciência e é necessário crer. Continuar junto com o outro, ir até o fundo novamente com ele, mergulhando no seu mundo sombrio, para depois ressurgir com o tesouro sonhado.

Na relação transferencial criamos um espaço para receber o outro, este muitas vezes nos põe em contato com feridas que imaginávamos curadas, ou com demônios já abrigados. Contratransferencialmente reagimos sem nem perceber o que nos abateu. Assim, inconscientemente, não estamos favorecendo o outro na sua caminhada, tornamo-nos mais um errante nesta caminhadura.

Errante como um mendigo que, proibido de ter bens, vive da caridade alheia. O terapeuta, quando não se vê, vive dos valores do paciente.

Por vezes as minhas feridas me revisitam, e nesses momentos, ao invés de ser uma analista que favorece o outro, eu o atrapalho. Este trabalho visa a encontrar o ponto desse desencontro. Que ele também possa ser fértil, como uma semente que se enraíza em terras anteriormente vazias ou áridas; que permita ser percebida a face do analista perturbador do desenvolvimento do paciente; que liberte, analista e paciente, da tristeza. E que, ao encontrá-la, a transforme em novos sonhos.

Existem, na psicologia analítica junguiana, muitos trabalhos desenvolvidos com o tema da transferência e da contratransferência; pretendo teoricamente fazer um trajeto por eles, partindo de Freud, me detendo mais em Jung e passando pelos neo - junguianos. Para elucidar a teoria usarei trechos de poesias, elaboradas por escritores, pelos clientes e por mim; usarei também letras de canções e o conto Como fazer Sonhos. Relativos a este conto serão apresentadas falas de pacientes, ampliando traços teóricos, como também relatos da vivência dos ouvintes do conto em dois grupos de literatura; assim como a experiência própria ao re - ler algo criado há dez anos.

Os conceitos vivenciados promovem uma dialética atemporal, os fatos não sendo vistos numa temporalidade linear ganham significados, passam a fazer sentido e o ser humano se situa diante deles, do outro e do Cosmos, com uma dimensão de si mesmo, não mais dividido pelos conflitos, transcendendo polaridades.

É necessário que o analista viva esta transcendência para ter uma visão global do paciente. Um dos aspectos mais destrutivos do ponto de vista psicológico é a visão unilateral e temporal, com perda de qualquer consideração pela totalidade.

O analista é um ser humano que pelas próprias vivências possui feridas, é necessário ter consciência de sua própria ferida e experimentá-la a fim de que ela não contamine o outro cada vez que este a trouxer. No outro pólo, existe um curador interior dentro de cada um de nós, portanto, dentro do analista e do paciente. O paciente busca alguém que cure e não tem consciência do seu pólo curador. Se o analista ficar em contato somente com o seu pólo curador e não tiver consciência das suas feridas, da sua própria doença psíquica, vai ser contaminado pelo paciente, viver a infecção psíquica, contaminar-se sem ter consciência, não integrando a ferida como possibilidade de cura.

O terapeuta que vive a unilateralidade, ao se relacionar com o cliente, se torna conivente, forjando a relação, domando o ser e não favorecendo que ele encontre a própria essência. A projeção do terapeuta no cliente deturpa o arquétipo da criação e o lado criativo, inocente, passa a ser julgado como tolo, débil. Assim o analista tende a conduzir para uma transformação que julga necessária, abandonando o lado criativo que o conduziria à própria essência.

É necessário encontrar o ponto de equilíbrio interno entre as polaridades ferida e cura, configurando o princípio gerador e criador. Através de uma perspectiva simbólica, a partir da leitura da realidade para que veneno/ferida/destruição e alimento/cura/construção transcendam as polaridades. Que o ser não mais dividido deixe de viver unilateralmente, não mais projetando no outro um dos pólos fora de si, seja no terapeuta ou no paciente, saindo da transferência, como projeção e buscando o encontro entre dois seres, e da contratransferência.

I. ABORDAGEM SIMBÓLICA.

Culturalmente aprendemos a abordar a realidade orientados pelo fato e pela lógica, definindo tudo através de conceituações literais, abstratas e impessoais. Jung em sua abordagem propõe o uso das faculdades intuitivas e emocionais, para juntamente com as estruturas de pensamento fazer uma leitura da realidade, interagindo com todos os elementos cognitivos e afetivos que possuímos. A lógica racional é incapaz de nos oferecer respostas adequadas à compreensão da vida e à sua vivência, causando um desequilíbrio psíquico.

A abordagem simbólica abarca a experiência de algo indefinido, intuitivo ou imaginativo, a sensação de algo que não pode ser conhecido ou transmitido de nenhuma outra maneira. Não podemos falar da psique como algo estanque, definido e linear, que é ou não é, que seja isto ou aquilo.

A preocupação de Jung era mostrar que a intuição, a emoção e a capacidade de perceber e de criar por meio de símbolos são modos básicos de funcionamento humano, assim como a percepção através dos órgãos do sentido e através do pensamento.

Um símbolo para Jung é a expressão de uma experiência espontânea que aponta para além de si mesma, na busca de um significado não transmitido originalmente. Não é a designação abstrata convencionada para um objeto específico.

Jung define um símbolo como



A melhor descrição, ou fórmula, de um fato relativamente desconhecido; um fato todavia postulado ou reconhecido como existente. Não se trata de um signo arbitrário ou intencional que representa um fato conhecido e concebível, mas de uma expressão (...). (Apud Whitmont, 1995, p. 18.)

A experiência simbólica não é feita por nós, ela nos acontece. Como toda função básica, ela continua a atuar, consciente ou inconsciente. Podemos pensar a experiência simbólica como função reveladora do inconsciente.

A necessidade predominante do homem é sentir apaixonadamente alguma coisa - encontrar significado e propósito - o que transcende as preocupações do ego. O impulso para o significado na psique, existe desde o nascimento, como um instinto.

De acordo com Jung o anseio de significado é



A mola propulsora que impulsiona a busca dos demais aspectos da psique, incluindo a própria consciência do ego. (Apud Nichols, 1995, p.171.)
Imagens.

As imagens surgem como portadoras de mensagens que estão faltando, em conseqüência de opiniões e convicções unilaterais do consciente. A pressão crescente das imagens é a necessidade de se estabelecer um equilíbrio psíquico.

Assim Hillman (1995) vê:

A experiência nunca é crua ou bruta; é sempre construída por imagens que são reveladas nas narrações do paciente. A fantasia na qual o problema está projetado diz mais sobre a maneira com que o problema está construído e como ele pode ser transformado (reconstruído) do que o faz qualquer tentativa de analisar o problema em seus próprios termos. (p.78.)

As imagens constelam qualidades emocionais e imaginativas, assim reconstituem uma conexão que o processo abstrato cortou. Estabelece uma conexão do consciente (pontos fixos de referência racional e conceitual) com a psique inconsciente (impulsos internos que nos dominam). O aparecimento de novos símbolos se dá através do diálogo entre consciente e inconsciente, com o Eu-Tu interno e o Eu-Outro externo em constante conversa. O que possibilitará uma nova formação de símbolo, possibilitando um novo acesso a emoções diferentes, com perspectivas novas, nas condutas, visões e esperanças.

As situações de transferência e contratransferência vão possibilitar ocorrer todo este entrosamento, pois fazem parte destas relações, libertando o indivíduo de seus complexos, agora compreendidos emocionalmente, não mais inconscientes.
Unidade.

Tudo no Universo, se constitui em manifestações de energia básica que se aglomera de diferentes maneiras. Em constante dinamismo, etapas transitórias, com fluxo constante e ininterrupto de energia. O ser humano, também estabelece a mesma interrelação com a sociedade e o cosmos.

Nesta visão mundo externo e mundo interno estão entrelaçados por uma rede de relações intermináveis que se influenciam mutuamente, numa realidade unitária, sendo que os pólos opostos manifestam aspectos diferentes da unidade.

Baseando-se numa realidade unitária, Jung procura visualizar o fenômeno psíquico utilizando tanto uma abordagem lógica quanto uma abordagem intuitiva.

Pereira (1998) nos fala da unidade:

A unidade é uma interação dinâmica entre os dois extremos, e o equilíbrio dinâmico a ser buscado pelo ser humano consiste, não na suspensão ou na elevação de um pólo ou de outro, mas nos pontos de contato possíveis entre eles. (p. 79.)

Entretanto a energia gerada do interrelacionamento dos vários pares de opostos gera uma tensão, ocasionando um conflito. Se o indivíduo não tomar partido de um dos pólos, propiciará que a energia seja redistribuída, pois ela se transforma mas não se perde.

Energia está sempre associada a algum processo ou tipo de atividade. Aspectos contraditórios e opostos transformam-se continuamente e a relação entre eles não pode ser vista como estados de oposição, e sim como aspectos que se relacionam em cooperação mútua numa transcendência de opostos.

A transcendência estabelece conexões entre as várias dimensões do Universo, não se atendo a explicações causais dos fenômenos e demonstrando a sua unidade básica, a própria essência. Traduzindo a possibilidade criativa do Self, ampliando o campo de visão egóico para um contato com o mundo não manifesto, orientando o processo de crescimento psicológico, podendo realizar as potencialidades do ser humano.

Jung abarca a noção de unidade e totalidade através da noção de Self, o centro organizador e unificador dentro do campo psíquico.

Permitir viver dentro desta noção de unidade requer que o ego não se fixe nos padrões habituais e convencionais de conduta, transcendendo, permitindo surgir uma nova forma de se relacionar no mundo, em relação com tudo o que experimentar na vida. É um eterno aprendizado de inter-relacionamento consigo e com o Cosmos.



Polaridades em relação.

O ser humano é constituído de vários componentes, com padrões dinâmicos de atividades, constituindo um fluxo de energia.

A organização, o movimento, a energia que os elementos possuem e como o indivíduo se relaciona com eles constituem um padrão unificado, a totalidade.

Numa visão holística precisamos estar em constante contato com todos os elementos pois estes estão interligados em constante interação.

Para Jung (apud Pereira, 1999) quando o eu natural é reprimido e não expresso, ele se manifesta em sintomas de doenças.

Na tentativa de procurar controlar a vida, o ego cria padrões lineares, rigidamente descarta o lado criativo, tirando a possibilidade de enfrentar a vida a partir de si próprio, ao invés de seguir sua sabedoria interna.

Se considerarmos a polaridade saúde/doença como um processo, as perturbações que surgem são vistas como padrões de interação que levam à ampliação da consciência. Não se fixando à saúde como um estado determinado, atende-se aos chamados do processo de cura, passando pelos vários estágios que vão surgindo no processo de crescimento. Assim crises, conflitos são sinalizadores de novas possibilidades a serem vividas. Curar é um trabalho de reintegração de partes, de se assumir diante da vida, não eliminando nada que considere negativo.

Buscando o curador dentro de nós, o que ouve integra e assume responsabilidade sobre si mesmo, compreendendo suas mensagens. Doença e saúde passam a ser complementares, buscando encontrar as necessidades do corpo e da alma. O Outro, a projeção, a transferência, passam a ser o caminho para o processo de cura ocorrer, onde ferido e curador se relacionam.

O terapeuta auxilia e é auxiliado no processo de cura, numa aliança que favorece o processo. A tarefa do terapeuta é auxiliar que o cliente encontre os elementos necessários a cura, com o cliente encontrando novas possibilidades de relação consigo e com o mundo, a partir do que vai discriminando.
TRANSCENDÊNCIA.

Gilberto Gil retrata a transcendência na letra de sua música Drão. Ela transcende a teoria, nos conduz ao movimento que a transcendência sugere. Depois de acompanhar a letra, estará situada a relação com a teoria.



DRÃO

drão

o amor da gente é como um grão

uma semente de ilusão

tem que morrer pra germinar

plantar nalgum lugar

ressuscitar no chão

nossa semeadura

quem poderá fazer

aquele amor morrer

nossa caminhadura

dura caminhada

pela estrada escura

drão

não pense na separação

não despedace o coração

o verdadeiro amor é vão

estende-se infinito

imenso monolito

nossa arquitetura

quem poderá fazer

aquele amor morrer

nossa caminha dura

cama de tatame

pela vida afora

drão

os meninos são todos sãos

os pecados são todos meus

Deus sabe a minha confissão

não há o que perdoar

por isso mesmo é que há

de haver mais compaixão

quem poderá fazer

aquele amor morrer

se o amor é como um grão

morrenasce trigo

vivemorre pão

drão
Viver implica aprender constantemente com todas as experiências que abarcam o ser, nossa caminhadura. Solicitando do ego que não se fixe em padrões habituais: dura caminhada, pela estrada escura, e acesse o inconsciente, redimensionando as diversas situações, nossa semeadura, e transcendendo a consciência, tem que morrer pra germinar. Gerando uma nova personalidade: tem que morrer pra germinar, que não é um terceiro elemento entre consciente e inconsciente: não pense na separação, mas numa união, num só corpo: ressuscitar no chão. Como se apresenta no final da letra de música: morrenasce trigo, vivemorre pão. Não existindo mais separações, atingindo a totalidade, o Si-mesmo. Um símbolo unificador, nossa arquitetura, representando a união dos opostos.

A idéia de conjunctio esclarece a ligação química, alquímica, imenso monolito1, representando a união dos opostos. Numa união mística, onde os arquétipos, apesar das formas exteriores que assumem, também representam a essência e a alma inata no indivíduo: Deus sabe a minha confissão, não há o que perdoar, por isso mesmo é que há de haver mais compaixão. A alma individual em relação com o Mundo Espiritual, condição necessária para se estabelecer a psique individual: o amor é como um grão, morrenasce trigo, vivemorre pão.


: 2005
2005 -> 100 motivos para ir ao dentista parte 07 Antônio Inácio Ribeiro 2001 odontex
2005 -> Primeira semana do desenvolvimento
2005 -> 100 motivos para ir ao dentista parte final antônio Inácio Ribeiro 2001 odontex
2005 -> Grupo II classe I – Plenário
2005 -> Poder judiciário tribunal regional federal da primeira regiãO
2005 -> Projeto de Lei
2005 -> Pais X filhos: No ringue com o piercing
2005 -> Uv c é normalmente absorvida pela camada de ozônio antes de chegar à Terra
2005 -> Çlkj lkj çadlkj fçlakdfçlkasdfçlkdj fçlkaj f çklsj fç alk fçlka fçlkaj fçlkajç fljkadç fklaj fçlkjasdçlfjk çlkfj çalkj fçalksj fçlajk çlfkjasçlkfj çalkj fçlakj dçflkaj çlfkja çldkfj açlkdj fçlakjd çflkaj çlfk jaçlkdj fçlakjfçlkaj dçfkl açlkfj çalkf
2005 -> A obra e o pensamento de Stelarc exibem, de forma clara, uma preocupação com a linha divisória que fica entre o sujeito e o ob


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