Carmen, Uma biografia Ruy Castro



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Grofé em 1931 e um

dos pilares da música erudita americana. Braguinha gelou. Se descobrissem

que ele a plagiara,

meter-lhe-iam um processo e tomariam tudo que ele tinha. Talvez tomassem

até a Fábrica de

Tecidos Confiança, de sua família - aquela do apito de que falava Noel

Rosa em "Três apitos".

Mas nada aconteceu. Na Feira, se algum americano percebeu a semelhança

entre "Laia" e "On the

trail", só deve ter se espantado com o fato de que, no Brasil, alguém

tivera uma idéia parecida

com a do seu compositor. E mais intrigado ficaria se entendesse a

debochada letra que Braguinha

e Alberto acoplaram à melodia de Grofé:


Amei Laia
Mas foi Lelé
Quem me deixou jururu
Lilifoi má
Agora só quero Lulu...
Em Streets of Paris, a única região da anatomia de Carmen à mostra na

baiana foi mapeada pelo

repórter Robert Sullivan como "entre a sétima costela e um ponto na

altura da cintura" - ou seja,

acima do umbigo, este pudicamente coberto. Mesmo assim, Sullivan

classificou aquela região de

"zona tórrida". Outro, ao falar das mãos de Carmen, escreveu que elas

podiam fazer "do mais

inocente gesto decorativo uma positiva violação dos estatutos". Mas, se o

gesto era inocente e

decorativo, essa violação dos estatutos não estaria na cabeça do

repórter? E a frase de Wolcott

Gibbs na New Yorker não era tão inocente assim. Em inglês, as emoções que

ele atribuía a seus

colegas eram "rather hard to get down discretely on paper" - Gibbs, ex-

colega de Marc

Connelly na "mesa redonda" do Algonquin, estaria insinuando que Carmen

provocou ereções em

seus colegas? Ao mesmo tempo, havia quem elogiasse Carmen por não fazer

"gestos sugestivos"

em Streets of Paris e por ter apenas "quatro dedos de pele à mostra"

(entre a bata de renda e a saia

de losangos), numa referência ao que se considerava um festival de nudez

na Feira Mundial.


Durante as primeiras semanas, os jornalistas ficaram na dúvida sobre se

Carmen se enquadrava na

única categoria de "latinas" a que eles estavam habituados: a das vamps e

mulheres fatais que,

desde o estouro de Lupe Velez e Dolores Del Rio, dez anos antes, chegavam

regularmente a

Nova York para ocupar o lugar delas. Mas Carmen não tinha nada de vamp ou

de mulher fatal. Ao

contrário, era engraçada - ou, pelo menos, fazia rir com suas tentativas

iniciais de falar inglês a

partir das duas aulas semanais que tomava na Barbizon School of

Languages.


215
Carmen certamente tropeçou nessas tentativas, mas foi Claude Greneker,

chefe de imprensa de

Shubert, quem inventou o inglês de pé quebrado que a caracterizaria - e a

personalidade meio

aluada que falava daquele jeito.
Um jornal a descreveu, no seu terceiro mês em Nova York, indo a um

nightclub com os rapazes do

Bando da Lua e dando ordens a que não se sentassem com ela:
"You three seet at this table, you three seet at that. I seet alone. How

would eet look for one girl to

seet weeth six mens?"
Com três meses de Nova York, o inglês de Carmen ainda não chegava para

construções

gramaticais complexas como a da última frase. E por que ela falaria

inglês com o Bando da Lua se

eram todos brasileiros? E por que faria questão de se sentar sozinha se

um deles era seu

namorado?
Outro jornal a mostra se queixando de que todo mundo que lhe é

apresentado convida-a a jantar,

obriga-a a beber e, por causa disso, ela está engordando:
"Everee day the mens come and want I most go in de cafés. Always dey want

I most dreenk. But I

will not dreenk - he is bad for de leever. Só I eat and eat and eat and I

get beeg like de horses.

Always I eat in dis contree. De eat is verree, verree good. I must stop

him!"
Era hilariante, mas tudo inventado. Nesse segundo caso, a construção

gramatical era um horror,

tanto quanto a "pronúncia" que lhe atribuíam. A esses imaginativos

jornalistas, jamais ocorreu que

Carmen tinha um ouvido de cantora - um ouvido que conseguia reproduzir

qualquer som e era

craque em imitações. Mas ali já estava em andamento, para Greneker, a

idéia de que, se Carmen

falasse "errado" e com sotaque, o público e a imprensa gostariam ainda

mais dela. E ele se

encarregava de abastecer os repórteres com histórias desse tipo, já

devidamente traduzidas para

o inglês fonético que se atribuía a Carmen.


Não apenas isso, mas do escritório de Greneker saiu também uma nova

versão da vida de

Carmen, em "primeira pessoa", criada por ele, ela própria e Aloysio e,

depois, também vertida

para inglês fonético. Por essa história, que passou a ser a oficial, a

origem da família de Carmen

era agora Lisboa, por ser a capital, não mais a região do Porto. Seu pai

nunca fora barbeiro.

Começara a vida em Portugal como caixeiro-viajante e, no Brasil, tornara-

se um próspero

atacadista e exportador de frutas - tudo a ver com as frutas que ela

usava no turbante, não? Aliás,

sua família chegara ao Rio quando ela tinha três meses - e o ano, já se

sabe, era 1914. Por essa

versão, Carmen se descreve como "uma moça de convento" que "gostava de

cantar" e teve de

enfrentar uma séria oposição de seus pais para se tornar cantora. Conta

ainda que, no Brasil, "as

pessoas de boa família não se misturam socialmente com os artistas" - o

que podia ser verdade,

mas não no seu caso, que tinha livre trânsito entre as melhores famílias

e até namorava rapazes

saídos delas. E era estranho também

que, segundo Carmen, nenhuma moça brasileira pudesse "sair à rua

desacompanhada" - quando

ela própria tivera todas as ruas do Rio à sua disposição desde os

dezesseis anos.

Contraditoriamente, disse também a um repórter que, ao sair da escola aos

quinze anos, seu pai

lhe arranjara um emprego como modelo numa loja de departamentos, onde

ficara três anos. Se o

repórter tivesse lhe perguntado o nome da loja, Carmen ficaria em apuros

para responder.

216


Greneker alimentava os jornalistas com esse material, mas não pndia

controlar Carmen o tempo

todo. Para cada repórter que lhe perguntava a idade, por exemplo, Carmen

dava uma resposta

diferente - sempre entre 25 e 28, nunca chegando aos verdadeiros trinta.

E, tentando ser amável

com os americanos, ela às vezes os idealizava:
"Na América do Sul, uma cantora não é considerada "boa coisa"", disse

Carmen para o repórter

Peter Kihss, do New York World-Telegmm. "Uma cantora de rádio ainda pode

ter vida social.

Mas uma pequena de cabaré, de cassino, de nightclub - pu! Aqui [nos

Estados Unidos] é

diferente. Tenho convites todos os dias. Deixam cartões em meu camarim.

Sabe quem era aquele

rapaz alinhado? Pois nada menos que o governador de Massachusetts. It"s a

maravilha!"


Mais uma vez, Carmen estava sendo injusta para com os grã-finos e rapazes

de boa família que a

cortejaram no Rio, dois dos quais ela namorou e com quem era vista em

toda parte. Se mais não

namorou, foi porque não quis. Além disso, ninguém podia garantir que os

alinhados rapazes

americanos que lhe deixavam cartões no camarim estivessem dispostos a se

casar com ela. E a

julgar pelo número de vezes em que passara a falar no assunto, esta

parecia ser a sua grande

preocupação: trabalhar mais dois ou três anos, casar, ter filhos e se

aposentar.


Uma reportagem na Carioca (não assinada, mas, com toda a certeza, de sua

amiga Sarah Harsah,

que estava em Nova York) fala do número de cartas perguntando à revista

se Carmen tinha

"alguém na América". Docemente constrangida, a revista entregou Aloysio

de Oliveira,

classificando-o como o "novo romance" de Carmen:
Essa é, talvez, a razão pelo qual o Bando da Lua, que sempre foi um

agrupamento independente,

trabalhando por conta própria, sem acompanhar ninguém, aceitou nesta

excursão aos Estados

Unidos um papel secundário, de simples acompanhador, aparecendo

freqüentemente citado como

a "orquestra de Carmen Miranda". O amor produz maravilhas. E os rapazes

do Bando da Lua são

seis d"Artagnans sorridentes e pacíficos, cujo lema é "um por todos e

todos por um". Neste

momento, todos são por Aloysio de Oliveira, que continua, assim, perto de

Carmen Miranda,

prolongando um romance que nasceu quando atuavam, a artista e a

orquestra, no Cassino da

Urca.
217
Pouco afeita a ler sobre seus namoros em letra de fôrma, Carmen negou

isso em um dos números

seguintes de Carioca:
A baiana tem torço de seda, sim, mas romance, não tem não. Os rapazes do

Bando da Lua sempre

constituíram para mim seis irmãos. Bons amigos e boa companhia, por serem

rapazes de boa

família e bem-educados, dignos de ser apresentados em qualquer sociedade.

Se Aloysio aparece

como meu scort por toda parte, é porque é o único, no Bando da Lua, que

fala inglês com

desembaraço, tendo sido contratado pela empresa Shubert para a função de

meu intérprete.


O caso com Aloysio era verdade - mas não era exato que os rapazes do

Bando da Lua fossem

um bando de d"Artagnans torcendo por ele. Seu apelido entre os demais do

Bando era

"macaquinho de madame". Na verdade, Aloysio era o pivô de uma discórdia

que já começara a

rachar o grupo.
No dia 30 de agosto, o violonista Ivo Astolfi fez o show do Bando da Lua

no Pavilhão do Brasil

na Feira Mundial, em Queens, no fim da tarde. Correu para o metrô com os

colegas e chisparam

para Manhattan a tempo de pegar a entrada de Carmen em Streets of Paris.

E, assim que o

espetáculo terminou, perto das onze da noite, Ivo despediu-se de Carmen e

da turma no camarim,

pegou as malas no hotel e tomou o vapor que saía para o Rio à meia-noite.

Pedira demissão. Com

menos de quatro meses em Nova York, Ivo estava fora do Bando da Lua.
A explicação oficial foi que ele estava com saudade da noiva que deixara

em Porto Alegre - e,

de fato, casou-se com ela e nunca mais pertenceu ao Bando da Lua ou a

qualquer bando. Mas

havia outro motivo. Ivo achava que o conjunto deveria continuar a ter

vida própria, como

acontecia no Brasil, e não concordava com as recusas de Aloysio aos

convites que o Bando

recebia para se apresentar sem Carmen. Além disso, não lhe agradava a

crescente liderança de

Aloysio. O Bando nunca tivera um líder - mas, por Aloysio funcionar como

intérprete de

Carmen, Shubert pagava a ele mais dez ou quinze dólares por semana que

aos outros. Por causa

disso, Aloysio não tinha mais tempo para nada, só para Carmen, com quem

estava praticamente

morando. Para Ivo, quebrara-se a união dentro do Bando, a confiança e,

talvez, a amizade. O jeito

era pegar o boné - e o navio - e voltar para o Brasil.
Meses antes, às vésperas da viagem para Nova York, Ivo e Hélio estavam

demissionários e até já

tinham substitutos: Laurindo de Almeida e Garoto. Na última hora, os dois

mudaram de idéia e

embarcaram. Agora, Ivo estava fora, definitivamente. A pedido de Aloysio,

Carmen escreveu para

Garoto no Rio, convidando-o a juntar-se ao Bando - dessa vez, para valer.

Garoto respondeu

que aceitava e prometeu embarcar o mais depressa possível. Cumpriu a

promessa.

218
Na verdade, embarcou tão depressa que só se lembrou de enfiar no bolso

uma escova de dentes, a

carta de Carmen e o passaporte - e nenhum documento americano autorizando

sua entrada nos

Estados Unidos. Por causa disso, ficou retido mais de uma semana na

sinistra Ellis Island, da qual

só foi liberado por interferência pessoal de Shubert. Entre a saída de

Ivo e a chegada definitiva

de Garoto, o Bando da Lua se virou com outro notável interino: Zezinho,

membro da orquestra de

Romeu Silva no Pavilhão do Brasil na Feira Mundial.
Não havia mais volta para Carmen, e ela já se convencera disso. Tanto que

saíra do Saint Moritz e

alugara um flat mobiliado no Century Apartments, um apart-hotel no número

25 de Central Park

West, ao lado de Columbus Circle. Seu telefone era Circle 6-5692. E,

assim que foi instalado,

começou a tocar. Toda Nova York a chamava.

Capítulo 13

1939
Cápsulas mágicas

Bem que Marc Connelly lhe garantira que o senhor Shubert era um "homem

honesto". Streets of Paris

mal entrara em cartaz e as possibilidades com que Shubert acenara para

Carmen começavam a se

concretizar. No dia 29 de junho, meros dez dias depois da estréia em Nova

York, Carmen e o

Bando da Lua foram contratados para aparecer durante três meses no

programa semanal de maior

audiência do rádio americano: The Fleischmann Hour, comandado pelo cantor

Rudy Vallée

(pronuncia-se Valei), na NBC, às quintas-feiras. Era bom dinheiro:

quinhentos dólares por semana

para Carmen e cinqüenta para cada membro do Bando da Lua, começando no

dia 3 de julho.
Só que, como combinado, metade desse valor ia para Shubert, e descontado

na fonte: o

pagamento era feito à Select, que tirava o seu, repassava o restante a

Carmen, e esta pagava ao

Bando. Seja como for, pelos três meses seguintes, eram mil dólares a mais

por mês para Carmen e

cem para cada homem do Bando, por meia hora de participação por semana -

tempo em que ela

cantava duas ou três músicas e "dialogava" em inglês e português com o

comediante Lou Holtz,

especialista em imitações lingüísticas, e com Vallée. Quando Carmen

falava em português, todos

riam e ela também ria - fazendo com que, desde o começo, os americanos

rissem com ela, não

dela. Quando parecia falar em inglês, estava apenas lendo foneticamente

os diálogos escritos

pelos redatores do programa.
Se Carmen achou que era fácil, enganou-se. Para dar conta de sua meia

hora semanal, ela e o

Bando tinham de ir várias vezes à estação para aprender os arranjos e

ensaiar as falas, porque o

programa precisava estar no ponto para parecer "espontâneo" quando fosse

ao ar ao vivo -

nada daquela irresponsável (e deliciosa) improvisação da Mayrink. Era

trabalhoso para Rudy

também. Foi difícil para ele aprender foneticamente as letras de "O que é

que a baiana tem?" e

"No tabuleiro da baiana" para fazer dupla com Carmen em português.
Um dos colegas fixos de Carmen no programa era John Barrymore - por quem

ela tanto

suspirara ao vê-lo em Don Juan (1927) e em muitos outros filmes.

Barrymore tinha sido o maior

ator do teatro americano nos anos 10 e 20 e um tremendo ídolo romântico

do cinema mudo. Seu

apelido era "The great

profile" - o grande perfil -, e os diretores obrigavam-no a passar boa

parte do filme de ladinho

para a câmera. Mas a bebida devastara seu rosto, de frente e de perfil, e

liquidara seu intestino

grosso, fígado e pâncreas. Aos 57 anos, Barrymore vivia a suprema ironia:

sua participação em

cinema, teatro e rádio limitava-se a paródias da sua velha glória - só

lhe davam o papel de um

ator bêbado e decadente. Carmen e o Bando ficavam passados quando ele

tirava do bolso

umaflask preta contendo um vermute aguado, preparado por seu enfermeiro -

porque uma

simples dose já bastava para alterá-lo.

220

Num dos programas, Carmen dividiu o microfone com Bing Crosby e as



Andrews Sisters. Alguns

artistas veriam isso como o ponto alto de suas vidas - não pelas Andrews,

é claro, mas por Bing.

Em 1939, ele já era considerado o melhor, o maior e o mais influente

cantor popular do milênio, e

sua carreira ainda estava longe do apogeu. O antecessor de Crosby na

música americana fora

justamente Rudy Vallée, o primeiro a tentar cantar com a clareza e a

suavidade que o microfone

permitia. Crosby entrou em cena logo em seguida, e não sobrou para

ninguém. Mesmo assim,

Rudy continuou popularíssimo e, tantos anos depois, seu programa ainda

era o mais ouvido do

país. O patrocinador, a família Fleischmann, era a conhecida fabricante

de aveia, fermento e

gelatina, e também proprietária da revista The New Yorker.


As coisas estavam acontecendo muito depressa para Carmen. Já na primeira

semana de julho,

Hollywood bateu à porta. Vários estúdios sondaram Shubert em busca de uma

"opção" pelos

serviços de Carmen, mas o primeiro a apresentar-lhe algo definido foi a

20th Century-Fox. Com

autorização de Shubert, Joseph Pincus, "caçador de talentos" da Fox em

Nova York, foi conversar

com Carmen no camarim do Broadhurst tendo em vista sua participação num

filme musical em

Technicolor. A certeza de um acordo era tão grande que, para adiantar o

serviço, um assistente de

Pincus já começou a tomar as medidas de Carmen e do Bando da Lua ali

mesmo, para o guarda-

roupa, e disse que, em Hollywood, o figurinista Travis Banton estava

esfregando as mãos diante

do que pensava em criar para Carmen. Quanto ao Bando da Lua, a idéia era

vesti-los com um

traje "tipicamente brasileiro": chapéu de palha, camisa quadriculada,

calças de zuarte, chicote e

botas. Ao ouvir isso, os ultra-urbanos Aloysio, Vadeco e demais reagiram

revoltados contra essa

caipirice. Pediram a Pincus que aplicasse seu fino tato aos ternos que

eles estavam usando -

feitos por seu alfaiate do largo do Machado - e lhe informaram que

aqueles eram trajes

"tipicamente brasileiros". Pincus murchou as orelhas e prometeu informar

Banton.
Shubert e a Fox acertaram a realização de um teste em Technicolor e, no

dia 17 de julho, às 10h30

da manhã, Carmen e o Bando foram filmados cantando duas ou três músicas

no velho estúdio

Movietone, da própria Fox, na Rua

10 Leste, em Nova York. O teste foi mandado para Darryl F. Zanuck em

Hollywood. Se Zanuck

gostasse e os contratasse para o filme, Carmen receberia 10

mil dólares e o Bando da Lua, 2400 dólares (quatrocentos para cada

branco) por três semanas de

trabalho, mais 555,55 e 133,33 dólares, respectivamente, por semana

extra. Outros 10 mil dólares

iriam para o bolso de Shubert - e mais quinhentos dólares para Shubert

pela cessão da canção

"South American way", cujos autores, Jimmy McHugh e Al Dubin, também

levariam quinhentos.

Não havia menção no contrato sobre o uso das canções brasileiras no

filme.
221

O teste de Carmen foi considerado um dos melhores em cores já vistos pelo

estúdio. O fotógrafo

Leon Shamroy deu o seu voto:


"A câmera vai dar pulos quando a fotografar. É extraordinária!"
Zanuck ordenou sua contratação imediata para o filme e os papéis foram

assinados por Shubert e

pelo homem de Zanuck na Costa Leste, Joseph Moskowitz. As filmagens com

Carmen estavam

previstas para janeiro de 1940 e normalmente seriam feitas em Hollywood,

mas, nesse caso - e

fazendo uma exceção inédita -, a Fox concordou em rodá-las em Nova York,

porque Carmen

ainda estaria em cartaz com Streets of Paris e não poderia viajar. As

seqüências musicais de

Carmen seriam filmadas antes que o roteiro ficasse pronto. Decidiu-se

então que Carmen só

apareceria no palco e, deste, se cortaria para a platéia, onde a ação

continuaria.


Shubert e a Fox transformaram Carmen em objeto de uma guerra de

exigências. Uma cláusula

exigida por William Klein, advogado de Shubert, rezava que "em hipótese

alguma Miss Miranda

terá de filmar entre dez da noite e oito da manhã" - cláusula mais que

conveniente, porque

permitiria a Shubert acertar compromissos para Carmen em nightclubs

durante a filmagem. Já a

Fox exigia que Carmen não fizesse nenhuma referência a seus filmes

brasileiros nas entrevistas à

imprensa. Ela deveria ser uma "descoberta" de Hollywood. O motivo

principal dessa exigência

era evitar que se repetisse o caso de Êxtase (Ekstase), filme tcheco de

1933 em que a estreante

Hedy Lamarr aparecia nua e tendo um orgasmo explícito - seis anos depois,

a Metro acabara de

contratá-la e estava indo de ceca em meça, à cata de cópias do filme,

para destruí-las. Não havia

a menor chance de os alô-alôs da Cinédia e de Wallace Downey serem como

Êxtase (quem

dera!), mas a Fox não queria correr riscos.
Shubert poderia ter feito um balanço da situação. Nas primeiras três

semanas desde a estréia de

Streets of Paris, sua contratada Carmen Miranda já tivera matérias de

arromba em revistas como

Life, Look, Vogue, Esquire, Pie e Harper"s Bazaar, e fora capa do Sunday

Mirror. Estava no

programa de rádio de Rudy Vallée e acabara de ser contratada para um

filme musical da Fox -

sem falar nas hordas que, diariamente, voltavam da porta do Broadhurst. O

salário de Carmen em

Streets of Paris - quinhentos dólares fixos, mais 250 por um "segundo

compromisso" -já se

tornara nominal. O que ela estava ganhando por fora superava, e muito, o

que ele lhe pagava. E

Carmen também já sabia disso, mas não podia se queixar. Fora por causa de

Streets of Paris que a

Fox se dispunha a lhe dar 10 mil dólares por três semanas de batente. E

10 mil mangos

dos deles eram 220 contos de réis - o que, no Rio, ela levaria mais de

dois meses para

ganhar.

222


Teatro, rádio e cinema - tudo isso já era seu em menos de um mês. O que

faltava? O maior palco

de todos: as ruas de Nova York.
As primeiras a imitar as roupas de Carmen tinham sido as coristas de

Streets of Paris, ainda em

Boston. Pouco depois de a conhecerem, várias delas começaram a aparecer

para os ensaios

usando turbantes de passeio e plataformas. Em troca, fora com elas que

Carmen aprendera a usar

unhas postiças. Sua falta de prática, no entanto, estava sujeita a

acidentes - como no dia em que,

ao tomar banho, perdeu uma unha postiça dentro da vagina e teve de ir a

um ginecologista para

extraí-la.


Catálogo: 2015
2015 -> Componente Curricular: Enfermagem Médica Profª Mônica I. Wingert Módulo II turma 201E
2015 -> Visando melhorar o desempenho e cobertura do Programa Coletivade Odontologia Preventiva do Escolar e ao mesmo tempo incentivar a participação de todos os municípios e facilitar a Operacionalização, Controle e Avaliação do mesmo
2015 -> Relatório Anual de Atividades Modelo – Sorriso do Bem 2015 – Dentista do Bem
2015 -> Regeneração Ad Integrum da Cabeça do Côndilo em uma Paciente com Disfunções Temporomandibulares
2015 -> Revisão unidade – 6º ano leia os textos abaixo. Texto o sapateiro
2015 -> Linhas da cúspide da casa e do fim da casa 6 os graus da cúspide e do fim
2015 -> Casa semana Mapeamento celestial
2015 -> Linhas da cúspide da casa e do fim da casa 6 os graus da cúspide e do fim


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