Camille Flammarion o desconhecido e os Problemas Psíquicos


III As manifestações telepáticas de moribundos e as aparições. – Exposição dos fatos



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III

As manifestações telepáticas de moribundos


e as aparições. – Exposição dos fatos


Fatos! Não palavras.

Acabamos de nos pôr em guarda contra duas disposições intelectuais contrárias à livre pesquisa da verdade: a incredulidade e a credulidade, e tomamos o maior cuidado no sentido de conservar sempre nosso espírito nessa completa independência, mais indispensável que nunca na ordem de estudos de que nos vamos ocupar. A cada instante seremos feridos em nossas idéias científicas habituais, e conduzidos a rejeitar os fatos e a negá-los sem maior exame. Também a cada instante, uma vez engranzados na corrente, nós nos sentiremos deslizar um pouco mais rapidamente para a aceitação de fenômenos insuficientemente observados e ficaremos expostos ao ridículo de procurar a causa do que não existe.

Que o espírito positivo do método experimental, a que a nossa espécie humana, ainda tão inferior e tão bárbara, deve o pouco de progresso que tem feito, não nos abandone jamais nestas pesquisas!

Sei perfeitamente que ilustres campeões do método experimental professam um estranho cepticismo a respeito de todas as coisas e asseguram que de tudo duvidam. Desconfiemos, porém, do prazer dos paradoxos. É um exercício muito agradável, seguramente, e que nos eleva acima do grosseiro bom senso vulgar; Alexandre Dumas filho nos mostrou, por seu próprio exemplo, que esse espírito não é totalmente destituído de perigo e torna-se, por vezes, de remarcada falsidade.

Esforcemo-nos por nos conservar prudentes.

Para que nos reconheçamos no mundo misterioso que vamos examinar e para que tiremos dessas observações alguns resultados instrutivos, começaremos por fazer uma classificação metódica dos fenômenos, reunindo em grupos os que se assemelham e procurando deduzir as conclusões a que tais fenômenos conduzirem e que nos pareçam mais solidamente fundadas. Vale a pena fazer-se essa tentativa. Trata-se de nós mesmos, de nossa natureza, de nossa existência ou de nosso aniquilamento. A questão nos interessa. Oh! sem dúvida, lá estão uns senhores que sacodem a cabeça sorrindo e que demonstram um solene desprezo pela nossa tentativa:

“Bem sabeis – dizem eles – que esses pretensos horizontes do além são imaginários, pois que para nós tudo acaba com a morte.”

Mas, de modo algum! Nós não o sabemos. Nem vós também. A respeito disso vós nada sabeis, absolutamente nada, e vossas afirmativas, como vossas negativas nada mais são do que palavras, palavras ocas. Todas as aspirações da humanidade protestam contra esse nada. O ideal, o sonho, a esperança, a justiça talvez não sejam puras ilusões, tanto quanto os corpos de que acabamos de falar. Do mesmo modo que a razão, não é fato que o sentimento existe? Em todos esses casos há um problema real e grave a resolver. “A imortalidade da alma é uma coisa tão importante – escrevia Pascal –, que é preciso ter perdido todo sentimento para ficar na indiferença de saber o que seja ela realmente.” Por que desesperaríamos de jamais chegar a conhecer a natureza do princípio pensante que nos anima e de saber, sim ou não, se ele sobrevive à destruição do corpo? Dar-nos-ão as pesquisas que vamos empreender algumas noções certas sobre esse ponto? Talvez.

Como quer que seja, peço aos leitores, se é possível, que não sejam, lendo estas linhas, nem intransigentes, nem intolerantes, nem radicais, nem ateus, nem materialistas, nem israelitas, nem protestantes, nem católicos, nem muçulmanos, mas muito simplesmente livres.

Esta é uma tentativa de instrução; nada mais. Que não se procure nela qualquer outra coisa. Asseguram-me excelentes amigos que compromete o entrar assim desassombradamente nesta via, praticando um ato de imprudência, de audaciosa coragem e de grande temeridade. Peço aos meus melhores amigos que pensem bem que não sou nada – absolutamente nada mais que um pesquisador – e que a tudo o que se pode escrever, dizer ou pensar de mim, eu sou em absoluto indiferente. Interesse algum, de qualquer ordem que seja, guiou jamais um só de meus passos.

Também objetam: há muitos séculos que se procura e jamais se encontrou coisa alguma: logo, jamais se encontrará o que quer que seja. Com raciocínios como esse nunca se teria aprendido nada.

Vitam impendere vero: Consagrar sua vida à verdade! era a divisa de Jean-Jacques. Existirá alguma outra mais nobre para todo filósofo, para todo pensador?

Tentativa de instrução, dizemos nós, que se parecerá por vezes às inquirições dos juízes de instrução, nos processos criminais, pois que aí juntar-se-ão elementos humanos que devem ser tomados em consideração, e esses fenômenos não têm a simplicidade de uma observação astronômica ou de uma experiência de física. Para nós o primeiro dever é seguir um método de estudo e fazer uma primeira classificação dos fatos a examinar.

Começaremos pelas manifestações telepáticas de moribundos. Digo manifestações e não somente aparições, para generalizar um conjunto de fatos, do qual as aparições visuais apenas representam uma parte.

A palavra telepatia já é, desde alguns anos, conhecida do público. Foi ela construída etimologicamente, como se haviam formado as palavras telescópio, telegrafia, telefone. Simpatia, antipatia têm a mesma origem etimológica. Telepatia significa, portanto, muito simplesmente “ser advertido, por uma sensação qualquer, de uma coisa que se passa ao longe”.18

Na ordem de fatos de que nos vamos ocupar, encontram-se, a cada passo, relatos incertos ou exagerados, narrações duvidosas, observações desprovidas de valor por causa da ausência de todo espírito crítico.

Não devemos acolher esses relatos senão com a mais extrema prudência (eu ia escrever desconfiança) e eliminar desde logo todos os que nos pareçam suspeitos. Mais do que nunca, importa-nos aqui ter muito em consideração o discernimento, o saber, o valor moral e intelectual das pessoas que no-los trazem. A paixão do maravilhoso ou do extraordinário pode transformar em acontecimentos fantásticos coisas inteiramente corriqueiras e que se explicam de um modo absolutamente simples. Certas pessoas poderiam contar-me histórias durante um ano inteiro, com o maior luxo de provas aparentes e de denominações eloqüentes, sem que eu lhes desse maior crédito à primeira palavra, do que às promessas de certos deputados e de certos ministros. Outras, pelo contrário, nos inspiram, por seu caráter, uma confiança sempre justificada. Em minha investigação de tais fatos a estudar, esses princípios de prudência elementar têm-me sempre instintivamente guiado, e eu nutro a esperança de não haver admitido nenhuma narrativa sem que sua autenticidade fosse garantida pelo espírito científico esclarecido dos autores que tiveram a bondade de m’as confiar, ou pelo menos pôr um claro discernimento e uma inteira boa fé.

Primeiro que tudo, exporei aos olhos do leitor uma seleção de observações muito variadas, para as quais tentaremos, como dissemos uma classificação metódica. Importa, para nossa instrução, ter um grande número de fatos autênticos diante dos olhos. As explicações e as teorias virão em seguida. Somos os obreiros do método experimental.

Iniciaremos estes estudos por certas manifestações inexplicáveis e estranhas de moribundos, não de “mortos”, deve ser assinalada a distinção.

Manifestações de moribundos, observadas no estado normal, achando-se os observadores perfeitamente acordados, e não durante o sono, através de sonhos. Há entre elas certo número de tais manifestações percebidas em sonhos, que não devem ser consideradas como nulas; serão, porém, inscritas em um outro capítulo.

O meu excelente amigo General Parmentier, um dos nossos mais distintos e mais estimados sábios, afirmou-me os dois fatos que se seguem, sucedidos em sua família.19



I – “Diversas pessoas estavam reunidas em um almoço, em Andlan, na Alsácia. Esperavam o dono da casa, que estava na caça e, passando já da hora, acabaram por sentar-se à mesa sem ele, declarando a dona da casa que não tardaria o mesmo a chegar.

Começaram a almoçar, conversando sobre coisas alegres, e esperavam, de um instante para outro, ver chegar o retardatário, zeloso discípulo de Santo Huberto.

Mas o tempo ia passando e todos se admiravam da grande demora, quando, de repente, com o tempo mais calmo e o céu mais belo que se possa imaginar, a janela da sala de jantar, que estava amplamente aberta, fechou-se violentamente com um grande ruído e reabriu-se logo, instantaneamente. Os convivas ficaram tanto mais surpresos, estupefatos, porquanto esse movimento da janela não se teria podido produzir sem derrubar uma garrafa de água colocada sobre uma mesa diante da janela, tendo essa garrafa, entretanto, conservado sua posição. Todos os que viram e ouviram o movimento não compreenderam absolutamente nada do que se passou.

– Acaba de acontecer uma desgraça! – gritou, levantando-se aflita, a dona da casa.

Foi suspenso o almoço. Três quartos de hora depois era trazido em uma padiola o corpo do caçador que havia recebido uma carga de chumbo em pleno peito. Morrera ele quase instantaneamente, não tendo pronunciado senão estas palavras:

– Minha mulher! meus pobres filhos!”

Eis aí um fato de coincidência a explicar.

Parece-nos ele, à primeira vista, vulgar e absurdo. Que significa esse bizarro movimento de janela e com o que pode relacionar-se? Não é perder a gente o seu tempo, tomar a sério um incidente tão insignificante?

As rãs de Galvâni também eram muito insignificantes, assim como a marmita de Papin. Entretanto, a eletricidade e o vapor não o são, de modo algum.

Outro dia, o raio atingiu um homem em pleno campo, mas não lhe fez maior mal do que arrancar-lhe os sapatos e atirá-los a uns vinte passos de distância, tirando-lhes todos os pregos, sem exceção.

De outra feita, ele despiu uma jovem camponesa, pondo-a completamente nua e deixando-a sobre a relva. Foram encontradas as suas vestes penduradas em uma árvore.

Uma outra vez, fulminou ele de um golpe a um lavrador, no momento em que levava à boca um pedaço de pão, na hora do almoço. O homem ficou imóvel. Aproximaram-se dele, tocaram-no e o corpo caiu em cinzas. Mas as suas roupas estavam intactas.

As extravagâncias da Natureza não devem impedir-nos de estudar os fenômenos; pelo contrário.

Sem dúvida, ouvindo-se contar o incidente do caçador de Andlan, a primeira idéia que nos ocorre é a de negar, pura e simplesmente. Não, de certo, que se possa supor tenha sido a história inventada em todos os seus detalhes e que seja ela inteiramente mentirosa, pois que as circunstâncias em que se verificou e o caráter do narrador não o permitem.

Mas pode-se dizer que o que se deu foi um pequeno movimento da janela, produzido por uma causa vulgar, como um golpe de vento, uma pancada, a passagem de um gato, – que sei eu? – e que sua coincidência com um acontecimento trágico amplificou-o depois da ocorrência. Suposição difícil de admitir, entretanto, pois que a dona da casa e seus convivas ficaram vivamente impressionados com o fato.

Eis o que parece ter-se produzido: a janela não se moveu: é prova disso a garrafa – e o contraste foi assinalado. Antes de entrar na análise desses fatos, podemos pensar, desde logo, que aquela senhora e uma ou várias outras pessoas tiveram uma ilusão da vista e do ouvido, a sensação de um fenômeno irreal, e que o seu cérebro foi impressionado vivamente por uma causa exterior.

Podemos também pensar que essa causa era a força psíquica do moribundo, daquele que se estava esperando, que àquela hora devia estar àquela mesa, que para aí se transportou pelo pensamento, que projetou naquela direção sua última energia. Telegrafia sem fio...

Por que se manifestou ela desse modo?

Como a impressão cerebral pôde ser coletiva?

Por que?... Por que?...



Os teus porquês, di-lo Deus, jamais acabariam.

Estamos em pleno domínio do mistério e não podemos senão formular hipóteses. Oh! sem dúvida, fosse essa história a única em seu gênero e poderia ela passar despercebida, mas é a menor entre grande número de outras que temos para relatar nesta obra. Não insistamos, por agora, sobre o modo de explicá-la, e continuemos.

Eis aqui um segundo exemplo de transmissão telepática no momento da morte, não menos singular, mais notável ainda, que também devo à gentileza do Sr. General Parmentier que lhe garantiu a autenticidade:

II – “Estávamos em Schlestadt, Departamento do Baixo-Reno. Era por uma noite de verão. Tinham deixado aberta a porta de comunicação entre o quarto de dormir e o salão e, no salão, as duas janelas grandes abertas e assim mantidas pelos encostos de cadeiras que as tocavam. O pai e a mãe do Sr. Parmentier dormiam.

De súbito, a senhora Parmentier é despertada por um brusco movimento do leito, de baixo para cima. Surpresa, um pouco atemorizada, acorda seu marido e comunica-lhe o que acaba de experimentar.

De repente, um segundo abalo se produz, muito violento. O pai do General Parmentier atribui a um tremor de terra, ainda que sejam estes bem raros na Alsácia; levanta-se, acende uma vela, não constata nada de insólito e torna a deitar-se. Mas, imediatamente depois, novo abalo muito forte do leito, depois rumores e estrépitos na sala vizinha, como se as janelas fossem fechadas com violência, com todos os vidros postos em pedaços. O tremor de terra parece ter-se acentuado de um modo ainda mais formidável; o Sr. e a Sra. Parmentier levantam-se e vão examinar os estragos do salão: nada, as janelas permanecem totalmente abertas, as cadeiras não mudaram de lugar, o ar está calmo, o céu puro e estrelado. Não houvera nem tremor de terra, nem desencadear de vento; o barulho ouvido era fictício.

O Sr. e a Sra. Parmentier moravam no primeiro andar e havia no andar térreo uma mulher de certa idade possuidora de um armário que rangia de uma forma irritante toda vez que o abriam ou fechavam. Esse rangido desagradável fora ouvido e perguntava-se que necessidade teria tido a aludida senhora de abrir e fechar assim seu armário a uma semelhante hora.

Constatando que nada havia de desarranjado no salão, nem no estado das janelas, nem na posição dos menores objetos, a Sra. Parmentier ficou com medo. Acreditou que uma desgraça qualquer tivesse acontecido aos seus, a seu pai, a sua mãe, que ela, recentemente casada, havia deixado há pouco tempo em Estrasburgo e que julgava, entretanto, estarem de perfeita saúde.

Não tardou muito, porém, que viesse a saber que sua antiga governanta, a quem não tornara a ver desde o seu casamento e que se retirara para Viena d’Áustria, com sua família, morrera naquela noite e que, antes de morrer, externara diversas vezes o pesar de ter sido separada de sua querida discípula, pela qual conservara viva afeição.”

Eis aí um segundo fato que não é destituído de analogia para com o primeiro e que parece indicar as mesmas correlações. Uma impressão partida do cérebro de um moribundo teria ido ferir um outro cérebro, a 650 quilômetros de distância e dar-lhe a sensação de um ruído tão extraordinário? Pôde essa impressão tocar, seja diretamente, seja por afinidade, dois cérebros em relação com o primeiro?

Quando, pela manhã, a Sra. Parmentier perguntara à sua vizinha do andar térreo se ela não abrira o seu rangedor armário, àquela hora tardia da noite, se ela não fora sacudida em seu leito, se não escutara uma algazarra fora do costume, esta respondeu negativamente, observando que dormia pouco em sua idade e que, se alguma coisa de insólito se tivesse produzido, ela o teria certamente notado. A manifestação psíquica não havia, portanto, emocionado senão os dois seres em relação com a causa.

Sem dúvida, podemos sempre ficar surpresos com a materialidade, com a banalidade, com a vulgaridade da manifestação, para depois sempre dizer: “Erro dos sentidos, alucinação sem causa, acaso e coincidência.” Mas estamos aqui para examinar as coisas sem parti-pris e para encontrar, se possível, as leis que as regem.

Continuemos, porque o valor dos fatos cresce na razão do seu número, visto tratar-se de coincidências.



III – “Meu caro mestre.

Estávamos em junho de 1896. Durante os dois últimos meses de minha permanência na Itália, minha mãe veio juntar-se-me em Roma e residia bem perto da Academia de França, em uma pensão familiar da via Gregoriana, onde vós mesmo residistes.

Como, nessa época, eu tivesse ainda um trabalho a terminar, antes de regressar à França, minha mãe, para não me embaraçar, visitava a cidade sozinha e não vinha procurar-me, à Vila Médicis, senão ao meio-dia, para almoçarmos.

Ora, um dia eu a vi chegar, toda transtornada, pelas oito da manhã. Como a interrogasse, respondeu-me ela que, estando a fazer sua toilette, viu de repente, ao seu lado, seu sobrinho René Klaemer que a contemplava e que lhe disse, rindo:

Na verdade, eu estou bem morto!

Muito amedrontada com esta aparição, apressou-se ela em vir procurar-me. Tranqüilizei-a do melhor modo que pude, depois entabulamos conversação sobre outros assuntos.

Quinze dias depois, regressávamos ambos a Paris, depois de termos visitado parte da Itália, e soubemos, então, da morte de meu primo René, ocorrida sexta-feira, 12 de julho de 1896, no apartamento que seus pais ocupavam, à rua de Moscou, 31. Tinha ele catorze anos.

Graças a certo trabalho que eu fazia em Roma, na época da viagem de minha mãe pude controlar as datas, e mesmo as horas, nas quais esse fenômeno se produziu. Ora, naquele dia, o meu priminho, acometido de uma peritonite desde alguns dias antes, entrava em agonia pelas seis horas da manhã e morria ao meio-dia, depois de ter exprimido, por diversas vezes, o desejo de ver sua tia Berta, minha mãe.

Note-se que jamais, em nenhuma das numerosas cartas que recebíamos de Paris, nos haviam dito uma palavra a respeito da moléstia de meu primo. Sabia-se muito bem que minha mãe tinha uma afeição muito particular por esse menino e que regressaria a Paris por uma simples arranhadura que soubesse ter-se produzido nele. Nem mesmo nos telegrafaram comunicando sua morte.

Acrescentarei que, quando são seis horas da manhã em Paris, os relógios de Roma, devido à diferença de longitude, marcam sete horas e que foi precisamente nesse momento que minha mãe teve a citada visão.



André Bloch
Praça Malesherbes, 11, Paris.”

O fato observado por Mme. Bloch é do mesmo gênero dos dois precedentes. À hora em que perdia o conhecimento das coisas terrestres, seu sobrinho pensava ardentemente nela, a quem ele amava com uma ternura filial, correspondido também por sua tia que o amava como a seu próprio filho. A força psíquica do moribundo não se pôde manifestar de outro modo, isto é, sem sair do caráter de um menino de catorze anos, que poderia dizer, com efeito, rindo:

– “Muito bem, sim, eu morri!”

Pode-se negar, pode-se negar sempre. Mas o que prova uma negação? Não é melhor usar de franqueza, confessar que aí estão coincidências notáveis, ainda que incompreensíveis no estado atual de nossos conhecimentos? A hipótese de uma alucinação sem causa é verdadeiramente pouco séria. Não nos percamos em palavras. Pesquisemos.

M. V. de Kerkhove escrevia-me em fevereiro de 1889:

IV – “Em 25 de agosto de 1874, estando eu no Texas (Estados Unidos), à hora do pôr do Sol, depois do jantar, sentara-me, fumando meu cachimbo, na varanda da casa que ocupava, em frente ao mar, com uma porta que abria para o Noroeste, à minha direita.

De repente, no vão dessa porta, vi distintamente meu velho avô. Achava-me em um estado de sem-inconsciência, de doce bem-estar e de quietude, como homem que tem bom estômago e que acabou de jantar bem. Não experimentei admiração alguma por vê-lo naquele lugar. De fato, eu vivia de forma vegetativa e estava mesmo sem pensar, nesse momento. Fiz, entretanto, comigo mesmo, esta reflexão: “É extraordinário! Como estes raios do sol poente põem lavores de ouro e de púrpura por toda parte, nas menores dobras das vestes e do rosto de meu avô.”

Com efeito, nesse instante o Sol descia no horizonte, muito vermelho, e projetava os seus últimos raios diagonalmente pela porta da sala. Meu avô tinha sua fisionomia de bondade; sorria, parecia feliz. De súbito desapareceu com o sol poente e eu despertei, como de um sonho, convicto de que se tratava de uma aparição. Seis semanas depois soube, por carta, que meu avô morrera na noite de 25 para 26 de agosto, entre uma e duas horas da manhã. Ora, há entre a Bélgica, onde morreu meu avô, e a longitude do Texas, onde eu me encontrava, uma diferença de cinco horas e meia. Hora do pôr-do-sol, pelas sete horas.”

Poder-se-ia objetar que no ocorrido houve simples ilusão produzida pelos raios do sol poente. É pouco provável, pois o Sr. de Kerkhove reconheceu perfeitamente seu avô. O que devemos assinalar, sobretudo, são essas coincidências com as datas de morte.

A 10 de novembro de 1890, foi-me endereçada a seguinte carta, de Cristiânia:

V – “Meu caro mestre.

Vossa obra Urânia sugere-me a idéia de vos fazer conhecedor de um acontecimento de que fui informado pela própria pessoa com quem o fato sucedeu. É o Sr. Vogler, médico dinamarquês, morador em Gudum, perto de Alborg (Jutlândia). O Sr. Vogler é um homem de excelente saúde, tanto do corpo como do espírito, uma natureza equilibrada e positiva, sem a menor disposição neurastênica ou imaginativa, muito pelo contrário.

Jovem estudante de Medicina, viajou ele na Alemanha com o Conde de Schimmuelmann, muito conhecido entre a nobreza do Holstein. Eram ambos mais ou menos da mesma idade. Em uma das cidades universitárias da Alemanha, onde haviam resolvido permanecer algum tempo, alugaram uma pequena casa. O conde ocupava o andar térreo e o Sr. Vogler instalou-se no primeiro andar; a porta que dava para a rua, bem como a escada, pertenciam somente a eles.

Uma noite o Sr. Vogler, tendo-se deitado, ainda lia. De repente ouviu ele a porta, em baixo da escada, abrir-se e fechar-se; de nada, porém, desconfiou, supondo que era seu amigo que entrava. Entretanto, ao cabo de pouco tempo, ouviu passos claudicantes e quase fatigados subirem a escada e se deterem diante da porta de seu quarto. Viu a porta abrir-se, mas ninguém apareceu; os passos, entretanto, continuaram e ele ouviu-os sobre o assoalho aproximarem-se do leito. Não viu absolutamente nada, não obstante a luz aclarar bem o quarto. Quando o ruído dos passos se fez ouvir bem próximo do leito, escutou ele um profundo suspiro que reconheceu imediatamente provir de sua avó que deixara, em bom estado de saúde, na Dinamarca. Ao mesmo tempo reconheceu também os passos: eram bem os passos vacilantes e cansados de sua avó.

Tomou ele nota, deixando-a escrita, da hora exata em que se deu essa revelação, pois lhe veio instantaneamente a intuição de que sua avó morria no mesmo instante. Mais tarde, uma carta da casa paterna anunciou-lhe a morte súbita da avó que o havia particularmente querido dentre os outros netos. Constatou-se que a morte se deu justamente na hora indicada. Dessa maneira a avó despediu-se de seu neto que nem mesmo sabia estivesse ela enferma.

Edouard Hambro
Licenciado em Direito, Secretário da repartição
dos trabalhos públicos da cidade de Cristiânia.”

Esse moço foi, portanto, advertido da morte de sua avó por essa impressão de passos e de um suspiro. Eis o que é preciso admitir.

A Sra. Féret, em Juvisy, mãe da agente dos Correios dessa cidade, escrevia-me recentemente (dezembro de 1898):

VI – “O fato de que se trata passou-se há bastante tempo; lembro-me, porém, dele como se fosse de ontem, pois impressionou-me tão fortemente que, vivesse eu cem anos e jamais poderia esquecê-lo.

Foi pelo tempo da guerra da Criméia, em 1855. Morava eu então na rua da Torre, em Passy.

Um dia, à hora do almoço, pelo meio-dia, desci à adega. Um raio de sol penetrava pelo respiradouro e ia iluminar o chão. Essa parte iluminada pareceu-me de súbito uma praia de areia, à beira mar, e, estendido morto sobre a areia, jazia um dos meus primos, comandante de batalhão.

Aterrorizada, não pude mais seguir adiante e subi com dificuldade os degraus da escada.

Minha família, reparando em minha palidez e em minha perturbação, assediou-me com perguntas. E quando lhes narrei a minha visão, todos se riram de mim.

Quinze dias depois, recebíamos a triste notícia da morte do Comandante Solier. Morrera ao desembarcar em Varna, e a data de sua morte correspondia ao dia em que eu o vira estendido sobre a areia da adega.”

Tão difícil de explicar é este fato quanto os precedentes, no estado atual de nossos conhecimentos. Sem dúvida, pode-se dizer que também neste caso está em jogo um raio de sol, que essa moça pensava algumas vezes em seu primo, que sua partida para a guerra a havia acabrunhado, que se tinha falado diante dela, com ela, do número dos mortos, da cólera, dos feridos, dos doentes, dos inumeráveis perigos dessa guerra ainda mais estúpida que todas as outras, e que não existia em tudo isso mais do que simples ilusão. É fácil dizer!

A Sra. Féret está absolutamente segura de ter visto muito distintamente o oficial; ela viu, com os seus próprios olhos, seu primo estendido na praia, e foi precisamente em uma praia que ele tombou, morto pela cólera, ao desembarcar em Varna. Registre-se também a coincidência das datas. Não podemos, racionalmente, pensar que o oficial, sentindo-se assim ferido sobre as praias da terra estrangeira, tenha pensado naquela França que ele não devia tornar a ver, naquela Paris, em seus pais, nessa prima cuja imagem fugitiva terá encantado os seus últimos instantes? Não admito, de forma alguma, que a narradora tenha visto, de Paris, a praia de Varna; admito, pelo contrário, que a causa da visão lá estivesse e que houve comunicação telepática entre o moribundo e sua parente.

Continuemos a passar em revista essas manifestações curiosas e a examinar fatos! As teorias e as explicações virão em seguida. Quanto maior número de fatos tivermos, tanto mais progredirão os nossos conhecimentos.

Recebi, alguns dias atrás, a seguinte carta de um deputado, poeta bem conhecido e estimado de todos pela sinceridade de suas convicções e pela sua vida desinteressada:



VII – “Caro mestre e amigo,

Era em 1871. Estava eu na idade em que se colhem florinhas nos campos como vós colheis estrelas no infinito; mas em um momento em que esquecera de fazer a minha costumeira colheita, escrevi um artigo que me valeu certo número de anos de prisão: tudo isso acontece a quem não sabe esperar. Ora, estava eu na prisão Saint-Pierre, de Marselha. Lá se encontrava também Gastão Crémieux, condenado à morte. Eu o queria muito, porque nos embaláramos com os mesmos sonhos e tombáramos na mesma realidade. Na prisão, às horas de passeio, acontecia-nos tratar, em nossas conversas amistosas, da questão de Deus e da alma imortal. Um dia, como alguns camaradas se declarassem ateus e materialistas com uma veemência pouco comum, fiz-lhes notar, a um sinal de Crémieux, que era pouco delicado de nossa parte proclamar tais negações diante de um condenado à morte, que acreditava em Deus e na imortalidade da alma. Disse-me o condenado, sorrindo:

– Obrigado, meu amigo. Quando me fuzilarem, irei dar-vos uma prova, manifestando-me em vossa cela.

Na manhã de 30 de novembro, ao despontar do dia, fui subitamente despertado por um ruído de pequenas pancadas secas dadas em minha mesa. Voltei-me, o ruído cessou e tornei a dormir. Alguns instantes depois, recomeçou o mesmo ruído. Saltei então da cama e coloquei-me, bem desperto, diante da mesa: o ruído continuou. Reproduziu-se isso ainda uma ou duas vezes, sempre nas mesmas condições.

Ao saltar da cama, todas as manhãs, eu tinha o costume de dirigir-me, com a cumplicidade de um bom guarda, à cela de Gaston Crémieux, onde me esperava uma xícara de café. Nesse dia, como nos precedentes, fui fiel ao nosso amistoso rendez-vous. Ai de mim! havia selos sobre a porta e eu constatei, olhando pelo buraco da fechadura, que o prisioneiro não mais estava lá. Apenas acabara de fazer essa constatação e o bom guarda atirava-se em meus braços, banhado em lágrimas.

– Eles o fuzilaram esta manhã, ao despontar do dia; mas ele morreu muito corajosamente.

Grande foi a emoção entre os prisioneiros. No pátio onde permutávamos nossas impressões, lembrei-me, de repente, dos ruídos que ouvira. Não sei que temor pueril de ser desmentido, impedia-me de contar aos meus companheiros de infortúnio o que se passou em minha cela, precisamente no instante em que Crémieux tombava com doze balas no peito. Contudo, fiz a confidência do ocorrido a um deles, Francisco Roustan, que por um momento se perguntou a si mesmo se a dor não me havia enlouquecido.

Tal é o meu relato, escrito uma destas tardes. Eu vo-lo remeto tal como me saiu da pena. Fazei dele o uso que vos parecer útil às vossas pesquisas; não façais, porém, sobre o meu estado d’alma, o juízo feito pelo meu amigo Roustan, pois que a dor não podia ter-me tornado louco, em um momento em que ainda não tinha podido provocá-la o conhecimento do fato. Eu estava em meu estado normal, não desconfiava da execução e ouvi perfeitamente aquela espécie de advertência. Eis a pura verdade.



Clóvis Hugues.”

Segundo este relato, parece que no instante mesmo em que Gastão Crémieux era fuzilado (sua condenação remontava aos dias da Comuna de Marselha: 28 de junho), seu espírito atuou sobre o cérebro de seu amigo e deu-lhe uma sensação, um eco, uma repercussão do drama de que ele foi vítima. A fuzilaria não podia ser ouvida da prisão (ela se deu em Pharo) e o ruído foi por diversas vezes repetido. Este fato é tão estranho como todos os precedentes; mas é seguramente difícil de ser negado.

Nós nos ocuparemos mais adiante das teorias explicativas. Continuemos nossa exposição comparativa, aliás tão variada e tão curiosa em si mesma.

Um eminente sábio, o Sr. Alphonse Berget, doutor em ciências, preparador do laboratório de Física da Sorbona, examinador na Faculdade de Ciências de Paris, teve a bondade de comunicar-me o seguinte:



VIII – “Minha mãe era moça e noiva de meu pai, então capitão de Infantaria, quando o fato ocorreu; residia ela em Schlestadt, na casa de seus pais.

Minha mãe tinha tido, como amiga de infância, uma jovem chamada Amélia M.; esta moça, cega, era neta de um velho coronel de Dragões do Primeiro Império. Tendo ficado órfã, ela vivia com seus avós. Era exímia cultora da música e muitas vezes cantava com minha mãe.

Na idade de dezoito anos despertou-se-lhe uma vocação religiosa muito pronunciada e tomou o hábito em um convento de Estrasburgo. Nos primeiros tempos escrevia freqüentemente a minha mãe; depois suas cartas se foram espaçando e afinal, como acontece quase sempre em semelhantes casos, ela cessou completamente de se corresponder com sua velha amiga.

Haveria três anos que ela tomara o hábito de religiosa, quando, certo dia, minha mãe subiu ao celeiro, para procurar qualquer coisa velha de que necessitou em um momento de apuro. De súbito, ela desce à sala de visitas, dando gritos estridentes e cai sem sentidos. Precipitam-se todos, levantam-na, ela volta a si e grita soluçando:

– É horrível! Amélia está morrendo, ela morreu, pois eu acabo de ouvi-la cantar, como só uma morta pode cantar!

E, de novo, uma crise de nervos fez-lhe perder os sentidos. Ora, meia hora depois, o Coronel M. entrava, como um louco, em casa de meu avô, tendo na mão um telegrama. Esse telegrama era da superiora do convento de Estrasburgo e continha estas únicas palavras: “Vinde, vossa neta está passando mal.” O coronel toma o primeiro trem, chega ao convento e é cientificado de que a irmã morrera precisamente há três horas, hora exata da súbita crise de minha mãe.

O fato foi-me contado muitas vezes por minha mãe, por minha avó, por meu pai que assistira à cena, assim como por meu tio e minha tia, testemunhas oculares desse estranho incidente.”

Este fato não é menos digno de atenção do que os precedentes. O nome do narrador é uma segura garantia de sua autenticidade. Não há, no que acaba de ser escrito, nem imaginação nem romance. E parece a mesma a hipótese explicativa. A amiga da Sra. Berget, ao morrer, afigura-se-nos, pensou, com uma grande intensidade, uma cara lembrança, uma imensa saudade, talvez, em sua amiga de infância, e, de Estrasburgo a Schlestadt, a emoção da alma da moça veio impressionar instantaneamente o cérebro da Sra. Berget, dando-lhe a ilusão de uma voz celestial cantando uma pura melodia. De que modo? Nada sabemos a esse respeito. Mas seria anticientífico negar uma coincidência real, uma relação de causa e efeito, um fenômeno de ordem psíquica, pela simples razão de que não sabemos explicá-lo.

“O acaso é tão amplo!”, ouve-se dizer.

Sim, sem dúvida; mas tomemos cuidado, não tenhamos parti pris. Pode o acaso explicar essas coincidências mediante o cálculo das probabilidades? É o que haveremos de examinar.

Não percamos tempo, entretanto; são abundantes os documentos.

A Sra. Ulric de Fouvielle contou-me, em 17 de janeiro último (1899), a ocorrência seguinte, feita por ela própria e conhecida de toda a sua família:



IX – “Morava ela em Rotterdam. Certa noite, por volta das 11 horas, a família, segundo um antigo hábito, fez as preces em alta voz e cada qual se retirou para seu quarto. A Sra. de Fouvielle estava há alguns minutos deitada, e ainda desperta, quando viu diante de si, ao pé do leito provido de cortinado, em que ela dormia, abrir-se o cortinado e uma de suas amigas de infância, que ela não via há mais de três anos, por causa de uma indelicadeza de que se tornara culpada para com a família e de quem não se pronunciava mais o nome, aparecer-lhe com uma nitidez tão perfeita como se se tratasse de uma pessoa viva. Vestia um grande peignoir branco, tinha seus cabelos negros caindo sobre as espáduas e olhou-a fixamente com seus grandes olhos negros, estendendo-lhe a mão e lhe dizendo em holandês:

– Senhora, vou neste momento partir. Podeis perdoar-me?

A Sra. de Fouvielle sentou-se na cama e estendeu a mão, a seu turno, para responder-lhe; mas a visão desapareceu subitamente.

O quarto achava-se iluminado por uma lamparina, e todos os objetos eram visíveis. Logo depois, o relógio bateu as doze pancadas da meia-noite.

No dia seguinte, pela manhã, a Sra. de Fouvielle contava à sua sobrinha esta singular aparição, quando bateram à porta. Era um telegrama de Haia trazendo estas palavras: “Maria faleceu ontem às 11 horas e três quartos da noite.”

O Sr. Ulric de Fouvielle afirmou-me, por seu lado, que o fato da aparição e da coincidência não é contestável. Quanto à explicação, como nós, ele a procura.

A 20 de março último (1899) eu recebia a seguinte carta:

X – “Meu caro mestre:

Pedis que eu vos escreva a respeito do fato de pressentimento, vista dupla, sugestão ou aparição, de que vos falei.

Eu estava para entrar na Escola Naval. Esperava esse momento em Paris, à rua de la Ville-l’Évêque, onde morava minha mãe. Tínhamos nessa época um mordomo piemontês muito inteligente, muito devotado, mas tão céptico como pouco crédulo. Para empregar a expressão popular, ele não acreditava nem em Deus nem no diabo.

Uma tarde, seriam 6 horas, entra ele na sala de visitas, de fisionomia convulsionada, a gritar:

– Senhora! senhora! vem de acontecer-me uma grande desgraça! minha mãe acaba de morrer... Neste instante, eu estava em meu quarto, um pouco fatigado, e repousava, quando a porta se abriu... minha mãe, de pé, pálida e desfeita, achava-se no limiar, fazendo-me um gesto de adeus. Esfreguei os olhos, supondo-me vítima de uma alucinação, mas não, eu a via bem! Precipitei-me para segurá-la... ela desapareceu!... Ela está morta.

Chorava o pobre rapaz. O que posso afirmar é que alguns dias depois chegava a notícia a Paris. Sua mãe estava, de fato, morta no dia e na hora em que ele a viu!



Baron Deslandes
Antigo oficial de Marinha.
Rua de Larochefoucauld, 20, Paris.

A senhora Baronesa Staffe, cujas obras encantadoras andam em todas as mãos, deu-me a conhecer os dois casos seguintes:



XI – “A Sra. M., que, por seu casamento, se tornou francesa e pertence à grande classe médica, era a encarnação da veracidade. Ela preferiria morrer a proferir uma mentira. Ora, eis o que me contou a Sra. M.:

Em sua adolescência vivia ela na Inglaterra, ainda que não fosse de nacionalidade britânica; aos dezesseis anos tornara-se noiva de um jovem oficial do Exército das Índias.

Por um dia de primavera, no porto inglês em que residia, achava-se ela debruçada ao balcão da casa de seu pai e pensava naturalmente em seu noivo. De repente ela o vê no jardim, em sua frente, mas muito pálido e como extenuado. Contudo, feliz e alegre, ela grita: “Harry! Harry!” e desce aos saltos a escada da casa. Abre precipitadamente a porta, supondo encontrar o bem-amado no limiar: ninguém. Entra no jardim, examina o lugar onde o viu, percorre as moitas, observa por toda parte: nada de Harry!

Os que a seguiram, procuram consolá-la, persuadi-la de que se trata de uma ilusão; ela repete: “Eu o vi, eu o vi!” E permanece entristecida e inquieta.

Algum tempo depois a moça é informada de que seu noivo sucumbira em pleno mar, de um mal súbito, no dia e hora em que o tinha visto no jardim.”

XII – “Bernardina era uma velha criada, sem instrução, sem sombra de idéia espiritualista e a quem se acusava de dar-se algumas vezes à bebida.

Uma tarde ela desce à adega para ir buscar cerveja e sobe imediatamente, com o púcaro vazio na mão, pálida e desfigurada. Comprimem-se todos em torno dela:

– Que tens Bernardina?

– Acabo de ver minha filha, minha filha que reside na América. Estava toda de branco, tinha o aspecto de doente e me disse: “Adeus, mamãe.”

– Estás louca! Como querias ter visto tua filha, que reside em Nova York?

– Eu a vi! eu a vi! Ah! o que quererá isso dizer? Ela morreu!

Dizia-se em casa: “Bernardina sem dúvida bebeu um pouco mais do que o razoável.”

Ela, porém, continuou desolada. E o correio que se seguiu a este incidente trouxe a notícia da morte da filha de Bernardina: finara-se no dia e na hora em que sua mãe a tinha visto e reconhecido o timbre de sua voz.”

O Sr. Binet, tipógrafo em Soissons, assinalou-me, por seu lado, a visão seguinte, de que ele próprio fora o ator:

XIII – “Mézières, minha terra, foi abalada por um bombardeio que durou trinta e seis horas somente, mas que bastou para fazer numerosas vítimas. Entre estas últimas, a neta de nosso patrão foi cruelmente ferida: estava com 11 ou 12 anos de idade. Nessa época tinha eu 15 e brincava quase sempre com Leontina (era esse o seu nome).

Pelo começo de março, fui passar alguns dias em Douchéry. Antes de partir, eu sabia que essa pobre pequena estava condenada. A mudança de lugar e também a despreocupação fizeram com que eu esquecesse um pouco as misérias que vínhamos de atravessar.

Eu dormia sozinho em um quarto comprido e estreito, com uma janela que dava para o campo. Uma noite, tendo-me deitado, como de costume, às 9 horas, não pude dormir, coisa para mim extraordinária, pois que, logo depois do jantar, seria capaz de dormir em pé. A Lua brilhava em toda plenitude, aclarando o jardim e projetando uma luz bastante forte no quarto.

Não me tomando o sono, escutava bater as horas, que me pareciam bem longas. Eu meditava, olhando pela janela que se achava justamente defronte do meu leito, quando, cerca de meia-noite e meia, me pareceu ver um raio da Lua caminhar, depois esta sombra luminosa, que flutuava como um grande vestido, tomou a forma de um corpo e, avançando para o meu leito, deteve-se muito perto dele. Um rosto descarnado sorria-me... Soltei um grito... “Leontine!” Depois a sombra luminosa, deslizando sempre, desapareceu ao pé do leito.

Alguns dias mais tarde, voltei para casa de meus pais, e antes que a respeito me falassem (da morte de Leontine), contei-lhes minha visão: era exatamente a noite e a hora em que aquela criança morrera.”

O Sr. Castex Dégrange, diretor-adjunto da Escola das Belas Artes em Lião, transmitiu-me o fato seguinte:



XIV – “Meu padrasto, o Sr. Clermont, doutor em Medicina, tio do Dr. Clermont (discípulo e amigo do Dr. Potain, que acaba de morrer em Paris) tinha entre os seus irmãos um que residia na Argélia e era o pai do citado doutor.

Certa manhã, meu padrasto, que não tinha aliás nenhuma inquietação a respeito de seu irmão, pois o sabia estar passando bem, achava-se ainda no leito.

Antes de levantar para ir ver seus doentes, tinha ele o hábito de tomar na cama uma xícara de café com leite. Procedia a esse primeiro repasto conversando com sua esposa, sentada perto dele, quando é levantado violentamente e de novo atirado ao leito, e isso tão subitamente que derramou todo o líquido contido na xícara.

À mesma hora, soube ele mais tarde, seu irmão morria na Argélia. Fora banhar-se no mar e, tendo sido mordido ou ferido no tendão de Aquiles, contraíra o tétano e morrera após trinta horas de sofrimentos.”

O Sr. Chabaud, antigo diretor de colégio, em Paris, professor muito estimado, a quem numerosos discípulos são devedores de excelente instrução, referiu-me o caso seguinte, com ele mesmo ocorrido:

XV – “Uma parte da minha infância passou-se em Limoges, na casa de um velho tio que me amimava muito e a quem eu chamava bom paizinho. Morávamos no primeiro andar de uma casa, no rés-do-chão da qual havia um restaurante.

Confesso-o, para vergonha minha, que muitas vezes me divertia à custa do patrão do estabelecimento. Entre outras brincadeiras de mau gosto, entrava eu como uma tromba d’água na cozinha gritando: “Pai Garat, venha depressa, meu paizinho vos chama.”

O bom homem deixava precipitadamente suas caçarolas e subia ao primeiro andar, onde eu lhe ria na cara.

Naturalmente, não gostava ele da brincadeira e maldizia descendo a escada; mas as suas ameaças não me amedrontavam em absoluto. Aliás, eu tinha o cuidado de me conservar prudentemente a distância.

Na primavera, íamos quase sempre a passeio para os lados da Ponte Nova, na estrada de Tolosa.

Uma tarde de maio de 1851, tinha eu dez anos, entre 6 e 7 horas (posso precisar porque as minhas recordações são muito nítidas ainda), nós nos dispúnhamos a sair, como de costume, quando meu tio, vendo a Sra. Ravel, filha do dono do restaurante, entabulou com ela o seguinte diálogo:

– Como passa o Sr. Garat?

– Muito mal, Sr. Chabrol.

– Devo ir visitá-lo? (meu tio era médico).

– É inútil, Sr. Chabrol, meu pobre pai está morrendo.

– À vista disso, passamos adiante, meu velho tio perplexo e eu muito feliz por me ver fora de casa.

Uma vez na rua, ou antes, no Boulevard de la Corderie, lanço o meu arco e corro atrás deste. Dou estes detalhes, que nada testemunham em meu favor, para mostrar perfeitamente bem o meu estado d’alma: meu coração e meu cérebro estavam igualmente livres de preocupações, pois que, humildemente o reconheço, longe de me apiedar da sorte do pobre hoteleiro, nem mesmo nisso pensava. É triste dizê-lo, mas é a verdade.

Não longe de Pont-Neuf, a estrada de Tolosa bifurca-se: uma das ramificações conduz à praça da Municipalidade, outra à praça da Cidade.

Chegado lá, detenho-me bruscamente, porque acabo de perceber o Sr. Garat que se aproxima tranqüilamente pelo meio da calçada. Em três saltos fugi para perto de meu tio.

– Bom paizinho – perguntei-lhe – o Sr. Garat levantou-se? Vós o estais vendo ali, a poucos passos de nós?

– Que me dizes?! – retrucou meu tio, branco como uma folha de papel.

– É verdade, bom paizinho. É bem o Sr. Garat. Vinde, vede-o com o seu boné de algodão, sua blusa azul e seu bastão. Bom! ei-lo agora que se põe a tossir. Aproxima-se!

Caminhei o mais depressa que me foi possível, para não ficar ao alcance da mão do dono do restaurante, que à minha vista pareceu esboçar um gesto muito pouco tranqüilizador. Fiz uma retirada em ordem para junto de meu tio, que me disse:

– Voltemos para casa.

Tomei a dianteira. Quando cheguei, havia cinco minutos que o Sr. Garat estava morto, exatamente o tempo que eu gastara para percorrer o caminho.

Voltei correndo para dar a sinistra notícia a meu tio, que tremia sem dizer palavra.

Ainda que eu esteja seguro de ter visto e bem visto, há cerca de cinqüenta anos eu não era mais do que uma criança e pode-se objetar que fui enganado por uma semelhança ou ainda que meus sentidos foram joguete de uma ilusão; mas como admitir que um velho cirurgião da Marinha, tão pouco crédulo por natureza como pela profissão, tenha tido também uma ilusão dessas em pleno dia?”

Enquanto me ocupava especialmente com o exame dessas enigmáticas manifestações e aparições de moribundos, durante os primeiros meses desse ano de 1899, acontecia-me conversar a esse respeito, muito freqüentemente, com diversas pessoas, quer em minha casa, quer na rua, não tardando a constatar que, se a maioria era de um cepticismo quase completo e não tinha jamais visto coisa alguma que se parecesse, uma parte notável, entretanto, sabia que tais coisas existem. Pode-se calcular que há, em média, para vinte pessoas, uma que por si mesma observou fatos análogos, ou que ouviu falar deles no círculo imediato de suas relações e pode fornecer igualmente observações de primeira mão.

Acabo de citar quinze casos que me foram narrados por pessoas em relação direta comigo. Ouvira a narração de uma vintena de outras da mesma ordem,20 quando me veio a idéia de tentar em França uma investigação análoga à que foi feita na Inglaterra, há alguns anos, sobre essa espécie de fenômenos. Pareceu-me a ocasião excelente, sob o ponto de vista da segurança, da autenticidade, do valor dos testemunhos. Publiquei os primeiros capítulos desta obra no jornal hebdomadário de meu erudito e excelente amigo Adolfo Brissou, Anais Políticos e Literários, cujos assinantes formam como que uma imensa família em correspondência freqüente com a redação.

Existe ali uma espécie de intimidade que jamais observei senão entre os leitores do Boletim Mensal da Sociedade Astronômica de França e, outrora, entre os da Revista Pitoresca. Esse laço de família não existe mais entre os leitores dos jornais cotidianos ou mesmo das revistas mais sérias. Uma comunidade de idéias reúne os leitores aos redatores, não que seja isso uma igreja em que todos os fiéis pensam do mesmo modo, mas porque se sente aí uma comunidade, uma boa vontade, um desejo comum de se unirem, de se ajudarem nas mesmas pesquisas, se tal coisa tem lugar. Tal é, pelo menos, a impressão que recebi das cartas que por um grande número de leitores me foram endereçadas desde os meus primeiros artigos.

Não digo que entre os 80.000 assinantes dos Anais não haja, como em toda parte, farsistas, impostores, crédulos, maníacos, tudo o que se deseje. São, porém, exceção. A imensa maioria representa uma honesta média de perfeito bom senso, estendendo-se a todas as classes da sociedade, desde as posições mais elevadas até as mais humildes, e sem distinção de crenças.

Há também aí, como aliás em quase toda parte, uma classe inteira de falsos beatos e de pequeninas consciências, forradas de escrúpulos, que têm medo da própria sombra e são absolutamente incapazes de pensar por si mesmos. Essas pessoas declararam-me imediatamente que permaneceriam mudas como carpas, que eu me ocupava de coisas que não tinham nada a ver comigo, que eu lançava a confusão no espírito dos primeiros comungantes e que essas questões diabólicas são reservadas à Igreja, cujo catecismo resolve todos os mistérios.

O mesmo raciocínio apresentavam a Sócrates os devotos do templo de Júpiter. Onde está hoje esse templo? Onde está Júpiter? Entretanto continuamos sempre a ler os diálogos de Sócrates.

Pareceu-me, pois, dizia eu, que seria uma boa e frutuosa indicação sobre o número, a variedade e a natureza de tais fatos, abrir uma enquete entre os numerosos e simpáticos leitores dos Anais e pedir-lhes o obséquio de trazerem ao meu conhecimento aqueles de que tivessem podido ser testemunhas, ou de que pudessem afirmar a autenticidade, segundo as narrativas de pessoas de suas imediatas relações.

O seguinte apelo apareceu em o número de 25 de março de 1899:

“Esses misteriosos casos de aparições, de manifestações de moribundos ou de mortos, de pressentimentos nitidamente definidos, são tão importantes como interessantes para o nosso conhecimento da natureza do ser humano, corpo e alma, e foi isso que nos levou a empreender esta série de estudos e de pesquisas especiais, que escapam seguramente ao quadro ordinário da Ciência e da Literatura.

Poderíamos ir, desde hoje, um pouco mais longe, precisamente com o simpático concurso de todos os leitores dos Anais, se eles a isso quisessem prestar-se nesta circunstância talvez única.

Trata-se sobretudo, no caso, de uma demonstração estatística, de tomarmos conhecimento da proporção real desses fenômenos psíquicos: teríamos, aqui mesmo, essa demonstração em oito dias, se os nossos leitores, tidos os nossos leitores, tivessem a extrema gentileza de se prestarem a isso.

Ser-lhes-ia possível enviar-nos muito simplesmente uma carta postal, respondendo sim ou não às duas questões seguintes:



    Tem-vos acontecido, em qualquer época, experimentar, estando acordado, a nítida impressão de ver um ser humano, ou de ouvi-lo, ou de ser tocado por ele, sem que pudésseis relacionar essa impressão a alguma coisa conhecida?

    Coincidiu essa impressão com alguma morte?



No caso em que jamais tenha experimentado um fato dessa ordem, escrever simplesmente não e assinar. (Simples iniciais, se assim o preferir.)

No caso em que tenha observado um fato desse gênero, pede-se responder às duas questões por sim ou por não e acrescentar algumas palavras indicando o gênero de fenômeno constatado, e, se coincidir ele com uma morte, o intervalo de tempo que tenha podido separar a morte do fenômeno observado.

No caso em que fatos desse gênero tenham sido experimentados em sonho, seria bom deixá-los assinalados, se houve coincidência de morte.

Enfim, no caso em que, sem o ter observado por si mesmo, se conheça um fato certo e autêntico, seria igualmente muito interessante relatá-lo abreviadamente.

Este inquérito terá um grande valor científico, se todos os nossos leitores se dispuserem a enviar-nos sua resposta. Apresentamos-lhes antecipadamente os nossos melhores agradecimentos.

Não há nisso nenhuma questão de interesse pessoal; trata-se, pelo contrário, de um grave e curioso assunto de interesse geral.”

Como se poderia esperar, nem todos os leitores responderam. Para escrever uma carta com o único intuito de ser útil à elucidação de um problema é necessário certo devotamento impessoal à causa da verdade. Esses belos caracteres não se encontram com freqüência. Roubar alguns instantes à sua vida habitual, às suas ocupações, aos seus prazeres, ou simplesmente à sua preguiça, é um esforço, uma espécie de virtude, por muito simples que seja isso. Depois, nesta ordem de idéias, muitos temem o ridículo! Sou, portanto, sincera e profundamente reconhecido a todas as pessoas que se dispuseram a responder-me e lamento que o tempo material me tenha em absoluto faltado para exprimir a cada uma delas, pessoalmente, os meus mais vivos agradecimentos.

Seria injusto, por outro lado, atribuir todos os casos de silêncio à indiferença, à preguiça ou ao medo do ridículo. Exemplo: uma das cartas, a que traz o nº 24, começa assim:

“Desde que empreendestes a série de estudos sobre os problemas psíquicos, tão palpitantes em si, estou possuído do ardente desejo de vos endereçar uma narrativa que me toca de muito perto, sem ter a coragem de fazê-lo. Por que? Por timidez? Não. Por um sentimento para o qual não encontro explicação, mas que é certamente comum a grande número de vossos leitores e que consiste em se dizer: Para que servirá? Sr. Flammarion tem certamente recebido e possui centenas de narrativas; uma de mais ou de menos não quer dizer nada, e depois... será mesmo lida?”

Por outro lado, tive ocasião de constatar que um certo número – não pequeno – de pessoas que têm sido testemunhas desse gênero de fatos conservam-se em silêncio e se recusam mesmo a contá-los quando interrogadas a respeito, seja isso por um respeito exagerado talvez para com dolorosas recordações, seja para não imiscuir nenhum estranho em negócios íntimos, seja simplesmente para não oferecer margem a qualquer discussão, a qualquer crítica da parte dos cépticos.

Nos meses de junho e julho seguintes, prolonguei a mesma enquete no Petit Marseillais e na Revue des Revues, um pouco também no desejo de conhecer a opinião pública geral.

Recebi 4.280 respostas, compostas de 2.456 não e 1824 sim. Entre estas últimas, havia 1.758 cartas mais ou menos detalhadas, grande número das quais eram insuficientes como documentos a discutir. Delas, porém, eu pude reservar 786 importantes que foram classificadas, transcritas quanto aos fatos essenciais e resumidas. O que impressiona em todos esses relatos é a lealdade, a consciência, a franqueza, a delicadeza dos narradores que assumem o compromisso de somente dizerem o que sabem e como o sabem, sem nada ajuntar nem diminuir. Nisso, cada um se constitui servo da verdade.

Essas 786 cartas transcritas, classificadas e numeradas 21 referiam 1.130 fatos diferentes.

As observações expostas nessas cartas apresentam ao nosso exame diversas classes de fenômenos, que podem ser classificados como segue:



    manifestações e aparições de moribundos;

    manifestações e aparições de vivos não doentes;

    manifestações e aparições de mortos;

    visão de fatos passados ao longe;

    sonhos premonitórios; previsão do futuro;

    sonhos reveladores de mortos;

    encontros pressentidos;

    pressentimentos realizados;

    duplos de vivos;

    movimentos de objetos sem causa aparente;

    transmissão de pensamentos a distância;

    impressões recebidas por animais;

    chamados ouvidos a grandes distâncias;

    portas fechadas a ferrolho, que se abrem por si mesmas;

    casas mal-assombradas;

    experiências de Espiritismo.



Inúmeros desses fatos são subjetivos, passam-se no cérebro das testemunhas, conquanto sejam determinados por uma causa exterior. Um grande número refere-se a alucinações puras e simples. Teremos de examiná-los e discuti-los. O que eles nos demonstram, desde logo, é que ainda há muitas coisas que nós não conhecemos; é que existem, na Natureza, forças desconhecidas, cujo estudo nos interessa.

Vou primeiro extrair, das cartas recebidas, aquelas que têm por objeto as manifestações de moribundos a pessoas acordadas e em estado de espírito normal, eliminando tudo o que concerne aos sonhos. Estas observações constituem a seqüência das precedentes. Não as farei acompanhar de comentário algum: a discussão virá depois; tudo o que peço é que sejam lidas com atenção.

Suprimo todas as fórmulas de polidez. Suprimo igualmente todos os protestos de sinceridade e de segurança moral. Cada correspondente afirma sob palavra de honra que relata os fatos tais quais o conhece. Que seja dito isto uma vez por todas.




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