Carmen, Uma biografia Ruy Castro



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seguida, assobiou para

seu motorista (nunca aprendera a dirigir) e foi-se embora da Fox, sem se

despedir de ninguém.


Zanuck não se conformou e tentou atraí-la de novo, dessa vez mandandolhe

um carro de presente.

Alice devolveu o carro e deu entrevistas dizendo que cometera um erro ao

voltar a trabalhar, mas

que, agora, isso não se repetiria. Estava casada com um homem "capaz de

sustentá-la e protegê-

la" - e muito satisfeita. E só então Zanuck desistiu. (Apenas para o

registro, Alice ficaria casada

com Phil Harris por 54 anos, até a morte dele, em 1995.)
Desde que Zanuck voltara da guerra, um clima diferente imperava no

estúdio. Era como se, de

repente, sem prejuízo do fator entretenimento, só valessem os filmes

"sérios" ou "socialmente

significantes". O difícil era encontrar o equilíbrio - e convencer a

platéia de que um filme sobre a

angústia não precisaria ser, digamos, angustiante. Para isso, dizia

Zanuck, o equilíbrio talvez

estivesse na escolha do elenco. Foi o que aconteceu quando ele decidiu

filmar O fio da navalha, o

romance de Somerset Maugham que, mal chegado às livrarias, poucos meses

antes, já fora tomado

como um clássico. Para o papel de Larry, o atormentado piloto de volta da

Primeira Guerra,

Zanuck nunca teve outro em mente senão Tyrone Power. Mas, para o papel de

sua noiva Isabel,

personagem
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sujeita a complexas flutuações de temperamento, Zanuck, para espanto de

seus pares, pensou em

Betty Grable, a quem ofereceu o papel. Ninguém entendeu a escolha - era

tão sem sentido

quanto filmar a vida de Gypsy Rose Lee interpretada por Monty Woolley.

Refeita do choque,

Betty foi sábia o suficiente para recusar, e Isabel acabaria nas mãos,

bem mais capazes, de Gene

Tierney.
Tudo isso corria pela Fox e era motivo de meditação para Carmen. Pelo que

ela podia observar,

Zanuck enxergava potencial em Alice e Betty para papéis melhores que os

dos musicais. Era

óbvio que ele não fazia a mesma idéia a respeito dela. Donde estava

condenada aos mesmos

papéis cômicos que exploravam seu sotaque, suas roupas e seus turbantes,

e nunca passaria disso.


Como se só isso importasse, Carmen preocupava-se com o que o público

brasileiro pensava de

seus filmes. Ouvia dizer que as pessoas iam vê-los e riam e se divertiam,

mas, ao sair do cinema,

sentiam-se na obrigação de falar mal. Ela própria não tinha ilusões

quanto à qualidade deles,

principalmente dos últimos:
"Antes de o pessoal no Brasil desgostar dos meus filmes, eu já me

aborreço com eles", suspirou

para Gilberto Souto.
As críticas também não a ajudavam, porque se confundiam com ataques

pessoais. Não entendia

por que Pedro Lima, a quem sempre considerara um amigo, se voltara contra

ela. Ao escrever

sobre Entre a loura e a morena, que estreou no Rio em setembro de 1944,

ele lhe reservou um

insulto diferente em cada um dos veículos que dominava: "Quando surge

Carmen com a boca

escancarada, a gargalhada é geral. Gargalhada de ridículo, justamente o

ridículo que é o triunfo

máximo da estrela nacional. Por que criticamos Carmen Miranda por isto?

Cada um triunfa com

suas armas" (no Diário da Noite). "Envelhecida e enfaixada" (em O

Jornal). "Fatigada, flácida, ex-

garota notável" (em O Cruzeiro). E, na estréia de Serenata boêmia, alguns

meses depois, Lima

pareceria saborear o "envelhecimento" e a "perda de voz" de Carmen, ao

mesmo tempo que

comparava sua gesticulação a "uma taquigrafia de surdos e mudos".
Quando lia em alguma revista brasileira que Hollywood a "estereotipara",

Carmen não via como

poderia ser diferente. Todo mundo em Hollywood era estereotipado. Fred

Astaire era um

dançarino, e nunca o obrigariam a usar calças justas para interpretar

Shakespeare; já Laurence

Olivier jamais poderia fazer um cowboy. E, assim como Betty Grable tinha

consciência de suas

limitações, Carmen também não aspirava a se tornar uma Ethel Barrymore ou

uma Joan Crawford

tropical. O que ela achava era que ainda havia coisas boas a fazer em

comédias ou mesmo em

musicais - melhores do que vinha fazendo.
Talvez não naquele momento. Ou, pelo menos, não na Fox.
Em 1944, o estúdio parecia dedicado a um projeto tão caro e ambicioso

quanto "significante":

uma produção do próprio Zanuck intitulada Wilson,

378
a monumental cinebiografia em Technicolor do presidente americano Woodrow

Wilson (1913-

1921), dirigida por Henry King. Zanuck via na história de Wilson, que

lutara romanticamente pela

paz depois da Primeira Guerra Mundial, um exemplo para os próximos

tempos, pós-Segunda

Guerra, que os esperavam. Poucos na Fox achavam que esse assunto pudesse

justificar um filme,

mas Zanuck se responsabilizou:


"Se não der certo, juro que nunca mais farei um filme sem Betty Grable",

afirmou.
Wilson tinha duas horas e 34 minutos de duração, tomara cinco meses de

filmagem em 126

cenários diferentes (entre os quais a reconstituição dos interiores do

Palácio de Versalhes e da

Casa Branca), e seu custo final beirou os 5 milhões de dólares. Era o

filme mais caro já produzido

em Hollywood. E também o mais corajoso porque, para o papel de Wilson,

Zanuck descartou

todos os grandes nomes (por causa dos rostos muito conhecidos) e escolheu

o correto, mas quase

anônimo, Alexander Rnox.


Da dinheirama gasta no filme, l milhão de dólares foram para a maciça

campanha de lançamento,

que constou de anúncios em página dupla nas principais revistas, milhares

de comerciais de rádio,

outros tantos de outdoors pelo país e uma série de pré-estréias em

cidades estratégicas. Exceto

Nova York e Los Angeles, Zanuck conseguiu feriado municipal, palanque com

o prefeito e desfile

de estudantes em todas as cidades em que promoveu pré-estréias:

Filadélfia, Atlanta, Washington,

Cleveland, Omaha e as demais. Em troca, Zanuck levou a cada cidade um

trem lotado com a

comitiva de Wilson, composta do elenco completo e de grandes nomes do

estúdio, mesmo que

não tivessem nada a ver com o filme. Entre estes, Carmen. E, entre

outros, o ator Dana (pronuncia-

se Deina) Andrews.
No ano anterior, Carmen já se emocionara com Dana Andrews ao vê-lo ser

injustamente

enforcado como ladrão de cavalos no brutal faroeste de William Wellman,

Consciências mortas

(The Ox-Bow incident). Nesse filme, ao sentir o laço em volta do pescoço,

Dana exercitara pela

primeira vez aquela que seria a sua marca na tela: as narinas arfantes -

tão expressivas que

podiam dispensar um excesso de mobilidade no restante do rosto. Dana era

da Fox, mas, num

arranjo raro em Hollywood, metade de seu contrato pertencia a Samuel

Goldwyn - razão pela

qual passava, às vezes, meses longe do estúdio, com o que Carmen mal o

conhecia. Mas, poucas

semanas antes, Dana concluíra na Fox o filme que o projetaria para a

eternidade: Laura, em que

fazia o detetive Mark McPherson, cool até a exasperação - exceto pelas

narinas, mais

expressivas do que nunca. Ninguém mais podia deixar de notá-lo.
Durante boa parte de setembro de 1944, Dana e Carmen foram a melhor

companhia um do outro,

tanto na maratona do trem quanto nas cidades em que Wilson era festejado.

Os dois eram da

mesma idade - Dana, um mês mais velho - e, de todos os homens com quem

ela se envolvera, o

mais baixo:
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1,78 metro. Mas ele compensava isso com uma ficha bem movimentada: filho

de um pastor

evangélico, largara os estudos, tornara-se motorista de ônibus, ajudara a

cavar uma represa,

trabalhara numa fazenda colhendo laranjas, fora frentista de um posto de

gasolina, estudara canto

lírico e fizera dezenas de peças como ator, tudo antes de começar no

cinema. De Laura, ele

saltaria em

1946 para Os melhores anos de nossas vidas (The best years ofour lives),

de William Wyler - e,

dali em diante, para muitos filmes "de prestígio", sob a direção de,

entre outros, Fritz Lang ou Elia

Kazan, mas nenhum que o mantivesse no estrelato. Aliás, o filme de Wyler

marcaria o começo de,

pelo menos comercialmente, os piores anos de sua carreira.


Um dos motivos para isso seria o alcoolismo. Na década de 50, os

produtores já achariam Dana

problemático e, na de 60, poucos se arriscariam a contratá-lo - até que

ninguém mais iria querer

saber dele. Mas Andrews venceria a bebida. Já sóbrio, em 1972, ele seria

o primeiro ator de

Hollywood a reconhecer publicamente sua condição de alcoólatra. E nos

anos seguintes, até sua

morte, em 1992, participaria de inúmeras campanhas nacionais de

esclarecimento sobre a doença.

Em 1944, no entanto, Dana estava na ativa, nos diversos sentidos. Às

vésperas da consagração

com Laura, todos os bares estavam abertos para ele, as mulheres, também,

e tudo era motivo para

um brinde à vida e ao futuro.
Carmen, por sua vez, já tinha alguns motivos para se cuidar. Um mês antes

de zarpar com a

comitiva de Wilson, ela fora levada a um exame médico em Hollywood. O

resultado chegou

estranhamente à coluna de Dorothy Kilgallen no New York Journal-American

do dia 10 de

agosto:
"Carmen Miranda tem se preocupado com um problema no coração - e não do

tipo causado por

fatores românticos. Seus médicos lhe recomendaram evitar excitações."
O que esse exame acusou foi uma arritmia. Carmen teve uma extra-sístole,

uma taquicardia

paroxística ou um defeito de condução do impulso elétrico. Qualquer uma

dessas leves mudanças

do ritmo cardíaco poderia ser provocada por excesso de café ou de

cigarros. Mas Carmen não

tomava café e só então estava começando a fumar. A causa da alteração

detectada no

eletrocardiograma - não que os médicos soubessem disso - era o seu uso de

soníferos e

estimulantes.
Apesar da regularidade dos horários do estúdio - um trabalho com hora

certa para começar e

para terminar, seis dias por semana, e sem compromissos por fora que a

obrigassem a ficar de pé

até altas horas -, Carmen não conseguira quebrar a cadeia de uso dos

uppers e downers a partir

de sua temporada, no Roxy, em Nova York, em 1942. Desde 1940 ela fora

usuária de anfetaminas

e barbitúricos - uma usuária intermitente nos dois primeiros anos, e

constante nos dois seguintes.

Nesses últimos, já eram os remédios que lhe ditavam a freqüência diária

de seu uso - e não urna

hipotética necessidade, de sua parte,

380
de ter de dormir ou de continuar acordada em função de compromissos.

Ou seja, já se tornara

uma dependente. Talvez não ainda numa escala que interferisse na sua

capacidade de trabalho -

pelo menos, não há registros na Fox de que faltasse ao estúdio, chegasse

atrasada ou fosse um

problema para a produção dos filmes. Mas, mesmo que não estivesse sendo

obrigada a um

aumento considerável de dose, para Carmen não se tratava mais de um uso

lúdico ou controlado

dos medicamentos.


Quem lhe passava as receitas que lhe permitiam comprar os remédios? Os

empregados podiam

comprá-los na própria farmácia do estúdio, desde que sob receita médica.

Na MGM, por

exemplo, havia um médico que os receitava por atacado. Mas havia também

os médicos "de fora",

ligados ao paciente. Em Hollywood, Carmen tinha o doutor Marxer - e a

farmácia de Beverly Hills

lhe fazia as entregas em casa.
Assim como 90% dos médicos de seu tempo, Marxer não entendia o mecanismo

da dependência.

Quando um deles suspeitava de abuso e se negava a renovar as receitas, o

dependente ameaçava

mudar de médico. Este então se submetia, para não perder o cliente.

Marxer ficaria com ela até o

fim, mas Carmen - como Judy Garland e demais dependentes de remédios

controlados - armou

uma rede de profissionais dispostos a fornecer-lhe as receitas. Em último

caso, pedia-se a um

amigo que conseguisse as cápsulas através de receita aviada por seu

próprio médico. Ninguém

em Hollywood negava nada a uma estrela e, além disso, não havia uma

condenação aberta aos

medicamentos. Se produtores, diretores e roteiristas responsáveis, como

David O. Selznick,

Preston Sturges e Joseph L. Mankiewicz, eram seus altos usuários, é

porque não devia haver nada

de errado com eles.
Carmen podia não saber, mas seu organismo era receptivo, ou seja,

predisposto às drogas. A

prova disso é que, depois de passar a vida cercada de fumantes - numa

época em que só os

recém-nascidos não fumavam -, e sem nunca ter se deixado seduzir por

cigarros, Carmen tornou-

se fumante aos 35 anos, em 1944. Por que isso, nessa idade tão tardia?

Não é preciso ter havido

nenhuma razão especial. Carmen apenas resolveu experimentar seu primeiro

cigarro - que lhe

foi oferecido em Palm Springs pela mulher do doutor Marxer. E, no que

experimentou, gostou - a

ponto de, no dia seguinte, ou no mesmo dia, ter repetido a experiência, e

assim por diante. Em

poucas semanas, já não sairia de casa sem um maço de Viceroy na bolsa.
É possível também que Carmen tenha consolidado o hábito de fumar na

viagem com a trupe de

Wilson. Não se conhecem fotos ou referências anteriores que a mostrem com

um cigarro na mão.

Ao mesmo tempo, existem fotos de Carmen fumando com Dana Andrews em

cidades onde se

deram as pré-estréias. Não significa que Dana tivesse algo a ver com

isso. Significa apenas que,

se Carmen precisava de algum estímulo para continuar fumando, encontrou

em Dana o parceiro

certo - porque poucos atores, pelo menos nos filmes,

381
fumavam com tanta categoria e convicção - inclusive pelas narinas. Mas,

também, quem tinha as

narinas de Dana Andrews?


Influenciada por Carmen, até dona Maria passou a fumar. Ou a, pelo menos,

tentar fumar. As fotos

em que ela aparece no Ciro"s, com um cigarro entre os dedos, ao lado de

Carmen e de algum

príncipe da tela, contam uma história fascinante sobre essa mulher

nascida no Norte de Portugal

em fins do século xix, que saíra de Várzea de Ovelha para Hollywood e,

sem falar ou entender a

língua, se sentia tão feliz e à vontade na meca do cinema. E talvez fosse

feliz por isso mesmo -

por entender tão pouco do que se passava à sua volta. Para quem vivia

repreendendo Carmen por

sair do chuveiro enrolada numa toalha e, às vezes, deixar um naco de

bunda de fora, o que dona

Maria diria se soubesse uma trisca da vida sexual de algumas moças que

freqüentavam sua casa,

como Linda Darnell ou Ann Sheridan? Era significante também que, numa

cidade em que a beleza

e a juventude eram buscadas a todo custo, dona Maria não aparentasse seus

58 anos nem mesmo

ser mãe de Carmen - que, por um hábito antigo, mas injusto, só a chamava

de "Velha".


Dona Maria não fazia feio no Ciro"s. O cigarro é que não se dava bem com

ela - e dona Maria,

quando se cansou de soprar em vez de tragar, e de tragar em vez de

soprar, abandonou-o.


O mundo que, contra a vontade de Carmen, parecia transbordar de homens

casados (Dana

Andrews era outro, razão pela qual o romance acabou ao fim da maratona),

vinha de ganhar mais

um: seu ex-namorado Aloysio de Oliveira.
Aos trinta anos, naquele ano de 1944, Aloysio se casou com a americana

Nora, secretária do

estúdio Disney. E uma secretária conforme o riscado: óculos de grau,

coque no cabelo, pele muito

branca, rosto sem pintura, blusa até o pescoço - menos Carmen,

impossível. O namoro começou

nas esticadas ao Lamp Post, um botequim nas imediações do estúdio, e

terminou na pretoria. Nora

era texana, mas, segundo Aloysio, uma mulher politicamente liberal, fã de

jazz e anti-racista

militante (certa vez, denunciou um restaurante de Los Angeles à polícia

porque o gerente barrou

seu amigo Nat "King" Cole, com quem ela e Aloysio iriam jantar). Com

todas essas qualidades,

não era difícil que ela caísse pelas virtudes de Aloysio - talentoso,

sensual, meio malandro.


O liberalismo de Nora seria duramente posto à prova quando, terminado o

trabalho de pós-

produção em Você já foi à Bahia?, ele a trouxe ao Brasil em lua-de-mel. O

avião da Panair fazia a

rota do Pacífico, com escalas em lugares como Panamá, Guatemala, Bolívia

e Peru, que ela só

conhecia dos desenhos de Alô, amigos, o filme de Disney. A realidade era

bem diferente: atraso,

pobreza, imundície. Aloysio depois insinuaria que Nora tampouco gostara

do Brasil, e tivera nojo

de uma feijoada que lhe fora oferecida por Herivelto Martins e Dalva de

Oliveira,

382
não mais na Urca, mas em Niterói. Na volta a Los Angeles,

com Nora grávida,

foram morar em North Hollywood. A filha deles, Louise, nasceria ali, em

1946.
Como Carmen reagiu ao casamento de Aloysio e à notícia de que ele ia ser

pai? Não com a

ferocidade esperada das divas "latinas" de Hollywood. Por tudo que se

sabe, ela não o chamou às

falas, não quebrou os móveis nem alterou sua velocidade ao falar. Apenas

ficou triste. Estava

claro que Aloysio não tinha nada contra o casamento ou a paternidade -

desde que não fosse

com ela. Estava claro também que todo o seu processo de afastamento,

inclusive com sua saída de

casa e do Bando da Lua, fora premeditado - talvez até já estivesse com

Nora. Portanto, se não

tinha mais Aloysio, o que restava a Carmen? Um naipe de astros de

Hollywood a escolher - daí,

talvez, os namoricos com Arturo de Córdova, Dana Andrews e também com

Harold Young, um

dos diretores de ação ao vivo de Você já foi à Bahia?.


Young, 46 anos, louro, alto e bonitão, era admirado por um único filme:

Pimpinela Escarlate (The

Scarlet Pimpernel), com Leslie Howard, que dirigira para Alexander Korda

em 1934. No mais, era

apenas um profícuo diretor de filmes B e fora o responsável por algumas

seqüências de Aurora no

desenho de Disney. Ele e Carmen se conheceram na filmagem e, de

brincadeira, reservaram-se

mutuamente para um dia de chuva. Pois aquela era a hora. Carmen e Harold

tiveram o seu

momento, mas também não deu em nada. Ele tinha uma namorada firme na

Warner e, se Carmen

queria provocar ciúme em Aloysio, podia desistir - Aloysio já nem estava

no estúdio para

perceber.
Quando Você já foi à Bahia? estreou em Los Angeles, em fevereiro de 1945,

Aloysio havia muito

não trabalhava para Disney. Ao contrário do que sempre daria a entender,

seu contrato com o

estúdio limitou-se à produção, filmagem e pós-produção de Alô, amigos e

Você já foi à Bahia? -

e sua ligação posterior com Disney, como narrador em português de seus

desenhos e

documentários, se daria filme a filme. Ou seja, em 1945 Aloysio estava

desempregado - sem

Disney, sem Carmen e sem o Bando da Lua.
Para sua sorte, aquele seria um ano em que vários estúdios de Hollywood

rodariam filmes cuja

ação se passava "no Rio" e em que eles teriam uso para seus serviços. Em

poucos meses, Aloysio

prestou algum tipo de consultoria, quase sempre musical, em Romance no

Rio (The thrill of

Brazil), de S. Sylvan Simon, na Columbia, com Evelyn Keyes, Ann Miller e

(de novo) Tito Guizar;

A caminho do Rio (Road to Rio), de Norman Z. McLeod, na Paramount, com

Bing Crosby, Bob

Hope (que faz uma imitação de Carmen) e Dorothy Lamour; e Interlúdio

(Notorious), de

Hitchcock, para Selznick, com Cary Grant, Ingrid Bergman e Claude Rains.

Antes desses, no ano

anterior, Aloysio (sem crédito) já cantara "Maringá", de Joubert de

Carvalho, em Conspiradores

(The conspirators), um thriller político da Warner em que Aurora,

igualmente sem crédito,

aparecia cantando - quem diria? - um fado.
383
Antes até que o de Aloysio, o contrato de Aurora com Disney expirara com

o término das

filmagens das cenas "reais" de Você já foi à Bahia?, em meados de

1944. Enquanto o filme era finalizado, com a inclusão dos desenhos,

Aurora aceitou fazer

pequenas participações em filmes de outros estúdios, e o primeiro foi uma

ponta em

Conspiradores - uma espécie de Casablanca sem Humphrey Bogart e com Hedy

Lamarr no

lugar de Ingrid Bergman, mas, no resto, muito parecido: mesmo estúdio

(Warner), mesma história

(líder da Resistência foge para Lisboa e cria um caso internacional),

mesmos atores (Paul

Henreid, Sydney Greenstreet, Peter Lorre, Mareei Dalio), mesmo fotógrafo

(Arthur Edeson), e

mesmo diretor musical (Max Steiner). Só não resultou na mesma magia.

Depois, Aurora filmou sua

aparição em Brasil, o musicalzinho da Republic para o qual Ary Barroso

escrevera as canções.

Dessa vez, Aurora ganhara crédito, embora seu nome aparecesse em décimo

lugar no elenco.
E, finalmente, Aurora rodou sua parte em A dama fantasma (Phantom lady),

um filme noir da

Universal, dirigido por Robert Siodmak e baseado num romance de Cornell

Woolrich, aliás

William Irish. A história era simples, mas engenhosa: um homem é acusado

de um crime e seu

único álibi é uma mulher misteriosa - a "dama fantasma" - que ele

conheceu num bar. Só que,

para chegar a ela, tem de passar por diversas pessoas que os viram

juntos, e ninguém parece se

lembrar. Só então se descobre que há alguém comprando o silêncio dessas

pessoas.
Aurora, quarto nome no elenco e creditada apenas como Aurora - sem o

Miranda -, é uma

dessas pessoas. Ela faz uma cantora "latina": a "temperamental" Stella

Monteiro, que canta música

de tique-taque, passa o tempo todo irritada e tem três ou quatro falas no

filme, todas em alta

velocidade e duas das quais em português: "Ora, bolas!" e "Que coisa


Catálogo: 2015
2015 -> Componente Curricular: Enfermagem Médica Profª Mônica I. Wingert Módulo II turma 201E
2015 -> Visando melhorar o desempenho e cobertura do Programa Coletivade Odontologia Preventiva do Escolar e ao mesmo tempo incentivar a participação de todos os municípios e facilitar a Operacionalização, Controle e Avaliação do mesmo
2015 -> Relatório Anual de Atividades Modelo – Sorriso do Bem 2015 – Dentista do Bem
2015 -> Regeneração Ad Integrum da Cabeça do Côndilo em uma Paciente com Disfunções Temporomandibulares
2015 -> Revisão unidade – 6º ano leia os textos abaixo. Texto o sapateiro
2015 -> Linhas da cúspide da casa e do fim da casa 6 os graus da cúspide e do fim
2015 -> Casa semana Mapeamento celestial
2015 -> Linhas da cúspide da casa e do fim da casa 6 os graus da cúspide e do fim


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