Camille Flammarion o desconhecido e os Problemas Psíquicos



Baixar 1.61 Mb.
Página6/52
Encontro02.07.2019
Tamanho1.61 Mb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   52
(Carta 13)

XXI – “Estávamos no campo. Minha mãe ocupava uma peça vizinha daquela em que nós dormíamos, minha mulher e eu. Minha mãe era velha, mas bem conservada, e nada, na véspera de sua morte, fazia-nos presumir seu próximo fim, quando ela se retirou, à noite, para seu quarto.

Na manhã seguinte, pelas 5:30, fui despertado em sobressalto por um ruído que tomei pelo de uma campainha. Saltei da cama abaixo, dizendo a minha mulher:

– É minha mãe que está aí.

Minha mulher fez-me notar que isso não podia ser, pois minha mãe, tanto como nós, não tinha campainha na casa de campo, e que o ruído que me despertara era o rangido da polia de um poço situado sob as nossas janelas, rangido que de ordinário não me acordava.

Admiti a possibilidade dessa explicação e não liguei maior importância ao meu brusco despertar. Dirigi-me a Lião. Algumas horas depois, minha mulher mandou-me prevenir, por um expresso, de que acabava de encontrar minha mãe morta em seu leito e que tudo fazia supor ter-se dado sua morte entre 5 e 6 horas da manhã, isto é, pouco mais ou menos à hora em que uma inexplicável sensação me havia feito crer que ela chamava.

E. Gérin
Advogado no Tribunal Civil (Lião).”

(Carta 20)

XXII – “Tinha eu em minha casa, há alguns anos, uma velha aia, Sofia, que educara minha mãe, a mim mesmo e ajudara a educar meu filho. Possuía ela, em minha casa, o seu compartimento próprio e, por causa de sua avançada idade, não podia mais, de forma alguma, ocupar-se, como passatempo, senão com a criação das aves.

Sofia não era para mim uma mãe, uma velha aia, uma mulher; não, era simplesmente Sofia, eu a amava de todo meu coração, como nos primeiros tempos de minha infância. Para ela, eu era tudo, seu deus, seu único bem.

Vamos agora ao fato. Voltava eu, sozinho, à noite, de carro, de uma longa viagem, quando ouvi meu nome pronunciado em voz abafada, muito perto de mim. Detive bruscamente meu cavalo e desci do carro. Nada vi. Ia embarcar novamente, crendo em uma ilusão dos meus sentidos, quando ouvi uma segunda vez meu nome pronunciado no carro, com uma voz que cortava o coração, como alguém que chama por socorro. Reconheci a voz da minha pobre Sofia. Não era possível que ali estivesse ela, pois que eu a sabia muito doente desde alguns dias. Subi para o carro, perplexo com o que sucedera.

Apenas assentado, ouvi chamar-me uma terceira vez, com uma voz muito doce, a voz com que ela cantava, quando eu era criança, para fazer-me dormir. Experimentei então uma emoção indefinível. Ainda hoje, reconstituindo essa lembrança, fico inteiramente comovido.

A algumas centenas de metros, vi a luz de uma taberna, desci e anotei em minha carteira a coisa extraordinária que acabava de suceder-me.

Enfim, uma hora depois chegava a casa: a primeira coisa que soube foi que a minha pobre velha Sofia acabava de falecer, após cerca de uma hora de agonia.



Georges Parent
Prefeito em Wiège, Faty (Aisne).”

(Carta 23)

XXIII – “Na tarde de 8 de maio de 1896, cerca de 9:30, ia deitar-me, quando senti como que um choque elétrico que me sacudiu da cabeça aos pés. Minha mãe estava há alguns meses doente, devo dizer-vos; nada, porém, fazia prever que seu estado pudesse agravar-se subitamente. A comoção havia sido tão estranha, tão nova, que eu imediatamente a atribuí, sem reflexão, à morte de minha mãe. Sob o abalo desta emoção, não pude dormir, senão muito tarde, e com a convicção de que receberia, no dia seguinte, um telegrama anunciando-me a desgraça. Morava minha mãe a 60 quilômetros de Moulins.

Na manhã do dia seguinte um telegrama chamava-me com a máxima urgência. Parto e encontro minha mãe quase sem sentidos. Morreu no outro dia, isto é, cerca de trinta horas após o aviso.

As pessoas que a assistiam disseram-me que a hemorragia interna (foi essa a causa da sua morte) abatera-a às 9:30 do dia 8 de maio, isto é, exatamente à hora em que fui tão estranhamente avisado.

Abade L. Forestier
Vigário em S. Pedro (Moulins).”

(Carta 25)

XXIV – “Vossa solicitação impõe-me o dever de vos contar um fato que aqui se passou e que emocionou vivamente a maior parte dos habitantes do povoado. Ei-lo em toda sua simplicidade:

Um jovem de 15 anos, empregado em casa de M. Y. M., já há bastante tempo, fora encarregado por este de levar os animais ao bebedouro. Devo aqui dizer-vos que o pai desse menino achava-se há dois dias gravemente enfermo, tendo contraído uma congestão pulmonar, na feira próxima de Chamberet, e que esta moléstia fora ocultada ao filho.

Ora, a cerca de trinta passos do estábulo, o menino, ou melhor o rapazinho, chegado perto do bebedouro, avistou de repente dois braços erguidos para o ar, depois uma forma de espectro e ouviu gritos dolorosos acompanhados de gemidos. O abalo foi tão forte que ele desmaiou: acreditou, disse, haver reconhecido seu pai. Foi isso entre 6:30 e 7 horas da noite.

Na manhã seguinte, às 4:30, seu pai estava morto e de tarde chamara diversas vezes o filho, em meio dos seus mais vivos sofrimentos.

Este fato pode ser-vos confirmado por cem pessoas, das mais honradas de Chamberet.

C. Dufaure
Farmacêutico em Chamberet (Corrèze).”

(Carta 27)

XXV – “O fato seguinte pode merecer o destaque de ser-vos apontado. O Sr. Destrubé, regente da banda musical do 114º, homem muito digno de fé, foi, há alguns anos, despertado em sobressalto por uma voz que chamava “Narciso”.

A esse chamado de seu prenome, Destrubé, que havia positivamente acreditado ouvir a voz de seu pai, respondeu sentando-se no leito.

Passou-se isso entre a meia-noite e 1 hora da manhã. Algumas horas depois, Destrubé recebia um telegrama anunciando-lhe a morte de seu pai, sobrevinda na mesma noite e na hora em que acreditara ter ouvido chamarem-no.

Destrubé, da guarnição de Saint-Maixent, dirigiu-se a Vanbecourt (Mosa) para assistir aos funerais; soube, então, que a última palavra de seu pai moribundo tinha sido: “Narciso”. Se esse fato pode ter qualquer utilidade para os vossos interessantes trabalhos, sentir-me-ei, caro mestre, muito feliz em o ter levado ao vosso conhecimento, e meu amigo Destrubé, em caso de necessidade, está pronto a cumprir o dever de confirmá-lo.



Sorlet
Capitão do 137º, de Linha, em
Fontenay-le-Comte (Vendeia).”




Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   52


©aneste.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
universidade federal
terapia intensiva
Excelentíssimo senhor
minas gerais
união acórdãos
Universidade estadual
prefeitura municipal
pregão presencial
reunião ordinária
educaçÃo universidade
público federal
outras providências
ensino superior
ensino fundamental
federal rural
Palavras chave
Colégio pedro
ministério público
senhor doutor
Dispõe sobre
Serviço público
Ministério público
língua portuguesa
Relatório técnico
conselho nacional
técnico científico
Concurso público
educaçÃo física
pregão eletrônico
consentimento informado
recursos humanos
ensino médio
concurso público
Curriculum vitae
Atividade física
sujeito passivo
ciências biológicas
científico período
Sociedade brasileira
desenvolvimento rural
catarina centro
física adaptada
Conselho nacional
espírito santo
direitos humanos
Memorial descritivo
conselho municipal
campina grande