Cirurgia elimina disfunção que provoca suor excessivo



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Texto de apoio ao curso de Especialização

Atividade física adaptada e saúde

Prof. Dr. Luzimar Texeira



Cirurgia elimina disfunção que provoca suor excessivo

 

Brasília, 8 (Agência Brasil - ABr) - Uma disfunção do Sistema Nervoso Simpático levou um garoto de oito anos de idade a ter baixo rendimento na escola. Ele não aprendia a escrever, mesmo se esforçando muito. Por questões éticas seu nome é preservado, mas o garotinho em questão foi operado pelos cirurgiões Paulo Kauffman e José Ribas Milanês, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), e se livrou do problema que atrasava sua vida escolar: suor excessivo nas mãos. Antes disso, sequer conseguia manter o lápis nas mãos.

Não se sabe quantas pessoas padecem do mal no Brasil, mas acredita-se que o número seja bem maior do que os 18 primeiros casos cirúrgicos, publicados pelos dois médicos em revistas científicas, relativos ao período de 95 a 98. A doença se chama hiperidrose, caracterizada por transpiração abundante nas mãos, nos pés ou nas axilas. Por que ela se desencadeia ninguém tem conhecimento. "Sabemos que é devido à atividade excessiva no Sistema Nervoso Central, que afeta o Sistema Nervoso Autônomo, este último composto do simpático e do parassimpático", explica Kauffman.

O corpo humano tem a capacidade de manter a temperatura estável e, para perder calor, transpira. Essa situação ocorre quando a temperatura ambiente aumenta, quando se faz exercícios, ou ainda em momentos de nervosismo tais como uma prova na escola ou concorrer a uma vaga de emprego. Nas pessoas com hiperidrose, a transpiração é sempre acima do normal e o problema só não se manifesta durante o sono.
Há quem tenha hiperidrose só nas mãos, a palmar ou também nos pés, a plantar. Outros desenvolvem apenas a hiperidrose axilar. Homens e mulheres são acometidos sem distinção, mas a mulher procura mais por tratamento, dando a falsa impressão de que é uma doença prevalente na população feminina. "Pelo próprio temperamento feminino, a mulher não se adapta a essa condição e, aí, busca ajuda", conta o médico. Os tipos palmar e plantar aparecem na infância e se acentuam na adolescência, fase de instabilidade emocional, onde se deixa de ser criança e também não se é adulto ainda. A axilar pode surgir na adolescência.

Em 1999, foi criado o Ambulatório de Hiperidrose no Hospital das Clínicas, da USP, onde Kauffman e Ribas realizaram as primeiras cirurgias para eliminar o problema. Desde então, atendendo uma vez por semana, os médicos recebem no consultório vinte novos pacientes a cada 5ª feira. "Nem todo caso é cirúrgico, é preciso avaliar", alerta Kauffman. Mesmo assim, há fila de espera para a cirurgia de correção da hiperidrose desde a criação do ambulatório.

Ele atribui a procura à veiculação de reportagem, na revista Veja, em 99, relatando as conseqüências da disfunção na vida de quem sofre com o mal - tais como constrangimento de cumprimentar alguém, de namorar, ou de assinar papéis em público - e também os benefícios da nova técnica adotada pelos médicos do HC.
O nome é complicado. Simpatectomia videotoracoscópica, que se traduz na retirada dos glânglios responsáveis pela transpiração da mão ou da axila, por meio de duas incisões de um centímetro cada e com auxílio da videocirurgia, recurso cada vez mais empregado nos procedimentos cirúrgicos.

Numa dessas incisões, é inserida a ferramenta que se parece com um lápis, onde está a câmera que filma o interior e orienta o trabalho do cirurgião. Na outra, o médico introduz o bisturi ultrassônico que queima e corta a extensão dos glânglios simpáticos. "Não há explicação científica, mas quando retiramos os glânglios que fazem a mão transpirar, cessa a transpiração excessiva do pé nas pessoas que manifestam a hiperidrose plantar também", observa Kauffman. A anestesia é geral para que se controle o enchimento da caixa torácica.

Israel, Áustria e França já adotavam a videocirurgia aliada à simpatectomia para correção de hiperidrose, no início da década de 90. Paralelamente à publicação dos trabalhos dos pesquisadores desses países, Kauffman, que é cirurgião vascular, participava em 92 da banca de doutorado de Ribas, cirurgião torácico. "Foi então que nos ocorreu a idéia de casar as duas experiências. Primeiro estudamos o caso em cadáveres, para estabelecer uma metodologia", conta o médico.

A simpatectomia surgiu na década de 20, como técnica para recuperação de vasos e artérias porque promovia sua dilatação nas extremidades. O método se aperfeiçoou depois da 2ª Guerra Mundial, mas foi sendo cada vez menos usado por ter indicações muito restritas. Entre as décadas de 60 e 80, desenvolveu-se métodos para usá-la como forma de eliminar a hiperidrose. Era feito um corte no pescoço, em cima da clavícula, para que o médico dissecasse os glânglios responsáveis pelo suor da parte atingida pela doença.

Mas havia uma desvantagem que deixava os pacientes arredios ao método. Como se retirava toda uma cadeia do simpático e não era possível selecionar só a que se pretendia, o operado se curava da hiperidrose, mas adquiria outro problema, o Sinal de Claude-Bernard-Horne. A pálpebra superior ficava caída, diminuindo consideravelmente a abertura do olho. Foi então, nos fins de 80, com o avanço da cirurgia endoscópica, que introduziu o uso de ferramentas que penetram o corpo e, mais adiante, em 90, com a chegada da videocirurgia, que identifica toda a extensão percorrida pelo ultrassom como se fosse o próprio olho do médico, que os portadores de hiperidrose passaram a ter chances reais de se livrar do problema, sem efeitos colaterais significativos.

O grau de satisfação, segundo Kauffman, é de 97%. Apenas 3% dizem ter se arrependido depois que se submeteram à simpatectomia videotoracoscópica. Mais de 300 pessoas já foram operados por Kauffman e Ribas. Em 30% dos casos, é possível ocorrer o que os clínicos chamam de hiperidrose compensatória. Em locais fechados, sem ventilação, ou quando se exercitam, os pacientes dessa faixa passam a ter transpiração elevada na região do abdome, nas costas e nas coxas.

"Esse problema pode melhorar ao longo do tempo. Mas tenho pacientes que agradecem por transpirar mais só nessas regiões do corpo e em determinadas situações, porque se livraram do problema maior que os impedia de uma vida social normal, sem constrangimento. Pessoas com hiperidrose sequer podem pegar numa folha de papel, porque ela fica molhada. Há até quem ande com lenço no bolso para secar as mãos", relata.

A cirurgia exige apenas um dia de internação e o uso de analgésicos no pós-operatório por, no máximo, uma semana. Depois de quinze dias, já se pode fazer exercícios físicos. Essas vantagens são apontadas pelos pacientes como justificativa da satisfação com a cirurgia, em detrimento do tratamento clínico - baseado em remédios que controlam a ansiedade e o uso local de sais de alumínio - cuja ação não é definitiva.



O Ambulatório de Hiperidrose funciona do prédio dos ambulatórios do Hospital das Clínicas da USP, sala 7-B, no sexto andar. Para marcar consulta, basta ligar no número (11) 3086.0152. (Lana Cristina)




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