Caminhos Percorridos pela Linha de Pesquisa



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III Encontro da ANPPAS

23 a 26 de maio de 2006-02-26

Brasília-DF

Caminhos Percorridos pela Linha de Pesquisa


Ambiente e Sociedade” do Programa de

Pós-Graduação Interunidades em Ecologia de Agroecossistemas da Universidade de São Paulo

Laura Alves Martirani
Universidade de São Paulo, Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”

Maria Elisa de Paula Eduardo Garavello


Universidade de São Paulo, Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”



Resumo do trabalho
O trabalho analisa o processo de formação e consolidação da linha de pesquisa “Ambiente e Sociedade” do Programa de Pós-Graduação Interunidades em Ecologia de Agroecossistemas (PPGI-EA) da Universidade de São Paulo, tendo como base a reflexão teórica em torno dos conceitos de interdisciplinaridade, complexidade, racionalidade e pós-modernidade. Analisando dados como o processo de criação e de constituição do Programa e da Linha de Pesquisa, as disciplinas oferecidas, o perfil dos alunos e dos docentes, os objetos de estudo, metodologias empregadas, o estudo tenta evidenciar o modo como está se dando o diálogo entre ciências humanas e ciências naturais. Trata-se de uma sistematização e reflexão sobre a história, as dificuldades e os desafios desta experiência que envolve questionamentos de ordem paradigmática e que estão presentes em processos de construção de práticas interdisciplinares, característicos deste momento histórico.

Meio ambiente, interdisciplinaridade e pós-modernidade

“Uma verdadeira viagem de descobrimento não é encontrar novas terras, mas ter um olhar novo”.

Jacques Proust
As questões ecológicas, que indicam um caminho em direção à sustentabilidade, preservação e recuperação dos recursos naturais e melhoria da qualidade de vida, não podem ser tratadas nem trabalhadas de modo isolado, apenas sob a ótica da natureza, mas devem contemplar as relações homem-natureza, homem-homem e homem-ambiente, em seus múltiplos aspectos e formas de intercomunicação. Exigem o desenvolvimento de um modo de pensar complexo, que integre ou entrecruze saberes e metodologias de diferentes áreas do conhecimento, sejam elas ciências biológicas, exatas e/ou humanas, envolvendo desde aspectos filosóficos, de natureza abstrata, até conhecimentos científicos mais concretos e aplicados.

Trabalhar o homem e suas relações sociais numa perspectiva ecológica e ambiental significa desenvolver estudos e reflexões em torno da estrutura e formas de funcionamento de nossa sociedade, de sua cultura, de sua economia em consonância com estudos sobre o ambiente, desenvolvimento científico e tecnológico. Significa coordenar conhecimentos, saberes, concepções e percepções em torno do homem, em sua relação consigo mesmo, com seus semelhantes, com o mundo e com a natureza, de modo a visualizar, com profundidade analítica e fundamentação científica, rumos e parâmetros para se desenvolver propostas de ação, gestão e de intervenções em direção à sociedade que se deseja construir, isto é, uma sociedade mais sustentável.

As questões de ordem ambiental criam demandas e questionamentos, inclusive de práticas agrícolas, que vêem desencadeando a revisão de pontos de vistas, ideologias e metodologias nas ciências em geral. O momento é, conforme já discutido por diversos autores, de “um movimento de revolução cultural e intelectual”, de interrogação sobre as modalidades do saber, evidenciando-se uma crise de pensamento e de paradigmas (MORIN, SANTOS, LEFF) de escala mundial, talvez até, como salienta RAYNOUT semelhante àquela produzida durante a Renascença,
“quando os paradigmas que ordenavam a visão do universo e a percepção da posição do ser humano foram modificados ao mesmo tempo pelas descobertas galileana e coperniciana da não-centralidade da Terra no universo e pelo descobrimento do Novo Mundo (...) questionamentos surgem sobre a definição do objeto científico, sobre a condição do observador, sobre a pertinência de um esforço para achar regularidades e limites claramente estabelecidos dentro de um universo complexo submetido à desordem e à imprevisibilidade” (RAYNOUT, 2004, p.22).
Além disto e considerando os avanços nas áreas de biotecnologia, como as técnicas de clonagem, observa-se que “são as representações da pessoa humana, do sujeito humano, que estão sendo submetidas a um processo de reelaboração” inclusive aquelas relativas à relação e compreensão sobre o ser vivo, advindo “discussões éticas relativas à regulamentação das práticas médicas, das biotecnologias, das manipulações genéticas ou do uso da tecnologia” (RAYNOUT, 2004, p.22-23). No campo da agricultura estas discussões envolvem os transgênicos, uso de agrotóxicos, biodiversidade de espécies cultiváveis, defesa do patrimônio cultural (etnoconhecimento) e ambiental (patentes de nossa biodiversidade), impactos ambientais provocados por práticas agrícolas e zootécnicas, entre outros. Desafios, problemas e questões que não se limitam à pesquisa aplicada, mas cuja natureza, de dimensão ética, demanda análises de âmbito social e cultural, como também econômico e ambiental.

“A revalorização dos saberes não científicos e a revalorização do próprio saber científico pelo seu papel na criação ou aprofundamento de outros saberes não científicos implicam um modelo de aplicação da ciência alternativo ao modelo de aplicação técnica, um modelo que subordine o know-how técnico ao know-how ético e comprometa a comunidade científica existencial, ética e profissionalmente com impacto da aplicação”.(SANTOS, 1996, p.224).


Discussões como estas e que se inserem no campo dos problemas a serem tratados e trabalhados pela pesquisa em Ambiente e Sociedade, apresentam significativa complexidade. Trabalhar esta ou as complexidades que se configuram, parece ser o principal desafio que se coloca para as Ciências Humanas e Sociais neste contexto, especialmente por que e onde o próprio homem é autor, ator e objeto de estudo. É necessário que a ciência vá além das simplificações ou reducionismos para poder entender melhor a complexidade do mundo e do homem para desempenhar o papel que dela se espera.

O recorte do real, como salienta RAYNOUT, foi uma atitude arbitrária, porque o real já é de natureza interdisciplinar – “as barreiras entre as disciplinas e a hiperespecialização científica ocultam o real na sua complexidade e na sua permanente renovação” (2004, p.26).

O momento é, conforme SANTOS (1996) de um processo de questionamento da prioridade da racionalidade cognitivo-instrumental sobre as outras racionalidades (moral-prática e estético-expressiva) que caracteriza o período moderno para uma valorização das outras formas de racionalidade que despontam no cenário pós-moderno:

“A universidade que se quiser pautada pela ciência pós-moderna deverá transformar os seus processos de investigação, de ensino e de extensão segundo três princípios: a prioridade da racionalidade moral-prática e da racionalidade estético-expressiva sobre a racionalidade cognitivo–instrumental; a dupla ruptura epistemológica e a criação de um novo senso comum; a aplicação edificante da ciência no seio de comunidades interpretativas.”(SANTOS, 1996, p.223)

A construção de comunidades interpretativas é objeto de estudo e trabalho das ciências humanas e locus de exercício da interdisciplinaridade.

É hora de abandonar antigos limites disciplinares. Vivemos um momento rico e criativo no processo de geração de conhecimentos, momento e movimento que deve ser assumido e experimentado, pois que, como salienta MORIN (2002),

“a história das ciências não se restringe à da construção e proliferação das disciplinas, mas abrange ao mesmo tempo, as rupturas entre as fronteiras disciplinares, da invasão de um problema de uma disciplina por outra, de circulação de conceitos, de formação de disciplinas híbridas que acabam tornando-se autônomas”. (p.107)
O trabalho ora apresentado enfoca uma experiência nesse sentido, ainda em construção, a partir da criação do Programa Interunidades de Pós Graduação em Ecologia de Agroecossistemas na Universidade de São Paulo. Pretendeu-se analisar o processo de formação e consolidação da linha de pesquisa “Ambiente e Sociedade” nesse Programa, os caminhos percorridos e o modo como vem se dando esse processo de construção do conhecimento interdisciplinar, que incorpore e integre as Ciências Humanas e Agroecologia, conforme o referencial teórico acima exposto.

Para tanto, procedeu-se à análise documental do processo de criação do Programa e levantamento de dados como número e perfil dos professores/orientadores credenciados no programa e na área; disciplinas oferecidas, disciplinas credenciadas na área e disciplinas cursadas pelos alunos na condição de alunos especiais; número e perfil dos alunos; dissertações e teses defendidas e projetos de pesquisa em andamento. Procedeu-se também ao desenvolvimento de análises qualitativas, a partir de observação participante e entrevistas, com diálogo e reflexão, junto a professores e alunos do programa.



A Criação do Programa e da Linha de Pesquisa “Ambiente e Sociedade”

Em 2001, foi criado o Programa de Pós-Graduação Interunidades em Ecologia de Agroecossistemas (PPGI-EA) da Universidade de São Paulo, compreendendo docentes e pesquisadores da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” e Centro de Energia Nuclear na Agricultura. De acordo com a Proposta de criação do Programa, datada de junho de 1999 (PROCESSO/USP) a missão do mesmo era a de “formar e educar, de forma interdisciplinar, profissionais que pudessem atuar em processos ecológicos que afetem a distribuição, diversidade e abundância dos seres vivos e/ou a estrutura e funcionamento dos ecossistemas”. A proposta tinha como justificativa a importância atual da Ecologia como campo de pesquisa, especialmente no que se refere à Conservação, em sua interface com a Agricultura, reconhecendo que o “caráter sócio-econômico da agricultura hoje em dia caminha lado a lado ao caráter sócio-econômico da conservação da natureza” e que a:

“Agricultura, em sua dimensão mais ampla, incluindo a pecuária, silvicultura e agroindústria, ainda representa o conjunto de atividades humanas que mais impacto causa em ecossistemas naturais, pela destruição ou fragmentação de habitats em larga escala, pela poluição causada pelo uso de pesticidas, pela perda de solo e qualidade de água, ou ainda, pela introdução de espécies exóticas” (Ibid., p.1-3).
Referia-se ainda o documento, a uma considerável demanda pelo desenvolvimento científico e tecnológico que permitisse a minimização do impacto ambiental causado por atividades antrópicas como agricultura e poluição, a implantação de sistemas de exploração racional e sustentada de recursos naturais e a conservação de biodiversidade através da manutenção da estrutura e funcionamento dos ecossistemas (Ibid., p.1-2).

Ainda que tal perspectiva interdisciplinar só se torne possível através da pesquisa integrada das Ciências Humanas com as Ciências Biológicas, vale ressaltar que a proposta inicial do Programa contemplava uma única Área de Concentração, contendo seis Linhas de Pesquisas: Agroecologia, Bioestatística, Ecologia Animal, Ecologia de Ecossistemas, Ecologia Humana e Ecologia Vegetal. Havia a presunção de que o componente social da Proposta, estava contemplado na Linha Ecologia Humana.

Do mesmo modo, também no Relatório do PPGI – EA para o biênio 2000/2001(ibid., p.741-742), foi proposta a reestruturação das Áreas de Concentração e respectivas Linhas de pesquisa, compreendendo: Agroecologia, Modelagem Ambiental e Ecologia e Conservação, esta última incluindo a Linha de Pesquisa Ecologia Humana. Esta foi assim definida: “lida com os diversos aspectos da dimensão humana ligados à ecologia e conservação, estudando a adaptabilidade humana em relação ao uso dos recursos naturais”. Identifica-se nesse momento a forte influência do componente biológico no Programa, mesmo no que se refere à dimensão humana do processo. A própria ordem dos fatores ‘Ambiente’ e ‘Sociedade’ já é demonstrativo do privilégio que se dá ao primeiro, no locus onde se desenvolve o presente estudo. Não há ainda suficiente clareza sobre o que seja a dimensão “social”, limitando-se esta ainda a contextos específicos cultural e geograficamente delimitados.

O parecer de resposta ao Relatório e à referida proposta de alteração das Áreas de concentração, vem abrir uma polêmica pertinente ao assunto da Interdisciplinaridade. Diz o parecer:

“...a adoção de áreas de concentração e de linhas de pesquisa poderá acarretar limites à formação dos alunos, principalmente pelo estabelecimento de um núcleo de disciplinas para cada área, o que poderia, parcialmente, dificultar a prática interdisciplinar. Ressalta-se que a prática interdisciplinar não se dá através de disciplinas oferecidas por diversos docentes ou pelo curso de disciplinas de diversas áreas de domínio científico, mas na forma de aprender e relacionar os saberes destas áreas…”. (Ibid., p.751)
O argumento foi prontamente respondido pelo então presidente da Comissão do PPGI-EA, que ressaltou a necessidade de identidade das diferentes Linhas de Pesquisa: “só se consegue proporcionar uma real interação entre áreas que sejam reconhecidas formalmente, ou seja, que existam de direito e de fato. Do contrário, o caso mais comum, é a simples sobreposição de áreas, onde aquela melhor representada, ou que tenha mais recursos, ou mesmo um corpo docente mais aguerrido, finda por sobrepor-se às outras menos representadas ou estruturadas, ainda que não necessariamente menos importantes”(p.754). Poder-se ia verificar, que embora indiscutível a vocação interdisciplinar do Programa, a dificuldade de se estabelecer o seu modus operandi, principalmente no que se refere “forma de aprender e relacionar os saberes”, estando este ainda a ser construído.

Por outro lado, o mesmo documento trás esclarecimentos relativos à formação da Área em Ambiente e Sociedade”, com essa denominação, objeto do presente trabalho. O mesmo faz referência à constituição de grupos de trabalho, que teriam a função de completar a estruturação das áreas de Concentração “através da proposição de disciplinas formativas e do direcionamento de pesquisa futura à percepção, análise e solução de problemas ambientais, de forma interdisciplinar”. Entre tais disciplinas, a de Ambiente e Sociedade estaria em processo de elaboração (p.755) Em seguida, é proposto que “o componente humano será mais bem inserido na futura área de concentração ‘Ambiente e Sociedade’ (em gestação), e os componentes de uso sustentável, biotecnologia e modelagem serão proporcionados a partir da interação com as outras áreas do Programa” (7 fev. 2003)

Note-se que o termo ou a referência à Área específica, aparece pela primeira vez no processo. Entretanto, há a considerar que naquela ocasião não houve aprovação da divisão do Programa em Áreas pela USP, sendo que em 8 de julho de 2003 foi ativada uma reestruturação das Linhas de Pesquisa do Programa, quando então são estabelecidas as seguintes Linhas: Ambiente e Sociedade, formada pelas áreas do conhecimento em ‘Mídia e Conservação’e ‘Sociedade e Conservação’. Trata da abordagem humana aos problemas ligados à conservação da natureza. E ainda Biologia da Conservação, Ecologia de Agroecossistemas e Modelagem Ambiental, seguidas das respectivas descrições (ESCOLA SUPERIOR DE AGRICULTURA “LUIZ DE QUEIROZ”, 2005).

Essa configuração é a que permanece até o momento.

A área Ambiente e Sociedade congregou docentes e pesquisadores ligados às Ciências Humanas (ciências sociais e humanidades) que já vinham se dedicando ao tema, num processo de trabalho envolvendo a reflexão, valorização e atuação das ciências humanas no contexto da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP). Entre os objetivos visados pelo grupo estava o de fomentar a análise e discussão em torno do papel das ciências humanas na pesquisa e no processo de construção de sociedades sustentáveis e sobre suas formas e métodos de produção científica. Tal objetivo implicava o desenvolvimento de um trabalho teórico e aplicado, de modo a contribuir com a busca de caminhos e soluções para as questões de ordem sócio-ambiental.

Esta discussão foi inserida no contexto do grupo de docentes que compôs a Linha de Pesquisa “Ambiente e Sociedade” do PPGI-EA.


O Programa de Pós-Graduação Interunidades Ecologia de Agroecossistemas (PPGI-EA)

A configuração do Programa pode ser identificada conforme a tabela a seguir. Observa-se que, do conjunto de professores credenciados (36), cerca de 14% são de docentes ligados à Linha de Pesquisa Ambiente e Sociedade (5):




Linhas de pesquisa do Programa de Pós-graduação Interunidades de Ecologia de Agroecossistemas

Número de docentes/orientadores credenciados no programa por linha de pesquisa

Total de docentes de cada linha

Ecologia de Agroecossistemas




13

Biotecnologia Ambiental

4




Ecotoxicologia

3




Sistemas Sustentáveis de Produção

6




Modelagem Ambiental




9

Bioestatística

2




Biogeoquímica

5




Geoprocessamento

2




Biologia da Conservação




9

Manejo da Vida Silvestre

7




Recuperação de Áreas Degradadas

2




Ambiente e Sociedade




5

Mídia e Conservação

2




Sociedade e Conservação

3




Total de docentes credenciados no programa




36

Tabela 1: Número de docentes/orientadores credenciados no programa por linha de pesquisa
Além destes docentes o Programa conta com a participação de orientadores pontuais (docentes não-credenciados no programa).

Aspecto relevante, considerado ponto chave do Programa, com vistas ao seu caráter interdisciplinar, é a existência dos Comitês de Orientação, coordenados pelo orientador, mas complementados por pesquisadores de áreas do conhecimento abrangidas pelo tema de pesquisa do pós-graduado. Estes Comitês são formados por três membros no caso do aluno de nível de mestrado (orientador mais dois membros) e cinco membros no caso de alunos de nível de doutorado (orientador mais quatro membros). O objetivo dos mesmos é promover e estimular a interlocução entre pesquisadores de outras instituições e programas, de modo a favorecer trânsitos disciplinares e enriquecer a formação dos alunos e o processo de desenvolvimento de projetos, complementando, assim, possíveis lacunas existentes. A experiência tem demonstrado que esse tipo de co-orientação, na grande maioria dos projetos concluídos, trouxe resultados expressivos para a formação dos alunos.

Com relação a “Ambiente e Sociedade” observa-se a participação nos Comitês, de docentes da UNICAMP, da UNESP, de diversas unidades da USP, como Instituto de Psicologia e Escola de Comunicação e Artes, UFSCAR, PUC - São Paulo, Universidade São Francisco, UNIMEP, SENAC, entre outras, além de docentes ligados a outros programas de Pós-graduação da ESALQ e do CENA.

No que tange ao oferecimento de disciplinas, de um total de treze disciplinas credenciadas no Programa, com a sigla ECO e oferecidas pela ESALQ e pelo CENA, seis entre elas, são oferecidas por docentes ligados a esta Linha de Pesquisa (“População, Floresta e Agricultura”; “Educação, Ambiente e Floresta”, “Antropologia”; “Ecologia Evolutiva Humana”; “Imagens da Natureza na Mídia” e “Educação e Comunicação na Questão Ambiental”). Este é um número bastante expressivo de disciplinas relacionadas às Ciências Humanas, quase cinqüenta por cento das disciplinas exclusivas do Programa), principalmente se comparado ao diminuto espaço, aproximadamente seis por cento, que tais disciplinas ocupam no conjunto das disciplinas oferecidas para o PPGI, vindas de outros Programas de Pós-graduação da ESALQ e CENA (cerca de uma centena). VERDADE (apud. PROCESSO/USP) explica que, por se tratar de um Programa Interunidades, por ocasião de sua formação, a maioria dos docentes já fazia parte de outro Programa de Pós, em sua unidade de origem. Isto fez com que as propostas iniciais de disciplinas ainda expressassem em maior ou menor grau conceitos e abordagens disciplinares.


“A expansão em número e a criação de novas disciplinas específicas do Programa (aquelas com a sigla ECO) expressam o processo de adaptação do corpo docente em relação à demanda específica do programa, de forma especIal sua abordagem interdisciplinar na pesquisa e ensino da Ecologia Aplicada” (p.754).
Vale observar que os alunos de pós-graduação têm a opção de cursar como aluno regular quaisquer disciplinas oferecidas na USP, além de disciplinas de outras instituições na qualidade de aluno especial, o que vem sanar possíveis lacunas advindas do pequeno número de docentes das áreas de Ciências Humanas credenciados no Programa.

Dos alunos atualmente matriculados no Programa (18) e ligados a esta Linha a grande maioria deles têm formação na área de Ciências Biológicas e afins: Ciências Biológicas (8), Engenharia Agronômica (3), Engenharia Florestal (1) e Odontologia (1). Dos demais, apenas quatro vêm de áreas de Ciências Humanas: Direito (2), Comunicação Social (1), Geografia (1) e Processamento de Dados (1). Isto demanda por parte do corpo docente e de orientadores da Linha de Pesquisa em Ambiente e Sociedade, um trabalho de complementação na formação dos mesmos e no desenvolvimento de diálogos disciplinares, havendo aí a necessidade de atenção e socialização no que se refere a referenciais teóricos, linguagem (significado de termos dentro de áreas específicas de conhecimento) e conceitos disciplinares, como por exemplo “percepção”, “cultura”, “habitus”, entre outros.

Com o objetivo de selecionar um corpo discente mais apto à pesquisa interdisciplinar em Ciências Humanas, foi introduzida no ano de 2005, uma prova escrita no processo seletivo, com uma bibliografia na área, previamente estabelecida. Os resultados desse procedimento já estão podendo ser percebidos nos desempenhos dos novos alunos e nos seus respectivos projetos de pesquisa.

No período de abril de 2003, ocasião da primeira defesa do Programa a janeiro de 2006, a situação dos trabalhos concluídos e em andamento era a que se segue:






Outras Linhas

Linha A&S

Total

Dissertações defendidas

59

10

69

Teses defendidas

11

-

11

Projetos de Mestrado em andamento

56

11

67

Proj.Dout./Dout. Direto em andamento

51

7

58

Tabela 2: Total de Projetos concluídos e em andamento no PPGI-EA.

A análise das tabelas permite inferir que houve um crescimento do número de projetos em desenvolvimento, caracterizando o crescimento da área, compatível ao tempo de existência da mesma, ao mesmo tempo que significativo se comparado ao número de docentes credenciados na área em relação ao número geral de docentes do Programa.

Um olhar sobre as dissertações e teses defendidas nessa Linha permite notar a predominância do estudo de comunidades locais (índios Guarani M'Byá na Mata-Atlântica”; pescadores artesanais e esportivos no Vale do Ribeira; a comunidade pesqueira Canto do Mangue, Canguaretama/RN; comunidades quilombolas do Vale do Ribeira/SP) e de estudos de caso (o caso do município de São Bento do Sapucaí – São Paulo; o caso de Itaúnas-ES). Outros temas abordados foram relativos a educação ambiental, redes sociais em assentamentos, imagens na mídia e comunicação científica, migração e processo adaptativo.

No que se refere às palavras-chaves das dissertações observa-se a incidência dos seguintes termos: ecologia humana (4), prefixo “etno” – etnobiologia (2), etnoconhecimento (1), renda familiar (2), recursos pesqueiros (2), ecossistemas agrícolas (1) e ecossistemas de mangue (1) e referência a culturas agrícolas – resíduos agrícolas, bananeira, carcinicultura .

A recorrência do termo “ecologia humana” deve-se ao período de desenvolvimento dos projetos, primeira fase do programa, época que a Linha de Pesquisa que abordava ou se aproximava de abordagens em “Ambiente e Sociedade” se intitulava “Ecologia Humana”.

Já a análise dos projetos em andamento (18), período que à criação da Linha “Ambiente e Sociedade”, permite identificar temas centrais como: Antropologia Cultural e Etnociência (5), Organização Social e Desenvolvimento Local (4), Educação Ambiental e Ecopedagogia (4), Direito Ambiental (2), Comunicação Social (2) e Ecologia Humana (1). Tais temas já são indicativos dos principais eixos adotados e possibilidades interdisciplinares vislumbradas nos processos de orientação conforme o perfil e formação dos orientadores. Também já estão ocorrendo experiências de projetos selecionados de comum acordo de docentes de diferentes linhas de pesquisa, configurando o exercício interdisciplinar.

Quanto ao locus geográfico da pesquisa, não há no Programa uma delimitação pré-determinada. Os estudos desenvolvem-se em sua grande maioria em regiões do Estado de São Paulo - Piracicaba e região (7), Vale do Ribeira (2), Brotas (1), Cananéia (1), Ubatuba (1), Nazaré Paulista (1) e Bacia do Rio Passa-Cinco (1). Os demais trazem temáticas de interesse ou abrangência nacional (3) e apenas um estudo fora do estado, com uma comunidade indígena no Mato Grosso (1).

Quanto às metodologias empregadas, os resultados mostram que algumas pesquisas em “Ambiente e Sociedade” têm se desenvolvido na linha da pesquisa qualitativa – estudo de caso, pesquisa-ação e etnociência. A maior parte, entretanto, emprega um misto de qualitativa e quantitativa, envolvendo mapeamentos, diagnósticos e técnicas como questionários com perguntas abertas ou semi-estruturadas, entrevistas, história oral, análise documental, observação participante, análises de conteúdo e estatística.


Pesquisa em Ambiente e Sociedade no PPGI-EA: Análise da Experiência

As possibilidades postas pela área em Ambiente e Sociedade no contexto do PPGI-EA, cuja natureza implica no enfrentamento da complexidade já referida, tiveram um efeito completamente estimulador e desafiador, ao mesmo tempo questionador, aos pesquisadores participantes do Programa. Possibilidades estas, dotadas de sentido histórico, científico, social e ambiental.

Desde então, questões relativas aos campos específicos de conhecimento têm vindo à tona, expondo diferenças com relação aos objetos de estudo, aos métodos e mesmo aos paradigmas que regem cada uma das áreas científicas. Além das diferenças entre as Ciências Humanas e Biológicas, vale observar ainda as diferenças existentes no interior do corpo das Ciências Humanas e mesmo de perfil entre os docentes (ciências sociais e humanidades). Nesse âmbito têm sido vivenciadas as diferenças ideológicas e metodológicas, próprias a cada um dos campos das Ciências Humanas (humanidades e ciências sociais) e escolhas individuais envolvidas.

Tal fato, não só é sentido pelos docentes deste Programa, mas também por outros pesquisadores que se aventuram na exploração de processos interdisciplinares. GEHARDT (2004), em análise de experiência com equipe interdisciplinar em Meio Ambiente e Desenvolvimento, da Universidade Federal do Paraná, observa:

“O temor de ‘um confronto epistemológico sem saída’, passível de implodir com a experiência (...) é reforçado frente a certeza de que é impossível o debate frutífero entre duas epistemologias distintas, isso sendo possível apenas dentro de um mesmo paradigma, entre aqueles que comungam dos mesmos princípios epistemológicos e paradigmáticos. (...) revelar uma incongruência insolúvel, na medida que se é incapaz de ultrapassar o nível da colaboração, não indo na direção da formulação de teorias explicativas dos fatos sociais (a problemática interdisciplinar não remeteria a uma teoria)”. (p.9).
Segundo este autor, há necessidade de um

“entendimento de que a interdisciplinaridade, enquanto princípio mediador de comunicação entre diferentes disciplinas, não poderá jamais ser elemento de redução a denominador comum, mas elemento teórico-metodológico da diferença e da criatividade”. (Ibid., p.9)”


“A interdisciplinaridade é o princípio da máxima exploração das potencialidades de cada ciência ou disciplina científica, da compreensão de seus limites, mas, acima de tudo, é o princípio da diversidade e da criatividade” (ETGES apud GEHARDT, 2004, p.10)
Neste sentido, a Linha de Pesquisa “Ambiente e Sociedade”, no diálogo com áreas mais específicas das Ciências Agrárias e Agroecologia, ao abordar a dimensão social, trás pontos polêmicos e questionamentos, de natureza política, ideológica e metodológica, bem como novas problemáticas, preocupações e percepções, “complexificando” ainda este cenário. Pois que não se trata de analisar “somente” a complexidade dos sistemas físico-naturais, mas também aquela, muito maior, de suas interações com as sociedades e das “sociedades”, de discutir o papel e missão da sociedade no eixo ambiental e agroecológico, de assumir e enfrentar a dimensão social das questões ambientais, seja como origem, efeito, conseqüência ou conflito, dado que “a natureza é cada vez mais um fenômeno social” (SANTOS, 1996, p. 224). Neste sentido e conforme percebido por outros autores o meio ambiente vem se constituindo cada vez mais como “problema social e os problemas ambientais, como conflitos socioambientais” (FUCKS; CARVALHO & SCOTTO, apud. PORTILHO: 2006, p.8)

Há no contexto do Programa, polêmica discussão em torno destes limites, em especial sobre a definição de quais “sociedades” devem ser estudadas; mas também referente a quais os contextos onde podem ser desenvolvidos os estudos; se há a necessidade de pré-determinação de um lugar ou região para o desenvolvimento dos projetos; quais metodologias são mais aceitas e legítimas; entre outras questões. Discussões estas cujas respostas vão se dando na prática, na dinâmica dos embates, no desenvolvimento de projetos, na aprovação dos candidatos, na condução das disciplinas, na adoção de metodologias, na formação dos comitês de orientação, seminários apresentados e na relação com outros pesquisadores.

A prática ou exercício exploratório interdisciplinar não pode ser um fim em si mesmo e exige uma nova racionalidade ou postura científica: uma “disponibilidade intelectual e abertura para trabalhar com a incerteza” (GEHARDT, 2004, p.29). Não é algo pronto, nem apenas algo que se defenda, mas algo que se busca e se constrói e cuja construção se realiza através do diálogo, seja ele entre saberes (nível intra e interpessoal) e entre pesquisadores, nos limites e dificuldades da experiência prática, nas complementaridades e conflitos que se descobrem e se enfrentam.

O discurso da interdisciplinaridade tem algo de transgressor e anárquico, libertador e dispersivo, criativo e inovador. Vem na onda dos questionamentos e mudanças paradigmáticas propostas pela pós-modernidade e envolve não apenas a valorização de outras racionalidades, mas também outras formas de conhecimento e tipos de saberes, cuja sistematização e especulação são, inclusive, objeto de estudo das Ciências Sociais.

Tais movimentos encontram-se mais próximos das Ciências Humanas, sendo bem mais difíceis para pesquisadores com tradição na “racionalidade cognitivo-instrumental” de que fala SANTOS (1996):
“A universidade constitui-se em sede privilegiada e unificada de um saber privilegiado e unificado feito dos saberes produzidos pelas três racionalidades da modernidade: a racionalidade cognitivo instrumental das ciências, moral-prática do direito e da ética e a racionalidade estético-expressiva das artes e da literatura. As ciências da natureza apropriaram a racionalidade cognitivo instrumental e as humanidades distribuíam-se pelas duas outras racionalidades. As ciências sociais estiveram desde o início fracturada entre a racionalidade cognitivo-instrumental e a racionalidade moral-prática. A idéia de hegemonia da racionalidade cognitivo-instrumental e, portanto, das ciências da natureza Estas representam, por excelência o desenvolvimento do paradigma da ciência moderna. A crise deste paradigma não pode deixar de acarretar a crise da idéia de universidade moderna. (p.223)
A tradição e hegemonia da racionalidade cognitivo-instrumental de que fala SANTOS (1996) nas instituições envolvidas (ESALQ e CENA/USP) e predomínio desta racionalidade no ambiente científico de um modo geral, tem sido foco de conflitos e desafios para as Ciências Humanas (humanidades e ciências sociais) no contexto do PPPGI-EA. Tem-se de um lado, no que tange ao campo de possibilidades de reflexão das Ciências Humanas certas restrições e limitações, especialmente naquilo que elas têm de mais “disciplinar” e especulativo – fato também observado por GEHARDT (2004, p.9), quando observa que a problemática interdisciplinar não remete a uma teoria -; e por outro, algo provocativo e estimulador, exigindo-se delas (ciências humanas) um perfil mais pragmático.

O enfrentamento de questionamentos metodológicos e temáticos resultantes desta prática, requer maior precisão e objetividade das Ciências Humanas, na forma de postular seus problemas e, por outro, a necessidade de maior flexibilidade e contextualização na abordagem dos problemas sócio-ambientais ligados à Agroecologia por parte das Ciências Biológicas. Isso porque ao passo que o pensamento crítico é o instrumento básico na produção de conhecimento nas Ciências Humanas, outras atitudes da forma de pensar são necessárias, incorporando novas perspectivas, como por exemplo, a de gerar conhecimento de forma social (e não apenas sobre o social).

O percurso percorrido por esta Linha de Pesquisa, no contexto das instituições envolvidas com o Programa, ainda é tímido, especialmente se comparado ao conjunto da produção científica da ESALQ e CENA, caracterizada como ciências da natureza, e que “representam, por excelência o desenvolvimento do paradigma da ciência moderna” (SANTOS: 1996). Para este autor:

“A universidade deve garantir o desenvolvimento equilibrado das ciências naturais, das ciências sociais e das humanidades, o que pode envolver, no curto prazo uma política de favorecimento activo tanto das ciências sociais, como das humanidades”. (ibid., p. 227).


Não há ainda um método claramente definido para se trabalhar a complexidade, como também faltauma teoria, de um fio condutor nas pesquisas interdisciplinares. RAYNAUT, LANA e ZANONI (2000, p.153-154) sugerem um caminho: deve-se estabelecer um quadro específico de “legitimação” do trabalho científico interdisciplinar, “até que um novo campo se estruture e que uma nova comunidade se forme, promovendo seus próprios procedimentos de reconhecimento, de avaliação e de validação”.
Conclusão
Nossa percepção é, portanto, de que o processo interdisciplinar é um processo árduo e provocador, que na realidade, ainda está em construção, no âmbito do Programa. Ainda que o mesmo tenha sido idealizado de modo mais flexível, para permitir o processo interdisciplinar, há que reconhecer as dificuldades burocráticas e de estrutura institucional, nos moldes disciplinares. Se se identifica uma vocação interdisciplinar em todo o corpo docente do Programa e, em particular, do grupo que constitui a área de “Ambiente e Sociedade”, há que reconhecer as limitações na formação de grande parte deles sob um modelo positivista e cartesiano. Interessante verificar a maior aptidão do corpo discente, com formação em processo, no contexto da ciência pós-moderna. No exercício interdisciplinar observa-se a ausência de referenciais e modelos teóricos comuns, bem como metodológicos, que dificultam o diálogo.

No contexto da Agroecologia emergem passos sinalizadores de um processo de construção do conhecimento que incorpora e integra as Ciências Humanas, tornando-o mais amplo e cuja abordagem é ainda foco de polêmicas. Está ainda por se definir a dimensão da sociedade e do ambiente no contexto agroecológico, suas realidades e demandas, as atribuições de gestão do social – nos campos da educação e da comunicação em seus diversos níveis e contextos, na mobilização pública e social e na formulação de políticas de desenvolvimento e legislação.


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PROCESSO/USP de CRIAÇÃO DO PROGRAMA INTERUNIDADES DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ECOLOGIA, CAMPUS “LUIZ DE QUEIROZ”, nº 2000.1.26195.1.3.





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