Camille Flammarion o desconhecido e os Problemas Psíquicos



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(Carta 24)

IV – “Meu pai, Palmero, engenheiro colonial de pontes e calçadas, natural de Toulon, depois de haver passado vinte anos na ilha da Reunião, onde se casara e onde lhe nasceram cinco filhos, pediu aposentadoria e veio residir em Toulon, isso em 1867.

Minha mãe, que nascera na Reunião, de uma das mais nobres famílias, não deixou seu país sem um aperto do coração, tanto mais que ela deixava seu pai e sua mãe em situação que os reveses da fortuna haviam grandemente rebaixado.

Os primeiros anos passados em França, onde lhe era tudo desconhecido, foram tão penosos para ela, que meu pai, cuja bondade era inigualável, tomou a secreta resolução de mandar buscar seus pais para junto de nós.

Tomou todo o cuidado de não o dizer à sua esposa que, mau grado o grande amor dedicado a seu pai e à sua mãe, opor-se-ia a uma determinação de tal modo dispendiosa e cujas conseqüências podiam ser tão prejudiciais aos interesses de uma família de sete pessoas que viviam a expensas da aposentadoria de meu pai.

Minha mãe, pois, ignorava, e por várias razões, a resolução tomada por meu pai e, embora o soubesse, não acreditaria. Meu avô e minha avó, ambos de idade muito avançada, viviam na Reunião, no meio de outros filhos, cercados de cuidados e das mil satisfações procuradas por uma existência honesta e tranqüila.

Nada, portanto, fazia prever que eles aceitariam, como resolveram, a proposta do genro.

Deixando tudo, vendendo os poucos móveis que tinham, impelidos por essa força desconhecida que se chama destino, tomaram esses dois velhos o primeiro paquete para a França, sem escrever (sua carta chegaria depois deles), sem telegrafar (não havia comunicação alguma, nessa época, entre Bourbon e a metrópole).

Estava-se, portanto, sem notícias, quando uma noite do mês de maio de 1872, minha mãe, despertando em sobressalto, disse a meu pai:

Meu amigo, meus filhos, levantai-vos, acabo de ver passar papai e mamãe, diante de Toulon, em um navio; vesti-vos, temos apenas tempo de lhes preparar o quarto.

Meu pai, que não julgava ter sido assaz persuasivo em sua carta e não podia supor que um paquete houvesse deixado a ilha da Reunião alguns dias após a chegada daquela carta, pôs-se a rir e aconselhou minha mãe a voltar para a cama e deixar que os filhos dormissem.

Passada a primeira emoção, rendeu-se minha mãe a esse conselho e tornou a deitar-se, não sem repetir que estava certa de ter visto passar em um navio seu pai e sua mãe diante do porto de Toulon.

No dia seguinte, recebíamos um telegrama de Marselha comunicando-nos a chegada de vovô e vovó, por um paquete da Messageries Maritimes. Passando na véspera à vista de Toulon, haviam nos enviado seus beijos e sua saudade.



Palmero
Agente dos Correios e Telégrafos, em Marselha.”

(Carta 31)

V – “Estando meu pai em um internato, a 60 quilômetros aproximadamente da sua casa, foi certa noite despertado em sobressalto pela idéia, tão dolorosa quanto súbita, de que sua mãe estava morrendo (seria um sonho?). Não pôde mais dormir até de manhã, tomado de grande pavor e, assim que se levantou, foi pedir ao diretor do internato autorização para regressar à casa. Foi-lhe isso recusado.

Uma carta de seu pai deu-lhe a conhecer que nessa mesma noite e à mesma hora sua mãe, que estava desenganada, recebera os sacramentos e se referira a ele diversas vezes. Mas depois de ter estado tão perto da morte, ainda viveu durante longos anos.



Bernard Vandenhougen (Mantes).”
(Carta 50)

VI – “Faz alguns anos residia eu numa propriedade situada a alguns quilômetros de Papeete, sede de nossos estabelecimentos franceses da Oceania. Eu devia tomar parte em uma sessão noturna do Conselho Geral e, pela meia-noite, deixando a vila, sozinho, em uma pequena charrete inglesa, fui surpreendido por uma tempestade medonha.

Apagaram-se as minhas lanternas. A estrada que eu seguia, marginando o mar, estava absolutamente negra; meu cavalo espantou-se e disparou. De repente experimentei violento choque: a minha viatura acabava de quebrar-se contra uma árvore.

As duas rodas, com o seu eixo, ficaram no lugar do acidente e eu, projetado entre o cavalo e a caixa da charrete, meio esfacelada, fora arrastado pelo animal espantado, em vertiginosa carreira, no curso da qual deveria eu ter corrido cem vezes o risco de ser morto.

Não tendo, entretanto, perdido meu sangue frio, consegui dominar meu cavalo e desvencilhar-me daqueles destroços sobre os quais me encontrava. Gritei por socorro unicamente por mera formalidade, pois me encontrava em região absolutamente deserta.

De súbito, percebo uma luz que parecia dirigir-se para o meu lado e alguns instantes depois chega minha mulher, tendo percorrido uma distância de perto de dois quilômetros para vir diretamente ao local do acidente.

Contou-me ela que, estando a dormir, foi subitamente despertada, vendo muito nitidamente que eu estava em perigo de morte e, sem hesitar, acendera uma lanterna e, debaixo da chuva torrencial, correra em meu socorro.

Sucedia-me, com muita freqüência, regressar da cidade tarde da noite; jamais, porém, minha mulher experimentara a menor inquietação a meu respeito. Nessa noite ela realmente viu o que se passava comigo e não pôde resistir à imperiosa necessidade de se dirigir ao meu encontro.

Quanto a mim, não tendo lembrança alguma de lhe haver dirigido um ardente apelo mental, caí das nuvens, confesso-o, quando, a mais de cem metros de mim, em meio da treva, escuto uma voz a gritar-me:

– Sei que estás ferido, mas eis-me aqui!

Jules Texier (Chatellerault).”

(Carta 61)

VII – “Residia eu em Cette, com minha esposa, minha sogra e minhas duas filhas, numa “vila” sobre a vertente da montanha. Eu ia todas as manhãs à cidade, conduzido por um carro alugado, mensalmente, que me vinha buscar às 8:30 da manhã. Ora, um dia despertei às 5 horas, após um sonho horrível.

Acabava de ver uma jovem cair de uma janela e morrer na queda. Contei esse sonho à minha família: eram 7 horas, momento em que todos se levantavam; ficaram emocionados com o meu sonho. Desci para o jardim a aguardar o carro que às 8 horas devia buscar-me, como de costume; mas somente às 9:30 ele chegava. Queixava-me desse atraso que me trazia transtornos em meus afazeres. Mas o cocheiro me disse que se viera substituir seu patrão, que tinha o hábito de vir buscar-me, é que nessa mesma manhã, às 5 horas, sua filha (de 10 anos, suponho) caíra da janela e morrera.

Eu jamais vira essa moça.

Martin Halle
Rua Clément Marot, 19, Paris.”




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