Ciclo reprodutivo de Leptodactylus latrans (Steffen, 1815) em população dos Campos Gerais, Paraná



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Ciclo reprodutivo de Leptodactylus latrans (Steffen, 1815) em população dos Campos Gerais, Paraná
Alana Marielli Teixeira (PIBIC/CNPq/Unioeste), Sabrina Bazanella, Mírcea Laís Vessaro da Silva, Rafaela Maria Moresco (Orientador), e-mail: rafaelabiologia@yahoo.com.br
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Biológicas e da Saúde/Cascavel, PR
Área e subárea: Ciências Biológicas - Zoologia.
Palavras-chave: Anfíbios, Gametogênese, Mata-Atlântica.
Resumo
Pertencente à Leptodactylidae Leptodactylus latrans é uma das poucas espécies, entre os anuros, a apresentar comportamento parental, assim sendo um excelente modelo para pesquisas de biologia da reprodução. Neste estudo objetivamos descrever o ciclo reprodutivo de L. latrans. Foram coletados em um fragmento de Campos Gerais, localizado no município de São Lourenço do Oeste, SC, cinco indivíduos machos e um indivíduo fêmea de L. latrans no período de verão, estes animais tiveram suas gônadas retiradas e encaminhadas para rotina histológica, que possibilitou a análise dos tipos celulares da linhagem germinativa. Os indivíduos machos coletados apresentaram todas as células da linhagem germinativa preenchendo os lóculos seminíferos, bem como, no ovário da fêmea foram observados ovócitos com presença de inclusões protéicas e lipídicas de vitelo. Além disso, os ovos já apresentavam pigmentos de melanina, caracterizando a maturação completa dos mesmos. Foram observados nos machos a organização celular de cistos espermatôgenicos, o que caracteriza um ciclo reprodutivo do tipo potencialmente contínuo. Estes cistos possibilitam à espécie retomar o processo de gametogênese rapidamente, caso as variáveis ambientais estejam favoráveis à reprodução.
Introdução
Atualmente a fauna de anfíbios possui cerca de 7.200 espécies, destas 6.458 são anuros (Frost, 2015). Segundo Zug et al. (2001) apesar da alta diversidade de espécies presentes nos ecossistemas brasileiros, os estudos de componentes gerais de comunidades são limitados. Os anfíbios apresentam ampla distribuição geográfica, não subsistindo somente regiões de clima extremamente adverso às suas adaptações morfofisiológicas, e por apresentarem diversos modos reprodutivos, especialmente os anuros, esta ampla ocupação foi facilitada (Duellman & Trueb, 1994). Desta maneira, os habitats atuam como fatores limitantes à reprodução dos anfíbios, visto que esses animais necessitam de corpos d’agua para reprodução (Crump, 1974), além de essa atividade sofrer importante influência de fatores abióticos, como temperatura, umidade relativa do ar e pluviosidade (Pombal Jr. et al., 1994). A estratégia utilizada para se reproduzir demonstra o conjunto de particularidades fisiológicas, morfológicas e comportamentais da espécie, e que levam ao número máximo de descendentes, considerando-se a diversidade genética presente na população e a condição ambiental (Duellman & Trueb, 1994).

Pertencente à Leptodactylidae, Leptodactylus latrans (Steffen, 1815) ocorre em toda a América do Sul (Frost, 2015), indicando um grande sucesso na ocupação de diferentes biomas e de grande valor para estudos comparativos. Quanto a sua atividade reprodutiva, sabe-se que L. latrans é uma das poucas espécies a apresentar comportamento parental, uma vez que constrói ninhos de espuma e acompanha os ovos da eclosão até o final da fase larval (Vaz-Ferreira & Gehrau, 1975), assim sendo um excelente modelo para estudos de biologia da reprodução, tal como determinar o tipo de ciclo reprodutivo apresentado relacionando com variáveis ambientais.


Materiais e Métodos
As coletas dos espécimes de L. latrans (cinco indivíduos machos e um indivíduo fêmea) foram realizadas em um fragmento de Campos Gerais localizado no município de São Lourenço do Oeste, SC, (Licença permanente SISBIO para coleta de anuros 41691-1) durante o período de janeiro a fevereiro de 2014. Após coletados os espécimes foram encaminhados ao laboratório, onde foram anestesiados e levados à óbito por saturação de Benzocaína e abertos por laparotomia (conforme Comitê de ética na experimentação animal e aulas práticas da Unioeste: Protocolo 66/10 – CEEAAP/Unioeste). Em seguida foram retiradas as gônadas e imediatamente imersas em solução fixadora Karnovsky com modificações e encaminhados à rotina histológica (Ribeiro & Lima, 2000) onde foram desidratadas em série alcoólica e incluídas em historesina (Technovit® 7100 kit). Foram feitas secções de 3µm e coradas com Hematoxilina-eosina. Para cada animal foram analisadas três secções e fotografados três campos por secção, com objetiva de 40x para machos e objetiva de 10x para fêmeas usando microscópio de epifluorescência BX 61, acoplado com câmera digital Olympus DP 71, utilizando-se o software de captura de imagem DP Controller 3.2.1.276. Os tipos celulares analisados e identificados foram: 1) machos: espermatogônia, espermatócito I, espermatócito II, espermátide e espermatozoide e 2) fêmeas: ovogônia, ovócito pré-vitelogênico, ovócito vitelogênico e ovócito atrésico.
Resultados e Discussão
No período em que os espécimes foram coletados, a temperatura durante o dia era de 30°C e a umidade relativa do ar estava elevada. Desta forma, os animais coletados em campo estavam vocalizando, sendo este um indicio de atividade reprodutiva (Santos & Oliveira, 2007).

Todos os indivíduos machos coletados estavam no período reprodutivo, caracterizado pela presença de todas as células da linhagem germinativa. Estas células se diferenciaram no interior de estruturas esféricas denominadas de lóculos seminíferos e estavam organizadas em cistos espermatogênicos, que são agrupamentos de células no mesmo estágio de diferenciação, sendo esta uma característica primitiva compartilhada com peixes, que determina uma diferença temporal nas fases da espermatogênese (Norris & Lopez, 2011). Desta maneira, o período gametogênico pode ser interrompido ou ativado a qualquer momento, sendo modulado por fatores endócrinos regulados, principalmente, por fatores ambientais (Paniagua et al., 1990; França & Godinho, 2003). As espermatogônias foram observadas como células isoladas, grandes e volumosas; os espermatócitos I foram identificados pelos sinais de prófase na primeira divisão meiótica e apresentando grande volume celular. Os espermatócitos II apresentavam metade do tamanho dos espermatócitos I, além de núcleo homogêneo e arredondado. As espermátides consistiam em células diminutas com formato esférico que mudava gradativamente para alongado, por meio do processo de espermiogênese, onganizadas em feixes das espermátides, sustentadas pelas células de Sertoli. Os espermatozóides estavam completamente formados e preenchiam o lúmen dos lóculos seminíferos, caracterizando que os animais estavam em período reprodutivo (Moresco, 2013).



No espécime fêmea coletado foi observado ovócitos apresentando inclusões proteicas e lipídicas de vitelo, bem como a polarização definida, ou seja, o polo animal já apresentava pigmentos de melanina, caracterizando ovócitos vitelogênicos e que o animal estava no período reprodutivo (Oliveira & Santos, 2004). Não foram constatados ovócitos atrésicos, indicando que esta fêmea ainda não havia desovado nesse período.
Conclusões
Concluímos que L. latrans apresenta ciclo reprodutivo do tipo potencialmente continuo, caracterizado por animais que apresentam variação na atividade gametogênica regulada por mudanças nas variáveis ambientais.
Agradecimentos
Ao CNPq pela bolsa de Iniciação Científica, à Fundação Araucária e à Unioeste – Campus Cascavel pela estrutura fornecida para o desenvolvimento deste trabalho.
Referências
Crump, M.L. (1974). Reproductive strategies in a tropical anuran community. Miscellaneous Publication Museum of Natural History 61, 1-68.
Duellman, W.E. & Trueb, L. (1994). Biology of amphibians. New York: McGraw-Hill.
Frost, D.R. (2015). Amphibian Species of the World: an Online Reference. Version 6.0. http://research.amnh.org/herpetology/amphibia/index.php. Acesso em 01 de agosto de 2015.
Moresco, R.M. (2013). Pigmentação testicular e ciclo reprodutivo anual de Physalaemus cuvieri Fitzinger, 1826 em populações de biomas distintos. Tese de Doutorado, Programa de Pós Graduação em Biologia Animal, Universidade Estadual Paulista, São José do Rio Preto.
Norris, D.O. & Lopez, K.H. (2011). Hormones and Reproduction of Vertebrates: Amphibians. London: Elsevier.
Oliveira, C. & Santos, L.R.S. (2004). Histological characterization of cellular types during Scinax fuscovarius oogenesis (Lutz) (Anura, Hylidae). Revista Brasileira de Zoologia 21, 919-923.
Paniagua, R., Fraile B. & Sáez F.J. (1990). Effects of photoperiod and temperature on testicular function in amphibians. Histology & Histopathology 5, 365-378.
Pombal, Jr. J.P., Sazima, I. & Haddad, C.F.B. (1994). Breeding behavior of the pumpkin toadlet, Brachycephalus ephippium (Brachycephalidae). Journal of Herpetology 28, 516-519.
Ribeiro, M.G. & Lima, S.R. (2000). Iniciação às técnicas de preparação de material para estudo e pesquisa em morfologia. Belo Horizonte: Segrac Editora.
Santos, L.R.S. & Oliveira, C. (2007). Morfometria testicular durante o ciclo reprodutivo de Dendropsophus minutus (Peters) (Anura Hylidae). Revista Brasileira de Zoologia 24, 64-70.
Vaz-Ferreira, R. & Gehrau, A. (1975). Comportamiento epimeletico de la Rana común, Leptodactylus ocellatus (Amphibia, Leptodactylidae) atencion de la cria y actividades alimentarias y agressivas relacionadas. Physis 34, 1-14.
Zug, G.R., Vitt, L.J. & Caldwell, J.P. (2001). Herpetology. An introductory biology of amphibians and reptiles. San Diego: CA, Academic Press.



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