Camille Flammarion o desconhecido e os Problemas Psíquicos



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(Carta 103)

“Há alguns anos, em uma cidade do norte, foi nomeado um novo vigário para certa paróquia. Uma pessoa conhecida da Sra. Vaillant sonhou, alguns dias antes, que esse vigário era um Sr. G., que o mesmo pregava no domingo seguinte sobre determinado assunto, que sua irmã estava sentada diante dele, sendo que todas as particularidades do seu sonho foram realizadas.”

Eis aqui um outro sonho premonitório, contado por respeitável eclesiástico:

“Achava-me em um internato em Niort, quando tinha quinze ou dezesseis anos, e certa noite tive um sonho extraordinário. Parecia-me estar em Saint Maixent (cidade que eu apenas conhecia de nome), com o diretor do meu colégio, em uma pequena praça, perto de um poço defronte do qual havia uma farmácia, e ver aproximar-se de nós uma senhora da localidade, que reconheci por tê-la visto uma única vez em Niort, na casa em que me achava. Abordando-nos, essa senhora nos falou de coisas tão extraordinárias que, pela manhã, dei parte do que ouvira ao patrão (assim tratávamos o diretor do estabelecimento). Este, muito admirado, fez-me repetir a citada conversação.

Alguns dias depois, tendo o que fazer em Saint Maixent, levou-me ele em sua companhia. Apenas chegados, encontramo-nos na praça que eu tinha visto em sonho, em dois pontos determinados, e vimos dirigir-se-nos, noutro ponto da mesma praça, a senhora em questão, que teve com o patrão a tal conversa que eu lhe havia contado, absolutamente a mesma, palavra por palavra.



Groussard
Cura de Saint-Radegonde (Charente Inferior).”

Não se vê tampouco como o acaso poderia explicar esta premonição tão precisa.

Os psicólogos devem ao Sr. Flournoy, eminente professor da Universidade de Genebra, o conhecimento do seguinte sonho premonitório, ocorrido com uma senhora de Genebra, conhecida do aludido sábio.

“Em agosto de 1883, a Sra. Buscarlet regressou a Genebra, por motivo de saúde, após uma permanência de três anos, como professora de duas jovens, na família Moratief, em Kasan. Ela conhecera, nessa localidade, uma Sra. Nitchinof, que era amiga íntima da Sra. Moratief e que dirigia o Instituto Imperial das moças de Kasan.

A 10 de dezembro de 1883 sonhou que passeava em uma estrada não muito larga, na Rússia, com a Sra. Moratief; viu chegar um carro, espécie de break baixo, fechado por meio de cortinas de couro preto, dizendo-lhe aquela senhora:

Ide ver o que se acha lá dentro.

Ela foi, levantou as cortinas e viu uma mulher estendida em todo o seu comprimento, transversalmente à viatura, toda vestida de branco, salvo os sapatos, que eram pretos, e as meias, cinzentas, trazendo à cabeça um chapéu branco, guarnecido de fitas amarelas. Não reconheceu essa mulher. Ouviu no mesmo instante uma voz forte dizer:

A Sra. Nitchinof deixará o Instituto a 17.

No mesmo instante deixou cair as cortinas do carro e o sonho terminou. Era-lhe aquela voz desconhecida; não pôde dizer se era uma voz de homem ou de mulher, nem de onde vinha; entretanto não o era da mulher estendida no carro. Ainda que a viatura nada tivesse de carro fúnebre, a Sra. Buscarlet recorda-se de haver assistido em Kasan ao enterro de uma senhora que se achava vestida, em seu ataúde, exatamente como a mulher vista em seu sonho.

A Sra. Buscarlet não deu interpretação alguma ao seu sonho; entretanto ficou profundamente impressionada com ele. Escrevendo aos Moratief, por ocasião do fim do ano, contou-lhes o sonho, sem atribuir-lhes nenhum alcance molesto, nem dar-lhe sentido literal maior do que o de um simples afastamento da Sra. Nitchinof, a 17, do Instituto.”

Sabendo quanto se deve desconfiar das lembranças um tanto longínquas, depois de haver fielmente anotado o relato da Sra. Buscarlet, o Sr. Flournoy encarregou-a de pedir a seus amigos, da Rússia, restituição da carta em que lhes contara seu sonho, se é que a tinham conservado. Felizmente era esse o caso e ele pôde examinar à vontade essa preciosa missiva, que traz sobre o envelope os carimbos do Correio de Genebra com as datas 24, XII, 83 (ou seja, 12 de dezembro em estilo antigo) e de várias agências russas, dos quais o último é o de Kasan 20, XII, 83.

Após algumas linhas consagradas aos bons votos de Natal e de Ano Bom, escrevia a Sra. Buscarlet:

“Tive esta noite um sonho engraçado, que vos quero contar, não que lhe dê maior importância, mas unicamente por ser engraçado. Vós e eu estávamos em uma estrada, no campo, quando diante de nós passou um carro do qual partiu uma voz que vos chamou. Chegadas perto do carro, vimos a Srta. Olga Popoï deitada transversalmente, vestida de branco com um chapéu guarnecido de fitas amarelas. Ela vos disse:

– Chamei-vos para dizer que a Sra. Nitchinof deixa o Instituto a 17.

Depois o carro continuou a rolar. Como os sonhos são por vezes burlescos!”

Duas semanas mais tarde, a Sra. Buscarlet recebia do Sr. Moratief uma carta, da qual eis o começo:

“Acabamos de receber vossas cartas, muito querida senhora, e foi no leito que minha esposa as leu...

Não, prezada senhora, não é engraçado, não é burlesco, ai de mim! é estranho, é impressionante, estupendo o vosso sonho de 10-22 de dezembro.

A Sra. Nitchinof, a querida, a pobre Sra. Nitchinof, deixou, com efeito, o Instituto, a 17, mas para jamais voltar a ele. A febre escarlatina, acompanhada de difteria, no-la arrebatou em três dias. Faleceu no dia 16, às 11:45 da noite, e às 2 da madrugada de 17 (não é isso extraordinário?) levaram seu corpo para a capela contígua. Receou-se no Instituto o contágio, eis a razão pela qual se deram pressa em retirá-la dali.”

Se examinarmos hoje a diferença entre a realidade, tal qual ressalta da carta contemporânea do sonho, e a narrativa verbal da Sra. Buscarlet, dezoito anos mais tarde, constataremos, de um lado, notável exatidão de suas recordações, quanto ao conteúdo essencial da predição onírica, e de outro lado uma alteração das circunstâncias conexas, especialmente o completo esquecimento em que ficou a Srta. Olga Popoï. Era esta uma conhecida qualquer de Kansan, e a Sra. Buscarlet, que ficou estupefata de tornar a encontrá-la em sua carta de outrora, não pode explicar o que fora ela fazer naquele sonho.

Como quer que seja, trata-se aí de um acontecimento passado na Rússia e visto, em sonho, na Suíça, com oito dias de antecedência.

O meu inquérito forneceu-me grande número de sonhos premonitórios. Classifiquei-os especialmente, e pedirei ainda permissão aos meus leitores para citar aqui os principais sonhos classificados e acrescentá-los aos onze exemplos precedentes, a fim de lhes facultar o exame de todos os elementos de convicção.





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