Camille Flammarion a morte e o seu Mistério vol 3



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Camille Flammarion
A Morte e o seu Mistério
Traduzido do Francês

La Mort et son mystère

1917
(obra em 3 volumes)



Volume 3

Depois da Morte





John Constable

Nuvens


Conteúdo resumido


Editada em três volumes, A Morte e o seu Mistério é um extenso e precioso repositório de narrações sobre fenômenos extrafísicos, expostos e comentados por Camille Flammarion com o rigor da metodologia científica.

Conforme as próprias palavras do autor, a obra visa demonstrar por fatos de observação, fora de toda crença religiosa e em completa e imparcial liberdade de julgamento, a existência da alma, a sua independência do organismo corpóreo e a sua sobrevivência à desagregação deste último.

Em síntese, são abordados neste trabalho os seguintes temas:


  • o 1º volume, “Antes da Morte”, prova que a alma existe e independe do corpo carnal;

  • o 2º volume, “Durante a Morte”, demonstra a veracidade do aparecimento de fantasmas dos vivos, as aparições e manifestações de moribundos e os fenômenos de premonição;

  • o 3º volume, “Depois da Morte”, oferece-nos a certeza da sobrevivência da alma após a morte, sua existência num outro plano e a possibilidade de se comunicar com os Espíritos encarnados.

Estas duas obras: “A Morte e o seu Mistério”, juntamente com “O Desconhecido e os Problemas Psíquicos”, escrita anteriormente pelo mesmo autor, formam a maior coleção de casos de fenômenos psíquicos já reunidos em obra literária, nos últimos séculos. Daí a sua grande importância como documentos históricos para as ciências psíquicas e, em decorrência, para as pesquisas sobre os fenômenos mediúnicos.

– – 0 – –


“A morte é nosso destino comum. As riquezas materiais adquirem-se e perdem-se. Que a tua vida se inspire na mais pura justiça! Sê irrepreensível para o próximo como para contigo. Aproveita todas as oportunidades para te instruíres. Viverás, assim, vida sumamente agradável.

Medita estes pensamentos. Quando deles estiveres compenetrado, poderás conceber a constituição de Deus, dos homens e das coisas e ajuizar da realidade da unidade de toda a natureza; Conhecerás então essa lei universal: em toda parte do mundo a matéria e o espírito, em princípio, são idênticos.

Prossegue na obra da libertação da tua alma, fazendo escolha judiciosa e ponderada de todas as coisas, de modo a assegurar a vitória do que em ti existe de melhor: o Espírito. Assim, quando abandonares teu corpo material, elevar-te-ás no éter, e, deixando de seres mortal, revestirás tu mesmo a forma de um deus imortal.”

Pitágoras
– – 0 – –
Sumário


Capítulo I

Pesquisa geral sobre a


realidade das manifestações de mortos 6

Capítulo II

Mortos que apareceram em seguida a
juramentos recíprocos, a promessas,
a ajustes, a declarações anteriores 49

Capítulo III

Mortos que voltaram para negócios pessoais

– Revelações. – Pagamentos de dívidas. – Restituições.


– Promessas não cumpridas. – Serviços a prestar.
– Testamentos. – Confidências. – Censuras.
– Protestos. – Perseguições. – Vinganças.
– Avisos. – Manifestações diversas. 74

Capítulo IV

Manifestações e aparições de mortos
imediatamente após o falecimento
(alguns minutos até 1 hora depois) 107

Capítulo V

Manifestações e aparições de mortos
quase imediatamente depois da morte
(algumas horas: de 1 a 24 horas) 131

Capítulo VI

Manifestações e aparições de mortos
pouco tempo depois do falecimento
(intervalo de um dia a uma semana) 164

Capítulo VII

Manifestações e aparições de mortos
algum tempo depois da morte
(de uma semana a um mês) 200

Capítulo VIII

Manifestações e aparições de mortos
bastante tempo depois da morte
(de um mês a um ano) 224

Capítulo IX

Manifestações e aparições de mortos
muito tempo depois do falecimento
(durante o segundo, terceiro e
quarto ano depois da morte) 251

Capítulo X

Manifestações e aparições de mortos
muito tempo depois do falecimento
(além do quarto ano) 284

Capítulo XI

As manifestações de mortos nas experiências
de Espiritismo. – As provas de identidade 304

Conclusões


dos três volumes desta obra 329



Capítulo I

Pesquisa geral sobre a


realidade das manifestações de mortos


As verdades matemáticas só podem ser julgadas por matemáticos. Eu desprezo o julgamento dos mateólogos ignorantes.”

Copérnico
(Dedicatória do seu livro ao Papa, 1543)

* * *

Cada qual só deveria julgar do que entendesse.”



O bom senso  

Nosso volume “Durante a Morte”, segundo dessa trilogia metapsíquica, deu aos seus leitores a certeza dos fantasmas de vivos, das aparições e manifestações de moribundos, produzindo-se a qualquer distância, transmissões telepáticas irrecusáveis, e terminou com esta interrogação: “Obteremos nós as mesmas provas de autenticidade, a mesma certeza quanto à existência real dos mortos?

“Eis um livro de boa fé”, dizia Montaigne em seus inesquecíveis Ensaios: deve caber a mesma afirmação para esta obra.

Chegamos à porta do templo fechado. Mas já esta porta pareceu entreabrir-se em nossas excursões à fronteira dos dois mundos. Este terceiro volume tem por fim estabelecer a sobrevivência por meio de fatos observados, e isto pelo mesmo método experimental, independentemente de qualquer crença religiosa.

O raciocínio e a meditação podem auxiliar na pesquisa da verdade; mas não são suficientes, não o foram até hoje para descobri-la. A observação positiva é indispensável para nos convencer. As teorias de nada valem quando não se esteiam em realidades.

Ora, é de notar que a questão por excelência capital, qual a de sabermos se somos efêmeros ou duradouros, se sobrevivemos à morte, ficou até hoje fora do quadro das ciências clássicas. O habitante da Terra é um ente esquisito: vive num planeta sem saber onde está, sem ter a curiosidade de indagá-lo de si mesmo e sem procurar conhecer a sua própria natureza!

É chegado o tempo de atacar a fortaleza da ignorância secular, e isso sem dissimular dificuldade alguma, objeção alguma.

Antes de nos entregarmos a nossas pesquisas e para não nos expormos a perder nosso tempo – pois não há coisa mais absurda do que o tempo perdido –, parece-me que meu primeiro dever, como sinal de respeito para com os inúmeros leitores que me honram com a sua atenção, será de abranger, sob a mesma rubrica de recapitulação, as comunicações aos milhares que me foram dirigidas, aduzindo-lhes outras tantas feitas em outros países e em todas as épocas, e ver se algumas se apresentam com tal evidência que nos prometam a certeza desejada, libertem-nos do temor formulado aqui, autorizando-nos a tomar em consideração o assunto a examinar. Teremos ocasião de classificar mais tarde, em diversas categorias, os fenômenos observados. Façamos, pois, primeiro um ligeiro exame que ilumine espontaneamente nosso campo de estudos.

Das 4.800 cartas que recebi dos correspondentes com os quais estava – ou estive depois – em relações e cuja sinceridade e valor moral pude apreciar, dessas só destaquei algumas centenas de observações, dentre as que me pareceram inatacáveis. Agi exatamente como agimos para com as compilações científicas, quando publicamos uma observação astronômica, meteorológica, geológica e mesmo com maior severidade. Nada de romances, nada de fantasias. Estrita observação. Os leitores que acusariam esta obra, ou a precedente, O Desconhecido e os Problemas Psíquicos, de falta de método demonstrariam que tiveram a preguiça de examinar seriamente o assunto ou que realmente estão desprovidos do espírito de análise.

Não tenhamos nenhum preconceito, nem religioso, nem anti-religioso. Nas crenças menos argumentadas descobre-se muitas vezes um fundo de verdade mal interpretada. Observemos com independência e formemos nosso juízo. Há espíritos obtusos. Não os imitemos. “Eu – dizia um dia certo negador impenitente a um livre pesquisador – só acredito no que posso compreender.” – E todos sabem que o senhor em nada acredita! – retorquiu o interlocutor.

Os princípios do método científico nos ordenam receber as narrações de fenômenos, fora do natural, com a máxima circunspecção, considerando-os a priori como suspeitos, precisamente porque são extraordinários e inexplicáveis. E é difícil, à primeira vista, aquilatar qual o valor dos narradores, a respeito da sua própria sinceridade e do seu equilíbrio mental. Poderia citar mais de um pseudo-historiador fazendo pouco caso do respeito à verdade. O nome do signatário não é sempre uma garantia. A narração muito simples de uma observação feita por testemunha atenta e sóbria, sem pretensão literária, é muitas vezes de melhor qualidade do que a de um escritor profissional. Podemos até pensar que um romancista, habituado a inventar ficções, seja muito capaz de apresentar fatos falsos como realidades e isso sem o mínimo remorso. Todas as narrações devem ser, a priori, consideradas como suspeitas, porém declará-las todas inadmissíveis é simplesmente estupidez. Existem fatos reais. Apesar da incerteza das testemunhas históricas, peço licença para repetir a afirmação de que Luís XVI morreu na guilhotina, a 21 de janeiro de 1793, em Paris, e que o cadáver embalsamado de Napoleão jaz no sarcófago de mármore dos Inválidos. Procedamos assim: 1º- com prudência; 2º- com toda a liberdade de apreciação.

O método que aqui adotamos para este estudo parece-nos o mais seguro, o mais inatacável.

Verificamos, na segunda parte dessa obra, que a alma ao separar-se do corpo manifesta-se de maneiras diferentes, muitas vezes a grande distância do lugar do falecimento. Mas essas manifestações poderiam provir do ser humano ainda vivo, pois o momento preciso da morte é extremamente difícil de se marcar, psicologicamente falando.

Vimos passar diante de nossos olhos fenômenos diversos que se produziram num estado psíquico intermediário entre a vida e a morte e que não parecem ser manifestações de mortos. Não quisemos dissimular as objeções que se erguem diante do problema que deveremos resolver; enfrentamos as dificuldades, porque o estudo científico é, antes de tudo, franco e leal. É com a mesma lealdade, a mesma sinceridade, a mesma independência de espírito que devemos examinar os fatos de observações que agora se nos vão apresentar.

Trata-se de estudar imparcialmente, de discutir, de interpretar grande número de fenômenos que se nos apresentam como manifestações de mortos; se os atos produzidos por certas faculdades da alma, desconhecidas ou pouco estudadas, tais como as transmissões psíquicas a distância, a vontade agindo sem intermediário, a telepatia, a vista sem os olhos, a audição sem os ouvidos, a previsão do futuro, revelam sob diferentes aspectos a existência pessoal da alma, que deve ser considerada, de ora em diante, não como efeito, mas como causa. Esse assunto nos dará testemunhos formais e categóricos da sobrevivência. Esses fatos, por serem inexplicáveis, nos obrigam a admitir que em nós existe um princípio espiritual, diferente dos atributos fisiológicos, físicos, mecânicos, químicos, do organismo animal, e que permanece intacto quando o corpo se desagrega.

O valor, porém, das nossas conclusões está intimamente ligado à severidade do nosso método. Devemos evitar atribuir aos mortos todos os fatos inexplicáveis que nosso primeiro volume, “Antes da Morte”, levou-nos a suspeitar da existência de faculdades humanas ainda não determinadas.

Vamos ter sob nossas vistas manifestações, aparições, observadas depois da morte, muitas vezes cumprindo intenções expressas em vida. Nosso dever é, sem a menor dúvida, tentar primeiro explicá-los como atos de viventes, como funções cerebrais; mas havemos de reconhecer que, apesar da melhor boa vontade, não é isso fácil e que, sem idéia preconcebida, somos obrigados a admitir vontades de mortos.

Uma comunicação entre um ente morto e um ente vivo é comunicação entre um espírito em certa fase da existência e um outro espírito em fase completamente diferente, efetuando-se por um meio diverso dos órgãos físicos, pois que do outro lado esses órgãos não existem mais. Examinemos tudo com cuidado, sem nos encerrarmos num quadro sistemático.

Neste exame continuaremos a obedecer ao princípio que até agora nos guiou: nada de frases, nada de dissertações e de hipóteses: fatos.

Antes de tudo, declaremos que os fenômenos póstumos, que vamos examinar, não estão em desacordo com a lei biológica da continuidade. Demonstram, pelo contrário, que a vida continua além-túmulo, e isto muito simplesmente, muito naturalmente. As aparições no momento da morte lançaram para nós uma ponte entre os dois mundos; levam-nos diretamente, sem solução de continuidade, às aparições depois da morte.



* * *

A Ciência deve estudar os fenômenos psíquicos como estuda os físicos, sem se deter com as inverossimilhanças. Teríamos acaso podido admitir, antes da descoberta das ondas hertzianas, que seria possível transmitir uma onda elétrica, sem fio, a uma distância de milhares de quilômetros? Não teríamos rido se se tivesse pretendido poder fotografar um objeto de metal contido numa caixinha de madeira espessa? Não teríamos chamado louco àquele que nos tivesse dito que veríamos um dia fotografias dos nossos ossos obtidas através da nossa carne e nosso vestuário? Tudo não estava então e não está ainda por estudar?

Descurar observações sob o pretexto de que são raras e excepcionais é erro e é anticientífico. A descoberta dos raios X foi devida a um acidente; a do árgon foi devida a uma anomalia no modo de agir do azoto; foi o desacordo entre as posições observadas e calculadas de Urano que revelou a existência de Netuno, etc.

Compreendemos nós as transmissões telepáticas no momento da morte? Não. São elas absolutamente certas? Sim. São ainda mais freqüentes do que o deixei entrever. Enquanto estava redigindo estas páginas (julho de 1921), recebi a seguinte carta de meu ilustre amigo Camilo Saint-Saëns, arrebatado alguns meses depois (16 de dezembro) à afeição dos seus admiradores:





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