Camille Flammarion o desconhecido e os Problemas Psíquicos



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(Carta 514)

CXXX – “Uma de minhas amigas de estudo (eu sou doutora) tinha ido às Índias como médica missionária. Perdemo-nos de vista, como por vezes acontece, mas nos amávamos sempre.

Na manhã de 28 para 29 de outubro (eu estava nessa ocasião em Lausanne), fui acordada antes das 6 horas por batidinhas dadas em minha porta. Meu quarto de dormir dava para um corredor que terminava na escada do primeiro andar. Eu deixava a minha porta entreaberta para que um grande gato branco, que eu possuía, pudesse ir à caça durante a noite (a casa era infestada de ratos). Repetiram-se as pancadas. A campainha não soara e eu não sentira subirem a escada.

Por acaso meus olhos pousaram sobre o gato, que ocupava seu lugar de costume ao pé da minha cama: estava ele sentado, com o pelo eriçado, tremendo e rosnando. A porta agitou-se como impelida por um ligeiro golpe de vento e vi aparecer uma forma envolta em uma espécie de tecido vaporoso branco, como um véu sobre uma sombra escura. Não pude distinguir bem o rosto. ela aproximou-se; senti um sopro glacial passar por mim, ouvi o gato rosnar furiosamente. Instintivamente fechei os olhos e quando os reabri havia tudo desaparecido. O gato tremia por todo o corpo e estava banhado de suor.38

Confesso que não pensei na amiga que se achava nas Índias, mas em uma outra pessoa. Cerca de 15 dias mais tarde soube da morte de minha amiga, ocorrida na noite de 29 para 30 de outubro de 1890, em Srinaghar, Kashmir. Posteriormente soube que ela sucumbira em conseqüência de uma peritonite.



Maria de Thilo
Doutora em Medicina em Saint-Jamien (Suíça).”

(Carta 519)

CXXXI – “Achava-me, certa manhã, em minha sala de jantar, apenas com uma criada. Estávamos uma e outra ocupadas na arrumação da casa. A criada, voltada de costas para mim, espanava um console. Eu arrumava as coisas que achava sobre uma mesa que nos separava. Todos em casa dormiam ainda, porque era muito cedo; dessa forma, o mais perfeito silêncio reinava em torno de nós.

De repente ouvimos um ruído que nos deu a impressão da queda de um grande pássaro que tomba pesadamente, depois de haver várias vezes batido as asas. Parecia ter-se passado isso entre nós, no meio da sala. Ambas experimentamos certa comoção. A criada voltou-se bruscamente, deixando cair o espanador que tinha em mãos, e olhou-me com um aspecto de pavor. Eu estava imóvel, estupefata e sem poder falar. No fim de alguns segundos, voltando de meu espanto, precipitei-me de um salto à janela, examinei a parte de fora: era um pátio no qual não vi nada que pudesse causar esse ruído. Querendo à viva força achar-lhe a explicação, abri duas portas: uma dava para um vestíbulo, outra para um quarto de dormir inabitado. Pesquisei, remexi por toda parte. Nada, sempre nada.

Então, sem fazer comentário algum, veio-me a idéia de mandar saber notícias de uma pessoa doente, pela qual eu me interessava e que deixara, na véspera, agonizante. Era a uma pequena distância da casa. Quando a criada regressou, disse-me:

– Ela morreu esta manhã, às 6:30.

Eram então 7 horas. Aquele estranho barulho produzira-se exatamente à hora em que a morte se verificou.

Mme. B., Nevers.”

(Carta 522)

CXXXII – “A. – No inverno de 1870-1871, encontrei-me uma tarde a sós com minha mãe e minha avó que deixara Saint-Etienne desde alguns dias, para vir passar um mês perto de sua filha e de sua neta; deixara seu filho Pedro, então com a idade de 35 anos, ligeiramente indisposto, em conseqüência de um resfriado. De forma alguma estava ela inquieta a seu respeito e, tendo há muito decidido sua viagem, veio juntar-se-nos em Marselha.

Ora, uma noite, acabávamos apenas de nos deitar, eu no mesmo quarto que minha avó e mamãe em um outro cômodo, quando um violento toque de campainha nos pôs a todos sobressaltados; eram 11 horas da noite. Levanto-me e encontro minha mãe que vinha, por seu lado, saber quem batera; encontramo-nos ambas no vestíbulo e perguntamos diversas vezes: “Quem está aí?” Sem obter resposta (e sem abrir a porta), voltamos cada uma para o seu quarto, onde nos tornamos a deitar. Minha avó permanecera em seu leito e eu a encontro sentada, um pouco sobressaltada por ver que não havíamos obtido resposta.

Apenas voltáramos a nós desse pequeno acontecimento, um novo toque de campainha, mais imperativo que o primeiro, arranca-nos de novo à nossa quietude.

Desta vez saltei da cama com a vivacidade de uma criança de 14 anos que eu era a essa época e cheguei à porta muito antes de mamãe. Pergunto quem está ali. Ninguém responde; abrimos a porta, examinamos a escada, os andares superior e inferior: sempre ninguém. Voltamos para nossos quartos, inquietos, pressentindo um acontecimento imprevisto, com o coração amarrado e após uma noite quase indormida (salvo para mim que estava na idade em que se dorme, haja o que houver), recebemos na manhã que se seguiu a essa noitada tão impressionante, o seguinte telegrama: “Pedro morto ontem 11 noite, avisai mamãe, preparai-a para esta triste notícia.



B. – Em 1884, ano da cólera em Marselha, parto para Bagnères-de-Bigorre e Barèges, com meu marido e meus dois filhos. Estava eu aí há oito dias apenas, no Hotel da Europa. Uma noite sou despertada bruscamente sem causa direta; meu quarto, onde durmo sozinha, está completamente às escuras; vejo em pé, ao lado da minha cama, uma pessoa circundada de uma auréola luminosa; olho um pouco emocionada, como bem deveis compreender, e reconheço o cunhado de meu marido, um doutor, que me diz:

– Preveni o Adolfo de que eu morri.

Chamo imediatamente meu marido, deitado no quarto próximo e lhe digo:

– Acabo de ver teu cunhado que veio anunciar-me sua morte.

No dia seguinte, um telegrama nos confirma a notícia: um ataque de cólera (quando tratava de doentes pobres) levara-o em algumas horas.

Não havia no mundo natureza mais devotada por seus doentes e mais simpática.



H. Poucet
Rua do Paraíso, 514, Marselha.”




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