Candidose em pacientes com próteses removíveis



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candidose em indivíduos portadores de próteses removíveis

Susana d’Avila1, Jamil Awad Shibli2 e Maria Regina Sposto3

  1. Pós-Graduanda do Programa de Reabilitação Oral da Faculdade de Odontologia de Araraquara, UNESP.

  2. Professor Adjunto do Departamento de Periodontia da Faculdade de Odontologia da Universidade de Guarulhos.

  3. Professor Adjunto do Departamento de Diagnóstico e Cirurgia da Faculdade de Odontologia de Araraquara, UNESP.



O que é Candidose?

A cavidade bucal apresenta propensão a desenvolver alterações locais ou decorrentes de doenças sistêmicas, podendo levar a um desequilíbrio biológico entre microrganismos bucais e o hospedeiro acarretando na instalação de um quadro de infecção1.

A Candidose em pacientes usuários de Próteses Removíveis Totais ou Parciais é um processo inflamatório que envolve a mucosa do palato recoberta pela resina deste tipo de prótese2. Este processo é gerado por uma infecção que tem diversos fatores como origem, inclusive a colonização por fungos do gênero Candida. Embora a presença deste fungo na boca seja considerada como uma condição normal de comensalismo3,4, a transição desta condição para uma situação de parasitismo (ou doença) está relacionada ao desequilíbrio que ocorre entre o hospedeiro e o fungo5. Esse desequilíbrio torna o fungo capaz de romper as barreiras de proteção da mucosa bucal6,7 e na maioria das vezes está relacionado a fatores locais do hospedeiro5,6,8,9. Dentre estes fatores podemos citar o uso de próteses (principalmente as próteses totais, ou dentaduras); o trauma dos tecidos devido a sua oclusão inadequada; a higiene bucal deficiente; a dieta rica em carboidratos; a xerostomia (muitas vezes por uso de medicamentos), a idade do indivíduo, além de desordens endócrinas, imunológicas e doenças malignas4. Indivíduos que apresentam alguns desses fatores podem ser considerados propensos a apresentar candidose10,11.

Quais são os sintomas clínicos?

Na maioria das vezes o indivíduo não apresenta sintomas relacionados a Candidose, entretanto, podem ser relatados ardência bucal, prurido e/ou sensação de boca seca. A Candidose é identificada pelos seus sinais clínicos (figuras 1 e 2), como presença de petéquias ou áreas avermelhadas (eritema difuso) e em casos mais severos, hiperplasia da mucosa do palato (de forma granular).



Figura 1 – Eritema difuso observado na mucosa palatina de paciente usuário de prótese removível total.

Figura 2 – Eritema difuso observado na mucosa do rebordo alveolar de paciente usuário de prótese removível parcial.

Como evitar a Candidose?

Entre as maneiras preconizadas para se evitar a Candidose por Prótese estão a manutenção e quando necessário à troca das próteses (média de 5 anos), o cuidado com a higiene bucal (mucosa e dentes) e a limpeza das próteses. Quanto às medicações que induzem xerostomia (diminuição do fluxo salivar ou “boca seca”), deve-se consultar o médico avaliando se é possível à substituição do medicamento, a diminuição da dosagem, ou ainda a mudança de horário para a ingestão do mesmo (preferencialmente durante o dia). Existem dificuldades e controvérsias na aceitação sobre a remoção das Próteses durante o período noturno. Embora o indivíduo relute para a retirada das próteses no período noturno, ele deve ser conscientizado de que as mucosas da boca e principalmente a mucosa palatina devem ficar banhadas pela saliva. A saliva possui ação lubrificante e antiinfecciosa importantes para a manutenção da integridade das mucosas. Além disso, o relaxamento das mucosas da boca e da musculatura do complexo maxilo-mandibular também é prejudicado se o indivíduo dormir com a(s) prótese(s). Na verdade, o único período que o indivíduo não necessita da função (mastigação) ou da estética, propiciadas pelas próteses removíveis, é o período noturno. Assim, a remoção das próteses sugerida neste período não causa prejuízos às atividades do indivíduo. As exceções para esta recomendação são os indivíduos que possuem desordens temporomandibulares ou que apresentem dor na ausência das próteses.

A troca das próteses é recomendada para corrigir o comprometimento dos requisitos funcionais e estéticos. As resinas das próteses apresentam alterações importantes em sua estrutura como trincas e aumento da porosidade durante a sua utilização. Logo, quando suas características básicas ficam comprometidas, não assegurando a funcionalidade das mesmas, há a necessidade de substituição das mesmas. Vale ressaltar ainda que durante esse período existe a necessidade de reavaliação da adaptação, oclusão e higiene dessas próteses e exame clínico dos tecidos moles.

Para a higienização da mucosa bucal é recomendado o uso de uma escova dental extra-macia associada ou não ao uso do dentifrício. Os movimentos devem ser suaves e devem estender-se às mucosas dos rebordos alveolares, gengivas e à língua. Para os indivíduos muito sensíveis que relatam que a escova machuca pode-se sugerir o uso de uma gaze, que da mesma forma deve estender-se por toda a mucosa do rebordo. Para a limpeza da língua, pode ser indicado o uso do raspador de língua. Este deve ser usado colocando-o no terço posterior do dorso da língua e tracionando-o para a ponta da língua. O movimento deve ser repetido até não se observar à presença de detritos, devendo-se enxágua-lo com água entre os movimentos. Os bochechos com anti-sépticos bucais são opcionais, porém não devem ser utilizadas soluções com álcool na sua composição.

Para a higiene das próteses, existe uma escova especial para limpeza. Esta possui cerdas nos dois lados. Um conjunto de cerdas para limpar a parte externa da prótese (dentes e acrílico polido) e outro para limpar a parte interna da prótese (acrílico áspero da área chapeável da prótese). A escovação (limpeza) das próteses deve ser feita inicialmente com sabão de coco e em seguida com dentifrício, após todas as refeições. Também existe no comércio produto específico (pastilhas efervescentes) para higienização química das próteses. A sua utilização é opcional e nunca deve substituir a escovação manual. Apenas o enxágüe das próteses com água também não é suficiente. Pode-se ainda, completar essa higiene das próteses com uma limpeza química deixando a prótese em uma solução de água com bicarbonato de sódio (em um copo de água filtrada dissolver uma colher de café de bicarbonato de sódio). Pode-se utilizar também uma solução de água com hipoclorito de sódio (em um copo de água filtrada dissolver uma colher de café de hipoclorito de sódio, podendo-se utilizar água sanitária ou solução de Milton). Esta solução contendo hipoclorito não deve ser utilizada em Prótese ou Aparelhos Removíveis que contenham estrutura metálica. Essas limpezas químicas devem ser feitas durante a noite, no período que o paciente descansa do uso das Próteses Removíveis. Após a limpeza química das Próteses as mesmas devem ser escovadas e lavadas antes de serem utilizadas em contato com a mucosa.

Os produtos adesivos para a fixação das próteses não devem ser usados rotineiramente. A necessidade de sua utilização pode indicar que está no momento da troca da prótese. Além de aumentarem a pressão sobre os tecidos, podem favorecer a colonização e proliferação de microorganismos no espaço entre a base das próteses e a mucosa bucal.



A Candidose tem tratamento?

O tratamento da Candidose em mucosa bucal de indivíduos usuários de Próteses Removíveis na mucosa deve ser feito com antifúngicos tópicos. Dentre os mais indicados há a solução de nistatina e o gel de miconazol que apresentam excelentes resultados. Quaisquer desses antifúngicos tópicos devem ser utilizado em associação com os métodos de higienização da mucosa bucal, língua e próteses já descritos anteriormente, para a obtenção de melhores resultados.



A responsabilidade do Cirurgião-Dentista no tratamento reabilitador com Próteses Removíveis deve ser complementada com a orientação sobre os cuidados que devem ser tomados pelo indivíduo a partir da instalação das próteses. Estes cuidados envolvem desde a orientação com a higienização das mucosas e das Próteses, suspensão do uso das Próteses para dormir, visitas de reavaliação das Próteses e tratamento das candidoses causadas pelas mesmas. Assim, a responsabilidade na prevenção e tratamento dessas Candidoses, têm o objetivo de preservação da saúde bucal evitando que a boca se torne sítio para a instalação de infecções que podem se disseminar em quadros sistêmicos.

Referências Bibliográficas:

  1. FONSECA, J.B. Candidíases. Aspectos de interesse odontológico. In: Lacaz, C.S. Candidíases. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo-EDUSP,1980, cap. 10, p. 130-146.




  1. BARBEAU, J. et al. Reassessing the presence of Candida albicans in denture-related stomatitis. Oral Surg. Oral Med. Oral Pathol. Oral Radiol. Endod., St. Louis, v. 95, n.1, p.51-59, Jan. 2003.




  1. McMULLAN-VOGEL, C.G. et al. Serotype distribuition and secretory acid proteinase activity of Candida albicans isolated from the oral mucosa of patients with denture stomatitis. Oral Microbiol. Immunol., Copenhagen, v. 14, n. 3, p. 183-189, June. 1999.




  1. SAMARANAYAKE, L.P. Host factors and oral candidosis. In: SAMARANAYAKE, L.P.; McFARLANE, T.W. Oral Candidosis. Cambridge, Wright, 1990, cap. 5, p. 66-103.




  1. D’AVILA, S. Avaliação clínica e micológica de pacientes portadores de prótese total superior. Dissertação de Mestrado em Reabilitação Oral na Faculdade de Odontologia de Araraquara, UNESP, Araraquara, 2003, 124p.




  1. JORGE JÚNIOR, J. Influência de fatores locais e sistêmicos na presença do gênero Candida na boca de idosos. Tese de Doutorado em Ciências na Faculdade de Odontologia de Piracicaba, Universidade de Campinas, Piracicaba, 1996, 160p.




  1. SHEPERD, M.G. The pathogenesis and host defense mechanisms of oral candidosis. N Z Dent. J., Auckland, v. 82, n.369, p.78-81, Jul. 1986.




  1. FOTOS, P.G.; HELLSTEIN, J.W.; VICENT, S.D. Oral candidosis revisited. Gen. Dent., Chicago, v. 39, n. 6, p. 422-430, Nov./Dec. 1991.




  1. OKSALA, E. Factors predisponing to oral yeasts infections. Acta Odontol. Scand., Oslo, v. 48, n. 1, p. 71-74, Feb. 1990.




  1. ARENDORF, T.M.; WALKER, D.M. Candida albicans: its association with dentures, plaque and the oral mucosa. J. Dent. Assoc. South Africa, Pretória, v.2, n.3, p. 563-568, Aug. 1980.




  1. JORGE, A.O.C. et al. Presença de leveduras do gênero Candida na saliva de pacientes com diferentes fatores predisponentes e de indivíduos controle. Rev. Odontol. Univ. São Paulo, São Paulo, v. 11, n. 4, p. 279-285, out./dez. 1997.






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