Chegamos a um ponto em que, antes de entender, reagimos. E, frequentemente, reagimos mal”. Entrevista especial com Leandro Beguoci



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Encontro09.10.2019
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Chegamos a um ponto em que, antes de entender, reagimos. E, frequentemente, reagimos mal”. Entrevista especial com Leandro Beguoci
Talvez a surpresa com os rolezinhos tenha sido tão grande porque a periferia, finalmente, está se tornando visível. E nós, finalmente, estamos percebendo que ela não é aquilo que nós achávamos que era”, declara o jornalista.



Foto: Ilheus24h
“Os rolezinhos tiveram um lado amplamente positivo: mostrar quão pobre é nosso debate político e escancarar as consequências negativas deste debate miserável. Porque poucas coisas podem ser mais constrangedoras e reveladoras do que um shopping pedindo à polícia que barre, na marra, a entrada de eventuais consumidores. Quando a truculência vira categoria de pensamento, olha, é hora de mudar de rumo”, pondera o jornalistaLeandro Beguoci em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line sobre os rolezinhos e a reação da sociedade a eles.

“Ao longo das últimas semanas, a reação aos rolezinhos mostrou que nós não sabemos muito bem como lidar com esses jovens e com o que eles representam. É um fenômeno novo. A maior parte desses meninos se declara apolítica, diz ter horror à política, e afirma que só quer dar uns beijos, se divertir e ser feliz — de preferência, com seus tênis supercaros. Eles só vão se sentir excluídos se o acesso a esse mundo de consumo for cortado. Isso pode acontecer tanto pela reação intempestiva dos shoppings e da polícia, que estão criando um problema grave onde não havia confronto, quanto pela situação do país, que está com a economia cambaleando e não consegue mais oferecer aumentos expressivos da renda, como aconteceu nos últimos anos. Nós, ao longo dos últimos anos, dissemos a uma geração inteira de pessoas que consumir, comprar suas próprias coisas, era um dos poucos caminhos que alguém poderia almejar nessa vida. Mas os discursos têm consequências. E ainda não é possível saber quais serão elas se as condições econômicas e políticas mudarem rapidamente”, avalia.





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